Na sessão ordinária desta terça-feira (16) da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Gilson Lopes (PR) novamente se pronunciou sobre a situação do sistema penitenciário do Estado. O tema, que já tem sido movimentado com o debate sobre a abertura de penitenciárias em regime semiaberto, ganhou novos ares. Gilson afirmou novamente que a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) tem fechado os olhos para os pronunciamentos e as movimentações do Legislativo estadual sobre a questão penitenciária. “Se o governo do Estado e a Sejus tivessem atenção para o que estamos falando, vão ter um alívio no sistema prisional”, disse o republicano. O deputado sugeriu ao governo um “mutirão” no sistema, para resolver questões de superlotação e irregularidades em prisões. Segundo ele, há diversos casos de presos com prazos extrapolados, além de pessoas que estão e foram presas injustamente em todo o Estado, que hoje atinge o índice de 14.500 presos. Gilson afirmou que suspeitos de crimes, antes de receberem o julgamento, ficam presos por até dois anos e depois disso são considerados inocentes. Isso gera um amontoado de ações contra o poder público, exonerando o Estado e acumulando processos. Na última semana, Gilson Lopes já havia criticado duramente a proposta governamental de abertura de duas unidades prisionais em regime semiaberto, a Penitenciária Semiaberta de Cariacica (PSC) e a Penitenciária Estadual de Vila Velha III (PEVV III). Segundo o deputado, é sabido que este tipo de regime não traz ganhos para a segurança e, inclusive, aumenta os índices de roubos e furtos nas áreas próximas. Gilson recebeu do líder do governo na Assembleia, o deputado Sérgio Borges (PMDB), uma nota técnica sobre o projeto. Nesta terça-feira, ao comentar sobre o documento, afirmou que o secretário de Estado de Justiça, André Garcia, “deveria ter vergonha de assinar a nota”. Na terça-feira da semana passada (9), quando o republicano fez o pronunciamento, o deputado Sandro Locutor (PV), relator do projeto, solicitou o prazo regimental de três sessões ordinárias para concluir o seu parecer. Com isso, a votação deve ocorrer nesta quarta-feira (17), quando termina o prazo.
Luiz Paulo e Neucimar também aderem ao discurso do novo para tentar reverter vantagem
As urnas abertas no dia 7 de outubro último deixaram um recado: o eleitor está disposto a experimentar, quer o “novo”. Os marqueteiros mais perspicazes que perceberam essa tendência e construíram a imagem de seus candidatos no vácuo da onda do novo, acabaram elegendo seus candidatos ou levando-os para o segundo turno com boa vantagem. Luciano Rezende (PPS) e Rodney Miranda (DEM), respectivamente candidatos a prefeito de Vitória e Vila Velha, parecem ter assimilado bem o discurso no novo, pelo menos as urnas e as primeiras pesquisas eleitorais têm mostrado isso. A falta de experiência, que em outras eleições sempre significava uma barreira para estreantes e novatos, se transformou em trunfo de campanha e acabou sendo incorporada no “projeto do novo”. Ou seja, não ter tido passagem por cargo executivo passou a identificar o candidato com o apelo do novo. Mais ou menos na linha: “vamos experimentar quem nunca governou”. Ao fechar o primeiro turno com o placar desfavorável, tanto Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) como Neucinar Fraga (PR), todos dois com a experiência no currículo, entenderam que para tentar reverter a vantagem imposta, respectivamente, por Luciano e Rodney, teriam que aderir ao discurso do novo. Nos primeiros movimentos deste segundo turno, Luiz Paulo tem procurado mostrar ao eleitor que pretende unir experiência à inovação. Ele já se preocupa