Perto do fim do mundo, penso que esse é o momento de relaxar, encostar em uma cadeira confortável à sombra, ouvir uma boa música e tomar um bom vinho. Dessa maneira fiquei esperando pelo fim do mundo. Fiz todos os preparativos, escolhi a cadeira e o vinho. Mas faltava a música para ouvir no momento final. Foi difícil escolher. Pensei numa seleção de umas dez músicas, que certamente teria Pink Floyd, Gilberto Gil, Buena Vista Social Clube, entre outras. Talvez, ao ver se aproximar o momento final, colocaria na vitrola Bennie and the Jets, do Elton John. Que música bonita, essa! Estou me referindo ao final do ano, não ao fim do mundo. Fazer lista das melhores é mania que prolifera nessa época do ano. Tem lista para todo gosto, por isso acho que terei meu laptop ao meu lado, para que as melhores fotografias de todos os tempos possam ilustrar minha seleção musical, criando uma espécie de slide show. Mas quais fotografias escolher para essa lista é outra missão impossível, e confesso-me incapaz de realizar tamanha façanha. Acho que transferirei essa tarefa para o Google, e então escolherei minhas fotografias preferidas entre as que já foram selecionadas. O homem chegando à lua, o milésimo gol de Pelé, a foto do Che Guevara, Marilyn Monroe segurando a saia, Albert Einstein mostrando a língua… Vou colocar também algumas imagens de fotógrafos anônimos que ache por lá. E porque todas as listas são subjetivas, claro, sempre baseadas na cultura e preferências individuais, incluirei também algumas imagens de meu próprio acervo, sobre as coisas que fazem mais sentido para mim. Mas se o mundo não acabar, aí muda tudo. Vou colocar um Raul Seixas na vitrola para fazer muito barulho e acordar a vizinhança, e se a polícia chegar, posso voar com as botas elétricas da Bennie para outro planeta. A imagem da semana é Ironman World Championships, de Donald Miralle Jr. vencedor do prêmio de melhor foto do ano da World Press Photo de 2012, na categoria esportes. Glauco Frizzera é fotógrafo com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Bussiness and Administration, é vencedor do prestigiado Prêmio Photoshop Guru Award. Visite o site glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para contact@glaucofrizzera.com
Canção de Esquecer
Errar é humano, perdoar é divino, diz quem erra. Errar é fácil, perdoar é complicado, diz quem perdoa. Foi o que descobriu Giselda, que um dia cometeu um erro grave. Não de propósito, mas abusou do poder que o alto cargo na Construtora Morar Bem lhe conferia, e um trabalhador honesto e competente perdeu o emprego e os benefícios. Fez o que achou certo, mas se baseou mais em julgamentos precipitados que nas provas apresentadas no processo AR2341. Anos depois, preparando os documentos para sua aposentadoria, Giselda depara com o tal processo mofando nos arquivos mortos, e vê claramente que foi injusta e intransigente. Não há nada que possa fazer para remediar o mal feito, mas a aposentadoria, ao invés de lhe dar prazer e alegria, lhe pesa na consciência e na alma. Alguém perdeu o privilégio de se aposentar por minha culpa! Natal é tempo de reavaliar as ações passadas, boas ou más, mas como falar em paz e amor com esse peso na alma? Giselda pesquisa na Internet e localiza nome e endereço… Para quê? O que pode ser corrigido ou pelo menos remediado, depois de tantos anos? Não sabe ainda o que vai fazer, mas segue seus instintos. Talvez essa pessoa que nem conheceu esteja passando dificuldades… Talvez, de algum modo, possa recompensá-la pelo mal que lhe fez. O bairro é pobre; a casa émiserável. Bate e uma menina maltrapilha atende, “Procuro por Alfeno Roverio”. A menina grita para dentro da casa, “Vô, tem uma mulher aqui!” A voz retorna como um eco envelhecido, “Então manda entrar, ora”. Entra e olha em volta – Um cômodo apenas, com uma mesa de bar e uma cadeira. Sem televisão. O homem na