Antes do julgamento do Judiciário, o plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai se manifestar sobre o esquema de corrupção flagrado pela Operação Moeda de Troca. Está na pauta da sessão desta quinta-feira (13), o julgamento do relatório de auditoria nas contas do ex-prefeito cassado de Santa Leopoldina, Ronaldo Martins Prudêncio (PDT), no exercício de 2009. Constam entre os investigados os nomes de ex-secretários municipais, uma empresa e servidores que foram denunciados por participação nas fraudes. Segundo informações do TCE, o relator do caso é o conselheiro Sérgio Aboudib. Em março deste ano, ele havia determinado a citação dos envolvidos em até 30 dias. Ao todo, 18 pessoas figuram no processo, entre eles, o ex-prefeito cassado e o atual, Romero Luiz Endringer (PP). Cinco ex-servidores que foram denunciados criminalmente pelas fraudes também aparecem entre os responsáveis pelas contas: o ex-secretário Ramilson Coutinho Ramos, a ex-advogada-geral Yara Depiante Gobbo e os ex-membros da comissão licitante Andréa Telles, Paulo Calot e Izidoro Storch. Entre as quatro empresas relacionadas está a Decottignies & Moraes Engenharia Ltda, acusada de ter sido beneficiada por um contrato emergencial supostamente forjado, de acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPES). O município pagou R$ 2,11 milhões para a execução das obras de contenção de encosta em duas ruas na sede do município, logo após as enchentes registradas ainda no início de 2008. Na Justiça, o julgamento das ações penais referentes à Operação Moeda de Troca, deflagrada em setembro de 2009, está na fase de alegações finais. Nos bastidores, a informação é de que o juiz da comarca, Carlos Ernesto Campostrini Machado, terá condições de prolatar a sentença do caso até o final deste mês.
Hércules Silveira preserva capital e não apoia ninguém
A menos de um mês para a eleição municipal em Vila Velha, a disputa no município segue embolada e um nome que poderia desequilibrar o cenário com seu apoio seguirá fora do cenário. O deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) preserva seu capital e não apoiará nenhum dos nomes colocados na disputa. O PMDB está coligado na chapa que apoia Rodney Miranda (DEM), mas o deputado, que foi forçado a retirar a candidatura por uma manobra de cúpula do partido, não concorda com o apoio e, por isso, não vai subir no palanque do demista. Para o deputado, o momento é indefinido ainda, mas percebe ações para complicar o crescimento do candidato do PSDB, Max Filho, a quem Hércules também não pretende apoiar. O deputado lembra que nas eleições deste ano “trair virou moda”, mas se não puder votar em candidatos de seu partido, prefere ficar quieto, sem declarar apoio a nenhum outro nome. Hércules vinha caminhando no período pré-eleitoral com o petista João Batista, o Babá, e declarou mais de uma vez o interesse em fazer uma aliança com o PT de Vila Velha. Mas depois da reviravolta no partido, retirando sua candidatura, ele preferiu não apoiar o nome de Babá nem ir contra as diretrizes que havia traçado antes do recuo forçado. Hércules havia afirmado que não aceitaria uma aliança com o prefeito Neucimar Fraga (PR), com quem disputou a eleição 2008, e nem com Max Filho. O deputado chegou a ensaiar conversas com Rodney Miranda, mas a maneira abrupta que o PMDB se movimentou em direção ao demista afastou Hércules também do palanque do colega de plenário. A posição do deputado parece ser a de evitar ir de encontro ao posicionamento do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que declarou apoio a Rodney. Como não quer apoiar o demista, Hércules prefere ficar fora do pleito. Dívidas O deputado comentou a entrevista concedida pelo senador Magno Malta (PR) a Século Diário, no início deste mês, quando o republicano apontou o sacrifício feito ao deputado na disputa de 2008. Naquele momento, Hércules, que foi para o segundo turno com Neucimar Fraga, foi abandonado pelo partido e pelo ex-governador Paulo Hartung, o que, segundo disse o senador, deixou Hércules cheio de dívidas e sozinho na disputa. O deputado concordou com as declarações do senador, mas destacou que as dívidas atribuídas a ele por conta das eleições de 2008, na verdade, são do partido e não do candidato. Segundo Hércules, as dívidas foram contraídas pelos partidos da coligação. Quem escolheu a Conceito Propaganda, que fez a campanha, foi Tião Barbosa. A campanha foi dirigida pelo secretário estadual do partido, Chico Donato.
