No Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (21), encontra-se publicado um comunicado que torna público que a siderúrgica ArcelorMittal obteve do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) uma renovação de Licença de Operação (LO) para produção de laminados de aço, forno panela, produção de tarugo, dentre outros, no município de Cariacica. A publicação surpreende não pelo fato em si – em teoria normal, pelo procedimento básico de licenças ambientais feitas pelos institutos governamentais. A questão é que, em teoria, a Arcelor não poderia receber nenhuma licença, já que se recusa a cumprir determinações impostas em julho deste ano pela Justiça, após o Ministério Público Estadual (MPES) ter acusado a empresa de cometer racismo ambiental, por utilizar tecnologias inferiores às usadas em outros países. O Iema, porém, ignora a determinação, aproveitando-se do fato de a empresa protocolar inúmeros recursos na Justiça. A decisão judicial determinava a instalação de telas que funcionam como barreiras de vento para conter parte da emissão de gases da empresa, as Wind Fences. Além disso, colocava um prazo de quatro meses para a ArcelorMittal apresentar o projeto básico e começar as obras. Até lá, nenhuma licença ambiental poderia ser concedida pelo Iema, órgão considerado inerte frente à poluição praticada pelas empresas capixabas. Pelo jeito, o instituto não se atentou para a imposição judicial e, mesmo que a empresa não tenha cumprido com as exigências, concedeu a renovação. Mesmo com a decisão, a Arcelor não se cansa de afirmar que o seu “cinturão verde” – de eucaliptos – já consegue minimizar em 75% suas emissões nos ares da capital, a despeito das diversas manifestações civis sobre o tema. Uma delas foi uma Ação Civil Pública (ACP) contra a empresa e o Iema, que destaca a prática de racismo ambiental e motivou a decisão da Justiça. Em agosto deste ano, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar existência de crime ambiental na empresa, também a pedido do MPES, motivado pelo descumprimento do que determina a ação civil pública. Juntamente ao comunicado sobre a licença, há outro que torna público que está disponível na sede do Iema a Declaração Ambiental resultante de Auditoria Ambiental realizada em setembro deste ano pelo instituto. Apesar disso, não foi possível localizá-la no site do órgão, forma de divulgação que facilitaria e muito a publicidade do documento.
Estado aprova uso de área para tratamento de resíduos da extração e beneficiamento de rochas
Foi aprovado nesta quarta-feira (21), pela Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei 426/2012, que firma com a Associação Ambiental Monte Líbano um contrato de concessão de Direito Real de Uso de uma área de 272.298,76 m², na localidade de Monte Líbano, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. A área deverá ser usada para o tratamento de resíduos da extração e beneficiamento de rochas. Na área a associação irá implantar uma central de tratamento de resíduos, com a finalidade de dar tratamento adequado aos subprodutos da atividade de extração e beneficiamento de rochas ornamentais, revertendo ao patrimônio do Estado se lhe for dada outra destinação. Entretanto, a região confronta-se por diversos lados com a Santa Casa de Misericórdia, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Osmar Machado e Casimiro Costa Filho, o que segundo ambientalistas merece atenção devido aos resíduos tóxicos gerados pela atividade. A área, diz o PL, será explorada pelo período de 20 anos. Depois deverá ser desocupada pela contratada, não lhe cabendo qualquer direito à retenção ou à indenização pelas benfeitorias nelas realizadas, que ficarão incorporadas ao imóvel. De acordo com o PL, a associação também não poderá ceder, empresar, locar ou sublocar a área, objeto de concessão, sob pena de reversão ao patrimônio do Estado. O PL foi proposto pelo governador do Estado, Renato Casagrande.
