A Organização Mundial do Trabalho (OIT) endossou o Movimento Ação Integrada, do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait). O programa visa à qualificação e entrada no mercado de trabalho de trabalhadores que foram libertados em operações que constatam uso de mão de obra análoga à escrava. O Espírito Santo tem histórico em exploração deste tipo de mão de obra. Somente em 2012, o Ministério Público do Trabalho (MPT-ES) já abriu 17 processos de investigação de exploração de mão de obra análoga à escrava após operações. Desses processos apenas cinco foram arquivados e outros 12 ainda estão em andamento com o intuito de comprovar ou não a exploração. Neste ano foram realizadas operações nos municípios de Santa Tereza e Santa Maria de Jetibá, na região serrana; Guaçuí, no sul do Estado; Aracruz e João Neiva, no norte; São Gabriel da Palha e São Domingos do Norte, no noroeste. Na Grande Vitória estão sendo investigados processos referentes aos municípios de Fundão e Vila Velha, sendo que em Vila Velha refere-se a uma companhia siderúrgica. Empregadores do Estado também figuram no cadastro de empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escrava, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conhecido como Lista Suja. A última atualização feita foi em 29 de outubro deste ano e seis nomes foram mantidos. Permanecem na Lista Suja os nomes de Antônio Carlos Martin, o Toninho Mamão – morto em 21 de junho deste ano –, da fazenda Nova Fronteira, em São Mateus (norte do Estado); Luiz Carlos Brioschi, da fazenda Barra Seca, em Jaguaré (norte do Estado), e Osmar Brioschi da mesma fazenda; Marcelo Krohling, do sítio Novo Mundo em Marechal Floriano, na região serrana; Peris Vieira de Gouvêa, da fazenda Nova Jerusalém, em Alegre, no sul do Estado, e Bell Construções Ltda. localizada em Vila Velha. A Bell Construções foi flagrada explorando mão de obra de 18 trabalhadores em área urbana, o que foi considerado intrigante, já que a empresa está instalada em um bairro da região metropolitana, enquanto a maioria de casos de autuações ocorre em zonas rurais. Antônio Carlos Martin foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES) em 2009, junto com o lavrador Nelson Pinheiro dos Santos, por aliciar trabalhadores e submeter 77 deles à condição análoga à de escravos numa lavoura de café na fazenda Nova Fronteira, em São Mateus. Ainda assim, a prefeitura do município inaugurou uma Unidade Básica de Saúde no bairro Nova Aymorés, homenageando o produtor rural. Toninho Mamão foi o doador dos lotes onde a unidade foi construída. No caso de Peris Vieira de Gouvêa, o produtor rural explorava mão de obra de seis trabalhadores na Fazenda Nova Jerusalém, em Alegre. O resgate foi feito após denúncia de um dos trabalhadores, um adolescente que conseguiu fugir da fazenda após ser agredido e denunciou o regime ao Conselho Tutelar do município. A investigação da Polícia Federal (PF) e do MPT constatou que os trabalhadores viviam em condições subumanas na Fazenda Jerusalém, e a surpresa foi que em uma área muito próxima à cidade ainda se adotasse essa prática. Os trabalhadores nunca haviam recebido salários e eram todos alcoólatras e iletrados. Além disso, os trabalhadores retiravam os alimentos e, principalmente bebidas alcoólicas, em uma venda na própria fazenda, e os gastos eram anotados. Dessa forma, os trabalhadores estavam sempre devendo ao empregador, não tendo possibilidade de desfazer o vínculo com o proprietário. A bebida alcoólica em excesso era uma forma de manter o vínculo dos trabalhadores, sem instrução e consciência. Eles não abandonavam a propriedade por medo de agressões.
