No ano em que a Comissão Nacional da Verdade inicia o trabalho de investigação de violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1988, o período de tortura e opressão é lembrado em um espetáculo que mistura passado e presente. O espetáculo Torquemada – 17 Balas será apresentado na Escola Técnica Municipal de Teatro Dança e Música Fafi nesta sexta (28) e sábado (29). A entrada é gratuita. A peça é uma releitura do texto Torquemada, de Augusto Boal. No espetáculo, após pronunciamento de Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol da Idade Média, o público acompanha o relato descrito por Boal sobre a tortura que sofreu no regime militar e a leitura de parte de seu processo criminal de 1971. A peça segue para a atualidade e um jovem toma o lugar do “subversivo” da época, em uma jornada de acontecimentos pelos subterrâneos da violência atual nas periferias. O objetivo é levar o público a refletir sobre seu papel ou omissão em relação às injustiças históricas e cotidianas. As cenas são costuradas por músicas compostas coletivamente por integrantes do Grupo de Teatro do Oprimido de São Paulo (GTO da Garoa), que trazem também momentos de descontração à apresentação. Parte da peça trata da violência atual e é resultado de um ano de pesquisa, entrevistas e coleta de relatos de vítimas da opressão policial e de integrantes de movimentos sociais. Há pelo menos 20 histórias reais que de alguma forma compõem e dão vida ao espetáculo. O projeto é resultado de parceria entre o Grupo GTO da Garoa (Grupo de Teatro do Oprimido de São Paulo) e a ONG Mudança de Cena e de iniciativa fomentada com verbas do projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, selecionada por meio de edital público. Oficina Além do espetáculo, o Grupo realizará a Oficina Torquemada no domingo (30), das 13h às 19h, na Fafi. Com metodologia do Teatro do Oprimido, a atividade é parte de um projeto que integra o espetáculo e a articulçação nas redes sociais e aborda opressão e violência no passado ditatorial brasileiro e seus reflexos nos dias atuais. As inscrições devem ser feitas pelo email oficina.teatrooprimido@gmail.com. Através de jogos teatrais, a proposta é gerar um espaço de reflexão sobre o papel das pessoas na sociedade na preservação da memória sobre o regime militar brasileiro. Serviço A Fafi recebe o projeto Torquemada com o espetáculo Torquemada – 17 Balas, nesta sexta (28) e sábado (29), sempre às 20h. Avenida Jerônimo Monteiro, 656, Centro, Vitória. Entrada gratuita. Ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência. Informações: (27) 9917-2672 ou 9255-0626.
Os clichês, conscientes, do romance policial
Há quem considere os romances policiais um gênero menor ou subliteratura. Apesar disso, Gustavo Machado se arrisca em seu primeiro livro a se enveredar por esse universo de crimes, detetives e mortes. Sob o Céu de Agosto é uma história policial com todos os clichês e padrões do estilo. A grande diferença é que seus personagens sabem disso. O protagonista e narrador é o pintor fracassado Otto. Ainda com os hematomas do dia anterior, ele começa o livro em uma delegacia contando para um policial a sua versão de um possível assassinato. Tudo é narrado de forma extremamente detalhada e sentimental, o que acaba irritando o delegado. “É uma técnica literária. Essas subjetividades são importantes”, defende-se Otto. Seu interlocutor, entretanto, desmerece os recursos literários do suspeito de duplo homicídio. “Até agora, essa sua história é a coisa mais previsível do mundo. Muito fraca, sinceramente. Ganha da novela das oito”, é uma de suas falas. O livro é um enorme flashback interrompido por diálogos como esse entre o pintor e o policial. Otto segue com sua história partindo bem do começo. No dia em que percebe que está ficando sem dinheiro e liga para um amigo de infância que trabalha no governo pedindo um emprego. Mesmo odiando o fato de ter que encara uma rotina, ele aceita trabalhar como professor de um centro cultural, onde conhece Sophia, responsável pela reviravolta em sua vida. Como esperado nesse tipo de ficção, as mulheres são a grande perdição do protagonista. Antes de Sophia, Otto tenta resistir às investidas de sua vizinha Berta. Inteligente e amante de jazz, ela sonha em ser romancista ou cineasta ou as duas coisas. Seu único problema é ter apenas 15 anos. Já Sophia, não se fala muito de sua personalidade, apenas de sua beleza, que atraia Otto instantaneamente. Depois de passarem a noite juntos, a moça revela que é casada com um homem muito rico e perigoso que bate nela. Sophia pretende fugir e implora ajuda ao professor de artes. Confuso, Otto acaba aceitando sem saber dos riscos que poderá e sem ter certeza se é o certo a fazer. Mesmo com o ritmo acelerado de narrar, Gustavo Machado consegue criar imagens encantadoras como esta: “Havia um cinza azulado envolvendo a cidade. (…) Cinza azulado com umas manchas brancas que fatiavam em camadas espessas os muitos blocos de nuvens que se acavalavam como um caleidoscópio”. Os cenários sempre frios e urbanos intensificam o tom noir da trama, que se assemelha a um filme em preto e branco, mas rodado nos dias de hoje em uma cidade fictícia. Serviço Sob o Céu de Agosto Gustavo Machado Dublinense 162 págs R$ 35 em média
