Criada durante a pandemia, União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc) se prepara para desafio eleitoral em 2024 Criada durante a pandemia para apoiar a população necessitada e combater o discurso negacionista, a União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc) tornou-se um coletivo suprapartidário organizado em diferentes municípios da região sul do Espírito Santo. Século Diário recebeu no Política ES Marcelo Gobbi, Rosangela Moura, Paulo Poian da Nassau e Luiz Carlos Santos, integrantes da Uesc, para contar um pouco da organização do grupo e da conjuntura dos municípios onde está presente, como Itapemirim, Marataízes, Cachoeiro de Itapemirim e Guaçuí. Às vésperas do ano eleitoral, o coletivo se articula para lançar ao menos oito candidaturas a prefeito ou vereador em quatro municípios, por partidos como PT, Psol, Rede e PSB. Assista à entrevista para saber mais sobre essas movimentações. O Política ES é um programa quinzenal do Século Diário sobre política e poder no Espírito Santo. Vai ao ar a cada duas semanas, sempre aos domingos, a partir de 9h, ficando disponível nos canais do jornal. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Na reta final
Até a Black Friday já não é mais a mesma Correndo ou tropeçando, rindo ou reclamando, fechamos o penúltimo mês na maratona para chegarmos ao final de 2023 em bom estado de conservação, tanto físico quanto mental. Devemos, portanto, agradecer, e nada como um dia especial para isso. Se copiamos tanto os americanos, por que não adicionamos mais um feriado ao nosso calendário nacional, já tão sobrecarregado de feriados e dias santos e dias imprensados? O Dia de Ação de Graças na América é tão respeitado quanto o Natal, com direito a peru assado, torta de maçã e muita abóbora. Reunião familiar, mas sem presentes. * Isso é só uma pausa, tipo respira fundo que ainda tem 30 dias pela frente. No dia seguinte é dada a largada para a maratona natalina, na chamada Black Friday, onde os preços caem tanto quanto os termômetros no norte do país. Quem tem fôlego e boa disposição calça um tênis, põe o lanche na bolsa e sai em busca de alguma coisa de que precisa. Ou de que não precisa, mas vai comprar assim mesmo. Lojas superlotadas, filas quilométricas e ninguém reclama – o preço compensa. * Mas até a Black Friday não é mais a mesma. Já não tem tanta gente passando a noite em claro para comprar uma televisão ou um computador pela metade do preço – compre online, no conforto do seu lar, com o mesmo preço ba-ra-tís-si-mo! Com entrega imediata e muitas vezes sem frete. E como sempre, se não gostar devolve: satisfação garantida ou seu dinheiro de volta é o lema das lojas nas terras do Tio Sam. Sem explicar o motivo e sem a obrigatoriedade de levar outra coisa no lugar da coisa devolvida. * Tradicional ponto marcante do Dia de Ação de Graças é a parada da loja de departamentos Macy’s em Nova York, que em 2024 vai festejar cem anos. Os participantes são cerca de 8.000 voluntários em uma rota de 4 km assistida por 3,5 milhões de pessoas. Quem tem mais de 30 anos deve ter ouvido falar no filme de natal De Ilusão também se vive, ou Milagre na Rua 34, onde um sujeito chamado Kris Kringle é o Papai Noel que encerra essa parada – oficializando, portanto, a abertura das compotas natalinas. * Outra mudança é que cada vez mais um feriado invade o outro – muitas portas e janelas já tiraram as abóboras e entraram no espírito natalino, com renas e Papai Noel de plástico e luzinhas piscando. Muitos condomínios também já estão devidamente decorados para o grande evento. E afinal, o que é o natal, senão outro jeito de agradecer o que deu certo no ano que finda e esquecer o que deu errado ou não saiu de acordo com o planejado. Só os perus reclamam.