Cinema: Havana em sete dias e sete olhares
Benicio del Toro, Pablo Trapero, Julio Medem, Gaspar Noe, Juan Tabio, Elia Suleiman e Laurent Cantet. Um diretor para cada dia da semana foi escalado para fazer o filme 7 Dias em Havana, composto por sete curtas de aproximadamente 15 minutos cada, que retratam a imagem da cidade de Havana e suas singularidades. São cineastas de diferentes nacionalidades que contam pequenas histórias em um cenário em constante transformação e com personagem que transitam entre o amor e o ódio pela capital cubana. O foco dos diretores também são muito distintos um do outro, alguns se prendem a estereótipos e tons novelescos enquanto outros propõem uma visão mais política e aprofundada dos problemas locais. Um jovem turista americano que tem como guia turístico um taxista, uma cantora que está indecisa entre seguir carreira na Espanha ou permanecer em Cuba com seu namorado ou uma história onde o cineasta Emir Kusturica interpreta a si mesmo. São alguns dos enredos que compõem os episódios do longa. Alguns personagens até aparecem em mais de um episódio propondo uma aparente continuidade, mas na verdade as histórias são independentes entre si. O ponto em comum entre as miniproduções é o humor, que mesmo com as dficuldades políticas e econômicas de Havana, transpiram alegria, beleza e boa música. Serviço 7 Dias em Havana (7 días em la Havana, França/Espanha, 2012, 129 minutos, 14 anos) Shopping Jardins – Cine Jardins: Sala 2. 20h50 (sexta-feira não haverá sessão).
Filmes em cartaz
Programação dos cinemas de Vila Velha, Vitória e Guarapari de 23 a 29 de novembro. O Cine Ritz – Shopping Norte-Sul fechou para reforma. A reabertura deve acontecer entre dezembro e janeiro. PRÉ-ESTREIA Muito Além do Peso (Brasil, 2012, 84 minutos, Livre) Documentário. Direção de Estela Renner. Obesidade é a maior epidemia infantil da história. O filme discute a posição do governo, dos pais, da escola e da publicidade com relação ao tema. Cine Metropolis: Quinta-feira 19h. ESTREIAS 7 Dias em Havana (7 días em la Havana, França/Espanha, 2012, 129 minutos, 14 anos) Drama. Direção de Laurent Cantet, Benicio Del Toro e outros. Com Josh Hutcherson, Daniel Brühl, Emir Kusturica, Elia Suleiman, Melissa Rivera. Jovem ator americano que está tentando cresce na carreira vai para Cuba durante um festival de cinema. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 20h50. Três Histórias, Um Destino (Destiny Road, EUA, 2012, 106 minutos, 10 anos) Drama. Direção de Robert C. Treveiler. Com Daniel Zacapa, Zoe Myers, Traci Dinwiddie, Lu Alone. Baseado no livro homônimo do missionário R.R. Soares, o filme é centrado em três personagens: um pastor de uma pequena cidade; um menino nascido numa favela, que se envolve com drogas e crimes; e uma mulher criada por uma mãe superprotetora. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 6. 18h50 e 21h10. SESSÃO CULT Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, EUA, 2012, 94 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Wes Anderson. Com Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Tilda Swinton. Na Nova Inglaterra dos anos 1960, um menino e uma menina se apaixonam e resolvem fugir. A cidade então organiza uma busca pelos dois, e o lugar acaba virando de cabeça para baixo. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. Terça e quinta 21h. CONTINUAÇÃO Amanhecer Parte 2 – O Final (Breaking Dawn – Part 2, EUA, 2012, 116 minutos, 12 anos) Romance. Dirigido por Bill Condon. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner. Após dar a luz a Renesmee, Bella Swan desperta já vampira. Ela agora precisa aprender a lidar com seus novos poderes, assim como absorver a ideia de que Jake, seu melhor amigo, teve um imprinting com a filha. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1. 14h e 16h30. DUBLADO. 19h e 21h30 (LEG). Sala 3. 13h30, 16h, 18h30, 21h. Sala 5. 15h, 17h30, 20h. DUBLADO. Sala 7. 13h, 15h30, 18h, 20h30. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. 11h, 13h40, 16h20, 19h, 21h40. DUBLADO. Sala 3. 11h40, 14h15, 16h50, 19h50, 22h20. DUBLADO. Sala 4. 12h40, 15h20, 18h, 20h40. Sala 5. 12h10, 14h50, 17h30, 20h10. Sala 6. 13h10, 15h50, 18h30, 21h10. DUBLADO. Cine Ritz Guarapari: Sala 3. 16h30. DUBLADO. 