Rios Formate e Marinho serão finalmente desassoreados
Após nove anos de reivindicações da sociedade, a Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira (21) o Projeto de Lei 40/2012, que cria a Unidade de Gerenciamento de Projetos (UGP), no âmbito da Secretaria de Estado de Saneamento, Habilitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb). A medida deverá viabilizar medidas que minimizem as cheias que atingem as áreas urbanizadas nos municípios de Viana, Cariacica e Vila Velha. Entre as ações previstas está o desassoreamento dos rios Marinho e Formate. O objetivo, segundo o projeto, é controlar as inundações ribeirinhas e ainda desenvolver um trabalho social de reassentamento de famílias em áreas de risco na faixa de inundação destes cursos d' água e a construção de parques lineares em trechos localizados ao longo dos mesmos, evitando a reocupação das áreas e requalificando o espaço urbano. A demanda é antiga e já foi tema de reivindicações protocoladas pelo município de Vila Velha à Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) e ao governo do Estado em 2003, a pedido da população afetada. Na ocasião, o município requereu apoio para a recuperação do rio Marinho, a elaboração e implantação de projetos hidrológicos e de saneamento no local, deslocamento de famílias das margens do rio e definição de um gestor para coordenar as ações necessárias ao desenvolvimento do projeto. Poluído por esgotos domésticos e industriais, assoreado e até mesmo aterrado por empresas, o rio Marinho, com aproximadamente cinco quilômetros de extensão, ligando o rio Jucu à baía de Vitória, está praticamente morto. Suas águas são pretas e fétidas, e em suas margens existe ocupação de casas, muitas das quais construídas avançando para o leito do rio, com grandes aterros. Sua recuperação é uma exigência das comunidades dos bairros próximos, prejudicados com alagamentos toda vez que chove mais forte na região. O problema é de responsabilidade das prefeituras de Vila Velha, Cariacica e Viana, Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e Cesan. A UGP, diz o PL, deverá gerenciar os projetos de revitalização dos rios Marinho e Formate, bem como os demais projetos da área de Manejo de Águas Pluviais e Drenagem Urbana Sustentável do Estado do Espírito Santo, auxiliando a estrutura existente na dinamização e no aprimoramento das atividades de planejamento, articulação institucional, formulação, soluções de engenharia, meio ambiente, socioambiental, organização, desenvolvimento, controle e finalização desses projetos. A matéria cria ainda os cargos de provimento em comissão com suas nomenclaturas, referências, quantitativos e valores para atender às necessidades de funcionamento da UGP/Sedurb, com vigência durante os prazos de duração dos contratos de financiamento dos projetos sob gerenciamento da UGP. O custo mensal para manter os cargos da UGP será de R$ 37.105,37 e anual de R$ 445.264,44. A lei entrou em vigor nesta quarta-feira (21).
Comissão do CNJ avança na criação de regras para concurso de juízes
O grupo de trabalho criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para estabelecer regras para concursos públicos de ingresso na magistratura divulgou, nessa terça-feira (20), os seus primeiros resultados. De acordo com levantamento feito pela comissão, 20 entre os 24 Tribunais de Justiça dos estados afirmaram que terceirizam, total ou parcialmente, os certames que realizam. O TJ capixaba faz parte deste grupo que respondeu positivamente. Segundo a coordenadora do grupo, a ex-conselheira do CNJ Morgana Richa, a coleta dos dados vai permitir a classificação do modelo adotado pelos tribunais. “Além do modelo de recrutamento pelos tribunais ou entidades contratadas, buscamos também outras informações, como a participação das Escolas da Magistratura no processo de seleção”, explicou a ex-conselheira, que foi a relatora do processo que confirmou a existência de fraudes em concursos no Tribunal de Justiça do Estado (TJES). De acordo com informações do CNJ, as respostas vão subsidiar o debate das alterações que possam vir a ser feitas na Resolução nº75, que regulamenta os concursos no âmbito do Poder Judiciário. “Os tribunais enviaram as respostas. Agora vamos transformá-las em balizas científicas, para que possam servir de indicadores em eventual aprimoramento do texto da resolução”, destacou Richa. Recentemente, o grupo concluiu um estudo sobre a quantidade de ações movidas no CNJ sobre a Resolução nº 75. Foram encontrados 100 processos administrativos com questionamentos aos concursos. Entre as demandas estão incluídos os processos referentes ao atual concurso para juiz do TJES. Ao todo, doze processos movidos por candidatos reprovados nas duas fases iniciais foram apensados em uma única ação, que tramita desde o mês de abril. Em julho passado, o órgão de controle havia determinado a suspensão do processo seletivo até o julgamento dos questionamentos lançados por um grupo de candidatos. Nos processos, os candidatos desclassificados questionam aspectos técnicos das provas, como a inclusão de assuntos que não estavam previstos no edital e os critérios de classificação das notas aferidas.
