Foto: Gustavo Louzada Conforme constatou nossa reportagem nesta segunda-feira (12), as obras do condomínio Pontal de Jacarenema (vide foto ao lado) estão sendo tocadas normalmente, embora embargadas por decisão do juiz Rodrigo Cardoso Freitas. A decisão do juiz foi tomada no dia 30 de outubro. A paralisação das obras foi requerida em Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). As obras do condomínio Pontal de Jacarenema são alvo de protestos da comunidade local, na Praia dos Recifes, na Barra do Jucu, em Vila Velha. Para sua construção, o município de Vila Velha alterou o Decreto 178/10, tornando a Zona-1, onde uma das torres já foi erguida, em Zona-3, permitindo assim a construção de 10 pavimentos,. em vez de apenas dois pavimentos, autorizados para todo o restante da região. Ao todo o empreendimento prevê a construção do térreo e três torres de 11 pavimentos, abrangendo 258 apartamentos e 267 vagas de garagem. Segundo a Ação Civil Pública ajuizada pelo MPES, a alteração do decreto afronta o princípio da impessoalidade, bem como altera o Plano Diretor Municipal (PDM), sem a participação popular. O MPES denuncia que o decreto foi editado em benefício de apenas uma quadra específica do loteamento na região, alterando a Zona 1 de ocupação controlada com limite de construção de edificações de até dois pavimentos, para a Zona 3, onde edifícios de até 10 pavimentos podem ser construídos sem observar características fundamentais da região. O local escolhido pela Cooperativa Habitacional dos Servidores Militares do Espírito Santo (Coohab-Semes) e Qualivix Engenharia e Construção SA (Qualivix Engenharia) está dentro da Zona de Amortecimento do Parque Natural Municipal Jacarenema (PNMJ), que conta com insuficiência da capacidade da rede local de abastecimento de água; é terreno com cota abaixo de cinco metros; e planície de inundação do baixo Rio Jucu, ou seja, é passível de inundações. A decisão da Justiça suspende os efeitos do Decreto nº 178/2010, do Alvará de Licença nº 11/0459 e de qualquer outro documento que tenha sido outorgado à empresa Qualivix Engenharia em relação ao Pontal de Jacarenema, além da paralisação imediata das obras. O juiz Rodrigo Cardoso Freitas determina, ainda, a suspensão da negociação/alienação de unidades imobiliárias do empreendimento, enquanto subsistir o embargo determinado. Em caso de descumprimento da medida, a multa diária fixada, a contar da ciência da decisão, é de R$ 10 mil.
Fim de semana violento: 15 pessoas foram assassinadas no Estado, oito só na GV
O Estado enfrentou mais um fim de semana violento entre sexta (9) e domingo (11). Em dois dias foram assassinadas 15 pessoas no Estado, sendo oito somente na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). A violência em 2012 deve manter o Estado com taxas altas de homicídios e na vice-liderança nacional de mortes violentas. O ano de 2012 deve terminar com taxa aproximada de 47 homicídios para cada 100 mil habitantes, enquanto 2011 fechou com 48,5 homicídios por 100 mil. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que o Espírito Santo apresentou taxa de 44,8 homicídios dolosos a cada 100 mil habitantes em 2011, enquanto São Paulo registrou 10,1 homicídios por 100 mil, ou seja, a chance de morte violenta no Estado é quatro vezes maior do que em São Paulo. Considerando que São Paulo vive uma situação excepcional, com o aumento de casos de homicídios direcionados a um segmento específico da população (policiais), as taxas de 2012 devem sofrer alteração em relação à queda significativa ano a ano, até 2011. De acordo com o Mapa da Violência 2012, São Paulo baixou a taxa de homicídio de 42,2 por 100 mil em 2000 para 13,9 em 2010 (queda de 67% em 10 anos). O Espírito Santo, em contrapartida, passou de 46,8 em 2000 para 50,1 em 2010, chegando a atingir 57,3 homicídios por 100 mil habitantes em 2009. Esta redução que se observa em São Paulo mostra como a mudança de mentalidade pode manter baixos os índices. Com esta nova onda de violência, que já registra mais de 90 policiais mortos – com suspeita de ter sido iniciada por uma operação da Rota, a tropa de elite da Policia Militar daquele Estado, em maio deste ano – existe uma pressão tanto da sociedade civil, quanto da imprensa e um esforço dos governos estadual e federal para que os homicídios cessem. Já no Espírito Santo, os altos índices de homicídios, mantidos durante mais de uma década, mostram que, além da falta de investimentos em segurança pública por quase todo esse tempo, também existe a banalização da violência. Em dois dias foram 15 mortes no Estado e a projeção diária é de quase cinco mortes por dia até o fim do ano. No entanto, no caso do Estado a violência não choca com a mesma intensidade que em São Paulo, já que ocorre primordialmente nas periferias da Grande Vitória e atinge, em maioria a juventude negra e pobre, sem acesso a uma política pública de promoção da dignidade ampliada e universal desde o momento do nascimento.