cadeira de rodas tem a barba crescida e o pouco cabelo já está totalmente branco. Tão velho assim? Diz quem procura. “Sou eu mesmo, em que posso servi-la?” A menina senta no chão e assiste a estranha cena – Giselda parada no meio do cômodo sem saber o que dizer ou fazer, o homem olhando para ela, mais curioso que espantado com a visita. “A senhora é a nova assistente social? Mudam todo mês…” Giselda respira fundo, “Não, bem… é difícil explicar. Tudo por causa do Natal… O senhor não me conhece, mas cometi uma injustiça no passado e esse peso não me sai da consciência… O homem sorri, “Não tem nada que um sincero pedido de desculpas não resolva”. Giselda o olha aliviada, “Acha mesmo?” e deixa as lágrimas rolarem. “Sou a pessoa que julgou seu caso na Construtora Morar Bem… Por minha culpa o senhor perdeu seu emprego”. O homem alisa o pouco cabelo, “Ah, águas passadas, não guardo rancores”. Giselda enxuga as lágrimas, “Gostaria de recompensá-lo… Não sou rica, mas…” “Tudo vem pela vontade de Deus. Mas é natal e não tenho um presente pra neta. Se isso deixa a senhora mais feliz, compra um brinquedinho pra ela, e pronto”. Giselda olha a menina desnutrida, “Onde estão os pais?” “Só eu nesse mundo e não posso trabalhar. Mas tenho a bolsa família”. Giselda abre a bolsa e conta as notas, “Isso é para o natal. Vou mandar uma ajuda todo mês…” É o velho agora que tem lágrimas nos olhos, “Não precisa…” “Insisto…” “Deus a abençoe”. Giselda vai embora, leve e satisfeita consigo mesma.”Feliz natal!” grita para o mundo, e distribui umas notas de cinco para os mendigos da rua. Lá dentro a menina continua no mesmo lugar, olhando espantada para o avô. “Quem era, vô?” Ele olha mais espantado ainda para o bolo de notas em suas mãos, “Sei lá, menina, nunca vi mais gorda e nunca ouvi falar nessa tal construtora, mas deve ser Papai Noel disfarçado!”
Mergulhou
Na tumultuada sessão do Congresso Nacional dessa quinta-feira (19), quem reapareceu à cena política foi o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que andava sumido. Ferraço se casou recentemente, mas para os meios políticos não foi só por causa da lua de mel que ele ficou fora das movimentações políticas dos últimos dias. Depois da eleição deste ano, em que dividiu o palanque Estado afora com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), o senador deu a famosa mergulhada. É que Hartung não saiu vitorioso do processo, muito pelo contrário, em alguns casos, como em Vitória, acabou pesando no palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), e é apontado como um dos responsáveis pela derrota tucana. A forte identificação de Ricardo Ferraço com Paulo Hartung traz para o senador o compartilhamento desse desempenho. Daí o melhor foi sair de cena para evitar a exposição pública, o que reforçaria o compartilhamento da derrota de Hartung. O fato é que o mercado político esperava uma movimentação com mais visibilidade de Ricardo Ferraço na disputa deste ano. Mas com Hartung no palanque, ele passou a ser figurante, o que não o exime do ônus pelas derrotas do protagonista. Paralelamente a isso, o pai do senador, o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM), mudou sua postura, o que, querendo ou não, afeta as movimentações de Ricardo Ferraço. Theodorico abrandou seu temperamento com o governador Renato Casagrande, depois de ser atendido no pleito da disputa pela reeleição à presidência da Casa. Essa saída estratégica é fundamental para que o senador busque descolar sua imagem e recomponha seu capital. Em um cenário em que Renato Casagrande conseguiu consolidar sua unanimidade, não há nada a ser feito por Ricardo em 2014. Forçar um espaço no próximo ano seria um erro e ele tem mandato até 2018, quando o cenário eleitoral será bem diferente no Espírito Santo. Como bem diz o versículo bíblico: “há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu”.