Presidente da Câmara de Itapemirim se articula para disputar a prefeitura
Paulinho da Graúna vai mudar de partido. Diálogo avança com o ex-prefeito cassado, Thiago Peçanha Redes Sociais As articulações para as eleições municipais de 2024 têm se intensificado em Itapemirim, no litoral sul do Espírito Santo, e um pré-candidato a prefeito que tem se movimentado bastante é o vereador e presidente da Câmara, Paulinho da Graúna. Atualmente no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ele atua na reformulação do diretório municipal do Republicanos, sigla para a qual pretende migrar, e mantém diálogos avançados com o grupo do ex-prefeito Thiago Peçanha (PSD). Segundo Paulinho, o presidente estadual do Republicanos, o ex-deputado estadual Erick Musso, “abriu as portas” para a sua candidatura a prefeito em 2024. Atualmente, o Republicanos é o partido com o maior número de vereadores em Itapemirim, com quatro. Thiago Peçanha era do Republicanos, mas migrou para o Partido Social Democrático (PSD). Ele também tem se colocado como pré-candidato, apesar de o seu mandato ter sido cassado em 2022 por abuso de poder político e ele estar inelegível. “A minha pré-candidatura já foi anunciada há aproximadamente três meses e, desde então, o trabalho vem tomando grande proporção. Hoje estou no meu terceiro mandato de vereador e no segundo como presidente desta casa de leis. Temos conversado com as lideranças políticas e partidárias e pensado em formar [uma coligação de] cinco partidos para a majoritária, para disputar a eleição para prefeito em 2024”, afirma Paulinho. Segundo o presidente da Câmara de Itapemirim, que é da Comunidade Quilombola de Graúna, seis dos 11 vereadores atuais caminham com ele, sendo três do Republicanos e dois do Partido Democrático Trabalhista (PDT). “Coloquei a minha experiência como político e gestor à disposição da cidade de Itapemirim. Acredito que é preciso dar um novo rumo ao nosso município e isso se faz colocando a administração pública a serviço da população”, comenta. No ano que vem, ele poderá enfrentar o atual prefeito, Doutor Antônio (PP), mais votado na eleição suplementar de 2022. Apontado como impopular, o prefeito teria como trunfo para tentar recuperar capital político as verbas de royalties de petróleo, que estão para chegar em grande quantidade aos cofres de Itapemirim. Doutor Antônio também enfrenta a possibilidade de uma Comissão Processante na Câmara de Itapemirim – que pode ou não ser aceita pelo próprio Paulinho da Graúna – relacionada a supostas irregulares em emendas impositivas ao Orçamento Municipal. Ele estaria desgastado até mesmo com sua base de vereadores. Outro pré-candidato a prefeito em Itapemirim é o secretário municipal de Saúde de Cachoeiro de Itapemirim, Alex Wingler (Podemos). Em 2014, quando era o titular da mesma pasta em Itapemirim, Wingler foi alvo de uma denúncia de assédio sexual, mas ele permaneceu no cargo até 2016, quando saiu com a intenção de se candidatar. Rivais espalham pela cidade que ele não poderia se candidatar por supostamente ter sido condenado no processo, que está em segredo de justiça, mas Wingler rebate, dizendo que o caso foi arquivado. Para provar que está livre para se candidatar no ano que vem, ele fez questão de enviar as suas certidões negativas para Século Diário. Já o ex-presidente da Câmara de Itapemirim, Zé Lima (PDT), que assumiu o cargo de prefeito quando Thiago foi cassado e disputou contra Doutor Antônio na eleição suplementar de 2022, foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) por abuso de poder econômico neste ano. A expectativa é de que tente lançar a candidatura de alguém da sua família para a Câmara. No campo progressista, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tem como pré-candidato a prefeito o professor Jesus Gomes, ligado à União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc). Nas eleições de 2020, ele foi vice na chapa do Partido dos Trabalhadores (PT) na disputa majoritária. Também se colocam como pré-candidatos a prefeito o vereador João Bechara (PSB) e Geninho Dentista (sem partido), que são primos – este último, do grupo de Thiago Peçanha. Candidaturas para o legislativo As movimentações de Paulinho da Graúna também mexem com a disputa para a Câmara de Vereadores – não só pela vaga que ele pode deixar no ano que vem, como também por sua saída do PSDB, considerado um partido forte em Itapemirim, mas que perderá um de seus candidatos com mais votos. Ainda na disputa para a Câmara, a Uesc deposita grandes expectativas na candidatura de Cláudia Carvalho, presidente do diretório municipal do Psol, que foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 2022. Alex Wingler também articula candidaturas de vereador na Rede Sustentabilidade, que tem federação com o Psol. Dos atuais vereadores, a maioria deverá tentar a reeleição. As exceções são: Paulinho da Graúna; Carlinhos de Brício (Republicanos), cogitado para ser vice em uma das chapas; Zé Lima, que poderá ser impedido de disputar devido aos problemas na Justiça; e, se realmente quiser tentar a prefeitura, João Bechara. Os outros vereadores que compõem a atual legislatura da Câmara de Itapemirim são Alcione de Amorim (PP), Lucimar Alves “Bibico” (Republicanos), Erasto (PDT), Cesinha de Bado (Repuplicanos), Renildo Nascimento Peçanha (Republicanos), Estevão Silva Machado (PSDB) e Lenildo Henriques (PDT).