em dizer ao eleitor que tem “projetos inovadores para Vitória”. Sua equipe já gravou um novo jingle de campanha e reformulou o cenário onde são gravados os programas – um remake total. Mas, no primeiro turno, o discurso era outro. O candidato tucano pautou sua estratégia em cima da experiência. Nos seus discursos, Luiz Paulo fez questão de martelar que acumulava dois mandatos (1997 – 2000; 2001 -2004) à frente da prefeitura da Capital, e os tratava como diferencial. Além dos dois mandatos, Luiz Paulo ainda destacou a sua experiência na área econômica para enfrentar os desafios futuros reservados para Estado e para Vitória. Ele alertou sobre as perdas de receitas com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e da iminente mudança no sistema de partilha dos royalties entre os estados produtores e não produtores de petróleo, como ameaças que exigiriam um gestor com larga experiência na área. Mas nada disso, no entanto, sensibilizou o eleitor, que preferiu apostar em Luciano, que nunca exerceu cargo executivo ou tampouco tem a experiência de Luiz Paulo na área econômica. Neucimar, que entrou no segundo turno atrás de Rodney, também deixou um pouco de lado o discurso da experiência para convencer o eleitorado que também é capaz de inovar. O republicano também tenta associar suas realizações à frente da administração municipal como iniciativas modernas, inovadoras. A pouco mais de 10 dias do segundo turno, talvez seja tarde para Luiz Paulo e Neucimar convencerem o eleitor de que também estão inspirados na onda do novo, que tanto empolgou os eleitores no pleito deste ano. De outro lado, Luciano e Rodney seguem firmes com o discurso do novo na ponta da língua e, com a larga vantagem construída sobre seus adversários, pretendem ser mais conservadores do que nunca em matéria de estratégia de campanha. Nesse caso, ambos não pretendem inovar.
Cláudio Vereza protocola requerimento de criação da Frente Parlamentar da Juventude
O deputado estadual Cláudio Vereza (PT) protocolou requerimento nessa segunda-feira (15), visando à criação da Frente Parlamentar de Defesa das Políticas Públicas para a Juventude. A frente é reivindicação dos movimentos sociais que defendem a adoção de políticas públicas para a promoção da dignidade dos jovens no Estado. Durante a 1ª Semana Estadual da Juventude, ocorrida no mês de setembro, as entidades que participaram do encontro propuseram a criação da frente parlamentar com o objetivo de estabelecer iniciativas e ações que promovam a dignidade da juventude do Estado, por meio de políticas públicas que valorizem os jovens. A expectativa é que o Estado vivencie um novo momento na implementação de políticas públicas de promoção de dignidade para jovens, principalmente aqueles residentes de regiões periféricas. A criação da Frente pode significar mais um espaço de debate sobre essas políticas públicas, já que no início do mês de setembro também foi regulamentado o Conselho Estadual da Juventude (Cejuve). Uma das primeiras ações do Conselho deve ser a criação de um Plano Estadual de Políticas Públicas de Juventude, com a previsão de políticas que promovam a garantia de direitos em áreas como saúde, educação, cultura, esporte, lazer e trabalho. Até a regulamentação do Cejuve, o Espírito Santo era um dos poucos Estados do País que ainda não tinha um Conselho de Juventude. Além disso, o recorte de Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil coloca o Estado em segundo lugar no ranking de mortes de pessoas com idades entre 0 e 19 anos com taxa de 33,8 homicídios de jovens por grupo de 100 mil, só perdendo para Alagoas, por apenas um ponto, que registra 34,8 homicídios por 100 mil.