Juiz acata ação da Amages e censura site de advogado que criticava magistrados
O juiz Cleanto Guimarães Siqueira, da segunda Vara Cível de Vila Velha, acatou a ação da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages) contra o advogado Gustavo Bassini Schwartz. A instituição acusa Bassini de postar em seu site (www.direitodefamilia.com.br) conteúdo calunioso, difamatório e injurioso contra magistrados capixabas. Em seu despacho, o juiz defere a liminar da Amages, como requerida, e fixa em R$ 10 mil a multa diária e pena de prisão em caso de descumprimento da decisão, que determinou que o advogado retirasse todo o conteúdo do site envolvendo magistrados da Amages no prazo de 24 horas. Sem ter como cumprir a decisão no prazo estipulado, Bassini preferiu retirar o site do ar. “Como não tenho banco de dados para buscar as matérias rapidamente, não teria como retirar somente as relacionadas aos magistrados da Associação dentro do prazo. Afinal, publico conteúdo no meu site desde 1997. É muito coisa. Inclusive, há vários artigos elogiando magistrados. Mas como o juiz restringiu todos os magistrados, sem distinção, o único jeito foi retirar o site do ar”. Bassini, que disputou a eleição para presidente da Subseção da OAB-Vila Velha e acabou sendo derrotado num processo tumultuado que se encontra sob análise do Ministério Público Federal, acredita que a “censura” seja perseguição de uma “meia-dúzia de juízes de Vila Velha que tentam destruí-lo”. O advogado afirma que a perseguição se intensificou a partir do momento em que decidiu se candidatar à presidência da OAB-Vila Velha. “Sofri retaliações durante todo o processo eleitoral. Só conseguiu registrar minha candidatura graças uma decisão da Justiça Federal. A ordem não divulgou meu material de campanha aos advogados, impedindo que eu disputasse a eleição em pé de igualdade com o meu adversário”, reclama. Diante do histórico de perseguições, Bassini classifica a decisão do juiz Cleanto Guimarães Siqueira como mais uma retaliação. “A decisão do juiz cheira tem o ranço da ditadura militar. Como um juiz decide que os conteúdos são inverídicos antes de qualquer análise mais apurada. Ele simplesmente pulou as etapas processuais da instrução. Não tive oportunidade de provar que os conteúdos são verdadeiros”, protesta. O advogado também vê com estranheza a iniciativa da Amages “de se prestar a esse serviço para favorecer a cinco ou seis juízes. São juízes useiros e vezeiros em descumprir a lei, as prerrogativas dos advogados. Eles formam blocos dentro do judiciário para proteger as próprias decisões”, denuncia. Embora a ação da Amages não discrimine os nomes dos magistrados que se sentiram “ofendidos” pelo conteúdo publicado no site, o advogado aponta o juiz Carlos Magno Moulin, diretor do Fórum de Vila Velha, como o mentor da ação. Bassini também se disse desapontado com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo. “Gostaria de um posicionamento do presidente do Tribunal [desembargador Pedro Valls Feu Rosa] em relação às atividades desses magistrados que se sentem blindados pelo Poder Judiciário para fazer e desfazer qualquer ato, em especial os de interesse pessoal”. Em função das férias forenses, o advogado disse que só poderá entrar com recurso a partir do dia 18 de janeiro. Ele também prometeu levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Moulin festeja decisão A desconfiança do advogado Gustavo Bassini de que o juiz e diretor do Fórum de Vila Velha, Carlos Magno Moulin, é o mentor da ação, fica evidente na manifestação pública do magistrado em seu site. O primo de Carlos Magno, o também juiz Flávio Moulin, também comemora a vitória da Amages. No site (http://carlosmagnomoulin.wordpress.com/) do juiz Carlos Magno, que continua acessível, livre de qualquer censura, o magistrado replica a notícia da Associação Brasileira dos Magistrados (AMB) sobre o caso. Na nota postada pela AMB, o nome do advogado não é citado, mas, no seu site, o juiz Carlos Magno faz questão de esclarecer a identidade de Bassini. Ele cita ainda o pai do advogado, uma vez que o site foi registrado em 1997 com o CNPJ da empresa de Brasiliano Schwartz. A nota da AMB é precedida do seguinte texto: “Notícia emblemática publicada pela AMB. O advogado cujo nome não aparece na notícia é Gustavo Bassini Schwartz que, por meio da empresa CAFÉ DUBRA LTDA-ME (pertencente ao próprio advogado e a Brasiliano Lopes Schwartz – seu genitor), mantinha site para atacar diariamente a honra de autoridades no Espírito Santo”, comemora Carlos Magno. No texto da AMB, Flávio Moulin, também se manifesta regozijando a decisão favorável à Amages: “É uma importante conquista da Magistratura em defesa das Prerrogativas dos juízes capixabas. A decisão servirá de parâmetro e, certamente, evitará novas ofensas dirigidas não só a Magistrados, mas a qualquer cidadão”, festejou Flávio Moulin, que é também diretor-adjunto da Secretaria Defesa de Direitos e Prerrogativas da AMB.
