Os conselhos ambientais no Espírito Santo prestam um desserviço à população, ao optarem por reduzir multas aplicadas a empresas que são conhecidas por promoverem constantes impactos ambientais. Estranhamente, esta tem sido a máxima há pelo menos dois anos. O caso da Transpetro, subsidiária da Petrobras, reincidente em vazamentos de óleo no litoral capixaba, é exemplo claro desse absurdo. Cometer crime ambiental no Estado virou prêmio. E é exatamente por isso que as empresas não estão nem aí. Quem concedeu esse enorme gentileza à Transpetro foi o Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema I), no norte do Estado. Em 2009, a empresa foi multada em R$ 200 mil, por contaminação à praia de Barra Nova, em São Mateus. Primeiro, recebeu 10% de desconto, quis mais e chegou aos 50%. Um ótimo negócio. O que torna a ação do conselho ainda mais grave é que a subsidiária da Petrobras tem um histórico lamentável na área ambiental, principalmente neste município em questão. O que inclusive já gerou, este ano, outra Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF-ES), desta vez com pedido de condenação no valor de R$ 50 milhões, para compensar os danos ambientais e sociais causados por sucessivos vazamentos de petróleo na região do Terminal Norte Capixaba (TNC). No ano passado, o mesmo MPF-ES propôs ação penal contra a empresa e o então gerente operacional do TNC Ronaldo Rômulo Costa, também por crime ambiental, sob a acusação de serem os responsáveis por dois dos acidentes ambientais que causaram o vazamento de mais de dois mil litros de petróleo no mar ocorridos em 2009. E novas denúncias ainda estão por vir, já que na conta da Transpetro estão quatro vazamentos que contaminaram o mar, comprometendo espécies já ameaçadas de extinção. Fora os prejuízos gerados aos moradores, que vivem da pesca artesanal. A justificativa do Conrema I para a redução da multa é que a empresa tomou providências para minimizar os efeitos degradantes do acidente. Mas isso não deveria ser mais do que obrigação da empresa? Esta é exatamente a questão central. Todos os acidentes poderiam ter sido evitados, mas nunca houve interesse por parte da Tranpetro em adotar medidas preventivas. Até outro dia, a subsidiária da Petrobras sequer tinha um plano de contenção eficaz para os casos de acidente. Conhecendo agora o caminho das pedras, a empresa investirá em reduzir outras duas multas que recebeu: de R$ 6,2 milhões e R$ 750 mil. E tem chances de novamente sair no lucro. Não me consta que este seja o papel de existir dos conselhos ambientais. Mas em um Estado que tem como carro-chefe um Consema que se dobra a todos os grandes empreendimentos poluidores, é o mínimo que poderia se esperar. O dever de casa tem sido cumprido à risca. Manaira Medeiros é jornalista e especialista em Educação e Gestão Ambiental
Sufoco
O prefeito de Vila Velha candidato à reeleição, Neucimar Fraga (PR), que vai para o tudo ou nada no segundo turno, está bebendo do veneno que ele próprio preparou para seu tradicional adversário, o ex-prefeito Max Filho (PSDB). Desde o primeiro dia em que se sentou na cadeira de prefeito, o republicano acusou o tucano de ter arruinado o município, por conta do rompimento com o então governador Paulo Hartung (PMDB). Para vender sua administração, criou a imagem do prefeito amigo de Hartung e inaugurou um tanto de obra. Em cada solenidade, enchia a boca para falar dos recursos do governo do Estado e exaltava essa parceria. Neucimar achava que, assim, trabalhava para garantir sua reeleição. O que ele não esperava é que fosse aparecer o deputado estadual Rodney Miranda (DEM) na jogada, na condição de candidato a prefeito do ex-governador. Como Neucimar viciou o ouvido do eleitor de Vila Velha no nome de Hartung, ficou de mãos atadas e sem munição para atacar Rodney. Agora, faz das tripas coração para tentar levar o pleito. O tiro saiu pela culatra. Paz e amor As movimentações do governador Renato Casagrande no início da disputa que se inicia em