O núcleo original da Região Metropolitana de Vitória – composto por Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana – renovou todos os seus prefeitos nestas eleições municipais de 2012. Os eleitores votaram por mudanças. Mesmo na Serra, onde o prefeito eleito Audifax Barcelos retorna à prefeitura, o mote é o da mudança. Portanto, a responsabilidade destes cinco prefeitos eleitos com discursos e sinais de práticas de mudanças é muito grande: Luciano Rezende (PPS), Rodney Miranda (DEM), Juninho (PPS), Audifax Barcelos (PSB) e Gilson Daniel (PV). Já que o clima político geral permite legitimidade e respaldo nas sociedades locais para mudanças, é pertinente chamar a atenção dos novos prefeitos para a oportunidade histórica deles pactuarem uma mudança de paradigma nas suas respectivas agendas de governo. Esta mudança consiste em descortinar que os principais problemas destes cinco municípios – Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana – são, na realidade, problemas metropolitanos. Como tal, precisam de um enfoque metropolitano para ser enfrentados e superados com eficácia política e gerencial. Basta enumerar as principais prioridades tratadas nas campanhas deste ano: a saúde é local mas a sua solução é também metropolitana; o problema ambiental é metropolitano; o problema da mobilidade urbana é metropolitano; o problema da segurança é metropolitano; o problema do saneamento é metropolitano; e o problema da logística também. Portanto, o paradigma metropolitano precisaria ser agora incorporado aos programas e projetos de governo que as equipes de transição dos novos prefeitos estão começando a formular. Ainda mais porque o tempo é de “vacas magras” e de necessidade de ajustes fiscais em função do fim do Fundap e dos problemas com os royalties do petróleo. Tratar os problemas com enfoque metropolitano certamente significa mais eficácia na solução e mais economia de custos na medida em que os problemas são enfrentados via cooperação entre os próprios governos locais e entre eles e o governo estadual. Cooperação entre governos. Parcerias público-público e público-privadas. Estes são os caminhos para enfrentar a potencial crise fiscal dos municípios pela via do enfoque metropolitano pactuado com o governo estadual. A Região Metropolitana da Grande Vitória, vale lembrar, foi criada através de Lei Complementar em 1995, quando o governador Renato Casagrande era vice-governador do Espírito Santo. Depois, em 1999, foi incorporado o município de Guarapari e em 2001 o município de Fundão. Mas do ponto de vista político e da gestão a Região Metropolitana não saiu do papel. Não saiu porque não se tornou uma prioridade politicamente construída e pactuada, com gestão integrada de políticas metropolitanas e capacidade operacional (meios e poder) para promover iniciativas comuns e concretas de enfrentamento de problemas que são cada vez mais comuns – vale dizer, metropolitanos. Agora, o momento de expectativa de mudança política, conjugada com crise fiscal à vista, pode criar um “caldo de cultura” para tirar a idéia de região metropolitana do papel, das intenções e das iniciativas apenas pontuais e episódicas. A empreitada é fácil de propor mas difícil de executar. Envolve uma questão de poder e prerrogativas dos prefeitos e de poder e prerrogativas do governador. Envolve, portanto, capacidade política de pactuar uma ação metropolitana coletiva, aonde o todo, a resultante, possa vir a ser maior do que a soma das partes. Mas havendo vontade e percepção da oportunidade histórica, é possível começar pelo começo: sentar na mesa, dialogar com os outros prefeitos e dialogar com o governador. E pactuar uma agenda. Agenda de cooperação multilateral, quando for o caso, e bilateral ou trilateral, também quando for o caso. Um esforço de cooperação metropolitana entre os novos prefeitos e o governador aumentaria a capacidade de resposta diante da nova pressão por serviços públicos advinda do crescimento da chamada classe “C”, permitindo ganhos de escala para a inclusão social. Esse esforço precisa estar conjugado com a utilização de novas ferramentas de gestão governamental, em particular a eficaz ferramenta do chamado “governo eletrônico”, já aplicada com bons resultados em governos municipais e governos estaduais pelo Brasil afora. Os novos prefeitos da Grande Vitória foram eleitos para promover mudanças e precisam de ousadia política e gerencial para enfrentar os grandes desafios que se colocam diante deles, em função da expectativa que ajudaram a criar e em função da perspectiva de queda de receitas. Eles precisam entrar jogando, prontos para quebrar paradigmas e tomar medidas para “fazer mais com menos”. Nesta direção, a cooperação metropolitana, com a sabedoria política de procurar parcerias com o governador do estado, é um caminho promissor.
