Passados mais de dois anos da deflagração da Operação Broca, que revelou um esquema de fraudes na comercialização de café, o mercado local transpira a insatisfação com novas irregularidades no setor. O protesto tímido aconteceu durante encontro de lideranças empresariais capixabas, realizado nesse final de semana na região de Pedra Azul. Essa não é a primeira vez que representantes do Comércio do Café de Vitória (CCCV) revelam a existência de novas perdas. A principal queixa tem como alvo um suposto esquema montado com auxílio de empresas do estado do Rio de Janeiro, que rememora o expediente fraudulento utilizado por grandes empresas locais. Segundo nota da coluna Victor Hugo, publicada no jornal A Gazeta, os empresários do setor cobram uma ação mais incisiva do governo do Estado contra as irregularidades, que já teriam ultrapassado R$ 100 milhões aos cofres do Estado. No mês de setembro, a CCCV divulgou dados sobre novas perdas do setor com fraudes na venda dos grãos. A entidade alegou que, até naquele momento, o Estado teria deixado de recolher R$ 67,73 milhões apenas com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo estadual. Também deixaram de ser recolhidos os valores relativos ao Funrural, contribuição que incide sobre o faturamento dos produtores rurais e é revertida para o pagamento de benefícios a trabalhadores do campo. Na época, a entidade alegou que as fraudes acontecem no descaminho do café que não vai para a exportação. Em teoria, esses grãos deveriam ir todo para a torrefação, porém, a arrecadação de tributos não condiz com o cruzamento entre os dados da produção e da exportação de café. Nas contas da CCCV, a diferença no recolhimento de tributos é próxima de R$ 5 milhões por mês. Esse novo esquema de fraudes seria análogo ao descoberto durante as investigações da Operação Broca, que flagrou a “fabricação” de créditos tributários federais – e, consequentemente, créditos de ICMS que passaram ao largo das apurações. A simulação na geração dos créditos também ocorria no momento da exportação do café. Além de não recolherem os tributos, os empresários tinham acesso aos créditos tributários – que variavam entre 3% a 9,25% no PIS/Cofins e de até 18% do tributo estadual. Segundo as investigações da Polícia Federal, um total de 23 empresas laranjas – que figuravam como intermediárias na compra do café dos produtores – montadas apenas para dar vazão às fraudes movimentaram um total de R$ 2.797.987.859,76. No inquérito policial, obtido com exclusividade pela reportagem, o volume de créditos de PIS/Cofins gerados nas transações investigadas foi de R$ 252.457.080,20. Broca A operação foi deflagrada no dia 1º de junho de 2010, com a prisão de 32 envolvidos, entre eles empresários, corretores e funcionários das empresas investigadas. Na ocasião, as equipes da Polícia Federal também fizeram busca e apreensão em documentos e computadores nas sedes das empresas com o auxílio de auditores da Receita Federal. Desde então, o Ministério Público Federal no Estado (MPF/ES) denunciou 95 pessoas envolvidas pelo esquema de obtenção de vantagens tributárias ilícitas.
Senado discute a precarização do trabalho por meio da terceirização de mão de obra
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado discutiu, nesta terça-feira (27), a precarização do trabalho, ou seja, a forma de contratação que não respeita os direitos mínimos dos trabalhadores. No Espírito Santo, a subcontratação é usada em larga escala, principalmente em companhias siderúrgicas e na área de metalurgia, o que acaba por precarizar as relações de trabalho. O secretário de Política Sindical e Relações Institucionais da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Joilson Antônio Cardoso, foi um dos participantes da audiência pública do Senado. Ele ressaltou que os empresários brasileiros estão pouco preocupados com a qualificação do trabalhador e que quando o patronato diz que está preocupado, não condiz com a realidade das empresas. O sindicalista afirmou, ainda, que a CTB e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) são a favor da regulamentação da terceirização, mas são contra a ampliação. Joilson alertou que a universalização da terceirização do trabalho vai criar a especulação trabalhista. Ele explicou que, desta forma, uma empresa pode ser criada com toda a atividade terceirizada. No Estado a subcontratação é comum na construção civil, nas empresas siderúrgicas e metalúrgicas. Na construção civil, a construtora, que é a tomadora de serviço, terceiriza cada etapa da obra e a empresa contratada também recontrata outras para serviços específicos, numa prática conhecida como “quarteirização”. Essa subcontratação torna ainda mais nociva a prática da terceirização e coloca em risco a integridade física dos trabalhadores, além de dificultar a fiscalização. A empresa tomadora de serviço é a responsável pela cadeia produtiva e, além de ter responsabilidade subsidiária, tem a obrigação de fiscalizar todas as etapas de trabalho e garantir a integridade dos trabalhadores.
