A menos de uma semana das eleições que irão escolher os novos prefeitos dos 78 municípios capixabas, predomina o clima de indefinição. O quadro de estrelinhas, atualizada nesta segunda-feira (1), indica que a disputa está aberta em pelos 59 municípios. Em 14, os candidatos estão rigorosamente empatados, ou seja, com o mesmo número de estrelinhas. De outro lado, Século Diário prevê que sete prefeitos estão virtualmente “eleitos”: Marcelo Coelho (PDT), em Aracruz; Romualdo Milanese (PMDB), em Boa Esperança; Javan (PSD), em Ibitirama; João Paganini (PSB), em Iconha; João Fachim (PSB), em Rio Novo do Sul; Fernando Rocha (PMDB), em Santa Leopoldina; e Marcos Guerra (PSDB), em São Roque do Canaã. Se o quadro está definido em sete municípios, as disputas continuam abertas em pelos menos 59. Em 14 cidades os candidatos disputam voto a voto a dianteira, mas ainda não é possível falar em “eleitos” nesses municípios. É o caso, por exemplo, de Iúna. Renato Rios (PSC), o Renatinho (quatro estrelas), está empatado com Rogério Cruz (PDT). Em Ibatiba não é diferente. Zé Alcure (PP) cresceu e agora está junto com Simão Dias (PDT), ambos têm quatro estrelas. Empatados também estão Fernanda Taylor (PT) e Samuel Zuqui (PSB) na briga pela prefeitura de Piúma. A disputa está parelha também em Santa Maria de Jetibá. Eduardo Stuhr (PDT), com quatro estrelas, está colado em Lourival Berger (PSB). Em muitos municípios, quem tem uma estrela de vantagem sobre o adversário ainda não pode dizer que já está eleito. É caso de Alto Rio Novo. Edinho Benfica (PSD) estava isolado na liderança até a semana passada, quando a Justiça Eleitoral confirmou a candidatura de Maria Emanuela Alves Pedroso (PDT), que substituiu Aldo Soares de Oliveira, o Didi (PSDB). A pedetista entrou no páreo agora, mas já conta com três estrelinhas. Isso porque o tucano Didi, que tem bom capital eleitoral, está apoiando a candidata. Entretanto, a poucos dias da eleição, talvez Emanuela não tenha o tempo suficiente para conquistar o voto dos eleitores e ultrapassar Edinho, que ainda tem boa vantagem. Quem também tem o tempo como adversário é o deputado estadual Josias da Vitória (PDT). O pedetista, desgastado com o escândalo de corrupção envolvendo o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases), tenta desestabilizar a candidatura de seu adversário, o atual prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski (PT), pagando com a mesma moeda. Ou seja, tentando envolvê-lo em escândalos de corrupção. A última denúncia de Da Vitória acusou o prefeito de manter um esquema “viciado” na concessão de transporte urbano. Mas talvez seja tarde demais para o eleitor colatinense assimilar as denúncias e transformar o descontentamento com a atual gestão em votos a favor do deputado no próximo dia 7. Na disputa à prefeitura da Serra também houve mudanças. Audifax Barcelos (PSB) leva agora uma estrela de vantagem (4 X 3) sobre o atual prefeito Sérgio Vidigal (PDT). A vantagem, no entanto, não significa que a fatura já foi liquidada. O socialista, que conhece muito bem seu adversário, sabe que Vidigal não vai se entregar fácil e pode surpreendê-lo. Houve mudanças importantes também na Capital. Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), conforme as últimas pesquisas, experimenta uma acentuada queda. Ao mesmo tempo, seus dois principais adversários, Iriny Lopes (PT) e Luciano Rezende (PPS), estão em franca ascensão. Para representar esse cenário no quadro de estrelinhas com exatidão, teríamos que manter Luiz Paulo com quatro; subir Luciano para três estrelas e meia e Iriny para três. Como trabalhamos com estrelas “inteiras”, colocamos Luiz Paulo e Luciano com quatro, mas destacando que o tucano ainda tem uma “gordura: sobre o candidato do PPS. Fichas “sujas e manchadas” Outro fator que pode ainda mudar o rumo de algumas disputas nesta reta final são as pendências judiciais que envolvem candidatos bem cotados na disputa. Em Guarapari, continua a indefinição em torno da candidatura de Edson Magalhães (PPS). O atual prefeito teve a o registro impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) e recorreu ao Tribunal Superior. Com o registro indeferido com recurso, Magalhães pode até ganhar, mas pode não levar. Se o TSE confirmar a decisão do TRE-ES, lá na frente, o candidato do PPS pode perder o mandato. Caso ele tenha 50% dos votos mais um e perca o mandato, o TRE seria obrigado a convocar uma nova eleição no município. De outro lado, se Magalhães vencer com margem inferior a 50% dos votos válidos, e Ricardo Conde (PSB) for o segundo, é o socialista quem assume a prefeitura. Situação semelhante vive o município de Conceição da Barra. O atual prefeito Jorge Donati (PSDB), apesar do favoritismo, está fora da disputa por decisão da Justiça Eleitoral. A defesa do tucano já avisou que irá recorrer ao TSE, mas está com o registro indeferido. Mesmo depois de diplomado, caso vença as eleições, Donati poderá perder o mandato. Nesse caso, o ex-prefeito do PSB Manoel Pé de Boi, hoje, estaria mais cotado para ocupar a vaga de Donati. Geralda Araújo Adão, do Psol, ainda corre por fora e alimenta esperança de superar Pé de Boi num cenário sem Donati. Para os candidatos com registro deferido com recurso, as chances de reversão das “pendengas” judiciais são maiores. Especialistas em direito eleitoral acreditam que os casos que sobem deferidos para o para o TSE acabam sendo mais favoráveis ao candidato. Essa situação, por exemplo, afeta os dois principais candidatos em Pinheiros. O atual prefeito Antonio da Emater (PSB) e o deputado estadual Gildevan Fernandes (PV) estão com o registro deferido com recurso. Ou seja, embora o TRE-ES tenha deferido os registros, o Ministério Público recorreu e o caso subiu para o TSE. Enquanto o TSE não os julga, os dois candidatos seguem firmes na disputa e esperam reverter a pendência judicial. Talvez isso só aconteça quando um dos dois estiverem sentados na cadeira de prefeito. Se o TSE decidir reformar a decisão de segunda instância, porém, o então prefeito cairia e junto com ele o vice.
Justiça barra registro de vereador
O juiz eleitoral Ronaldo Domingues de Almeida, da 49ª Zona Eleitoral de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), cassou o registro de candidatura ao cargo de vereador do atual presidente da Câmara municipal, José Carlos Barreto de Araújo (PMN). Ele foi acusado de transportar eleitor para receber atendimento médico na cidade de Bom Jesus do Itabapoana (norte do estado do Rio de Janeiro), em veículo oficial. A decisão também condenou o vereador ao pagamento de multa de R$ 30 mil pelo suposto crime eleitoral. O juiz acatou os termos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), com base em fotografias e relatos de testemunhas. O vereador teria cedido veículo público e servidor público para transportar eleitor para a cidade no norte fluminense. Segundo o magistrado, o motorista que levou o eleitor confirmou que fez o pedido verbal ao presidente da Câmara para que o irmão dele fosse submetido a um exame médico. Na sentença, Ronaldo Domingues faz questão de registrar que fotografias comprovariam a cessão do veículo, conduta vedada pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97). Com a decisão, o atual presidente da Câmara não poderá disputar a reeleição. O vereador chegou a comandar o município após o afastamento do então prefeito Reginaldo Quinta (PTB) – cassado pelos vereadores –, preso durante a Operação Lee Oswald. A defesa do vereador não foi encontrada para comentar o caso.
