Depois de quase três meses da realização da votação, Justiça determinou a conclusão do processo de apuração dos votos da eleição do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes). O pleito foi realizado nos dias 28, 29 e 30 de setembro. Na manhã desta sexta-feira (14), a Comissão Eleitoral recebeu as urnas e envelopes dos votos em separado da Justiça e procedeu a apuração. A juíza titular da Vara do Trabalho, Lucy de Fátima Cruz Lago determinou a apuração da urna 167, bem como declarou nula a impugnação contra ela. A magistrada também determinou a apuração dos votos em separado de acordo com o estatuto do sindicato. Concorrem à eleição a Chapa 1 – “Um novo tempo para avançar na luta” e a Chapa 2 – “Ousar, Lutar, Vencer”. O pleito foi marcado por acusações de que a Comissão Eleitoral estaria favorecendo a Chapa 2, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Durante a apuração dos votos, a Chapa 1 colocou o processo na Justiça, pedindo a contagem dos votos de nove urnas impugnadas, assim como dos quase mil votos feitos em separado – ou seja, por professores fora de sua zona oficial de votação –, além da destituição da Comissão Eleitoral. Depois de apurados os votos, a Chapa 1 considerou que a Comissão Eleitoral não cumpriu a determinação judicial ao não apurar os votos em separado de acordo com o estatuto. Dos 987 votos em separado, a Comissão considerou 498 válidos. Destes, 245 votos foram para a Chapa 2 e 250 para a Chapa 1. Após a apuração, a Comissão Eleitoral terá até 30 dias para dar posse aos eleitos. Enquanto a eleição não foi finalizada a atual diretoria do Sindiupes fica com o mandato prorrogado até a posse dos eleitos.
Instituto Nacional da Mata Atlântica avança na Comissão de Finanças
O Projeto de Lei 7.437/2010, que cria o Instituto Nacional da Mata Atlântica, entre outros órgãos, foi aprovado na última quarta-feira (12) na Comissão de Finanças e Tributo da Câmara dos Deputados. O parecer favorável do relator, o deputado federal Carlos Manato (PDT), foi aprovado por unanimidade. Agora, o PL segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). A Associação de Amigos do Museu de Biologia Mello Leitão (Sambio), grande defensora do projeto, cobra apoio do deputado capixaba César Colnago (PSDB), membro da comissão, e defende que ele solicite a relatoria na CCJC. O PL já havia sido aprovado nas comissões da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR), e Ciência e Tecnologia (CCTCI) e de Trabalho e Administração (CTASP). A criação do instituto se dará pela transferência do Museu de Biologia Mello Leitão, localizado em Santa Teresa, para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o que lhe trará mais recursos, hoje escassos. O museu se encontra desestruturado e a sua transformação em instituto é a esperança de dias melhores para seus servidores. Além do Instituto Nacional da Mata Atlântica, o projeto cria o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste, o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal e o Instituto Nacional das Águas. O Museu Mello Leitão foi criado em 1949 pelo naturalista Augusto Ruschi (1915-1986) e é uma das principais instituições ligadas ao patrimônio natural do País. Em Santa Teresa, ele controla as estações biológicas de Santa Lúcia e Caixa D'água. Mesmo com restrições orçamentárias e carência de recursos humanos, o museu é considerado referência nacional e internacional no apoio à pesquisa e conservação da Mata Atlântica.