Bela maquiagem
Se a partir da primeira guerra mundial as mulheres ganham cada vez mais autonomia e conseguem mais liberdade, antes disso, a igualdade de gênero não era tão bem vista assim (na verdade não funcionava para mercado – a mão invisível que dita as regras sociais). No século XIX, a revolução industrial gera cada vez mais empregos, cada vez piores situações trabalhistas, que não distinguem mulheres, crianças e idosos. Entretanto, na conservadora sociedade irlandesa, as mulheres ainda são forçadas a uma vida dentro de casa. Albert Nobbs (Glenn Close) é uma mulher que necessita disfarçar-se de homem para conseguir trabalho como garçom num mal administrado hotel. Isso acarreta uma série de infortúnios e mudanças culturais, uma vez que Albert já se considera homem e faz planos de formar uma família. Tudo isso porém será questionado quando conhece Hubert Page (Janet McTeer), um pintor que leva uma vida similar à sonhada por Albert. Para isso escolhe como possível esposa a Helen Dawes (Mia Wasikowska), com quem vive uma conturbada relação interesseira com outro empregado. Nada pior que um filme americano (geralmente clichê) que um filme britânico (geralmente travado). Uma história superficial que é tão travada quanto a personagem principal, que não consegue abrir suas patologias nem com o espectador. A previsibilidade das cenas ocorre de uma maneira tão monótona que nem a boa atuação ou a bela maquiagem dão conta de esconder. As cores muito sóbrias, típicas de uma época castigada com enfermidades e excesso de roupas negras, ajudam a construir um filme ainda mais sem graça. A fotografia realista remetendo a aspectos dos filmes de época (planos frontais e sem movimento de câmera), assim como a montagem linear, criam uma sonolência constante, em que nem a estética salva. O filme partiu de uma antiga ideia de Glenn Close de adaptar a peça de teatro em que fazia o mesmo papel, e cujo roteiro e produção foram co-realizados por ela. Serviço Albert Nobbs (Albert Nobbs, Reino Unido/Irlanda, 2011, 113 minutos) Rodrigo García Com Glenn Close, Mia Wasikowska, Jonathan Rhys Meyers, Aaron Johnson Paris Filmes R$ 29,90 em média
Empresa do primo de Hartung amplia vínculo em São Mateus
O prefeito interino de São Mateus (norte do Estado), Mauro Jorge Peruchi (PMDB), assinou, nesta segunda-feira (10), a ampliação do vínculo com a empresa Urbservice – Serviços Urbanos Ltda, de propriedade de Braulino Silveira, primo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). De acordo com o ato publicado no Diário Oficial, a empresa vai faturar mais R$ 2,8 milhões pelos serviços de varrição, limpeza de praias e recolhimento de lixo no município. É o quinto aditivo ao contrato firmado no ano de 2008. Nos últimos três anos, a Urbservice – braço no setor de serviços urbanos da Estrutural Construtora e Incorporadora Ltda. – recebeu mais de R$ 38 milhões pelo contrato, segundo dados do Portal da Transparência da prefeitura. Juntas, as empresas do “grupo” se aproximam de receber R$ 50 milhões. Apenas neste ano, o total de empenhos a Urbservice chega a R$ 13,12 milhões, maior valor desde a assinatura do vínculo. No ano passado, os repasses não ultrapassaram a casa dos R$ 5 milhões. Atualmente, o acordo com a prefeitura mateense é um dos mais lucrativos à empresa do primo do ex-governador. Antes de figurar no município, a empresa possuía contratos modestos, como o recolhimento de lixo hospitalar das prefeituras de Rio Bananal e Jaguaré (ambas na região norte) e Nova Venécia (noroeste), cujos valores não chegavam a R$ 100 mil. Mais recentemente, a Urbservice conseguiu emplacar os serviços no município de Anchieta, no litoral sul do Estado. Essa não é a única fonte de receitas das empresas de Braulino em São Mateus. A prefeitura também possui contratos com a Estrutural, que detém 50% da participação no capital da Urbservice. Entre 2009 e 2012, a administração do município destinou R$ 11,69 milhões à empreiteira em contratos que vão desde a pavimentação de ruas, construção de unidades de saúde e casas populares, até obras de esgotamento sanitário. O recente desempenho das empresas de Braulino repete o “boom” de contratações no período em que Hartung era governador. Nessa época, as empresas de Braulino chegaram a faturar mais de R$ 100 milhões com contratos no governo e prefeituras, em pouco menos de dois anos.