Venda de terras tradicionais em larga escala agrava a insegurança alimentar
O relatório Situação da Terra, divulgado nesta terça-feira (13),pela ONG ActionAid, afirma que a venda de terras de comunidades tradicionais em larga escala pode agravar a insegurança alimentar, principalmente com a concentração de posse por grupos estrangeiros. O caso é semelhante ao registrado nas terras quilombolas capixabas, onde a insegurança alimentar foi relacionada com a ocupação das terras tradicionais das comunidades do Sapê do Norte, nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus, norte do Estado. Na região, grande parte das terras é ocupada pela Aracruz Celulose (Fibria). Segundo o relatório, a concentração da terra por grandes empresas estrangeiras é focada na exportação, deixando a produção local marginalizada, comprometendo assim a sobrevivência das comunidades. O estudo aponta o problema f em 24 países da América Latina, África e Ásia. No caso das comunidades tradicionais que vivem no norte do Espírito Santo, as grandes aquisições envolveram não apenas o uso indevido de suas terras, mas também a exploração dos recursos hídricos, colocando em risco o abastecimento e o cultivo de alimentos por essas famílias. O documento da ActionAid cita ainda uma comunidade no Quênia em que uma multinacional comprou uma área de 2,3 mil hectares para a produção de arroz, deixando sem terra e com menos acesso à água os pequenos agricultores que viviam na área. No Espírito Santo, só a monocultura de eucalipto mantida pela Aracruz Celulose ocupa 174 mil hectares de terras, sendo parte delas consideradas área de comunidades tradicionais. De acordo com os dados da ActionAid, 56% da terra agricultável do país estão nas mãos de 3,5% dos proprietários rurais. Os 40% mais pobres têm apenas 1% dessas terras. Para o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entre as causas da insegurança alimentar estão também: padrão alimentício em função do lucro; desigualdade econômica e social; modelo agrícola hegemônico; produção de agrocombustíveis; agrotóxicos, e o sistema intensivo de produção animal (alto consumo de grãos). No relatório foram reconhecidos os esforços do governo brasileiro para fortalecer a agricultura familiar e os povos do campo, porém, foi cobrado com urgência a implementação de políticas que protejam comunidades vulneráveis à exploração fundiária. A implementação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, regulamentada em agosto, e a redução drástica no uso de agrotóxicos na agricultura nacional também estão entre as sugestões do documento para o caso brasileiro.
Luciano Rezende rebate críticas tucanas com direito de resposta
O programa do candidato do PSDB a prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, cedeu por determinação judicial espaço para o direito de resposta do adversário na disputa do segundo turno, Luciano Rezende (PPS). A nota foi veiculada no horário eleitoral desta terça-feira (16) e causou impacto nos meios políticos. No programa do último domingo (14), o tucano endureceu o discurso contra Luciano, dizendo que ele teria contratado candidatos “laranja” para atacá-lo. O tucano utilizou também imagens dos candidatos Gustavo De Biase (Psol) e Iriny Lopes (PT) no primeiro turno, que em momentos diferentes falaram em manobras contra o candidato que até então liderava a corrida eleitoral. A justiça concedeu a Luciano dois minutos de direito de resposta. Na nota, o candidato do PPS afirma que a investida do adversário é “desesperada”. Também afirma que não vai “baixar o nível” porque é um candidato “civilizado”. Para os meios políticos o direito de resposta vem ao encontro de uma indagação sobre o posicionamento de Luciano em relação às críticas. A nota acirra ainda mais os ânimos no segundo turno da Capital, que nesta nova fase ganhou um tom mais duro entre os candidatos. Acendendo ainda mais a discussão, De Biase e Iriny Lopes anunciaram nessa segunda-feira (15) que estudam ir à Justiça contra a veiculação de suas imagens no programa de Luiz Paulo. Os dois candidatos foram incisivos em dizer que não apoiam nenhum dos candidatos que disputam o segundo turno. Além dos direitos de resposta, a Justiça Eleitoral proibiu a utilização das imagens dos outros candidatos. O discurso de Luiz Paulo reforça a mudança de postura do candidato no segundo turno. Aliás, tanto em Vitória quanto em Vila Velha, os candidatos que chegaram em segundo lugar na disputa do segundo turno partiram para uma estratégia diferente na nova fase, indo para o ataque contra os candidatos que lideram a corrida eleitoral.