Os direitos da mulher negra periférica como referência para a justiça social
Presidente da Unegro, Adriana Silva fala dos desafios de proteger mulheres da base da pirâmide social Uma sociedade onde a mulher negra de periferia tem seus direitos efetivamente garantidos é uma sociedade mais justa e próspera para todos os grupos sociais. Essa visão, ainda utópica, diante do racismo e do machismo estrutural, traz um pouco dos princípios que orientam o trabalho da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro). A entidade é parceria do Aplicativo Fordan, projeto de criação de um aplicativo para a denúncia da violência contra as mulheres, desenvolvido pelo programa de extensão e pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Fordan: cultura no enfrentamento às violências, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes). Nesta entrevista, a turismóloga Adriana Silva, presidente da Unegro, fala sobre as especificidades do atendimento à mulher negra e periférica, no tocante à violência, e como essa parcela da população integra a tríade raça, gênero e classe, que embasa o trabalho da Unegro desde a sua criação, em 1988. “A gente ouve que o índice de violência contra as mulheres caiu no Espírito Santo, mas entre brancas, porque entre as negras aumentou”. —* Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades.** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e no Google Podcasts . Profissionalismo, cuidado e afeto que salvam vidas na periferia de Vitória Fisioterapeutas Danúbia Araújo e Brener Acker incentivam o amor próprio das mulheres acolhidas pelo Fordan https://www.seculodiario.com.br/saude/profissionalismo-cuidado-e-afeto-que-salvam-vidas-na-periferia-de-vitoria-1 ‘Advogada dos pobres’, Defensoria é referência na proteção das mulheres – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/advogada-dos-pobres-defensoria-publica-e-referencia-na-protecao-das-mulheres O desafio de vencer o machismo e o racismo no Judiciário Advogada Layla dos Santos conta sua luta cotidiana para aplicar a Lei Maria da Penha a mulheres negras e periféricas https://www.seculodiario.com.br/tv-seculo/o-desafio-de-vencer-o-machismo-e-o-racismo-no-judiciario-1 ‘Hoje eu sou independente, graças a Deus!’ História de Alessandra Souza é inspiração para as mulheres que desejam superar violência doméstica https://www.seculodiario.com.br/direitos/hoje-em-dia-eu-sou-independente-gracas-a-deus Corpos invisibilizados: APP amplia público-alvo e inicia testes em São Pedro Episódio de estreia do podcast Aplicativo Fordan entrevista coordenadora-geral do programa, Rosely Pires https://www.seculodiario.com.br/tv-seculo/corpos-invisibilizados-app-amplia-publico-alvo-e-inicia-testes-em-sao-pedro-1
Escolas são fechadas e municipalizadas também em Cariacica Sede
Duas EMEFs serão fechadas, um CMEI transformado em EMEF, e uma escola estadual municipalizada As mudanças na educação em Cariacica também serão realizadas em unidades de ensino da região de Cariacica Sede. Haverá o fechamento duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), a transformação de um CMEI em EMEF, e a municipalização de uma Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM). A iniciativa não encontra apoio dos moradores da região. As EMEFs que irão fechar, segundo o rodoviário Jean Carlos Gomes da Silva, morador do bairro Prolar, são Wellington Ferreira Borges, em Antônio Ferreira Borges, e Olivino Rocha, em São João Batista. O CMEI Elisa Leal Bezerra, de Prolar, irá se transformar em EMEF, enquanto a EEEFM Professor Augusto Luciano, em Cariacica, passará pelo processo de municipalização. Claudio Postay No caso dos alunos do Elisa Leal Bezerra, uma das opções de escola na região seria o CMEI Amélia Virgínia, em Antônio Ferreira Borges, mas, segundo Jean, a unidade de ensino já não atende a demanda local. O mesmo acontece com a EMEF Valdici Alves Baier, em Areinha, que também não comportaria o aumento da demanda. A transformação do Elisa em EMEF, aponta Jean, não resolve o problema. Com a municipalização, a Professor Augusto Luciano fecharia as turmas de ensino médio, oferecidas na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Além da possibilidade de não haver vagas nas unidades de ensino dos outros bairros, outro problema destacado por ele é a necessidade de arcar com o gasto de transporte, já que para estudar, os alunos terão que ir de van escolar ou transporte coletivo. “Parece que não há preocupação com quem mais precisa, com quem não pode pagar escola particular, transporte”, diz. Outras escolas de Cariacica serão fechadas ou municipalizadas. As demais que irão fechar são as EMEFs Adalberto Queiroz, em Moxuara, Jones dos Santos Neves, em Boa Sorte, e General Tibúrcio, em Porto de Santana. O CMEI Larissa Pereira Batista, em Bela Aurora, também será fechado. Por isso, no dia 16 deste mês, a comunidade fez uma manifestação na praça do bairro. Com o encerramento das atividades da unidade de ensino, os estudantes terão que migrar para o CMEI Tarcílio Montanori, em Boa Sorte. Divulgação Também serão municipalizadas as EEEFMs Teotônio Brandão Vilela, em Nova Rosa da Penha II, Rosa Maria dos Reis, em Porto Belo, e Nossa Senhora Aparecida, em Oriente. A EMEF Nilton Gomes, em Cruzeiro do Sul, será demolida para construção de uma nova infraestrutura. Por isso, os estudantes terão que procurar escolas de