As entidades médicas nacionais enviaram documento à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) cobrando transparência nas informações sobre a cobertura assistencial oferecida pelos planos de saúde. O documento é um dos desdobramentos das reivindicações feitas no início do mês de outubro. Na ocasião, os médicos do Estado entraram em assembleia permanente, mas optaram por não suspender o atendimento aos usuários de planos de saúde. Os médicos representados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam), entidades que assinam o documento, consideram que existe um desequilíbrio entre o crescimento da demanda do setor e a oferta dos serviços. Para as lideranças médicas, somente a abertura de consulta pública às informações do setor pode evitar os excessos cometidos por alguns empresários. No documento, os médicos salientam que duas pesquisas realizadas pelo Instituto Datafolha atestam a insatisfação tanto entre os médicos que atendem os convênios, quanto entre a população que faz uso desses planos. As entidades médicas entendem que a saúde suplementar, que é prevista na Constituição de 1988, teve os objetivos desvirtuados especialmente em função do modo deturpado como os empresários do setor têm operado – com foco no lucro e ignorando necessidades apontadas pelos pacientes e profissionais. No movimento realizado no início do mês, os médicos cobravam o reajuste de honorários de consultas e outros procedimentos, a inserção, em contrato, dos critérios de reajuste, com índices definidos e periodicidade, e o fim da intervenção dos planos na relação médico-paciente. Dados da ANS indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, indicam que o reajuste foi de 50%.
Justiça nega exame em cartões de prova dos concursos fraudados no TJES
O juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel da Cruz Doval, manteve a rejeição do pedido de exame nos cartões de resposta de todos os candidatos que participaram de concursos públicos sob suspeição do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Na decisão prolatada nessa terça-feira (23), o magistrado afirmou que os documentos não são fundamentais para comprovar se houve ou não fraude no processo de seleção. No entendimento do juiz, as provas periciais e a prova oral – já deferidas em decisão anterior – vão elucidar a procedência da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPES). No recurso, a defesa do ex-assessor da Presidência do TJES, Leandro Sá Fortes, um dos denunciados, pedia a inclusão dos gabaritos de todos participantes dos editais (012/04, 013/04, 015/04 e 016/04). “Todavia, em que pesem os argumentos apresentados, a decisão embargada não está eivada de omissão, contradição ou obscuridade, notadamente porque a exibição dos referidos documentos não são fundamentais para comprovar se houve ou não fraude no concurso em voga, ainda mais porque o órgão ministerial apenas contesta a aprovação supostamente irregular de alguns candidatos, e não de todos”, narra um dos trechos da decisão. O juiz Manoel Cruz Doval também antecipou que mérito da discussão da sentença é do Tribunal de Justiça: “Destaca-se que a conclusão, certa ou errada, que seja fruto da análise da prova e da posição jurídica adotada pelo magistrado deverá desafiar o recurso de apelação ou de agravo de instrumento”. No mês passado, o desembargador Carlos Simões Fonseca confirmou o recebimento da ação de improbidade contra os acusados de participação nas fraudes em concursos no Judiciário capixaba. Além do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador aposentado Frederico Guilherme Pimentel, a denúncia do MPES lista outras seis pessoas, entre elas parentes do ex-chefe do Judiciário capixaba e de pessoas ligadas diretamente à execução do concurso. Entre os familiares do ex-desembargador estão as filhas Roberta e Dione Schaider Pimentel – ex-serventuárias, demitidas após sindicância do TJ –, além de Leandro Sá Fortes, ex-namorado de Roberta. São denunciados ainda o juiz Bernardo Alcuri de Souza (que presidia a banca do concurso), Sebastião Pimentel Franco (ex-diretor executivo da Fundação Ceciliano Abel de Almeida) e Cláudio Pimentel Balestrero. A denúncia do Ministério Público toma como base os autos da Operação Naufrágio. Os principais conteúdos são as gravações feitas por Leandro Sá Fortes de conversas com a ex-namorada Roberta e o então sogro. Nas fitas, surgem a suposta confissão das fraudes e a indicação da existência de outras figuras ligadas às “grandes famílias” do TJES entre os aprovados de forma indevida. A existência das fraudes foi confirmada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que também investigou o caso, em sessão no dia 10 maio de 2011.
