O livro é uma investigação da cultura clubber, que se disseminou pela noite de todas as grandes cidades do mundo na década de 1990. É também um ensaio sobre o modo de funcionamento atual da indústria do entretenimento, a partir de um filme emblemático como Corra, Lola, corra (1998), dirigido por Tom Tykwer, e de estadias em Berlim, cenário do filme, para conhecer a rotina dos freqüentadores do mítico bar Panorama. Para o autor, que em sua análise combina marxismo e psicanálise, as utopias de 1968 e suas experiências liberadoras – uso hedonista do corpo, recusa aos ritmos do trabalho industrial e ampliação da consciência pelas drogas – foram recicladas pelo presente em uma forma ainda mais aprisionante de alienação. Serviço A música do tempo infinito Tales A. M. Ab Sáber Cosac Naify 160 páginas R$ 45 em média
Discurso de oposição favoreceu reeleição de vereadores em Vitória
A rejeição à administração do prefeito João Coser (PT) afetou também a disputa proporcional. A composição da nova Câmara, que toma posse em 2013, mostra que os vereadores mais ligados ao prefeito não conseguiram se reeleger. Já aqueles que adotaram durante o mandato uma postura mais afastada da base tiveram um desempenho eleitoral melhor. Exemplo disso é o fato de os vereadores de oposição terem sido os mais bem votado. Com 8.955 votos, o popular socialista Fabrício Gandini sempre teve uma postura mais dura contra a administração. Max Da Mata (PSD) foi o segundo colocado, com 6.572 votos. Embora mais ameno em seu embate com o prefeito, ele também adotou a postura oposicionista na Câmara. Ao todo, oito vereadores se reelegeram. Além de Gandini e de Max Da Mata, Serjão Magalhães (PSB) também tinha atrito com o prefeito. A tucana Neuzinha Oliveira nunca fez uma oposição à prefeitura, mas também não era uma defensora da administração na Câmara. Outro que oscilava era Namy Chequer (PCdoB). Luisinho Coutinho (PDT) ficou porque fez votos de chegada. Bolão (PT), como presidente da Casa tinha uma visibilidade que lhe garantiu a reeleição, além disso, ele não é um político do grupo do prefeito dentro do PT. O líder do governo, Zezito Maio (PMDB) se reelegeu, mas com muita dificuldade. Os sete vereadores ficaram fora da Casa, além dos problemas com o peso das legendas, também tem como ponto comum, o fato de serem os mais aguerridos na base do prefeito. Entre eles está Fabio Lube (PDT), que recebeu o apoio da administração na eleição. O vereador Eliezer Tavares (PT) o nome na Casa mais ligado ao prefeito, foi secretário e tinha todo o apoio do prefeito na campanha à reeleição, assim como o também petista Zecarlinhos, que entrou este ano na suplência de Esmael Almeida (PMDB). Outro secretário municipal que não conseguiu ficar na Câmara é o socialista Sérgio Sá. Ademar Rocha (PTdoB), Aloísio Varejão (PSDB) e Dermival Galvão (PMDB) completam a lista de vereadores da base que não ser reelegeram. No lugar deles entram Luiz Emanuel (PSDB), Marcelão (PT), Davi Esmael (PSB), Wanderson Marinho (PRP), Vinícius Simões (PPS), Devanir Ferreira (PRB) e Rogerinho (PHS).