outros bairros, mas a comunidade reivindica que a prefeitura alugue um imóvel para funcionamento provisório da unidade de ensino. ‘A Sedu tenta nos convencer a aceitar o que eles querem’ Comunidades contrárias à municipalização de escolas em Cariacica apontam que pasta não está aberta ao diálogo https://www.seculodiario.com.br/educacao/a-sedu-tenta-nos-convencer-a-aceitar-o-que-eles-querem Comunidade sai desesperançada de reunião com secretária de Cariacica Gestora ratificou que alunos da EMEF Nilton Gomes terão que se matricular em outras escolas durante reforma https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-sai-desesperancada-de-reuniao-com-a-secretaria-educacao-de-cariacica Comunidade de Moxuara também se posiciona contra fechamento de escola Gestão de Euclério vai fechar a Adalberto Queiroz. Estudantes terão que ir para escola em Campo Verde https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-de-moxuara-tambem-se-posiciona-contra-fechamento-de-escola
Limitar decisões de ministros do STF enfraquece o Estado, dizem especialistas
Cientista social João Gualberto e advogado Flávio Fabiano criticam PEC aprovada no Senado Ales/Redes Sociais O cientista social João Gualberto, professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apontou movimentos do campo da direita na aprovação da proposta de emenda à Constituição que limita decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida nessa quarta-feira (22), no Senado Federal. A medida, que também foi alvo de críticas do advogado atuante no Espírito Santo, Flávio Fabiano, e precisa de aprovação na Câmara dos Deputados, mexeu com os meios políticos, com votos opostos inclusive no PT, partido do governo federal. “O que nós estamos vendo é isso, a tentativa de desconstrução das instituições que sustentam o estado democrático de direito”, aponta João Gualberto, também diretor da Persona, empresa de estudos de mercado e estratégia para a gestão, comunicação e negócios. Para ele, “a sociedade brasileira viu, durante a gestão de Jair Bolsonaro [PL], o presidente e toda sua base de apoiadores se voltarem fortemente contra o Supremo. Como presidente não se reelegeu, mas contribuiu para a formação de uma forte bancada à direita, que assumiu algumas dessas teses e o Supremo está no foco de ações políticas deles”. No entendimento do advogado constitucionalista Flávio Fabiano, “a aprovação da medida é um movimento do campo da direita, de muitos políticos que desconhecem o que na realidade é uma política de esquerda e de direita e, em razão disso, induzem seus eleitores ao erro. Porque reduzir poderes do Judiciário não implica necessariamente em política de esquerda ou de direita, mas sim no enfraquecimento do Estado”. Para ele, o “Congresso Nacional, que é a casa de leis, onde estão os representantes do povo, não pode permitir que fatores políticos momentâneos venham a ficar fazendo alterações para reduzir ou modificar uma o poder da outra”. Ele destaca que a “Constituição Federal é claríssima ao estabelecer, no artigo 2º, que os poderes da União, ou seja o Judiciário, o Legislativo e o Executivo, são harmônicos e independentes entre si e ainda disciplina quais são as funções de cada um”. João Gualberto, no entanto, acredita que as investidas continuarão: “Eu acho que eles passarão os próximos anos tentando fazer ações como essa. Então, a despeito de qualquer discussão jurídica que caiba, e certamente cabe, eu acho que nós estamos vendo, na prática, o resultado político de uma ação construída – e não é só no Brasil. O mesmo se passava recentemente em Israel, e em outras sociedades, como Polônia e a Hungria, que passaram por esse processo de crescimento da direita de chegarem ao poder”. Sobre as próximas investidas, que apontam para alterações na duração dos mandatos dos ministros do STF, rompendo assim a vitaliciedade, o advogado Flávio Fabiano afirma ter uma proposta, que, como ressalta, deve ser discutida pela sociedade, uma vez que é necessária também a oxigenação das cortes Superior e de Justiça. “Creio que isso poderia ser aplicado nos tribunais de Justiça, tribunais regionais do Trabalho, ou seja, em todas as cortes, estabelecendo inclusive tempo mínimo de exercício na função jurídica e também idade mínima com clara observância ao que a Constituição estabelece: notório saber jurídico e reputação ilibada, fato que não tem ocorrido nessas últimas indicações feitas recentemente”. Com a repercussão da medida, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), voltou a afirmar que não se trata de uma retaliação. Segundo a Agência Senado, ele disse que prefere evitar polêmicas e reafirmou seu compromisso com a democracia. A PEC 8/2021 , que tem o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) como primeiro signatário, foi aprovada nessa quarta-feira (22) no Senado e enviada à Câmara dos Deputados. Vários ministros criticaram a proposta e fizeram uma defesa do Supremo. Pacheco declarou que a decisão pela aprovação da PEC foi tomada “dentro de critérios e com base social”, para permitir uma mudança na Constituição que garanta “algo simples e básico”. Ele afirmou não querer polêmica em torno de “um tema que tem uma clareza técnica muito grande” e sugeriu a leitura do texto da proposta. Acrescentou, ainda, não admitir que queriam politizar e gerar um problema institucional entre os Poderes por conta da PEC.
