Em meio às articulações para a nova eleição em Guarapari, o PPS ameaça de expulsão o prefeito Edson Magalhães. Esse posicionamento do partido pode prejudicar as manobras que ele vinha fazendo em favor dos aliados para a manutenção do poder, mesmo que por outras mãos, enquanto tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a decisão que impugnou sua candidatura à reeleição. A insatisfação no PPS com o comportamento do prefeito de Guarapari é antiga. Desde que assumiu a prefeitura, Edson adotou uma postura de defesa do interesse de seu grupo, ligado ao deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). Dessa forma, não respeitava as decisões partidárias e a sua saída do partido já vinha sendo cogitada muito antes da eleição deste ano. Com os resultados dos pleitos municipais, o PPS saiu muito fortalecido, com as eleições dos prefeitos de Vitória, Luciano Rezende – que, aliás, é o presidente do partido – e de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho. Já Magalhães passa por um momento de fragilidade política. Mesmo acreditando ainda ser possível reverter sua situação política por força de liminar, ele dificilmente vai conseguir voltar à prefeitura, além disso, a capacidade de transferência de votos dele para o aliado, o empresário Orly Gomes (DEM), escolhido para substituí-lo no novo pleito, é fraca, segundo os meios políticos locais. Por isso, o momento para tirar Magalhães do PPS é considerado propício. Essa movimentação pode prejudicar ainda mais as manobras que o prefeito vem fazendo no município para tentar manter seu grupo à frente da prefeitura. Por outro lado, porém, a falta de unidade no PSB, principal adversário do grupo do prefeito, pode beneficiá-lo nesse processo. Os socialistas entendem que nessa nova disputa, o ideal seria uma substituição do concorrente. Em vez de Ricardo Conde, que disputou com Edson em outubro passado, o nome mais propício seria o do vereador eleito Gedson Merízio. Embora haja uma movimentação muito grande em favor do vereador, Conde estaria insistindo na candidatura e estaria disposto a negociar com o grupo de Magalhães. Para os meios políticos, esse desentendimento dentro do PSB pode fazer com que o partido perca a oportunidade, desperdiçando o momento de fragilidade política de Magalhães. As eleições em Guarapari ainda não têm data para serem realizadas. Os eleitores do município aguardam a resposta do Supremo ao recurso especial impetrado por Edson Magalhães, tentando validar os votos que obteve na eleição de outubro. O prefeito teve a candidatura impugnada porque a Justiça Eleitoral entendeu que ele estaria tentando o terceiro mandato, já que assumiu a prefeitura quando era vice, com o afastamento do prefeito Antonico Gottardo, tendo saído da administração após o prazo de desincompatibilização estabelecido pela legislação eleitoral.
O Cheiro do Ralo de Mutarelli
Lourenço Mutarelli, escritor brasileiro contemporâneo, não começou sua carreira no ramo da literatura, mas sim como quadrinista, chegando a trabalhar com Maurício de Souza. Depois, já na década de 80, tentou publicar suas estórias em quadrinhos sem muito sucesso, pois a estranheza do que ele fazia não foi muito compreendida no início, mas Mutarelli se tornou, com o tempo, reconhecido, mesmo que num nível “underground”, o que também caracterizaria seus romances, e é disso que vou falar aqui, mais especificamente de O Cheiro do Ralo, que foi uma obra muito bem sucedida e que ganhou até uma versão no cinema com a direção de Heitor Dhalia e tendo o consagrado ator Selton Mello como protagonista, o qual encarnou o narrador e personagem principal do livro de Mutarelli, e que no filme recebe o nome de Lourenço em homenagem ao escritor de O Cheiro do Ralo, personagem e narrador que, no livro, na verdade não tem nome. O tom urbanoide em um misto de escrita descompromissada e niilista, numa forma que parece tosca, mas que cria o efeito desejado de um mundo niilista, niilismo que vem junto com o narrador e personagem principal, sobretudo no amor e na sua ideia de que “não gostava de ninguém”, reflete na frieza de seu trabalho, em