Insatisfação e dívidas fazem sociedade rejeitar mais um empreendimento em Aracruz
Durante a audiência realizada nessa quinta-feira (13), em Aracruz (norte do Estado), para discutir a implantação de mais um empreendimento da Petrobras na região, o Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL), predominou a insatisfação da população presente. Segundo o presidente da ONG Amigos da Barra do Riacho, Herval Nogueira Junior, a empresa está mascarando dados socioeconômicos para se instalar mais uma vez na região. Além do projeto do Terminal GNL, a população também discutiu a construção da Fábrica de Fertilizantes que vai ficar entre Aracruz e Linhares, no norte do Estado. “A comunidade não está satisfeita e deixou isso bem claro em todas as falas que lhe foram permitidas durante o debate. A insatisfação ocorre em virtude dos outros empreendimentos da Petrobras aqui. Só os comerciantes acumulam R$ 54 mil em dívidas das empreiteiras e há ainda o aumento da violência, desemprego, tráfico de drogas, entre outros”, ressaltou Herval. Durante a audiência a Petrobras afirmou aos moradores que serão contratados 1.700 moradores trabalhadores locais para as obras, mas a população não confia mais na empresa. Segundo Herval, nas estimativas passadas, a Petrobras apontou a contratação de mão de obra local, porém, a empresa chegou a alugar casas como alojamentos para trabalhadores de fora e eles eram contratados como moradores. A medida gerou desordem no município, visto que os empregos prometidos não se efetivaram e as empreiteiras deixaram a cidade junto com dívidas nos mais diversos comércios da região. O grande fluxo de pessoas na região também aumentou o número de prostíbulos e a criminalidade. Herval Nogueira resalta que, em Aracruz, morre um jovem por mês. De acordo com a ONG, o Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR) está praticamente pronto e ainda possui condicionantes sem cumprir. “A empresa diz que teve que apressar as obras e o que entendemos disso é que irá construir de qualquer forma, mesmo com aumento da violência e com prostituição. É um empreendimento feito a qualquer custo, mas quem paga essa conta no final somos nós”, desabafou. O Terminal GNL será construído em Barra do Riacho pela Petrobras, ao lado do TABR, e tem a previsão de produzir 14 milhões de metros cúbicos por dia. O licenciamento do projeto foi iniciado em março deste ano e a expectativa é que o terminal comece a operar em 2016. A população cobra a intervenção do Ministério Público Estadual (MPES) para acompanhar as condicionantes dos empreendimentos. “Queríamos saber qual o impacto de todos esss projetos desmembrados. Se fossemos um corpo, onde eles estivem hospedados, já teríamos perdido um pé, um dedo, o fígado. Queria saber do poder público se ainda temos estrutura para não perder a cabeça”, desabafou.
Com Maioral, Rodney pretende espetaculizar combate à violência
Analisando as primeiras declarações da futura secretária de Prevenção e Combate à Violência de Vila Velha, delegada Fabiana Maioral, fica evidente que o prefeito eleito, Rodney Miranda (DEM), pretende reeditar a fórmula que deu certo durante a sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública no governo Paulo Hartung (PMDB). A estratégia de Rodney é transformar as ações de combate à criminalidade em espetáculos midiáticos, com ênfase ao apelo emocional. As operações espetaculizadas na Grande Vitória e no interior deram a Rodney a fama de “valentão”. Tanto é que o destemido delegado ganhou o apelido, não por acaso, de “Rambo”. À época, com resultados pífios à frente da Secretaria, Rodney deu visibilidade às operações de rua, que ele comandava pessoalmente. Era comum ver o secretário participando de blitz, desfilando com cara de poucos amigos pelas periferias da Grande Vitória a bordo de caminhonetes reluzentes ou colando cartazes de “procura-se” em via pública. Tudo para aparecer e mostrar à população que, com ele, bandido não tem moleza. Enquanto isso, as taxas de homicídios explodiam no Estado. Durante a campanha a prefeito de Vila Velha, sem currículo na vida pública, Rodney foi obrigado a recorrer à sua passagem à frente da Segurança. Para não jogar contra o próprio gol, tão vergonhosos eram seus resultados, ele adotou a estratégia de esconder os números negativos da pasta e recuperar na memória do eleitor canela-verde a imagem de “xerife das ruas”. Assegurou à população que devolveria a paz aos moradores de Vila Velha. E o eleitor acreditou, como se todas as ações referentes à Segurança fossem da alçada do governo municipal. O discurso da também delegada e futura secretária Fabiana Maioral, aliada de