O ex-prefeito cassado de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB), foi novamente condenado por fraudes em licitações. O juiz da comarca, Ronaldo Domingues de Almeida, condenou Quinta e mais quatro pessoas à perda dos direitos políticos, além do pagamento de multa civil. Apesar da condenação, a sentença não deve incomodar o ex-prefeito que indicou a sobrinha Amanda Quinta Rangel (PTB), futura prefeita eleita, para sucedê-lo no município. Na decisão prolatada no final de setembro e publicada nesta quinta-feira (18), o magistrado acolheu os termos da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPES) sobre irregularidades na contratação de transporte público em Kennedy. As investigações apontaram que os envolvidos burlaram as regras de competitividade no Pregão Presencial nº 010/09, que visava à contratação de empresa para o fornecimento de transporte escolar. Em vez de licitar os veículos por unidade, a prefeitura optou pela contratação pelo número total de ônibus, fato que privilegiaria apenas as empresas de maior parte. Por conta disso, o juiz entendeu que o ex-prefeito, o ex-procurador-geral do município Deveite Alves Porto Neto, o servidor Américo Dias Duarte, além dos empresários Carlos Roberto Cipriano e Lenildo Baptista Oliveira – da empresa Costa Sul Transporte, também condenada – teriam atuado no esquema. Reginaldo Quinta foi condenado à perda dos direitos políticos por oito anos, proibição de contratar com o poder público e ao pagamento de multa de R$ 50 mil. Os outros quatro condenados tiveram os direitos políticos suspensos e a proibição de contratar com o poder público pelo período de cinco anos, além do pagamento de multas que variam de R$ 15 mil a R$ 20 mil – considerando a importância da conduta de cada acusado. O juiz Ronaldo Almeida também revogou o segredo de Justiça no processo, que tramitava desde 2009: “A ação é pública até porque o sigilo do processo é exceção e a publicidade em ações desta natureza é de sua essência e qualquer restrição ao acesso significaria retrocesso na construção do Estado Democrático e de Direito”. O magistrado manteve restrição apenas às informações fiscais e sigilos bancários que foram anexados aos autos do processo. Mesmo com a condenação, o ex-prefeito deve continuar figurando como a principal liderança política em Kennedy. Nas eleições do último dia 7, a sobrinha do ex-prefeito Amanda foi eleita após a renúncia de Quinta às vésperas do pleito. Nos bastidores, a manobra do petebista garantiu a continuidade da gestão pelas mãos da sobrinha, que chegou a ser secretária de Cultura na administração do tio, assim como provoca a descida das ações para a comarca do município.
Papo de compositor
Com grande influência da música negra que se mescla ao jazz e ao congo, Zé Moreira conseguiu montar um repertório diversificado e popular. O compositor se apresenta nesta sexta-feira (19), em Castelo, e no sábado (20), em Muqui, com músicas que contemplam seus dois discos, Feito a Mão (2000) e Padedê de Sararás (2012). Seu mais recente trabalho, Padedê de Sararás, é resultado de diversas pesquisas por ritmos brasileiros, “a mistura do Jazz com as raízes populares do congo, do samba e do baião são mais sofisticadas neste trabalho”, explica o artista. A obra é assinada por Zé Moreira e pelo baterista e percussionista de renome internacional Robertinho Silva. O músico explica o nome como uma fusão de dois termos que ilustram a pluralidade do seu trabalho. Padedê, uma versão abrasileirada de Pas de Deux, “representa o mundo erudito europeu das complexas harmonias e arranjos”, explica. Por outro lado, o complemento Sararás evoca a África, “minha maior referência musical”, completa. “É a inspiração que manda no meu processo criativo eu me coloco como um instrumento, a música é quem manda”, conta Zé Moreira, que também é conhecido por musicar poesia. Como referências ele cita Gabriel García Marquez, Mia Couto e Monteiro Lobato. “A maioria da minha obra é cantada, acabo quase sempre me rendendo a poesia”, confessa. Para os dois shows que fazem parte da Turnê de Circulação, projeto da Secretaria de Estado da Cultura, Zé Moreira e seu violão terão a companhia dos músicos Kako dinelli no baixo e Gabriel Ruy na bateria. O músico também irá ministrar oficinas de Jazz, em Muqui, às 16h, e em Castelo, às 17h, no mesmo lugar de suas apresentações. Assim como os shows, as oficinas serão gratuitas e abertas ao público. As pequenas aulas de jazz serão feitas junto com a banda, com o intuito de mostrar a dinâmica desse gênero musical. “Será mais um bate-papo, basicamente vou falar da influência da “escola” jazzística nos meus shows e nas minhas composições”, diz Zé Moreira. Serviço Zé Moreira se apresenta esta sexta-feira (19), às 20h, no Theatro Sebastião Artênio Merçon, Centro, Castelo. E no sábado (20), as 20h30m, no Teatro municipal Neném Paiva, Muqui. Entrada gratuita.