19h10 e 21h30 (LEG). Tropicália (Idem, Brasil, 2012, 89 minutos, Livre) Documentário. Dirigido por Marcelo Machado. Com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee. Uma análise sobre o importante movimento musical homônimo, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil no final dos anos 1960. Cine Metrópolis: 17h20, 19h, 20h40. Segunda e quinta 17h20. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h10. A Vida de Outra Mulher (La Vie d'une autre, França/Belgica/Luxemburgo, 2012, 97 minutos, 14 anos) Comédia. Dirigido por Sylvie Testud. Com Juliette Binoche, Mathieu Kassovitz, Aure Atika. Marie tem 40 anos de idade, mas quando ela acorda, um dia, ela acredita ter apenas 25 anos. 15 anos de sua vida se apagaram de sua memória. Ela acorda no início de uma longa história de amor, que na verdade acaba de terminar. Shopping Jardins- Cine Jardins: Sala1. 19h10 007: Operação Skyfall (007: Skyfall, Reino Unido/EUA, 2012, 143 min, 16 anos) Ação. Direção de Sam Mendes. Com Daniel Craig, Ralph Fiennes, Javier Bardem, Bérénice Marlohe, Naomie Harris. A lealdade de Bond a M é testada quando o seu passado volta a atormetá-la. Com a MI6 sendo atacada, o 007 precisa rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4. 17h50. DUBLADO. 14h50 e 20h50 (LEG). Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 11h30, 14h40, 17h50, 21h. Terça e quinta 11h30, 14h40, 17h50. Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 19h e 21h30. Até que a Sorte nos Separe (Idem, Brasil, 2012, 100 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Roberto Santucci. Com Leandro Hassum, Danielle Winitz, Ailton Graça, Kiko Mascarenhas. Tino, um pai de família de classe media, vê sua vida e, especialmente, seu casamento, completamente transformados após ganhar na loteria e perder toda a fortuna. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 13h50, 16h20, 18h40, 20h50. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 8. 11h10, 13h30, 16h10, 18h40, 21h20. Cine Ritz Guarapari: Sala 2. 19h e 21h15. Diário de Um Banana 3 (Diary of a Wimpy Kid: Dog Days, EUA, 2012, 94 minutos, Livre) Comédia. Dirigido por David Bowers. Com Zachary Gordon, Steve Zahn, Rachael Harris. Pela primeira vez, Greg não está na escola. Chegaram as férias de Verão e todos se divertem na rua. Enquanto Greg Heffley está enfiado em casa jogando videogames. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 7. 12h50, 15h, 20h. DUBLADO. Gonzaga de Pai para Filho (Idem, Brasil, 2012, 120 minutos, 12 anos) Drama. Direção de Breno Silveira. Com Nivaldo Expedito de Carvalho, Júlio Andrade, Nanda Costa. História de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Gonzaguinha (1945-1991), e de um amor que venceu o medo e o preconceito e resistiu à distância e ao esquecimento. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 6. 13h20 e 16h10. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 7. 17h10 e 22h10. As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, EUA, 2012, 103 minutos, 14 anos) Drama. Dirigido Stephen Chbosky. Com Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller. Charlie é um jovem que tem dificuldades para interagir em sua nova escola, até o dia em que dois amigos, Patrick e Sam, passam a andar com ele. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 21h E Agora, Aonde Vamos? (Et maintenant on va
O cerco está se fechando
Já não era novidade para ninguém que o Espírito Santo abrigou uma das principais “lavanderias” do esquema de corrupção montado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira no País. As informações que vieram à tona no documento apresentado nessa quarta-feira (21) pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), confirmam que a Delta Construtora mantinha ramificações importantes no Estado. Pelo menos duas empresas capixabas lavavam o dinheiro do esquema. Em dois anos, essas duas empresas podem ter desviado mais de R$ 23 milhões. A soma é significativa. No ranking da corrupção montado pelo bicheiro, os valores movimentados no Estado só são inferiores às cifras movimentadas pelos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Outra informação que não é nova, é o envolvimentos de políticos no esquema do Cachoeira. Essa é a parte mais delicada da CPI, justamente pela importância dos investigados. O relatório de Cunha aponta que o dinheiro lavado pela Delta financiou muitas campanhas e pagou propina para muitos políticos País