Casagrande formaliza pedido de veto a projeto dos royalties
O governador Renato Casagrande encaminhou nesta segunda-feira (12) um documento oficial à presidente Dilma Rousseff, pedindo para que o projeto de redistribuição dos royalties do petróleo, aprovado na Câmara dos Deputados na última terça-feira (6), seja vetado. O documento destaca os estudos da Secretaria estadual de Desenvolvimento, que apontam que com o projeto do senador Vital do Rego (PMDB-PB), o Estado deixaria de arrecadar R$ 23,7 bilhões em royalties e participação especial até 2020, para arrecadar R$ 13,2 bilhões, o que representa uma perda de R$ 10,5 bilhões, que seriam usados para investimentos em qualidade de vida e geração de oportunidades e renda para os capixabas. Em 2011, o Espírito Santo arrecadou R$ 1,8 bilhão em royalties e participação especial, considerando-se Estado e municípios. Já em 2012, a arrecadação chegou aos R$ 2,038 bilhões, com projeção de chegar aos R$ 2,7 bilhões até o fim do ano. Segundo Casagrande, com a nova Lei, mesmo sob protestos dos estados e municípios impactados com a exploração do petróleo, “a insensatez saiu vitoriosa”. No documento enviado à presidente Dilma, o governador expõe as razões que levaram o Espírito Santo a solicitar o veto à matéria aprovada pelos deputados federais, contextualizando as perdas acumuladas no Estado, principalmente, com as mudanças na tributação do ICMS importação, que enfraqueceram o Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), bem como a chamada “dívida histórica” da União com os capixabas, materializada na falta de investimentos em infraestrutura. O governador também trata da ilegalidade, das quebras contratuais e da inconstitucionalidade da matéria aprovada pelo Congresso Nacional. “Ao alterar os critérios de distribuição em áreas já licitadas, o texto aprovado na Câmara Federal dá forma a uma das mais truculentas agressões ao arranjo jurídico e institucional que sustenta a República e a democracia no Brasil”, protesta. Segundo o governador, não há briga por privilégios, nem por atenção diferenciada. “O que exigimos dos demais estados brasileiros é respeito ao esforço que desenvolvemos para construir no Espírito Santo uma sociedade mais próspera, equilibrada e humana. Esse é o sentido da nossa luta pela manutenção dos critérios de distribuição dos royalties, para as áreas de exploração petrolífera já licitadas”, explica. Casagrande também reafirma que, dentre os esforços para preservar os direitos dos capixabas, não está descartado o recurso ao Supremo Tribunal Federal, como medida extrema, bem como a confiança do Espírito Santo na presidenta da República. “Na certeza de que teremos em Vossa Excelência uma aliada inabalável na condução desse assunto”, finaliza. Mas a pressão para que Dilma se posicione sobre a matéria não vem só dos Estados produtores. Segundo o jornal Valor Econômico, Os prefeitos dos outros 25 estados que serão beneficiados com a nova lei também assediam a presidente. Representantes da Confederação Nacional de Municípios (CNM) esperam ser recebidos formalmente pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira (13), data definida pelo Palácio do Planalto para uma manifestação do governo sobre uma série de reivindicações feitas pelos prefeitos. Os prefeitos vão pedir para que Dilma sancione integralmente a proposta de Vital do Rego.