Países não cumprirão meta de redução dos gases de efeito estufa até 2020
Não será mais possível reduzir a emissão dos gases poluentes que causam o efeito estufa a ponto de evitar que a temperatura mundial não suba mais do que 2 graus Celsius (ºC) até 2020. O compromisso havia sido firmado em 2010, na África do Sul, entre mais de 190 países, em um conjunto de metas denominado de Plataforma Durban, como informou a Agência Brasil. A meta acordada não era a de diminuir a quantidade global da concentração dos gases, mas sim reduzir o aumento de suas emissões. Sem ações estruturais em suas economias para conseguir mudar o alarmante quadro de crescimento desenfreado dos gases do efeito estufa, o responsável pelo aquecimento global, os países foram no sentido contrário do acordo e, hoje, já emitem mais poluentes na atmosfera do que o previsto para 2020. As informações estão contidas na terceira edição do Relatório sobre Emissões de Gases do Efeito Estufa, divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O novo cálculo mostra que a concentração dos gases na atmosfera pode ficar até 14 gigatones (medida utilizada para regular a emissão de gases de efeito estufa) do que estabelecia a meta para 2020, que seria de 44. Atualmente, o índice já ultrapassou em cinco pontos o acordado para daqui a oito anos e chegou a 49 gigatones. Especialistas projetam que, na melhor das hipóteses, se obviamente os países se esforçassem em medidas mais audaciosas, o número poderia ficar em “apenas” 52 gigatones. Em 1990, a emissão de gases atingia o volume de 37. Segundo o relatório, ao invés de diminuir, a presença dos poluentes aumentou, desde 2000, cerca de 20%. Os dados revelam, cada vez mais, a insuficiência dos acordos internacionais de meio ambiente, tais como a Plataforma Durban. A intenção do compromisso firmado há dois anos é que ele substitua, em 2020, o Protocolo de Quioto, oficializado em 1999 e em vigor desde 2005. O acordo estabelecia uma série de metas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa em no mínimo 5,2% em relação aos índices de 1990, no período de 2008 a 2012 – o que claramente nem chegou perto de ser atingido. O que se vê, na verdade, é exatamente o contrário. O levantamento das Nações Unidas revela que a distância entre a situação atual, o projetado pelos cientistas e o considerado ideal só aumenta e os índices chegarão a 2020 ainda mais alarmantes. Enquanto os acordos globais ficam apenas na teoria, as grandes economias, em especial os Estados Unidos e a China, relutam em modificar seus padrões de produção, em especial a queima de combustíveis fósseis – hoje responsável por mais de 60% das emissões dos países desenvolvidos. Espírito Santo O Espírito Santo não fica de fora quando o assunto é emissão de poluentes na atmosfera. Envolto na aparentemente eterna expansão de grandes empresas, o Estado está atingindo um novo patamar na emissão de gás carbônico. Em construção no Planalto de Carapina, na Serra, a VII usina de pelotização da Vale e a nova planta da ArcelorMittal – esta líder na emissão de gases na região – vão piorar ainda mais a já maltratada qualidade do ar na Grande Vitória. Até mesmo o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) já admitiu que a poluição do ar na região está acima do limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – após diversas denúncias da sociedade civil. A Grande Vitória tinha, tendo como base os anos de 2009 e 2010, um índice de 2.749 quilos de partículas inaláveis emitidos por hora, enquanto o de dióxido de enxofre lançado nos ares da região atingia 3.358 quilos por hora – ambos os gases são causadores de doenças nos moradores. Hoje, os números já aumentaram. Só a ArcelorMittal, maior contribuinte dos altos índices de poluição, por exemplo, emite hoje 11,2 milhões de toneladas de gás carbônico. A partir de 2014, a empresa enviará 19 milhões de toneladas para os ares da região. Os dados são dos Cálculos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Em audiência no Senado, Ana Rita lembra o extermínio de jovens no ES