Presidente Kennedy: novo contrato de lixo fica seis vezes mais barato
A prefeitura de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado) anunciou, nesta segunda-feira (1º), a contratação de uma nova empresa para a prestação do serviço de recolhimento de lixo no município. Nos próximos seis meses, a empresa Vixtrel Construções e Montagens Ltda. receberá cerca de R$ 380 mil pelos serviços. Esse valor é próximo ao que era cobrando mensalmente no contrato anterior, alvo de fraudes após investigação da Polícia Federal durante a Operação Lee Oswald. Segundo o acordo publicado no Diário Oficial, a empresa Vixtrel foi contratada de forma emergencial. Na média, a prefeitura deverá gastar cerca de R$ 63 mil pelos serviços de recolhimento na sede e na zona rural do município. O ato é assinado pelo interventor estadual na prefeitura, promotor aposentado Lourival Lima do Nascimento. O custo do novo contrato está bem abaixo do que era pago à empresa Metavix Serviços Ltda, acusada de participação no esquema de fraudes em Presidente Kennedy. A empresa recebia, em média, cerca R$ 300 mil por mês pelo mesmo tipo de serviço. Nos meses de verão, o valor chegava a R$ 380 mil mensais – isto é, o mesmo valor pago por seis meses de serviço da nova empresa. O antigo contrato de lixo fazia parte do rol de contratos sob suspeição no município. Ao todo, a PF indicou que a quadrilha supostamente chefiada pelo ex-prefeito cassado, Reginaldo Quinta (PTB), teria fraudado contratos na ordem R$ 55 milhões. Antes mesmo da deflagração da Lee Oswald, o contrato de lixo em Kennedy havia sido alvo de investigações. Em setembro de 2010, o Ministério Público Estadual (MPES) apontou a existência de superfaturamento no acordo durante a Operação Moeda de Troca. Desde a assinatura do contrato, em setembro do ano anterior, a prefeitura havia desembolsado cerca de R$ 10 milhões pelos serviços da Metavix. O primeiro contrato firmado previa inicialmente o pagamento de R$ 4,3 milhões pelos serviços – que incluem também a destinação do lixo recolhido em terreno em Vila Velha (distante quase 150 quilômetros do município), este serviço subcontratado junto à outra empresa. Em junho de 2010, a Metavix foi agraciada com seu primeiro aditivo, quando o contrato foi reajustado em mais R$ 1,075 milhão. Em agosto do mesmo ano, a prefeitura municipal ampliou o vínculo com a Metavix por mais doze meses, pelo mesmo valor do contrato anterior – R$ 4,3 milhões. Seguindo os mesmos passos, o contrato sofreu nova alteração nos valores – agora em mais R$ 249.201,95. Na época das investigações, o então secretário de Meio Ambiente do município, Márcio Roberto Alves da Silva, confirmado o salto nos custos do contrato. Antes da contratação da empresa, o mesmo serviço era executado por servidores públicos e com o maquinário da prefeitura ao custo de 78 mil mensais.
Moção pressiona governo federal a implementar UCs marinhas
O movimento pela criação e implementação de Unidades de Conservação (UCs) costeiras e marinhas no Brasil aprovou uma Moção Pró-UCs Marinhas, que cobra do governo federal maior atenção à conservação da vida marinha no Brasil. Entre os processos estão cinco projetos de criação de UCs no litoral do Espírito Santo. A carta, apresentada pela Fundação SOS Mata Atlântica, foi proposta por 43 instituições que atuam na costa brasileira e assinada por 72 especialistas de todo o país. Segundo o documento, é preciso mais agilidade dos órgãos governamentais para criar e implementar Unidades de Conservação marinhas. O documento destaca 19 processos que estão em estágio avançado e dependem do empenho do governo federal para ser tornarem realidade. Entre elas estão a Área de Preservação Permanente (APA) dos Abrolhos (Bahia/Espírito Santo); Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Baleia Jubarte (Espírito Santo); Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Foz do Rio Doce (Espírito Santo); Parque Nacional (Parna) e APA Arquipélago Sul Capixaba e Ilha do Francês (Espírito Santo), e Parque Nacional (Parna) e APA Federal da Ilha de Trindade Arquipélago Martins Vaz (Espírito Santo). O Instituto Baleia Jubarte ressalta que a agilidade do governo nos processos das UCs garantirá o cumprimento das metas assumidas internacionalmente para a proteção destes biomas. Classificado como o ecossistema menos protegido do Brasil, as regiões marinhas estão entre as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas globais. De acordo com a SOS Mata Atlântica, estas unidades de conservação já se encontram em estágio avançado no processo de criação e espera-se uma postura mais ativa do governo federal na conservação do território marinho brasileiro, como uma resposta a todo esforço que vem sendo feito pela sociedade civil. .Para os ambientalistas, a não preservação deste ecossistema refletirá, sobretudo, na pesca e no turismo brasileiro. Além dos projetos de UCs capixabas, estão inclusas nos documentos as áreas da Reserva Extrativista (Resex) Tauá Mirim (Maranhão); Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Peixe Boi (Ceará/Piauí); APA Litoral Leste (Ceará); Resex Sirinhanhéim (Pernambuco); Revis Foz do Rio São Francisco (Sergipe); Resex Litoral Sul de Sergipe (Sergipe); Revis Praia do Forte (Bahia); Revis Arembepe (Bahia); Ampliação do Parque Nacional Marinho (Parnam) dos Abrolhos (Bahia); Parnam Arquipélago dos Alcatrazes (SP); Refau Babitonga (Santa Catarina); Resex Imbituba-Garopaba (Santa Catarina); Resexdo Cabo de Santa Marta Grande (Santa Catarina), e Parna do Albardão (Rio Grande do Sul). As unidades de conservação, segundo a SOS Mata Atlântica, representam um aumento dos atuais 1,57% para cerca de 4,5% da Zona Econômica Exclusiva Brasileira, o que significa uma pequena mas importante fração do desafio do Brasil para a proteção de seus ecossistemas marinhos. Assinaram a moção a Agência Brasileira de Gerenciamento Costeiro (Agência Costeira), Aliança Ambiental do Brasil (Aliambra), Associação Ambiental Voz da Natureza, Associação de Estudos Costeiros e Marinhos (Ecomar, Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), Fundação Pró-Tamar, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), entre outros.