Decreto poderá regulamentar cobrança pelo uso da água de rios e lagos
O inicio da cobrança pelo uso da água dos rios pode ser definido a partir desta terça-feira (13). A cobrança não começou pois não há regulamentação da legislação que a autoriza. Esta regulamentado pode ser feita por decreto do governo, ou através de lei, por aprovação da Assembleia Legislativa. Nesta terça-feira (13), às 17 horas, o assunto será objeto de reunião no Palácio Anchieta. A cobrança pelo uso das águas dos rios foi Instituída pela Política Nacional dos Recursos Hídricos (Lei Federal 9.433/97) e pela Lei Estadual 5.818/98, a lei estadual, possibilitando a operacionalização de fato dos comitês das bacias. O presidente do Fórum Capixaba de Bacias Hidrográficas, Elio de Castro Paulino, explicou que a cobrança da água será feita por meio de agência reguladora – a ser criada -, que também definirá os projetos e ações que os comitês das bacias deverão executar. A arrecadação dos valores destina-se à manutenção dos comitês de bacias hidrográficas, órgãos colegiados responsáveis pela proteção e preservação dos recursos hídricos em seus municípios de abrangência. De acordo com a legislação, estão sujeitos ao pagamento prestadores de serviços de saneamento urbano, indústrias, mineradoras, irrigantes, aquicultores e todos os que captam água ou lançam efluentes em rios, reservatórios e lagos. O valor a ser cobrado é definido pelos comitês de bacias hidrográficas. Deve ser um preço público fixado a partir de um pacto entre usuários, sociedade civil e poder público. Atualmente, em solo capixaba a arrecadação é realizada apenas na área do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, que é um colegiado interestadual, abrangendo 228 municípios mineiros e capixabas. Os Comitês de Bacias Hidrográficas integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e existem no País desde 1988, com a participação de diversos setores, como usuários de água, organizações da sociedade civil e poderes públicos. O Estado conta, hoje, com 11 comitês de bacias hidrográficas, instituídas nos âmbitos dos rios Jacaraípe, Itaúnas, Rio Doce, Benevente, Santa Maria do Doce, Rio Novo, Itapemirim, Guandu, Jucu, Santa Maria da Vitória e São José. No Espírito Santo, busca-se ampliar a verba destinada aos comitês das bacias hidrográficas, que se encontram em dificuldades de manutenção. Hoje, os colegiados têm recursos disponíveis por intermédio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fundágua), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). As transferências se dão por meio de editais. O Fundágua é um instrumento da Política Estadual de Recursos Hídricos e destina-se à captação e à aplicação de auxílio financeiro visando ao gerenciamento da água. Os recursos do fundo são provenientes dos royalties do petróleo, do setor energético e do orçamento do Governo do Estado. Devem participar da reunião nesta terça-feira o secretário de Estado da Casa Civil, Luiz Ciciliotti; o subsecretário de Estado de Meio Ambiente, Fábio Anhert; a coordenadora regional da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Cipe Rio Doce), deputada Luzia Toledo (PMDB); e o presidente da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, deputado Sandro Locutor (PV). Os rios capixabas são poluídos por esgotos industriais e domésticos. Suas águas estão ainda contaminadas por agrotóxicos. Os rios são assoreados por sedimentos carreados a partir das áreas desmatadas, loteamentos – inclusive os regulamentados – principalmente na região de montanha.
Iopes divulga nome da empresa que vai cuidar do abandonado Cais das Artes
A empresa Cinco Estrelas Construtora e Incorporadora Ltda. irá executar o serviço de limpeza, organização do canteiro, adequação e armazenamento de peças da estrutura metálica, proteção de armação exposta da superestrutura e protensão da rampa de acesso ao Museu do Empreendimento Cais das Artes, que teve sua obra abandonada desde fevereiro deste ano. O projeto leva o nome do famoso arquiteto Paulo Mendes da Rocha Previsto para ficar pronta em dezembro deste ano, a obra vinha sendo executada pela Santa Bárbara Engenharia S/A, sob o prazo de 540 dias para entrega, mas após 42% do cronograma concluído, a obra foi abandonada. A empresa mineira já havia gasto 60 milhões e recebido 12 aditamentos elevando o custo da obra de R$ 115.547.695,73 para cerca de R$ 130 milhões. Mesmo após os investimentos, a Santa Bárbara abandonou a obra antes de concluí-la. Resultado, a obra idealizada por Cristina Gomes, mulher do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), virou um elefante branco para o governo Renato Casagrande. Sem expectativa de contratação da nova empresa para a execução das obras, é a empresa Cinco Estrelas Construtora e Incorporadora Ltda que ficará responsável por preservar o que já existe e está degradando com o tempo. O resultado do julgamento da proposta comercial sobre a empresa responsável para a execução de serviços de limpeza pelo Iopes foi divulgado no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (12). A empresa desclassificada do processo de licitação foi Samo – Saneamento e Montagens Ltda. A obra é avaliada pela população como o retrato do descaso com o dinheiro público do contribuinte. A Santa Bárbara teria sofrido prejuízos monstruosos em outros contratos. Segundo os dados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), a empresa é requerida em processos que, somados, atingem um valor de causa de mais de R$ 400 mil. A maior parte por inadimplemento. Com mais de 43 anos de atuação no mercado nacional, a Santa Bárbara Engenharia foi contratada pelo Instituto de Obras Públicas do Espírito Santo (Iopes) para a execução do projeto. Devido os problemas financeiros, é alvo de 10 a 15 processos, entre eles coletivos e individuais, todos relacionados a direitos trabalhistas.
