A semana foi aberta com a aprovação, sem alterações, projeto de lei do Senado que define as novas regras de partilha dos royalties do petróleo pela Câmara Federal, na última terça-feira (6). A aprovação do projeto pegou a bancada capixaba de surpresa, que transferiu toda a pressão para a presidente Dilma Rousseff. Lideranças como o senador Ricardo Ferraço (PMDB) e a deputada Iriny Lopes (PT) apostam no veto da presidente. Os leitores também se manifestaram sobre a aprovação dôo projeto de lei. Uma corrente acredita que o Estado vai entrar em uma era de atraso com a redefinição destas regras. Outra que o Estado nunca foi beneficiado com os royalties no tocante à saúde, educação, segurança pública e transportes. Já na quinta-feira (8), Século Diário apontou a tentativa de mudança no Plano Diretor Municipal (PDU) na região da Enseada do Suá. Na terça-feira (13) vai ser realizada uma audiência pública em que vai ser apresentado um projeto que prevê a ampliação do Shopping Vitória intitulado de Ala Marina, com seis pavimentos. Moradores estão preocupados e ainda desconhecem os detalhes o projeto. Os moradores da região estão apreensivos com a possibilidade de mudança no gabarito das edificações – definidas em até quatro pavimentos atualmente -, e as questões da mobilidade urbana, do estacionamento e acesso à Ilha do Boi. Os comentários dos leitores acompanharam a apreensão dos moradores e ainda levantaram questionamentos acerca o momento em que essas propostas voltaram a ser discutidas, ao fim do mandato do prefeito João Coser. Ainda na quinta-feira a coluna Socioeconômicas lembrou que os novos prefeitos terão de lidar com a redefinição da regra dos royalties, a contar pela área da educação, que mexe com uma categoria que tem peso e unidade, os professores. Mais uma vez, as opiniões se dividiram entre os que acreditam que esse impacto será real e os que acham que os royalties nunca beneficiaram nessa despesa. A Socioeconômicas também mostrou, na sexta-feira (9) que as grandes poluidoras instaladas no Estado – Aracruz Celulose (Fibria) e ArcelorMittal – ainda apostam no financiamento de campanhas. Com apenas uma exceção, cada candidato a prefeito da lista custou no geral R$ 50 mil aos cofres da Aracruz e R$ 40 mil da Arcelor. Os leitores se manifestaram contra esse financiamento, já que acreditam que uma campanha bancada por essas empresas pode gerar benefícios a elas próprias em detrimento da população. Neste sábado (10) Século Diário demonstrou que o efetivo da Polícia Militar ainda está aquém do que recomenda a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública em 2011 o Estado tinha 7.917 policiais militares – que são os responsáveis pelo policiamento ostensivo –, sendo que o ideal seria cerca de 14 mil. A distribuição desigual deste efetivo insuficiente também f0oi lembrada nos comentários, assim como a falta de nomeação de policiais militares aprovados em concurso de 1996.