Dia Mundial da Alimentação é marcado por marcha e debate em Vitória
Para marcar o Dia Mundial da Alimentação, o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado (Consea-ES) realizou a marcha pela inclusão social no campo e na cidade, sem agrotóxico e transgênicos, com agricultores familiares do Estado, nesta terça-feira (17). Além da manifestação, o conselho realizou debates que se estenderão até esta quarta (17), para discutir a segurança alimentar no Estado. O objetivo, segundo o Consea-ES, é promover o associativismo e o cooperativismo que garanta a segurança alimentar e nutricional da população. Durante os debates realizados nesta terça (17), estiveram em pauta a situação atual da agricultura familiar e o uso de agrotóxico no Estado. Presente no evento, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), conhecido por sua luta pela produção de alimentos livres de agrotóxico, aproveitou para promover e divulgar a “Campanha Permanente contra Agrotóxico e Pela Vida”. Entre as palestras previstas realizadas estão: “Efeito dos agrotóxicos na saúde humana” e “Associativismo e Cooperativismo como estratégia da Política de Segurança Alimentar e Nutricional, da Política Nacional de Agroecologia e da Produção Orgânica”. Também participam do debate representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Consea Nacional e da Certificação Chão Vivo. Nesta quarta (17), o debate será em torno dos impactos de cooperativas agropecuárias na efetivação do direito humano à alimentação adequada e saudável no Estado, com os palestrantes Alcemi Almeida de Barros, do Consea-ES/Ufes e Jeane Albani Tres Trevesani, presidente da Unicaf's (União de Cooperativas de Agricultores Familiares). Os desafios e a implementação do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional, produção e política de abastecimento, circuitos curtos de produção e abastecimentos em nível estadual: ações e programas em desenvolvimento; pesca e aquicultura como áreas estratégicas de segurança alimentar e nutricional também estão entre os temas que serão debatidos nesta quarta (17). Serviço: Data: 17 de outubro de 2012 Horário: 17/10 – 9 h às 17 horas Local: Capela da Faculdade Católica Salesiana, em Vitória
Assembleia Legislativa analisa orçamento do Estado para 2013
A Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa analisa o texto do projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado para o ano de 2013. O presidente da Comissão de Finanças e relator do projeto, deputado estadual Sérgio Borges (PMDB), anunciou o início da realização das audiências públicas para discussão do texto com a sociedade no próximo dia 28. A votação do Orçamento é a principal matéria na pauta da Casa neste final de ano. Durante a sessão dessa segunda-feira (15), o peemedebista afirmou que a matéria está sob análise da área técnica da Comissão desde o início deste mês. “Estamos analisando o texto e vamos começar a realizar as audiências publicadas, quando serão ouvidas todas as microrregiões do Estado”, garantiu o deputado, que também é líder do governo na Casa. As audiências devem ocorrer até a segunda quinzena de novembro, quando o texto deverá ser votado pelos parlamentares. O limite para a votação da lei orçamentária é até o dia 2 de dezembro. Caso contrário, os parlamentares não poderão entrar em recesso até a deliberação da matéria. O texto também deve ser alvo de emendas dos parlamentares, que têm até R$ 1 milhão para indicar em obras e repasses de recursos. No plenário circula um movimento para ampliação do valor das emendas, porém, o governo sinalizou que não deve garantir nenhum reajuste. Borges pediu cautela aos colegas, sobretudo com o cenário de perdas financeiras para o próximo ano. “O orçamento está disponível para que os deputados possam apresentar suas emendas. Lembro que apenas os deputados têm direito a fazer emendas no texto. Não existe a figura de emenda popular, somente os parlamentares têm esse direito pela Constituição Federal. É claro que vamos ouvir as lideranças populares na hora de formular as emendas”, garantiu. Apesar de o orçamento prever o aumento nos repasses para toda administração pública, o tom do governo é de cautela. Somente os órgãos ligados ao Judiciário – Tribunal de Justiça e Ministério Público vão receber quase R$ 1 bilhão no próximo ano. Somados com os gastos com a Assembleia e o Tribunal de Contas, o custo deve chegar a R$ 1,4 bilhão. O total do orçamento é de R$ 13,9 bilhões, com projeção de R$ 1,6 bilhão em investimentos. Foram destacados no texto do orçamento os repasses de R$ 100 milhões para investimentos na segurança pública; R$ 164 milhões para reestruturação de cargos e carreiras, concursos e reajuste salarial; R$ 200 milhões para pagamento de precatórios; R$ 30 milhões para emendas parlamentares; R$ 18,8 milhões para o Programa Nossa Bolsa, e R$ 82,5 milhões para o Transcol Social.
