O Tribunal Regional do Trabalho no Estado (TRT-ES) divulgou lista dos 20 litigantes com maior número de processos em tramitação no Judiciário Trabalhista do Estado, em primeiro e segundo graus. No primeiro grau, a empresa Master Petro Serviços Industriais Ltda. figura em segundo lugar no número de processos, com 342 ações. Em todas elas a empresa figura como ré. A Master Petro tem contratos milionários de prestação de serviços com órgãos do Estado, como as secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e de Segurança Pública (Sesp), prefeitura da Serra e Tribunal de Justiça do Estado (TJES), e é constantemente alvo de denúncias de trabalhadores por não respeitar direitos trabalhistas. Em janeiro deste ano, a empresa perdeu o direito de licitar com o Banestes por dois anos. A Secretaria de Estado da Saúde e o Ministério Público do Trabalho, inclusive, são autores de uma Ação Civil Pública em que a empresa figura como ré por descumprimento de obrigações trabalhistas. As denúncias dão conta de que a empresa atrasava pagamento de salários, férias, não fornecia vale alimentação e transporte, e deixava de recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores. Os funcionários vêm denunciando a empresa desde 2007 e, em 2009, os terceirizados do setor de limpeza do hospital Dório Silva chegaram a paralisar as atividades por atraso nos salários e falta de pagamento do vale alimentação. A empresa também terceiriza trabalhos de processamento de dados para os Departamentos de Polícia Judiciária (DPJs) do Estado e é alvo de sistemáticas denúncias de digitadores por descumprimento de acordos trabalhistas. Em novembro de 2011, os digitadores dos DPJs da Grande Vitória interromperam as atividades em protesto contra o atraso no pagamento de salários, de tíquetes alimentação e do FGTS. No dia do protesto, os salários de outubro ainda estavam em atraso, os tíquetes de novembro igualmente estavam atrasados e a empresa não vinha recolhendo o FGTS. Os digitadores decidiram pela paralisação após reunião e queriam expandir o movimento para os DPJs do interior do Estado. Todas as irregularidades cometidas pela Master Petro foram protocoladas pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados e Trabalhadores em Informática do Estado (SINDPD/ES) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 17ª Região. A reclamação lista detalhadamente as funções exercidas pelos digitadores, em total desacordo com o que deveriam fazer. A reclamação afirma que é questionável colocar um profissional terceirizado para atender ao público que formula ocorrências policiais, pois trata-se de atividade direta da administração e que deveria ser realizada somente por servidor público, com todos os ônus, e sobretudo bônus da condição. Diz ainda que o profissional já teve de retornar para o DPJ em que presta serviço depois de encontrar uma pessoa presa, que teve boletim redigido por ele, no mesmo ponto de ônibus. Mais de uma vez o digitador já foi identificado, em ônibus ou até mesmo no bairro em que mora, por pessoas que haviam sido detidas
PL que transfere Mello Leitão para Ministério da Ciência e Tecnologia empaca de novo
O projeto que prevê a transferência do Museu de Biologia Mello Leitão (MBML) do Ministério da Cultura para o Ministério da Ciência e Tecnologia está parado na Comissão de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, da Câmara dos Deputados. A matéria já entrou em pauta cinco vezes, mas ainda não foi votada. O projeto foi parar na Comissão em junho deste ano. O projeto obteve parecer favorável do relator, mas foi retirado de pauta no dia quatro de julho, quando deveria ser votado. A matéria foi para a Comissão da Amazônia após pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), frustrando a expectativa dos capixabas, que aguardavam pela votação do projeto na Comissão de Finanças. Na ocasião, o deputado Audifax Barcelos (PSB) chegou a prometer o retorno do projeto para a Comissão de Finanças na mesma semana, o que não ocorreu. “O PL-7437/2010 é o décimo item de uma pauta de 13. O que irá acontecer? De que forma pretendem que acreditemos nos discursos pré-eleitorais que fazem? Estamos na expectativa de os deputados da Comissão cumprirem suas funções e aprovarem o parecer do relator”, declarou a Associação de Amigos do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (Sambio), em seu site. Com a permanência na Comissão da Amazônia, o presidente da Câmara impediu a aprovação da transferência que cria também o Instituto Nacional da Mata Atlântica. Transferência Ambentalistas e a comunidade científica do Estado aguardam desde 2005 pela aprovação do PL, devido à grande dificuldade do museu de cumprir sua missão de instituição de pesquisa científica na área de biodiversidade e conservação, já que se trata de uma unidade distinta das demais que estão vinculadas ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo o parecer de Audifax, que compõe a Comissão de Finanças e Tributação, não havia conflito na proposta. Nesse sentido, após passar pelo plenário da Comissão de Finanças e Tributação, o PL deveria seguir para a Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. O Museu Mello Leitão, fundado em 1949 pelo naturalista Augusto Ruschi (1915-1986), é uma das principais instituições ligadas ao patrimônio natural do País. Com sede no município de Santa Teresa (região serrana), o museu controla duas estações biológicas: Santa Lúcia e Caixa D´Água, localizadas no mesmo município. Incorporado ao Ministério da Cultura em 1983, mesmo com restrições orçamentárias e carência de recursos humanos, mantém-se como uma referência nacional e internacional no apoio à pesquisa e conservação da mata atlântica, considerada um dos cinco biomas prioritários em todo o mundo em termos de conservação da biodiversidade.