Lideranças nacionais reforçam segundo turno na Capital
A participação de lideranças nacionais nas campanhas dos dois candidatos a prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS), ganhou destaque nacional. O jornal Valor Econômico abordou a presença dos dois candidatos na campanha dos capixabas. O presidente nacional do PPS, deputado federal por São Paulo, Roberto Freire, esteve nessa quarta-feira (17) no Estado e passou a manhã caminhando com Luciano Rezende. Ele também aproveitou para reforçar a campanha do candidato do partido que disputa o segundo turno em Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho. Já o prefeito reeleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), que teve um das maiores votações do País, gravou participação no programa do tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. O jornal também destaca a vantagem dos candidatos do PPS na corrida pelo segundo turno, destacando que eles podem vencer contra candidatos que têm apoio do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). No caso de Vitória, Luiz Paulo caminhou com Hartung no primeiro turno, mas na nova fase o ex-governador anda meios escondido na campanha. Em Cariacica, porém, Hartung desde o início da campanha afastou-se da candidatura de Marcelo Santos (PMDB), mesmo sendo eles correligionários. O Valor afirma que Hartung “ainda é considerado a principal liderança do Estado” e conseguiu uma importante vitória no município de Vila Velha, com a passagem de seu ex-secretário de Segurança Rodney Miranda (DEM) para o segundo turno. Sobre a liderança de Hartung na classe política, seu capital ficou defasado desde que deixou o governo e o desempenho nesta eleição está, para alguns observadores, aquém das expectativas do grupo. Embora seja necessário aguardar os resultados do segundo turno para se avaliar o poder de influência dele e de outras lideranças políticas no processo, como o governador Renato Casagrande e o senador Magno Malta (PR). O jornal destaca também o papel do prefeito de Vitória, João Coser (PT), que teria escolhido a neutralidade no segundo turno. Segundo o Valor Econômico, Luiz Paulo tem reafirmado a preferência do prefeito João Coser (PT) pelo seu adversário, com o objetivo de “colar” a imagem de Rezende à ideia de continuidade, na tentativa de neutralizar o discurso de mudança com o qual o candidato do PPS venceu o primeiro turno”.