Mesmo com informações de paradeiro, Diego não foi recapturado
Depois de quase duas semanas de ocorrida a fuga, o detento Diego Ribeiro Nascimento ainda não foi recapturado, embora haja uma operação em curso para prendê-lo. O detento é acusado de ser um dos executores do sindicalista de Conceição da Barra (norte do Estado), Edson José dos Santos Barcellos. O prefeito do município, Jorge Donati (PSDB), foi denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPES) como mandante do crime. As informações sobre o caminho que o detento seguiu após fugir do Hospital São Camilo, em Aracruz (norte do Estado), onde deu entrada com quadro de infecção urinária, dão conta que Diego se refugiou em Conceição da Barra, mas ainda não foi recapturado naquele município. A fuga de Diego Ribeiro se revela um dos tantos casos que ocorrem em crimes relacionados a Donati. Embora exista a informação que o foragido esteja em Conceição da Barra, ele não foi recapturado. Em todos os crimes em que o prefeito é apontado pela Justiça como parte, ocorrem crimes paralelos envolvendo participantes que não são relacionados a ele, enfraquecendo a acusação. Somente no assassinato de Edson, que foi morto em julho de 2010, pelo menos outros três crimes paralelos teriam acontecido que sequer foram relacionados ao caso, já que para todos eles apareceram supostos executores. O primeiro deles foi o assassinato de Diones dos Santos, conhecido como Porquinho, morto oito dias após a morte do sindicalista, em Linhares, norte do Estado. Porquinho é apontado como “piloto de fuga” do sequestro de Edson. O crime, investigado pelo delegado Fabrício Lucindo Lima, da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Linhares, foi tipificado como briga de gangues por território no município e não como queima de arquivo, já que um traficante da região, Odielei Fialho da Silva, conhecido como Lei, assumiu a autoria e a investigação se encerrou na confissão. O padrasto de Porquinho, Mateus Ribeiro dos Santos, conhecido como Mateusão, soube do envolvimento do enteado, já morto, no crime do crime do sindicalista. Ao saber da participação, prestou depoimento à Polícia Civil no dia 4 de novembro de 2011 atestando o envolvimento de Porquinho no crime. Já em 12 de março de 2012, Mateus compareceu ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) para denunciar que estava ameaçado de morte por Jorge Donati. A declaração foi feita na presença do juiz Paulino José Lourenço, assessor especial da Presidência do Tribunal, e do procurador de Justiça Sócrates de Souza. No dia 5 de abril deste ano Mateusão foi executado em uma mercearia em Linhares. Após a morte de Mateusão, o prefeito de Conceição da Barra chegou ser preso e ficou recolhido no Quartel do Comando Geral (QCG) em Maruípe, Vitória. No entanto, o acusado de ser o executor de Mateus, Vitor Silva Ferreira, o Vitinho, preso em 18 de maio, disse que matou por vingança, isentando o prefeito de participação. Neste caso, mais uma vez, um acusado contou uma história inverossímil para basear sua tese e a investigação – também presidida pelo delegado Fabrício Lucindo – foi encerrada na confissão. Mais recentemente assassinaram um ex-policial motorista de táxi de Conceição da Barra, Walter Coutinho Cozer, encontrado em 14 de fevereiro deste ano. O corpo carbonizado do taxista foi encontrado no porta-malas do carro que dirigia. À semelhança dos demais crimes que implicam Donati, o autor foi rapidamente encontrado. Huagno Rodrigues foi preso em 24 de fevereiro afirmando que havia matado e incendiado o corpo do taxista para roubar um talão de cheques. Este caso foi investigado pelo delegado Janderson Lube, que também concluiu o inquérito na confissão do acusado. No caso de Diego, que fugiu há duas semanas, não há informações sobre o inquérito que apura a evasão. Informações dão conta que o agente que fazia a escolta do detento deu quatro versões diferentes para a fuga e que Diego sequer estava algemado no hospital. Participação O foragido Diego Ribeiro Nascimento, acusado de ser um dos executores, em depoimento à Polícia Civil, confessou que foi contratado por intermédio de Oséias Oliveira da Costa para matar o sindicalista, pela quantia de R$ 7 mil, “a mando de um peixe grande que chamava Jorge Donati”. O outro investigado pela autoria do crime é Rodolpho Nascimento do Amaral Ferreira. Após matarem o sindicalista, os dois pistoleiros teriam seguido para o município de Aracruz para se livrar do carro da vítima. O corpo foi “desovado” em local ermo e eles atearam fogo no Santana do sindicalista, para dificultar as investigações da polícia. As duas armas utilizadas no crime, segundo a denúncia do MPES, foram fornecidas por Janes Antônio de Almeida e Rondinelli Ribeiro do Nascimento Amaral. Donati fora preso preventivamente no final do ano passado e em janeiro deste ano acusado de envolvimento no crime. A segunda prisão de Donati foi motivada pela morte de uma das testemunhas do crime do sindicalista, Mateus Ribeiro dos Santos, o Mateusão, que foi executado em Linhares, após denunciar que o prefeito de Conceição da Barra estava envolvido com o crime.