Hartung sai derrotado da eleição e agora vira ???caroneiro??? em Vitória
Renata Oliveira e Nerter Samora Além de uma ocupação em massa na prefeitura de Vila Velha, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tenta se aproximar do prefeito de Vitória, colando seu selo nos nomes que compõem a equipe de transição na Capital. Papo de Repórter analisa os movimentos pós-eleição do ex-governador. Renata – Um dos fatos mais curiosos da semana foi sem dúvida a penetração do sistema Paulo Hartung nas movimentações dos prefeitos eleitos de Vitória e Vila Velha. Tanto na equipe do prefeito da Capital, Luciano Rezende (PPS), quanto na de Rodney Miranda o DNA de Hartung está impresso, seja de forma modesta ou escancarada. Isso mostra que o jogo político não acabou para o ex-governador. Ele ainda busca espaço de sobrevivência enquanto estuda uma maneira de reestruturar seu sistema político. Nerter – Com o final do segundo turno das eleições municipais, a derrota de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) em Vitória, o mercado político avaliou que Paulo Hartung era carta fora do baralho e que o desgaste trazido pela derrota do aliado colocaria fim em suas pretensões futuras. Mero engano. Conhecendo os movimentos do ex-governador, ele deu uma demonstração de força ao colocar aliados nas equipes de governo das duas cidades mais importantes do Estado. Isso tudo serviu para mostrar que o jogo não acabou para Hartung em 28 de outubro, e que ele ainda busca uma recolocação no páreo. Renata – No caso de Vitória, a participação de Hartung é mais modesta na montagem da equipe de transição de Luciano Rezende. Na verdade ficou a impressão de que não foi ele quem articulou a entrada desses aliados e sim pegou carona, tentando colar seu selo nesses nomes. No dia seguinte ao anúncio da equipe de transição de Luciano, as notinhas da “Agência de Boatos PH” é que se encarregaram de fazer a ligação entre o cara da CST e Robinho ao ex-governador. Nerter – Em Vila Velha, a coisa foi bem mais clara. Hartung é a quem conduzirá a montagem de governo de Rodney Miranda e a presença de Anselmo Tozi, ex-secretário de Saúde; e Haroldo Rocha, ex-secretário de Educação garantem a presença permanente do ex-governador na equipe, já que eles devem ocupar secretarias da prefeitura de Vila Velha, depois que Rodney Miranda assumir, no dia 1º de janeiro. Aliás, a participação ativa do ex-governador na campanha do demista não se encerrou com as eleições. Para quem acompanha as movimentações da política canela-verde fica claro que Hartung está trabalhando – e muito – na montagem do secretariado do prefeito eleito… Renata – Essa diferença da atuação do ex-governador nas movimentações iniciais nos dois municípios vem do comportamento de cada um dos novos prefeitos em relação ao ex-governador no período de campanha e pré-campanha. Em Vila Velha, Rodney fez questão de deixar a porta escancarada para que Hartung tome conta da prefeitura. Rodney não é político profissional, como ele mesmo diz. Nerter – É verdade, mas ele também não é total fracasso quando se fala em articulação política. Não dá para subestimar o demista, que emplacou, não apenas na Assembleia, mas também como presidente regional do DEM. É claro que Rodney não teria dentro de seu partido e do arco de alianças que montou para o pleito uma disposição de nomes para ocupar a prefeitura. Também fica evidente que ele não deixaria de fora pessoas que fizeram parte do único circulo político que ele frequentou no Estado, que é o do governo do qual fez parte. Ele é um fruto do sistema de Hartung e não teria como governar Vila Velha buscando outro tipo de parcerias. Além disso, depois das derrotas sofridas na eleição deste ano, não sobra muito espaço para os aliados de Hartung, senão uma ocupação em massa da prefeitura de Vila Velha. Renata – Já em Vitória há problemas de relacionamento entre o prefeito eleito e o ex-governador desde o período eleitoral. Luciano foi o primeiro a se colocar à disposição de Paulo Hartung, caso o ex-governador quisesse ser o candidato de consenso, mas, queria ser o vice. Como surgiu, em um determinado período, a história de que o vice de Hartung seria do PT, Luciano não gostou do tratamento dispensado e Luiz Paulo não gostou. Os dois mantiveram suas candidaturas e Hartung ficou irritado. Nerter – Apesar da relação sempre muito respeitosa entre Luciano e Hartung, os dois não são mais os melhores amigos. Mas a necessidade do ex-governador em se manter no jogo político fez com que seus aliados tentassem criar um cenário artificial de que a vitória de Luciano, de certa forma, tem o dedo de Hartung, por conta de uma relação que ficou em um passado distante. Não colou, já que Hartung, também por necessidade, teve que declarar apoio a Luiz Paulo e fez campanha ostensiva para o tucano. Tentar colar sua imagem em Luciano agora não tem eficácia alguma. Aliás, alguns comentários aqui no jornal eram de que a única forma que Hartung ajudou Luciano foi fazendo campanha para Luiz Paulo, o que prejudicou o palanque do tucano. Renata – Como você disse no início desse papo, o jogo não acabou com a eleição deste