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado realizou uma audiência pública nessa terça-feira (20) para discutir o elevado número de mortes violentas que vitimiza a juventude negra no País. A senadora Ana Rita Esgário (PT) é membro da comissão e participou da audiência ressaltando os altos índices de homicídios dentre esta parcela da população no Estado. A parlamentar salientou na audiência que o que ocorre no Espírito Santo é o extermínio de jovens negros e que faltam políticas públicas articuladas e integradas para enfrentar essa violência. Ela ressaltou ainda que o Legislativo tem a obrigação de fiscalizar essas ações de combate à violência. Ana Rita lembrou que o Estado é o segundo do País em homicídios de crianças e adolescentes até 19 nos, segundo o Mapa da Violência 2012, com taxa de 33,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Ela também usou dados do Núcleo de Estudos Sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos (Nevi) da Universidade Federal do Estado (Ufes) durante o pronunciamento. Ela lembrou que, de acordo com o levantamento do Nevi em 2011, foram registrados 1.725 homicídios, sendo que 899 vítimas foram jovens com idades entre 15 e 29 anos. Destes, 80% ocorreram entre jovens negros. De acordo com o Mapa da Violência, Vitória é a segunda Capital mais violenta do País para crianças e adolescentes, com taxa de 76,8 mortes no País. É a mesma posição que ocupava em 2000, mas naquele ano foram 40,4 homicídios por 100 mil.
Pleno do TJES vai se manifestar sobre emenda que muda julgamento de prefeitos
O Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), órgão máximo do Judiciário capixaba, vai se manifestar sobre a legalidade da Emenda 85, que transferiu o julgamento das ações contra prefeitos e deputados que possam resultar na perda do cargo para o tribunal. A decisão foi tomada na última semana pelos desembargadores da 2ª Câmara Cível do TJES, que suspenderam o julgamento de um recurso da prefeita afastada de Sooretama (região norte), Joana da Conceição Rangel, a Jô do Salão (PSB), até a manifestação sobre a legalidade – ou não – da norma. A questão de ordem foi levantada pelo desembargador Namyr Carlos de Souza Filho, que havia pedido voto-vista durante o julgamento. No recurso, a defesa da prefeita afastada alegava que a competência para o julgamento da ação de improbidade movida pelo Ministério Público Estadual (MPES) era do Tribunal de Justiça. Para o magistrado, a relevância do tema e a divergência instaurada nas instâncias superiores tornaram necessária a manifestação do Pleno. O voto foi seguido à unanimidade pelo colegiado. Desde a promulgação da Emenda Constitucional nº 58/2012, publicada no dia 9 de julho deste ano, o tema é alvo de intensos debates nos meios jurídicos e políticos. Nos tribunais, a emenda chegou a ser declarada inconstitucional por juízes de 1º grau, porém, há discordância entre os próprios magistrados. Atualmente, a matéria está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), que dará a palavra final sobre o caso. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4870) questionando a norma foi apresentada no dia 17 de outubro, pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a pedido do procurador-geral de Justiça capixaba, Eder Pontes da Silva. A entidade alega que a Emenda 85 invade a competência legislativa da União estabelecida pela Constituição Federal. O texto pede também a concessão de uma medida liminar para suspender os efeitos da norma até o encerramento do julgamento. No início deste mês, o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), se manifestou pela manutenção da norma. Na petição enviada ao relator do caso no Supremo, ministro Dias Toffoli, o chefe do Legislativo estadual questiona a tese jurídica levantada pela entidade e pede a declaração da constitucionalidade da Emenda 85. Para Ferraço, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 007/2012) não apresentou qualquer irregularidade. “Além disso, a norma impugnada não constitui um benefício aos parlamentares estaduais, mas sim uma prerrogativa de somente serem condenados à perda do mando eletivo pelo Tribunal de Justiça, órgão máximo do Poder Judiciário estadual”, completou o demista.