Membros da Academia Capixaba de Letras da Diversidade tomam posse
Mais na coluna: Ailton Krenak na Ufes; E-book de Fotografia; Leitura Dramática Os membros fundadores e imortais da Academia Capixaba de Letras da Diversidade tomarão posse no dia 15 de dezembro em cerimônia a ser realizada no auditório Hermógenes da Fonseca, às 17h, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. A proposta é imortalizar escritores que normalmente não são acolhidos nas academias tradicionais, como indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, integrantes da comunidade LGBTQIA+, moradores de comunidades periféricas e detentos. Divulgação A Academia será presidida pela sua idealizadora, a professora e escritora Luciana Santos (foto acima), que também é criadora do coletivo literário Teresa de Benguela, com foco nas mulheres negras, que promove atividades literárias. O coletivo foi criado em julho de 2022, impulsionado pela foto histórica com mulheres escritoras, tirada na escadaria Maria Ortiz, Centro de Vitória, um mês antes. Invisibilidade Luciana afirma que, com o Coletivo Teresa de Benguela, percebeu-se a necessidade de ampliar espaços e atingir mais pessoas que têm sua produção literária, muitas vezes, invisibilizada. Aí veio a ideia da Academia Capixaba de Letras da Diversidade, que é a primeira do tipo no Brasil. A iniciativa é um importante movimento para, com o passar do tempo, quebrar o caráter excludente das academias de letras, compostas principalmente por homens brancos que nunca pisaram nas periferias. Quebra Essa quebra já vem acontecendo não somente em terras capixabas, com a iniciativa pioneira de Luciana Santos. Vale lembrar que em outubro último o escritor indígena e ativista ambiental Ailton Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Recebeu 23 votos e se tornou o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia, onde assumirá a de número 5, que pertenceu a José Murilo de Carvalho, morto em agosto deste ano. Ailton Krenak na Ufes Gov.Br/Funai Ailton Krenak, inclusive, estará na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de Goiabeiras, em 1º de dezembro. Ele participará da Conferência “Futuro Ancestral”. A atividade terá início às 18h, em frente à sede da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), realizadora do evento. A atividade é aberta à comunidade universitária e ao público em geral. Patronos Mas voltando à Academia Capixaba de Letras da Diversidade, ela contará com 46 patronos, entre eles, ativistas, como Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018; cantores negros, como Elza Soares, Yvone Lara e Cartola; escritores capixabas, como os cronistas Rubem Braga e Carmélia Maria de Souza; e indígenas, como o cacique da aldeia Sapukai, localizada em Angra dos Reis, no interior do Rio de Janeiro, Domingos Venite; e Higino Pimentel Tenório, liderança indígena do povo Tuyuka, da região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Acadêmicos Os 12 imortais que tomarão posse dia 15 são os escritores Viviane Lima, Douglas Dantas, Joel Caldeira, Vania Venâncio, Kátia Fialho, Luciana Santos, Noélia Miranda, Mar Céu, Eglair Carvalho, Ida Borchardt, Aline Jaxuca e Gustavo Forde. E-book de fotografia Sofia Volker Está disponível para download gratuito o e-book Barra do Jucu: entre rendas, redes e raízes. Uma jornada pela história, cultura e natureza da região. A obra traz fotografias que abordam a riqueza histórica e a cultura ancestral presentes da Barra do Jucu, destacando as rendeiras de bilro, patrimônio da Barra. As imagens foram feitas a partir das disciplinas Direção de Arte e Fundamentos da Fotografia, respectivamente ministradas pelas professoras Aparecida Torrecillas e Elizabeth Nader, para as turmas do 1° e 3º períodos do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade de Vila Velha (UVV). Leitura Dramática Sérgio Rodrigo A produtora Fabulanas Filmes realizará a leitura dramática do roteiro do longa-metragem de ficção Mirada, escrito por Maria Fabíola e Anderson Cacilhas, na terça-feira (28), às 19 horas, na sede da Má Companhia de Teatro, no Centro de Vitória. A entrada é gratuita. Para o elenco foram convidados os atores da Cia Repertório Léia