afora. As novidades sobre o esquema não estão necessariamente nas informações reveladas no relatório do deputado de Minas Gerais, mas no desdobramento da CPI, que poderá chegar a uma lista extensa de suspeitos. No Estado, é justamente esse desdobramento que poderá complicar o ex-governador Paulo Hartung. Afinal, a Delta, nos últimos dez anos, recebeu cerca de R$ 150 milhões em contratos do governo capixaba. Pela ordem de valor, os contratos mais generosos foram firmados com a Cesan (R$ 51 milhões); Secretaria Estadual da Fazenda (R$ 278 mil); Departamento de Estradas e Rodagens do Estado (R$ 44 milhões) e Poder Judiciário (R$ 26 milhões). Pesa contra Hartung ainda o fato de a empresa ter entrado no Espírito Santo pela porta da frente justamente no período em que ele chefiava o Executivo estadual. A própria CPI, lá no começo, em abril deste ano, já apontava indícios de ligação entre a Delta e o ex-governador. Quando essa informação foi levantada pela CPI, a revista IstoÉ chegou a fazer uma grande reportagem que mapeava os envolvidos no esquema. Ao mexer no vespeiro dos governadores, a revista semanal alertara que a composição da CPI contava com um grupo dedicado a atender aos interesses de aliados envolvidos com a Delta e com Cachoeira. Trecho da reportagem da IstoÉ, de 27/04/2012, informava: “O senador Ricardo Ferraço (PMDB) é um desses [que estão a serviço de aliados]. Seu padrinho político é o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que pode virar objeto da CPI porque na sua gestão a Delta conseguiu nada menos do que R$ 200 milhões em obras no Espírito Santo”. A revista também revelava a ligação entre diretor comercial da Delta no Estado, o então secretário de Fazenda José Teófilo de Oliveira e Hartung. Para quem não se recorda, o deputado federal Paulo Foletto (PSB) – que chegou a fazer parte da comissão até renunciar à vaga – sugeriu, à época, a convocação do engenheiro José Maria Oliveira Filho. O engenheiro, que exercia a função de diretor comercial da Delta, é irmão do ex-secretário José Teófilo, que é o atual sócio do ex-governador no escritório de negócios Econos. Como alertou a IstoÉ em abril, evidências não faltam para incriminar muita gente, resta saber se os integrantes da CPI irão levar as investigações até o fim ou vão travá-la no meio do caminho para poupar os aliados de primeira hora.
A maçaroca
Não existe poder absoluto nas relações humanas. Por isso todas as decisões precisam ser mediadas. Essa regra elementar vale para todas as instâncias institucionais do poder, desde o Judiciário até o casamento. Sem diálogo e negociação, as coisas emperram. Isso posto, não nos decepcionemos se fracassar a iniciativa da presidenta Dilma de reduzir as tarifas de energia em cerca de 20% a partir de fevereiro de 2013. A medida se insere dentro das políticas adotadas pelo governo para enfrentar a crise econômica mundial, reduzir o chamado custo Brasil e incentivar o crescimento, mas corre o risco de virar um imbróglio jurídico. Anunciada na primeira quinzena de setembro, a medida provisória do Executivo ainda está sendo analisada pelo Congresso. Primeiro passa pelas comissões técnicas do Senado, depois vai a plenário. Em seguida, desce para a Câmara, onde haverá o mesmo ritual de análise, debate e votação. Nesse trâmite, influenciado pelo fim do ano legislativo e a iminência das férias parlamentares, quando se acumulam as negociações em torno de emendas e demandas diversas, não duvidemos que pelo menos uma centena de parlamentares queiram enfiar o dedo na tomada. O que resultar disso tudo pode configurar-se como um frankenstein, especialmente porque algumas companhias de eletricidade consideram que a medida constitui uma imposição unilateral que lhes causará prejuízos. Algumas estão recorrendo ao Ministério das Minas e Energia e não se descarta a hipótese de que outras reclamem ao Judiciário. Onde vai parar essa maçaroca de fios? Provavelmente vai ser travado o movimento que se destinava a criar uma brecha para o aumento dos preços dos derivados de petróleo em proporção semelhante à redução das tarifas de eletricidade. Essa engenhosa medida no setor elétrico não visa apenas dar um empurrão na Petrobras, que precisa de recursos para explorar o petróleo da camada pré-sal, mas é para ser também uma mão na roda dos fabricantes de etanol e demais produtores de energias alternativas. Infelizmente, a cadeia de negócios da energia elétrica é mais enrolada do que bobina de gerador. LEMBRETE DE OCASIÃO “O céu ainda não é de brigadeiro, mas o horizonte é de condor” Ministro Luiz Fux ao elogiar a presidenta Dilma na cerimônia de posse do novo presidente do STF, Joaquim Barbosa, no dia 22/11/2012