Jamir Malini pode ter que escolher entre Assembleia e Câmara da Serra
Com capilaridade do prefeito eleito da Serra, Audifax Barcelo (PSB), a expectativa no município é de que ele não encontre dificuldades para emplacar um aliado na presidência da Câmara Municipal. O mais cotado, para os meios políticos locais, é o vereador reeleito Jamir Malini (PTN), que deve passar o período de recesso meditando sobre uma decisão importante. Isso porque, ele ganhou uma cadeira na Assembleia Legislativa, com a eleição de Henrique Vargas (PRP) para a prefeitura de São Gabriel da Palha, no noroeste do Estado. Malini é o primeiro suplente na coligação que foi formada em 2010 para o Legislativo Estadual, pelos partidos PTN, PRP e PCdoB. Portanto, terá que escolher entre dois anos na Assembleia, para ampliar sua base e disputar a reeleição em 2014, ou continuar na Câmara e receber o apoio do prefeito eleito para se eleger presidente do Legislativo municipal. Para os meios políticos, a segunda opção parece ser a mais acertada, já que na Assembleia, o vereador teria um ano para viabilizar sua candidatura à reeleição, correndo o risco de não permanecer na Casa, perdendo assim dois anos de mandato. Em 2010, quando disputou a Câmara dos Deputados, Audifax Barcelos recebeu o apoio de apenas um dos vereadores serranos, justamente Malini. A presidência da Câmara da Serra seria uma contrapartida pela lealdade do vereador ao agora prefeito Audifax. Próximo Se Jamir Malini aceitar a proposta de permanecer na Câmara da Serra, a fila sucessória anda na Casa. O próximo da lista é Rogério Cruz (PRP), que também não assume o cargo, pois foi eleito prefeito em Iúna, região do Caparaó. Seguindo a lista está o presidente da Câmara de Guarapari, José Raimundo Dantas (PRP). Dantas luta para validar a votação que recebeu nas eleições deste ano no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele teve a candidatura impugnada, concorreu e recorre ao Tribunal para tentar garantir a vaga para a Câmara do município. Se Dantas não conseguir reverter a situação pode ganhar a vaga na Assembleia, mas se conseguir, a expectativa é de que permaneça na Câmara. Neste caso, o próximo da lista é o vereador de Vitória, Namy Chequer (PCdoB), que também é um dos nos aventados para presidir o Legislativo municipal. Mas no caso dele, a Assembleia pode ser um caminho interessante para ampliar sua base e tentar fortalecer o partido na disputa de 2014.