Balanço da eleição 2012 afeta também a bancada capixaba
Direta ou indiretamente, a bancada capixaba atuou na eleição 2012 em vários municípios do Estado. Como a maioria das lideranças políticas do Estado, o resultado das eleições deste ano também afetará o futuro político dos parlamentares. Diretamente, apenas dois deputados federais participaram da eleição: Audifax Barcelos (PSB) e Iriny Lopes (PT). Audifax foi eleito prefeito na Serra e vai comandar o segundo maior colégio eleitoral do Estado, com o apoio do governador Renato Casagrande. A deputada Iriny Lopes perdeu a eleição em Vitória, mas conseguiu se fortalecer politicamente, tanto pelo enfrentamento interno com as lideranças que defendiam a saída do PT da disputa quanto pela defesa da proposta petista durante a eleição. Sua ligação com a presidente Dilma Rousseff, também a fortalece para o jogo político futuro, apesar da queda de capital do PT no Estado. O presidente do PMDB, Lelo Coimbra, comemorou o desempenho do partido, apesar de sua sigla ter saído enfraquecida da disputa deste ano. Além de ter reduzido quase pela metade o número de prefeitos no Estado, o PMDB viu a diminuição da capilaridade de sua principal liderança, o ex-governador Paulo Hartung, de quem Lelo depende politicamente. O deputado federal Cesar Colnago também saiu enfraquecido da disputa. Assim como Lelo, ele preside a sigla no Estado e o desempenho tucano, que sofreu uma redução de 50% em número de prefeituras, caindo de 12 para seis municípios, também deixa o partido em uma situação complicada no jogo político. A vice-presidente da Câmara dos Deputados Rose de Freitas (PMDB), que apoiava um grande número de prefeitos no Estado e sofreu derrotas significativas, mas depois da eleição já começa a recuperar o campo de influência com a aproximação a novos prefeitos. O deputado Paulo Foletto (PSB) poderia ser um dos deputados vencedores deste pleito, mas devido a uma movimentação de seu partido, para acomodar a base do governador Renato Casagrande, saiu da disputa em Colatina e tornou-se uma liderança dependente da força do governo. Nos meios políticos, há quem diga que Foletto pode ser agraciado com a Secretaria de Saúde, assim como Colnago vem sendo cotado para a Secretaria de Agricultura. Mas como essa conversa já havia tomado conta do mercado no início do governo e não se confirmou, há quem duvide dessa manobra. O grupo pedetista na bancada capixaba também não teve um desempenho que fortaleça os parlamentares do partido. A deputada Sueli Vidigal, mulher do prefeito da Serra Sérgio Vidigal, ela terá dificuldades já que o marido não foi reeleito na Serra. O deputado Jorge Silva, que se afastou da disputa em São Mateus, sua principal base, saiu menor com a reeleição de Amadeu Boroto. Já o deputado Carlos Manato, que já foi ligado a Vidigal, agora foi abraçado por Audifax na Serra, o que pode fortalecê-lo para 2014. Outro elemento que deve ser analisado é o deputado federal Camilo Cola (PMDB), que era suplente e assumiu com a licença do socialista. Camilo venceu em Cachoeiro de Itapemirim, com a reeleição do prefeito Carlos Casteglione (PT), mas de uma maneira geral, o PMDB saiu derrotado e com isso, ele também saiu menor. Senado Os senadores capixabas também tiveram participação na disputa deste ano, e suas atuações devem ter influência direta no cenário de 2014. Sem dúvida, o parlamentar que conseguiu maior projeção, mesmo que não da forma desejada, foi o senador Magno Malta (PR). Com acusações sobre sua postura política, ele acabou se transformando em personagem importante da disputa na reta final, sobretudo de Vitória. Com a vitória de Luciano Rezende (PPS), sua imagem acaba fortalecida, ainda que suas bandeiras sejam contestadas, ele ficou no foco da discussão. O senado Ricardo Ferraço (PMDB) acabou frustrando o mercado político que esperava dele mais protagonismo político nos palanques, já que vem sendo apontado como um dos nomes que podem entrar na sucessão estadual em 2014. Com a presença de Paulo Hartung nas campanhas, o senador acabou se apagando na disputa, o que pode prejudicar seu projeto futuro. Já a senadora Ana Rita Esgario (PT) que atuou no período pré-eleitoral, na articulação dos candidatos do partido, sofre com a falta de espaço político dentro do PT, tomado pelos grupos que dominam a sigla no Estado.