Roncalli contratou sem licitação empresa barrada pelo Ministério da Justiça
O relatório conclusivo da Operação Pixote, entregue ao Ministério Público Estadual na última quinta-feira (6) pela força-tarefa que investiga o esquema de corrupção montado no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), confirmou que, além da participação da ex-diretora-presidente da autarquia, Silvana Gallina, no esquema, o secretário de Justiça Ângelo Roncalli também tinha pleno conhecimento dos contratos fraudulentos firmados entre o Iases e Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), comandada pelo colombiano Gerardo Mondragón que, assim como Gallina, continua preso. Não bastasse o escândalo no Iases, que a partir do relatório da Polícia Civil envolve o secretário definitivamente no esquema de corrupção, Roncalli também terá que dar explicações sobre os indícios de irregularidades nos contratos firmados entre a Secretaria de Justiça (Sejus) e a Verdi Construções, que fez 12 unidades prisionais no Espírito Santo, todas sem licitação. Outro que deveria começar a se explicar é o ex-governador Paulo Hartung. Mentor do plano de construir “presídios instântaneos” sem licitação, foi ele quem deu autorização para Roncalli pôr em pratica o projeto de construção das unidades. Mesmo porque, o secretário não teria autonomia de tocar, sem o aval do então governador, um projeto que consumiu perto de um bilhão de reais. De acordo com reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, na última terça-feira (4), o Ministério da Justiça mandou os governadores de oito estados, que receberam recursos da União para construção de unidades prisionais, suspenderem os contratos com a Verdi Construções. O Espírito Santo é um dos estados que receberam repasses do programa do governo federal este ano. O programa prevê a liberação de R$ 1,1 bilhão para construção e reforma de presídios nesses estados. Com base em estudos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, foram constatadas irregularidades na construção de duas unidades em Santa Catarina. As paredes dos presídios construídas pela Verdi, segundo o laudo da PF, eram vulneráveis a um simples golpe de marreta. Ou seja, o material utilizado na obra não corresponde ao descrito no memorial do projeto. Em outras palavras, a Verdi estava vendendo “gato por lebre” e, provavelmente, quem estava comprando, sabia. Além da fragilidade das estruturas prisionais, que põem em risco a segurança das unidades, a irregularidade abriu precedente para o Ministério da Justiça suspeitar que haja indícios de superfaturamento e direcionamento de contratos. Em junho, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) suspendeu o repasse de R$ 176 milhões aos estados, do montante previsto de R$ 1,1 bilhão. As irregularidades constatadas nos presídios de Santa Catarina construídos pela Verdi são gravíssimas. Segundo a reportagem do jornal paulista, paredes que deveriam ter, de acordo com o descritivo do projeto, 7,5 cm, tinham apenas 3,5 cm. Mesmo os 7,5 cm, que não foram executados na obra, são considerados muito abaixo do recomendado pelos especialistas, que sugerem paredes de concreto com espessura de pelo menos 15 cm. A distorção abre margem para deduzir que a empresa gastou muito menos que o previsto. Ou seja, a diferença entre o valor pago e o gasto foi para o bolso de alguém. No Espírito Santo, o então governador Paulo Hartung deu carta branca para o secretário de Justiça Ângelo Roncalli construir unidades prisionais sem licitação. Cerca de 90% presídios e unidades de internação de adolescentes do Iases, construídas de 2006 para cá, foram feitas basicamente por duas empresas: Verdi Construções e DM Construtora. Somente a Verdi construiu 12 unidades prisionais no Espírito Santo até janeiro deste ano. A empresa fez unidades para adultos e também adolescentes. Prevaleceram os contratos sem licitação, todos intermediados por Roncalli e Silvana Gallina. Em 2010, último ano do governo Hartung, os números mostram que Roncalli e Gallina se apressaram para pôr as obras em andamento. Só com o Iases a Verdi faturou R$ 24,8 milhões para construir unidades, todas sem licitação. Já com a Sejus o montante foi impressionante. O secretário Ângelo Roncalli pagou à empresa especializada em construir “paredes finas” mais de R$ 111 milhões no último ano do governo Hartung. Em 2009 não foi diferente. Os contratos se sustentavam na inexigibilidade de licitação. Veja o texto que se repetiu várias vezes no Diário Oficial do Estado nos últimos anos: “AVISO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO A SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA- SEJUS, torna público que ratificanos termos do art. 26, da Lei nº 8.666/93, o Parecer, expedido pela Procuradoria Geral do Estado, nos autos de nº 46262180, embasado no art. 25 do mesmo estatuto legal, referente à inexigibilidade do procedimento licitatório para