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Século Diário

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Pé no freio

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  A regra de manter os partidos coligados do tamanho que saíram das eleições municipais também vale para o PSB do governador Renato Casagrande. Aliás, principalmente para o ninho socialista, como quer o próprio governador. Casagrande já botou freio no expansionismo do presidente estadual do partido, Macaciel Breda. A única permissão é encontrar um nome para substituir o prefeito eleito da Serra, Audifax Barcelos, na Câmara dos Deputados. E a preferência vai para o atual prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (foto), do PR.     Garante Neucimar permitirá que o PSB empregue todo o seu capital eleitoral na reeleição do deputado federal Paulo Foletto. O prefeito tem capital eleitoral próprio para eleger-se, sem mexer no estoque de votos do partido.  O PSB aumentou o número de prefeituras, sem que aumentasse consideravelmente o seu estoque de votos. Tirando o município da Serra, as demais prefeituras são de pequeno e médio porte.    Sem Audifax Além do mais, onde o crescimento foi grande, na Serra, com a vitória de Audifax, os votos para deputado federal não serão contabilizados para o partido. Audifax vai eleger o atual secretário de Estado de Esportes Vandinho Leite, do PR. Compromisso de campanha.    Dever de casa O deputado estadual Sérgio Borges, que acaba de ser escolhido para dirigir o PMDB na Capital, é atualmente um dos principais articuladores políticos do governador Renato Casagrande. Líder do Governo na Assembleia, ele cumpre as tarefas em perfeita sintonia com o governador.    Dever de casa II Como o caso da escolha dos delegados do PMDB de Vitória na convenção que elegerá o próximo diretório estadual. Borges agiu para garantir o PMDB nas mãos do ex-governador Paulo Hartung, escolhendo como delegado o próprio Hartung, na companhia do deputado federal Lelo Coimbra, Tião Barbosa e do próprio Sérgio.    Por falar em PMDB… Com a escolha do deputado estadual Hércules Silveira para a presidência do diretório municipal de Vila Velha, aguarda-se que ele agora pague as contas contraídas quando disputou e perdeu a prefeitura para Neucimar Fraga.    A dívida vale Hércules atribuía a divida como sendo contraída pelo partido. O que não estava longe da realidade. Mas agora ele é o presidente. Ela finalmente é sua.    Troca O atual secretário de Planejamento do governo do Estado, Robson Leite, pode ir para a prefeitura de Vitória com o prefeito eleito, Luciano Rezende (PPS).   Corda bamba Balança o secretário Iranildo Casado, secretário de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, indicado pelo PDT.    PENSAMENTO: “A continuidade é da política, não das pessoas”. Luiz Inácio Lula da Silva 

24/11/2012 / 0 Comments
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Sete dias em Miami

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De repente me assola um vírus cultural. Embora os turistas não acreditem, Miami tem vida inteligente além dos shoppings, portanto, vou ao balé assistir “Holocausto”. Não mentirei que sou fã ou que entendo de volteios e piruetas, mas ganhei as entradas e o belíssimo e moderno teatro da ópera e balé da cidade é um espetáculo à parte. Já assisti alguns balés com sainhas fru-frus, mas nesse os dançarinos vestiam camisetas e shorts brancos. O balé moderno, ou contemporâneo, manteve as sapatilhas e incorporou alguns passos do balé clássico, mas não segue uma história, e sim uma sequência, procurando representar ideologias e sentimentos. Criado no início do século, uma das pioneiras desse estilo foi a americana Isadora Duncan, que dançava descalça, vestia túnicas largas e não permitia cenários, para não distrair a plateia.   Também fui conferir o Festival do Novo Cinema da Espanha – uma semana de filmes espanhóis, com a participação de famosos e badalados no também belíssimo mas antigo Teatro Olympia. E se acontece em Miami, não poderia faltar um filme sobre Cuba. “Sete dias em Havana”, uma co-produção da França, Espanha e Cuba, tem uma história para cada dia da semana, cada uma dirigida por um diretor diferente. Os sete episódios retratam a Havana de hoje, alguns deles hilários.   Perguntei a um amigo ex-cubano se iria assistir e ele respondeu que não tem comédia mostrando Havana que o faça rir, e sim chorar. De fato, todas as histórias mostram a decadência da cidade, os problemas que o povo enfrenta e os ‘jeitinhos’ que inventam para superá-los. Engraçados, sim, mas para quem não tem vínculos emocionais com o país. Mesmo assim, o cinema estava lotado de cubanos, talvez menos sensíveis. O filme mostra um povo alegre, ajudando-se mutuamente para driblar as dificuldades.   Novembro é o mês da Feira Internacional do livro de Miami, que esse ano contou com a presença brasileira de Nélida Pinon e  Laurentino Gomes. Optei por ver e ouvir a palestra do Laurentino porque adorei 1822. O professor fez uma ótima apresentação e saiu-se bem na palestra em inglês, respondendo com desenvoltura às perguntas dos americanos presentes. Não desprezei a Nélida, apenas tive que escolher – coisas da vida.   Conheço um professor de História que já publicou 22 livros apenas sobre a história da Flórida. Pergunto se não está nos planos escrever um romance histórico, e ele se entusiasma na resposta, “A história real é mais emocionante, que qualquer ficção”. Não fiz a mesma pergunta ao Laurentino, mas acho que ele diria a mesma coisa. Nosso temperamental Pedro I, por exemplo,  é uma figura mais empolgante que qualquer personagem de ficção.