Rodney desde os tempos do grampo à Rede Gazeta e do episódio da morte do juiz Alexandre Martins, dá pistas de que a estratégia será novamente a mediatização das ações, que tem muito mais efeito no inconsciente coletivo do que o desenvolvimento de políticas públicas preventivas, que são caras e só apresentam resultado a longo prazo. Maioral, em entrevista ao jornal A Tribuna (14/12), afirmou que Rodney não é de ficar dentro de gabinete. Ela disse que a equipe deve acompanhar o estilo do prefeito e sair para as ruas para combater o crime. A mudança de concepção da nova pasta já começa pelo nome: Secretaria de Prevenção e Combate à Violência. Durante a campanha, mesmo sabendo das limitações do município para investir em Segurança Pública, Rodney prometeu aparelhar a Guarda Municipal, dando o poder de polícia para os agentes. As promessas de campanha imediatamente conquistaram os agentes municipais, que não pensaram duas vezes em apoiar publicamente o candidato do DEM. Embora Rodney, e agora sua secretária, tenha prometido mundos e fundos aos agentes da Guarda Municipal e à população, a Constituição impõe limites à atuação das guardas. O Projeto de Lei 1332/2003, que dispõe sobre as atribuições e competências comuns das guardas municipais do Brasil, regulamenta e disciplina a constituição, atuação e manutenção das guardas civis municipais como órgãos de Segurança Pública em todo o território macional, continua tramitando na Câmara. Atualmente, o projeto aguarda parecer na Comissão de Finanças e Tributação. O PL, no entanto, sofre grande resistência entre os próprios prefeitos. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) é contrária à proposta, pois as mudanças previstas no PL são, na avaliação da entidade, obrigações dos estados, conforme prevê a Constituição Federal. A CMN alega que repassar essas novas atribuições aos municípios representa custos. E que os recursos destinados às finalidades previstas no PL 1.332/2003 são destinados atualmente aos estados, os entes responsáveis pela a segurança dos cidadãos.
STF analisa liminar para barrar votação do veto dos royalties
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) estão confiantes em conseguir uma liminar para impedir que o veto presidencial à lei que redistribui os royalties do petróleo seja votado na próxima semana. O mandado de segurança, impetrado pelos parlamentares nessa quarta-feira (12) no Supremo Tribunal Federal (STF), foi distribuído ao ministro Luiz Fux. Eles alegam no pedido que o regimento do Congresso fora atropelado na sessão que aprovou a urgência do veto. O mandado de segurança com pedido de liminar quer a suspensão da apreciação do projeto e para que a sessão do Congresso em que foi aprovada a urgência seja anulada. Os parlamentares pedem ainda que o veto ao projeto de redistribuição dos royalties só seja apreciado depois que todos mais de três mil vetos que aguardam decisão do Parlamento sejam votados. A Lei 12.734/2012, que redistribui os recursos de royalties, prejudica os estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo. No dia 30 de novembro, a presidente Dilma Rousseff vetou parcialmente a matéria aprovada na Câmara e no Senado. O veto foi no sentido de garantir a manutenção dos contratos dos poços já licitados. As novas regras, se o veto não for derrubado, valerão apenas para novos contratos. Em entrevista coletiva nessa quinta-feira (13), o senador Lindbergh Farias apontou que a votação da urgência teve erros legais porque, em sua avaliação, o requerimento de urgência deveria ser apreciado conforme o Regimento Interno do Senado, e não conforme o Regimento Interno da Câmara. Ele explicou que o Regimento Comum (que regula as sessões do Congresso Nacional) prevê que lacunas em suas disposições serão solucionadas consultando-se em primeiro lugar o Regimento do Senado. Lindbergh disse ainda que a Constituição não prevê a possibilidade de urgência para apreciação de vetos presidenciais. O senador criticou a vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB), que segundo ele sequer respondeu as questões de ordem apresentadas. Também em entrevista à imprensa, o senador Wellington Dias (PT-PI), autor do PLS 448/2011, afirmou não acreditar que houve irregularidade na sessão do Congresso que aprovou a urgência do veto. Ele disse estar convencido de que a reunião foi legal e seguiu todos os procedimentos de maneira correta. Na votação da urgência para o veto, na quarta-feira (12), a maioria dos parlamentares concordou com a visão de Wellington. Dos senadores, 61 votaram a favor da urgência e sete contra; dos deputados, 348 votaram a favor e 84 contra, com uma abstenção.