municípios da Grande Vitória mostram que ele pretende manter seu processo político agregador. Conversa com Luciano Rezende (PPS), mas também com Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que foi seu adversário na eleição passada. Paz e amor II Nos meios políticos, é sabido que embora o PSB estivesse na coligação de Iriny Lopes (PT), o governador contribuiu com a campanha de Luciano. Ele poderia, portanto, se aproveitar disso para colher os louros com a primeira posição do candidato do PPS. Mas a prioridade, ao que parece, é costurar relações de cordialidade com as lideranças do Estado. Bem diferente dos tempos passados, quando Hartung mandava e os demais batiam continência. Paz e amor III Desse jeitinho, Casagrande só vai contabilizando. Conduta que adotou não fere ninguém, nem cria animosidades. Prepara o caminho para a reeleição, em 2014. Sinal verde O candidato do PPS em Cariacica, Juninho, em conversa com o governador, sinalizou que o socialista liberou o presidente regional do PSB, Macaciel Breda, para articulações com o PPS. Tudo indica que vai dar casamento. Mistério Chama atenção o número de abstenções na eleição em Conceição da Barra (norte do Estado): 5.353 (23,9%) eleitores não compareceram às urnas. O que gera inúmeros questionamentos. O prefeito Jorge Donati (PSDB) é citado em casos policiais “cabeludos”, isso pode ter influenciado? Mas por que então ele foi reeleito com folga – 66,45%? Os concorrentes eram frágeis? Ficam as dúvidas. Bobinhos A propósito, já tem deputado estadual pegando carona na vitória de Donati. Eustáquio de Freitas (PMDB) e Gilsinho Lopes (PR) teceram elogios ao tucano na sessão desta quarta-feira (10). Os dois já pensam na disputa à reeleição. Está na cara. Não digeriu Aliás, pela TV Assembleia, já é possível perceber que o sorriso do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), mudou. Ficou mais contido. O demista, provavelmente, ainda está tonto com as duas pancadas que levou no pleito de domingo (7), em Cachoeiro, com a derrota de Glauber Coelho (PR), e em Itapemirim, onde sua mulher não conseguiu emplacar o sucessor. Homenagem Perly Cipriano, subsecretário de Estado de Direitos Humanos, recebeu a comenda “Ordem Capixaba do Mérito Judiciário do Trabalho”, concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). 140 toques “Reunido com candidatos e lideranças do PSDB para discutirmos parcerias, ações e estratégias para o 2º turno das eleições”. (Prefeito Neucimar Fraga – PR – no Twitter). PENSAMENTO: “Mais que de máquinas, precisamos de humanidade”. Charles Chaplin
Ah, aquele beijo!
Muitas imagens captaram a atenção de grandes fotógrafos no mundo todo, tentando registrar para a posteridade os eventos do chamado Dia da Vitória, em 1945. Mas foi um beijo na Times Square, em Nova York, que se tornou símbolo daquele momento épico – o fim da Segunda Guerra! O fotógrafo foi Alfred Eisenstaedt e o veículo foi a Revista Time, que publicou a foto em P&B lá na página 27. O beijo da vitória se tornou a foto mais reproduzida da revista, e durante anos se questionou quem era aquele casal. Para acabar com o mistério, em 1980 a revista lançou um desafio para encontrá-los. Milhares de veteranos e ex-enfermeiras se apresentaram, mas George Mendonsa e Greta Zimmer Friedman, ambos com 22 anos, e que não se conheciam, foram identificados como o casal da foto. Greta era enfermeira de uma clínica odontológica próxima, e atravessava a praça na folga do almoço. Ela se reconheceu na foto na primeira vez em que foi publicada, e explica, “Você não esquece um marinheiro te agarrando na rua”. Em entrevista à Biblioteca do Congresso ela disse: “Não foi minha escolha ser beijada. O cara simplesmente chegou e me agarrou”. Ela e a irmã fugiram da Áustria ocupada em 1939; os pais ficaram e morreram na guerra. George estava de licença depois de lutar no Pacífico, e só viu a foto quando soube do desafio, “Foi como me ver no espelho”. Também aparecendo na foto atrás do ombro dele está Rita, com quem