24/11/2012 / 0 Comments
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Saúde e interesse político

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Na próxima sexta-feira (30), a Assembleia Legislativa sedia a Conferência Nacional das Comissões de Saúde das Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Os parlamentares e legisladores vão discutir a iniciativa popular que pretende obrigar a União a investir 10% de sua receita bruta em saúde pública. Entre os palestrantes estará o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB, Ophir Cavalcante, que vai falar sobre o anteprojeto da Lei de Iniciativa Popular que busca rever a LC 141/2012 e ampliar os recursos destinados à área. Esse é um tema controverso. O Brasil adota um sistema de saúde pública que é elogiado fora do País. De fato, no resto do mundo a saúde não é uma garantia do Estado. Mas não basta ter um sistema e injetar recursos nele se não moralizar o sistema. Em meados deste ano, Século Diário mostrou os inúmeros problemas que afetaram a gestão de Anselmo Tozi à frente da Secretaria de Estado da Saúde. Uma sindicância na secretaria apontou superfaturamento na compra de materiais, irregularidades em contratos, entre outros problemas. Não é demais lembrar que o mesmo Tozi, em 2007, foi detido pela Polícia Federal, por não ter comprado medicamento a uma criança de Colatina. Alegou problemas na entrega do medicamento e foi solto. Também durante a gestão do ex-secretário, os problemas com o atendimento de emergência eram constantes e, para piorar, a imprensa não tinha autorização para filmar dentro dos hospitais. O atual secretário de Saúde, Tadeu Marino, é um homem ligado à gestão pública da saúde e é bastante elogiado pelas pessoas que lidam com a área. Mas enfrenta um sistema perverso. A pressão dos hospitais particulares e filantrópicos para a compra de leitos prejudica as ações nessa área, aumentando o gargalo. Não se fala em ampliação dos leitos nos hospitais públicos, construção de mais unidades para atender os pacientes do interior. A ideia é que o sistema público fique cada vez mais dependente do setor privado. Para alguns observadores, há uma movimentação nada humanista, que trata a vida como mercadoria. Diante da superlotação do serviço público, os planos de saúde se tornam uma saída quase que obrigatória para a população. Além disso, ao vender seus leitos para o serviço público, a iniciativa privada fatura alto não só como leito, mas também com os medicamentos e tratamentos. O SUS paga pela internação dos pacientes que não têm plano de saúde e ainda arca com a alta complexidade, que geralmente não é coberta pelos planos. A voracidade da iniciativa privada já vem causando problema para ela própria. Muitas vezes seus leitos estão comprometidos, não podendo atender aos usuários dos planos. Os legisladores fazem parte de seu papel ao cobrar da União mais recursos para o setor, mas devem também exigir um rigor na fiscalização dos recursos que hoje existem. Como estão sendo aplicados os valores e quais os interesses, que em vez de ajudar a resolver o problema, complicam ainda mais a vida da população.  