Rodrigues, Antônio Apolinário, Thaynara Bromenchenkel e Daniel Boone. Além deles, atuarão Margareth Galvão, Ivny Matos, Federico Nicolai, Joca Simonetti, Ângela Dionizio, Lorena Lima e Anisia Luiza. Leitura Dramática II Leitura dramática é a apresentação oralizada de um texto dramático, classificado como um tipo de gênero intermediário entre a leitura de um texto por um ou vários atores e a sua espacialização ou encenação. Constitui uma ferramenta de investigação das intenções e emoções das personagens, explorando a narrativa defendida pelo autor. Comum no Teatro, a leitura dramática não é uma prática habitual no cinema. A ação, portanto, é considerada inovadora. O roteiro de Mirada está em processo de escrita e estima-se que sejam produzidas mais de 10 versões até que se chegue ao roteiro final que será filmado. Sinopse Mirada conta a história de Inês, 40 anos, capixaba, professora universitária de literatura, que vive sozinha em Buenos Aires, cidade onde havia se casado com o argentino Matias. Após uma tragédia pessoal, ela resolve retornar à sua cidade natal, Vitória, onde vai se deparar com fantasmas que acreditava ter deixado no passado. Seu desafio é se reconectar e estabilizar os próprios sentimentos em meio à tempestade que colocou a sua vida à deriva. Até a próxima coluna! Email: elainerdalgobbo@gmail.com
‘A Sedu tenta nos convencer a aceitar o que eles querem’
Comunidades contrárias à municipalização de escolas em Cariacica apontam que pasta não está aberta ao diálogo As comunidades das Escolas Estaduais de Ensino Fundamental e Médio (EEEFMs) Teotônio Brandão Vilela, em Nova Rosa da Penha II, e Rosa Maria dos Reis, em Porto Bello, ambas de Cariacica, não saíram satisfeitas da reunião com representantes da Secretaria Estadual de Educação (Sedu), realizada nessa quinta-feira (23). Contrárias à municipalização das unidades de ensino, elas afirmam que a pasta não está aberta ao diálogo. “A Sedu está simplesmente tentando convencer a gente a aceitar o que eles querem”, diz o mecânico Wallassy Nascimento de Oliveira. Pai de um aluno do Teotônio Brandão Vilela, ele destaca que os representantes da Sedu disseram que a municipalização faz parte da reorganização das redes de ensino referentes ao Termo do Ajustamento da Gestão (TAG) do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES). “Não era obrigado a aderir ao TAG, porque o prefeito de Cariacica [Euclério Sampaio – MDB] aderiu?”, questiona. Wallassy informa que o Teotônio oferece ensino médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). A reivindicação é que oferte também no ensino regular, pois os estudantes que terminam o 9º ano na Teotônio têm que ir para a EEEFM Saturnino Rangel Mauro, em Nova Rosa da Penha I, o que a comunidade considera perigoso devido ao conflito do tráfico entre os bairros. Com a municipalização, além de o pleito da comunidade não poder ser atendido, a turma de EJA será extinta. A possibilidade de falta de vagas também é uma das queixas. Além dos estudantes de Nova Rosa da Penha I e do Teotônio, o Saturnino também é procurado por egressos do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Almerinda Portela Colodette, em Vila Progresso. Diante da municipalização do Rosa Maria dos Reis, a unidade de ensino de Porto Belo não terá mais turmas de Ensino Médio. Portanto, uma das opções para eles será o Saturnino, aumentando a procura nessa escola. Wallassy afirma que Nova Rosa da Penha II já passou pelo processo de municipalização, pois em 2019, a escola Zaíra Manhaes de Andrade foi municipalizada. De acordo com ele, a comunidade não aprovou a iniciativa e constata que a qualidade diminuiu, havendo, por exemplo, maior restrição da participação da comunidade no ambiente escolar. Isso acontece, segundo Wallassy, diante das dificuldades de marcar reunião com profissionais do colégio ou até mesmo conseguir marcar, mas a pessoa não aparecer. Par ele, a municipalização irá causar evasão escolar. “Desse jeito, não vai ter nem aluno para chegar ao ensino médio. Eles vão encontrar tanta dificuldade no percurso, que vão desistir antes de chegar ao 9º ano”, lamenta. Além do Teotônio Brandão Vilela e da Rosa Maria dos Reis, a EEEFM Nossa Senhora