E o salário, ó!
Hoje, um profissional recebe cerca de R$ 9 mil (bruto) para ser secretário municipal na Capital – a prefeitura mais rica do Estado e a que paga melhor. Para quem ganha um salário mínimo (R$ 622), a quantia pode ser considerada uma pequena fortuna, pois o trabalhador assalariado levaria mais de um ano para juntar R$ 9 mil. Mas para técnicos altamente qualificados, o salário está bem abaixo dos parâmetros de mercado, onde esses executivos podem ganhar pelo menos o dobro desse valor. Apesar dos salários “baixos”, os prefeitos eleitos que governarão as quatro maiores cidades da Grande Vitória (Serra, Vila Velha, Cariacica e Vitória) prometem que vão contar com secretários de alto nível técnico. Eles querem provar que o pacote da mudança inclui o rompimento com o “modelo clássico”, que usava os cargos para honrar acordos políticos ou acomodar aliados na máquina pública. No discurso, pelo menos, os prefeitos eleitos juram que não leiloarão os cargos. Já que é assim, por mais bem intencionados, os novos prefeitos terão uma dificuldade muito grande para selecionar bons currículos. Se eles de fato forem buscar esses nomes no mercado, será difícil convencer um executivo de uma grande empresa a ganhar a metade do salário para assumir uma pasta municipal que, dependendo da área, pode se transformar num “bicho de sete cabeças”. Se o candidato a secretário avaliar friamente a proposta, corre. Além de ganhar bem menos, dependendo da pasta, ele será obrigado a descascar um abacaxi ou mais por dia. Imaginem a pressão para quem assume pastas como saúde, segurança ou educação? Na iniciativa privada o profissional está acostumado a trabalhar com planejamento e com técnicos capacitados para assessorá-lo. No setor público ele terá que improvisar e recorrer, muitas vezes, a uma equipe desqualificada e desmotivada, que está ali apenas esperado o contracheque no final do mês. Além disso, ele ainda corre o risco de ser processado por improbidade administrativa qualquer da vida e manchar seu currículo profissional para sempre. Vale a pena? É muito problema para pouco salário. É por essas e outras que, dependendo dos nomes que os prefeitos eleitos apresentarem nos próximos dias veremos se a promessa de equipes exclusivamente técnicas não passava de uma lorota. Se os escolhidos forem “técnicos” que ficaram sem emprego com a derrota de alguns candidatos ou que já não são mais tolerados nos quadros do governo do Estado ou ainda que estavam na rua da amargura desde a saída de Paulo Hartung do governo, voltamos à estaca zero. Ou seja, os prefeitos eleitos estariam fazendo propaganda enganosa. Na verdade, trocando seis por meia-dúzia. Pois estariam usando critérios políticos e não técnicos para escolher suas equipes. Voltaríamos ao “modelo clássico” de se fazer política. E mudança que é bom…
A Ordem em disputa
Os advogados do Estado do Espírito Santo vão às urnas no próximo dia 29 para definir o novo comando da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES). A disputa polarizada entre o atual presidente, Homero Junger Mafra, e o candidato André Luiz Moreira, deve representar o tira-teima entre os dois principais grupos na entidade. Além da rivalidade entre os grupos, o eleitorado deve assinalar qual o caminho seguir nos próximos dois anos. As principais diferenças entre as candidaturas estão inseridas no campo de atuação da Ordem. Enquanto a chapa da situação defende a manutenção da defesa das prerrogativas dos profissionais da advocacia, a oposição evoca o papel social e de luta de uma das principais entidades da sociedade civil organizada. Na história do Espírito Santo, a Ordem teve um papel fundamental na chamada reconstrução do Estado, após o período de turbulência durante o governo José Ignácio Ferreira – coincidentemente, o ex-governador é um dos advogados mais respeitados do Estado. O resgate deste papel histórico é um dos lemas de bandeiras de André Moreira, que terá o apoio do grupo do advogado Carlos Magno Gonzaga Cardoso, candidato derrotado no último pleito. A favor da candidatura de Homero Mafra pesa o fato de o atual presidente ter conciliado seu grupo com influentes correntes históricas durante o mandato. Durante os últimos dois anos, o campo majoritário formado por Mafra conseguiu silenciar qualquer foco de oposição interna. Uma prova desse grupo maciço é de que a chapa da situação mantém quase os mesmos nomes indicados no último pleito. Essa polarização na disputa pelo comando da seccional também pode ser vista nas eleições em algumas subseções. Em Vila Velha, por exemplo, a temperatura está elevada com a reprodução da central de boatarias – tão famosa no processo eleitoral deste ano – contra os candidatos. Na subseção canela-verde, a disputa será polarizada entre os advogados Ricardo Ferreira Pinto Holzmeister e Gustavo Bassini Schwartz, que reúne aliados dos dois candidatos majoritários na Ordem. Por enquanto, esse clima de ataques é isolado às eleições no município, porém é cedo para prever uma disputa sem ataques até o dia do pleito. A tendência atual é de que os principais candidatos evitem o acirramento dos ânimos e mantenha o debate no nível das ideias. Mas alguns temas recorrentes nas disputas anteriores podem surgir, como é o tema da transparência nas contas da Ordem.