que a especulação de valores de quinquilharias vira um jogo que vai permear todo o romance, numa narração reta, limpa e sem preciosismos, ou seja, numa narração simples e nenhum pouco afetada. Mutarelli mostra um mundo da cidade, um mundo de solidão e de pessoas desesperadas, desespero que acaba por bater à porta do narrador no seu trabalho de compras e vendas de objetos usados na sua loja, o niilismo percorre todo este clima urbano que culmina na total falta de vínculos do personagem e narrador, ausência de sentimentos que vai nortear a sua relação com as pessoas no romance, principalmente com aquelas que vão à sua loja tentar vender alguma coisa, o que vai da manipulação ao senso de objetividade fria entre os valores dos produtos, tudo se torna um jogo frio em que a vantagem está na maioria das vezes com o narrador. E a narrativa de Mutarelli neste romance é fragmentada, orações coordenadas em sua maioria, uma narrativa que lembra uma fala de cortes, sem compromisso com a “grande literatura”, e é o que faz deste romance um livro de fácil leitura e que reflete muito bem todo o vazio contemporâneo, como se vê nas noites em que o narrador liga a sua TV e zapeia os canais em busca do nada, em busca de satisfação para o tédio urbano e para a sua solidão em uma cidade de fantasmas. E os fantasmas vão povoar a loja, uma sucessão de pessoas que vão à loja do narrador, e a justificativa do título O Cheiro do Ralo, que é o cheiro de merda que sai do ralo do banheiro da loja do narrador, cheiro que será uma espécie de enigma que vai levar o narrador a uma especulação de sua condição, cheiro do ralo que é o cheiro dele, como dirá um homem que lhe tenta vender um violino. Ou a sua obsessão com a bunda de uma garçonete numa lanchonete, que ele só frequenta para ver esta bunda, e ele reflete profundamente sobre esta bunda, come seu hambúrguer e traz um livro, a garçonete pergunta qual é o livro, isso se repete algumas vezes em alguns dias, a garçonete diz que lê a revista dos Astros, o narrador começa a fazer livres associações, numa trama que começa a se tornar psicológica, mas sem psicologismos, apenas em termo especulativo, o narrador associa a bunda com o ralo, o narrador liga a sua obsessão pela bunda da garçonete com a sua obrigação de comer hambúrgueres só para ver esta bunda. Ele então tem que ir ao banheiro fazer suas necessidades, o cheiro do ralo está lá, cheiro de merda, cheiro da sua merda, o narrador diz ao encanador que vai lá ver o ralo que este é o portal do inferno, não há saída, o destino do narrador está entre a bunda da garçonete e o cheiro do ralo. Mutarelli propõe o enigma do cheiro do ralo, o narrador está vinculado ao cheiro do ralo, o narrador está obcecado pela bunda da garçonete, então é o que se entende do narrador, seus vínculos são estes, não há sentimento, a garçonete quer sair com ele, ela o faria ver a bunda sem pedir nada em troca, o narrador oferece dinheiro para ver a bunda, a garçonete se irrita, depois tudo se resolve, ele vê a bunda. A alegoria da visão no livro está muito bem retratada, o narrador carrega um olho, ele leva este olho para ver várias coisas, ele mente que é o olho de seu pai que morreu na Segunda Guerra. Agora o clímax está em jogo, e o jogo fica perigoso, o narrador terá um fim trágico. Uma mulher feia que tinha sido despida por consequência do narrador em sua loja, volta e lhe dá tiros. Ele termina a sua narrativa. Rosebud, a bunda. “Beijaria a bunda, como se fosse a única” ele diz. A tragédia, talvez seja este o sentido do niilismo, o cheiro de merda, o ralo é só o portal do inferno, o narrador morre, está tudo acabado. “A vida é dura” (Frase repetida no livro). “A bunda era o contraponto do ralo. Esse ralo eu mesmo dei vida. Esse ralo é para onde projetei o escuro que sou. Esse ralo é o que lhe emprestei. O ralo e a bunda, dois extremos. Dois buracos extremos. Um leva ao interno do ser, outro ao interno do mundo.” (O Cheiro do Ralo, página 170, Editora Companhia das Letras, Lourenço Mutarelli) Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Eleições 2012 recuperaram o ???dilema Tostines???