Movimento rebate com críticas promessa de flexibilizar aplicação aérea de agrotóxicos
O anúncio de que o governo federal pode flexibilizar a norma que limita a pulverização aérea de agrotóxicos já recebe duras críticas de quem será diretamente afetado. Para Valmir José Noventa, da direção estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), os órgãos federais de meio ambiente não cumprem a sua função real ao defender os interesses econômicos das empresas. A promessa foi feita após pressões da bancada ruralista do Senado, em audiência pública nessa quinta-feira (13), por representantes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com a portaria publicada em julho deste ano, que tem gerado muito controvérsia entre os ruralistas, a pulverização aérea fica restrita a inseticidas usados principalmente em plantações de soja, algodão, cana-de-açúcar, trigo, arroz e citros. Os ruralistas argumentam que terão prejuízos financeiros e o corte de postos de trabalho, caso a portaria não seja revogada. Diante da pressão, o Ibama já liberou a aplicação para parte das culturas, mas autorizou apenas uma aplicação em todo o ciclo produtivo da soja e manteve a proibição para citros e algodão. “Enquanto os ruralistas continuam sempre trabalhando para liberar ainda mais a utilização de agrotóxicos, o Ibama não cumpre o seu papel, que deveria ser o de proteger a população, as comunidades e o meio ambiente”, afirma Noventa. Para ele, sempre que os ruralistas apertam, o órgão cede aos interesses. Valmir conta que a principal questão para o Espírito Santo é o caso das plantações de cana-de-açúcar, bem presentes no Estado. Segundo Noventa, os plantios ficam muito perto de comunidades camponesas e de rios e córregos. Assim, a liberação da pulverização aérea tem grandes chances de contaminar lençóis freáticos e as próprias comunidades, bem como as plantações dos agricultores. “Uma coisa é certa. Enquanto as empresas terão mais lucro, a população e o meio ambiente vão ‘ganhar’ muitos prejuízos”. Exemplo No Espírito Santo, a utilização de aeronaves para a pulverização de lavouras já é proibida no município de Vila Valério, região noroeste do Estado. A lei que veta o uso de venenos agrícolas por via aérea vigora desde agosto do ano passado no município. O produtor que descumprir a lei é multado em cerca de R$ 16 mil. Os vereadores do município justificam a aprovação da lei devido aos impactos negativos que os agrotóxicos causam à natureza e à saúde humana. As substâncias utilizadas na pulverização aérea das plantações da região são de altíssima toxidade, segundo apontaram, à época da aprovação da lei, os vereadores. Eles também afirmam que a restrição não afetou a produtividade agrícola do município, que produz basicamente café do tipo Conilon.
Ordem de serviço para construção de casas populares continua emperrada
Acabou nesta sexta-feira (14) o prazo dado à prefeitura de Aracruz para a assinatura da ordem de serviço que autorizaria a construção de casas populares n município. As casas deveriam abrigar as 313 famílias que foram retiradas de uma área em Nova Esperança há cerca de dois anos, numa operação que ficou marcada pela truculência do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar. As famílias foram desalojadas de uma área de 102 mil m², reintegrada pela Justiça à prefeitura de Aracruz. Segundo o coordenador estadual do Movimento Nacional da Moradia, Valdinei Tavares, as casas deveriam ser entregue em novembro deste ano, o que não ocorreu. No último dia quatro, algumas famílias chegaram a se concentrar em à Secretaria de Obras de Aracruz, na tentativa de pressionar o poder público. Foi após essa manifestação que a prefeitura prometeu assinar a ordem de serviço no prazo de 10 dias, o que não ocorreu. “O projeto só chegou a Procuradoria Geral do município nesta quinta (13), quando sair de lá ele terá que voltar para a Secretaria de Obras e depois ir para a Caixa, que deverá analisar e dar a ordem de serviço. O que houve aqui foi descaso. Não se dedicaram, não se empenharam. O município mostrou claramente como é despreparado”, criticou Valdinei Tavares. As obras das casas do novo loteamento Nova Esperança, no distrito de Barra do Riacho, em Aracruz, no norte do Estado, deveriam ter começado em junho deste ano, após o imbróglio entre a Estrutural Construtora e Incorporadora Ltda e a Construtora Arpa e Serviços Ltda, que venceu a licitação para a construção das casas. Em maio deste ano, a Estrutural Construtora e Incorporadora Ltda, que contestava a vitória da Construtora Arpa, se retirou da disputa judicial, deixando livre o caminho