Se a eleição fosse hoje, o candidato Gilson Daniel estaria eleito prefeito de Viana. Pesquisa Visão/Século Diário aponta o candidato do PV com 50% das intenções estimuladas de voto contra 28,8% da ex-prefeita Solange Lube. O percentual de indecisos (14,5%), pelo menos na estimulada, seria insuficiente para a deputada virar a vantagem a seu favor. O intervalo de confiança estimado da pesquisa é de 95% e a margem de erro máxima é de 4,9 pontos percentuais para mais ou para menos. Na espontânea, quando o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos ao eleitor, o vereador também leva larga vantagem sobre a deputada estadual do PMDB. Gilson Daniel aparece com 41,6% das intenções de voto contra 22,2% de Solange Lube. Na menção espontânea o percentual de indecisos é maior: 28,1%. Segundo a socióloga Viviane Vervloet de Medeiros Chaia, responsável técnica da pesquisa, isso indica que a eleição em Viana para prefeito ainda não mobilizou completamente o eleitorado e o quadro ainda não está definido. “A tendência é que a candidatura de Gilson Daniel caminhe para a consolidação”, salienta a socióloga. Viviane ressalta que a diferença na espontânea entre Gilson Daniel e Solange Lube é de 19,4%, ou seja, menor que o índice de indecisos (28,1%). “Na menção estimulada o candidato do PV abre uma frente de 21,2% das intenções de voto, o que indica que os votos dos indecisos tendem a migrar para Gilson Daniel”, afirma. A deputada do PMDB também detém o maior índice de rejeição (estimulada): 42,6%. O percentual é quase três vezes maior ao do seu concorrente, que tem apenas 15% de rejeição. O eleitor com nível médio (51,6%) é o mais refratário à candidatura da ex-prefeita. Ela também sofre maior rejeição (50%) entre os eleitores com renda familiar de cinco a 10 salários mínimos A pesquisa Visão/Século Diário também aferiu a percepção dos eleitores quanto à gestão da prefeita Ângela Sias (PMDB). A atual administração é desaprovada por 70,7% dos eleitores e aprovada por apenas 17,5%. “Este dado parece apontar para o esgotamento do modelo de gestão do grupo de Solange Lube no município de Viana, o que se reflete nas intenções de voto da candidata do PMDB”, explica Viviane Chaia. Para o cientista político Antônio Carlos de Medeiros, coordenador da pesquisa Visão/Século Diário, Gilson Daniel ainda tem potencial para crescer e, por isso, é o virtual prefeito de Viana. “Só um fato político-eleitoral extraordinário poderá ainda reverter esta tendência”, afirma. A pesquisa Visão/Século Diário entrevistou 406 pessoas no último dia 19 de setembro. O registro da pesquisa no TRE é ES- 00085/2012
Vereadores de Vitória lutam para se manter e superar novidades
A eleição do próximo dia 7 não deve apontar um índice de novidades para a Câmara de Vitória. Com pouco dinheiro e um cociente alto, os vereadores correm atrás do eleitor e disputam palmo a palmo os redutos. Na chapa formada por PMDB, PDT e PSDB, a briga é acirrada. No grupo estão seis vereadores e a expectativa é de que a coligação conquiste no máximo cinco cadeiras na Casa. Além da disputa entre os vereadores que disputam a reeleição, há ainda as novidades no pleito em busca de espaço. Os mais cotados para garantir as vagas são os vereadores Zezito Maio (PMDB) e Neuzinha Oliveira (PSDB). A novidade da chapa é o tucano Luiz Emanuel. Para as demais vagas estão na briga: Dermival Galvão (PMDB), Aloízio Varejão (PSDB), Maurício Leite (PMDB), Fábio Lube (PDT), Paulo Renato (PMDB) e Luizinho Coutinho (PDT). O PT pode fazer dois vereadores e uma das vagas é do vereador Reinado Bolão. A outra seria do vereador Zé Carlinhos. Se o partido conseguir fazer a terceira vaga, o vereador Eliézer Tavares consegue garantir a reeleição. Mas correndo por fora está o líder comunitário Marcelão, que tem o apoio do secretário de Turismo Alexandre Passos. Outra chapa pesada é a que se formou entre PSB e PSD. O partido tem três vereadores disputando e Sérgio Sá é o que está mais próximo da reeleição. Max da Mata (PSD) e Serjão Magalhães (PSB) brigam pela segunda vaga. Eles têm que superar duas novidades que aparecem no pleito: os socialistas Davi Esmael, filho do deputado Esmael Almeida (PMDB), e Luiz Paulo Amorim. No grupo formado por PCdoB, PRB e PV, o vereador Namy Chequer deve conseguir a reeleição. Se houver sobra para um segundo nome, a vaga será disputada por Devanir Ferreira e Ottinho, ambos do PRB. Já na perna formada por PP, PR, PSC e PRP, que hoje não tem representação na Câmara, a disputa é acirrada entre Delmaestro (PP), Major Dal Col (PP), Genésio do Candeeiro (PRP) e Wanderson Marinho (PRP) . Fabrício Gandini (PPS) deve confirmar a reeleição sem dificuldades. Caso o segundo nome seja feito na coligação que o partido forma ao lado do PHS e do PTN, Rogerinho (PHS), que é apoiado pelo ex-deputado Euclério Sampaio (PDT), pode conquistar a vaga. Ele briga pela cadeira com Paulo Simão (Paulinho), do mesmo partido. Ademar Rocha (PTdoB) também deve garantir o novo mandato. Ele deve ser o único eleito na coligação formada por PTB / DEM / PMN / PTC/ PTdoB.