24/11/2012 / 0 Comments
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Sete das 11 cidades mais populosas do ES lideram as taxas de homicídios

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Sete dos 11 municípios mais populosos do Espírito Santo têm taxas de homicídios superiores à média estadual, que projeta para este ano 46 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. No comparativo com a média nacional, que é de 20 homicídios/100 mil, dos 11 municípios, apenas Cachoeiro de Itapemirim está abaixo desse índice.             No outro extremo do ranking aparece Serra, que lidera as estatísticas de violência entre as 11 cidades mais populosas do Estado. São impressionantes 81 homicídios por 100 mil habitantes. O índice é quase o dobro da média estadual (46), segunda maior do País, e quatro vezes maior do que a média nacional (20). Do dia 1 de janeiro a 22 de novembro foram assassinadas na Serra 295 pessoas. A projeção é de que o município serrano feche o ano com 330 mortes violentas. Em todo o Estado foram registrados, segundo a Secretária de Segurança Pública (Sesp), no mesmo período, 1.467 assassinatos. Isso significa que 20% dos homicídios foram praticados na Serra. O segundo município mais violento entre os 11 mais populosos não está na região metropolitana da Grande Vitória, mas no norte do Estado. São Mateus, com 109 mil habitantes, dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, tem 66 homicídios por 100 mil habitantes. A alta taxa de homicídio registrada em São Mateus confirma a explosão da violência no norte do Estado, que abriga, proporcionalmente, o município mais violento do Espírito Santo, Pinheiros, com 126 homicídios/100 mil. Além de São Mateus, outros dois municípios no norte, entre os mais populosos do Estado, ostentam taxas bem semelhantes à estadual. Linhares tem 45/100 mil. O índice de Aracruz é idêntico ao estadual: 46/100 mil. Dos municípios da Grande Vitória, atrás da Serra, Viana ocupa a segunda posição, com 55 homicídios/100 mil habitantes. Logo em seguida vem Cariacica, com 54/100 mil; Vila Velha tem índice de 52/100 mil e Guarapari projeta para este ano 47 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Índice que costuma aumentar durante o verão, quando a cidade fica repleta de turistas e a taxa de violência tende a subir. Vitória vem confirmando a tendência de queda nos últimos anos. Se bem que esse recuo tem sido muito lento. A Capital, que tem a menor taxa entre os municípios da Grande Vitória: 38/100 mil, ainda assim sustenta um índice que representa quase o dobro da média nacional, que é de 20/100 mil.

24/11/2012 / 1 Comment
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Uso e ocupação das praias de Vitória serão discutidos na próxima quarta-feira

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Os conflitos gerados pelo uso e ocupação das praias e da orla de Vitória serão discutidos na próxima quarta-feira (28), às 14 horas, na Câmara de Vereadores. Segundo o vereador Serjão Magalhães (PSB), propositor do debate, é necessário identificar os problemas na mesma medida da importância das atividades econômicas da região.    Segundo o vereador, por serem de fácil acesso, as praias da capital atraem cada vez mais usuários e, junto com eles, muitas atividades ocupam a região de forma desordenada, provocando discussões sobre o impacto no espaço público.    O objetivo é apresentar soluções à questão e que possam ser adotadas pelo poder público para atender às reivindicações de usuários e de profissionais que fazem o uso da areia e da orla. As atividades vão desde o uso para aluguel de bicicletas, patins e skates, a academias ao ar livre, quadras de vôlei e futebol.    “Nossa intenção é encontrar uma forma para todos que trabalham nas praias de Vitória atuem dentro da legalidade, sem correr o risco de serem impedidos pela fiscalização”, explica Serjão.   Participam da audiência a Gerência Regional do Patrimônio da União do Estado; os secretários municipais de Segurança Urbana, Esportes e Lazer, Meio Ambiente e Desenvolvimento da Cidade; os gerentes municipais de Controles Urbanos; representantes do Ministério Público do Estado; Gerência de Fiscalização de Postura e Edificações, além das associações de moradores da Ilha do Boi, Ilha do Frade, Praia do Canto, Jardim da Penha, Mata da Praia, Jardim Camburi e dos amigos da Praia de Camburi.   A regulamentação do uso da orla já ocorreu no Rio de Janeiro, sobretudo, no que diz respeito ao uso das praias como academia ao ar livre. O projeto piloto vem sendo implantado na Praia do Leblon e libera uma parte da orla para a instalação de quadras e pontos para atuação de professores de educação física.    Além do uso por comerciantes, outro conflito vem crescendo no Espírito Santo quanto ao uso do calcadão da Praia de Camburi. Segundo usuários, é cada vez maior o conflito entre skatistas, patinadores e pedestres usuários da área. O Ministério Público Estadual (MPES) cobrou uma solução à prefeitura de Vitória – a administração municipal diz que elabora uma campanha para atender os usuários da região, porém, nem a data, nem o formato foram divulgados. 