Ligação a Rodrigo Chamoun fecha espaço para PSB em Guarapari
A movimentação do PSB em Guarapari para eleger Gedson Merízio à presidência da Câmara Municipal, o que o colocaria à frente da prefeitura até a eleição extemporânea, na qual substituiria Ricardo Conde na nova disputa do município, quase deu certo. O problema é que a classe política local entendeu que Gedson é ligado ao conselheiro do Tribunal de Contas, Rodrigo Chamoun. No município ventilava-se fortemente que Merízio estava consolidado como novo presidente da Câmara. Mas, depois de identificado o DNA de Chamoun na candidatura do vereador , uma debandada das forças políticas que estariam fechadas com o socialista teria acontecido no grupo. Antes de virar conselheiro, Chamoun foi deputado reeleito por Guarapari. Em 2008, ele tentou sem sucesso disputar a prefeitura contra Edson Magalhães (PPS). Sua saída do mandato de deputado irritou políticos e eleitores em Guarapari, sua principal base. A eleição da Câmara de Guarapari é fundamental para quem pretende disputar a eleição, já que o presidente eleito será virtualmente o prefeito durante o período eleitoral. Como a previsão é que a eleição no município aconteça em fevereiro, o escolhido pela Câmara vai comandar Guarapari por dois meses. O candidato de saída do PSB é Ricardo Conde, que disputou a eleição em outubro passado. Mas como o número de votos do prefeito Edson Magalhães (PPS) – que teve a votação anulada pela Justiça Eleitoral – foi cerca de três vezes maior que o dele, o partido teria pensado em uma substituição para o novo pleito. Merízio que foi o vereador eleito mais bem votado no município na eleição deste ano, obtendo 1.888 votos, seria o nome ideal para substituir Conde na nova disputa. Agora, o partido precisa encontrar outra solução ou compor com outros nomes se quiser levar à frente um palanque de oposição. No lado da situação, o prefeito Edson Magalhães já escolheu o nome que receberá seu apoio, o empresário Orly Gomes (DEM), que foi candidato a vice em sua chapa, em outubro passado.
Onix tem alvará de construção de prédio na Enseada Azul suspenso
A Onix Construtora e Incorporadora Ltda teve o seu alvará de construção suspenso, vedando qualquer ato que importe construção na Enseada Azul, em Guarapari. A medida é reflexo da ação civil pública ajuizada pela Associação dos Moradores da Enseada Azul (Ameazul). Além da suspensão, a Justiça inverteu os papéis. Agora, quem terá que provar que está legal na região é a construtora. Segundo a decisão da Justiça, não cabe mais aos titulares dos direitos ambientais provar a ofensividade dos empreendimentos levados à apreciação do Poder Público/Judiciário. “É preciso garantir que a relação jurídica se reequilibre, diante da desigualdade inicial das partes, para que as vítimas (no caso a coletividade) não suportem injustamente as consequências dos riscos criados por alguns, em proveito próprio”, pontuou o juiz Gustavo Marcal da Silva e Silva. Desta forma, para reverter a situação, a construtora terá que demonstrar inofensividade da atividade proposta, especialmente nos casos em que o eventual dano possa ser irreversível, de difícil reversibilidade ou de larga escala. Segundo a ação ajuizada pela Ameazul, o empreendimento da Onix na Enseada Azul não é compatível com o porte autorizado pela municipalidade. A empresa terá que esclarecer se a construção compatibiliza-se ou não com a tabela de controle urbanístico aplicada às Zonas de uso Turístico (ZUT2), considerando, sobretudo, o número de pavimentos, bem como o padrão arquitetônico e características do parcelamento do solo e da infraestrutura existente na região. A Justiça cobra também que o empreendimento esteja compatível com a tabela de controle urbanístico aplicada às Zonas de Uso Residencial (ZUR3); se o empreendimento em questão potencializa ou não efeitos nocivos à qualidade de vida da população residente na área de construção e suas proximidades; se o empreendimento gera risco ou não de ofensa ao meio ambiente natural e artificial da região; se o projeto foi submetido a prévio Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), com a submissão do mesmo pelo Conselho Municipal do Plano Diretor