Depois de morte no Portocel, trabalhador sofre grave acidente na fábrica da Aracruz (Fibria)
Menos de 16 horas depois de um trabalhador ter morrido no Terminal Especializado da Barra do Riacho (Portocel), porto da Aracruz (atual Fibria), outro trabalhador sofreu um grave acidente na área da empresa enquanto trabalhava no pátio de madeiras, na noite desta quarta-feira (26). O trabalhador Wescley Oliveira ficou preso da cintura para baixo dentro de um equipamento da correia transportadora de toras para a picagem de madeira. O trabalhador teve bacia e pernas esmagadas e esperou por socorro do Corpo de Bombeiros e do Samu por mais de uma hora. Depois de resgatado, foi transferido para o hospital Metropolitano, na Serra, onde passou por cirurgia que durou mais de três horas. Wescley permanece internado em estado grave. Enquanto o trabalhador ainda estava preso ao equipamento um diretor do Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros e Químicos do Estado (Sinticel) foi à delegacia de Polícia Civil de Aracruz (noroeste do Estado) e registrou boletim de ocorrência, por conta da demora no atendimento ao operário. No momento em que o boletim foi registrado, foi determinada a paralisação dos serviços para que uma perícia na área do acidente fosse realizada para determinar as causas. De acordo com o diretor do Sinticel, Joaquim Artur Duarte Branco o serviço de salvamento e socorro foi terceirizado pela Fibria há aproximadamente seis meses. “Um serviço dessa importância não deveria ser terceirizado, mas operado pela própria empresa”. O Sinticel credita essa terceirização a uma política de redução de custos da empresa. Todo o acidente ocorrido na fábrica de celulose deve ser atendido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu, o que retarda o atendimento por conta do deslocamento das equipes, lotadas na sede do município de Aracruz até a Fibria, na região litorânea. Morte Na madrugada desta quarta-feira (26) o operador de empilhadeira Jairo de Oliveira Souza, ligado ao Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES) morreu esmagado por um fardo de celulose que pesava 2 toneladas. O acidente ocorreu em Portocel, porto da Fibria, localizado no distrito de Barra do Riacho, em Aracruz. Após o acidente o porto permaneceu fechado para que fosse realizada uma perícia no local. O trabalhador
Sem Nozinho, debate de Linhares ficou morno
O debate entre os candidatos a prefeito de Linhares, promovido pela Rede Gazeta nesta quita-feira (27), foi morno. Alegando compromisso pré-agendado com uma TV no município, o pedetista Nozinho Correia não compareceu ao encontro, o que deixou um campo livre para que a discussão ficasse focada entre o atual prefeito do município Guerino Zanon (PMDB) e o ex-prefeito, o deputado estadual José Carlos Elias (PTB). Sem grandes trocas de acusações e ataques diretos, Guerino e Elias, principais nomes na mesa, preferiram apostar nos números de suas gestões e na atração de empresas para o município. Falaram também sobre o aumento da receita com o desenvolvimento econômico de Linhares. O professor João Luiz Teixeira (PCdoB) conseguiu encontrar espaço para provocar os candidatos, mas nada que esquentasse o debate. Já Milena Ceolin (PV) teve menos espaço para debater. Ela questionou sobre a conduta dos gestores públicos. A pergunta da candidata reflete a situação política dos principais nomes na disputa. Guerino Zanon teve que recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se manter na disputa. O prefeito responde a mais de uma dezena de processos judiciais e chegou a ser afastado da prefeitura no ano passado por improbidade. Já Zé Calos Elias não teria pago as custas de uma ação de improbidade e o Tribunal de Justiça analisa se o processo já transitou em julgado ou não. Caso a decisão seja desfavorável, o deputado estadual pode perder os direitos políticos. Apesar de os novos candidatos falarem em mudança, o eleitorado de Linhares parece mesmo estar dividido entre Zanon e Nozinho, com Elias tentando ganhar fôlego na reta final da eleição. Nozinho nunca foi prefeito, mas está na quinta disputa eleitoral. Zanon foi aliado de Elias, mas hoje os dois grupos estão rachados no município.