Governo regulamenta Lei de Pagamento por Serviços Ambientais
O governo do Estado publicou, no Diário Oficial da sexta-feira (21), um decreto regulamentando a Lei 9.864/2012, que dispõe sobre o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O benefício, uma recompensa financeira, será concedido a proprietários de área rural, bem como a facilitadores, que contribuam para a manutenção ou conservação de serviços ambientais. São seis as modalidades de serviços ambientais que poderão receber o pagamento: floresta em pé, recuperação com plantio de mudas, regeneração natural, sistemas agroflorestais, sistemas silvipastoris e florestas manejadas. A concessão será feita por meio de contratos com os proprietários, que terão duração de cinco anos, podendo ainda ser renovados. Agora, cabe à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Seama) regulamentar, por portaria a ser publicada, as regras e requisitos para a concessão do PSA, bem como a definição das modalidades de uso da terra reconhecidas como geradoras de serviços ambientais. O decreto do governo também prevê que a manutenção de serviços ambientais deve ser apurada mediante a observação de acordo com o Valor de Referência do Tesouro Estadual (VRTE), padrão monetário estabelecido pelo governo do Estado para medir, por exemplo, o valor das multas e de outras cobranças. Para 2013, o valor estipulado é de R$ 2,382. A conta é feita multiplicando-se o número VRTE pelo valor em reais definido. Assim, prevê o decreto, as modalidades terão diferentes bases de valor. No caso da manutenção de serviços ambientais, a concessão será feita com base em um valor fixo. Floresta em pé, por exemplo, terá um valor total de 450 VRTE por hectare, ou seja, R$ 1.071,90. A modalidade recuperação com plantio de mudas terá 400 VRTE e a regeneração natural, 380. Estes valores serão pagos em parcelas de 20% por cada ano de contrato. Podem existir bonificações de até 50% para os proprietários, de acordo com critérios estabelecidos pela Seama. No caso da recuperação de serviços ambientais, há valores máximos por hectare para cada modalidade, também tendo como base o VRTE. Os percentuais de pagamento estabelecidos para os três anos de contrato são: 50% no primeiro; 30% no segundo, e 20% no terceiro ano. A apuração de cada caso será feita com base no projeto técnico elaborado. A modalidade de recuperação de plantio receberá um valor referente a 3040 VRTE; regeneração natural, 980; sistema agroflorestal, 3200; sistema silvipastoril, 1350; e floresta manejada, 2120 VRTE. O decreto pode ser lido em todos os seus detalhes no site do Diário Oficial dos Poderes do Estado.
Comissão da Câmara aprova permissão para internação provisória de usuários de drogas
A Comissão Especial do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas aprovou um conjunto de regras gerais para a avaliação e acompanhamento da gestão das políticas públicas sobre drogas. A aprovação do projeto acrescenta 33 novos dispositivos à Lei de Drogas (Lei 11.343/06), mas a aprovação foi feita sem alarde na sessão da comissão de 11 de dezembro. A Câmara Federal só deu publicidade ao ato na última segunda-feira (17), mas ainda assim não foi amplamente divulgado. Dentre as medidas aprovadas, está a internação compulsória de usuários de drogas por até seis meses. A internação involuntária é combatida por entidades que pregam que o tema deve ser amplamente debatido com a sociedade. O texto do projeto defende que a internação pode ser solicitada pela família ou por um funcionário público que tenha contato com o usuário de drogas. A definição sobre qual funcionário poderá fazer o pedido ainda será regulamentada. Os integrantes da comissão assinaram requerimento solicitando que o projeto seja analisado ainda no início do ano legislativo de 2013, em fevereiro. O “Relatório de Inspeção Nacional de Direitos Humanos: locais de Internação para Usuários de Drogas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) condena a prática de internação compulsória no trecho que diz que “outra face da questão surge mesmo onde a internação compulsória ou involuntária não é admitida. Pôde-se perceber, em muitos desses lugares, uma contradição clara entre discurso e prática, já que a decisão de permanecer ou não, de dar continuidade ou interromper a internação, é intermediada pela instituição nem sempre de forma respeitosa. As estratégias de convencimento apostam, quase sempre, no aumento da fragilidade e no recurso ao medo e à intimidação para dissuadir o interno de sua decisão. Uma estratégia que aposta, portanto, na submissão e não na capacidade de decisão real, no consentimento com o tratamento, como o fazem os serviços substitutivos de saúde mental, no respeito à cidadania e à subjetividade dos sujeitos (…)”.