Análise: Polissia
O mundo atual se mostra mais complexo e qualquer ação cotidiana pode carregar uma tensão não intencional que afete ao próximo. Dessa forma a democracia atual tende a tornar os cidadãos mais frágeis uma vez que promete mais proteção a todos. Assim se cria uma sociedade da desconfiança, onde qualquer um e passível do engano. Dessa forma vimos nossas atitudes modificarem ultimamente. O politicamente correto mostra um caminho a seguir. A divisão de proteção a menores da polícia francesa a cada dia tem que tomar decisões que interferem diretamente na vida familiar de seus cidadãos. Amparando crianças e jovens de violência e exploração de qualquer forma. Melissa (Maïwenn) é uma fotografa encarregada de registrar o dia a dia e as ações dos membros dessa unidade policial, com ela percebemos, que o assunto é mais complexo que uma simples fotografia. Através de um tema tabu e aparentemente simples (quem poderia estar em contra a proteção de menores indefesos?) a diretora e também atriz Maïwenn consegue ampliar a temática e criar uma discussão entre minorias (que é sempre abusada por um machismo ocidental). A mudança de paradigmas das gerações mais novas, tão sem apego à dignidade (ou ao menos com outra denominação de), cujas fronteiras do particular e do privado muitas vezes se confundem, a inconsistência infantil que sofre de um “pseudo-amadurecimento” precoce, a ingenuidade, ou mesmo a certeza de impunidade marcam boa parte da trama. Por mais que a mobilidade da câmera aproxime à estética de séries policiais de tv muito em moda desde os anos 80, ganha-se em redução da dramaticidade criando uma imagem mais espontânea, e aventureira, que se embrenha junto com os policiais em ações emocionantes. O cotidiano de cada membro tenta equiparar a uma profissão qualquer (onde pessoas leem o jornal, traem os esposos, brigam, matam pessoas, coisas habituais). Cria então uma ligação do modo como o trabalho influencia na vida particular, mesmo quando muitas vezes se leva o trabalho pra casa (e pra cama em alguns casos). As músicas infantis sobram, não encontrando um paralelo em ações dramáticas, mas a forma de lidar com o crime muitas vezes já carrega tensão demais. Baseado em casos verídicos da Brigada para a Proteção de Menores de Paris foi o vencedor do festival de Cannes em 2011.
Presidente Dilma faz nove vetos ao Código Florestal
A presidenta Dilma Rousseff decidiu vetar nove itens do Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional em setembro. O principal retira do texto a flexibilização que os parlamentares queriam para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens de rios. O governo vai devolver à lei, via decreto que será publicado nesta quinta-feira (17), a chamada regra da “escadinha”, que prevê obrigações de recuperação maiores para grandes proprietários rurais. A “escadinha” determina que os produtores rurais terão que recompor entre 5 e 100 metros de vegetação nativa das APPs nas margens dos rios, dependendo do tamanho da propriedade e da largura dos rios que cortam os imóveis rurais. Quanto maior a propriedade, maiores as obrigações de recomposição. A presidenta excluiu do texto o trecho incluído pelos parlamentares que permitiria a recuperação de cinco metros de APP em tornos de rios intermitentes de até dois metros de largura para qualquer tamanho de propriedade. “Os vetos foram fundamentados naquilo que era o principio da edição da Medida Provisória, que significa não anistiar, não estimular desmatamentos ilegais e assegurar a justiça social, a inclusão social no campo em torno dos direitos dos pequenos agricultores”, explicou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que apresentou os vetos nessa quarta-feira (17) junto com o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Também foi vetada a possibilidade de recomposição de APPs com monocultura de espécies frutíferas exóticas, como laranja e maçã. “Não teremos áreas de pomar permanente, como diziam alguns”. O decreto que será publicado no Diário Oficial da União também trará a regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que suprirão os possíveis vácuos na lei deixados pelos vetos. Segundo Izabella, mais instrumentos normativos serão necessários para regulamentar outros pontos do texto, que poderão ser decretos ou atos ministeriais. “Outros atos, não necessariamente decretos, serão necessários para regulamentação do código”. Izabella disse que os vetos foram pontuais, apenas para recuperar os princípios que estavam na proposta original do governo. * Com informações da Agência Brasil
Candidatos atribuem receitas a fontes partidárias para ocultar doadores