“Portaria 303 é golpe aos povos indígenas???
Foto: Apoena Uma das principais lideranças Guarani do país, o cacique Werá Kwaray, da aldeia Boa Esperança, em Aracruz (norte do Estado), considera a Portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), um golpe do próprio Estado Brasileiro aos povos indígenas. Para ele, a manutenção das novas regras estipuladas para as terras tradicionais fere a Constituição e a dignidade dos povos indígenas. Werá Kwaray integra o grupo de lideranças que realiza os protestos nacionais cobrando a revogação da portaria e as ações que alertam os organismos internacionais sobre a medida. “A Constituição não foi feita por meia dúzia de deputados e senadores ruralistas”, pontuou. Para ele, somente Deus pode dizer que os povos indígenas não têm direito a usarem o território destinado a eles, não os governantes da terra, que só querem explorá-la. Werá Kwaray ressalta ser inconstitucional o que propõe a portaria, principalmente no item que permite intervenções (obras prioritárias do governo federal e do agronegócio) no território indígena sem consulta prévia. E considera a extensão das 19 condicionantes do caso Raposa Serra do Sol (Roraima) aos demais territórios indígenas uma camuflagem aos direitos legítimos de demarcação. “A AGU e os ruralistas se valeram de uma brecha no processo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para usarem contra os povos indígenas”, enfatizou. O cacique Guarani já percorreu vários estados desde que a portaria foi publicada, em junho deste ano. Neste domingo (23), viajou para São Paulo, onde se reúne com coordenadores de outros movimentos indígenas para discutir propostas e decidir as próximas mobilizações. A data da viagem havia sido marcada considerando o prazo final da primeira suspensão da portaria publicada pela AGU, nesta segunda-feira (24). Mas na última terça-feira (17), uma nova portaria (n°415) suspendeu a anterior, até a publicação do acórdão com a decisão do julgamento dos embargos declaratórios (esclarecimento de sentença) a respeito das condicionantes impostas pela própria Corte, em 2009, para que o território Raposa Serra do Sol fosse mantido em terras contínuas. Ainda não, porém, data para que isso ocorra. A medida não agrada aos índios, pois não resolve o problema, apenas o adia. Por entender que somente a revogação devolverá a segurança jurídica aos povos indígenas, os protestos serão intensificados em todo o país. A Portaria 303 proíbe a ampliação de áreas indígenas já demarcadas e permite a revisão de processos já concluídos, o que pode acirrar os conflitos agrários e a violência contra os índios. Pelas novas regras, também ficam proibidas a venda ou arrendamento de qualquer parte desses territórios, se isso significar a restrição do pleno usufruto e a posse direta da área pelas comunidades indígenas; o garimpo, a mineração e o aproveitamento hídrico da terra pelos índios, além da cobrança, pela comunidade indígena, de qualquer taxa ou exigência para utilização de estradas, linhas de transmissão e outros equipamentos de serviço público que estejam dentro das áreas demarcadas. As mudanças ameaçam, após décadas de luta, o território indígena Tupinikim e Guarani em Aracruz, homologado no final do governo Lula, totalizando pouco mais de 18.154 hectares. PEC 215 Também é motivo de resistência e protesto dos povos indígenas a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a competência exclusiva de decidir sobre as terras indígenas, abrindo prerrogativas para as áreas quilombolas e protegidas. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em março deste ano. Junto com a proposta, estão apensadas outras 11 PECs, que permitem ao Congresso dar a palavra final em processos de demarcação de terras tradicionais e áreas de conservação ambiental. Significa dizer que os parlamentares decidirão sobre as futuras demarcações das terras e ainda poderão ratificar as já homologadas. Essas poderão deixar de existir e não mais serão criadas por atos presidenciais. A matéria teve como primeiro signatário o ex-deputado Almir Sá (PPB – atual PP), de Roraima, em 2000, mas passou anos nas gavetas da Câmara dos Deputados. No ano passado, foi desarquivada. No caso de sanção, além das terras indígenas do Estado, estarão ameaçados os processos de reconhecimento das terras quilombolas do antigo território de Sapê do Norte, formado pelos municípios de São Mateus e Conceição da Barra, explorados pela Aracruz Celulose (Fibria) e grandes fazendeiros, desde a ditadura militar. O cacique Werá Kwaray já denunciou as manobras da bancada ruralista no caso da Portaria 303 e da PEC 215 às imprensas da África do Sul, Argentina, Paraguai e Bolívia.