TJES mantém suspensão de empresa acusada de fraudes em Aracruz
O desembargador Ronaldo Gonçalves de Souza, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), manteve a suspensão da empresa Samon Saneamento e Montagens Ltda de contratar com o poder público até decisão judicial posterior. Na decisão monocrática, publicada nesta quinta-feira (27), o magistrado negou o recurso pela falta de peças obrigatórias para análise do pedido. A empresa é acusada de atuar em fraudes em licitações e obras na prefeitura de Aracruz. No texto, Ronaldo Gonçalves alega que a defesa da empresa não juntou a cópia da decisão do juízo de Aracruz, que determinou a suspensão de duas empresas envolvidas de licitarem com o poder público. “Não se trata de formalismo exagerado, mas do cumprimento da norma”, emendou o desembargador. Na decisão de 1º grau, o juiz da Vara da Fazenda Pública do município, Thiago Cardoso, determinou o bloqueio dos bens do prefeito Ademar Devens (PMDB) e mais 17 pessoas acusadas de participação em fraudes no município. A indisponibilidade dos bens dos envolvidos ultrapassa a casa dos R$ 6 milhões. Na mesma sentença, o magistrado incluiu a proibição das empresas Samon Saneamento, sediada na Serra, e a Solidus Serviços e Construções Ltda, de Linhares, contratarem com o poder público, até deliberação do juízo. Na denúncia, o Ministério Público Estadual (MPES) indica que as duas empresas teriam sido beneficiadas em fraudes comandadas pelo então chefe de gabinete e primo do prefeito, Rubens Devens – também denunciado. Na ação de improbidade (0016159-84.2012.8.08.0006), o atual prefeito, ex-secretários, servidores municipais e empresários são acusados de montar um esquema de propina em licitações públicas. Os episódios de corrupção no município foram revelados a partir da Operação Apache, deflagrada em março de 2009.
Luiz Paulo parte para o ataque, tentando liquidar fatura no 1º turno
A estratégia do candidato a prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) parece ter mudado de foco. Em vez de investir na velha disputa PSDB-PT, que domina a cidade, a preocupação do candidato agora parece ser o segundo colocado na corrida eleitoral, o deputado estadual Luciano Rezende (PPS). Essa mudança ficou evidente no programa eleitoral do candidato, no rádio, na noite dessa quarta-feira (26). Ele criticou as alianças do candidato do PPS, o senador Magno Malta (PR) e o ex-deputado Nilton Baiano (PP), dizendo que Luciano estaria escondendo seus apoiadores, ao contrário dele, que tem “orgulho” de ter o apoio do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Para os meios políticos, a investida de Luiz Paulo contra Luciano Rezende visa a evitar um embate com o popular-socialista no segundo turno. Isso porque, em uma nova fase, apesar de Luiz Paulo terminar a disputa em primeiro, sairia em desvantagem contra o adversário, já que Rezende receberia o apoio da candidata do PT, Iriny Lopes, caso ele passe para a nova fase e ela não. A mudança de estratégia de Luiz Paulo visa a tentar aumentar seu percentual evitando que a disputa vá para o segundo turno. Os tucanos que protagonizam um embate histórico com o PT tiveram que mudar a estratégia, já que o crescimento de Iriny Lopes, embora seja considerado, não vem em um ritmo que esboce uma reviravolta para cima de Luciano, até porque faltam apenas 10 dias para a eleição. Mas apesar do esforço de chegada de Luiz Paulo, tudo indica que haverá uma nova disputa na cidade entre o tucano e o candidato do PPS. Uma disputa que aguça a curiosidade do eleitorado, já que colocará o ex-prefeito e seu ex-secretário municipal frente a frente.