Bola da vez
Assessoria Ales O suplente de deputado estadual Esmael de Almeida (PMDB) já voltou a respirar aliviado. O motivo seria um sinal verde recebido do governador Renato Casagrande, de que sua cadeira está garantida na Assembleia. Esmael, como se sabe, deixou seu mandato de vereador na Capital para assumir assento na Casa, na vaga do primeiro suplente Rodrigo Coelho (PT), atual secretário de Estado de Assistência Social, que por sua vez chegou à Assembleia após Rodrigo Chamoun ter sido nomeado conselheiro de Contas. Mas depois de fazer seu filho Davi Esmael (PSB) vereador em Vitória, o peemedebista foi do céu ao inferno em pouquíssimo tempo, diante do anúncio de retorno de Rodrigo ao legislativo. Agora está no céu novamente. Com o novo cenário, porém, vêm as especulações. Para Esmael ficar, um deputado da coligação PMDB-PT-PSB tem que virar secretário. E a lista é extensa, com dez nomes. Quem tem perfil? Bola da vez II Se for pesar afinidade e experiência em determinas áreas, como educação e turismo, por exemplo, Roberto Carlos (PT) e Luzia Toledo (PMDB) podem aparecer cotados. Mas o petista também é apontado como um provável postulante ao cargo de presidente da Assembleia. Resta saber o que sairá das articulações de bastidores. Bola da vez III Integram a lista ainda os deputados Cláudio Vereza, Genivaldo Lievore e Lúcia Dornelas, do PT; Marcelo Santos, Sérgio Borges, Hércules Silveira e Solange Lube, do PMDB, e Eustáquio de Freitas (PSB). Façam suas apostas. Reconhecimento A garantia a Esmael teria como base o desempenho dele e do filho Davi nas eleições municipais, atendendo às necessidades políticas de Casagrande. Em especial no segundo turno em Vitória, quando o vereador eleito puxou mobilização em favor de Luciano Rezende (PPS) nas bases evangélicas, onde o pai exerce forte influência, já que seus mandatos são voltados quase que exclusivamente a este público. Espaço Por falar em Luciano, também corre nos meios políticos o destino que o prefeito eleito de Vitória dará ao seu vice Waguinho Ito (PR). O vice é considerado um mero substituto do prefeito em caso de ausência e impedimento. Mas considerando que o partido de Waguinho teve participação importante na eleição, fica a dúvida se aumentará de tamanho, levando uma secretaria. A conferir. Vai mal O presidente da Assembleia, deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM), não tem colhido bons frutos de seus aprontos. Estava acostumado com Cachoeiro de Itapemirim, onde todo mundo engolia… Plano Circula por ai que uma das pretensões do prefeito eleito de Aracruz, Marcelo Coelho (PDT), é levar o ex-deputado federal e ex-secretário de Turismo do governo Paulo Hartung (PMDB), Marcus Vicente, para sua secretaria municipal de turismo. Interesse é devido às relações que Vicente estabeleceu com a área nacional e o bom desempenho atribuído a ele no comando da pasta estadual. Mas entre pretensão e realização, evidentemente, tem uma distância enorme. Richa antiga O candidato derrotado por um triz em Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), reassumiu seu antigo programa de rádio, com foco em política, e tem tocado o ferro. Já mostra que vai assumir postura oposicionista ao prefeito eleito, Luciano pereira (DEM). 140 toques “Conforme o IBGE mais da metade dos municípios não tem qualquer mecanismo de controle ou acompanhamento do saneamento básico pela sociedade”. (Ex-deputado federal – Capitão Assumção – PSB – no Twitter). PENSAMENTO: “Na selva há algumas cobrinhas, mas as do Congresso são bem mais venenosas”. Antônio Apurinã
Tarifa, greve e eleição
O próximo ano será marcado por eleições nos meios sindicais. Nesse contexto chama a atenção o pleito no Sindicato dos Rodoviários, até porque trata-se de um setor público-privado de prestação de um serviço fundamental para a população. É importante frisar que não só a categoria, mas suas famílias, amigos e, evidentemente, a direção sindical deve primar por um sindicalismo cidadão. Com a proximidade do fim do ano e da discussão sobre a tarifa, o movimento começa a se organizar e a pesada ameaça de paralisação do serviço pesa sobre a cabeça da sociedade. É claro que luta pela melhoria salarial é importante, mas a briga não deve se restringir a isso. Do lado dos trabalhadores é preciso ver as jornadas de trabalho, os benefícios, a saúde dos motoristas e cobradores, estendendo essas garantias às suas famílias. Mas é preciso também cobrar um serviço público de qualidade, o que está bem longe de ser a realidade do sistema de transporte do Espírito Santo. Nesse serviço temos uma participação de todos os setores da sociedade: empresariado, governo, sindicato e representantes da sociedade civil. Mas o que vemos é que o capital tomou conta do sistema, ditando as regras e desrespeitando, inclusive, o direito do cidadão. Veículos em más condições de uso, superlotação dos coletivos, falta de planejamento de itinerários e horários e até as coisas mais simples, como placas indicativas dos horários nos terminais de ônibus, entre muitos outros problemas diários. Mas o sindicato fecha os olhos para os inúmeros problemas do serviço prestado. Atua apenas na hora de justificar o aumento da tarifa, mobilizando a categoria com um discurso que coloca o trabalhador na linha de tiro da população. Está chegando a hora da mobilização da categoria e o trabalhador tem que escolher de que lado vai ficar. Do lado da população ou do lado de um sindicato que defende seus próprios interesses. E mais, a mobilização não deve parar nesse momento da discussão da data base, mas se manter assim, para se preparar para as eleições. Esse é o instrumento que a categoria terá para mudar de vez o perfil do sindicato, seu órgão de representação. É importante conhecer os nomes que se apresentarão e ver além da luta pela melhoria salarial, o que mais o candidato oferece. É preciso uma representação que ultrapasse a visão limitada, que defenda os interesses de um serviço público que impacta toda a sociedade, inclusive, o próprio trabalhador e sua família. Queremos mais.