Nova lei sobre Fundap não ouviu classe empresarial do Estado
Como se não bastasse a decisão de Brasília que tirou metade dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Portuário (Fundap), a classe empresarial não está nada satisfeita com o governo do Estado. Tudo por conta do Decreto 3174, publicado no Diário Oficial do dia 17, que para os fundapeanos, dá ao presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), Guerino Balestrassi, poderes para deliberar sobre projetos. O decreto cria o Comitê Decisório do Fundap, formado pelo secretário da Fazenda, Maurício Duque; o secretário de Desenvolvimento, Nery de Rossi, e Guerino Balestrassi. O problema é que nem a composição nem as atribuições do comitê foram debatidos com os principais usuários do Fundo. É o comitê que irá deliberar sobre quem recebe, como aplicará e onde aplicará os recursos do financiamento. Diferentemente do que vem se pregando sobre o Fundap, o fundo não vai acabar totalmente. Em vez de 12% do ICMS, o fundo vai passar a contar com 4% da alíquota. O Comitê vai deliberar sobre a aplicação dos valores oriundos desse percentual. Os contratos referentes ao financiamento terão prazo máximo de cinco anos de carência e de 20 anos para amortização, em parcelas anuais de 1% ao ano. Um dos pontos que desagradou os fundapeanos é o artigo 4ª do Decreto. O Bandes deduzirá 9% do valor do financiamento, que será caucionado em garantia do contrato, podendo ser 50% a ser aplicado no Fundapsocial, sendo o saldo remanescente destinado ao pagamento de lances no primeiro leilão depois da liberação do financiamento. O problema é que se o montante não for utilizado na quitação do lance, será integralmente transferido ao Fundapsocial. O decreto é mais uma medida do governo do Estado para garantir a funcionalidade do Fundap após a entrada em vigor do corte na alíquota. A nova regra entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2013.
Fundos especiais do Judiciário e do MP podem cobrir gastos com pessoal
Apesar das atribuições limitadas para desembolsos das verbas provenientes dos fundos especiais do Poder Judiciário e do Ministério Público, os gestores do órgão encontram brechas para utilização dos recursos para o pagamento de pessoal. Um dos exemplos é a aprovação do Projeto de Lei 696/2012 na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, que permite a utilização do dinheiro para pagamento de benefícios aos servidores. A medida, de autoria do governador Geraldo Alckmin (PSDB), pode garantir a saída jurídica para mudanças também nos fundos especiais do Poder Judiciário capixaba (Funepj) e do Ministério Público Estadual (MPES). No caso do projeto paulista, a justificativa indicada pelo tucano para promover as mudanças foi a “adequação para garantir os recursos à expansão e aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas pelo TJ paulista”, principal corte estadual do País. Assim como acontece com o fundo capixaba, a legislação paulista de criação do fundo impõe restrições à utilização das verbas. Na redação atual, o artigo 2º da Lei Estadual 12.395/2006 diz que o Fundo Especial de Despesas deve ser usado “para expansão e aperfeiçoamento da atividade jurisdicional”. Com as alterações, o fundo passa a poder ser usado para pagar benefícios, caso a verba do orçamento do Tribunal de Justiça não seja suficiente. Com isso, o tribunal deve ganhar mais autonomia para pagar as verbas que são devidas a funcionários, como auxílio alimentação, creche e funeral. De acordo com dados da revista Consultor Jurídico, o orçamento do TJ de São Paulo é de R$ 6,8 bilhões, dos quais R$ 5,7 bilhões são provenientes do Tesouro e R$ 852,4 milhões do Fundo Especial. Deste total, 96% das verbas vão cobrir os gastos com a folha de pagamento, o que deixa pouco para o pagamento de benefícios. Uma situação parecida com a do Judiciário capixaba, que também compromete a maior parte do orçamento com pagamento de pessoal. Na prática, o fundo paulista já era usado para o pagamento de benefícios, aproveitando a omissão da lei e do Tribunal de Contas do Estado, que tem a atribuição de fiscalizar o fundo sob administração da cúpula do tribunal.