Direito de resposta de Magno movimenta antevéspera da eleição
O último dia do programa eleitoral dos candidatos a prefeito de Vitória, exibido nesta sexta-feira (26), contou com um elemento inesperado: o direito de resposta concedido ao senador Magno Malta (PR) dentro do horário do candidato tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Durante o segundo turno da eleição, Luiz Paulo acusou o senador Magno Malta de orquestrar uma campanha difamatória contra ele. Também acusou seu adversário Luciano Rezende (PPS) de esconder Malta em seu palanque. Luciano tem como candidato a vice o locutor da rádio A Cor da Vida, Waguinho Ito (PR). A rádio, segundo Luiz Paulo, pertence ao senador, e por isso estaria colocando a prefeitura a serviço de Malta. No espaço concedido ao senador pela Justiça Eleitoral, Magno Malta reafirma declarações feitas recentemente de que Luiz Paulo teria pedido apoio político a ele. Disse que o candidato o procurou duas vezes, se dizendo traído por seu grupo político. Confira o vídeo com a resposta do senador clicando neste link A primeira vez, segundo o senador, foi em 2010, quando Luiz Paulo foi candidato ao governo do Estado e, novamente no período pré-eleitoral deste ano. Diante da negativa do apoio, segundo Malta, ele passou a atacar o senador. No final do vídeo, o senador faz uma convocação ao seu eleitorado. “Você que votou em mim, 105 mil votos em Vitória, você tem um instrumento na sua mão e no dia 28, dê a resposta a esse rapaz”, diz o senador. A veiculação do direito de resposta no último dia da transmissão do programa eleitoral esquenta ainda mais o clima eleitoral e pode prejudicar as últimas investidas do PSDB em tentar uma virada na eleição deste domingo (28).
Filmes em cartaz
Programação dos cinemas de Vila Velha, Vitória e Guarapari de 26 de outubro a 2 de novembro. Cine Ritz – Shopping Norte-Sul fechou para reforma. A reabertura deve acontecer entre dezembro e janeiro. ESTREIAS 007: Operação Skyfall (007: Skyfall, Reino Unido/EUA, 2012, 143 min, 16 anos) Ação. Direção de Sam Mendes. Com Daniel Craig, Ralph Fiennes, Javier Bardem, Bérénice Marlohe, Naomie Harris. A lealdade de Bond a M é testada quando o seu passado volta a atormetá-la. Com a MI6 sendo atacada, o 007 precisa rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 5. 11h50 (exceto quarta-feira). 14h50. 18h10. 21h20. Sexta-feira e sábado 00h30. Sala 6 .(DUBLADO) 13h50. Sábado e Domingo 10h50. Sala 6.17h10. 20h20. Sexta-feira e sábado 23h30 Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 4. 14h30 – 17h30 – 20h30 DUBLADO. Sala 7 15h – 18h – 21h. LEGENDADO Cine Ritz Guarapari: Sala 1. 16h30 – 19h – 21h30. LEGENDADO Gonzaga de Pai para Filho (Idem, Brasil, 2012, 120 min, 12 anos) Drama. Direção de Breno Silveira. Com Nivaldo Expedito de Carvalho, Júlio Andrade, Nanda Costa. História de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Gonzaguinha (1945-1991), e de um amor que venceu o medo e o preconceito e resistiu à distância e ao esquecimento. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 7. 13h10. 16h. 19h. 22h. Sala 8. 13h10. 16h. 19h. 22h. Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 5. 15h10 – 17h50 – 20h40. Sala 6. 16h – 18h40 – 21h20. Sabado e domingo 13h20 Cosmópolis (Cosmópolis, França/Canadá, 2012, 105 min, 16 anos) Drama. Direção de David Cronenberg. Com Robert Pattinson, Juliette Binoche, Sarah Gadon. A cidade de Nova Iorque está em tumulto e a era do capitalismo está chegando ao fim. Uma visita do presidente dos Estados Unidos paralisa Manhattan e Eric Packer (Robert Pattinson), o menino de ouro do mundo financeiro, tenta chegar ao outro lado da cidade para cortar o cabelo. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 21h15 (exceto sexta-feira) O Exercício do Poder (L'Exercice de l'Etat, França, 2012, 112 min, 14 anos) Drama. Direção de Pierre Schoeller. Com Olivier Gourmet, Michel Blanc, Zabou Breitman. O Ministro dos Transportes Bertrand Saint-Jean é acordado em plena noite pelo diretor do seu escritório. Um ônibus repleto de crianças acabou de cair num penhasco. Ele dirige-se imediatamente ao local. Começa assim a odisséia na vida de um político. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala1. 19h Weekend (Weekend, Reino Unido, 2012, 97 min, 14 anos) Drama/Romance. Direção de Andrew Haigh. Com Tom Cullen (III), Chris New, Jonathan Race. Depois de uma festa regada a álcool na casa de seus amigos heterossexuais, Russell decide passar por uma discoteca gay. Pouco antes do local fechar, ele encontra Glen, e o que parecia ser no início apenas um caso de uma noite torna-se algo diferente, especial. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 21h15 Em Nome de Deus (Captive, França/Filipinas/Reino Unido, 2012, 120 min, 16 anos) Drama/Ação. Direção de Brillante Mendoza. Com Isabelle Huppert, Kathy Mulville, Marc Zanetta. A voluntária francesa Thérèse Bourgoine (Isabelle Huppert) trabalha em uma ONG na ilha de Palawan, nas Filipinas. Durante uma viagem para levar mantimentos à sede da ONG, em Puerto Princesa, ela é sequestrada junto de vinte turistas pelo grupo terrorista Abu Sayyaf. Cine Jardins – Shopping Jardins. Sala 2. 18h55 SESSÃO CULT Corações Sujos ( Idem, Brasil, 2011, 107 min, 14 anos) Drama. Direção de Vicente Amorim. Com Eduardo Moscovis, Tsoyoshi Ihara, Takako Tokiwa, Eiji Okuda, Shun Sugata, Kimiko Yo, Celine Fukumoto. Inspirado em fatos reais, o filme mostra as transformações que imigrantes japoneses sofrem no Brasil após a segunda guerra mundial. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. Terça e quinta-feira 20h CONTINUAÇÃO Atividade Paranormal 4 (Paranormal Activity 4, EUA, 2012, 89 min, 16 anos) Suspense. Direção de Henry Joost e Ariel Schulman. Com Katie Featherston, Kathryn Newton, Matt Shively. Cinco anos depois do desaparecimento de Katie e Hunter, uma família começa a testemunhar estranhos eventos quando uma mulher e uma criança misteriosa se mudam para a vizinhança. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 4. 14h20 – 16h30 – 18h50 – 21h10. Sabado e domingo 12h10. Sexta-feira e sábado 23h20 Kinoplex – shopping Praia da Costa: Sala 3. 14h40 – 16h40 – 19h -21h10 Cine Ritz Guarappari. Sala 3. 21h Até que a Sorte nos Separe (Idem, Brasil, 2012, 100 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Roberto Santucci. Com Leandro Hassum, Danielle Winitz, Ailton Graça, Kiko Mascarenhas. Tino, um pai de família de classe media, vê sua vida e, especialmente, seu casamento, completamente transformados após ganhar na loteria e perder toda a fortuna. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 2. 13h00 – 15h20 – 17h40 – 20h00 (exceto terça e quinta-feira) – 22h20 Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 14h10 – 16h20 – 18h30 – 20h50 Busca Implacável 2 (Taken 2, França, 2012, 91 minutos, 14 anos) Ação. Direção de Olivier Magaton. Com Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen. Um agente da CIA aposentado volta à ativa durante viagem a Istambul depois que sua família é ameaçada. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 17h15 – 19h30 – 21h40. Sexta-feira e sábado 23h50 Kinoplex – shopping Praia da Costa. Sala 1. 19h10 – 21h20. DUBLADO Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania, EUA, 2011, 91 minutos, Livre) Animação. Direção de Genndy Tartakovsky. Jonathan, um jovem viajante, descobre em plena Transilvânia um hotel de luxo povoado pelos maiores monstros da ficção, administrado pelo próprio Drácula, e acaba se apaixonando pela filha adolescente do vampiro. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 12h50 – 15h00 DUBLADO. Sala 3 (3D) 13h15 – 15h25 – 17h35 – 19h45 (exceto terça-feira). Sábado e domingo 11h. Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1. (3d) 14h50 – 16h50. DUBLADO Cine Ritz Guarapari. Sala 3 (3D). 17h – 19h. DUBLADO TED (TED, EUA, 2012, 106 minutos, 16 anos) Comédia. Direção de Seth Macfarlane. Com Mila Kunis, Mark Wahlberg, Giovanni Ribisi. A história
Juízas saem na frente em disputa por vaga de desembargador no TJES
Mesmo sem a publicação do edital com a abertura de uma vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado (TJES), os meios jurídicos já começaram a levantar os nomes dos juízes estaduais mais cotados à promoção. Três juízas encabeçam a lista de favoritos na disputa, que deve ser marcada pelo equilíbrio entre os candidatos. Baseado nas votações em eleições, as juízas Elisabeth Lordes, Janete Vargas Simões e Marianne Júdice de Mattos Farina aparecem entre os nomes mais comentados. Desde a posse da desembargadora Eliana Junqueira Munhós Ferreira, em agosto último, as mulheres ocupam duas das 26 cadeiras na principal corte do Judiciário capixaba. A primeira desembargadora da história do Espírito Santo foi Catharina Maria Novaes Barcellos, empossada no cargo em junho de 2005. Com o favoritismo das três juízas no preenchimento da vaga do desembargador Arnaldo Santos Souza – que atinge a idade limite na próxima semana –, a história da eleição de uma mulher pode se repetir. Mais do que uma questão de gênero, a predileção pelos nomes das juízas é extraído de recentes votações no Tribunal Pleno. Nas últimas escolhas por merecimento, as juízas Elisabeth Lordes e Janete Vargas figuraram na lista tríplice entre os nomes mais bem votados. Atualmente, as duas magistradas atuam como desembargadoras substitutas, função apontada nos bastidores como o último estágio antes de uma eventual promoção. Da mesma forma, o nome da juíza Marianne Judice também foi lembrado pelos desembargadores nas recentes votações, além de ter atuado como substituta no Tribunal Pleno. A juíza atua hoje junto à cúpula do TJES na função de coordenadora do Comitê da Saúde, escolhida pelo presidente do tribunal, desembargador Pedro Valls Feu Rosa. Apesar da indicação do favoritismo das mulheres na disputa, outros nomes de juízes também são ventilados nos corredores do TJES. Entre os cotados aparecem os juízes Raimundo Siqueira Ribeiro e Walace Pandolfo Kiffer, ambos com passagens como desembargadores substitutos, que já figuravam no ranking dos candidatos mais badalados. A principal novidade na relação é a inclusão dos nomes dos juízes Júlio César Costa de Oliveira, juiz eleitoral na Capital, e Jorge Henrique Valle dos Santos, que hoje comanda o núcleo de magistrados da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, instalada pela atual gestão para julgar as ações populares e de improbidade que tramitam nos juízos da Grande Vitória.