Aparecida, em Oriente, também será municipalizada, mas a comunidade não participou da reunião na Sedu. A educação em Cariacica passa, ainda, por um momento de fechamento de unidades. As Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) que irão fechar são a Adalberto Queiroz, em Moxuara, e Jones dos Santos Neves, em Boa Sorte. O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Larissa Pereira Batista, em Bela Aurora, também será fechado. A EMEF Nilton Gomes, em Cruzeiro do Sul, será demolida para construção de uma nova infraestrutura. Por isso, os estudantes terão que procurar escolas de outros bairros, mas a comunidade reivindica que a prefeitura alugue um imóvel para funcionamento provisório da unidade de ensino Comunidade de Moxuara também se posiciona contra fechamento de escola Gestão de Euclério vai fechar a Adalberto Queiroz. Estudantes terão que ir para escola em Campo Verde https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-de-moxuara-tambem-se-posiciona-contra-fechamento-de-escola Mais uma comunidade se opõe a fechamento de escola em Cariacica Crianças do CMEI Larissa Pereira Batista, em Bela Aurora, terão que ir para o Tarcílio Montanori https://www.seculodiario.com.br/educacao/mais-uma-comunidade-se-opoe-a-fechamento-de-escola-em-cariacica Comunidade sai desesperançada de reunião com secretária de Cariacica Gestora ratificou que alunos da EMEF Nilton Gomes terão que se matricular em outras escolas durante reforma https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-sai-desesperancada-de-reuniao-com-a-secretaria-educacao-de-cariacica
Corrente do PT lança ex-vereador Babá à Prefeitura de Vila Velha em 2024
João Batista Gagno já foi candidato a prefeito em 2012 e é um dos quadros antigos do PT A Resistência Socialista, corrente do PT liderada pelo deputado federal Helder Salomão, prepara o lançamento da pré-candidatura do dentista e ex-vereador João Batista Gagno, o Babá, a prefeito de Vila Velha nas eleições de 2024. A plenária do partido, marcada para 13 de dezembro, no auditório do Centro de Formação Martina Toloni, na Prainha, contraria tendência de outro grupo, que não quer uma candidatura própria no município e defende a apoiar o atual prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos). A apresentação do nome de Babá, segundo notícias que correm nos meios políticos, não se harmoniza com a corrente “Construindo um Novo Brasil” (CNB), próxima ao governador Renato Casagrande (PSB), que se movimenta em apoio à reeleição de Arnaldinho. Integram esse grupo o secretário estadual de Esportes e ex-deputado estadual José Carlos Nunes, de Vila Velha, o deputado estadual e pré-candidato prefeito de Vitória João Coser, e a deputada federal Jacqueline Rocha, presidente do partido. O nome de Babá está fechado, com a chancela de Helder Salomão, informa fonte do partido, destacando que o grupo está na fase final para formar chapa de pré-candidatos a vereador. Entre os nomes já colocados no mercado político, destaca-se o do subsecretário estadual de Direitos Humanos, Rafael Primo, que foi candidato a prefeito em 2020. Fontes do PT ressaltam que, apesar de ocupar cargo na gestão de Casagrande, Rafael Primo tem uma postura independente, distanciada das articulações de Arnaldinho Borgo, que envolveriam a cúpula da legenda no Estado. Babá, que já foi candidato em outras ocasiões, teve o nome reforçado em agosto deste ano, depois da recusa do senador Fabiano Contarato ao convite para disputar a Prefeitura de Vila Velha. O senador é cotado, internamente no partido, para concorrer ao governo do Estado em 2026, juntamente com o deputado Helder Salomão, credenciado com uma votação de 120,3 mil votos na reeleição à Câmara Federal em 2022. Em 2012, o então ex-vereador Babá foi candidato do PT para concorrer à Prefeitura de Vila Velha. No mesmo ano, a hoje deputada estadual Iriny Lopes foi candidata à Prefeitura de Vitória. Na disputa em Vila Velha, estão ainda no mercado as pré-candidaturas dos ex-prefeitos Max Filho (PSDB) e Neucimar Fraga (PP); o ex-deputado estadual Rafael Favatto (Patri); o empresário Euclides Viana (PMB); e o vereador de Vila Velha Devacir Rabello e o empresário Thiago Nascimento. ambos do PL.