24/11/2012 / 0 Comments
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Polos opostos: enquanto no norte violência é crescente, no sul houve redução

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Mesmo que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) encontre na queda de dois pontos na taxa de homicídios – de 48 em 2011, para 46 homicídios por 100 mil habitantes este ano – uma redução nos números, a realidade das cidades do interior do Estado mostra que a queda no número de mortes violentas não teve qualquer alívio neste ano.    O município de Pinheiros, no extremo norte do Estado, deve fechar 2012 com 125 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Esta taxa configura números de guerra civil, principalmente pelo fato de a cidade ter pouco mais de 23 mil habitantes e um histórico de violência, que sempre a coloca na frente de outros municípios nas taxas anuais de homicídios.   Assim como Pinheiros, os outros municípios do norte do Estado, como Montanha, Pedro Canário e Conceição da Barra também apresentam taxas elevadas de homicídios, algumas delas maiores ainda que as de municípios da região metropolitana da Grande Vitória.    Pedro Canário deve fechar o ano com 43 mortes violentas por 100 mil habitantes e Conceição da Barra com 93 por 100 mil. As altas taxas se repetem em toda a região fronteiriça no norte do Estado.    Em outro polo está o município de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. O município, que é o quinto em população do Estado, com quase 190 mil habitantes, deve fechar 2012 com taxa de 16 homicídios por 100 mil, taxa que deve ser menos da metade da registrada pelo Estado, que deve girar em torno de 46 por 100 mil.    A taxa também é menor do que a do Brasil, que passa de 20 por 100 mil. O prefeito reeleito do município, Carlos Casteglione (PT), ressalta que o número de homicídios do município recua 45% mês a mês. Cachoeiro foi o primeiro município do Estado a implementar a Guarda Municipal, no início dos anos 1990, e também foi o primeiro a ter guarda armada, no início dos anos 2000.   O prefeito credita a baixa taxa de homicídios à abordagem multidisciplinar da prevenção e combate à violência. Ele conta que é realizada uma reunião mensal do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) com as forças de segurança do Estado, do governo federal e do município, além de outras secretarias municipais, como a de Assistência Social, para a definição de estratégias de combate à violência.    Mensalmente são avaliados os dados de homicídios e roubos e são desenvolvidas ações a partir daí. O prefeito ressalta que as ações vão desde reforço no policiamento até a iluminação e pavimentação de vias para que as viaturas passem. Também existe em Cachoeiro policiamento por bicicletas e motos, além de câmeras de videomonitoramento. Atualmente, as câmeras se localizam na região central do município, mas outras 45 devem ser instaladas em outros pontos da cidade.           

24/11/2012 / 0 Comments
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???A Secult virou um escritório de representação do Sincades???