Caso Denadai: voto mantém júri popular
O presidente da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Adalto Dias Tristão, deu o primeiro voto para manter a data do júri popular do empresário Sebastião de Souza Pagotto, marcado para o próximo dia 10. O revisor do processo, desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama, pediu vista dos autos. Essa é a segunda tentativa de adiamento pela defesa do acusado de morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai. Neste recurso, o novo advogado do empresário, o carioca Paulo Ramalho – substituto de Homero Mafra, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB/ES), que forçou o adiamento do júri – pede a anulação da sentença de pronúncia, em que a Justiça decide quais réus deverão ser julgados por um júri popular. A defesa pede a nulidade da decisão prolatada em março de 2010 sob a justificativa de que um dos promotores de Justiça – Luiz Renato da Silveira – que atuaram no processo seria suspeito para participar do julgamento. Na sessão dessa quarta-feira (26), o advogado do empresário chegou a fazer a sustentação oral do pedido de habeas corpus para barra a realização do júri. No entanto, o relator Adalto Tristão negou o pedido e chegou a estranhar a natureza a duas semanas do julgamento. O desembargador lembrou que o promotor foi designado para atuar no processo por determinação da Procuradoria Geral de Justiça, e que desde o início da ação penal, há mais de 10 anos, nunca houve pedido de suspeição quanto ao seu trabalho. “Além do mais, o doutor Luiz Renato atuou com a presença de outros promotores de Justiça. Em determinado momento, o doutor Luiz Renato se afastou do caso, alegando motivo de foro íntimo. Ou seja, ele não vai atuar no julgamento do paciente”, completou Adalto Tristão. Em seguida, o revisor do processo, desembargador Sérgio Gama, pediu vista dos autos e suspendeu o julgamento. Não há prazo para conclusão. Por força do Regimento Interno do TJES, o revisor tem uma sessão para trazer o caso à baila, fato que pode atender a nova manobra protelatória pela defesa de Pagotto. A próxima sessão da 2ª Câmara Criminal está marcada para o dia 3. Julgamento O júri popular do empresário Sebastião Pagotto está marcado para o 10 de outubro, às 9 horas, no antigo Fórum de Vila Velha (na Prainha). Ele é acusado do mando da morte do advogado Marcelo Denadai, assassinado a tiros no dia 15 de abril de 2002, na véspera da apresentação de uma queixa-crime com denúncias sobre fraudes em contratos da empresa de Pagotto e a prefeitura de Vitória, durante a gestão Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). O empresário é apontado como o principal beneficiário do suposto esquema de fraudes em licitações na área de limpeza de esgoto no período. O advogado morto era irmão do ex-vereador Antônio Denadai – e também da deputada estadual Aparecida Denadai (PDT -, que presidia à época uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a chamada CPI da Lama, para apurar supostas irregularidades nos contratos do setor. Além de Sebastião Pagotto, foram denunciados o ex-militar Dalberto Antunes da Cunha, Fabrízia Moraes Gomes da Cunha, Paulo Jorge dos Santos Ferreira (o Pejota) e Leandro Scárdua Magevski. No entanto, apenas Pagotto e Leandro Magevski vão sentar no banco dos réus no próximo dia 10. Em julho passado, o juízo criminal de Vitória havia determinado o desmembramento dos julgamentos de Dalberto e Fabrízia Cunha por conta da tramitação de recursos em instâncias superiores. Desde o recebimento da denuncia, em março de 2010, o processo é alvo de medidas procrastinatórias por parte da defesa. Nem mesmo a confirmação do júri pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em abril do ano passado, garantiu uma maior celeridade ao processo. Entre a confirmação do júri pelo STJ e a marcação do júri popular – ocorrida apenas no dia 2 de maio deste ano –, três juízes se declaram impedidos para atuar no processo. Neste intervalo, os autos do processo chegaram a aguardar por mais de cinco meses a resposta de um simples ofício nos desvãos do Tribunal de Justiça na gestão do ex-presidente, desembargador Manoel Alves Rabelo.