ano. Hartung está em desvantagem, porque apesar de sua movimentação, colando os selos nas duas equipes, o fato concreto é que lhe restou apenas a prefeitura de Vila Velha como espaço político. Ele vai tomar conta da prefeitura e garantir que Rodney tenha um desempenho satisfatório neste início de mandato, porque isso lhe trará musculatura política. Dentro desse movimento, há um sentimento no mercado político, que o grupo dele resgate o discurso maniqueísta no município para criar um fato político que justifique sua reinserção no cenário político com o discurso de salvador da pátria, que garantiu seus dois mandatos no governo do Estado. Nerter – Já o governador Renato Casagrande deve buscar uma aproximação muito forte com o prefeito da Capital. Se Luciano Rezende tiver um desempenho bom nos dois próximos anos, isso aumenta a capilaridade política do governador também, já que Casagrande foi um importante
Capixabas
Espírito Santo ocupa o terceiro lugar na lista dos maiores consumidores de agrotóxicos do País.A astronômica cifra de 17 milhões de quilos é quanto os capixabas comeram de agrotóxicos durante este ano. A conta é feita a partir do consumo médio de agrotóxicos por pessoa no país, de 5,2 quilos, multiplicado pela população capixaba, de 3.514.952 habitantes. O Espírito Santo ocupa o terceiro lugar na lista dos maiores consumidores de agrotóxicos do País. O consumo crescente de venenos agrícolas revolta dos produtores que plantam de modo natural. Para denunciar o problema, um conjunto de organizações da sociedade civil aliadas à Via Campesina lançou no ano passado a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O Espírito Santo se destacou no final de 2011, no ranking da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) revelou teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados no Estado. Do total pesquisado nesta ocasião, 27,4% dos alimentos se encontram com alto teor de contaminação. Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor mundial de venenos. O consumo médio nacional é 5,2 kg de veneno por pessoa e gera gasto para o país da ordem de 9 bilhões de dólares, sem contar o que tem de ser empregado para tratar as doenças causadas às pessoas que manipulam e consomem os venenos. Esta semana, o senador Waldemir Moka (PMDB) denunciou na Comissão de Agricultura (CRA) que os agrônomos estão sendo contratados por empresas do ramos de agrotóxicos e fertilizantes com salários atrelados a metas de venda desses produtos a agricultores. Considerando o consumo por pessoa no país, de 5,2 quilos, a posição do Espírito Santo no ranking nacional de consumo, e que em 2010 a população do Estado alcançou 3.514.952 habitantes (com população estimada pelo IBGE em 3.578.067 pessoas em 2012) o veneno ingerido pelo capixaba sobe atinge 17 milhões de quilos por ano. Situação que alarma. Se gasta muito na promoção dos venenos, considera um dos coordenadores estaduais do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Leomar Honorato Lírio. Ele destacou, entre outros, o elevado consumo de Round up (glifosato) e 2,4 D, os herbicidas mais utilizados nas culturas de banana, café e na capina química. “O que se gasta para liquidar o meio ambiente com contaminação e para tratamento da saúde das pessoas contaminadas com venenos, se fosse usado na produção natural, sem agrotóxicos, daria com sobra para a reforma agrária que propomos”, diz o dirigente. Não só a saúde humana é destruída pelos agrotóxicos. O impacto sobre o meio ambiente é grande, com a contaminação da água, ar, solo e redução da biodiversidade.
Agência espanhola irá iniciar cronograma para o desenvolvimento metropolitano
A Região Metropolitana da Grande Vitória deverá participar da agenda do Plano ES 2030, com a ajuda espanhola. A Agência Espanhola Barcelona Regional será a responsável por elaborar o cronograma das ações previstas para os próximos 18 anos para desenvolver as áreas estruturais da Grande Vitória. A proposta é criar uma agenda que inclua a Grande Vitória no Plano ES 2030, do governo estadual, a partir da compilação dos dados que já existem nas secretarias municipais e estaduais. A Agência deve também elaborar novos estudos para permitir a projeção do que será construído nos próximos anos na Região Metropolitana O próximo passo, já em 2013, será montar uma equipe técnica com a participação de representantes da Agência Barcelona Regional e a realização de workshops temáticos, de acordo com as áreas prioritárias. Willy Müller e Alex Rocabert, respectivamente diretor-presidente e relações internacionais da Barcelona Regional, devem se reunir com o vereador Serjão Magalhães (PSB), que intermediou o encontro, além do consultor internacional Frederico Moncorvo. Segundo o vereador Serjão, “deve ser criada uma equipe política, formada por prefeitos e secretários, e uma técnica, que não seja alterada a cada eleição, para que os projetos não sejam interrompidos”. A discussão levantou temas considerados fundamentais para o desenvolvimento de Cariacica, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória, como meio ambiente, mobilidade urbana, saneamento básico e urbanismo.