???O Espírito Santo precisa se reencontrar com o Espírito Santo???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição Marquês de Maricá Semanalmente em sua coluna no jornal A Gazeta, o especialista em políticas públicas, o professor da Universidade Federal do Estado (Ufes), Roberto Garcia Simões, aponta dados que não entram nas comemorações do governo do Estado sobre o desenvolvimento econômico. Na semana passada, Século Diário publicou a primeira parte da entrevista com Simões, em que ele fez uma avaliação da conjuntura político-partidária no Espírito Santo e as perspectivas para as disputas futuras, assim como a posição dos eleitos na eleição deste ano. Nesta segunda parte da entrevista, o professor fala do descompasso entre a riqueza que é defendida por uma fatia do Estado e os gargalos da área social. Simões mostra como o processo político de unanimidade que impera no Estado desde a última década influi nessa desatualização entre a economia e o desenvolvimento social, e a falta de comprometimento da classe política com a divisão do bolo. Século Diário – O senhor acompanha os indicadores sociais e faz sempre um comentário pertinente sobre os grandes gargalos do Estado nas áreas de saúde, educação e segurança. Como avalia a situação em que o Estado se encontra do ponto de vista do atendimento às necessidades da população? Roberto Garcia Simões – Um ponto em discussão nos últimos 10 anos, e esse é um dos efeitos colaterais da unanimidade, é que o Espírito Santo se desatualizou plenamente em todos os aspectos. Antes nós dizíamos que o Espírito Santo era um estado com a economia em transformação, a política é que estava defasada. Quando a gente olha agora, no geral, nota que tem outros conjuntos de mudanças e transformações a serem avaliados, que colocam hoje o Espírito Santo em um novo contexto nacional. Enquanto isso, a dimensão estadual nos coloca como éramos considerados há 20 e 30 anos, só pelo lado negativo. Isso não nos dá mais sustentação no processo político nacional. – Como a unanimidade política afeta essa questão? – A unanimidade não tratou o Espírito Santo sob vários aspectos, não atualizou o próprio entendimento do Estado, abre-se um vazio. Comecei a perceber isso pelo discurso de algumas autoridades que diziam o seguinte: “a gente vai a Brasília e nos dizem que estamos reclamando de barriga cheia”. Então, eles não têm nenhum argumento diante disso. Diante desse processo, precisamos atualizar o Estado. Quando pegamos o PIB per capita, o Estado está em sexto lugar, mas se nós pegarmos o rendimento médio per capita, está na posição intermediária para baixo. No processo político, o que nos interessa, não é chorar, é saber qual parâmetro usar para fazer a divisão e de qual bolo. E aí a classe política do Estado não tem formulação. Acho que, inclusive, as instituições do Estado, o governo, as instituições de ensino, precisam quebrar essa desatualização do Estado. O Espírito Santo precisa se reencontrar com o Espírito Santo. Temos que dar uma repensada. Aqui dentro falamos em bilhões de investimento, um discurso de desenvolvimento, quando nos interessa esse discurso. Quando não interessa, aí temos o discurso de que o Estado vai ter perdas milionárias. – Esse discurso não convence mais o governo federal… – Há uma convivência que precisa ser dita. Em que sentido, o Espírito Santo tem esses recursos, essa mudança, todo um discurso positivo e na 'Hora H' vem um discurso negativo. Esse encontro de contas não está sendo feito. O próprio governo Casagrande, a Assembleia Legislativa, as instituições do Estado não estão tratando disso. O Instituto Jones dos Santos Neves deveria trabalhar esse cenário, com dados comparativos, mas está paralisado para os grandes temas do Estado. – Vende-se uma ideia de geração de emprego com os investimentos nessa área dos semi-elaborados, que na verdade não gera esses empregos prometidos. – É justamente isso que estou falando, há várias camadas nessa estrutura econômica. Mas o que houve, por algum tempo, até por organização local, é que esse processo de interação local acabou aumentando. O setor de metal-mecânico estabeleceu um processo de interação e acabou se expandindo, até para o Maranhão. E outras atividades não necessariamente modernas, acabaram gerando