Ato canhestro e ditador
Não é de se estranhar que o prefeito de São Mateus, Amadeu Boroto (PSB), seja um pertinaz defensor da ideia de privatizar o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) que serve o município. A proposta defendida por Boroto já foi alvo de uma enxurrada de denúncias País afora, pois havia e ainda há muita gente que já se atinou para o fato de que o sistema de águas pode ser uma mina cristalina de dinheiro. Boroto, assim como tantos outros prefeitos, aponta a privatização dos serviços como a solução para os problemas de saneamento básico que ainda afetam boa parte dos mateenses, sobretudo os mais pobres. O prefeito pôs o plano em ação e só não o efetivou graças à denúncia de um atuante cidadão, que denunciou ao Ministério Público Estadual a ausência de publicidade dos valores da contratação da empresa que já estava engatilhada pela comissão de licitação da SAAE. Após tomar conhecimento da gravidade da denúncia, o promotor de Justiça Edílson Tigre Pereira não pensou duas vezes para jogar um balde de água fria nas pretensões privativistas do prefeito. O promotor foi preciso ao ponderar as entrelinhas no negócio: “Uma dívida de 30 anos para o povo pagar, cujo montante com algumas correções ultrapassará R$ 600 milhões. Sem dúvidas, essa atitude canhestra e ditadora merece uma efetiva fiscalização por parte do legislativo local”, assinalou Tigre Pereira, provocando a Câmara de São Mateus. Mesmo após a promotoria recomendar a suspensão do edital de concorrência, a direção do SAAE manteve a sessão que definiu as empresas participantes do negócio, mas os promotores conseguiram suspender o certame e evitar que a população fosse lesada. Em tempos eleitorais, os adversários do prefeito, que é candidato à reeleição, aproveitam para pegar carona no caso e tirar alguns votos do prefeito. É bom lembrar também que alguns oportunistas vereadores que agora se colocam na condição de defensores dos interesses da população, deixaram de cumprir uma das funções primordiais do legislativo municipal: fiscalizar o Executivo. É importante ressaltar também que a denúncia só veio à tona e o negócio só não foi consolidado até agora graças à iniciativa de um anônimo cidadão, que percebeu a manobra e levou o caso ao Ministério Público que, por sua vez, impediu que o prefeito, numa manobra ditadora, fizesse um contrato às canhas lesivo aos interesses da população.
Causa própria
A decisão da Advocacia Geral da União (AGU) de suspender mais uma vez a Portaria 303, que ameaça as terras indígenas, nada mais é do que “empurrar o problema com a barriga” e tentar dar uma trégua nas manifestações em todo o país contra a medida. Ao invés de resolver a questão, apenas joga a polêmica para frente. O governo Dilma investe tudo na ideia, porque tem muitos interesses a zelar. Legisla em causa própria, sobrando uma boa brecha para os “seus”. A insistência em não recuar da medida tem motivo claro. O que está em jogo são as grandes obras do governo federal e do agronegócio, que poderão ser realizadas em terras indígenas, sem consulta prévia. Seria a solução definitiva ao obstáculo que os territórios tradicionais representam hoje para a expansão dos empreendimentos poluidores. Ao alto custo de retroceder em direitos constitucionais dos povos indígenas. Outros principais pontos consolidam o golpe: a proibição de ampliar os territórios indígenas e a possibilidade de revisão dos processos demarcatórios já consolidados. Desde que foram publicadas as novas regras, em junho deste ano, pipocam protestos e notas de repúdios, todos com relevância e argumentos suficientes para a AGU voltar atrás dos absurdos que definiu na portaria. A lista é extensa e com nomes de peso, a exemplo do próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, que não tem muito tempo, se disse surpreso com a interpretação da AGU sobre o caso Raposa Serra do Sol e considerou equivocado generalizar a decisão da Corte. Explicando: é que a justificativa da Advocacia Geral da União para a portaria está nas 19 condicionantes impostas pelo STF ao território indígena de Roraima, que ainda não transitou em julgado e não tem efeito vinculante. Mas nem assim adiantou. A única coisa que a AGU fez foi determinar nova suspensão, até a publicação do acórdão do processo que tramita no Supremo. Até lá, o governo federal busca alguma saída que não coloque por terra tudo que planejou para as terras indígenas e, ao mesmo tempo, estuda como se esquivar do bombardeio. Se isso será possível, já são outros quinhentos. Manaira Medeiros é jornalista e especialista em Educação e Gestão Ambiental