Municipal (PDM), entre outras exigências. “Quanto ao ônus da prova, por envolver a demanda questão ambiental, tenho pela necessidade de sua inversão – inclusive sob o aspecto financeiro -, para imputá-lo à segunda requerida, na qualidade de titular do empreendimento, responsável pela criação dos riscos de danos ambientais discutidos na demanda e, portanto, também pela eventual reparação. Como cediço, a responsabilidade civil em matéria ambiental é objetiva, isto é, independe da verificação da culpa do agente”, diz a decisão. Atualmente os moradores da região e a Ameazul lutam contra a liberação, por parte da prefeitura, de arranha-céus nas praias de Macunã, Guaibura, Bacutia e Peracanga. A intenção da entidade é a regulamentação do zoneamento. Além das sombras na praia, do adensamento urbano e do desrespeito aos padrões atuais das edificações, os moradores reclamam das falhas do Plado Diretor Municipal (PDM) e cobram o retorno do antigo regimento da cidade. Sem zoneamento, dizem eles, a construção de prédios está sendo liberada indiscriminadamente na região. A Ameazul aponta que estudos realizados nos municípios da Serra, Vitória, Vila Velha e Guarapari demonstram que os espigões fazem sombra na praia a partir das 14 horas, deixando os frequentadores sem até seis horas de sol no horário de verão, quando as praias são frequentadas até às 20 horas. As modificações previstas pelo PDM, diz a Ameazul, são incompatíveis com o direito ao meio ambiente equilibrado garantido pela Constituição, considerando, inclusive, a largura e a altura dos prédios que pretendem abrigar número de pessoas incompatível com a infraestrutura da região. Segundo a entidade, não consta no PDM o zoneamento da região que determina quantos andares deve haver nas edificações, garantindo assim um descontrole na liberação de licenças de empreendimentos – seis já foram concedidas. A Ameazul recorreu ao Ministério Público do Estado (MPES) contra a construção dos espigões na Enseada Azul.
Mudanças no secretariado começam a ganhar forma
O PT já mostra sua movimentação para tentar se fortalecer rumo ao processo eleitoral de 2014. No próximo dia 15, o atual secretário de Assistência Social, Rodrigo Coelho (PT), realiza audiência em Cachoeiro de Itapemirim para discutir os rumos do mandato na Assembleia, que assumirá em 2013. Paralelamente, o prefeito de Cariacica, Helder Salomão (PT), está prestes a assumir o lugar de Rodrigo na Secretaria. Por parte do governo do Estado, está tudo certo. A movimentação do PT, que visa a fortalecer o partido na Assembleia, além de acomodar o aliado Helder – sem mandato a partir de janeiro –, na equipe do governador Renato Casagrande, torna ainda mais difícil a situação do deputado estadual Esmael Almeida (PMDB). Com o retorno de Rodrigo Coelho à Assembleia, ele perde a suplência, o PMDB não estaria muito preocupado em preservar o parlamentar depois que ele elegeu o filho, Davi Esmael, para a Câmara de Vitória, pelo PSB. Outro complicador é que a alternativa pensada, a ida de Roberto Carlos para a Casa Civil, encontra resistência no plenário. A movimentação do ex-deputado Paulo Roberto (PMDB) que participou inclusive da manifestação dos royalties, no Rio de Janeiro, nessa segunda-feira (26), mostra que ele está bem próximo de assumir mandato, driblando a legislação, que garantiria a vaga ao PSDB. Outra movimentação na Assembleia será a curta passagem de Vandinho Leite (PR) pela Casa. O deputado deve reforçar a bancada durante a eleição da Mesa Diretora para credenciar o partido na partilha dos cargos dentro do Legislativo. O PR tem hoje a segunda secretaria da Mesa Diretora, com Glauber Coelho, e a Comissão de Segurança, com Gilsinho Lopes. Quem perde temporariamente a vaga é o deputado Cacau Lorenzoni (PP), que entrou na casa na suplência de Nilton Baiano (PP), que por sua vez, assumiu a suplência de Vandinho Leite. Essas movimentações na Assembleia são pontuais, e ajudam sobretudo o PT, que saiu desgastado da eleição municipal. O partido vinha criando obstáculos à reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) na presidência da Assembleia, mas com as movimentações do governo se acalmou, compondo com a maioria.