Rogério Medeiros e José Rabelo As eleições de 2012 no Espírito Santo trouxeram de volta o “dilema Tostines”. Lembram? Aquele da década 1980 que fazia a seguinte pergunta: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”. O papo de repórter tenta clarear o dilema: Será que foi Casagrande que cresceu ou Paulo Hartung que encolheu? O que teria acontecido primeiro? Rogério: Há uma tendência muito forte em achar que o governador Renato Casagrande está com tudo. Como dizem hoje em dia, está bombando. De fato ele foi nas eleições municipais e está se saindo bem nessa questão dos royalties. Podemos dizer que ele vive um bom momento político. Esse bom momento já leva muita gente a crer que ele está praticamente reeleito em 2014. Acho que não é bem assim. Para um governador que foi para frente das câmeras para prometer que iria cuidar pessoalmente da Segurança, ele não está se saindo tão bem. O capixaba está saturado de conviver com essa violência. Afinal, foram oito anos de criminalidade nas alturas no governo Paulo Hartung e a situação continua caótica. José Rabelo: Concordo plenamente com você. Inclusive, no início dessa semana, publicamos uma matéria alertando sobre isso. Lembramos que a violência pode ser a grande adversária de Casagrande em 2014. Se ele não começar a modificar esse cenário de guerra civil logo, vai perder muitos votos. Também concordo que o jogo de 2014 não está definido. Longe disso. Talvez, nesse momento, a sensação é de que Casagrande esteja absoluto. Ele olha pra frente e não enxerga ninguém com chances de obstruir sua passagem rumo à reeleição. Pelo menos por enquanto. Rogério: Ele realmente se saiu bem das eleições municipais. O processo eleitoral serviu para mostrar que o ex-governador Paulo Hartung não tinha esse mundo de votos que ele dizia possuir. Acho que é muito mais isso, do qu esse crédito todo que estão dando a Casagrande. A primeira eleição do pós-Hartung foi democrática e livre. Ela mostrou que Hartung não tinha o que ele dizia que tinha. Era um grande blefe. Essa eleição reduz o Paulo a condição de uma liderança política média. Ele não é mais o grande protagonista da política capixaba. Mas não foi o Casagrande que o suplantou, foi ele quem reduziu de tamanho. José Rabelo: Isso me faz lembrar do “dilema da Tostines”. Lembra daquela propaganda de biscoitos dos anos 1980 que perguntava: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”? Ou seja, o que acontece primeiro. Será que foi Casagrande que ganhou estatura ou foi Hartung que encolheu? Estou com você. Acho que Hartung se assustou quando tomou consciência do seu real tamanho nessas eleições. Assustou-se mais ainda quando percebeu que as pessoas também passaram a enxergá-lo do tamanho que ele realmente é. No início do processo eleitoral ele ainda apostava que um bom blefe seria capaz de manter sua imagem ampliada. Não deu. A eleição municipal acabou tirando a prova dos nove com relação à estatura política do ex-governador. Parece que o “dilema Tostines” está respondido: não foi o Casagrande que cresceu, foi o Hartung que encolheu. Rogério: O qual seria os planos de Hartung para 2014? Disputar a eleição para governador ele não vai. Duvido. Ele sabe que Casagrande já está na fila. O que ele pode querer? Se você se recordar, nesse processo eleitoral que passou, ele surgiu como o grande condutor de votos. Ele se colocava assim: todo candidato que ele tocasse a mão, se elegeria. Mas candidatos eleitos que estavam com Hartung para ganhar a eleição estão caminhando em direção ao Palácio Anchieta. É inevitável. José Rabelo: Concordo. Ele não arriscaria disputar o governo. Não quis arriscar nem a prefeitura. Também não consigo vê-lo disputando o Senado. E você? Rogério: Também duvido. O campo está fechado para Hartung. Ele terá que avaliar bem o cenário para ver onde ele cabe. José Rabelo: E quem seria o adversário de Casagrande para 2014, só a violência? Rogério: Vai depender do desempenho de Casagrande até lá. Se ele não resolver esse problema da violência, terá problemas sérios pela frente. Agora, se ele resolver, na minha opinião, ele está eleito. José Rabelo: Mas é curiosa essa constatação. Em menos de