George se casou. Era o primeiro encontro do casal, no Radio City Music Hall. “Eles pararam o show e disseram, ‘Os japoneses se renderam’”. Para George e Rita foi um dia duplamente importante – o fim da guerra e o começo do namoro. George e Rita correram para um bar próximo, e ele admite que bebeu demais. Rita diz, “Muita gente pergunta o que acho da foto. Foi um dia feliz, eu estava rindo como uma idiota. O beijo não me aborreceu. Se já tivéssemos um compromisso, talvez”. No entanto, depois de 66 anos de união, ela admite, “Em todos esses anos George nunca me beijou daquele jeito”. Depois de identificados George e Greta viraram celebridades, participando de muitos eventos em comemoração ao Dia da Vitória, tanto na Times Square como em outros locais. George explica o impulso do beijo, “Foi o momento. Você volta do Pacífico e ouve a notícia de que a guerra terminou”. George e Greta garantem que o beijo nunca mais se repetiu. E nenhum dos dois viu a foto ser tirada. O site Feministing.com embarca na fama do beijo da vitória e o adapta aos tempos atuais, taxando-o de abuso sexual. Mas um dos autores do livro ‘The Kissing Sailor’ (O Marinheiro Beijador), lançado esse ano, reconhece que hoje em dia não se pode sair por aí beijando garotas, mas “Era o Times Square em 1945, eles receberam a notícia de que a guerra terminou. Não houve má intenção”. Muita gente se decepcionou ao saber que o famoso beijo não era de um marinheiro apaixonado reencontrando a amada ao voltar da guerra. Mais que um impulso pela euforia do momento, porém, a foto simboliza, sim, um beijo de amor. Era 1945, George se apaixonou por Rita naquele dia e não podia beijá-la na rua. Transferiu sua paixão para a enfermeira anônima que passava, achando que o beijo seria logo esquecido.
Bola em jogo
O governador Renato Casagrande saiu-se bem na disputa eleitoral até aqui. Mas ainda é cedo para afirmar quem são os grandes vencedores no xadrez político, já que as disputas em Cariacica, Vitória e Vila Velha ainda terão segundo turno e quase metade do eleitorado está concentrado nessa região das novas disputas. Os novos acordos para a segunda fase da disputa, com o reposicionamento dos aliados do governador Renato Casagrande, do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e do senador Magno Malta (PR), só poderão ser avaliados depois da disputa do segundo turno. Se o PPS vencer em Cariacica e em Vitória, sairá muito fortalecido da disputa eleitoral e passará a ser uma voz ativa no jogo político de 2014, também. Se Rodney Miranda (DEM) vencer em Vila Velha, vai coroar com uma vitória o ex-governador Paulo Hartung e derrotar de uma vez só Malta e Casagrande. Só no final da apuração do segundo turno, será possível contabilizar quem ganha e para quem é importante a vitória. Além disso, é preciso contabilizar também o que significa uma derrota nesse momento. Para o PSDB, por exemplo, será terrível. Mas se Luciano vencer em Vitória, empata o jogo, ou não, já que Vitória é a vitrine política mais importante do Estado depois do próprio governo. Mas ainda há Cariacica. O PSB saiu vitorioso em 22 municípios do Estado, mas o que importa mesmo para o jogo político de 2014 são as disputas na Grande Vitória. Lógico que vencer no município da Serra, com Audifax Barcelos, no primeiro turno, colocou o partido do governador em vantagem. Mas a bola ainda está rolando e o juiz ainda não apitou o final da partida. Fragmentos: 1 – O PRP comemora o crescimento do partido na eleição deste ano. O partido aumentou de um para três o número de prefeitos eleitos. Além disso, teve vereadores mais bem votados em Alegre e Pancas. 2 – O partido agora conta com as prefeituras de São Gabriel da Palha, com o deputado estadual Henrique Vargas; Pancas, com Guima Nascimento, e ainda reelegeu Betinho Alves, em Apiacá. 3 – O Psol de Vitória divulgou nota destacando o bom desempenho de Gustavo De Biase na disputa pela prefeitura e reafirmando a proposta de não apoiar nenhum candidato no segundo turno.