Partidos e candidatos ainda não aderiram à Lei de Acesso à Informação. Prova disso é que ainda falta transparência ao processo eleitoral. Hoje o eleitor não pode identificar todos os doadores de campanha dos candidatos. Nestas eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para dar mais transparência aos caixas de campanha, obrigou que partidos e candidatos apresentassem duas prestações de contas parciais antes da final, que acontece após o segundo turno das eleições, no dia 6 de novembro. Mas a nova regra parece que ainda não surtiu o efeito desejado pelo TSE, e os candidatos, Brasil afora, já encontraram um “jeitinho” para driblar a legislação. Nas contas parciais dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições no Espírito Santo, fica patente, pelo custo inicial estimado de gastos, que os dados apresentados nos dias 6 de agosto e 6 de setembro contabilizam apenas uma pequena parte das receitas e despesas de campanha. O grosso mesmo, só deve ser revelado na prestação de contas final. Essa é mais uma manobra que segue na contramão da transparência. Esses dados parciais, no entanto, revelam outra distorção. Os candidatos a prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS), além do candidato do DEM a prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda, “ocultaram” parte das suas respectivas receitas de campanha, se valendo de um recurso legal, mas completamente contrário à transparência – uma das mais importantes ferramentas da democracia recentemente conquistada pela população brasileira. Nas prestações de contas desses três candidatos, boa parte do dinheiro vem de fontes partidárias. Ao recorrer a esse expediente, o candidato mantém em sigilo quem são os verdadeiros autores das doações, pois na planilha entregue ao TSE aparece como doador o diretório nacional, estadual ou municipal do partido. Ou seja, o eleitor continua sem saber quem são as empresas, grupos ou pessoas que estão por trás do candidato, uma vez que o dinheiro que entra no partido, que é repassado ao candidato, vem de alguma fonte. Por exemplo, até agora o candidato Rodney Miranda prestou contas de apenas R$ 361 mil. Quase a metade dessa receita (R$ 150 mil), no entanto, veio do Diretório Nacional do DEM, ou seja, os verdadeiros doadores são desconhecidos. Somente após o dia 6 de novembro o eleitor terá condições de saber quem são esses doadores ocultos. Luiz Paulo também atribuiu boa parte de sua receita a fontes partidárias do PSDB. Até agora Luiz Paulo diz ter recebido R$ 1,3 milhão. Desse total, R$ 1 milhão veio do Diretório Nacional do PSDB. Luciano apresentou nas parciais um gasto bem modesto em relação à prestação de contas de Luiz Paulo. Isso não quer dizer que ele gastará menos, pois o montante maior só será revelado na prestação de contas final, e poderá até superar o do tucano. O candidato do PPS diz ter recebido R$ 304 mil até agora, R$ 230 mil do Comitê Financeiro Municipal Único, o que também impede a identificação do doador. As perguntas que ficam para os três são as mesmas: Quem foram os doadores que enviaram dinheiro para o diretório nacional ou municipal? Por que esta informação não é revelada ao eleitor? Até quando os doadores que preferem o anonimato vão fazer doações por meio de partidos e comitês financeiros? Os candidatos a prefeito de Vila Velha e Cariacica, respectivamente, Neucimar Fraga (PR) e Marcelo Santos (PMDB), não indicaram, pelo menos nas parciais, nenhum recurso proveniente de fontes partidárias. Isso também não é garantia de que não o farão na prestação de contas final. De acordo com as declarações parciais, Neucimar recebeu até agora R$ 783 mil e Marcelo Santos, R$ 110 mil. Estranhamente, segundo o site do TSE, o candidato a prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), está com as planilhas zeradas, tanto na primeira quanto na segunda parcial. Falta de transparência A tentativa do TSE de dar mais transparência ao processo com as prestações de contas parciais parece não ter funcionado nestas eleições. Prova disso são os valores apresentados nas duas primeiras parciais, que estão muito aquém dos gastos finais, que devem aumentar em 10 ou 20 vezes os balanços preliminares. Não podemos esquecer que a tecnologia permitiria hoje que os candidatos e partidos fizessem exatamente o contrário. Nas duas parciais seria possível apresentar boa parte dos gastos, em vez de “esconder” o grosso para o final. Se os candidatos também estivessem afinados com a Lei de Acesso à Informação, não ocultariam os autores das doações, creditando os recursos doados a fontes partidárias, em detrimento de dar transparência à famigerada caixa preta que se tornou o financiamento de campanha.