para que a vencedora do certame iniciasse as obras. Segundo Valdinei Tavares, as famílias pretendem pressionar o município e aguardam apenas o parecer do defensor público Bruno Pereira do Nascimento para decidir o que será feito. “Esperamos que a prefeitura seja acionada para cumprir o que foi acordado”, desabafou. Neste sábado, haverá uma assembleia das famílias. Eles irão discutir a morosidade da prefeitura e as novas medidas que serão tomadas pelo grupo. O loteamento Nova Esperança foi demolido no dia 18 de maio de 2011. Após a demolição das casas, as famílias desalojadas se dividiram entre a quadra de esportes próxima a área desocupada e casas de parentes e amigos, até que a prefeitura se comprometesse a arcar com os alugueis sociais. Atualmente, algumas famílias cadastradas para receber as casas moram em locais alugados pela prefeitura, em condições ainda precárias. Outras estão alojadas nas casas de parentes e amigos, esperando o início das obras.
Justiça rejeita exame em gabaritos de concursos do TJES sob suspeição
O desembargador Carlos Simões Fonseca rejeitou, nesta sexta-feira (14), os recursos do desembargador aposentado Frederico Guilherme Pimentel e do ex-assessor Leandro Sá Fortes contra a rejeição do pedido de exames em documentos dos concursos públicos sob suspeição do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). A defesa dos réus pleiteava que o exame nos cartões de resposta de todos os candidatos poderia auxiliar a resolução da dúvida sobre fraudes. Na decisão publicada no Diário da Justiça, o desembargador entendeu que a defesa do ex-magistrado já havia apresentado um recurso semelhante, negado pelo juízo de 2º grau. “Sendo este o caso, impõe-se o não conhecimento do presente recurso, e isto porque, consoante o princípio da unirrecorribilidade, contra determinado pronunciamento judicial, de regra, somente é cabível a interposição de um único recurso, incidindo, sobre os demais, a preclusão consumativa que determina o seu não conhecimento”, afirmou. Durante a primeira análise, Simões Fonseca considerou que o recurso havia sido ajuizado fora do prazo legal, contrariando ao requisito obrigatório para apreciação da peça. Com isso, o agravo de instrumento sequer foi conhecido pela falta de regularidade formal. Na ocasião, a defesa do ex-desembargador pedia a concessão do efeito suspensivo e a reforma da decisão do juízo da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, onde tramita a ação de improbidade contra as fraudes em concursos do TJES. Na mesma edição do Diário da Justiça, o desembargador rejeitou um pedido do ex-assessor da Presidência do TJES, Leandro Sá Forte, que também pleiteava a necessidade de exame dos cartões-resposta de todos os candidatos para comprovar a eventual inexistência de irregularidades nos certames. Neste caso, Simões Fonseca converteu o pedido em agravo retido – a ser analisado pelo juízo de 1º grau – por conta da ausência do “potencial lesivo necessário”. Na decisão apresentada em 1º grau, o juízo afirmou que os documentos não seriam fundamentais para comprovar se houve ou não fraude no processo de seleção. No entendimento do juiz, as provas periciais e a prova oral – já deferidas em decisão anterior – vão elucidar a procedência da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPES). Em agosto, o desembargador Simões Fonseca confirmou o recebimento da ação de improbidade contra os acusados de participação nas fraudes em concursos. Além do ex-presidente do tribunal, Frederico Guilherme Pimentel, a denúncia do MPES lista outras seis pessoas, entre elas parentes do ex-chefe do Judiciário capixaba e de pessoas ligadas diretamente à execução do concurso. Entre os familiares do ex-desembargador estão as filhas Roberta e Dione Schaider Pimentel – ex-serventuárias, demitidas após sindicância do TJ –, além de Leandro Sá Fortes, ex-namorado de Roberta. São denunciados ainda o juiz Bernardo Alcuri de Souza (que presidia a banca do concurso), Sebastião Pimentel Franco (ex-diretor executivo da Fundação Ceciliano Abel de Almeida) e Cláudio Pimentel Balestrero. A denúncia do Ministério Público toma como base os autos da Operação Naufrágio. Os principais conteúdos são as gravações feitas por Leandro Sá Fortes de conversas com a ex-namorada Roberta e o então sogro. Nas fitas, surgem a suposta confissão das fraudes e a indicação da existência de outras figuras ligadas às “grandes famílias” do TJES entre os aprovados de forma indevida. As fraudes foram confirmadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que também investigou o caso, em sessão no dia 10 maio de 2011.