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  Rogério Medeiros e Henrique Alves Fotos: Gustavo Louzada   “Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda sim pela sua cultura” Betinho   Membro da Câmara de Música do Conselho Estadual de Cultura (CEC) desde 2009, Fraga Ferri já há um bom tempo critica com reflexões lúcidas e palavras severas as relações entre a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e o Instituto Sincades. Está tudo lá em seu blog, para quem quiser ler.   Ao gosto da gestão Paulo Hartung (2002-2010), em que foi concebida, tal parceria passou ao largo de qualquer questionamento. “Até hoje não tem prestação de conta, até hoje não tem ata de como isso é gerido, das reuniões”, critica Ferri.   Amparada numa política específica de renúncia fiscal, o Instituto Sincades – entidade criada em 2008 pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) – apareceu a partir do mesmo 2008 como grande apoiador de produções culturais capixabas.    Entre outros pontos, Fraga Ferri levanta suspeições, legítimas porque pertinentes, que pairam sobre a relação Secult/Sincades. Nada contra vendedores de batata, cebolas, comerciantes ou atacadistas. Mas ele destaca a estranheza que causa a delegação à iniciativa privada, realizada via dinheiro público, de apoio a projetos culturais.     Século Diário – O que te levou a ser um crítico do Instituto Sincades?    Fraga Ferri – Seria a minha indignação. Eu sou uma pessoa ligada ao acesso coletivo, ao fazer política pública. A gente luta tanto por leis, por verbas, por incentivos. E quando se vê, e você fazendo parte de um conselho, que está ali estabelecido para discutir como é que as políticas, como as verbas vão chegar à maioria da população, e cria uma mecanismo desse, totalmente à revelia de qualquer tipo de consulta, de questionamento, de quais são as prioridades, e vincula isso a um instituto de iniciativa privada, isso me deixou muito indignado. Assim como a outros companheiros do conselho.   – Mas o dinheiro que se movimenta não é do Sincades. É dinheiro público…   – Exatamente.   – Ele deixa de pagar o imposto e ainda põe o nomezinho dele nos projetos.   – E sem prestar conta de nada, né?   – Aproveitando essa questão, queria que você explicasse como é que funciona isso.    – Funciona basicamente via renúncia fiscal. Em agosto de 2008 o então governador Paulo Hartung promulgou um Contrato de Competitividade, através do qual ele promovia uma renúncia de imposto, em torno de 33%. Há aí uma série de filigranas econômicos e fazendários que devem ser desvendados por um especialista da área. Em suma, as empresas ligadas ao comércio atacadista têm um desconto e parte dele vai obrigatoriamente direto para a conta do Instituto Sincades.    – Aí o vendedor de batata, cebola, é que escolhe os projetos?   – É o que define o que é cultura.     – Mas há o Conselho. Eles dominam o Conselho?   – A gente não tem acesso a nenhum tipo de informação. Até hoje não tem prestação de conta, até hoje não tem ata de como isso é gerido, das reuniões. Nos editais da Secult, por exemplo, o artista está condicionado a uma série de exigências, legais, de prestação de contas…   – Já o Instituto Sincades…   – Agora, o Sincades, que tem acesso a um montante aí de, não sei, calcula-se algo entre R$ 70 e R$ 80 milhões, o que se diz é algo em torno disso, dinheiro público, dinheiro do Estado, e não presta conta de como esse dinheiro é gerido, o que é feito com ele, de que forma são escolhidos os projetos. Então a coisa fica muito obscura, né? A gente no Conselho luta por tudo isso, transparência, por acesso a verbas, que no mecanismo deles – além da prepotência – é desconsiderar toda a organização social e política que nós como artistas representamos no Conselho. E também desvincular o estado da penúria que é o setor produtivo-cultural do Espírito Santo, estado que é a sexta ou sétima economia do país, é um dos mais violentos do Brasil…   – O segundo. De vez em quando arrisca tomar de Alagoas o primeiro lugar…   – Temos bairros periféricos de 60 mil habitantes, Feu Rosa, Vila Nova de Colares, os mais violentos, em que você não tem um aparelho cultural, um centro cultural que seja. Os recursos têm. Agora o que a gente quer é que eles sejam partilhados e que a população possa construir a sua dimensão simbólica e não transformar isso em violência, do jeito que está sendo feito.   – Vocês do Conselho já requisitaram informações à Secult, ao governo do Estado, sobre o funcionamento dessa parceria?   – A gente tem acesso ao contrato. Na gestão passada fizemos algumas incursões para poder pedir esclarecimentos. A nova gestão está um pouco mais aberta para fazer isso. Nós estamos aguardando para saber como isso funciona. Porque, até então, é uma verdadeira caixa-preta.   – Mas você como membro do Conselho pode requisitar todos os deferimentos que houve.   – A gente tem que estabelecer isso no Conselho. É bom deixar aberta a questão de que o Conselho tem feito pedidos para esclarecimentos. Até porque isso envolve também a Secretaria da Fazenda e uma série de organismos do próprio Estado, o vínculo, a legalidade, como foi instituído. Porque realmente é uma engenharia complexa de renúncia fiscal. Agora, ela é uma renúncia fiscal que dá o privilégio a uma instituição da iniciativa privada de gerir o destino da cultura capixaba. A Secult virou praticamente um escritório de representação do Sincades.   – Você questiona, mas não pede informações?   Peço, mas peço no Conselho. É uma reunião por mês e o Conselho tem várias prioridades. As respostas demoram. Mas posso esclarecer isso aí.    – Quais empresas têm tido mais êxito nos projetos?    Essa informação eu não tenho. Mas você vê os eventos patrocinados pelo Sincades: A Bela e