ÁfricaBrasil recebe visita de Fernando Gabeira
O Museu ÁfricaBrasil, no Porto de São Mateus (norte do Estado), criado pelo historiador Maciel de Aguiar, recebeu, nessa semana, visita do jornalista Fernando Gabeira e do cardeal de São Paulo dom Cláudio Hummes. O espaço reúne um dos maiores acervos de arte tribal africana, segundo constatação já feita por importantes antropólogos, historiadores e pesquisadores. Gabeira foi ao ÁfricaBrasil com a incumbência de realizar um documentário para a TV Bandeirantes. Já o arcebispo, que dirigiu área específica na sua passagem pelo Vaticano (foi membro da Congregação Para a Doutrina da Fé), para conhecer o museu, aproveitando-se da visita para um encontro religioso. Maciel de Aguiar explicou aos dois que o acervo levou 35 anos para se formar, com centenas de buscas em território africano. São quatro mil máscaras, a maioria relacionada com as correntes tribais que vieram para o Brasil servirem de escravas. Ainda segundo o historiador, o Porto de São Mateus foi uma das principais portas de entrada de escravos, razão pela qual achou por bem instalar o museu no local, em um casario de época. Podendo, assim, servir melhor como testemunho da escravidão negra no Brasil. Embora pronto há um ano e meio, o ÁfricaBrasil ainda não pôde entrar em funcionamento. Faltam recursos para sua manutenção e contratação de pessoal especializado, que no entender de Maciel, deve ser custeado pelo setor público, considerando sua destinação, sobretudo no que tange às pesquisas. O governador Renato Casagrande, que também visitou o museu, assumiu compromisso de parceria para cobrir esses custos de manutenção, com as pastas de Cultura e Educação, o que ainda não aconteceu, apesar do empenho do secretário de Cultura, Maurício Silva. Nesse ínterim, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, propôs parceria com o governo federal, desde que o museu fosse transferido para o Rio de Janeiro ou Salvador, defendendo mais visibilidade e acesso, principalmente à área internacional, dentro do entendimento de que o ÁfricaBrasil é um dos mais importantes museu que se conhece no mundo. Gabeira, que já conhecia o porto e lá havia estado nos idos dos anos 80, na sua volta do exílio, descerrando a placa em homenagem às prostitutas, conservada por mais de meio século nos casarios do porto, disse que a única condição de o museu continuar em São Mateus é a cidade se refazer em torno dele, dando conta do fluxo de visitantes que fatalmente ocorrerá. Não sendo dessa forma, o ÁfricaBrasil deveria sair do município para cumprir o seu papel, apontando o Rio de Janeira como local mais apropriado. Já o arcebispo de São Paulo, assinalando que no seu período em Roma conheceu todos os museus da Europa, se disse surpreendido com o que encontrou, com destaque para as máscaras tribais, a ponto de afirmar não ter encontrado nenhum outro similar na Europa. Ainda sobre a importância africana na formação da humanidade, existe a constatação do escritor Eduardo Galeano, no seu livro Espelhos: na África, iniciou-se a viagem humana pelo mundo.