Sobressaltos
Em seu discurso de posse na Assembleia Legislativa, em janeiro de 2011, o governador Renato Casagrande disse que pregava a harmonia entre os poderes, porque não queria acordar com sobressaltos no meio da madrugada. Mas desde o início de seu mandato vem cortando um dobrado com a Casa. Nada que comprometa a sua governabilidade, afinal, os parlamentares vêm mantendo a aprovação dos projetos do governo e tendo uma postura de diálogo com o Executivo. Mas as incompatibilidades são muitas desde o início do mandato. Os deputados se queixam sistematicamente da falta de atendimento das demandas entregues ao secretário-chefe da Casa Civil Luiz Carlos Ciliotti. E as movimentações de governo e Assembleia para a escolha do chefe do legislativo não são nada tranquilas. Na época de Hartung, a discussão era simples. O governador escolhia o nome e os deputados abonavam, sem discussão. Mas como Casagrande não utiliza os mesmos métodos que seu antecessor, abre espaço para o embate. Casagrande não engole Theodorico Ferraço (DEM) à frente da Mesa Diretora. O temperamento intempestivo é ameaçador, embora o demista tenha demonstrado parceria no que se refere a projetos e discussões. Mas algumas manobras do presidente da Casa têm causado dor de cabeça, até porque mexem com o cofre. A questão dos 11,98% e, agora, o abono de R$ 2 mil colocaram o governo contra a parede. Evidentemente, Theodorico não está cobrando nada de absurdo. O resíduo da reposição dos planos econômicos é um direito dos servidores e o abono, se a Casa tem recursos, poderia muito bem ser pago. Afinal, em outros tempos, a Assembleia posou de boazinha devolvendo dinheiro do Orçamento, enquanto os servidores da Casa viam navios passando na baía de Vitória. Mas a forma como Ferraço faz essas movimentações soa como cotovelada no Executivo, fica a sensação que ele faz para criar uma situação, mesmo. Ferraço é um deputado que tem condições de fortalecer o Legislativo, tem feito isso, tanto que conseguiu 22 assinaturas na PEC da reeleição. Até os petistas que impuseram o fim da prática na Casa não são contrários a Ferraço, mas entrar em rota de colisão com o governador da forma que o presidente faz, deixa o plenário em uma saia-justa. Enquanto isso, o governador continua com problemas para dormir. Fragmentos: 1 – Mesmo sem emplacar um parlamentar entre os melhores do ano, o Espírito Santo quer a presidência da Câmara dos Deputados e reverter uma situação que beneficia 25 estados. Será que vai? 2 – Nem bem acabaram as eleições e a movimentação nas Câmaras de Vereadores, sobretudo da Grande Vitória, já é grande para a escolha de seus presidentes. 3 – A onda da mudança também deve influir nas eleições dos legislativos. O resultado das urnas ainda ecoa e os vereadores devem mudar suas posturas, até por uma questão de sobrevivência política.
Dos 78 municípios capixabas, 74 não têm estrutura na área de saneamento básico