Pagotto é condenado a 17 anos e 10 meses de prisão pela morte de Marcelo Denadai
Terminou na madrugada desta quinta-feira (11) o julgamento de Sebastião Pagotto. O empresário foi condenado a 17 e 10 meses de prisão pela morte do advogado Marcelo Denadai, assassinado em abril de 2002 quando caminhava na Praia da Costa, em Vila Velha. Além do empresário, também foi julgado Leandro Mageski, acusado de receptação. Ele seria proprietário do ferro-velho onde foi clonado o carro usado no crime. Mageski, no entanto, foi absolvido. A defesa de Sebastião Pagotto vai recorrer da sentença e o réu vai permanecer em liberdade durante o julgamento do recurso. O depoimento de Pagotto foi iniciado com a negativa dele de participação no crime, que disse desconhecer a vítima. O réu também negou conhecer a irmã de Marcelo Denadai, a deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), que foi ouvida durante a manhã desta quarta. O empresário disse ainda que o soldado da Polícia Militar Dalberto Antunes da Cunha – apontado como executor de Denadai, junto com o também PM Paulo Jorge dos Santos Pereira, o PJ, morto em queima de arquivo – somente prestava serviços para a empresa dele, a Hidrobrasil. PJ, segundo Pagotto, retirava valores no banco e levando para a empresa em dias de pagamento. Quando questionado pela acusação sobre uma ligação feita por Dalberto para sua casa 15 minutos antes do crime, Pagotto disse que o telefonema não tinha qualquer relação e que todos os funcionários têm acesso ao número da residência dele. Neste momento, o empresário chorou e questionou o juiz responsável pelo caso, Carlos Henrique Cruz Lima de Araújo, por que mandaria matar o advogado. O motivo do crime seria a apresentação de uma denúncia pelo advogado que seria protocolizada no dia seguinte à execução. Marcelo Denadai denunciava a existência de irregularidades na contratação da empresa Hidrobrasil (hoje Líder) para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura da CPI da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada por decisão judicial. O irmão de Marcelo Denadai, Antônio Denadai, na época vereador e presidente da CPI da Lama, investigava os contratos da empresa Hidrobrasil, pertencente a Pagotto, com a prefeitura de Vitória. Na época a CPI foi trancada a pedido do então prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), e pelo desembargador Álvaro Bourguignon. Em Brasília, os vereadores conseguiram reverter a decisão, mas a CPI jamais foi reaberta. Leandro Mageski O outro réu do caso, Leandro Mageski, que acabou absolvido, era acusado de receptação. Ele prestou depoimento na tarde dessa quarta-feira (10). Leandro negou que trabalhava no ferro-velho onde foi clonado o veículo usado no crime. O acusado disse ainda que não ajudou no fornecimento do carro que iria ser clonado. Leandro também disse que não conhece Pagotto ou Dalberto e que não sabe o motivo de estar sendo acusado de receptação. Também prestaram depoimento na tarde desta quarta-feira, na qualidade de testemunhas, o sargento Luis Guilherme Paterlini; o vereador de Vitória Ademar Rocha, presidente da Câmara de Vereadores de Vitória na época da CPI da Lama e José Artur Bermudes da Silveira, secretário de Obras de Vitória na época do crime. O ex-vereador de Vitória, Sebastião Pelaes, que estava arrolado como testemunha, foi dispensado pela defesa.
Marcello Mancilha será novo presidente do TRT-ES
Os desembargadores Marcello Maciel Mancilha e Ana Paula Tauceda Branco foram eleitos, nesta quarta-feira (10), respectivamente, presidente e vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES) para o biênio 2013/2015. Eles tomam posse na nova função em janeiro de 2013. Mancilha e Tauceda foram nomeados para o cargo em maio deste ano. De acordo com informações do TRT-ES, os novos dirigentes do TRT-ES foram eleitos por unanimidade, em votação secreta. A escolha segue o rodízio entre os membros da principal corte da Justiça trabalhista no Estado. Com onze votos recebidos, o desembargador Marcello Maciel Mancilha vai substituir a atual presidente, desembargadora Claudia Cardoso de Souza, a partir do ano que vem. A desembargadora Ana Paula Tauceda Branco assumirá a vice-presidência no lugar do desembargador Carlos Henrique Bezerra