dois anos de governo, a violência já se tornou um calo doloroso para Casagrande. A imprensa corporativa passou a dar visibilidade à violência, coisa que não acontecia no governo passado. Durante oito anos o Estado experimentou com Hartung e Rodney índices de homicídios de guerra civil. Quebrando recordes de violência em todos os segmentos: mulheres, negros, jovens… Mas, graças à parcimônia da imprensa, ninguém atribuiu a Hartung esse retrospecto negativo. Prova disso é que o ex-secretário Rodney saiu ileso da sua catastrófica gestão à frente da Segurança. O eleitor não levou esse descontentamento para as urnas porque não estava evidente. Ao contrário, ele ficou com a imagem de “Rambo” valentão e de bom gestor. Tanto é que levou a disputa à Assembleia e à prefeitura de Vila Velha. Não pesou para Rodney, mas pode pesar para Casagrande, porque agora a imprensa resolveu mostrar a realidade. Rogério: Na hora que você tira o Paulo de uma disputa de governo ou Senado, naturalmente você tende a jogar o foco para cima de Ricardo Ferraço (PMDB). Ele tem seis anos de mandato pela frente. Na sucessão de Paulo, ele era favorito, lembra? A eleição de 2010, que por outras circunstâncias foram para Casagrande, colocavam Ricardo como abola da vez. Mas isso passou. O cenário no interior do Estado, onde o Ricardo esteve muito bem, já mudou completamente. Ele não tem mais a capilaridade que tinha quando era vice de Hartung e secretário de Agricultura. Isso já é capítulo passado. O campo hoje é difícil para Ricardo. José Rabelo: Tem razão. É um campo um tanto inóspito. Pirou um pouco mais depois que Ferração “deserdou” politicamente seu “rebento” para ddeclarar apoio à reeleição de Renato Casagrande. Ou você acha que essa pode ser mais um estratagema da velha
Leitores travaram debates acalorados nos comentários durante a semana
Século Diário voltou a tratar da parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e o Instituto Sincades na Reportagem Especial publicada no último sábado (1) . Dessa vez, a reportagem mostrou o Programa Rede Cultura Jovem (PRCJ) definhou. O projeto nasceu em 2009 e até há pouco, a sede ocupava uma ampla sala no Edifício Arábica, na Enseada do Suá. No entanto, hoje é um vulto daquilo que um dia foi e/ou sonhara ser. O PRCJ inclui-se no rol de ações apoiadas pelo Instituto Sincades, entidade criada pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades). Os leitores, que já vêm acompanhando a série de denúncias feitas por Século Diário a respeito desta parceria se manifestaram nos comentários cobrando real apoio à cultura local. Na terça-feira (4) o jornal mostrou que a violência deve ser um dos desafios o projeto de reeleição do governador Renato Casagrande em 2014. O assassinato do empresário Ademar Cunha, no último domingo (2), trouxe o tema novamente à tona e, como não podia ser diferente, Casagrande voltou a ouvir críticas mais contundentes ao trabalho do secretário de Segurança Pública Henrique Herkenhoff. Os leitores contestaram as medidas tomadas para combater a violência no Estado, visto que os índices não apresentaram queda efetiva. Também cobraram a adoção de políticas para impedir esse avanço da criminalidade. O músico quilombola Rogério Cassiano Américo, morador da comunidade Linharinho, em Conceição da Barra (norte do Estado), foi vítima de agressão praticada por quatro agentes penitenciários que faziam a segurança de um evento no mesmo município. Desde a agressão, a vítima – que foi agredida com arma de choque no olho – tenta registrar a ocorrência, mas não consegue finalizar o processo. Nos comentários da matéria que foi ao ar na quarta-feira (5), os leitores debateram o fato de agentes penitenciários fazerem “bicos” como seguranças, além da violência desproporcional aplicada à vítima. Na quinta-feira (6), Século Diário tratou dos altos salários pagos a secretários municipais em Vitória, além da dificuldade que o prefeito eleito do município, Luciano Rezende (PPS) vem enfrentando para fechar nomes no novo secretariado. Os leitores se dividiram na opinião aos salários dos atuais secretários. Alguns defenderam que quadros técnicos qualificados devam ter salários competitivos com o mercado, outros questionaram a procedência e até mesmo a qualificação de alguns deles. Ainda na quinta-feira (6) governo no Estado convocou 80 investigadores para nomeação. Os investigadores prestaram concurso em 1993 e nunca haviam sido convocados, mesmo tendo passado por curso na Academia de Polícia (Acadepol). Depois de recorrerem à Justiça, os concursados só começaram a ser nomeados em 2011. A notícia foi comemorada nos comentários, mas também houve lamento dentre aqueles que prestaram concurso para a Polícia Militar em 1996 e também aguardam nomeação