Distantes, mas no caminho
Para os brasileiros que acompanham mais de perto o processo eleitoral no País, as eleições 2012 frustraram as expectativas daqueles que esperam um pleito, digamos, mais limpo. A expectativa era de que a Lei da Ficha Limpa, que chegou atrasada na eleição de 2010, conseguisse higienizar a disputa deste ano nos 5.568 municípios brasileiros que escolheram prefeitos e vereadores no último dia 7. Longe disso. Apesar do otimismo dos cidadãos que militaram pela consolidação da Lei da Ficha Limpa, as manobras dos advogados, que usaram bem as brechas deixadas pela lei, permitiram que os chamados “ficha-suja” conseguissem driblar a legislação e se eleger. Sem contar os candidatos, muitos deles com pendengas judiciais, que ainda tentam a sorte nas urnas nos 50 municípios que terão segundo turno nesta eleição. Apesar do baque, os militantes da democracia mantêm o otimismo em alta. Tanto é que nesta quarta-feira (17), entidades da sociedade civil organizada apresentaram, em Brasília, a deputados e senadores, um conjunto de propostas para a reforma do sistema político brasileiro. Entre as alterações os militantes propõem a ampliação da participação popular nas decisões legislativas. O financiamento público de campanhas é outra proposta a ser discutida. Entra eleição e sai eleição, essa é uma das distorções que tornam as campanhas eleitorais injustas, pois os candidatos continuam reféns dos financiadores de campanha. Nos mesmos moldes da iniciativa que deu vida à Lei Da Ficha Limpa, a iniciativa popular necessita de pelo menos 1,5 milhão de assinaturas para a proposta ganhar corpo. A causa, a exemplo da Lei da Ficha Limpa, é nobre. É verdade que muitos candidatos conseguiram driblar a lei e se eleger, mas tiveram muito mais trabalho, não resta dúvida. Alguns, graças à lei, continuam com seus votos empatados na Corte Superior, e ainda não sabem se os terão de volta. A consolidação do processo democrático brasileiro ainda é algo distante, é verdade, mas as novas demandas que emanam da população mostram que estamos no caminho certo.
Marca registrada
Deixemos de lado um pouco os homicídios. A questão envolvendo os policiais militantes e civis, que decidiram não apoiar a candidatura a prefeito do ex-secretário de Segurança (Sesp) Rodney Miranda em Vila Velha, nada mais é do que resposta a outra marca atribuída ao demista: a falta de investimentos nas polícias, durante o longo período em que respondeu pela pasta estadual. O que resultou em um quadro de sucateamento e abandono, além de ter gerado as piores crises entre o comando militar e o Executivo. Esse histórico pesado de Rodney é o que cria uma situação incomum na eleição, pois, geralmente, quando um representante da força militar torna-se candidato, a categoria tende a apoiá-lo. Mas a negligência do delegado Rodney não permite a unidade, e sim o racha. De um lado, os policiais que sentiram na pele a desastrosa gestão do demista. Do outro, a Guarda Municipal, iludida com o discurso midiático de promessas. No meio, os eleitores de Vila Velha, que obviamente têm todo o direito de votar e eleger Rodney. Mas depois não vale reclamar: é comprar gato por lebre. Conveniências Como as eleições são movidas por interesses do momento, Rodney apresenta garantias para a Guarda Municipal como armamento, contratações, aparelhagem e etc, em discurso oposto às suas ações à frente da Sesp. E mais ainda em relação à cautela e resistência que ele sempre demonstrou ter em relação ao uso de arma pela categoria. Agora vale tudo. Depois é que são elas. Segue… A questão, aliás, é polêmica e questionável. Debates apontam que a guarda metropolitana, que tem o papel de proteger o patrimônio público, deve ter caráter social, não repressivo. Também é o que indicam as boas experiências espalhadas país afora. Debate faz-se necessário. Fogo cruzado A propósito, o problema do anúncio dos prefeitos petistas reeleitos Carlos Casteglione (Cachoeiro de Itapemirim) e Leonardo Deptulski – Batata (Colatina) de apoio a Rodney no segundo turno, já foi levado para as internas do PT. As bases estão incomodadas e a cobrança é por uma manifestação do partido. A crise é latente. Fogo Cruzado