TJES mantém ação de improbidade contra secretária de Educação em Cariacica
A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, na última semana, o recebimento de uma ação contra a secretária municipal de Educação de Cariacica, Célia Maria Vilela Tavares, por supostas irregularidades em convênios na pasta. No início do mês, o colegiado havia negado um recurso do prefeito Helder Salomão (PT), também denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES), no mesmo caso. De acordo com a decisão publicada nesta terça-feira (27), o relator do processo, desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, considerou suficiente a existência de indícios de malversação do dinheiro público para o recebimento da ação. O magistrado também negou a relação da ação civil pública com supostas irregularidades ocorridas durante a fase de inquérito civil. O entendimento do desembargador Samuel Meira segue a linha do voto do colega de Câmara, Telêmaco Antunes de Abreu Filho, que negou o recurso do prefeito. Os magistrados consideraram que a elucidação da possível malversação das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) deverá ser efetivada no curso do processo. Nos autos, o Ministério Público acusa o prefeito, a secretária municipal de Educação e o diretor da ONG “Movimento Juventude Ativa”, Robson Paixão, de irregularidades na utilização de R$ 275 mil em verbas federais. A promotoria narra que o convênio firmado em 2008 para realização do “Projeto Cariacica Jornada ampliada – Pré-Médio” não é previsto em lei. Em janeiro deste ano, o juiz da Vara da Fazenda Pública Municipal de Cariacica, Jorge Luiz Ramos, recebeu a denúncia contra os três denunciados e pessoa jurídica da ONG. No mês de setembro, os autos do processo foram distribuídos para a 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, que será responsável pelo julgamento de todas as ações de improbidade em trâmite nos juízos da Grande Vitória.
Fafi abre processo seletivo para oficinas de dança, teatro e música
A Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música Fafi anunciou, por meio de Edital publicado neste último sábado (24), a abertura de inscrições para o processo seletivo de candidatos às vagas em oficinas nas áreas de dança, teatro e música para 2013. Os candidatos devem comparecer à secretaria da instituição nas próximas quinta (29) e sexta-feira (30), das 9h às 17h, e sábado (1), das 8h às 12h. Serão ofertadas 1.023 vagas em 30 oficinas a serem ministradas de fevereiro (após o Carnaval) a julho de 2013, na própria Fafi. As vagas estão assim distribuídas: 370 em dança, 440 em teatro e 213 em música. Documentos O candidato deverá apresentar no ato da inscrição os seguintes documentos: cópia da Certidão de Nascimento ou Carteira de Identidade; cópia de comprovante de escolaridade, uma foto 3/4 atual. As oficinas e Cursos de Dança e Consciência Corporal para a terceira idade exigem ainda atestado de aptidão física. Para a oficina de Consciência do Movimento para os idosos, não será necessário apresentar declaração de escolaridade. Cursos Técnicos Também estarão abertas as inscrições para o 1º ano do Curso Técnico de Dança e para o 1º ano do Curso Técnico de Arte Dramática. Ao todo, serão 14 oficinas livres de dança e, pela primeira vez, será aberta uma turma só para meninos. Na área de teatro, serão 11 oficinas. Já na de Música, serão ofertadas cinco oficinas. CURSOS E OFICINAS Dança Iniciação à Dança Clássica (6 e 7 anos); (7 e 8 anos); Iniciação à Dança Contemporânea (9 a 11 anos) Iniciação à Dança – Meninos (10 a 13 anos) Dança Clássica (de 30 a 50 anos) Dança Afro (a partir de 15 anos) Consciência Corporal (preparatório para o Curso de Qualificação em Dança Contemporânea – a partir de 16 anos) Consciência Corporal (Preparatório para o Curso de Qualificação em Dança Contemporânea – a partir de 16 anos) Consciência Corporal para 3ª Idade Preparatório – Matutino (8 anos); Vespertino (8 anos) Ginástica Respiratória Corpo e Voz