Decisão mantém cassação de prefeitos nas comarcas
O juiz da comarca de Pancas (noroeste do Estado), Adelino Augusto Pinheiro Pires, declarou, nessa segunda-feira (15), a inconstitucionalidade dos dispositivos da Emenda 85, que transferiu o julgamento de ações contra prefeitos e deputados que possam resultar na perda do cargo para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). A discussão é alvo de divergências entre parlamentares e o Ministério Público Estadual (MPES), que fez o pedido para manter o julgamento nas comarcas. No entendimento do juiz, a emenda aprovada em julho deste ano ofende ao princípio da isonomia, previsto na Constituição Federal. Adelino Pires alega que a Constituição Estadual prevê que o governador do Estado e os desembargadores do TJES, mesmo com foro privilegiado, serão julgados pelo juízo de 1º grau em ações de improbidade. Tratamento diferenciado em relação aos agentes públicos que também são julgados pela principal corte do Judiciário capixaba. “Trata-se de uma desigualdade aberrante. O governador do Estado não possui o foro por prerrogativa de função que possuem o vice-governador e os secretários de Estado, enquanto que juízes de 1º grau são julgados pelo Tribunal de Justiça, não obstante sejam competentes para julgar os desembargadores do Tribunal de Justiça, nas ações de improbidade administrativa”, observou. A decisão manteve o julgamento de duas ações de improbidade administrativa contra o prefeito de Pancas, Luiz Pedro Schumacher (DEM), na comarca do município. Dez dias antes, o mesmo juiz havia se manifestado favoravelmente ao envio dos autos dos processos ao Tribunal de Justiça. Naquela sentença, Adelino Pires não havia encontrado qualquer infração à Constituição, tese que foi alterada após os autos serem encaminhados para o Ministério Público – principal defensor de mudanças na lei. Desde a publicação da emenda, os promotores de Justiça de todo o Estado foram recomendados a questionar a validade da norma. No dia 10 de julho – um dia após a entrada em vigor da norma –, o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes de Souza, expediu a notificação nº 02/2012, que recomendou aos promotores locais que se manifestassem contrariamente ao acolhimento da emenda. O chefe do Ministério Público previa até mesmo o preparo de recursos contra eventuais decisões favoráveis à emenda. Com essa decisão, a mesma interpretação poderá ser utilizada por outros juízes de 1º grau, que também estão sendo questionados sobre a aplicação – ou não – da Emenda 85. No início de agosto, Eder Pontes enviou uma representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra a legalidade da norma que ganhou a alcunha de “PEC do foro privilegiado”, quando foi aprovada a toque de caixa pelos deputados estaduais. A celeridade na votação – ocorrida ainda sobre efeitos da notícia da cassação do deputado José Carlos Elias (PTB) pelo não pagamento das custas de um recurso – foi um dos pontos tocados pelo chefe do Ministério Público na representação. Eder Pontes apontou 13 dos 30 deputados capixabas na época da aprovação da proposta. No caso dos parlamentares denunciados – listados no texto – se abstivessem de votar, ele indiciou que não haveria quorum suficiente para aprovação. Entre os pedidos feitos na ocasião, o chefe da MPES solicitou a avaliação sobre o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) do texto da emenda. O assunto também é alvo de polêmicas entre juristas que observam com cautela a declaração de inconstitucionalidade por juízes de 1º grau. Eles alegam que o foro adequado para discussão da legalidade da norma é mesmo