Projeto de Coser com Hartung prejudicou campanha do PT no Estado
O PT disputa 15 prefeituras na eleição deste ano, mas dificilmente conseguirá repetir o desempenho da disputa de 2008, quando saiu do pleito com seis prefeituras, quatro delas muito importantes. O grande vencedor daquele ano foi o prefeito João Coser, reeleito na capital capixaba, e com densidade para influir no cenário político do Estado. Mas as escolhas de Coser já naquele momento o prenderam a um processo de conquista de território que ele não conseguiu enxergar e que acabou por prejudicar não só o prefeito, como também o partido dele no Estado. Ao aceitar a indicação de Tião Barbosa (PMDB) como seu vice, ele colocou dentro da prefeitura um emissário do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). A ideia era fortalecer a aliança com o então governador para que Coser pudesse realizar o projeto de seu grupo de chegar ao governo do Estado. Um projeto que poderia ser alcançado se o PT assumisse a condição de oposição ao palácio, já que era o único partido em condições de fazê-lo Mas esse projeto foi impedido pelo ingresso na base governista, sobretudo depois da ascensão de Cláudio Vereza à Presidência da Assembleia, ainda em 2003, e do acordo que colocou o partido na equipe de governo de Hartung. Com Tião Barbosa na prefeitura, Coser entrava na chamada fila sucessória e, pelo acordo, poderia chegar ao governo do Estado em 2014, quando Ricardo Ferraço (PMDB), candidato palaciano até então, deixaria o governo após quatro anos de mandato. Com a reviravolta de abril de 2010, porém, a fila foi desfeita e o grupo Hartung começou a preparar um processo de retomada do poder, que começaria pela tomada da prefeitura de Vitória, em 2012. Coser agora já preso ao esquema de Hartung e acuado da imprensa corporativa e pelas sucessões de denúncias, se viu pressionado a ir contra seu partido. Ao mesmo tempo em que se fortalecia a ideia de que Hartung seria candidato na Capital, se desidratava a imagem de Iriny Lopes, candidata do partido à sucessão de Coser. As articulações do PT, não só em Vitória, como nos demais municípios em que o partido tinha interesse, se estagnaram diante da incerteza do cenário na Capital e o PT perdeu tempo e densidade eleitoral. Para os meios políticos, se não fossem os erros de percurso do partido, Iriny chegaria para a disputa com uma musculatura muito maior. Hoje, para tentar chegar ao segundo turno contra Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), ela aposta na agenda nacional e tenta se afastar da imagem do prefeito, que a essa altura já não agrega tanto para o seu palanque.
Papo de RepórterA canoa de Paulo Hartung começa a fazer água no Estado
Rogério Medeiros e Renata Oliveira A aparição do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no programa de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) é a defesa de seu governo. Uma defesa necessária em um momento em que várias denúncias começam a surgir sobre seus dois mandatos. Rogério – O Paulo apareceu no programa do Luiz Paulo dizendo que ele endireitou o Estado, combateu o crime organizado, e que está aí para continuar como o homem que persegue o crime organizado. E aí de repente que as falcatruas do governo são tão flagrantes, que até a imprensa que passou o tempo todo fazendo dele uma figura imaculada, não pode deixar de registrar um gasto de R$ 24 milhões em aterro para fazer o posto fiscal entre o Espírito Santo e Rio de Janeiro. Só nessa brincadeira, porque o posto está lá e não serve para nada. Isso estava escondido desde 2009 e agora é que aparece na imprensa. O José Carlos Gratz virou o personagem que ele utiliza, por um desvio de R$ 44 milhões, dos quais R$ 26 milhões relacionados com diárias. E toda vez que é necessário, tiram o Gratz do congelador. É claro que ninguém vai defender o Gratz e aí as falcatruas do Paulo vão crescendo por trás. Temos aquela história dos deferimentos da Feurrous, do apartamento de R$ 48 mil. O que tem de falcatrua não é brincadeira. Renata – Dessa situação, o que eu acho mais grave é o que acontece nas chamadas áreas essenciais. O nosso colega Nerter Samora fez recentemente uma série de reportagens com base em uma auditoria que foi feita na Secretaria de Saúde na época de Anselmo Tozi, que é de deixar qualquer um estarrecido. Agora estamos diante de um escândalo na área de Justiça, ao que parece, bem mais profundo do que o que veio à tona até o momento. Vamos começar pela saúde. O governo do Estado deveria ser o responsável pela oferta desse serviço. Durante oito anos, volta e meia vinha uma manchete de jornal anunciando reforma ou no São Lucas ou no Dório Silva. Nesse período, a imprensa foi proibida de entrar nos corredores desses hospitais. O que acontecia: todos os dias, havia matéria sobre a superlotação nos PAs, que são de