II O presidente regional da sigla, José Roberto Dudé, já esteve com os prefeitos; a deputada federal Iriny Lopes tem enfatizado que isso não pode passar despercebido, e o subsecretário estadual de Direitos Humanos Perly Cipriano, em encontro casual com o presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado, Guerino Balestrassi, que participou da manobra, demonstrou a ele sua revolta. Tem muito para render. Contradição Aliado do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), Guerino tem influência direta sob Batata e ajudou a angariar recursos para as duas candidaturas. A conta foi cobrada e os dois declararam apoio a Rodney. PT e DEM não se misturam. Muda nada Projeto do deputado estadual Sandro Locutor (PV) quer estabelecer regras para as pesquisas eleitorais no Estado, para impedir a manipulação do eleitorado. Mas a legislação eleitoral já dispõe sobre o assunto. É caso sem solução mesmo. Comovente… O vereador de Vitória Dermival Galvão (PMDB) chora as pitangas da derrota de sua candidatura à reeleição em artigo publicado no site da Câmara. Assunto pessoal no público, é isso mesmo? Sem nexo Edson Ribeiro (PSDC), último colocado na disputa em vitória, não quer mesmo largar o osso. Quem está interessado nesse festival de notas? Já deu. 140 toques “Movimentação na Câmara da Serra. É a eleição da presidência!”. (Vereadora Sandra Gomes – PSDC – no Twitter). PENSAMENTO: “Quem se empenha em fazer sucessor quer suceder a ele”. Carlos Ayres Britto
Serendipidade
Um dia, num momento de grande aperto, teve que pedir dinheiro emprestado. Um valor alto, se não arranjasse perdia a casa. O cunhado emprestou com a melhor das boas vontades, Mesmo com sacrifício, disse. Melhor ainda, não cobrou juros nem marcou data de pagamento. A dívida monetária Voltero ia pagar em breve, mas a dívida moral não poderia pagar nunca. Portanto, na família, cunhado virou sinônimo de irmão. O reconhecimento pelo favor prestado se estendeu ao Vasco, o time do cunhado. Doravante, na família, Vasco e Flamengo deixavam de ser times rivais, eram parceiros. Se o Vasco jogava com outros times, Voltero torcia pro Vasco; se jogava com o Flamengo, não assistia ao jogo e nem torcia por seu time de coração. Nem se fosse final de campeonato. Voltero é uma das raras pessoas que tem uma aptidão chamada serendipidade – uma facilidade para descobrir coisas por acaso, geralmente agradáveis. Mesmo sem pesquisar nos sites da Internet, sem contratar detetives, ou sem frequentar os mesmos lugares que o cunhado frequenta, Voltero por acaso descobre que o cunhado está traindo a esposa. No caso, sua dileta e única irmã. A vida tranquila e cheia de gratidão de Voltero de repente vira um caos. O acaso vai mais longe, e sem querer ele descobre que a traição é de primeiro grau – a outra é teúda e manteúda, como se dizia antigamente – com casa montada e todas as contas pagas. Voltero sente-se no dever moral de contar à irmã, sangue do seu sangue, que vive feliz e apaixonada, confiante no bom esposo. Mas lembra do juramento que fez – nessa família cunhado é sinônimo de irmão! A esposa traída vê no marido todas as virtudes que poucos seres humanos conseguem reunir em uma só pessoa: bom, bonito, abastado; inteligente, eficiente, bem relacionado. Jamais contraria a esposa e a trata como rainha, com o coração e a conta bancária sempre escancarados. Convenhamos, é vitamina demais num copo só. Alguma coisa tinha mesmo que dar errado. Descobrir por acaso coisas que ninguém mais percebe sempre foi uma distração para Voltero. Percebeu o dom desde criança, mas nunca o usou contra ninguém, como também nunca lhe trouxe beneficio algum. Agora, de repente, justo quando resolve promover o cunhado a irmão e quando pela primeira vez lhe deve alguma coisa, descobre o que preferia não saber. Melhor seria continuar cego como sua irmã. Nasce daí o impasse – contar ou calar? Ponderando prós e contras, contar é seu dever de sangue, mesmo sabendo que a irmã é feliz. Por outro lado, a única aptidão da irmã é para o consumismo contumaz; se largar o marido, vai viver às custas de quem? Voltero nada conta e considera suas duas dívidas liquidadas. E parou de torcer pro Vasco.