algumas atividades no Espírito Santo. Não estamos no melhor dos mundos no ponto de vista da sustentabilidade, mas realmente nessa grande desatualização do Estado, os pontos que permanecem intocados são violência, educação e saúde. E em torno disso não há um projeto político-partidário. Se você perguntar a qualquer partido qual a proposta para a violência, não tem. – A gente vê um discurso que parece circular em relação a esses temas. Fala-se de combate à violência, em melhoria da educação, mas não se apresenta um projeto estruturado nesses setores. A Educação, por exemplo, é voltada para a inclusão do jovem no mercado de trabalho, não há preocupação com a formação humanística. Isso também contribui para essa desatualização que o senhor está falando? – Há uma concepção arraigada há muito tempo de que a tônica do governador é que pauta, de certa forma, o processo. Vai a Brasília pedir recursos: estradas, rodovia, portos. Não que isso não seja importante, mas não há isso, outras dimensões que dão sustentabilidade a esse processo para irmos adiante não só do ponto de vista social, mas também ambiental, ficam para trás. Só para termos um exemplo, o Renato Casagrande, que despontou com a possibilidade e acenando para isso, no governo sumiu. A ênfase que ele começou a dar aqui, que no governo anterior não havia sido dada na questão socioambiental, porque ele começou a abrir uma cunha aí, com críticas explicitas, eu me lembro que antes ele começou a falar. Aí chega no governo e qual a agenda do governo Renato Casagrande? – O discurso de continuidade abafou esse olhar crítico. – Inclusive, é um governo marcado por uma serie de utilizações indevidas e não tem um caminho. Porque, qual é o primeiro slogan dele? “Crescer é com a gente”. Depois ele lança um Plano Estadual de Desenvolvimento Sustentável, em que a principal
Moradores da Ilha do Boi recorrem ao governo do Estado contra insegurança
O aumento de policiamento diuturnamente na Ilha do Boi, em Vitória, é uma demanda constante dos moradores do bairro, sobretudo com a aproximação do verão. A superlotação da região, segundo eles, vem proporcionando a ação de bandidos em plena luz do dia, deixando moradores e usuários das praias inseguros. A Associação de Moradores e Proprietários da Ilha do Boi (Ampib) cobrou do poder público quatro ações para reverter o problema. As reivindicações foram encaminhadas ao governador Renato Casagrande; ao secretario de Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, e ao tenente-coronel, Reinaldo Brezinsky Nunes, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar do Estado. As cobranças são por aumento do policiamento, combate ao tráfico e uso de drogas, principalmente nas praias e praças do bairro, e a atuação do setor de inteligência para identificar os responsáveis pelo tráfico e uso de drogas na região. Além disso, os moradores cobraram que seja determinado ao Batalhão de Trânsito da Polícia Militar que promova blitzes nas saídas das praias, sobretudo nos finais de semana. “Inúmeros motoristas ingerem bebidas alcoólicas nas praias e saem dirigindo seus veículos livremente pelas ruas do bairro em alta velocidade”, diz o documento enviado às autoridades públicas. No último dia 17, o presidente da Ampib, Renato Rodrigue Pontes, chegou a se reunir com o secretário Henrique Herkenhoff, para solicitar a volta da polícia interativa e a instalação de câmeras na região. Segundo ele, o secretário ficou de levar as reivindicações ao Comandante Geral da PM. Na última semana, três carros foram arrombados em uma mesma rua do bairro. Já nesta semana uma funcionária de uma moradora foi assaltada e teve seu celular, parte do dinheiro do 13º salário, uma aliança e um anel roubados. A informação é que a funcionária foi assaltada por duas mulheres que passaram despercebidas pela guarita de segurança da Ilha do Boi. Na ocasião, os seguranças particulares alertaram que não poderiam agir contra os assaltantes porque poderiam sofrer represálias. Os moradores ressaltam que com a aproximação do verão estão se sentindo vulneráveis. Casos de assalto e uso de drogas livremente são cada vez mais frequentes no bairro, alertam eles. As ações, dizem, estão afastando turistas e colocando em risco a população, além de tornar as praias locais perigosos.