responsabilidade dos municípios. Não que nessas unidades as coisas sejam boas, muito pelo contrário, mas o problema não era só lá. O São Lucas está lotado e em péssimas condições de atendimento há décadas, mas no período de Hartung isso foi escondido e a imprensa aceitou esse jogo. No governo dele, a grande obra anunciada foi a entrega do Hospital Central, no Centro de Vitória. O prédio já era um hospital antes, o São José. Estava pronto, era equipar e abrir. Mas isso demorou anos, e quando abriu, não era um hospital de atendimento imediato e sim um ambulatório. Não resolveu nada. A solução para a saúde até hoje é sempre a de comprar leito na iniciativa privada para atender as emergências, o que beneficia os filantrópicos e as cooperativas, com dinheiro do povo. Rogério – O Paulo foi o campeão das obras sem licitação. Como não havia uma imprensa que cobrava – aliás, ele é um excelente pauteiro para a imprensa corporativa -, ele passou o tempo todo na emergência. O que está na ordem do dia é a corrupção no sistema prisional. Com a contribuição do governador Renato Casagrande, quem mais tem evitado a explosão das coisas na conta corrente do Paulo Hartung, arruma-se uma fórmula de as coisas não chegarem nele. Seguraram, seguraram, entrou o Ministério Público Estadual, onde ainda sobrevive o arranjo dele, e ficaram ali. Então, não podia chegar no secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, porque poderia assim chegar nele. Mas agora chegou no Roncalli, porque não tinha como não chegar. Ele sabia das irregularidades e consentiu, mas para quem? Por que ele sempre foi protegido? Roncalli está enlameado e não tem para quem transferir. Veja, em Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), o Ministério Público faz uma denúncia que não alcança tudo que foi abordado na Operação Lee Oswald. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Pedro Valls Feu Rosa, não aceitou e devolveu para botar os peixes grandes… Renata – O problema é que aí apareceu a imprensa do Paulo para defender o Ministério Público e tentar desgastar o presidente do Tribunal de Justiça. Aí a gente percebe que é justamente nessa parte da imprensa que o Paulo tem sua principal arma. Como não dá mais para requentar o Gratz, porque o passado agora é Paulo e o grupo dele, tenta-se criar uma situação contrária ao Pedro Valls, mas Pedro Valls não é Gratz, ele é um desembargador e presidente de um poder que já mostrou que não tem medo de Paulo Hartung e nem se deixa intimidar por essa imprensa. O mesmo aconteceu com a denúncia da Operação Pixote, quando a Polícia Civil entrega um inquérito contundente contra diversas autoridades envolvidas no caso e o Ministério Público entrega uma denúncia juridicamente frágil. É uma ação combinada, pedem mais investigações sobre quem tem foro privilegiado, que é o deputado estadual Dá Vitória (PDT) e o juiz Alexandre Farina. Rogério – Qualquer coisa que você mexer no governo do Paulo tem falcatruas. Isso que você está falando é a ponta do iceberg. Tem muita coisa para aparecer. Já veio à tona uma reunião do pessoal do Paulo com o grupo do prefeito afastado de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), para tomar conta da gestão. Isso está em fita gravada. É só botar no ar. Paulo fala em crime organizado, ele tem razão. Mas na hora que se fala do período do Paulo…sacode aí esse surto imobiliário para ver de onde saiu o dinheiro. Tudo está sendo mexido para vir à tona. A roseira já está sendo balançada. Renata – Não vamos esquecer da CPI do Cachoeira. A Delta chegou ao Estado para construir os Caminhos do Campo e entregou sua gestão no Estado ao próprio governo. Aí o
Vá de bike
Fotos: Gustavo Louzada Um pavoroso engarrafamento fez o artista plástico Filipe Borba prometer a si mesmo: a partir de amanhã, trabalho, só de bike. Era 2007, ele morava em Vitória, trabalhava em Carapina (Serra) e pedalar para o trampo ainda era um estorvo. Mas não se furtou à promessa. “Após a primeira experiência gostei muito e adotei a bicicleta para ir ao trabalho todos os dias”, festeja. A bicicleta não é a salvação de Vitória. Mas a salvação também dá suas pedaladas. As eleições deste ano são simbólicas para o tema. Nas principais cidades do país, qualquer candidato tem na ponta da língua uma proposta para as bicicletas. Vitória não fica atrás, boa vontade não falta. Se os novos prefeitos suplantarem a distância entre a boa vontade e a ação efetiva, nosso paradigma cicloviário dará um grande salto. Atente-se para os números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em julho de 2010, Vitória tinha 158.453 mil veículos; no ano seguinte, eram 167.197 veículos. Em julho de 2012, o Denatran registrou uma frota de 174.674 mil veículos. Em dois anos, as vias de Vitória receberam mais 16 mil veículos. Por mera curiosidade, voltemos dez