Curso Técnico de Dança Teatro Curso Técnico de Arte Dramática Jogos Dramáticos – A, B, C e D Iniciação Teatral; D; Avançado; para Jovens e Adultos Jogos Dramáticos na Sala de Aula para Professores O Trabalho Pré-expressivo do Ator Interpretação para Montagem de Cena Ator e Processo de Criação Música Violão Saxofone Cavaquinho Composição Flauta Transversa Serviço A abertura de processo seletivo da Escola Técnica Municipal de Teatro Dança e Música Fafi acontece nestas quinta (29) e sexta-feira (30), das 9h às 17h, e sábado (1) das 8h às 12h, na secretaria da Fafi. Avenida Jerônimo Monteiro, 656, Centro, Vitória. Mais informações: (27) 3381-6922 ou 3381 6924.
Prato da Casa é palco para independentes crescerem
A energia e dedicação da jovem equipe do programa radiofônico Bandejão, projeto de extensão do curso de Comunicação Social da Ufes, dá fôlego à 6ª edição do Festival Prato da Casa. O evento, que revela bandas independentes sem restrição de estilo, faz a música produzida no Espírito Santo circular, seja na rádio, nos palcos, na mídia e em todo lugar onde as bandas possam ecoar. O Festival Prato da Casa deste ano será neste sábado (1), a partir das 14h, na Estação Porto. “Levar o festival para fora da universidade é muito bom, porque não ficamos restritos ao público universitário e as bandas podem atingir um público mais heterogêneo”, explica Amanda Paganini, uma das organizadoras do evento. O Prato da Casa é uma grande oportunidade para que as novas bandas capixabas possam se apresentar em palco bem estruturado com qualidade de som, iluminação e produção. Além de mostrarem suas músicas para um público de aproximadamente 1500 pessoas (quantidade suportada pela Estação Porto), as bandas também ganham espaço na programação da Rádio Universitária (104.7 FM). “A grande dificuldade foi garantir verba e apoiadores, trabalhamos sempre com permuta e com parcerias. Assim conseguimos que a Prefeitura de Vitória cedesse o espaço da Estação Porto”, conta Amanda. Apesar de toda correria, a universitária diz que o resultado é muito gratificante, “nós vemos as bandas crescerem, fazendo shows e saindo em turnê depois de serem selecionadas. Nosso trabalho é reconhecido pelos músicos que sempre nos agradecem”. Das trinta e seis inscrições recebidas, apenas doze bandas foram selecionadas. A escolha se deu por voto popular (por meio de Facebook e telefone), júri técnico, formado pelo músico Amaro Lima, pelo diretor da Rádio Universitária Rogério Borges e pelo produtor musical Nelson Mendes, e pela equipe do Bandejão. As finalistas foram Ato Público, Broken & Burnt (foto acima), Brownie and the Muffins, Cheap Blues (abaixo), Desktop, Efeito Inverso, Infravermelho, Jefinho Pinheiro, Mendigos Cientistas, Os Du Grotta, Questionação e Senso. O grupo reúne diversos estilos, como rock, heavy metal, blues, reggae, pop. Nova fase para a música “É um peso enorme para o currículo da banda ser vencedora do maior festival de bandas independentes do Estado”, afirma Henrique Mattiuzzi, baixista e vocalista da banda Cheap Blues. Para ele o festival está preenchendo uma lacuna importante no incentivo à música. “Depois que acabou o Rock na Ufes muitas bandas foram acabando por falta de espaço para tocar. O festival é uma grande ocasião para os músicos se reunirem outra vez”. Durante o show, a banda apresentará versões próprias de clássicos do blues da década de 1950 e também músicas autorais. Hugo Ali, vocalista e guitarrista da banda de heavy metal Broken Burnt, vê no festival a oportunidade de tocar para um público maior e diferente a que a banda está acostumada. A Broken Burnt começou no início de 2011 e lançou recentemente o primeiro álbum Let The Burning Begins (2012), com nove faixas. O CD será vendido no dia do Festival Prato da Casa. Vindos de Baixo Guandu, os músicos da banda Os Du Grotta se apresentam pela primeira vez na Grande Vitória. Com referências que vão do forro ao rock e letras engraçadas, o vocalista Leandro Barros não nega que a maior influência da banda é o Mamonas Assassinas. “O show será uma coletânea de todas as nossas canções e paródias, além disso estamos preparando fantasias especiais para o festival”, conta. A banda está em fase de finalização do primeiro álbum, que ainda não foi batizado. Serviço O 6º Festival Parato da Casa acontece neste sábado (1), a partir das 14h, na Estação Porto. Av. Getúlio Vargas, Centro de Vitória, Armazém 5 da Codesa. Entrada gratuita.