Crise existencial
Depois da eleição municipal, o PT capixaba começa, ainda que timidamente, a discutir seu Processo de Eleição Direta (PED), que só acontecerá em dezembro de 2013. Mas até lá, o partido deve se desdobrar internamente para tentar aprofundar um dilema existencial: ser ideológico ou aderir de vez às articulações políticas esdrúxulas que se estabeleceram no País. Pelo jeito, os prefeitos reeleitos Leonardo Deptulski e Carlos Casteglione já fizeram suas escolhas. Não titubearam em declarar apoio a Rodney Miranda (DEM) no segundo turno em Vila Velha. O que significa isso? Mais do que apoiar um candidato que pertence a um partido da oposição à presidente Dilma Rousseff, estamos falando do ex-secretário de Segurança do governo Paulo Hartung (PMDB). Governo que se destacou negativamente nessa área, seja pela vista grossa à matança de jovens negros de periferia, seja pelo desrespeito aos direitos humanos, masmorras, ou ainda pelo grampo à imprensa. Enquanto isso, o PT, ou melhor, parte dele, preferiu não enfrentar os problemas graves do governo, apegando-se à base de Paulo Hartung, e em nome dos interesses de um grupo, mudou o perfil do partido. Não seria justo, porém, creditar toda a descaracterização do PT a duas lideranças apenas. O partido no Estado segue uma lógica que vem sendo implementada no PT nacional, desde a ascensão de Lula ao poder. Mas há que se ponderar sobre o preço a ser pago pela permanência no poder. Lula abriu mão de um palanque “puro” e foi graças a aliança com outras forças políticas, algumas do campo progressista, outras nem tanto, que chegou à presidência da República. Abriu mão de algumas bandeiras para conquistar a presidência. Mas Lula tinha limites. Nunca antes na história do País, os banqueiros foram tão favorecidos. Por outro lado, os programas sociais, por mais criticados que sejam, garantiram uma certa inserção da população no mercado. Foi em seu governo que a Classe C encorpou. Algumas brigas antes encampadas pelo partido, como a reforma agrária, a demarcação das terras de comunidades tracionais, indígenas, a luta das minorias, essas questões ficaram complicadas, já que não dá para agradar gregos e troianos. Mas houve avanços. O problema das alianças estabelecidas no Espírito Santo é que elas beiram à falta de pudor. Se a crítica nacional não perdoou a movimentação petista em São Paulo, que anda de mãos dadas com Maluf, deviam os petistas capixabas ficarem ruborizados ao serem fotografados ao lado de Camilo Cola (PMDB). Fragmentos 1 – Os deputados estaduais aproveitaram a sessão da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (17) para lembrar o abandono da obra do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória. Uma comissão de parlamentares vai visitar as obras, que estão paradas. 2 – José Esmeraldo (PR) lembrou que a licitação foi feita no governo passado, sem que se considerassem as dificuldades financeiras pelas quais o Estado passaria no futuro. Hartung deixou a bomba para seu sucessor, que sem dinheiro não pode dar continuidade à suntuosa construção. 3 – Orçada inicialmente em R$ 115 milhões, seria a menina dos olhos do governo Paulo Hartung, e se tornou o elefante branco do governo Casagrande. Além disso, a população reclama que o lugar está sendo tomado por usuários de crack.