Leite. Após o anúncio do resultado, o presidente eleito, desembargador Marcello Mancilha, prometeu buscar a união de todos para elevar o TRT-ES a um lugar de destaque no cenário nacional. A futura vice-presidente, desembargadora Ana Paula Tauceda, agradeceu a confiança depositada e prometeu fazer o melhor possível pelo Tribunal. O juiz Welington do Nascimento Andrade parabenizou os eleitos, em nome da Associação dos Magistrados do Trabalho da 17ª Região (Amatra 17), da qual é presidente. Perfil Marcello Maciel Mancilha e Ana Paula Tauceda Branco assumiram como desembargadores no TRT-ES há menos de cinco meses. Eles foram nomeados no dia 25 de maio pela presidente Dilma Rousseff, a partir de duas listas tríplices enviadas pelo Tribunal capixaba, e tomaram posse no dia 11 de junho. O magistrado Marcello Mancilha, ex-titular da 13ª Vara do Trabalho de Vitória, foi escolhido pelo critério de merecimento. Ele concorria à vaga criada com a aposentadoria do desembargador Sérgio Moreira de Oliveira. Já a ex-advogada Ana Paula Tauceda ocupou uma nova cadeira conquistada pelo TRT-ES, que passou a contar com 12 desembargadores. Ela disputou, junto com outros dois advogados, a vaga destinada ao quinto constitucional. O novo presidente do TRT-ES é formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e atuou como advogado durante quatro anos nas áreas trabalhistas, constitucional e previdenciária, com ênfase na área sindical. Aprovado como juiz substituto no TRT-ES em 1992. A partir de janeiro de 2011, passou a atuar no Tribunal, como desembargador substituto. Ele também é professor universitário e presidiu a Amatra 17 no biênio 1999/2000. A futura vice-presidente é graduada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mestre em Direitos e Garantias Constitucionais Fundamentais pelas Faculdades Integradas de Vitória (FDV) e especialista em Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Direito Constitucional do Trabalho pela Faculdade Cândido Mendes de Vitória. Ela é autora de livros e atua como comentarista em programas de rádio, o que lhe rendeu o prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2008 na categoria Imprensa.
Policiais civis elevam tom e ameaçam paralisação
O Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado (Sindipol) elevou o tom das críticas ao governo do Estado pela morosidade das negociações com a categoria. Nesta terça-feira (10), os policiais civis fizeram uma passeata após assembleia da categoria para alertar o governo sobre a possibilidade de paralisação nas atividades. De acordo com o secretário-geral do sindicato, Jorge Emílio Leal, a categoria aprovou a marcação de uma nova assembleia para o próximo dia 18, quando vence o prazo solicitado pelo governo para analisar o projeto de promoção automática dos servidores da PC. Não está descartada a votação do indicativo de greve geral na próxima assembleia, caso o governo não apresentar uma proposta para a categoria. “A greve é o último recurso, mas se o governo mantiver o descaso com os policiais civis não haverá uma outra saída”, declarou o secretário-geral. Ele afirmou que o protesto desta terça-feira serviu como um alerta ao governador Renato Casagrande. Os policiais saíram da sede da Chefatura de Polícia, próximo à Reta da Penha, e foram caminhando até o centro de Vitória. O sindicalista cobra o governador para que cumpra a promessa de colocar o atendimento aos policiais como prioridade. Jorge Emilio cita que os servidores da Saúde e da Polícia Militar já foram contemplados com o sistema de promoção. No início deste mês, a direção do sindicato enviou “Carta de Exposição de Motivos” ao governador, onde relata todo o histórico de negociações do pleito da Polícia Civil. No documento, o sindicato expõe que não fora convidado para discutir o projeto de promoção automática de iniciativa da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger). Uma das queixas de Jorge Emilio é de que o governo não está cumprindo a agenda de reuniões com a entidade. “Estamos insatisfeitos com o rumo das negociações”, relembrou ao citar que encontros chegaram a ser desmarcados. Uma nova reunião está marcada para esta quinta-feira (11), às 14h30, no edifício Fábio Ruschi, onde fica localizada a sede da Secretaria.