Ex-servidores teriam sido
Existem indícios que apontam que o esquema para a regulamentação das placas refletivas nos veículos no Estado tenha sido articulado além dos muros do Departamento de Trânsito do Estado (Detran-ES). Os dois servidores exonerados do órgão na última terça-feira (20), teriam ligações com o coronel da reserva do Exército José Otávio Gonçalves, ex-subsecretário de Estado de Assuntos do Sistema Penal no governo Paulo Hartung. De acordo com a resolução n° 372/11, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que modificou a resolução n° 231/07, as placas dos veículos de todo o País devem ser substituídas por placas refletivas. O Detran publicou no Diário Oficial do Estado (DIO-ES) em 3 de outubro deste ano, a instrução de serviço para a regulação da troca das placas pintadas por outra com película refletiva. Imediatamente começaram a surgir denúncias de irregularidades e suposto superfaturamento do preço das placas refletivas, que passaria dos atuais R$ 32 para até R$ 145 para o consumidor final. As denúncias surtiram efeito e em publicação do DIO da última terça-feira (20) dois servidores do Detran que estariam “infiltrados” na autarquia para articular um esquema direcionado para o fornecimento das placas, foram exonerados. Francisco Teixeira Pereira ocupava o cargo em comissão de assessor especial nível I, na função de chefe de gabinete do diretor-geral da autarquia, Fábio Henrique Pina Nielsen e Magnus Antônio Nascimento Colli assistente jurídico. A chegada dos dois servidores na autarquia, no entanto, teria sido por meio do coronel Otávio e do deputado estadual Luciano Pereira (DEM) e de outros membros do partido, como o presidente da sigla em Vitória, Sérgio Gianórdoli. Informações de pessoas ligadas ao Detran dão conta que Francisco Teixeira – que foi diretor do Centro de Detenção Provisória de Itapemirim (sul do Estado), durante a gestão do coronel Otávio – seria associado coronel na representação no Estado na Reviver Administração Prisional, empresa sediada na Bahia, que atualmente administra a Penitenciária de São Mateus, no norte do Estado . Teixeira foi nomeado no Detran em janeiro deste ano. Já Magnus seria advogado de um escritório ligado ao coronel e teria sido acomodado no Detran pelas cotas que cabem ao DEM na autarquia, pelas mãos do presidente do diretório municipal de Vitória do partido, Sérgio Gianórdoli. Magnus foi nomeado em 28 de junho de 2012. As denúncias dão conta que os servidores seriam responsáveis por promover a articulação para que as novas placas refletivas e com código de barras chegassem ao custo de R$ 145 ao consumidor final. Segundo as denúncias, o custo de fabricação das placas seria de R$ 44, o que tornaria injustificado o repasse por R$ 145 ao consumidor. Considerando que a frota do Estado gira em torno de 1,4 milhão de veículos, as empresas credenciadas poderiam receber R$ 203 milhões pela comercialização das novas placas. Considerando o custo da placa, de R$ 44 o esquema poderia render ao grupo de 16 empresas R$ 142 milhões, ou seja, o equivalente a 70% de lucro sobre as vendas. Depois das denúncias de que estava sendo montado um esquema para direcionar a venda de placas, o governo do Estado voltou atrás na instrução de serviço que determinava a substituição das placas e passou o caso do Detran para a responsabilidade direta da Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop), que vem promovendo reuniões para definição do novo processo de substituição das placas, para atender à resolução Contran.