Angústia sobre royalties termina até o próximo dia 30
A presidente Dilma Rousseff tem até o próximo dia 30 para decidir se sanciona, veta ou veta parcialmente o projeto que redistribui os royalties do petróleo. Segundo a Agência Brasil, o texto chegou à Casa Civil na noite da última sexta-feira (9) e a partir daí começou a contar o prazo de 15 dias úteis para que a presidente se posicione sobre a matéria. A definição, porém, pode sair antes do prazo limite, já que Dilma viaja à Espanha, no dia 28. O projeto de lei do senador Vital do Rego (PMDB-PB) foi aprovado na última terça-feira (6) e trará um prejuízo acumulado ao Estado de R$ 11 bilhões. A proposta reduz de 30% para 20%, já este ano, a fatia da União nos royalties. Os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, principais produtores de petróleo do país, terão seus ganhos diminuídos a partir do ano que vem, de 26,25% para 20%. Os municípios produtores terão as maiores perdas: dos atuais 26,25% para 17% no próximo ano, chegando a 4%, em 2020. Os municípios afetados pela exploração de petróleo também sofrerão cortes de 8,75% para 2%. Os demais estados e municípios do país que não produzem petróleo, recebem atualmente 8,75% e passarão para 40% de forma gradual até 2020. Em relação à participação especial, um tributo incidente na exploração de campos com grande produtividade, a União, que hoje recebe 50%, passará, no ano que vem, para 42%. Com o aumento de receitas devido à exploração de petróleo na camada pré-sal, a União terá sua alíquota ampliada, gradativamente, até 46%. O governo federal apresentou uma proposta de repasse dos recursos oriundos dos poços que serão licitados para a educação, mas apenas os deputados cariocas e capixabas votaram com o governo. A presidente Dilma defendia ainda a manutenção dos atuais contratos de exploração do regime de concessão para preservar os ganhos dos estados produtores, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ainda na semana passada, ao ser questionada sobre o assunto, a presidente afirmou que não conhecia o projeto de Vital do Rego e que só se posicionaria após uma “exaustiva” análise da matéria. A tendência é de que Dilma faça vetos secundários e, posteriormente, crie por meio de Medida Provisória compensações para os dois estados que sairão prejudicados com a matéria. Mas as bancadas parlamentares do Rio de Janeiro e Espírito Santo não parecem dispostas a esperar essas compensações e ameaçam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a aprovação da proposta, caso a presidente não vete o projeto.