Alheios à democracia
É lamentável que nenhum dos deputados, na primeira sessão da Assembleia Legislativa após as eleições, tenha registrado sequer uma nota de repúdio em menção aos ataques de hackers ao jornal Século Diário, ocorrido na véspera das eleições. Não estamos aqui implorando a solidariedade dos parlamentares. Não é nada disso. Mas esperávamos que um dos deputados desse a importância que o episódio merece. Registrar o ataque a um veículo de comunicação que ajuda a escrever a história deste Estado há 13 anos, não é nenhum favor a Século Diário, mas uma obrigação dos parlamentares que se dizem interlocutores do povo e da democracia. Afinal, o jornal produz informação, sobretudo, para os leitores capixabas, uma vez que somos o único jornal do Estado focado na cobertura regional. Cercear o direito do jornal de se expressar, é o mesmo que cercear o acesso do leitor à informação. No entendimento dos parlamentares, porém, o atentado ao jornal é uma ocorrência corriqueira, banal, que não merece tomar o tempo “tão preciso” dos nossos representantes. Os que falaram preferiram saudar com boas-vindas os prefeitos eleitos e elogiar a “festa da democracia”, mesmo sem ter conhecimento da abrangência do termo. Não bastasse a censura imposta pela própria Justiça – para quem ainda não sabe, continuamos sob censura -, o jornal foi vítima de outra forma de cerceamento: o ataque de hackers que tirou do ar o jornal e apagou seu banco de dados. Não fosse um esforço sobre-humano da equipe do jornal para recolocá-lo no ar (depois de mais de cinco horas inativo), estaríamos fora da cobertura das eleições 2012. Justamente um dos veículos que se consolidou como referência na cobertura da política capixaba. O silêncio dos deputados se torna ainda mais “ensurdecedor” quando se acrescenta ao fato a agravante de que o ataque não foi uma mera “brincadeira” de garotos desocupados em busca de diversão. Muito ao contrário, as evidências mostram que o ataque teve conotação política, foi premeditado e profissional. Os criminosos estavam monitorando o jornal desde as primeiras horas do sábado (27), aguardando a publicação da pesquisa de intenção de voto para prefeito de Vila Velha, que apontava empate técnico entre os dois candidatos, para iniciar o ataque. É bom que se registre que as contas de e-mails, senhas de bancos e outros dados pessoais de jornalistas de Século Diário foram hackeados. Ao ignorar o episódio do ataque, a Assembleia admite que pouco se importa com a violação à liberdade de expressão, um dos direitos intrínsecos à democracia. Uma pena.
Área de risco
O resultado da eleição deste ano não foi positivo para o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), situação que se agravou com a eleição de Luciano Rezende (PPS) em Vitória. É um indicativo de que, agora, os destinos de Hartung e de seu grupo estão nas mãos do governador Renato Casagrande. Já há algum tempo circulam comentários de que ocorrerão mudanças no secretariado de Casagrande, a partir do início do ano que vem. Para as possíveis mexidas, porém, será preciso considerar os novos atores da correlação de forças no Estado, como é o caso do PPS. Desde que assumiu, Casagrande mantém hartunguetes nos mais importantes cargos do governo, mas agora terá que contemplar os demais partidos que saíram da eleição com peso maior. Significa, portanto, tirar o pessoal de Hartung, o que complicaria a vida do ex-governador e dos “seus”. Neste caso, o grupo só terá a prefeitura de Vila Velha para absorvê-los. Mas na administração municipal, não há cargos importantes e estratégicos como os ocupados hoje. Resumindo: danou-se! Pagando pra ver Interessante o prefeito eleito em Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), colocar como primeira medida de seu governo a redução dos comissionados. Mas não foi o demista quem mais criou esses cargos na Secretaria de Estado de Segurança? Se restar a ele abrigar os hartunguetes ainda, imaginem…a promessa vai virar dívida. Destino Por falar nisso, qual será a próxima parada de João Felício Scárdua, depois da prefeitura da Serra? Quem vai comprar o passe daquele que mais rodou