Indiferença, o pior dos sentimentos
Apesar das impressionantes taxas de homicídios que mantêm o Espírito Santo no topo da lista dos estados mais violentos do País há mais de uma década, as autoridades parecem ter aprendido a conviver com o problema. Pior, parte da população também já não se indigna mais com a violência. As matérias publicadas nesse fim de semana em Século Diário atualizaram (até 22/11/2012) as taxas de homicídios nos 11 municípios mais populosos do Estado. Os dados revelam que sete das 11 cidades pesquisadas têm índice de homicídios maior que a média estadual, que é de 46 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Serra, por exemplo, que ocupa o topo da lista, tem 81 homicídios/100 mil habitantes. A taxa é quase o dobro da estadual e mais de quatro vezes superior à média do País, que está na casa de 20. Os dados mostram ainda que na lista das cidades mais violentas, entre as mais populosas, São Mateus aparece em segundo, com índice de 66/100 mil. O dado revela que a violência, já há alguns anos, migrou da Grande Vitória para o interior do Estado, sobretudo para o norte, onde os índices são muito superiores aos do sul. Por exemplo, enquanto Cachoeiro de Itapemirim – município mais populoso do sul (189 mil habitantes) – projeta uma média de 16 assassinatos por 100 mil para este ano, Pinheiros, no extremo norte, projeta impressionantes 126 homicídios/100 mil, quase oito vezes a média de Cachoeiro, cerca de três vezes a estadual e mais de seis a nacional. A situação da vizinha Conceição da Barra não é diferente, com projeção para 2012 de 93/100 mil. Não custa lembrar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes violência epidêmica. Já as taxas que superam os 50 assassinatos por 100 mil, segundo a OMS, representam que a região está em guerra civil. De acordo com a recomendação da OMS o Estado está em guerra civil. Mas nada disso parece sensibilizar as autoridades. Na semana passada, Século Diário pôs no ar uma enquete para saber “qual é a percepção do eleitor em relação à violência”. Pelo menos, para os 642 leitores que responderam à enquete, 45% se disseram indignados com a violência; outros 44% afirmaram que a segurança está abandonada, e que falta empenho do poder público para resolver o problema. Apenas 7% opinaram que acham a situação normal, pois já aprenderam a conviver com a violência. Outros 3% se disseram indiferente ao problema. Nesse segmento dos “indiferentes” devem estar incluídas as autoridades públicas. Nem as taxas de guerra civil os mobilizaram para reverter o problema. É inaceitável que um Estado permaneça por mais de uma década na lista dos mais violentos do País sem que seus governantes se empenhem para mudar esse cenário. Como comentou na matéria o leitor Marcos Marinho Delmaestro, a situação é de guerra. Vejam o desabafo: “Guerra! Números de Guerra… Não sei como um péssimo gestor público que não fez NADA para conter essa violência (…)”. Ainda bem que há pessoas que se indignam. O leitor tem toda a razão. A violência, embora caótica, é tratada com normalidade pelas autoridades. Pior, é tratada com indiferença, um sentimento muito mais preocupante. A sociedade precisa se indignar para acordar as autoridades.