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 74 dos 78 municípios capixabas não têm estrutura organizacional na área de saneamento. Pior, nenhum dos municípios possui secretaria exclusiva para tratar da demanda. A pesquisa revela que apenas duas secretarias municipais “embutem” políticas voltadas para o saneamento básico e duas mantêm setor subordinado a outras secretarias. O número de municípios com Política Municipal de Saneamento Básico também é baixo. Segundo o IBGE, apenas 21 possuem uma política própria, sendo apenas 11 com legislação instituída por lei. Levando em conta que apenas três municípios capixabas possuem um Fundo Municipal de Saneamento básico, serviços como o tratamento adequado da água, assim como a canalização abrangente e o tratamento de esgoto ficam em segundo plano. São justamente essas medidas que garantiriam melhores condições de saúde para a população, evitando a contaminação e proliferação de doenças e a preservação do meio ambiente. A pesquisa aponta ainda que houve (2010/2011) fragilidade nas áreas de limpeza urbana de manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e de um plano de saneamento formulado de forma compatível com o Plano de Bacia Hidrográfica, o que ocorre em apenas três cidades capixabas. Segundo o IBGE, dos 78 municípios capixabas, apenas 14 possuem definição da norma de regulação conforme as diretrizes nacionais para o saneamento básico para o serviço de abastecimento de água.
Assembleia vota planos de carreiras de servidores de seis órgãos estaduais
Os deputados estaduais aprovaram na sessão desta terça-feira (13) os planos de carreira dos servidores do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema); do Diário Oficial do Estado (DIO-ES); do Instituto de Pesos e Medidas do Estado (Ipem); da Junta Comercial do Estado (Jucees) e das Agências Reguladoras do Estado (Arsi/Aspe). A adequação dos planos de carreira era pleito antigo dos servidores, que se reuniram na galeria da Assembleia Legislativa para acompanhar a votação dos projetos de lei. Os deputados que relataram as matérias em plenário foram unânimes em afirmar que os servidores desses órgãos e autarquias estão preferindo deixar os postos de trabalho em busca de melhores oportunidades na iniciativa privada, que oferece melhores salários. Até que fossem encaminhadas as mensagens governamentais que alteravam as leis complementares que dispunham dos planos de carreiras dos servidores, eles realizaram diversas assembleias e paralisações em busca de melhorias nos vencimentos e nas condições de trabalho. Os servidores do Iema, por exemplo, realizaram duas greves somente neste ano, entre os meses de junho e julho. A primeira delas foi suspensa por conta da ameaça do corte do ponto dos servidores, e a segunda para negociações com o governo do Estado. Além de melhorias nos salários os servidores também lutaram por melhores condições de trabalho tanto em campo quanto internamente no Iema. Já os servidores do Diário Oficial realizaram assembleias e manifestações que se intensificaram no mês de setembro deste ano pleiteando melhores salários, condições de trabalho e isonomia para os servidores concursados. Os servidores da Junta Comercial, assim como os do Ipem chegaram a aprovar greve por tempo indeterminado em julho deste ano. A revisão do plano de carreira era item comum na pauta dos servidores dos dois órgãos.