Juiz encerra ação popular contra ex-deputado que tramitou por mais de duas décadas
A Justiça tarda, mas não falha. O adágio popular pode ser a expressão mais adequada para descrever a sentença do juiz Jorge Henrique Valle dos Santos, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública. Na última sexta-feira (7), o juiz absolveu o ex-deputado estadual José Tasso de Oliveira Andrade da acusação de ter utilizado um veículo da Escelsa – onde foi diretor – na campanha eleitoral de 1986. A ação popular (024.91.011988-2) oferecida pelo advogado Estanislau Kostka Stein tramitava na Justiça desde o ano de 1991. Durante este período, nem mesmo o denunciante levou adiante às acusações, estas assumidas pelo Ministério Público Estadual (MPES) – que responde até hoje pela denúncia. Na época da denúncia, o advogado acusou José Tasso de ter utilizado o veículo da então estatal de energia elétrica do Estado com a finalidade de fazer campanha eleitoral. Stan Stein, como é mais conhecido, narrou até a suposta distância percorrida pelo veículo nos municípios capixabas – 14.527 quilômetros, de acordo com a petição inicial do processo. No ano de 2001, o juízo da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública o caso como improcedente, mas o caso voltou a tramitar graças a uma decisão do Tribunal de Justiça cinco anos mais tarde após recurso do Ministério Público. Com a anulação da sentença de 1º grau, o caso voltou a tramitar no início de 2009. Desde a descida dos autos, o processo tramitou por mais de três anos até a sentença do juiz Jorge Henrique pela inexistência de qualquer irregularidade na utilização do veículo por José Tasso. “Os documentos dos autos revelam que a utilização do veículo pelo requerido cessou a partir de seu afastamento do exercício das funções do cargo efetivo (no dia 29 de setembro de 1986)”, avaliou. Para o magistrado, “não se vislumbra qualquer irregularidade na utilização do veículo de propriedade da Escelsa, no período indicado na inicial, porquanto o veículo foi utilizado no exercício das atividades inerentes ao cargo efetivo então ocupado pelo mesmo”. Na decisão, Jorge Henrique determina o envio dos autos para o Tribunal de Justiça para a confirmação ou não da decisão. Novamente, a decisão ainda cabe recurso do órgão ministerial.
Mutirão do DPVAT estará em Iúna e Guarapari na próxima semana
Na próxima duas terças (11 e 18) e quartas-feiras (12 e 19), o Tribunal de Justiça do Espírito Santo vai até Guarapari e Iúna para realizar uma série de conciliações do DPVAT, seguro que indeniza vítimas de acidentes de trânsito. Segundo o TJES, muitas pessoas procuram a Justiça para receber a indenização, tornando o caminho mais longo, enquanto nos pontos disponibilizados para requerer o benefício no Estado o pagamento pode sair em até 30 dias. O seguro indeniza vítimas de acidentes de trânsito em casos de morte, invalidez permanente e necessidade de reembolso de despesas médicas e hospitalares. Segundo os organizadores da ação, qualquer pessoa pode dar entrada no seguro gratuitamente através dos pontos de atendimento do Seguro, mas como alguns desconhecem o direito, acabam acessando à Justiça para receber a indenização. O objetivo das conciliações é resolver casos como estes, que na maioria das vezes são simples. A solicitação do Seguro pode ser feita gratuitamente em mais de 4.740 pontos oficiais de atendimento em todo o Brasil. O próprio acidentado ou herdeiro pode dar entrada no pedido de indenização e reembolso, não sendo necessário o auxílio de intermediários. No Espírito Santo, durante todo o ano, o seguro