Tom Zé revisita o tropicalismo em Tropicália Lixo Lógico
Explicando para confundir e confundindo para esclarecer, Tom Zé se reinventa novamente em seu mais recente álbum Tropicália Lixo Lógico (2012). Com mais de 50 anos de carreira, Tom Zé fez parte do movimento cultural que dá nome ao seu disco junto com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes. O artista aproveita suas experiências musicais e filosóficas para recontar – ou recriar– o tropicalismo que lhe deu origem. A primeira música Apocalipsom A (o Começo No Palco do Fim), com participação de Emicida, já anuncia o caos que o disco propõe. Começa com um chocalho e uma flauta indígena misturada ao rap: “Casou-se com muita gala/O saber de Aristóteles/Com a cultura do mouro/Pra ter num só filhote/O duplicado tesouro”. Emicida também empresta seu carisma para a faixa Apocalipsom B (o Começo No Palco do Fim), que encerra o disco. O disco segue com o baião Capitais e Tais, na qual o cantor baiano homenageia vários estados do nordeste. A faixa lembra suas canções mais antigas com os ritmos regionais e o coro. As participações especiais continuam, em Tropicalea Jacta Est, Mallu Magalhães e Tom Zé brincam com versos de canções hinos do tropicalismo e cantam “Domingo no parque sem documento/Com Juliana navegando contra o vento/Saímos da nossa idade média nacional/Diretamente para a era do pré-sal”. Em O Motobói e Maria Clara, a voz de Mallu aparece novamente, a música é repleta de texturas sonoras como o tintilhar de xícaras do começo e a letra, que é quase um travalíngua de neologismos. O disco é cheio de experimentações vocais e instrumentais, como na engraçada Amarração do Amor que Tom Zé canta versos incompreensíveis e se descontrai no trecho seguinte “Vou te derreter/numa panela de dendê/e toda noite eu esfrego no meu corpo uma pitada de você”. A maioria das músicas termina no meio de um verso, antes do final. Sobre isso, o técnico de som teve muitos problemas para finalizar o trabalho e fez uma lista que ele considerou “erros” do disco, que Tom Zé publicou em seu blog: http://tomze.blog.uol.com.br/arch2012-07-22_2012-07-28.html Entretanto, o corte seco é intencional e sempre acontece quando a melodia começa a parecer familiar ao ouvido. A edição é uma forma de despertar o ouvinte para a próxima faixa. A faixa que dá nome ao disco, Tropicália Lixo Lógico, tem um início grandioso com violinos e em seguida entram as guitarras distorcidas. Na música, Tom Zé se pergunta “O que fazer com tanto lixo lógico?”. Os convidados especiais voltam a aparecer em De-De-Dei Xá-Xá-Xá, com Pélico. A melodia lenta parece agregar os estilos dos dois músicos em uma canção singela e quase romântica. Já em A Terra, Meus filhos o planeta é descrito com uma mulher, bonita, mas sofrida, que “De maus tratos envelhece/Sem ter usado espartilhos”. A mistura de ritmos é presente em toda a obra baião, forró, rock, bossa nova e outros gêneros de uma maneira criativa e nada óbvia. Com muito senso de humor e inteligência, Aviso Aos Passaeiros faz música dos avisos de segurança de elevadores. Seguindo a mesma linha, a faixa NYC Subway Poetry Department, em inglês com a ilustre participação de Rodrigo Amarente, do Los Hermanos, os versos brincam com os avisos dos metros Stand Clear of The Closing Doors (Fique longe das portas que fecham). Os dois juntos cantam fiquem longe das cabeças e dos corações fechados, entre outras coisas limitadas.