Sociedade
Antigamente os jornais tinham um espaço dedicado à sociedade. O que era isso? Poucas pessoas, geralmente abastadas, que faziam e aconteciam, sempre em pequenos grupos e em cidades mais desenvolvidas. No interior não havia uma “sociedade” como nos moldes da cidade grande. Na minha terra, havia um colunista social, assim chamado. Aqui em Vitória tinha uns três, sendo a escandalosa Maria Nilce um deles. No Brasil, o lendário Ibrahim Sued, de origem libanesa e analfabeto. Até que chegou um cara chamado Zózimo Barroso do Amaral e deu uma “mudada” no estilo de se fazer coluna social e passou a dar “informação” O colunista social sempre foi um cara bem informado, pois freqüentava a boa roda, a alta roda, onde se falava de tudo e de todos. Muita gente dava o que tinha e o que não tinha para ter seu nome numa coluna social, imagina uma foto! Aparecer nas páginas sociais dava status. Mas o tempo é cruel, o progresso (ou regressão) humana é terrível. As colunas sociais mudaram mais uma vez e ficaram mais amenas e com informações “fáceis”. Isso ocorreu porque muitos dos que freqüentavam a chamada sociedade passaram a freqüentar também as páginas policiais. A sociedade deu uma falida nesse aspecto. Hoje os jornais e revistas continuam com suas páginas “sociais”, mas o enfoque é outro, como as pessoas também são outras. Sumiu o rico, o novo rico e aqueles que queriam aparecer nessas colunas de todo jeito. Aparecem muitas mulheres bonitas e altos funcionários de empresas importantes. PARABÓLICAS A conterrânea Claudia Geigher continua a ser considerada uma das melhores repórteres da Rede Globo, embora radicada em Mato Grosso. Bôsco Buery, irmão de Jorge Buery, começou sua carreira de repórter esportivo em Guarapari, onde foi praticamente criado. Heckel Ferreira deverá se fantasiar de Papai Noel novamente este ano e comparecer ali nas imediações da Praia do Canto. Luizinho DJ, hoje na TV Vitória, poderá se transferir para outra TV em instalação na Capital MENSAGEM FINAL Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram: – O cabo é dos nossos! Provérbio Turco
Sacode a poeira
O povo quer saber: quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai tirar das gavetas fundas e escuras do órgão os processos de prestações de contas que a área técnica apontou para rejeição, envolvendo ex-presidentes da Assembleia Legislativa e ex-chefes do Ministério Público do Estado (MPES)? As informações que correm nos bastidores é que os casos são das gestões do atual prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB), do deputado federal César Colnago (PSDB) e dos deputados estaduais Cláudio Vereza (PT) e Elcio Alvares (DEM). Em situação semelhante estariam José Paulo Calmon Nogueira da Gama – que inclusive virou desembargador sem esbarrar nesse abacaxi – e a procuradora de Justiça Catarina Cecin Gazele. Não é de hoje que o Tribunal tem como marca registrada guardar e soltar processos de acordo com a conveniência. Mas até quando? Com a palavra, Sebastião Carlos Ranna (foto). Sacode a poeira II Estamos falando de ano e mais anos. Vereza esteve à frente da Casa nos anos de 2003 e 2004. Depois vieram na sequência Colnago, Zanon e Elcio Alvares. Já no MPES, também põe tempo nisso. Calmon assumiu a procuradoria geral em 2004 e ficou até 2006, quando entrou Catarina. Estamos quase em 2013, né? Não vinga Ao contrário do que imaginavam militantes do PT, parece remota a possibilidade de o deputado estadual Roberto Carlos assumir a chefia da Casa Civil, hoje ocupada pelo homem de confiança do governador Renato Casagrande, Luiz Ciciliotti. Não vinga II Havia um entendimento de que Ciciliotti poderia ser remanejado e a mudança acabar com as queixas que vez ou outra surgem no Legislativo em relação ao governo. Mas a ascensão de Roberto Carlos seria considerada privilégio, não agradando aos demais deputados, que ainda garantem: têm livre acesso a Ciciliotti. Impasse Já em relação ao suplente de deputado estadual Esmael Almeida (PMDB), o governado de fato tem preocupação em encontrar