?? o bicho
Se natureza e cultura estão cartesianamente separados entre nós ocidentais, no campo da imaginação essa distância não é tão grande: nos contos, crônicas e romances os bichos são presença constante, seja representando o nosso papel ou apenas o deles mesmos. Em Do amor aos bichos, por exemplo, Vinicius de Moraes reverencia as galinhas e as vacas, animais que “vivem de dar, e dão tudo o que têm, transformando-se num número impressionante de utilidades”. Já Franz Kafka, em O abutre, fala de um homem que, de modo trágico e fantástico, se deixa torturar por uma ave. O rouxinol, de Christian Andersen, por sua vez, é farto de lirismo; e em Ideias de canário, Machado de Assis apresenta um pássaro astuto dado à filosofia. Organizados cronologicamente pela data de nascimento dos autores, os textos nos mostram que há muito tempo os animais são assíduos em nossas vidas, servindo de matéria rica e variada para a literatura. Serviço A Linguagem dos Animais – Contos e Crônicas Sobre Bichos Vários autores Companhia das Letras 128 págs R$ 24,50 em média
Mulheres em risco: taxa de homicídios para 2012 é o dobro da média nacional
Diariamente a mídia impressa dedica uma página inteira ou mais, dependendo do número de casos, na editoria de Polícia, para noticiar casos de agressão física ou até mesmo de assassinatos de mulheres. De fato, o Estado se tornou um lugar de risco para mulheres, seja para aquelas que são agredidas pelos pais, padrastos, companheiros ou namorados; ou para aquelas que morrem pelas mãos deles ou por envolvimento com o tráfico de drogas. De janeiro a agosto de 2012, o Estado registrou 110 homicídios de mulheres. Embora tenha havido redução de 3,5% no número de homicídios em relação ao mesmo período de 2011, os números ainda elevam a taxa para níveis acima da média nacional. Tomando como base os 110 homicídios registrados até agosto e calculando-se a taxa de mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes se chega à taxa aproximada de 8,4 homicídios de mulheres por grupo de 100 mil para o ano de 2012. O Mapa da Violência 2012 – Homicídio de Mulheres no Brasil coloca o Estado em primeiro lugar em homicídios de mulheres. A taxa do Espírito Santo, segundo o Mapa da Violência 2012 (que tem como base o ano de 2010), é de 9,8 homicídios de mulheres por 100 mil habitantes. A taxa média do País é de 4,6 mortes por 100 mil. Além disso, caso a taxa de homicídios de mulheres fique em torno de 8,4 mortes por 100 mil, o dado ainda não expressa redução significativa, já que ainda é quase o dobro da registrada no País. Comparando com os outros estados da região Sudeste, a taxa de homicídios de mulheres registrada no Estado, por exemplo, é mais que o triplo da de São Paulo: 3,2 por 100 mil habitantes. O Rio de Janeiro também tem menos da metade da taxa registrada no Espírito Santo, com 4,1 mortes violentas de mulheres por 100 mil habitantes, mesma taxa registrada por Minas Gerais. Violência no interior No interior do Estado, a taxa de letalidade de mulheres também é elevada, acompanhando os índices estaduais. Naqueles municípios em que as taxas de homicídios são altas, as mortes violentas de mulheres também acompanham a tendência de alta. O município de Pinheiros, no norte do Estado, é um exemplo de cidade que se destaca pelo alto número de homicídios em detrimento baixo contingente populacional. Com menos de 24 mil habitantes, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município já registrou 20 homicídios no total nos oito primeiros meses de 2012, sendo duas mulheres. A taxa aproximada de homicídio para 2012 em Pinheiros chega a 126 mortes por 100 mil. Já entre as mulheres pode ficar em 27 por grupo de 100 mil. O que acontece em municípios próximos às divisas com outros estados é o fenômeno da população flutuante. Nestes municípios, com economia baseada na agricultura, é comum a chegada de pessoas que atuam em colheitas pontuais e permanecem após o período. O desemprego associado a outros problemas sociais acabam impulsionando essas taxas para cima. Dos municípios da Grande Vitória, a Serra se mostra arriscado para mulheres. Naquele município foram registradas 22 mortes violentas de mulheres entre janeiro e agosto deste ano. A taxa estimada para o ano de 2012 chega a 15 homicídios por 100 mil. Já Vila Velha registrou 18 mortes de mulheres nos oito primeiros