o Supremo. “No mínimo, o pleno do Tribunal de Justiça deveria se manifestar sobre a emenda”, alegam. Por outro lado, um grupo de juristas aponta prejuízos processuais no esvaziamento das funções dos juízes de 1º grau. Em artigo publicado no site do próprio MPES, os promotores Alexandre de Castro Coura e Gustavo Senna Miranda sustentam que alguns dos efeitos da mudança de foro nas ações serão o distanciamento do tribunal dos fatos, bem como o risco da falta de celeridade no trâmite dos processos. “Outro obstáculo à consagração do foro por prerrogativa de função nas ações de improbidade administrativa relaciona-se à sobrecarga dos tribunais brasileiros, sabidamente abarrotados e congestionados. […] Nesse passo, o foro especial para o julgamento das ações de improbidade administrativa acabará importando em retrocesso, na contramão da reforma do Poder Judiciário. Isso porque, a reforma busca aliviar a carga dos tribunais”, apontam. Eles citam as estatísticas do Ministério Público, que ajuizou 1.224 ações de improbidade entre os anos de 1992 e 2009. Somente nos últimos três anos da relação, o número de denúncias ajuizadas por ano foi superior a 200. “Projetando tal tendência a nível nacional, evidencia-se, ainda mais, o perigo da premissa intentada pela emenda. Haverá número suficiente de desembargadores? Haverá número suficiente de procuradores de justiça? E os demais recursos humanos disponíveis na Comarca da Capital?”, questionam. A decisão do juiz de Pancas ainda cabe recurso do prefeito e dos demais denunciados pelo Ministério Público. A expectativa é de que a análise deste recurso possa encaminhar o julgamento até as instâncias superiores. Pelo rito processual do TJES, os questionamentos passam pelas câmaras cíveis até a chegada ao Tribunal Pleno, principal corte do Judiciário capixaba.
Ministro afirma que Dilma vai vetar poucos pontos da MP do Código Florestal
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro, afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai vetar poucos pontos do novo Código Florestal. A notícia é da Agência Brasil, para quem o ministro garantiu que o novo Código não terá grandes surpresas. O decreto tem dois dias para ser publicado, regulamentando a nova legislação ambiental. A afirmação é resultado dos debates entre a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o ministro Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário. Os três vem se reunindo para debater a nova legislação. Segundo Mendes Ribeiro, as questões referentes às Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em margens de rios e de nascentes, alteradas pelos parlamentares, devem ser revistas com o decreto. Entidades ambientais defendem alterações em três pontos fundamentais: (Art.61-A, §4º) que reduz a obrigação de recompor APP ciliar em imóveis acima de quatro módulos fiscais; (Art.61-A, § 5º) que restringe a recomposição de 15 metros de áreas de preservação de nascentes “perenes”, e (Art.61-A §13) que estabelece os métodos de recomposição APPs, estabelecendo o detalhamento metodológico por regulamentação e eliminando a hipótese de recomposição integral com espécies frutíferas e exóticas. Sem muita expectativa, as entidades afirmam que Código que substituirá a atual legislação demonstra o distanciamento do parlamento brasileiro dos interesses da sociedade e a aproximação com os interesses ruralistas. Os vetos cobrados, dizem eles, é o mínimo que a presidente Dilma poderá fazer. Do contrário, reinará um ambiente favorável a novos desmatamentos ilegais em todos os biomas brasileiros, motivados pelo sentimento generalizado de impunidade.