Morre o homem que executou o tenente José Scárdua
Morreu e foi enterrado em território baiano, em Guaratinga, aos 64 anos de idade, José Pinto da Rosa, que organizou e comandou o assassinato de um dos homens mais temidos da história da valentia no Espírito Santo: o tenente José Scárdua. A morte dele foi programa pela família de Antonio Pinto, cujo o assassinato foi atribuído a Scárdua, como resultado de divergências entre facções que pertenciam ao Sindicato do Crime e que comandou, dos anos 1950 a meados dos nos 1970, os crimes nas regiões do Vale do Rio Doce e norte do Espírito Santo. Como o diabo gosta Atribulada vida de José Scárdua, matador implacável Em matéria de mortes, ele só não superou o Coronel Bimbim (SÉCULO nº 21). Mas, em compensação, no que tange a execuções, nenhum outro bamba do gatilho ganhou dele. Não era do seu estilo encomendar mortes, como fazia Bimbim. Ele mesmo costumava fazer o serviço. E suas mortes tinham sempre uma marca inconfundível: um certeiro tiro na cabeça. Esse matador implacável, que aterrorizou o sertão capixaba por quase três décadas, do final de 40 e mais 50 e 60, atendia pelo nome de tenente José Scárdua. Se o Coronel Bimbim, com o qual se juntou em muitos episódios de violência, era o rei do crime, certamente o tenente poderia até ter sido o seu príncipe regente. [Leia Mais] Antonio Pinto, tio do autor da morte de Scárdua, era fazendeiro de Baixo Guandu, que, na época, era considerado a sede dessa organização criminosa, e encontrava-se em conflito com o grupo do fazendeiro Josélio Barros, ao qual pertencia o tenente José Scárdua. Antonio Pinto foi assassinado em 1971 e José Pinto da Rosa comandou a morte do tenente Scárdua, em 1973. Antonio Pinto foi morto numa tocaia armada pelo tenente José Scárdua, enquanto Scárdua foi assassinado dentro de Vitória, numa manhã sábado, do mês de fevereiro de 1973. Em plena Vila Rubim, quando se encontrava numa barbearia na rua São João. Para matá-lo, o sobrinho de Antonio Pinto, idealizou um plano que acabou dando certo: um pistoleiro disfarçado de mendigo aproximou-se da barbearia para pedir esmolas. Na hora, Scárdua olhou para ele e deu as costas, com alguma repugnância. Nas mãos do mendigo havia um saco e, dentro dele, um revólver 38 engatilhado. O tiro do mendigo estrondo-lhe a nuca e saiu pelos olhos. Ele chegou a esboçar sacar o seu 38 SW. Mas em vão. José Pinto da Rosa, tinha apenas 25 anos de idade quando esteve à frente de uma execução que selou, definitivamente, o fim do Sindicato do Crime no Estado. Pois depois dele, Josélio Barros tomou o rumo da Amazônia, e Josér Pinto seguiu, na companhia de seu pai, irmão de Antonio Pinto, de nome João, para a Bahia instalando-se nas regiões de Guaratinga e Itabela. Quando escrevi a história de José Scárdua (leia ao lado), falei de seu assassinato como diferente da morte que ele havia programado para si: que seria em duelo contra o seu principal inimigo. Mas acabou morrendo nas mãos de um pistoleiro disfarçado de mendigo. Na cartilha dos justiceiros é desonroso se morto por um “pé de chinelo”, que dirá por um pistoleiro que não tem a coragem de mostrar o rosto.