meses do ano, o que leva a uma taxa estimada de 12,5 homicídios por 100 mil. A Serra é também o líder de homicídios na Grande Vitória, registrando 242 homicídios nos primeiros oito meses do ano. Em Colatina, no noroeste do Estado, dos 23 homicídios registrados entre janeiro e agosto, quatro foram de mulheres, o que se configura em número alto para o município. A taxa estimada para aquele município chega a 10,5 homicídios de mulheres por 100 mil. Os municípios-polo do interior do Estado também registram altas de homicídios de mulheres. Em São Mateus, no norte do Estado, por exemplo, a taxa estimada para 2012 é de 12 mortes violentas de mulheres por 100 mil, superior à do município de Cariacica, com aproximadamente 10,1 homicídios de mulheres por 100 mil. A taxa prevista para São Roque do Canaã, na região serrana é de 55 homicídios de mulheres por grupo de 100 mil. Esta taxa se apresenta elevada por conta da população local, de pouco mais de 11 mil habitantes, sendo cinco mil mulheres, mas não é possível afirmar que o município esteja, de fato, em uma escalada de homicídios ou que que os dois homicídios de mulheres cometidos entre janeiro e agosto sejam eventos isolados. No entanto, como a população desses homicídios é pequena, a ocorrência de homicídios – principalmente o de mulheres – se torna fato atípico, contribui para a elevação da taxa. Na Capital Vitória a taxa de homicídios de mulheres prevista para 2012 deve ficar em 6,9 mortes violentas por grupo de 100 mil. Foram registrados oito homicídios entre janeiro e agosto deste ano, um a mais do que no mesmo período de 2011. Vitória está entre as três cidades que mais preenchem denúncias na Central de Atendimento à Mulher – Disque 180. De acordo com o Mapa da Violência 2012, Vitória é a capital com maior taxa de homicídios de mulheres, com 13,2 mortes por 100 mil. Os dados do levantamento são referentes ao ano de 2010. A taxa registrada está muito acima da taxa das capitais, que ficou em 5,1.
Pesquisa Futura tenta legitimar prestígio de Hartung com aliados
A divulgação da pesquisa sobre a corrida eleitoral em Vila Velha, pelo Instituto Futura, nesse domingo (9), criou insegurança nos meios políticos. A impressão é que há uma tentativa de legitimar o prestígio político do ex-governador Paulo Hartung (pmdb) emprestado a seus aliados nas disputas por onde ele tem passado. Essa impressão fica evidente se comparados os números da pesquisa desse fim de semana, com o levantamento realizado na semana passada pelo Instituto Enquet. No levantamento divulgado no último domingo (2), Rodney Miranda (DEM), candidato apoiado por Hartung, aparece com 16,6%. Já na pesquisa Futura desse domingo, com 25,1%. Uma diferença de nove pontos em uma semana, que não convenceu os meios políticos, até porque o sentimento no município é diferente do apresentado nos dados. O mesmo também teria acontecido em Linhares, no norte do Estado, onde o prefeito Guerino Zanon (PMDB), que também recebeu o apoio do ex-governador, aparece com um crescimento tido como irreal pelos meios políticos locais. O deputado estadual José Carlos Elias (PTB) é um dos que vem reclamando dos números das pesquisas no município, que segundo ele, visam a diminuir seu capital no sentido de deixar a peleja entre o candidato Nozinho Correia (PDT) e o prefeito.A manobra seria no sentido de explorar possíveis fragilidades do pedetista contra a máquina, que está na mão de Zanon. O mesmo acontece em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, onde o prefeito Carlos Casteglione (PT) recebeu o apoio de Hartung e estaria fortalecendo Casteglione contra de seu opositor, Glauber Coelho (PR), que segue na frente na corrida à prefeitura. Uma movimentação tenta mostrar que após a entrada de Hartung, o capital emprestado do governador ao prefeito teria feito o jogo virar. O cenário é diferente do observado no município, com previsão de disputa dura entre Coelho e Casteglione. É verdade que o prefeito, que vinha de um desgaste com o eleitorado, teve um crescimento na disputa, mas o jogo no município está longe de virar em favor de Casteglione. Para os meios políticos, os dados do Instituto Futura complicam a vida dos candidatos, afinal, influenciam na escolha do eleitor, já que incentivam o voto útil, quando o eleitor muda seu voto para o candidato que aparece na frente nas pesquisas.