Plano de redução de riscos de deslizamentos é
Faltou planejamento estratégico para reduzir riscos de deslizamentos no período de 2010/2011 no Espírito Santo. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, publicada nesta terça-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apesar de 52 municípios realizarem programas ou ações de gerenciamento de riscos no Estado, apenas quatro possuem um plano de redução desses riscos. De acordo com os dados do IBGE, dos 78 municípios capixabas, 52 realizaram programas ou ações de gerenciamentos de riscos de deslizamento e recuperação ambiental de caráter preventivo. Desse total, 35 efetuaram drenagem urbana como prevenção, e apenas dois construíram reservatórios de amortecimento ou piscinões, cinco efetuaram a recuperação de várzea e 11 realizaram a renaturalização de rios e córregos visando a minimizar os riscos de deslizamento em suas regiões. As construções de muros de proteção e diques também foram tímidas, apenas 28 cidades fizeram esse tipo de obra. Nem mesmo a promoção de treinamento de equipes municipais foi feita, apenas 10 municípios investiram nessa atividade. Já as obras de contenção, proteção, drenagem superficial ou profunda, ou remoção de moradias, que estão entre as ações mais cobradas pela população em área de risco, foram efetuadas por apenas 18 municípios capixabas. A Defesa Civil Estadual registrou há uma semana, quando choveu forte em algumas regiões do Estado, que há várias áreas vulneráveis a deslizamentos. Ao todo, segundo o órgão, há áreas de risco em 30 municípios capixabas.
IBGE revela
Os resultados do Questionário Básico da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgados nesta terça-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam dados importantes sobre a grande quantidade de empregados comissionados nos 78 municípios capixabas. Nas administrações diretas, ou seja, nos órgãos diretamente ligados ao poder municipal, o Espírito Santo fica proporcionalmente em segundo lugar na região sudeste – perde apenas para o Rio de Janeiro. Em um universo de 126.907 pessoas empregadas neste setor administrativo dos municípios, o Espírito Santo tem 12.073 comissionados, o que representa um índice de 9,51%. Os números fluminenses chegam aos 11,43% (42.333 de um total de 370.239), enquanto São Paulo tem 6,27% (57.859 de 922.330) e Minas Gerais, 5,95% (36.998 de 621.368). Os municípios capixabas têm um índice acima da média geral da região sudeste, que chega aos 7,42% – 149.263 comissionados entre mais de dois milhões empregados na administração direta dos municípios. Já na administração indireta, ou seja, naquelas entidades criadas para realizar atividades de governo de forma descentralizada – que englobam empresas públicas, autarquias e fundações, dentre outros – o municípios do Espírito Santo novamente se “destacam” na quantidade de cargos comissionados. As administrações públicas municipais têm, em um universo de 1.450 pessoas empregadas no setor, 154 contratados deste modo, o que representa um índice de 10,62%. Apesar de representar pouco em números absolutos, o índice é mais que o dobro do segundo colocado no sudeste, Minas Gerais, que chega apenas aos 5,20%. Também fica bem acima dos 4,48% de São Paulo e dos 4,53% do Rio de Janeiro. Em todo o sudeste, dos 174.093 empregados na administração indireta, 8.182 são apenas de cargos comissionados – 4,69%. A publicação também mostra que, entre os 78 municípios capixabas, 32 têm administração indireta, representando pouco mais de 41% das cidades. No sudeste, o único Estado que ultrapassa o índice é o Rio de Janeiro, com 42,39%. O índice regional é de apenas 25,59%.