DPVAT pode ser solicitado em 30 pontos oficiais, onde o atendimento é gratuito e autorizado pela Seguradora Líder. A seguradora alerta que é importante ficar atento ao prazo para fazer o pedido do seguro DPVAT, que é de três anos a contar da data de ocorrência do acidente. A ação é uma iniciativa da Seguradora Líder DPVAT, administradora do seguro, em parceria com o TJES e na ação estarão presentes conciliadores, peritos médicos e advogados. No ano de 2011, pouco mais de 12 mil beneficiários receberam suas indenizações após a celebração de acordos formalizados através de campanhas de conciliação. Devem comparecer às audiências os cidadãos que receberam a comunicação do Tribunal de Justiça sobre os encontros. Serviço Guarapari Data: 11 e 12/12 Local: Fórum Desembargador Gregório Magno – Alameda Francisco Vieira Simões, S/N, Muquiçaba Horário: 8h às 18h Iúna Data: 18 e 19/12 Local: Fórum Desembargador Waldemar Pereira – Mimoso do Sul – Rua Galaos Rius, nº 301 – Centro Horário: 8h às 18h
?? por aí
O convite para o presidente estadual do PSB, Macaciel Brega (foto), integrar o governo do prefeito eleito de Cariacica, Juninho (PPS), é uma consequência natural do resultado das eleições municipais que registrou a queda do ex-governador Paulo Hartung e alçou o governador Renato Casagrande à condição de regente da política capixaba. Com um dado especial: o Juninho estará levando o coautor da estratégia que resultou nesse bom resultado para Casagrande. Macaciel é do ramo da política que começou na sua terra natal, Águia Branca, com passagens pela vida sindical. Casagrande foi buscá-lo no PT. É um quadro que se encaixa bem nas necessidades políticas de Juninho e no acesso ao governador Casagrande. Principalmente para quem iniciou o processo de transição agregando figuras da medicina privada da intermediação imobiliária. Sem se esquecer de frisar que sucede a um prefeito (Helder Salomão/PT) bem avaliado no Estado e fora dele. Discrição total O jornalista Luiz Carlos Azedo, que passou por aqui nos anos em que o Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) esteve à frente da prefeitura de Vitória, tem vindo com frequência, em viagens relâmpago, ao Estado assessorar o prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS). Dizem que é a voz mais ouvida por Luciano. Indiscrição total Diferente da discrição de Azedo, Lenise Loureiro, coordenadora da comissão de transição e indicada para a Secretaria de Gestão, sempre que se expressa passa a impressão de que realmente influi junto ao prefeito eleito Luciano Rezende. Incógnita O ponto de interrogação dessa equipe do Luciano Rezende é do homem da AcelorMittal, José Armando. Quadro de gestor ligado, longamente, aos interesses transnacionais. É mal visto junto aos ambientalistas e bem visto nos meios empresarias. Ele é benquisto por Luciano. Investimento Em matéria de investimento político para o futuro, quem vai receber é o vereador Fabrício Gandine (PPS). Vai ser posicionado em lugares em que cresça na direção de suceder Luciano. Projeto para 2018. Bicho pega Nessa segunda-feira (10), o Fórum das Entidades Culturais do Espírito Santo se reúne, à noite, no Sindicato dos Bancários para analisar a situação do Instituto Sincades. A tendência é engrossar as críticas. Biógrafo O biógrafo de Oscar Niemeyer está no Espírito Santo. É Maciel de Aguiar, que foi escolhido pelo gênio da arquitetura para fazer um livro fora dos habituais, voltado para a sua obra. Humanismo Maciel fez o seu com o lado humano. Um texto poético que encantou o biografado, que morreu esta semana. Nos períodos em que conversaram, Oscar Niemeyer desenhava mulheres sensuais e presentia-vas a a Maciel. O livro já circula há mais de oito anos no mercado. Quem mais faz uso dele é a presidente Dilma Roussef. Costuma oferecer às suas visitas internacionais. O livro, além do português, tem também edições em inglês, francês e espanhol. “Todas as pessoas tem disposição para trabalhar criativamente. O que acontece é que a maioria jamais se da conta disso” Truman Capote
Sistema prisional já nasceu falido