24/11/2012 / 0 Comments
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Novo presidente do CNJ toma providencias em relação a interinos em cartórios

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O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Joaquim Barbosa, determinou, nesta semana, a instauração de uma investigação pela Corregedoria Nacional sobre a situação de tabeliães interinos em cartórios de todo País. A medida é resposta a uma reclamação formulada no órgão de controle pelo suposto descumprimento de decisões que obriga a realização de concurso público para ocupação dos cargos.   No despacho, o ministro delegou o processamento do feito como um processo de Garantia das Decisões sob responsabilidade da Corregedoria Nacional. Com isso, o caso deixará de tramitar como uma reclamação e passará a servir como um processo de monitoramento do cumprimento das decisões, o que pode implicar em sanções mais rigorosas para os tribunais que não atenderem às disposições.  Barbosa cita trechos da reclamação formulada pelo ex-deputado federal e ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM) José Luiz Clerot, contra tribunais que estariam descumprindo as normas, entre eles, o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Clerot sustenta que a inobservância das regras acarreta a realização de concursos públicos ineficientes, permanência dos interinos em cartórios e a expedição de atos de delegação em serventias que não deveriam existir.   Essa é a primeira medida do ministro à frente do órgão de controle, antes mesmo da posse formal na cadeira que era ocupada pelo ministro Ayres Britto, aposentado compulsoriamente na semana passada. A regularização dos serviços notariais é uma das principais questões em aberto na estrutura do Judiciário capixaba.  Segundo dados divulgados pela Corregedoria local, o Espírito Santo possui 152 cartórios sob o comando de tabeliães interinos. Deste total, 106 foram declarados como formalmente vagos, isto é, podendo ser distribuídos de imediato por concurso público. Os demais cargos se encontram sub judice, aguardando o trânsito em ações que pleiteiam a regularização dos interinos na Justiça.  Entre as serventias vagas aparecem importantes cartórios – alguns deles com movimentação superior à casa dos R$ 100 mil mensais. Entre eles, destacam-se os cartórios de 1º Ofício e Tabelionato de Cariacica, Tabelionato de Carapina e Nova Almeida, na Serra, Tabelionato do Ibes e São Torquato, de Vila Velha. Na Capital, aparecem entre as serventias extrajudiciais de 3º Ofício (cartório Fafá), 1º Ofício, 4º Ofício e da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual.

24/11/2012 / 0 Comments
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Apesar de lobby para Claudio Vereza, governo quer Dary Pagung no TCE