anos: em 2002, Vitória tinha 97.613 mil veículos. Conclusão: a tendência é mesmo de crescimento. Nesse ritmo, não há cidade que aguente – muito menos os singelos 94 quilômetros quadrados dessa prazenteira ilha. Divulgado na quinta-feira (20), estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizado em nove regiões metropolitanas brasileiras mostra que os moradores destinam cerca de 15% da renda com transporte urbano. O gasto com transporte privado é em média cinco vezes maior do que com transporte público nas viagens diárias. Embora não esteja incluída nas regiões pesquisadas, pode-se dizer que Vitória sente de modo semelhante os efeitos da equação apresentada no estudo. Some-se o aumento de renda de famílias de menor poder aquisitivo ao barateamento do acesso a carros e motos (preço e gasolina) e à degradação do transporte público. Resultado: por um lado, fuga dos “transcois” da vida e, por outro, mais transporte privado nas ruas. Quem ganha com isso são os engarrafamentos. Aqui entra a bicicleta. Nos últimos anos, a magrela transcendeu atividades a que tradicionalmente é associada – esporte, lazer e meio de transporte de trabalhadores de baixa renda – para ser tratada como alternativa ao caos do trânsito. Alternativa e não a cura: segundo especialistas, esta passa pela restrição ao uso do carro e, sobretudo, pela qualificação do transporte público. Pontes e avenidas mais amplas são medidas com data de validade marcada. Há cinco anos ela é o principal meio de transporte de Borba. Além de artista plástico, Borba também é cicloativista. Também desde 2007 ele milita na Bicicletada, movimento coletivo e, bem ao gosto dos novos tempos, sem líderes. Com ramificações em todo o país, a Bicicletada divulga a bicicleta como meio de transporte. Seu slogan: Um Carro a Menos. Desde o dia 29 de agosto Borba está na Europa para uma residência artística. A despedida dos amigos deu-se dias antes com uma exposição/intervenção artística no Bar Cochicho da Penha, em Jardim da Penha. Via-se que em Borba arte e bicicleta se encontram. E não apenas pelas bicicletas estacionadas em frente ao Cochicho. Em seus desenhos, seres bizarros de olhos esbugalhados e bocas escancaradas formam um microcosmo de tumulto e desespero. “Acredito que a arte tenha muito a ver com a percepção de mundo. Ao andarmos de bicicleta temos uma relação mais próxima com o ambiente e com as pessoas. Dessa relação próxima entre pessoas e ambiente (rua) é que vem a maioria das inspirações”, diz. Também em Jardim da Penha encontramos um gesto de apoio à causa bicicleteira. Diogo Cypriano, dono do Birita, bar dos mais movimentados na Rua da Lama, bancou do próprio bolso o que mais falta em Vitória: bicicletário. Para ele, o investimento não pesou no bolso. “Custou R$ 500. Acho até legal você colocar isso. Não é muito caro e tem retorno em publicidade”, diz. A ideia foi dele mesmo. Morador da Praia do Canto, Diogo anda muito de bicicleta. Tem duas. “Em todos os locais viáveis para andar, eu resolvo minha vida de bicicleta”. A sugestão do bicicletário veio dos amigos universitários, que empilhavam bicicletas nas árvores. Como meio de transporte, a bicicleta sempre foi associada à cultura operária. Talvez como resposta aos discursos de sustentabilidade e num movimento por uma nova lógica de mobilidade, vem caindo nas graças de uma faixa social de maior poder aquisitivo – e não apenas para desfilar pela orla de Camburi. Essa mudança cultural foi captada pelo principal centro de consumo de Vitória. Por meio de assessoria de imprensa, o Shopping Vitória diz: “A capital do Estado tem se esforçado para ampliar sua malha de ciclovias, sendo assim, é natural que o Shopping Vitória passasse a oferecer um espaço para atender aos clientes que desejam utilizar a bicicleta como meio de transporte”. Desde julho o shopping ostenta um bicicletário com 70 vagas. No entanto, Vitória ainda é hostil com seus ciclistas – seja ele o trabalhador que antes das 6h atravessa as Cinco Pontes, seja a doméstica de São Pedro que labuta na Praia do Canto, seja a rapariga de Jardim da Penha que estuda na Universidade Federal do Estado (Ufes), seja o operário que mora na Serra e às 7h está em Jardim Camburi para erguer prédios. E nem aludimos à falta de uma malha cicloviária bem estruturada. Isso é clichê, um infortúnio sabido e compartilhado por ciclistas da base e do topo da pirâmide. Para o Borba cicloativista, a bicicleta ainda se ressente de problemas dos mais básicos em Vitória. A falta de educação no trânsito, de cidadãos e poder público, é o maior deles. “O não conhecimento da lei por parte dos cidadãos faz com que muitos se irritem com ciclistas. E infelizmente o poder público é conivente, pois apesar da lei proteger o ciclista, pouquíssimas
Nó difícil de desatar