A entrevista da juíza aposentada Maria Lúcia Karan, publicada neste sábado (8) em Século Diário, deve ter chocado muita gente. Ela defende, sem firulas, o desencarceramento. Isso mesmo. Em sua opinião, o sistema prisional já nasceu falido e não é capaz de ressocializar ninguém. Ela lembra que a humanidade aplica a pena de prisão há mais 300 anos sem sucesso. E o sistema tem provado que não é capaz de reduzir a violência e criminalidade. “O sistema penal já chega atrasado. Só depois que aconteceu o fato é que se processa, condena e prende alguém, ou seja, não impede que os crimes aconteçam. Mandar alguém para a prisão é fazer com que a pessoa se torne mais desadaptada ao convívio social”. A constatação é no mínimo corajosa. Ao desnudar a falência do sistema prisional, Karan mexe com um tema tabu da sociedade, que prefere não pensar que existe prisões e presos. Se os presídios funcionassem embaixo da terra ou em ilhas distantes, longe dos olhos de todos, seria mais confortável para a sociedade. Mas a ideia de Karan não para na falência do sistema prisional. Ela defende o desencarceramento, o abolicionismo penal. Em outras palavras, a juíza aposentada pede o fim das prisões. Para mostrar que a ideia não é tão absurda quanto possa parecer para alguns, ela questiona a lógica “pedagógica” da ressocialização: “É uma maluquice falar em ressocialização tirando a pessoa da sociedade. É absolutamente irracional ensinar a pessoa a conviver em sociedade, afastando-o dessa mesma sociedade”, questiona. Para Maria Lúcia Karan, não importa o tipo de delito cometido – seja um assalto ou um homicídio -, ela defende que nada justifica o encarceramento, que não traz, segundo ela, nenhum benefício para a vítima ou para o autor do crime, no sentido de recuperá-lo. Como “punição”, ela propõe a reparação material à vítima, se ela ainda estiver viva, ou aos familiares, no caso de um homicídio ou latrocínio. Para afastar o choque da proposta, ela argumenta que há um punhado de homicidas convivendo em sociedade. Como exemplo extremo ela cita o caso do presidente do Estados Unidos, ressaltando que se fosse americana seria eleitora dele. “A gente convive com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que é um assassino. Ele matou o [Osama] Bin Laden (…)”, constata. Nesse ponto Karan está coberta de razão. Já pararam para pensar quantos homicidas convivem normalmente em sociedade no Espírito Santo? Alguns inclusive são pessoas públicas. A diretora no Brasil da Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil) – organização fundada nos Estados Unidos com a missão de reduzir os efeitos resultantes da guerra às drogas – afirma, porém, que a proposta do desencarceramento precisa ser combinada com outro tema tabu, a legalização das drogas. Liberando as drogas, sustenta Karan, acabaria automaticamente a violência na produção e comercialização. Sem dúvida, outra ideia polêmica, mas que já não é classificada como absurda. Até porque diversos países já adotam a medida com resultados positivos. Um estudo recente comprova que na Holanda, onde algumas drogas são liberadas para o consumo, o número de usuários vítimas de overdose é sete vezes menor que nos Estados Unidos, onde o consumo é ilegal na maioria dos estados. Outro ponto a favor da legalização. Nos presídios da holandeses faltam presos, enquanto no Brasil há um déficit de quase 300 mil vagas. A legalização, como defende Karan, parece ser capaz de pôr fim à violência nestas duas etapas da cadeia: produção e comercialização das drogas. Ela dá como exemplo o álcool. “Não se tem violência na produção e comércio de álcool, mas já teve nos Estados Unidos quando era proibido, entre 1920 e 1933”, lembra, referindo-se a guerra travada entre o governo americano e a máfia italiana. Tanto o fim das prisões como a legalização das drogas, defendidas por Maria Lúcia Karan, são duas propostas que deveriam ser debatidas pela sociedade. Antes de atacar preconceituosamente a ideia e classificá-la como uma maluquice, seria interessante deixar o tabu de lado para fazer a reflexão e responder à pergunta: será que queremos de fato reintegrar em sociedade as pessoas que erraram ou simplesmente queremos nos livrar delas, as enterrando vivas no caixão social que chamamos de prisão?