Incerteza sobre disputa à presidência da Assembleia
O governador Renato Casagrande tem até fevereiro para encontrar um nome no plenário da Assembleia que atenda aos interesses dos deputados e que não crie problemas para o Executivo. Isso porque, a expectativa de que a PEC que reconduziria Theodorico Ferraço (DEM) à presidência da Casa parece que não vai se concretizar. Com ele fora do páreo, as movimentações na Casa devem se intensificar. A perda de dois membros do DEM e a chegada de mais um na bancada do PT, mudam a configuração do plenário, que ainda vai receber cinco suplentes dos prefeitos eleitos nas disputas municipais deste ano. Por isso, ainda que a PEC fosse aprovada até fim do ano, não há garantia de que Ferraço conseguiria se reeleger. Isso porque, o governador Renato Casagrande não é entusiasta da ideia e saiu fortalecido da disputa municipal, o que influencia na decisão dos deputados sobre a eleição da Assembleia. Para os meios políticos, o governo poderia ter interesse em dar uma compensação a Ferraço, depois do resultado da eleição deste ano em que ele saiu enfraquecido. Mas, para os meios políticos, essa movimentação não estaria acontecendo, já que o abono de R$ 2 mil para os servidores transpareceu como uma despedida de Ferraço do cargo. Isso abre a discussão sobre quem será o escolhido de Casagrande. Para Ferraço, o nome de Roberto Carlos (PT) seria palatável. Ele também não desagrada ao Palácio Anchieta. Mas é preciso a movimentação do plenário. Entre os nomes que poderiam se credenciar para a disputa, o que lidera a lista é o presidente da Comissão de Finanças, Sergio Borges (PMDB). Mas depois de uma condenação no Tribunal de Justiça, o deputado ficou desgastado, mesmo com os parlamentares entendendo que o caso de Borges foi causado por perseguição política, o plenário não arriscaria eleger um nome que teve problemas com a Justiça. Outro nome que também pode se credenciar é Claudio Vereza (PT). Embora já tenha sido presidente da Casa, os laços familiares com o prefeito de Vitória podem chamar a atenção do governador, interessado em manter em alta a parceira com o município. Luzia Toledo (PMDB) também é uma parlamentar que não desagrada nem ao Executivo nem o Legislativo. Ela tem uma postura de evitar atritos políticos com a situação e com os colegas, que facilita seu trânsito nos dois poderes. O mês que antecede o recesso parlamentar deve ser bastante agitado na Assembleia para a discussão sobre o processo de escolha do novo presidente. Discussão que deve também entrar janeiro. Uma coisa é certa: os parlamentares vão procurar um nome que fortaleça o legislativo e o governador um nome que não coloque obstáculos aos projetos do Executivo.
Transição incompleta
O espetáculo das eleições, que desperta paixões, principalmente, nas cidades do interior , combinado com uma lembrança histórica da luta nacional pela retomada do direito de votar em todos níveis, personificada num movimento ocorrido quando metade dos brasileiros de hoje sequer era nascida, o “Diretas Já”, em 1984, ofusca nossa visão e não enxergamos que democracia é muito mais do que ter o direito de votar. Isso ficou latente, para um grupo restrito de pessoas que participaram de um seminário, promovido esta semana em Vitória, cujo próprio nome já soou estranho, em princípio: O Poder Judiciário e a Justiça de Transição. Em primeiro lugar, existe uma noção equivocada de que esse tipo de evento promovido no âmbito do Judiciário é voltado apenas para o público interno. Não é. A sociedade sempre reclamou da dificuldade de acesso ao Judiciário e, em dado momento, até o Presidente da República anterior disse que “precisamos abrir a caixa preta do Poder Judiciário”. Lula tinha lá suas razões históricas, como todos nós, e de fato a própria arquitetura dos Palácios de Justiça projetava essa ideia, mas é preciso compreender os avanços extremamente importantes quando se pretende que o País seja uma democracia. Justiça de Transição, que bicho é esse? Às vezes sequer tentamos entender as palavras, ou elas nos soam mesmo muito distantes. Como a ditadura