Burarama
1. Um jequitibá, a sombra de uma mangueira e um pouco de sol. Burarama não pediu muito a Deus. Mentira: pediu sim. Mas só a Pedra da Ema. Vai ver o representante de Cachoeiro, em audiência para a criação da Terra, apresentou a Ele uma humilde lista de requisições, provavelmente anotadas num pedaço qualquer de papel, um saco de pão, o verso de um envelope empoeirado. Tendo obtido o divino consentimento, agradeceu e seguiu caminho. Mas estancou ao primeiro passo. A tentação do “que que custa, né? ” turvou-lhe o juízo. Esquecera-se dela. Difícil crer, mas, sim, esquecera-se. Sem hesitar, pediu mais uma graça para Burarama. Queria uma pedra. Não uma qualquer. Imaginava algo brutal e comovente. Graça concedida. Além de pedaço de pau, mangueira e sol, Burarama ganhou a Pedra da Ema. Vocês sabem o que é a Pedra da Ema? 2. Na lista não constavam cachoeiras. 3. A sombra é boa sob a velha mangueira da velha casa. Estende-se um metro à nossa frente, muito embora seja parca a luz: o dia andou meio assim, caminhando entre sol e nuvens, mas abafado e calourento, indefectivelmente fiel ao cachoeirense calor de Seneg… perdão, ao senegalês calor de Cachoeiro. 4. Não é fácil chegar ao jequitibá. Também não é tarefa para semideuses. Uma boa caminhada mata adentro e morro acima e pronto: ei-lo, Sua Majestade, o jequitibá de Burarama. Embaixo, a terra úmida e ao redor, os súditos, árvores, folhas que caem, galhos que pendem, troncos caídos e um pedacinho de céu aqui e ali lá em cima. Mas o jequitibá, o tronco do jequitibá, jequitibamente colossal… 5. Num ponto qualquer das pedregosas estradas de barro pode-se sentar tranqüilo que, ali, atrás, à frente, se verá uma beleza feita basicamente de árvores e flores. Na seção inferior, borboletas sobre o relvado. O que não falta em Burarama são borboletas. 6. Eram pequenas com asas meio cor de abóbora voejando para cá e para lá. Umas cem à beira da estrada. Cada qual na sua. Coloriam o verde do mato. Engraçado é o voo: completamente desengonçado. 7. No chão os meninos jogam bola de gude; no bar os homens jogam bocha. E assim segue o baile em Burarama.
No último mês de campanha, candidatos ainda esperam apoio financeiro
Passada a segunda parcial das prestações de contas das campanhas dos candidatos a prefeito e vereador, a situação continua complicada para a maioria dos nomes colocados na disputa municipal, sobretudo, para os candidatos proporcionais. Com o fim do feriado e a entrada no último mês de campanha, as lideranças esperam que as disputas esquentem e que os recursos comecem a pingar nos comitês. Do ponto de vista das disputas, os candidatos têm evitado grandes confrontos e até mesmo as propagandas no rádio e na TV têm seguido uma linha “light”. Para os meios políticos, a partir desta segunda-feira (10), os candidatos devem intensificar as caminhadas, comícios, reuniões e também afiar o discurso atrás dos votos dos indecisos, que ainda são em grande número na maioria dos municípios. Algumas lideranças destacam que a disputa deste ano foi dividida em “quatro setes”. Sete de julho, quando começou a campanha, após as homologações das candidaturas; sete de agosto, quando os candidatos começaram a invadir as ruas; sete de setembro, com a intensificação das atividades, e culminando com o sete de outubro, dia da votação. Se pelo lado político a disputa segue o cronograma do mercado, do ponto de vista financeiro os candidatos ainda não conseguiram vencer a falta de recursos oriundos das doações de campanha. As divulgações das parciais da prestação de contas, incluindo o nome dos doadores e a fiscalização mais rígida da Justiça Eleitoral, estariam afastando os empresários. Visualmente é possível perceber que algumas campanhas majoritárias têm conseguido superar essa dificuldade financeira, mas são poucos os candidatos com dinheiro. A maioria tem feito campanhas mais modestas, o que também afeta a efervescência dos palanques. Para este mês a novidade é a realização dos debates, que devem aquecer as disputas e provocar o embate entre os candidatos às vésperas da eleição, o que pode influenciar na decisão do voto.
Dinheiro curto: repasse do FPM não chega a 15% dos municípios capixabas
Dos 78 municípios do Estado, 11 têm menos de 10 mil habitantes. Para esses municípios, além da perda com o repasse dos recursos do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), há uma preocupação a mais. É que eles não receberão também em 2013 repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgado essa semana, 104 municípios do interior do país sofrerão com mudanças no repasse do Fundo em 2013. A mudança tem como base os dados do último censo do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Isso porque o percentual do repasse é balizado pela variação do índice de habitantes por município. Para receber o repasse, o município precisa superar a faixa habitacional de 10 mil pessoas e estar abaixo dos 156 mil habitantes. De acordo com o levantamento da Confederação, no Espírito Santo não houve aumento ou redução nos repasses para os municípios que recebem o Fundo. Mas 11 municípios não se encaixam nas exigências para o repasse. Estão abaixo da faixa de 10 mil habitantes São Domingos, Ponto Belo, Divino de São Lorenço, Atílio Vivacqua, Alto Rio Novo, Vila Pavão, Apiacá, Dores do Rio Preto, Mucurici, Ibitirama e Bom Jesus do Norte.