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Nas negociações sobre a presidência da Assembleia, surgiu a ideia de que o PT reivindicaria a vaga no Tribunal de Contas para o deputado estadual Cláudio Vereza. Depois de seis mandatos, o deputado pretenderia virar conselheiro, quando a próxima vaga for aberta no Tribunal. Mas se depender do governo e do plenário da Assembleia, a vaga será ocupada por outro nome. O governador Renato Casagrande já teria manifestado interesse em levar para o TCE o deputado de Baixo Guandu, Dary Pagung (PRP). A escolha da vaga a ser aberta é da Assembleia e, também no plenário, haveria uma predileção pelo perfil de Pagung no Tribunal.    A ideia de indicar Pagung para o cargo se deve ao fato de que as últimas indicações não representavam o interesse do atual governo ou dos deputados, e sim do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que hoje domina o Tribunal com as indicações de seus aliados.    Entre os membros do plenário estão quatro ex-secretários de Hartung: o presidente do órgão, Sebastião Carlos Ranna, que foi auditor geral do governo Hartung; Sérgio Aboudib e Antônio Pimentel, que responderam pela Casa Civil, e Rodrigo Chamoun, que apesar de ser do mesmo partido de Casagrande, tem mais lealdade ao ex-governador, de quem foi secretário de Saneamento.   Outro nome que chegou a ser cogitado para a disputa é o do atual líder do Governo, Sérgio Borges (PMDB), que não demonstra interesse no cargo. A entrada de Pagung no tribunal seria uma escolha que agradaria tanto ao Legislativo quanto ao Executivo.    A vaga a ser ocupada por Pagung, é a que hoje pertence ao conselheiro Marcos Madureira, que atingirá a idade limite de 70 anos para ocupar o cargo no final de maio do próximo ano. Até lá, os deputados e o governador devem intensificar as conversas para a ocupação da vaga. Madureira está afastado do Tribunal por decisão judicial que anulou sua nomeação, após ação popular. 

24/11/2012 / 0 Comments
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Articulação de Casagrande deve servir de exemplo para eleitos

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Para os meios políticos, um dos erros estratégicos do prefeito de Vitória, João Coser (PT), foi não ter preparado um sucessor nos oito anos que esteve à frente da prefeitura de Vitória. Mas a fórmula evidenciada pela nova conjuntura política do Estado aponta para a necessidade de articulação com a base e não pela imposição de um nome ligado ao agente político.    Nesse sentido, a movimentação que o governador Renato Casagrande vem fazendo nos meios políticos serve de exemplo para os prefeitos eleitos em outubro. Assim como o governador, os prefeitos devem se preocupar primeiro em criar um ambiente propício para garantir a reeleição. Casagrande vem acomodando os aliados sem privilegiar ou excluir nenhuma liderança.    Os prefeitos eleitos, sobretudo na Grande Vitória, chegaram às prefeituras graças a costuras com outros partidos, até porque nenhum deles é de uma sigla forte. O PPS, por exemplo, conquistou Vitória e Cariacica, mas não tem em seus quadros gente suficiente para tocar a administração.    Luciano Rezende tem até um nome ligado a ele do partido, o vereador Fabrício Gandini, mas neste momento não vai colocá-lo como seu sucessor. Até porque a Câmara de Vereadores já deu seu recado, colocando Gandini e o prefeito eleito em uma saia-justa, com a derrubada do veto ao projeto do vereador, que concede 14º salário aos professores municipais.    A ideia é que ao se aproximar de uma liderança prematuramente, os prefeitos eleitos deixarão em alerta os demais interessados em se aproximar da prefeitura. Daí a necessidade do jogo de cintura na hora de lidar com a classe política.    Só depois de garantidas as reeleições, os prefeitos devem observar as lideranças que se destacam  no cenário de cada município. Isso significa que os sucessores não devem necessariamente vir do mesmo partido. É o que deve acontecer em Cariacica, já que o prefeito eleito Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), não teria à sua disposição dentro do partido uma liderança com peso político para transformar em sucessor.    Na Serra, o cenário polarizado entre o atual prefeito, Sérgio Vidigal (PDT), e o prefeito eleito Audifax Barcelos (PSB), aliado ao fato de o município não apresentar grandes novidades políticas, dificulta a visualização do cenário. O prefeito eleito tem uma ligação política forte com o vereador Jamir Malini, que é do PTN. Há também uma aproximação com  o PR, mas o secretário de Esportes, Vandinho Leite, é um candidato claro a deputado federal.    Em Vila Velha, o sucessor natural de Rodney Miranda (DEM) pode ser o seu vice, Rafael Favatto (PRB), mas oito anos é muito tempo para saber se a parceria vai se consolidar até lá, e outras lideranças podem aparecer no decorrer desse período. 

24/11/2012 / 0 Comments
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