acabou há quase 30 anos, ficamos pensando que somos um pleno estado democrático de direito porque podemos votar e ser votados, sem restrições. Mas a vida não se resume a festivais, como proclamou, em pleno regime de arbítrio, o compositor Geraldo Vandré, antes de ser barbarizado pelo regime, como tantos outros brasileiros. O seminário de quarta, quinta e sexta, a exemplo de outro na segunda e terça, colocou o Espírito Santo na rota dos grandes temas da humanidade. E isso não é força de expressão, é real. Qualquer curioso que ler a relação dos palestrantes nos dois eventos vai perceber que, nesses cinco dias, passaram pelo Espírito Santo algumas das mentes mais brilhantes do Planeta, nacionais e estrangeiras. E a gente não aproveitou quase nada. Sim, mas Justiça de Transição, que bicho é esse? Eu mesmo me fiz essa pergunta, sem refletir para o significado das palavras. E, como nos tempos de produção de “Caparaó: a primeira guerrilha contra a ditadura”, fui conferir e fiquei atônito com tanta coisa que a gente não conhec e. E isso foi proposital, razão ainda maior para que se discutam assuntos que sequer ventilávamos. A primeira coisa que aprendi – e já teria valido à pena, se eu não tivesse bebido de fontes como o ministro Alejandro Sólis, o jovem secretário nacional da Justiça Paulo Abrão, o surpreendente Marcelo Torelly, o instigante Leonardo Filipini, o incansável procurador Marlon Weichert, as brilhantes cientistas sociais Lorena Balardini e Cath Collins, o irrequieto brasilianista Anthony Pereira e os lúcidos professores Eneá de Stutz e José Bittencourt – é que justiça é diferente de Judiciário. Esse aprendizado fez-me até compreender melhor as palavras do mestre galileu quando disse que seríamos bem-aventurados quando tivéssemos fome e sede de justiça, porque seríamos fartos. Judiciário é sistema, justiça é direito humano. O sistema existe por causa do direito. Se não se aperfeiçoa para dar essas garantias, não será a justiça a ser reformada, mas o sistema. Quanto mais a gente escuta as vozes de mentes que evoluíram no sentido da valorização da vida humana, mais a vida adquire valor pela elucidação de seus valores. O estado democrático de direito é um valor defendido por essas mentes, que não conhecem fronteiras geográficas e nem políticas, mas viajam no universo da alma humana coletivizada num substantivo derivado: humanidade. O ritmo diário, na luta pela sobrevivência, leva-nos a uma alienação em relação a valores como a democracia plena. Por isso, cada vez mais advogo a tese de Domenico de Masi de que necessitamos do ócio para despertarmos nossa criatividade. Óbvio, isso não agrada a quem detém o status quo, mas o que é o status quo sem as pessoas? O que acabei por descobrir é que estava enganado sobre o pleno estado democrático de direito e ainda há muito a conquistar. Como ensinou, há quase 100 anos, o genial Napoleon Hill, minha mente mestra mudou. José Caldas da Costa é jornalista, licenciado em Geografia. Escreve neste espaço como colaborador nos finais de semana. Contatos: caldasjornalista@gmail.com
Pesaram
As Centrais de Boatos, novidades das eleições no Estado, que fizeram vítimas principalmente na Grande Vitória, causarão mais tombos em 2014. Assim como o outro instrumento que esteve presente na disputa deste ano, as redes sociais. Um dos atingidos dessa vez foi o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, derrotado à prefeitura de Vitória, que explorou o assunto à exaustão. Berrou, denunciou, mas não conseguiu se livrar. Em Cariacica, o candidato do PMDB, Marcelo Santos, também derrotado, despencou da primeira posição quando pegou nele o boato de “almofadinha”, que passava pelas ruas do município de carro, com o vidro fechado, para não ver o povo, enquanto o adversário, o prefeito eleito, Juninho (PPS), era o cara do pé no chão, com o povo. Deu no que deu… Pioneiro Antes das Centrais chegarem para eleições deste ano, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) já operava uma delas ainda quando deputado federal. Apronta com esse instrumento, aliás, há longo tempo. Distantes Figuras