Dose tripla
Este livro do escritor carioca Sérgio Sant’Anna traz três textos bem diferentes entre si, tanto na forma como na temática. O ponto alto é a novela que encerra o volume e lhe empresta o título. Páginas sem Glória é ambientada no Rio de Janeiro do início dos anos 1950, com sua boemia povoada de personagens rodriguianos e seus brasileiríssimos dramas em torno do mundo da bola. A novela narra a história de José Augusto do Prado Almeida Fonseca, um boa-vida pinçado do futebol de areia e levado ao Fluminense pelo olheiro Luiz Andrade. Desde os primeiros parágrafos, Zé Augusto é pintado como um adorável sem-vergonha, um anárquico poeta da bola. A saga desse anti-herói é narrada com o mais saboroso humor, num texto que já nasce como um clássico da literatura futebolística. Mas antes, abrindo o volume, temos Entre as Linhas, uma pequena obra-prima de narração literária. Esse conto se inicia com o “autor”, Fernando, expondo que pediu a uma amiga para ler a “pequena novela” que acabara de escrever. Ela então anota seus comentários nas entrelinhas do texto. O que nos é dado a ler não é a narrativa original, mas as anotações da leitora-crítica. O engenhoso procedimento resulta numa composição que fisga a atenção para diversas histórias espelhadas. No segundo conto, O Milagre de Jesus, a voz em primeiro plano é a de um indigente chamado Jesus que relata a um amigo certo milagre por ele realizado. Numa igreja, ele é confundido com Jesus Cristo por uma mulher desesperada, que foi estuprada por três “filhinhos de papai” e descobre estar grávida. Ela vem pedir seu conselho e ele a demove da decisão de abortar. Mas Jesus é enxotado da igreja pelo pároco e pragueja contra Deus e o mundo. Por coincidência, um casal de cineastas “do bem” está nos arredores e presencia sua fúria. Os cineastas e o indigente acabam fazendo um filme em parceria, e nele Jesus faz questão de mostrar-se em cenas de amor fraterno, de acordo com o clichê que envolve o seu nome. Serviço Páginas sem Glória Sérgio Sant’Anna Companhia das Letras 184 págs R$ 29,50 em média
Juiz eleitoral suspende divulgação de pesquisa da Futura em Nova Venécia
O juiz eleitoral Marcelo Faria Fernandes, da 30ª Zona Eleitoral de Nova Venécia (noroeste do Estado), determinou a suspensão da divulgação dos resultados da pesquisa eleitoral feita pelo Instituto Futura no município. O levantamento que seria divulgado nesta segunda-feira (1) só poderá ser revelado após a regularização no registro da pesquisa. Na ação, a coligação do atual prefeito, Wilson Luiz Venturim, o Japonês (PP), levantou o histórico de fraudes da empresa nas últimas eleições municipais. Na decisão liminar prolatada na última sexta-feira (28), o magistrado considerou que a suspensão da divulgação tem o objetivo de “impedir a perpetração de maiores prejuízos às partes envolvidas no processo eleitoral”. Faria Fernandes entendeu que o levantamento das intenções de votos não atendeu às exigências legais para a publicação pelo jornal local A Notícia, que contratou a pesquisa. De acordo com informações da Justiça Eleitoral, a direção do jornal foi comunicada da decisão ainda na semana passada. O Instituto Futura recorre da decisão no juízo local. O caso está atualmente sob vista do Ministério Público Eleitoral (MPE). Nas redes sociais, correligionários do adversário do prefeito, Lubiana Barrigueira (PSB), afirmam que a pesquisa será publicada nesta quinta-feira (4), porém, o recurso ainda será analisado pela Justiça. A participação do Instituto Futura nas pesquisas em Nova Venécia é alvo de polêmica desde o pleito de 2008. Por conta de fraudes comprovadas, os diretores do Futura respondem a uma ação penal na Justiça Eleitoral. Naquela eleição, as investigações da Polícia Federal mostraram a manipulação de dados contra Japonês, que enfrentava o então prefeito. Logo após identificar as irregularidades, a PF indiciou os diretores do instituto (João Gualberto Moreira Vasconcelos e José Luiz Soares Orrico). No recebimento da denúncia, o juiz levou em conta os relatos de testemunhas que confirmaram a presença do então candidato, o ex-prefeito Valter De Pra, durante os trabalhos de coleta dos dados. Também pesou na decisão do juiz o resultado do inquérito policial que apontou possíveis irregularidades na ocasião da divulgação da pesquisa, bem como a manipulação dos dados coletados pelos pesquisadores.