A missão do PT na eleição deste ano não é nada simples. Do bolo de candidatos que tem na disputa, o partido concentra todas suas fichas em duas prefeituras: Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). Hoje no comando dessas administrações, o PT não quer largar o osso. Para isso, joga pesado. No primeiro caso, tenta provar a todo custo que a candidata a prefeita Lúcia Dornelas tem mais condições de ir para o segundo turno com Marcelo Santos (PMDB), do que o vice-prefeito Juninho (PPS). Já em Cachoeiro, investe na adesão de várias lideranças políticas à campanha do prefeito Carlos Casteglione. Os esforços estão nesses dois campos porque o PT já considera a hipótese de levar a prefeitura de Colatina (noroeste do Estado) e, em Vitória, Iriny Lopes é muito mais uma candidata constituída na Nacional, com articulação da presidente Dilma, do que no Estado. De fato, o PT tem muito com o que se preocupar. O nó é difícil de desatar. E este ano, certamente, não será igual àquele – 2008 – que passou. Rei da infidelidade O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) continua rodando pelo Estado apoiando candidatos que estão fora das coligações de seu partido. Depois dos episódios em Guarapari e Cachoeiro, em que foi necessário intervenção da Justiça Eleitoral, ele faz movimentos de apoio ao prefeito de Ecoporanga (noroeste do Estado), Elias Dal’Col (PSD), candidato à reeleição. Rei da infidelidade II O partido de Hartung está com o ex-prefeito Pedro Costa (PT), que inclusive tem como vice Roberval Fianco, presidente do diretório municipal do PMDB. O ex-governador não está sozinho nesta empreitada, conta com a companhia do senador Ricardo Ferraço (PMDB). As notícias que correm por lá é que Ferraço é ligado a empresários da Tracomal, que vêm a ser ligados ao prefeito Elias. Reação Diante da expectativa de realização de um ato público para consolidar o apoio de Hartung ao prefeito, a coligação adversária já está com uma representação no gatilho, prontinha para contra-atacar. Oi? Davi Esmael (PSB), antes de se candidatar a vereador em Vitória, já vivia colado no pai, o agora deputado estadual Esmael Almeida (PMDB), durante o mandato do peemedebista na Câmara. A ponto de dar pitaco até nas comissões técnicas da Casa. Um belo dia, o vereador Zezito Maio (PMDB) soltou essa: “como vota o vereador Davi? Agora, Esmael faz das tripas coração para tornar Davi vereador de direito. Baixaria Em Anchieta (sul do Estado), o clima da disputa está pra lá de pesado. Cabos eleitorais do candidato do prefeito Edival Petri (PMDB), o socialista Renato Lorencini, agem com retaliação e truculência aos pesquisadores contratados para avaliar o cenário eleitoral no município. Nessa sexta-feira (21), o instituto Logos não conseguiu concluir o trabalho de campo. Na semana passada, o mesmo ocorreu com o Futura. Motivo: os números seriam desfavoráveis ao ex-secretário municipal. Não aprendeu Enquete desta semana em Século Diário confirmou a péssima condução do governador Renato Casagrande no escândalo do Iases/Acadis. Em relação à saída do ex-secretário de Estado de Justiça Ângelo Roncalli, citado no inquérito, a maioria dos leitores (31%) acredita que Casagrande errou novamente, ao nomear outro aliado de Hartung para assumir a pasta. No caso, André Garcia. Números Outros 23% acham que Casagrande demorou muito para demitir Roncalli; 20% acham que a escolha do nome mostra que Hartung é quem manda na Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), e 15% que Casagrande errou ao aceitar Roncalli em seu governo. Apenas 11% entenderam que o governador agiu na hora certa e com justiça. Votaram 488 pessoas. Solidariedade O empresário Antônio Perovano entregou as doações que recebeu no dia do seu aniversário, após pedido feito aos convidados, a quatro entidades: Asilo dos Velhos, as Missionárias de Caridade Madre Tereza de Calcutá, o Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer e a Casa de Acolhimento e Orientação a Crianças e Adolescentes. Que sirva de exemplo! 140 toques “Diminuir o número de carros na rua é reduzir a poluição e o stress, economizar combustível e ter um trânsito mais racional”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Albert Einstein
Jeitinho brasileiro