com ligação política ao prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), reproduzem ainda hoje, com absoluta fidelidade, a frase do descarte de Hartung à candidatura dele: “Vem conosco para apoiar o Luiz Paulo que nós vamos liquidar as eleições ainda no primeiro turno”. De sola Luciano não só resistiu como também saiu desse encontro consciente de que o ex-governador não era mais uma boa companhia política. Pois quando ele quis ser candidato único em Vitória, o prefeito eleito foi o único que se dispôs a abrir mão da candidatura. Nada de ruptura, mas andar junto não dá mais. Se não fosse o governador Renato Casagrande e o prefeito de Vila velha, Neucimar Fraga (PR), Luciano estaria no vinagre. Uma ova! Quem pensa que o prefeito eleito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), é um caso isolado e de pouca cobertura, pela inexpressividade do seu partido, anda redondamente enganado. O DEM tem, por exemplo, dois conselheiros no Tribunal de Contas que foram presidentes do partido: Sérgio Aboudib e José Antônio Pimentel. Para qualquer prefeito é vital estar bem com o TCE. Ruído A propósito, políticos antigos de Vila Velha que apoiaram a candidatura de Rodney e já se sentem dentro do governo, podem cair do cavalo. No alçapão E olha que a lista não é tão grande: o vereador Jonimar Santos Oliveira (PDT), os ex-deputados estaduais Délio Iglesas e Reginaldo Almeida, mais Amarildo Lovatti, Diogo Filadelfio e o ex-comunista Felício Corrêa. Além de outros de menor calibre político. Bamba na melodia Em compensação, o novo prefeito vai conhecer uma Câmara de Vereadores escorregadia, sob a batuta de um maestro que a dirige na harmonia: Ivan Carlini (PR). O que não vai faltar é casca de banana no caminho. A não ser que entre no jogo. Freguês Tudo indica que o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) vai ser jantado mais uma vez numa eleição do diretório do seu partido em Vila Velha. Eleição com prazo para ocorrer até o dia 25, deve reconduzir o vereador Andinho Almeida à presidência do diretório. PENSAMENTO: “Fale suavemente e carregue um grande porrete”. Theodore Roosevelt
O retrato do rei
Em 1965, Pelé e o Santos foram a Vitória jogar com o Santo Antônio e Michel Sily, meu marido e então presidente do clube, foi o mentor da ousada façanha. Grande surpresa, o Santo Antônio não ganhou, mas nem tudo se perdeu – o jogo entrou para os anais da história capixaba porque Pelé nunca mais pôs os sagrados pés no Espírito Santo. Minha interação com o atleta do século foi mínima, por motivo de felicidade: na mesma data nascia meu primeiro filho. Nosso relacionamento com o mais famoso brasileiro acabaria aí, não fosse por um poster onde o Rei posa para a posteridade ao lado de Michel. De sangue e alma libaneses, meu marido é um nômade irriquieto. Em 50 anos de casamento moramos em 10 ruas de Vitória, duas cidades no estado, cinco estados no Brasil e dois nos Estados Unidos. O poster tem nos acompanhado em toda essa jornada, e criou sua própria história. Na mesma época em que moramos em Colúmbia, Estados Unidos, Pelé chegou ao Cosmos e ficou famoso em um país avesso ao futebol. Nosso poster na sala virou atração turística. Michel fazia mestrado em uma universidade e morávamos no campus; era comum estudantes amigos e/ou desconhecidos baterem à nossa porta para ‘ver o Pelé’. E a pergunta era sempre a mesma: “É você nessa foto?” Pergunta redundante, pois com 12 anos entre a foto e o fato, as diferenças eram mínimas. Mas todos achavam difícil acreditar que estavam diante de alguém que conhecia tal celebridade. A universidade tinha grande número de estudantes estrangeiros, e lembro particularmente de um francês olhando a foto como se fosse um ícone milagroso: “Com Pelé o campo parece ser de veludo, e a bola parece ser feita de espuma”. Choramos com ele, para dar apoio moral. Uma filha de Pelé nasceu nos Estados Unidos e se chama Jennifer; minha filha nasceu poucos dias antes, e também se chama Jennifer. Poderia ser coincidência, mas na época o nome era uma epidemia. Acho que é o único nome que teve modismo – veio