Dia Internacional do Idoso provoca reflexão sobre inclusão e dignidade
Nesta segunda-feira (1) se comemora o Dia Internacional dos Direitos dos Idosos, data de reflexão sobre as necessidades de políticas de inclusão e de promoção da dignidade desta parcela da população. No Estado, cerca de 10% da população têm 60 anos ou mais, o que corresponde a quase 365 mil pessoas. O aumento no número da população idosa no Estado está em consonância com o resto do País. Os idosos representam 12% da população brasileira, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). A série “Situação Social nos Estados”, com dados do Espírito Santo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também revela que a expectativa de vida do capixaba aumentou, ao mesmo tempo em que diminuiu a taxa de fecundidade. O estudo aponta que a relação de dependência dos idosos do Estado é a menor na região Sudeste. A população idosa do Estado vive de forma mais salutar do que a média dos cidadãos do Sudeste e a média brasileira. Na ocasião da apresentação do estudo, em janeiro de 2012, o então presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirmou que a população ainda não está preparada para esta mudança de paradigma. Para garantir o envelhecimento saudável e independente, é necessário o investimento em saúde preventiva e acessibilidade. O crescimento da população idosa no Estado, aliado ao fortalecimento da saúde e à independência, demanda a adoção de políticas públicas que promovam a dignidade desta parcela da população. O Espírito Santo já conta com o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Ceddipi), responsável por implementar a política do idoso. O Ceddipi também firmou um Termo de Cooperação Técnica e Parceria com o Ministério Público Estadual (MPES), com o objetivo de promover ações de fortalecimento e implementação do controle social e da defesa dos direitos das pessoas idosas. As prefeituras, no entanto, têm papel primordial na garantia da autonomia da população idosa. Ao considerar o estudo do Ipea que atesta a autonomia e a vida salutar dos idosos do Estado, conclui-se como indispensáveis o investimento na revitalização de praças e na criação de espaços de convivência e para a prática de exercícios.
Ex-ministros vivem situações parecidas nas disputas eleitorais
As coincidências entre os candidatos petistas Iriny Lopes, em Vitória, e Fernando Haddad, em São Paulo, vão além do fato de terem passado pelo governo federal. Nos dois casos eles são apostas da Nacional do PT em seus estados. Além disso, estão ambos em terceiro lugar na corrida eleitoral, buscando espaço para chegar ao segundo turno. A diferença nas duas candidaturas está evidentemente no volume de recursos investido pelo PT nos candidatos. Para fortalecer a disputa presidencial em 2014, vencer na capital paulista é uma prioridade para o PT. Nesse contexto, não só no volume de recursos, chama atenção a investida das lideranças na campanha, com a presença do ex-presidente Lula e ministros, fortalecendo o palanque do ex-ministro da Saúde. No caso de Vitória, a campanha da ex-ministra da Mulher Iriny Lopes significa uma demonstração de força para o PT. Além de governar a cidade por oito anos, com João Coser, na capital capixaba o principal adversário de Iriny é o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, que lidera a corrida eleitoral. Vitória é a única capital do Sudeste que o PT governa, por isso, o PT Nacional tem uma atenção a mais na disputa capixaba. Além disso, na disputa de 2010, Dilma não venceu em Vitória. Por isso, precisa se fortalecer com a vitória na disputa municipal. Mas tanto em São Paulo, quanto em Vitória, o PT corre contra o tempo para conseguir vencer seus adversários e chegar ao segundo turno. Ambos mostraram um crescimento na disputa e Haddad está mais próximo de suplantar o segundo colocado na eleição de São Paulo, o tucano José Serra (PSDB). Já Iriny está mais afastada do segundo colocado Luciano Rezende (PPS). Nos dois estados, a disputa com o PSDB pela hegemonia política faz com que o PT invista em seus candidatos. O resultado das urnas nessas duas capitais é um indicativo para o partido de como se portar em 2014, quando, provavelmente, Dilma enfrentará o PSDB na eleição presidencial.