A disputa eleitoral deste ano é de contraste. De um lado, candidatos andando mais do que participantes do Passos de Anchieta e fazendo racionamento de santinho, por causa da falta de dinheiro. Do outro, campanhas milionárias com programas eleitorais dignos de Prêmio EMMI. Não é difícil encontrar candidato reclamando que não viu dinheiro nesta eleição e que a fiscalização da Justiça Eleitoral espantou os empresários que temem ser enquadrados em escândalos de caixa-dois. Mas alguns candidatos parecem que não foram afetados por essa crise. No início da semana, o jornal Valor Econômico divulgou uma questão muito importante para o processo eleitoral em curso e que ajuda a explicar esse contraste. A fiscalização diminuiu mesmo aquele tipo de doação empresário – candidato, mas como no Brasil a política do jeitinho sempre vence, isso não inibiu a injeção de recursos da iniciativa privada nas campanhas. A reportagem do Valor mostrou que a primeira prestação parcial de contas das eleições municipais, divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indica um padrão de arrecadação bastante distinto entre as capitais e que o contraste se reflete na opinião de especialistas sobre o quanto o financiamento de campanha no país é ou não transparente. Embora a legislação tenha intimidado essa prática, o caminho percorrido pelo dinheiro ainda é um mistério. A chamada doação oculta continua correndo solta e, nesse sentido, de nada adianta a iniciativa do TSE de divulgar os nomes dos doadores antes da eleição. O jornal explica que o expediente utilizado nesse tipo de doação é o seguinte: o financiador que não quer ter seu nome vinculado a determinado político, faz a doação ao partido ou comitê eleitoral que, por sua vez, repassa o valor para o candidato, o que impede identificar de onde saiu o dinheiro e para onde foi. E aí, como fica o eleitor? A brecha é tão prejudicial quanto saber depois da eleição quem é quem na doação. Os partidos só prestam conta em abril do ano seguinte à eleição. Pelo volume de campanha de um candidato A ou B, será possível imaginar quem recebeu mais ou menos, mas não vai dar para saber na mão de quem está o prefeito ou o vereador eleito em outubro próximo. Na primeira parcial da prestação de contas destas eleições, cerca de 65% das receitas destinadas aos candidatos a prefeito nas 26 capitais têm como origem os partidos ou comitês eleitorais. Está aí o perigo. A lei que pretendia ajudar o eleitor a conhecer os financiadores de seus candidatos, acabou por piorar a coisa, até porque as doações para partidos são mais flexíveis do que aquelas diretas aos candidatos. Mais uma vez, os remendos na legislação eleitoral criam situações como estas. Novamente se vê urgente uma reforma eleitoral profunda, completa, e não essas manobras que mais confundem do que atrapalham.
MP do Código Florestal encabeça pauta do Senado na 3ª
A Medida Provisória (MP) 571, do novo Código Florestal, aprovada na Câmara dos Deputados, é o primeiro item da pauta do Plenário do Senado na próxima terça-feira (25), quando ocorre o esforço concentrado para votar a matéria. Os parlamentares têm pressa em aprovar o texto acordado na comissão mista, antes que a MP perca a validade, no próximo dia 8. Expectativa é que a votação ocorra sem impasse e a MP seja encaminhada o quanto antes para sanção da presidente Dilma Rousseff. Se a petista decidir por não fazer novos vetos ao texto, fica concluído o processo de construção do Código (Lei 12.651/2012). Caso contrário, as lacunas poderão ser cobertas por lei em vigor ou exigir regulamentação por decreto, por projeto de lei enviado pelo Executivo em regime de urgência ou mesmo pela edição de nova MP – esta, porém, só poderia ser publicada a partir do ano que vem. O texto aprovado na Câmara é o mesmo que foi fruto de consenso na comissão mista no último dia 29 e que gerou o episódio do bilhete da presidente endereçado às ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), em solenidade oficial. Dilma reclamava por não ter sido consultada a respeito do acordo, pontuando a ausência do governo federal nas negociações. No entanto, foi um acordo entre o próprio governo e a bancada ruralista da Câmara que possibilitou a aprovação da matéria na última terça-feira (18), mantendo a versão apresentada pela comissão mista. Todos os destaques que poderiam impor modificações ao texto original foram rejeitados, já que impediriam a votação em tempo hábil. O texto impõe a anistia aos desmatadores e beneficia os médios e grandes produtores, que terão que recuperar áreas menores do que a prevista na MP da presidente. A principal mudança é ampliação da chamada “escadinha”, para recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos rios. Em rios de até 10 metros de largura, a recuperação foi reduzida de 20 para 15 metros. O benefício, antes concedido apenas aos pequenos proprietários (até 10 módulos), agora é estendido também para médios e grandes fazendeiros (até 15 módulos). Em troca, o governo conseguiu reincorporar ao texto a preservação de cursos d'água intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano. Como o texto recebeu apoio unânime dos senadores que integram a comissão mista, a previsão é de que seja aprovado em Plenário sem dificuldade. A dúvida é quanto à reação do Executivo às mudanças feitas na MP. A Medida Provisória foi publicada no final do mês de maio, com 12 vetos e 32 alterações no texto aprovado pelos deputados federais em abril.