Proposta veda atividade político-partidária por membros do MP
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) analisa uma proposta de resolução que disciplina o exercício de atividade político-partidária e a ocupação de cargos públicos por membros do Ministério Público. Atualmente, os promotores e procuradores dos MP de todo País podem desempenhar as atividades fora da instituição. Caso o texto apresentado pelo conselheiro Almino Afonso nessa terça-feira (20) seja aprovado, os membros ministeriais deverão retornar às instituições em até 90 dias. De acordo com informações do CNMP, a proposta será publicada no site do órgão de controle, para receber emendas no prazo de 15 dias, conforme determina o Regimento Interno do Conselho. Logo depois, o texto final deverá ser apreciado pelo plenário do órgão. Pela proposta, os membros do MP ficam proibidos de exercer atividade político-partidária ou qualquer outra função pública, salvo de magistério. A vedação não alcança os membros que integravam os quadros da instituição antes da data da promulgação da atual Constituições (5 de outubro de 1988) e tenham se manifestado pelo regime anterior. O texto prevê que os membros afastados para o exercício de cargo público que não se enquadrem nesta hipótese deverão retornar aos órgãos de origem no prazo máximo de 90 dias. Caso a proposta de resolução seja aprovada, a vedação atingiria o atual subsecretário estadual de Justiça, o promotor Sérgio Alves Pereira, que teria de retornar aos quadros do Ministério Público Estadual (MPES). Essa não seria a primeira vez que membros do MPES teriam que retornar aos quadros da instituição. O ex-procurador-geral de Justiça, procurador Fernando Zardini Antônio, ocupou a pasta de Justiça entre os anos de 2004 e 2006, mas saiu do cargo, e o promotor Evaldo Martinelli também fez parte dos quadros da administração pública estadual no governo passado e teve que voltar ao MP. De acordo com o conselheiro Almino Afonso, a proposta tem o objetivo de definir uma interpretação da Constituição Federal, já que o assunto tem gerado posicionamentos diversos sobre a possibilidade de afastamentos dos membros do MP. O próprio CNMP já prolatou várias decisões sobre o tema, inclusive com a edição de duas resoluções (5/2006 e 72/2011).
PEC da reeleição será votada já na próxima terça
Na próxima terça-feira (27), os deputados estaduais já poderão votar em primeiro turno a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite a reeleição para a presidência da Mesa Diretora da Casa. Ao contrário de outras matérias que seguem um rito longo no Legislativo, a proposta teve uma tramitação relâmpago. Na segunda feira, a matéria já entrou na Ordem do Dia para ser discutida em três sessões. Nesta quarta-feira (21), a Comissão de Justiça da Casa se reuniu após a sessão ordinária para discutir a matéria, deixando assim a proposta pronta para ser votada já na próxima semana. A matéria será lida na sessão da segunda-feira (26) e, no dia seguinte, entrará em votação em primeiro turno. Uma vez aprovada pelo Plenário, deverá ser baixada de pauta por duas sessões para então ser votada em segundo turno. As PECs têm um trâmite lento no Legislativo, depois de publicadas no Diário Oficial do Legislativo, devem passar por três sessões e serem discutidas nas Comissões e não vale o parecer oral durante a votação. Também não pode ser pedida a urgência para que a matéria encabece a pauta. A votação deve ser em dois turnos e com quorum qualificado. Mas depois de muita discussão entre deputados e governo do Estado sobre a viabilidade de se instituir novamente a reeleição para a presidência da Mesa, todo o trâmite durou menos de duas semanas. O requerimento dos deputados Elcio Alvares (DEM) e José Carlos Elias (PTB) colheu assinaturas dos deputados ainda no início da semana, depois foi protocolado, lido no Expediente, publicado, e já seguiu para a pauta nesta semana. A correria dos deputados é para aprovar a matéria antes do recesso parlamentar, porque a próxima sessão depois disso será em fevereiro e já para a eleição da Mesa. Para que o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), possa concorrer à reeleição, o projeto tem que ser votado rapidamente. O projeto foi feito sob medida para que Ferraço possa se reeleger, permitindo que o deputado que não cumpriu um mandato inteiro à frente da Casa, que é de dois anos, possa disputar. Além disso, a PEC abrange apenas a presidência, os dois secretários não poderão ser reeleitos. A dificuldade na Casa nesses últimos dias era sobre a adesão do PT. Foi sob o comando do partido, em 2003, que o instituto da reeleição foi proibido no Legislativo Estadual. Nessa terça-feira (20), a bancada fechou questão sobre o assunto e abonou a reeleição, mas se assanha a lançar um nome para disputar com Ferraço. Nos bastidores, porém, a expectativa é de que depois do aval do Palácio Anchieta, a recondução do demista para presidir a Casa já estaria consolidada no plenário.