Novo ânimo na disputa em Colatina
Na reta final da campanha, a disputa eleitoral pela prefeitura de Colatina (noroeste do Estado) ganhou um novo componente: a discussão sobre o transporte coletivo no município. As críticas da oposição ao valor das tarifas de ônibus e a manutenção do monopólio das empresas no setor expõem a candidatura à reeleição do prefeito, Leonardo Deptulski, o Batata (PT). O caso foi parar na Justiça Eleitoral, que proibiu a veiculação de uma propaganda do adversário, o deputado estadual Josias Da Vitória (PDT). Atualmente, o valor da passagem das linhas municipais é um dos mais caros do Estado. Mesmo com a grande demanda pelo serviço – o sistema transporta hoje cerca de um milhão de usuários por mês –, o preço da tarifa é considerado elevado em relação às distâncias percorridas. Desde janeiro deste ano, o usuário paga R$ 2,00 em dinheiro na roleta ou R$ 1,80 pelo cartão eletrônico por viagem. Por exemplo, se o usuário pegar um outro ônibus em menos de 30 minutos, a nova viagem vai sair por R$ 0,24. Uma das principais críticas ao modelo é a falta de fiscalização da prefeitura sobre o cumprimento de horários dos ônibus, assim como as dúvidas sobre os parâmetros para a definição do valor da tarifa. A queixa é de que não há uma divulgação transparente das planilhas das operadoras do sistema. Por mais de uma década, apenas duas empresas controlam o transporte público em Colatina: Joana D’Arc e São Roque, sendo que a última tem pouco mais de 10% das linhas no município. Na propaganda barrada pela Justiça Eleitoral, o deputado Josias Da Vitória prometia a criação de um sistema nos moldes do Transcol – que funciona hoje na Grande Vitória. A proposta envolve a criação de quatro terminais espalhados pelo município. No entanto, a assessoria jurídica da candidatura do prefeito alegou que o vídeo apresentava imagens externas e animações em computação gráfica, práticas vedadas pela legislação eleitoral. Mesmo com a veiculação proibida, o pedetista mantém as críticas e acentua o debate entre os moradores de Colatina. Circulou nos últimos dias uma série de panfletos com críticas ao modelo de transporte coletivo. Observadores políticos apontam que o assunto tem grande impacto nas camadas mais populares do eleitorado, faixa onde o prefeito mantém vantagem em relação ao principal adversário.
Polarização na majoritária pode inflar voto de legenda na Serra
O município da Serra tem mais de 500 candidatos a vereador, divididos nos palanques do prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e do deputado federal Audifax Barcelos (PSB), já que o Psol, de Professor Renato, não lançou chapa proporcional. Em muitos locais, porém, o eleitor está confuso sobre quem está apoiando quem. Muitos candidatos coligados com um candidato a prefeito vêm trabalhando clandestinamente para outro. Nesse cenário de incerteza, a expectativa é de um grande número de votos de legenda, sobretudo nos partidos dos candidatos a prefeito. Sem conseguir escolher entre tantos nomes, muitos eleitores devem apostar nas legendas para garantir o voto aos vereadores ligados aos seus candidatos a prefeito. Alguns devem fazer isso por conta da dificuldade na escolha, já que alguns bairros têm até três candidatos a vereador. Há ainda uma faixa da população menos esclarecida sobre o processo eleitoral. Esses votam na legenda por acreditar que o voto será contabilizado para o candidato a prefeito também. Se essa visão de voto em legenda se confirmar, os partidos dos dois candidatos, PDT e PSB, vão conseguir boa parte das 23 cadeiras da Câmara da Serra. A disputa proporcional no município, assim como a majoritária, está acirrada. Estaria pesando nesta reta final de campanha a falta de recursos, o que faz com que alguns candidatos mudem de lado, se agarrando ao palanque que mais condições oferecer para a chegada. Na disputa majoritária, o deputado Audifax Barcelos tem uma certa vantagem sobre o prefeito Vidigal. Esse desequilíbrio estaria vindo da injeção de recursos que segundo interlocutores, vem do suplente dele na chapa na Câmara Federal, Camilo Cola (PMDB). Com a eleição de Audifax, Cola ganha além dos quatro meses do afastamento do socialista, dois anos no lugar dele na Casa.