órgãos públicos do Estado? A conferir. Forçou Hartung aparecer na coluna Victor Hugo, em A Gazeta, nesta segunda-feira (29), dizendo que não foi derrotado junto com Luiz Paulo Vellozo Lucas e que o tucano saiu do pleito mais forte e musculoso, se credenciando para 2014, foi o suprassumo da eleição. Corpo mole Diante desse cenário ruim para o PSDB, vai ser difícil entender se o partido não brigar pela outra vaga na Assembleia, deixando-a para o ex-deputado Paulo Roberto (PMDB). O peemedebista seria o dono da cadeira, mas saiu do PMN. Os tucanos podem reivindicá-la, valendo-se da interpretação de que a vaga é do partido e não do candidato eleito. Mas não parecem muito animados. High society Hartung, aliás, continua circulando pelos eventos da “nata” da sociedade capixaba. Na semana passada, foi um dos convidados de honra da festa de 50 anos do empreiteiro Wilmar Barroso Filho, dono da Empreiteira Araribóia. Só para lembrar, essa é a mesma empresa que faturou R$ 25 milhões para as obras do posto fiscal de Mimoso do Sul, que não saíram do papel durante o governo passado. Muy amigo… Crime O hacker que invadiu Século Diário na madrugada de sábado (27), véspera da eleição, e que criou um Twitter “fake” (Abravanel Senor) manifestando autoria no ataque, por onde também fazia ameaças, deletou a página na rede social nesse domingo (28). Cumpriu seu objetivo, motivado por interesses políticos. Investigação, já! Crime II Além de impedir o trabalho jornalístico e corromper nosso banco de dados, o criminoso invadiu computadores da diretoria e da área técnica de Século Diário, capturando senhas e emails. Um atentado à liberdade de expressão e à privacidade, que não pode passar em branco. Estamos em cima. 140 toques “Semana tensa em Brasília com a possível votação do projeto que retira royalties do nosso ES”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição”. Marquês de Maricá
Findou-se a Era Hartung
Com o resultado do segundo turno, a política capixaba passa a ter um novo retrato. A vitória do deputado estadual Luciano Rezende (PPS) em Vitória era tudo que o governador Renato Casagrande necessitava para tomar as rédeas da política. E foi um encaixe perfeito: acabou com esse troca, na prefeitura da Capital, entre PSDB e PT, que já durava 24 anos. O PSDB, com a derrota de Luiz Paulo Vellozo Lucas, sai moribundo do pleito. O PT nem tanto, mas o suficiente para não pensar tão cedo em recuperar a prefeitura. Quem mais se “ferrou”, porém, foi o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). A vitória do seu ex-secretário de Segurança Rodney Miranda(DEM), em Vila Velha, patrocinado por ele, não é o suficiente para atenuar as perdas impostas pela vitória de Luciano Rezende, somado a outros resultados do primeiro turno, como por exemplo a derrota em Linhares, do seu aliado Guerino Zanon (PMDB). Foi-se, então, por água a baixo, o projeto de reunir, no PSDB, toda a trupe hartunguete para tocar o seu projeto de poder idealizado para chegar a 2025. Ficou, inclusive, sem solução para deixar o PMDB, onde fervilha o clima dos históricos contra a sua permanência no partido. Nesse resultado desastroso para Hartung, está a mão pesada do atual governador, Renato Casagrande, com a reintrodução da democracia no Estado, interrompendo oito anos de um regime de exceção com o qual PH elegia os prefeitos ao seu bel-prazer político. A mudança promovida por Casagrande é de tal profundidade, que trocou até os partidos do andar de cima. Ocupam agora as primeiras posições o PSB, do governador, e o PPS, com Luciano, em Vitória, e Juninho, em Cariacica. Há quem possa querer incluir o DEM. Mas não há condições. Não é um prefeito, com a mente policialesca de Rodney Miranda, e seus truques, tramas e intimidação que proporcionaria tal regalia ao seu desidratado partido. Alem do mais, naufraga em águas profundas a sua estrela maior, o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e atual presidente da Assembleia Theodorico Ferraço. Findou-se a Era Paulo Hartung. Recomeça o Espírito Santo democrático, com as medições de força políticas voltando às urnas, para dar um fim às falcatruas eleitorais.