uma solução para ele, diante do retorno de Rodrigo Coelho (PT) à Assembleia. Mas não o pessoal do PMDB. Por um motivo simples: Esmael elegeu o filho Davi Esmael vereador de Vitória, pelo PSB. Como fica? O prefeito eleito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), pode estar diante de seu primeiro problema. Não é de hoje que os meios políticos comentam da intenção do demista de fazer Anselmo Tozi seu secretário de Saúde. Mas esta é a área de atuação do seu vice, Rafael Favato (PRB), que é médico e poderia acumular a pasta. Promete. Momentos finais Começam a surgir sinais de que a reeleição de Lelo Coimbra à presidência regional do PMDB será o último movimento do grupo do ex-governador Paulo Hartung dentro do partido. Pedido de desfiliação do ex-vereador e advogado Stan Stein, ligadíssimo a Hartung, é um indicativo forte disso. Engasgados Mais cenas da primeira audiência pública realizada pelo prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), em Jardim Camburi. Os moradores estavam com tanta necessidade de falar e abrir um canal direto de interlocução com o Executivo, que Lenise Loureiro, braço direito de Luciano, teve dificuldades de controlar o tempo destinado a cada participante, de dois minutos. Precisava insistir, insistir e insistir. Mas sem atritos. Ampliou Luciano, aliás, irá realizar mais uma audiência do total inicialmente previsto. A equipe do prefeito eleito detectou que a regional que engloba os bairros Jardim da Penha, Bairro República, Mata da Praia e Goiabeiras precisaria ser separada. Os três primeiros têm demandas totalmente distintas do último, portanto, foi criada a 9ª regional, somente com Goiabeiras. Faz sentido. 140 toques “O relatório final da CPMI do Cachoeira é o avesso do avesso do avesso quando pretende intimidar a imprensa investigativa e Ministério Público”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). Nota da coluna: só isso a dizer, senador? PENSAMENTO: “O Governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a burguesia”. Karl Marx
Jogo de cintura
O governador Renato Casagrande vem trabalhando para acomodar os aliados e evitar atritos em sua enorme base. Até o momento, vem mostrando bastante jogo de cintura, apesar de um ou outro berro, geralmente vindo da Assembleia. Depois da eleição, ele começa a conversar com as lideranças sobre outros espaços. Mudanças no secretariado a partir de 2013, vagas na Assembleia, eleição em Guarapari, vaga no Tribunal de Contas e eleições de partido. Todos esses elementos vêm exigindo habilidade política do governador. Quando não está correndo atrás do prejuízo que vem de Brasília, Casagrande articula com a classe política, negociando os espaços. Em um partido pequeno, o que resta a Casagrande é esse movimento para fora. Para consolidar sua candidatura à reeleição, precisará de harmonia na base, até porque terá problemas financeiros a resolver, o que pode prejudicar o palanque. Uma das grandes preocupações do governador parece ser a de não criar uma situação adversa com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Apesar do desempenho aquém do que se esperava na eleição deste ano, Hartung é um adversário em potencial, direta ou indiretamente. Pode ainda trazer problemas nas movimentações de outros espaços, como na disputa ao Senado. Casagrande trabalha sua base para que consiga a sustentação necessária para a reeleição. Por isso, o próximo ano será tão importante. Mais que driblar a crise, o governador deve saber se movimentar para dar o espaço certo para cada um de seus aliados. Unanimidade é uma palavra que não se usa mais no mercado político, por isso, toda habilidade será necessária para não errar a mão e agradar a uns, desagradando a outros. Fragmentos: 1 – O PT da Assembleia vem cobrando a indicação para o Tribunal de Contas em troca da reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) para a Mesa Diretora, mas a vaga já tem dono e não é do partido. 2 – O partido anda querendo muito e corre o risco de ficar sem nada. Primeiro falou em disputar a presidência, também já se falou em secretaria da Mesa, lugar no secretariado e agora vaga no TCES. Menos, PT. 3 – Inteligente a estratégia do prefeito eleito de Vitória Luciano Rezende (PPS) na audiência pública com a população. Ele só ouve, anota, não entra em atrito com o morador. O momento é de colher opinião.