e passou; todas as Jennifers são mais ou menos da mesma idade. Para reforçar o orçametno eu tomava conta de crianças em casa, e a maioria das meninas se chamavam Jennifer. Uma filha americana não poderia escapar a essa onda. O tempo passou e o poster do Pelé continuou fazendo história. Em Vitória, nossa janela aberta na Marcondes de Souza mostrava aos passantes o poster entronizado na parede da sala. Não foram poucas as pessoas que batiam apenas para perguntar a Michel, “É você com o Pelé?” Também ajudava na localização, “Fácil de achar, é a casa com o poster do Pelé”. Certa vez alguém bateu, era uma pessoa amiga que não víamos há anos, e passando na rua por acaso, viu o poster e nos achou. Era um tempo sem Facebook. Miami não escapou ao fascínio de Pelé. O parque em que fazemos nossas caminhadas matinais pertence à Associação de Futebol Amador de Miami. Tem pista para caminhada, playground, um clube com salão de festas e salão de jogos, área de skate e dois imensos gramados usados por times amadores ou improvisados. As aulas de futebol para crianças estão sempre lotadas. Tem também dois sofisticados campos de basebol, quase sempre vazios. Estamos em Miami, gente. Às vezes Michel para e assiste algum jogo, e conversa puxa conversa, sempre acha um jeito de contar que conheceu Pelé. Pessoalmente. E como nãof alta quem duvide, é comum vê-lo correr em casa para buscar uma foto em tamanho menor do famoso poster, devidamente autografada pelo craque, para mostrar aos incrédulos. Uma vez pararam o jogo, os dois times queriam ver, “Esse é você?” o espanto. Depois de 35 anos, o cara com fartos cabelos ao lado do Pelé tem que ser firme, “Sou eu, claro; olha a dedicatória!”
Doce pecado
Por volta de 1503, o toscano Michelangelo recebeu do Papa Julio II a encomenda de decorar seu mausoléu, Contra sua vontade, foi ainda convencido a pintar o teto da Capela Sistina. Contudo, cenas como “A Criação de Adão e Eva” e “A expulsão do Paraíso” foram motivos de muita polêmica, por apresentarem corpos nus. “Maja desnuda”, do espanhol Francisco Goya, pintada entre os anos de 1797 a 1800, foi outra obra que rendeu muita dor de cabeça pois, pela primeira vez na história da arte, uma mulher era representada com os pêlos pubianos à mostra. O caso foi tão complicado que, no ano de 1815, Goya teve que se explicar diante da Santa Inquisição Espanhola. Na fotografia as coisas também não foram diferentes. Oscar Gustave Rejlander (veja o artigo Photoshop antes do Photoshop), quando expôs sua principal obra, “Duas Formas de Vida”, em 1857, foi censurado e teve que cobrir sua fotografia com um pano preto. Os visitantes eram advertidos do conteúdo da imagem antes de abrirem a cortina. A polêmica só teve fim quando a rainha Victória, da Inglaterra, comprou a obra. Entre muitos outros incidentes desse tipo, um caso mais recente envolveu o fotógrafo Robert Mapplethorpe, que em 1989 teve sérios problemas com deputados americanos, revoltados com os nus masculinos apresentados numa exposição em Washington. Porém, engana-se quem imagina que a exposição de corpos nus já não choca ninguém. Essa semana, uma estudante de uma universidade americana, realizando seu projeto final de graduação, teve todo seu trabalho censurado, tendo que refazê-lo na última hora. Tudo porque seu trabalho é um foto-documentário sobre as atividades das strippers americanas. Nada de sexo ou nudez explícita contra ela. A alegação foi de que a fotografia possui um referencial mais direto e explícito com a realidade do que as outras artes e, por isso, ainda consegue “pecar”. A imagem da semana é O Assassinato de Inejiro Asanuma, em 1960 no Japão. A imagem foi feita pelo fotógrafo, Yasushi Nagao, instantes depois de do extremista de direita desferir o golpe fatal diante das cameras de TV, e ganhou o Pulitzer Price no mesmo ano. Glauco Frizzera é fotógrafo com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Bussiness and Administration, é vencedor do prestigiado Prêmio Photoshop Guru Award. Visite o site glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para contact@glaucofrizzera.com