Sinuca de bico
Em Colatina (noroeste do Estado), a eleição a prefeito deste ano é o “nu falando do mal vestido”. No debate realizado pela Rede Gazeta nessa terça-feira (25), ficou claro o receio dos candidatos Leonardo Deptulski (PT) e Da Vitória (PDT) de trocarem farpas e acusações. E o motivo é simples: os dois têm telhado de vidro. Quem não conhece os antecedentes do pedetista, saiu convencido de que ele é o melhor candidato na disputa. Mas nem de longe ele faz jus a essa condição. Embora cante vitória antes da hora no escândalo do Iases/Acadis, o deputado ainda tem muito que explicar sobre o lobby que promoveu para o colombiano Gerardo Mondragón, recebendo em troca contratos muito rentáveis para empresas de seus familiares. Já Deptulski tem seu nome envolto a uma história pra lá de mal contada, de desvio de dinheiro na pasta comandada por sua mulher. O prefeito conseguiu evitar uma CPI, mas as investigações correm. Fora isso, a essência da administração do petista é a prática de nepotismo. Considerando as duas opções, é óbvia a constatação de que o município vive uma infelicidade eleitoral sem tamanho. Vai vencer o “menos pior”. Pobres colatinenses… Pega mal Embora tenha alegado problemas de saúde, o não comparecimento ao debate do candidato a prefeito em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Glauber Coelho (PR), é ponto negativo para sua candidatura, que até outro dia permanecia na liderança. Seu adversário, o prefeito Carlos Casteglione (PT), não dá ponto sem nó e saberá tirar proveito da situação. Lembrança No passado, em 2004, situação semelhante aconteceu em Colatina, quando Marcelino Fraga, na época o favorito, não foi a um debate, deixando livre Guerino Balestrassi, que tinha poucas condições de vencer, mas acabou levando a prefeitura. Relaxou O registro também serve para o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, que já faltou a quatro debates entre candidatos na Capital do Estado. O ex-prefeito lidera a disputa. Danou-se A situação ficou feia para o prefeito de Conceição da Barra (norte do Estado), Jorginho Donati (PSDB), com a decisão unânime dos membros do Tribunal Regional Eleitoral em não acatar o recurso do candidato à reeleição, mantendo seu registro cassado. Com tantas acusações graves nas costas, por mando em assassinatos, olha onde Donati foi ser parado… Injustificável O ex-secretário de Estado de Fazenda José Teófilo não tem explicação para o caso do Posto Fiscal em Mimoso do Sul, que embora nunca tenha existido, recebeu gastos de R$ 24,9 milhões na gestão Paulo Hartung (PMDB). A nota divulgada por ele em A Tribuna é um exemplo claro de “falar, falar e não dizer absolutamente nada”. Seria melhor ter ficado quieto. Segue… Além da gravidade da situação, esse é mais um motivo para a história ser tirada a limpo. Com um detalhe nebuloso: a decisão de extinguir todas as unidades fiscais veio antes de outra licitação, no valor de R$ 2,9 milhões. Onde foi parar todo o dinheiro em questão? Teófilo, é bom lembrar, divide sociedade com Hartung em escritório de consultoria, que tem outro caso nebuloso para explicar, a operação de compra de terras pela Ferrous. Me engana… O presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), não acha que está muito tarde para anunciar qualquer medida contra as faltas dos deputados? Deixou a Casa às moscas durante meses e agora quer mostrar reação? Me engana II… A prática de marcar presença e ir embora, que o demista reclama, ocorre já tem tempo, principalmente desde o início da campanha eleitoral deste ano, que tem 13 deputados-candidatos. Quando a imprensa caiu matando em cima, a Casa se fez de vítima e Theodorico protegeu os colegas. Agora, quase no dia do pleito, mudou a postura? Ah, tá! 140 toques “Aprovação do governo Dilma PT cresceu de 59% para 62%. Desse jeito a ‘tucanalha’ e o ‘psoleiros’ piram”. (Vereador de Vila Velha João Batista Babá – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “O castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus”. Platão