TJES absolve juiz que presidiu banca de concurso fraudulento
O Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) absolveu, no último dia 8, o juiz Bernardo Alcuri de Souza, da prática de irregularidades durante o concurso público para servidores do tribunal, considerado fraudulento pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O voto do relator da sindicância, desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, concluiu que não existem provas contra o juiz. O entendimento foi seguido por unanimidade pela corte. A decisão publicada nesta quinta-feira (22) afasta qualquer tipo de punição ao juiz que presidia a banca do certame, acusado de ter beneficiado parentes de desembargadores capixabas. A abertura do processo administrativo havia sido determinada pelo próprio CNJ, que havia confirmado a existência de nepotismo mesmo sem acenar para a anulação das provas e nomeação dos aprovados. O juiz Bernardo Alcuri havia sido nomeado pelo então corregedor-geral de Justiça, desembargador Frederico Guilherme Pimentel, que viria a ser presidente do TJES durante a deflagração da Operação Naufrágio, em dezembro de 2008. Provas obtidas durante a operação policial indicaram a existência de um suposto esquema de beneficiamento para parentes de magistrados nas provas. Gravações revelaram que a negociação teria ocorrido entre familiares de Pimentel, que acabou sendo punido com a aposentadoria compulsória no ano seguinte ao escândalo. Esse material teve peso no voto da então conselheira do CNJ, Morgana Richa, para concluir pela existência das fraudes no certame. No entanto, os desembargadores capixabas entenderam que não houve qualquer prova que desabonassem a conduta do magistrado. Para o relator, o fato dos cartões de respostas dos candidatos serem conferidos na sede da Corregedoria do tribunal ???não pode sustentar conjecturas em desfavor do presidente da comissão do concurso???. Bizzoto alegou que a proposta da correção não partiu do juiz Bernardo Alcuri, mas estava previsto no edital do processo de seleção. Apesar da absolvição no processo administrativo, o juiz responde ainda a uma ação de improbidade movida pelo Ministério Público Estadual (MPES) em relação às fraudes no concurso. Além do magistrado, foram denunciadas outras sete pessoas, entre elas, o ex-presidente do TJES, Frederico Pimentel, e seus familiares. Nenhuma das ações chegou a trazer os nomes dos desembargadores supostamente beneficiados pelas fraudes.
Polícia prende um dos homens acusados de incendiar ônibus em Cariacica
Um dos dois homens acusados de ter incendiado um ônibus no município de Cariacica, no último domingo (18), foi preso na tarde desta quinta-feira (22) pela Polícia Civil. Após ter sido encontrado, ele foi levado para a Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten). Segundo informações, os dois homens teriam rendido o motorista e o trocador, levado-os para fora do veículo e, depois, ateado fogo ao ônibus. Após o ocorrido, o delegado Diogo de Freitas, responsável pela investigação, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o fato foi isolado. Os aacusados teriam queimado o ônibus em retaliação à morte de um traficante da região. Apesar disso, ainda não é possível mensurar de fato até onde o caso reflete apenas um caso isolado, pelo menos até que a investigação avance mais. O controle dos morros capixabas e a presença de facções criminosas de outros Estados , junto com a alta taxa de mortes violentas, revela que as redes criminosas estão presentes no Estado, por mais que o governo sempre negue. Alguns casos refletem isso. Um deles foi a prisão de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, em Guarapari, no início de novembro, assim como a prisão, em agosto, na cidade de Piúma, de um homem apontado como braço-direito do conhecido traficante carioca Nem.