Raio X
Todos os anos o Prêmio Nobel distribui uma generosa quantia em dinheiro para alguns afortunados que desenvolveram algum trabalho significativo nas áreas de química, medicina, literatura e paz. Para alguns críticos, o prêmio é mais político que meritório, e seus vencedores seguem uma fórmula estabelecida para conquistá-lo. De uma maneira geral, porém, a ideia é muito boa. Reconhecer e recompensar os profissionais que dedicaram, muita vezes uma vida inteira a seus sonhos e projetos merece também um prêmio. O que infelizmente ainda falta é um Prêmio Nobel para a fotografia, o que seria muito interessante de se ver. No entanto, em 1901, Wilhelm Konrad Roentgen recebeu o prêmio com uma fotografia, mas não exatamente como fotógrafo. Roentgen venceu na categoria de Física por suas pesquisas que culminaram na invenção do Raio X. Para testar o aparelho, ele usou a imagem feita em 1896 da mão de sua esposa, que serviu inúmeras vezes com cobaia de suas experiências. Essa imagem roda o mundo até hoje, como o marco de uma grande descoberta para a humanidade, que facilitou enormemente os diagnósticos da medicina. Além disto, criou um ramo bastante lucrativo para um grupo muito especializado de fotógrafos: os técnicos de Raio X. Apesar do pouco conhecimento sobre os efeitos da radiação causada pelo Raio X se comparados com os dia atuais, não é verdadeira a história de que tanto o Dr. Roentgen como sua esposa tenham contraído câncer e morrido em consequência dessas experiências, utilizando seus próprios corpos para testar o aparelho. A imagem da semana é o Raio X da mão da Sra. Roentgen, feita em 1896 pelo físico alemão Wilhelm Konrad Roentgen. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Longe dos olhos, perto do coração
Essa pérola do sentimentalismo humano deve ter sido cunhada por Confúcio, que cultivava lótus em seu jardim. Alguma alma sensível, procurando algo para minimizar suas mágoas, viu na singela frase uma definição da saudade, como se saudade carecesse de definição. O afastamento indesejado é uma constante nas interações humanas, pelo menos para uma das partes. Alguns longos, alguns eternos, mas por curtos que sejam machucam o coração e deixam sequelas. Na verdade, Confúcio não lamentava o afastamento de uma pessoa querida, ou mesmo do Buda, ao criar a famosa frase, e sim às suas flores. O monge saiu em uma peregrinação justamente no dia em que as flores de lótus desabrochariam no pequeno lago de seu jardim. Entendo seu sentimento, porque o lótus é planta caprichosa. Vicejando no lodo, à noite a flor se fecha e submerge, como uma ninfa envergonhada de sua própria beleza. Leva então três dias para vagarosamente emergir; na manhã do terceiro dia a flor se abre na superfície da água, exibindo toda sua beleza e pureza… sem ter sido maculada pela sujeira do lodo onde se escondeu. À noite ela submerge outra vez. Confúcio tinha que viajar exatamente nesse dia? Essa característica da flor do lótus a tornou sagrada em muitas culturas. Porque morre para voltar à vida três dias depois, os egípcios a cultuavam como símbolo do renascimento – a vitória da alma sobre a morte. E como toda a cultura do antigo Egito era voltada para a morte, a flor de lótus era também associada a ela. O famoso Livro dos Mortos continha magias para transformar o morto em flor de lótus, ganhando assim a eternidade. E porque a flor do lótus emerge sem mácula das águas sujas onde vive e se esconde por três dias, os budistas a cultuam como símbolo de pureza – a vitória da virtude sobre as tentações humanas. Para o hinduísmo, a flor do lótus simboliza beleza, fertilidade, prosperidade, espiritualidade e eternidade. Em muitas culturas ela simboliza o nascimento divino, o crescimento espiritual e a pureza do coração e da mente. Também é símbolo de longevidade e resistência, porque suas sementes podem ficar hibernando por mais de mil anos, e renascem quando caem na água. Por certo foi esse o motivo da tristeza de Confúcio ao se afastar de casa exatamente no dia em que suas flores de lótus iam subir á superfície, e a transformou também no símbolo da esperança dos ausentes – a flor se afasta por três dias, mas sempre retorna. Hoje em dia andamos mais preocupados com a pureza do nosso crédito e o renascimento do status social perdido nas inconstâncias da economia internacional. Maria se casou com Iasyn pelo alto valor de seu patrimônio, e vive perto dos olhos e longe do coração. Maria se compara ao lótus que se esconde em seu jardim….. submerge, mas talvez um dia ainda possa renascer.