Aracruz Celulose já planta eucalipto transgênico no Estado, afirma ambientalista
A propaganda da Aracruz Celulose (Fibria) sobre aumento da produtividade é mostra clara sobre os novos plantios transgênicos, segundo considera o presidente da Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema), Freddy Montenegro Guimarães. Em caderno publicado no jornal A Tribuna nesse domingo (11), o presidente da Aracruz Celulose afirma que a empresa aumentará sua produção de “10 toneladas de celulose/hectare/ano, em 2011, para 15 toneladas de celulose/hectare/ano, em 2025”. Diz o presidente da empresa que tal aumento será, entre outros, “por melhoramento genético” do eucalipto. E que a Aracruz Celulose vai produzir mais, com menos terra. Sobre estas afirmações não há outra interpretação possível: o eucalipto transgênico chegou ao Estado, alerta o presidente da Acapema. É com alteração genética do eucalipto que a planta passa a ser colhida para uso industrial com cinco anos. Hoje o corte do eucalipto é feito aos sete anos. O eucalipto transgênico aumentará os danos produzidos na terra. Além de voraz consumidor de água, o eucalipto consome os nutrientes existentes no solo. O terreno plantado com eucalipto leva décadas a se recuperar em condições normais. Freddy Guimarães quer que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) confirmem os plantios de eucalipto transgênico e a área plantada. E que mostrem os estudos dos impactos ambientais previstos nos Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) dos plantios. O eucalipto é uma espécie que produz a desertificação de amplas áreas, pelos efeitos sobre outras formas de vegetação e, consequentemente, extinção da fauna. Também desvia de extensas glebas de terra, que poderiam estar produzindo alimentos, para o plantio da monocultura. O eucalipto só gera empregos durante o seu plantio. Sobre a afirmação do presidente da Aracruz Celulose a respeito do aumento de produção da empresa, Dorizete Cosme, um dos coordenadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Estado, quer saber qual a estratégia usada pela empresa para produzir mais eucalipto. Aponta que certamente o aumento dos plantios vai impactar mais intensamente o ambiente. Em relação à intensificação da propaganda da empresa, também este dirigente do MPA afirma que no seu trabalho junto às famílias camponesas e nas jornadas de esclarecimento à população urbana, é mostrado que esta propaganda visa ludibriar a todos. Assinala que o poderio econômico da Aracruz Celulose deve ser considerado, pois pode levar esta propaganda a enganar muitas pessoas. O MPA atua no Espírito Santo defendendo a produção natural, livre de agrotóxicos e com defesa da vegetação nativa. O movimento agrega 2.200 famílias em 32 dos 78 municípios capixabas. Para o trabalho de divulgação, o MPA reúne grupos de base com aproximadamente 20 famílias, cada.
Disputa por controle de porto volta à pauta do Tribunal de Justiça
Dois processos relacionados à disputa milionária entre o empresário Otto Netto Andrade e a família Scopel pelo controle do Porto de Peiú, em Vila Velha, encabeçam a pauta da sessão desta terça-feira (13) da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). A polêmica impede a realização da assembleia que destituiria todas as pessoas ligadas aos empresários Pedro Scopel e Adriano Mariano Scopel da direção do complexo portuário. Segundo informações do TJES, os processos serão relatados pelo desembargador José Paulo Calmon Nogueira e pela desembargadora substituta Maria do Céu Pitanga de Andrade. Em agosto deste ano, Nogueira da Gama havia concedido uma liminar para impedir a participação de Pedro e Adriano Scopel da reunião que chegou a ser marcada para o último dia 14 de setembro. No entanto, a realização da assembleia foi suspensa por determinação do desembargador Ney Batista Coutinho, que acolheu um mandado de segurança ajuizado pelos empresários Pedro e Adriano Scopel às vésperas do encontro. A expectativa é de que o Tribunal Pleno, principal corte do Judiciário capixaba, dê a palavra final sobre a disputa que se arrasta na Justiça por mais de seis anos. O caso se tornou público após a disputa ter motivado a Operação Naufrágio, deflagrada em dezembro de 2008, depois de um dos advogados de Pedro e Adriano Scopel ter sido flagrado negociando sentenças durante interceptações telefônicas feitas durante a Operação Titanic. Além de irregularidades na nomeação de Fabiana Scopel Tramontana como presidente dos conselhos de administração da Peiú – Sociedade de Propósito Específico, subsidiária integral, e da Trufa S/A -, o empresário Otto Andrade, que divide 50% do capital da empresa com Pedro Scopel e o filho Adriano, alega que a atual gestão não realizou qualquer prestação de contas e nem distribuiu dividendos aos sócios. Nas contas do empresário, o rombo nas contas da Peiú já ultrapassa a casa dos R$ 200 milhões desde o início do imbróglio jurídico.
Análise: E Agora, Aonde Vamos?