Número de processos no Judiciário capixaba dobra em um ano
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) recebeu no ano de 2011 um total de 829 mil processos em tramitação nas mais variadas instâncias, um crescimento de 105,1% – acima da média nacional (8,8%). Segundo dados do anuário Justiça em Números, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira (29), o número de processo em tramitação no Judiciário capixaba já chega a 1,6 milhão de casos. A movimentação processual do TJES foi puxada pelos novos processos na Justiça comum – nos juízos de 1º grau e 2º grau. O número de novos processos superou a taxa de produtividade dos magistrados capixabas, que julgaram mais de 333 mil ações, um aumento de 55% em relação aos números de 2010. No entanto, o número de casos novos também é recorde: apenas no ano passado, deram entrada 391 mil novos processos no tribunal. No 1º grau, o estoque teve crescimento de 829.126 processos (uma alta de 105,1%), totalizando um estoque de 1.618.037 casos. O número de processo que tramitam no Tribunal de Justiça também registrou uma alta de 250%, o que representa 12.849 a mais em tramitação em um total de 17.988 processos ativos. Os juizados especiais – popularmente conhecidos como justiça de pequenas causas – também registraram uma alta significativa no número de ações. O estoque teve um aumento de 143.923 casos (105,2%%) em um total de 280.794 casos ativos, de acordo com o CNJ. Na avaliação do órgão de controle, os números do Judiciário capixaba merecem atenção, já que o índice de aumento no estoque foi elevado, fato que contribuiu para o aumento da taxa de congestionamento nos últimos três anos. Hoje, a taxa de congestionamento média no Judiciário capixaba é de 78,5%, acima da média nacional de 74%. A pior situação está no juízo de 1º grau onde a taxa é de 84,3 % – quatro pontos percentuais acima da média entre todos os TJs do País. Com isso, o tribunal capixaba figura apenas na 22ª colocação em produtividade. Uma das explicações para o grande estoque de processos em tramitação em todo Judiciário, e consequentemente, crescente taxa de congestionamento decorre da cultura de litigiosidade dos brasileiros. Segundo o conselheiro José Guilherme Vasi Werner, que apresentou o relatório, “os números assustam e os estrangeiros chegam a pensar que é um erro de tradução porque nenhum país tem um volume tão grande de processos judiciais”.
Ex-prefeito de Aracruz vai ter que ressarcir R$ 21 milhões aos cofres públicos
O ex-prefeito de Aracruz (norte do Estado), Luiz Carlos Cacá Gonçalves, e mais seis pessoas foram condenados à suspensão dos direitos políticos por dez anos e o ressarcimento ao erário de R$ 21,23 milhões pelo desvio de verbas públicas. Na decisão publicada nesta segunda-feira (29), o juiz da Vara da Fazenda municipal, Braz Aristóteles dos Reis, acolheu os termos da denúncia do Ministério Público Estadual (MPES) que apontou fraude na terceirização da mão-de-obra no município entre os anos de 2001 e 2005. De acordo com a sentença prolatada no final de setembro, o ex-prefeito Cacá Gonçalves, dois ex-secretários municipais e mais quatro representantes do Instituto Brasileiro de Difusão Universitária (IBDU/IBDS) foram considerados culpados por atos de improbidade na formalização de acordos para terceirização de mão-de-obra em serviços de saúde. As irregularidades teriam ocorrido desde a falta de licitação até o superfaturamento nos valores do contrato. “Ao meu sentir, tem razão o Ministério Público ao afirmar a ocorrência da ‘ilegalidade da ilegalidade’, visto que, no presente caso, até mesmo se o IBDU/IBDS tivesse sido contratado após prévio certame licitatório, ter-se-ia a manifestação antijurídica da utilização de mão-de-obra terceirizada para fazer frente a necessidades permanentes da municipalidade no tocante a serviço essencial”, narra um dos trechos da decisão. No entendimento do juiz Braz dos Reis, a entidade simularia apenas o caráter sem fins lucrativos das atividades: “Embora estatutariamente o IBDU/IBDS busque se valer do status de associação, tenho que na verdade, se posta como nítido empreendimento de natureza comercial. Enquanto associação, ela nunca saiu do papel”, classifica o magistrado. De acordo com a denúncia do MPES, a entidade teria recebido R$ 10,42 milhões para a realização de um suposto programa de treinamento e qualificação para reorganização do Sistema Municipal de Saúde, em outubro de 2001. O prefeito teria assinado aditivos que proporcionou ao IBDU a permanência nos serviços de saúde até o ano de 2005. Ao todo, o total dos valores sob suspeição teria ultrapassado a casa dos R$ 20 milhões. Condenações Além do ex-prefeito Cacá Gonçalves, foram condenados o ex-secretário de Administração, Geraldo Silvério de Oliveira; o ex-secretário de Saúde, Nilton Alves Vieira; além dos representes da IDBU/IBDS (Mário Bruno Hingst Manzolillo, Cláudio Luiz Lima Correa, Mássimo Luiz de Araújo Manzolillo e Eduardo de Proença Hingst). Eles serão obrigados a ressarcir, solidariamente, um total de R$ R$ 21.230.739,88 pelos supostos danos causados aos cofres públicos, além do pagamento de multa civil de uma vez o valor do dano; suspensão dos direitos políticos pelo período de dez anos; e a perda da função pública também pelo prazo de dez anos.