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Vazamento de agrotóxico contamina córrego em Jaguaré
Um vazamento de agrotóxico deixou revoltados moradores da comunidade de São João Bosco, em Jaguaré, noroeste do Estado. Os impactos, segundo eles, vão desde a poluição das águas à morte de peixes e aves. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) considera o fato mais um crime registrado no Estado em decorrência da utilização de venenos na agricultura. A denúncia do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) aponta que o vazamento ocorreu há uma semana, mas só nessa quinta-feira (25) foi divulgado à população de todo o Estado. O movimento alertou que os impactos ainda podem ser vistos na água e no solo da região. O vazamento ocorreu, segundo o MPA, quando o produtor conhecido como Seu Ratinho pulverizava seu cafezal, e ao desligar a bomba, a boia que controlava a saída do veneno parou de funcionar. “Todo o agrotóxico da bomba vazou no Córrego 16, contaminando a água e o solo. O córrego, por sua vez, deságua no Jundiá, riacho que alimenta a represa de Jundiá, principal fonte de abastecimento da cidade”, destacou o MPA. O veneno que contaminou a água, segundo o MPA, é o endolsulfan, considerado altamente tóxico e banido em 45 países. No Brasil o veneno chegou a ficar suspenso devido a associações com problemas graves de saúde. Mas foi liberado, sendo utilizado no cultivo de cacau, café, cana-de-açúcar e soja. Uma nova proibição só é prevista para 2013. A água do córrego contaminada pelo veneno é utilizada para a alimentação humana e animal, além de servir para irrigar as plantações dos agricultores, porém, o MPA diz que apresenta mau cheiro. De acordo com relatos de camponeses, foram encontrados às margens do córrego milhares de peixes mortos, envenenados, e as aves que se alimentam dos peixes também. O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) esteve no local e colheu amostras da água do riacho para fazer análises. Mas ainda não se posicionou sobre o ocorrido. Para os camponeses da região, a falta de punição para os crimes ambientais é também responsável pelo uso indiscriminado de veneno na região.
Iases abre procedimento administrativo contra servidor preso na Operação Pixote
O Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases) instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra Antônio Haddad Tápias, ex-diretor técnico da autarquia, que está preso por força da Operação Pixote, que apurou um esquema de corrupção envolvendo os contratos entre o Iases e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis). A abertura do PAD está publicada na edição desta sexta-feira (26) do Diário Oficial do Estado e vai apurar a responsabilidade administrativa do servidor relativa ao suposto uso inadequado de verbas e erário público, gerando supostas lesões ou dilapidações ao patrimônio do Estado. Antônio figura no inquérito da Operação Pixote como a pessoa que deu respaldo técnico para o contrato do Iases com a Acadis e negou informações à Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont). Além disso, a apuração das denúncias apontou o envolvimento de Toninho, como o servidor é conhecido, no esquema de violações de direitos humanos no sistema socioeducativo. Braço direito da ex-diretora presidente da autarquia Silvana Gallina, Toninho era acusado de incitar motins para desestabilizar o sistema e mostrar que o modelo do presidente da Acadis, o colombiano Gerardo Mondragón, deveria ser estendido a todo o sistema. A essa altura, Mondragón, que também está preso, comandava a gestão das unidades de Cariacica e Linhares (norte do Estado) e tinha a intenção de integrar Xuri. No dia 18 de outubro, o juiz da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, Manoel Cruz Doval, determinou o bloqueio de bens de 18 pessoas e duas empresas que foram denunciadas na Operação Pixote. Dentre eles o servidor Antônio Haddad e Silvana. Ao todo, o bloqueio chega a R$ 30,6 milhões, valor das supostas fraudes em contratos do Iases. O magistrado considerou a existência de “indícios retumbantes” de irregularidades na contratação de Gerardo Mondragón para dar consultoria ao instituto, em 2006. Além de não reconhecer a notória especialização do colombiano, o magistrado acolheu a tese do MPES de fraudes no valor dos serviços – cerca de R$ 115 mil por cinco meses de consultoria –, que foram ratificados pelo então secretário de Justiça Ângelo Roncalli, que pediu exoneração do cargo após a denúncia.