Num mundo marcado por eternos conflitos por diferenças ideológicas, qualquer lugar do mundo terá suas pendências a serem resolvidas. Sobra, entretanto, a criatividade para o embate. E agora onde vamos, é uma pergunta que se faz um pequeno povoado libanês, dividido entre muçulmanos e católicos numa guerra que já fez varias vítimas e nunca termina, invadindo a vida cotidiana e espalhando sangue pelas ruas da cidade. Vendo o aumento constante de tal violência as mulheres do povoado, alheias a distinções religiosas se organizam para tentar acabar com a barbárie que separa a vila. De cinema à inserção de sex símbols na cidade, todas tentativas parecem vãs. Com um certo humor, o filme toca num assunto polêmico e recorrente no mundo islâmico, o fanatismo religioso que afeta também os católicos residentes no mundo árabe. Sem cair num pragmatismo democrático, o filme mostra as duas faces da mesma moeda, a religião como o problema central. Tentam combater tal dogma religioso com o espetáculo e com a carne: o cineclube que reúne toda a cidade num esforço tecnológico utilizando poucos recursos, e o aluguel de um grupo de dançarinas para tentar saciar a sede violenta dos homens. Nada disso porém parece funcionar, e o canto das mulheres segue clamando por um mundo mais pacífico. A música é a ponte de contato entre tamanhos contrastes. De um lado jovens modelos ucranianas seminuas convivendo com uma comunidade paupérrima coberta da cabeça aos pés. De um lado católicos e do outro muçulmanos. Homens e mulheres. Nesse imenso conflito só a abstração musical parece não ter nenhum lado, e é nela que se apoiam na possibilidade de reconstruir a sociedade. A tendência de cair no musical entretanto se apoia na dança e isso cria um certo estranhamento em coreografias tão desajeitadas quanto à musica constante que cansa qualquer possibilidade narrativa. A bela fotografia tenta recriar a aridez do deserto, o tom terroso da cidade, que tenta pintar-se de branco em vão, uma cor que não lhe pertence, mesmo que o protagonista esteja todo manchado, o branco é tão violento como o vermelho. É o ocre da terra que liga os extremos da cidade. As jovens mães que seguidamente perdem seus filhos surgem como um quadro à parte, pietás contemporâneas num mundo violado pela constante guerra. Serviço E Agora Aonde Vamos? (Et maintenant on va où ?, França, 2012, 110 min, 14 anos) Shopping Jardins – Cine Jardins: Sala 2. 21h. (sabado não haverá sessão)
Novo prefeito não deve ingerir na escolha de presidente da Câmara
Depois de quatro mandatos de vereador na Câmara de Vitória, o prefeito eleito Luciano Rezende (PPS) não deve impor um nome para presidir a Casa. Essa é a impressão nos bastidores da movimentação que escolherá o novo presidente da Câmara no próximo ano. A expectativa é de que o nome que presidirá a Casa nos próximos dois anos deve sair do grupo de vereadores que tiveram uma queda na votação em relação à disputa de 2008, em um movimento de autoproteção, como já aconteceu no passado. Por parte do Executivo, a necessidade de harmonia entre os poderes para garantir a governabilidade do prefeito deve prevalecer no acompanhamento das movimentações do legislativo. O episódio da derrubada do veto do prefeito João Coser (PT) a um projeto de lei que garantia o 14º salário aos professores da rede municipal foi um indício de que a possibilidade de o vereador Fabrício Gandini (PPS), autor do projeto, se candidatar ao cargo, ficaria inviável neste primeiro momento. Na Casa, há uma tendência em rejeitar tanto o nome de Gandini, como dos outros dois vereadores mais bem votados nesta eleição – Max da Mata (PSD) e Serjão Magalhães (PSB) –, porque para os vereadores seus projetos têm um cunho mais pessoal do que o fortalecimento do coletivo na Câmara. Os vereadores no governo de João Coser acumularam desgaste vindo dos problemas com a administração. Por isso, devem mudar suas posturas nesta legislação. Nesse sentido, ganha destaque no plenário os vereadores que têm perfil independente. Nos bastidores, um desses nomes é o do vereador reeleito Namy Chequer (PCdoB), que não desagrada o governo nem entra em atrito com os colegas. O atual presidente da Casa, Reinado Bolão (PT), é outro que pode ter chances. Apesar de ser do mesmo partido de Coser, Bolão não se posicionou de forma subserviente ao governo e também tem uma administração positiva entre os vereadores.