Eleições tomam conta dos debates na Assembleia Legislativa
Congratulações e mais congratulações. Esse foi o tom da sessão ordinária desta segunda-feira (29) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), marcada por diversas falas parabenizando os prefeitos eleitos no pleito desse domingo (28). Os deputados e prefeitos eleitos de Vitória e Vila Velha, respectivamente Luciano Rezende (PPS) e Rodney Miranda (DEM), estavam presentes no na sessão. O tom geral das falas foi o da saudação à escolha democrática da população, representada pelo voto, como fizeram os deputados Luzia Toledo e Hércules Silveira, ambos do PMDB, os petistas Genivaldo Liévore e Cláudio Vereza também reforçaram a fala dos colegas. Fora isso, sobrou pouco espaço para outros debates, a não ser uma dura fala de Vereza em relação às pesquisas do Instituto Futura, em que criticou muito as ações do jornal A Gazeta durante o processo eleitoral. Já Freitas (PSB) dedicou nada menos que duas falas aos resultados: a da liderança de seu partido e a de sua inscrição como orador. Nelas, saudou o crescimento nacional e regional de seu partido (o que mais cresceu, entre os maiores do país), reafirmando a importância do presidente nacional do partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, reafirmando a importância do socialista no jogo político para 2014. Freitas saudou, também, as eleições de Juninho, em Cariacica, e Luciano Rezende (ambos do PPS), em Vitória, candidatos apoiados por seu partido. Além disso, citou longamente uma entrevista com o prefeito reeleito de São Mateus, Amadeu Boroto (também do PSB), frisando as obras realizadas por ele no município. As falas de Freitas foram interrompidas por diversos companheiros de Assembleia. Roberto Carlos (PT) fez questão de saudar o crescimento nacional do PSB, que faz parte da base do governo Dilma. Já Luciano Rezende, que não fez fala, utilizou alguns segundos do socialista para reafirmar o discurso feito no domingo no que diz respeito à parceria com o governador Renato Casagrande, também do PSB, para o programa de transição e a sua prefeitura. Sandro Locutor (PV), derrotado por Juninho em Cariacica, saudou o resultado no município – o PV apoiou o candidato do PPS no segundo turno.
???Futura forjou números de uma pesquisa???, denuncia Vereza
Em meio à ressaca eleitoral, em que quase todas as falas dos deputados estaduais eram recheadas apenas de congratulações aos prefeitos eleitos, o pronunciamento do deputado Claudio Vereza (PT) foi um dos poucos que destoaram na sessão desta segunda-feira (29) na Assembleia Legislativa do Estado (Ales). Sem poupar termos duros, Vereza centrou críticas à pesquisa do Instituto Futura divulgada na véspera do segundo turno, e também ao uso que candidatos fizeram dela – há diversas denúncias de que cabos eleitorais teriam “panfletado” a edição de domingo do jornal A Gazeta, que trazia o resultado das pesquisas eleitorais. Pode-se dizer que o cerne do discurso do deputado petista se resume a uma palavra: manipulação. A pesquisa colocava, contra todas as previsões de outros institutos, Luiz Paulo (PSDB) três pontos à frente de Luciano Rezende (PPS) na corrida eleitoral pela prefeitura de Vitória. Isso aconteceu frente a uma espera geral pela vitória do candidato do PPS, que após o primeiro turno despontava como franco favorito na disputa, apesar do crescimento do tucano em meio aos debates do segundo turno. Para Vereza, no dia anterior à votação do segundo turno, estava sendo construído um golpe com a divulgação dessa pesquisa. “A Futura forjou números falsos de uma pesquisa. Se não foi a Futura, foi o jornal. Há de se saber quem manipulou”, advertiu o deputado. O petista criticou a grande imprensa brasileira que, segundo ele, toma um lado nas disputas políticas se dizendo imparcial. “Os nossos jornais deveriam fazer como os dos Estados Unidos; dizer claramente quem apoiam”, afirmou. Vereza encerrou seu discurso dizendo que suas críticas devem virar contra ele, com os usuais argumentos de que ele estaria ferindo a liberdade de expressão destes veículos.