Entidades policiais protestam contra veto de Lula à lei orgânica do setor
Diretor estadual da Cobrapol, Humberto Mileip, diz que acordo foi desrespeitado Entidades representativas de policiais civis divulgaram, nessa quinta-feira (23), um “Manifesto à Nação” em protesto ao veto do presidente Lula a ponto considerados essenciais da Lei Orgânica da Polícia Civil, que começa a valer nesta sexta-feira (24). O documento “repudia de forma extrema” e destaca “decepção, perplexidade e indignação” com a postura do governo referente à Lei 4503/2023. “Lutaremos com todas as forças pela derrubada destes vetos presidenciais vergonhosos e humilhantes. Nossa união e coesão estão mais fortalecidas do que nunca”, diz o manifesto, assinado pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) e Federação Nacional dos Peritos Oficiais em Identificação (Fenapi). “A decisão do presidente terá repercussão em todos os estados e aqui no Espírito Santo estaremos juntos com esse objetivo”, destaca o diretor estadual da Cobrapol, Humberto Mileip, que teve participação ativa na construção da lei. Ele destaca que o veto desrespeita o acordo formalizado com representantes do governo federal, entre eles o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o senador Fabiano Contarato (PT). “Apesar de meses de diálogo contínuo e respeitoso, sendo atendidas todas as recomendações técnicas e políticas por parte do próprio governo Lula na construção do mérito do projeto da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, com garantia de que tais ajustes acatados pelo relator, deputado federal Fábio Costa (PP-AL), e senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Fabiano Contarato (PT-ES) seriam justamente para que não houvesse qualquer veto, acaba por prevalecer uma posição política antagônica a tudo que fora acordado e uma literal traição às entidades de classe, aos congressistas, à categoria de policiais civis do Brasil e à toda sociedade brasileira”. As entidades também enfatizam “Até direitos básicos aos policiais civis aposentados serão vetados, deixando-os marginalizados e com insegurança jurídica e funcional, como se não tivessem mínima dignidade existencial, mesmo diante de décadas de serviço de risco prestado à sociedade”. Para Humberto Mileip, não há justificativa para o veto presidencial, que será objeto de debates com a categoria no Espírito Santo. Paralelamente, serão realizados encontros com o delegado-chefe da Polícia Civil no Estado, José Darcy Arruda, e outras representantes do governo estadual, para tratar de alterações na estrutura policial estabelecidas pela nova lei. Um delas se relaciona com as atribuições com o policial civil a partir da unificação das investigações, que afeta outras corporações do setor. Segundo o manifesto, “causa ainda mais perplexidade a desfaçatez vetos de dispositivos já consagrados em leis estaduais e da própria Constituição Federal, que asseguram direitos aos policiais civis, como regras de previdência, licença classista remunerada, direito a indenizações inerentes à atividade policial civil como insalubridade e periculosidade”. As entidades apontam o veto como uma “postura traiçoeira e contraditória do governo Lula”, que não ficará esquecida, principalmente a intransigência do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa e do advogado geral da União, Jorge Messias, os quais prevaleceram no debate dos vetos, e, principalmente, a atitude do presidente da República, que se esqueceu que policiais civis são, acima de tudo, trabalhadores e garantidores de direitos e não marginais ou opressores”. Pontos vetados Os pontos vetados pelo presidente da República são os seguintes: Parágrafo único. Os quadros das unidades de saúde criadas para os fins deste artigo devem ser contratados exclusivamente por meio de processo seletivo específico vigente ou mediante contratos de gestão com organizações sociais de saúde. Parágrafo único. Após dois anos de permuta ou de cessão, fica autorizada a redistribuição definitiva do policial civil de um ente federativo para outro, a critério da administração pública, por ato dos respectivos governadores, mediante manifestação de vontade expressa do servidor cedido ou dos servidores permutados, caso em que seu vínculo passará a ser estabelecido com a instituição de exercício das funções. 1º Os atuais cargos podem ser renomeados com a nova nomenclatura de oficial investigador de polícia, nos termos da lei do respectivo ente federativo, quando não for aplicável o disposto no caput deste artigo, por similitude de função e com as devidas aglutinações das atribuições dos cargos de acordo com a conveniência e oportunidade da administração pública.2º Aplicado o disposto no § 1º deste artigo, os atuais servidores podem fazer opção, em caráter irreversível, de permanecer no seu cargo com sua nomenclatura atual, exercendo as atribuições de seu provimento originário, devendo se manifestar por escrito ao órgão responsável no prazo de 90 dias, contado da data de publicação da lei do respectivo ente federativo. § 3º Se aplicado o disposto no caput ou no § 1º deste artigo, os policiais civis aposentados devem ter seus cargos renomeados, redesignados e enquadrados no cargo de oficial investigador de polícia, preservados seus direitos previdenciários e os dos respectivos pensionistas. § 4º Os cargos de natureza policial civil já extintos ou em extinção por lei do ente federativo anterior a esta lei serão aproveitados, reenquadrados, redistribuídos ou renomeados no cargo de oficial investigador de polícia nos termos da lei do respectivo ente federativo, por similitude de função e com as devidas aglutinações das atribuições dos cargos, de acordo com a conveniência e oportunidade da administração pública, observados os princípios da evolução e da modernização legislativa. § 5º Os cargos técnico-científicos que realizem perícias de natureza criminal, atualmente existentes na estrutura das polícias civis, serão transformados, renomeados ou aproveitados no cargo de perito oficial criminal no órgão central de perícia oficial de natureza criminal nos termos da lei do respectivo ente federativo, conforme a conveniência e oportunidade, respeitadas a similitude de atribuições e equivalência de funções entre os cargos respectivos. § 6º O disposto neste artigo não se aplica ao cargo de delegado de polícia § 2º O Conselho Nacional da Polícia Civil tem assento e representação no Ministério da Justiça e Segurança Pública, bem como nos demais órgãos colegiados federais, estaduais e distrital que deliberem sobre políticas públicas da área de suas competências constitucionais e legais.