Articulações em VV deixam Max Filho mais perto de Neucimar
Os bastidores políticos se agitaram nesta quarta-feira (10), em Vila Velha, com a informação de que o candidato derrotado nas eleições a prefeito, Max Filho (PSDB), estaria na iminência de declarar apoio à candidatura de Neucimar Fraga (PR), que disputa o segundo turno das eleições canela-verde com o candidato Rodney Miranda (DEM). As evidências desse movimento de Max Filho na direção de Neucimar ganharam mais força na tarde desta quarta (10). Correu a informação de que lideranças tucanas, que disputaram a eleição para vereador, estariam manifestando apoio ao prefeito republicano. Thiago Souza, Clério Ribeiro, Esmeralda da Saúde, Rogério Cardoso (vereador eleito pelo PSDB) e Margarete Blues já teriam confirmado a ida para o palanque de Neucimar. Margarete, inclusive, postou no seu perfil no Facebook que “é 22”. Além dessas cinco lideranças que disputaram as eleições no último domingo (7), outras sete também estariam dispostas a caminhar com Neucimar. Todos eles, não por coincidência, seriam ligados ao ex-prefeito Max Filho. Ainda na noite desta quarta (10), os republicanos esperam a confirmação de lideranças de outros partidos à candidatura de Neucimar. As lideranças do PSDB negam que já exista qualquer orientação do partido para apoiar Max ou Rodney. A questão é tratada com muita cautela dentro do partido. Oficialmente, a informação é que o partido vai se reunir com os representantes do diretório municipal, e em seguida com os do estadual para só então se pronunciar. Se a cúpula do PSDB ainda faz mistério em torno do apoio a Neucimar, o PSB está de corpo e alma com o candidato republicano. Mesmo porque, o vice de Neucimar é o presidente municipal do PSB, Fábio Dávila. Para quem não se lembra, Dávila foi um dos principais apoiadores da (quase) filiação de Max Filho ao PSB. Liderança muito bem-vista pelo governador Renato Casagrande, Dávila sempre foi muito próximo de Max. Não é difícil que ele esteja engrossando o coro das lideranças socialistas que esperam contar com o apoio do tucano à candidatura de Neucimar.
Em Vitória, partidos começam a se alinhar para o segundo turno
Passado o primeiro turno das eleições municipais, fica a expectativa para a movimentação dos partidos voltada ao segundo turno nas grandes cidades. Em Vitória, por ser a Capital e ter sido palco de um primeiro pleito recheado de surpresas e grandes movimentações, essa expectativa é ainda maior. Os partidos para os quais as atenções estão mais voltadas são os da coligação de Iriny Lopes, candidata do PT à prefeitura, que obteve 18% dos votos válidos no primeiro pleito. Apesar de ter ficado muito aquém do esperado pelos seus correligionários, é a maior força a ser disputada no segundo turno. Além dos petistas, estão na coligação o PSB, o PCdoB, o PV e o PSD. O movimento natural desses partidos deve ser entrar no palanque do primeiro colocado na disputa, Luciano Rezende (PPS), já que a disputa é contra o maior adversário petista em âmbito nacional: o PSDB de Luiz Paulo Vellozo Lucas. A informação que corre é de que alguns dos aliados do PT no primeiro turno, principalmente o PCdoB, o PV e o PSD, já teriam fechado o apoio a Luciano e preparam para os próximos dias a entrada oficial de suas figuras públicas nos palanques popular-socialistas. O único que confirma oficialmente a tendência é o PCdoB. O presidente do diretório municipal do partido em Vitória, José Suzano, afirma que não há possibilidades de apoiar o candidato tucano no segundo turno e que seu partido está bem alinhado na estratégia de enfrentamento direto ao PSDB, caracterizado como uma das principais forças da direita do País. Mesmo assim, o comunista afirma que o partido ainda precisa tomar a decisão final. Suzano diz, ainda, que o PCdoB já participou de reuniões conjuntas com os outros partidos aliados do PT no primeiro turno. Nelas, segundo ele, não foi discutido um apoio em bloco a qualquer candidato no segundo pleito – teria sido feita apenas uma análise sobre todo o processo até agora. Apesar de o dirigente negar que já exista um alinhamento desses partidos com Luciano, fica no ar o possível apoio conjunto, dentro de uma estratégia maior. Já o PSB, uma das maiores forças políticas do Estado, prefere adotar uma posição mais precavida, pelo menos por enquanto. Segundo o presidente do diretório municipal de Vitória, Cleber Guerra, os socialistas decidem até o fim de semana a posição para o segundo turno. Guerra diz que o partido está, desde segunda-feira (8), em um momento de discussões internas, de reuniões da executiva regional e municipal e entre os seus candidatos. Só depois de dar por encerrado este processo irá divulgar a sua posição. O PT, obviamente, está mais cauteloso do que todos. Após um longo período (que ainda não se encerrou) de desgaste interno, revelado principalmente pelas disputas sobre lançar ou não candidatura própria e a reverberação da imagem do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) dentro do partido, fica mais difícil de ser tomada uma posição conjunta entre as forças internas e figuras públicas petistas. Cláudio Merçon Vieira, o Cacau, presidente do PT em Vitória, reverbera essa posição de cautela. Segundo ele, o partido costuma passar por um período de ampla discussão interna em momentos como este, assim como procura conversar com os aliados. Merçon diz que a posição petista para o segundo turno deve sair até o começo da semana que vem. Sobre a consideração de que o óbvio seria o partido declarar uma posição antitucana no segundo turno, o petista prefere novamente a cautela. “Não podemos dar nenhum posicionamento no calor do momento, precisamos discutir amplamente”, afirma ele. “Respeitamos e entendemos a posição do eleitorado de Vitória, e vamos pensar nisso para o segundo turno”. Procurados, o PSD e o PV – que já estariam fechados com Luciano Rezende – não foram encontrados em seus contatos oficiais, assim como o PSDC, do candidato a prefeito Edson Ribeiro. O PRTB, de Montalvani, afirmou apenas que ainda nesta semana decide o seu posicionamento. O Psol, que teve Gustavo de Biase como candidato a prefeito, lançou uma nota pública em que afirma que “as eleições, para o partido, acabaram no dia 7 de outubro”, ou seja, não vai apoiar ninguém no segundo turno.