Trabalhadores da construção pesada têm nova conciliação nesta sexta-feira
Os trabalhadores da construção pesada têm uma nova audiência de conciliação marcada para esta sexta-feira (14) no Tribunal Regional do Trabalho no Estado (TRT-ES). O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado (Sintraconst-ES) e o Sindicato da Industria da Construção Pesada do Estado (Sindicopes) tentam nova mediação para o acordo coletivo dos trabalhadores. A greve dos trabalhadores já completou um mês sem que uma proposta positiva para a categoria fosse apresentada. Esses trabalhadores atuam em grandes obras, como a construção de estradas e obras públicas. O presidente do Sintraconst, Paulo César Borba, o Carioca, se diz confiante com a possibilidade de haver uma proposta que atenda aos trabalhadores. Após a realização da mediação deve ser feita uma assembleia com a categoria no mesmo local para avaliação das propostas. Até o início deste ano, os trabalhadores da construção pesada eram representados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada (Sindopen), criado na base do Sintraconst, que negociava pelos Sindicopes, a entidade patronal. No entanto, a Justiça entendeu que as atividades dos trabalhos da construção civil e da construção pesada são afins, determinando a representação ao Sintraconst. A remuneração dos trabalhadores da construção pesada ainda é defasada em relação aos da construção civil. A estratégia do Sintraconst é equiparar o reajuste desses trabalhadores com os da construção civil e ir avançando nos anos seguintes. Construção civil Trabalhadores da construção civil de algumas empresas também estão em greve no Estado. Os trabalhadores da Sá Cavalcante, por exemplo, pleiteiam a entrada em vigor do acordo coletivo da categoria, definido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em agosto deste ano. Na ocasião, o TST manteve a decisão do TRT-ES e fixou reajuste em 14% para a categoria. Além dos trabalhadores da Sá Cavalcante, os da empreiteira Jade, que presta serviços para a construtora Cyrella, também paralisaram as atividades no Estado.
???Holy Motors??? tenta extrapolar o conceito de cinema
Holy Motors, do diretor Leos Carax, tenta extrapolar o conceito de cinema, de ser apenas mais uma forma de contar histórias, e promove uma grande reflexão sobre o fazer cinematográfico. O filme estreia este final de semana no Cine Jardins, mas sua primeira exibição foi no Festival de Cannes, onde dividiu opiniões. Já foi taxado de pretensioso a obra-prima. Apesar das controvérsias foi considerado o Melhor Filme de 2012 pela Cahiers du Cinema. Holy Motors explora a metalinguagem, a começar pelo nome do protagonista Oscar (Denis Lavant), um homem misterioso que passeia pelas ruas de Paris em sua limusine enquanto transmuta entre os mais diversos personagens. Assassino, pai de família, mendigo, monstro. Oscar parece estar sempre interpretando um papel fazendo da cidade um grande palco. Todas as cenas são metafóricas e não há explicações sobre as motivações do protagonista. Também não há como classificar o filme porque a cada cena ele aborda um gênero diferente, indo da ficção científica ao musical. Serviço Holy Motors (Holy Motors, França/Alemanha, 2012, 115 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 18h55.