Aparecida Denadai reafirma participação de empresário na morte de irmão
A deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), irmã do advogado Joaquim Marcelo Denadai, voltou a declarar que o empresário e ex-militar Sebastião de Souza Pagotto foi o mandante do assassinato ocorrido em abril de 2002. No depoimento que abriu o júri popular do crime, na manhã desta quarta-feira (10), Aparecida relembrou os relatos de testemunhas com detalhes sobre a execução do irmão e desmentiu a possibilidade de outra tese para o crime. A deputada afirmou que as investigações foram taxativas quanto à participação de Pagotto. “Quando o Marcelo foi assassinado, duas situações se confundiram: a apresentação da notícia-crime envolvendo Pagotto [sobre fraudes na gestão tucana na Capital] ou algum caso que ele defendia. Mas após as investigações, não há mais dúvidas sobre o crime”, declarou no depoimento, sob a condição de informante. Durante o depoimento, a defesa do empresário tentou confrontar a deputada com um depoimento prestado por ela no dia seguinte ao crime. Na ocasião, Aparecida chegou a cogitar a possibilidade de um outro mandante do crime. Tese que acabou descartando com o avanço das investigações, inclusive com as provas que ligam o empresário ao crime. Visivelmente emocionada, a parlamentar – que ainda se recupera de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas – afirmou que os seus problemas de saúde se devem em grande parte aos efeitos do crime: “Não tenho dúvidas que parte do AVC foi pela dor da perda do meu irmão. Esse senhor [disse apontando para o Pagotto] não tirou só a vida do Marcelo, mas de toda família – da mãe, do filho [que acabou morrendo um ano depois do crime, aos 11 anos de idade]”. Também foram ouvidas outras duas pessoas na parte da manhã, entre elas o o ex-segurança de uma central de caça-níquel, Josenil Soares Nicastro, que foi a primeira pessoa a relatar sobre a possível participação do empresário no crime. Ele confirmou que recebeu propostas de suborno para mudar o depoimento em que relatou o diálogo com uma pessoa próxima a Pagotto que havia dito, no dia do crime, que “Tião [como é conhecido o ex-militar entre os amigos] mandou matar o advogado”. O motivo do crime seria a apresentação de uma denúncia pelo advogado que seria protocolizada no dia seguinte à execução. Marcelo Denadai denunciava a existência de irregularidades na contratação da empresa Hidrobrasil (hoje Líder) para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura da CPI da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada por decisão judicial. O advogado da empresa à época, Flávio Cheim Jorge, foi o último ouvido na parte da manhã. O causídico confirmou que defendia os interesses da empresa e negou a existência de irregularidades na licitação. Cheim Jorge afirmou que dez empresas compraram o edital da concorrência, mas apenas duas apresentaram propostas. No entanto, essa outra empresas foi inabilitada e apenas a Hidrobrasil disputou – e venceu – o certame. Ao final dos primeiros depoimentos, a sessão do Tribunal do Júri foi interrompida para o horário de almoço e retornou aos trabalhos por volta das 14 horas. Não há maiores informações sobre o cronograma de depoimentos das testemunhas. Por conta da complexidade do caso, a previsão é de que o julgamento siga até a madrugada desta quarta. O júri acontece nas instalações do antigo Fórum de Vila Velha, na Prainha.