contratação da empresa Verdi Construções Ltda, para execução por empreitada integral da obra da Penitenciária Feminina [Cariacica]- valor de R$ 16.553.559,02 (dezesseis milhões, quinhentos e cinqüenta e três mil, quinhentos e cinqüenta e nove reais e dois centavos), de acordo com a proposta de serviço que consta do processo supramencionado. Vitória, 15 de setembro de 2009. ÂNGELO RONCALLIDE RAMOS BARROS – Secretário de Estado da Justiça”. Roncalli e Gallina justificavam a inexigibilidade de licitação com base no fato de a Verdi Construções ser a única empresa no País a dominar a tecnologia Siscopen – sistema de construção pré-moldada. O secretário também alegava que essa era a única maneira de resolver o problema do déficit de vagas no sistema a curto prazo. Embora o secretário de Justiça tenha ignorado as matérias de Século Diário que apontavam indícios de irregularidades na contratação das duas empreiteiras (Verdi e DM), as evidências agora indicam que a Verdi, diferentemente do que sustentou Roncalli, não era exclusiva na construção pré-moldada. Mais grave, os fatos revelados pela PF põem em suspeição a construção das unidades capixabas que, a exemplo das prisões catarinenses, podem estar vulneráveis a fugas. Em outros estados as irregularidades estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal. No Paraná, o MPF expediu em março deste ano recomendação à Secretária Estadual de Justiça e Cidadania para que todas as obras de reforma, ampliação e construção de unidades prisionais realizadas com recursos públicos federais oriundos do Programa Nacional
A herança maldita de Hartung
Já passou da hora do governador Renato Casagrande dar as contas ao secretário de Justiça Ângelo Roncalli. O relatório da força-tarefa da Polícia Civil, entregue na última quinta (6) ao Ministério Público Estadual, confirmou o que já era sabido: o envolvimento do secretário no esquema de corrupção montado no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), que já levou para cadeia pelo menos 13 pessoas, entre elas a diretora-presidente da autarquia, Silvana Gallina. Há um ano, uma série de reportagens de Século Diário já apontava que o secretário tinha conhecimento das fraudes nos contratos firmados entre o Iases e Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), do colombiano Gerardo Mondragón, que também permanece preso. Mondragón, de posse de dois contratos milionários (cerca de R$ 20 milhões anuais) firmados com o Iases com a ajuda de Roncalli e Gallina, passou a favorecer empresas que forneciam produtos e serviços para as duas unidades (Cariacica e Linhares) administradas pela ONG, entre elas as empresas ligadas aos familiares do deputado Josias Da Vitória e do juiz Alexandre Farina, que também foram indiciados no relatório do delegado Rodolfo Laterza. As autoridades capixabas e o próprio governador ignoraram as denúncias publicadas por este jornal há um ano, mas não se esperava que o Casagrande continuasse arriscando a própria pele para manter Roncalli na pasta, mesmo após o desfecho das investigações. Durante as festividades do Sete de Setembro, um dia após a confirmação de que o secretário está envolvido no esquema, Casagrande garantiu aos jornais que Roncalli não será afastado até que o Ministério Público conclua a denúncia. Ao adiar a decisão de demitir o secretário, Casagrande perde a oportunidade de mostrar à opinião pública que não é conivente com a corrupção enraizada no governo Hartung e que chegou ao seu governo. Se ele acha que está sendo justo e cauteloso ao declarar que prefere esperar o parecer do MPES, engana-se. Qualquer cartilha barata que ensina o bê-a-bá da política recomenda que, em casos de corrupção envolvendo o primeiro escalão, o melhor remédio é ir logo cortando o mal pela raiz: ou demite ou afasta. Ele devia, inclusive, se inspirar no recente exemplo da presidente Dilma, que passou a foice na cabeça de um punhado de ministros herdados do companheiro Lula aos primeiros sinais de corrupção. Casagrande, que não é assim tão “companheiro” de Hartung, causa estranheza ao insistir em manter o secretário que além das denúncias de corrupção fez as vezes de carcereiro das “Masmorras de Hartung”. Só pelas violações de direitos humanos que Roncalli tinha no currículo, sobravam motivos para o socialista vetar a permanência dele na pasta. Mas Casagrande teve que engolir Roncalli. Caso o MPES conclua que as provas levantadas no inquérito são convincentes o suficiente para oferecer denúncia contra Roncalli, poderá ser tarde demais para Casagrande anunciar a saída do secretário e tentar convencer a população que se tratava de uma “herança maldita de Hartung”, que ele não tem nada a ver com isso. A leniência de Casagrande só faz revigorar a tese de que Roncalli tem um trunfo muito forte na manga. Esse trunfo pode ser o acordo pré-eleitoral que Casagrande firmou com o ex-governador Paulo Hartung, que exigia como paga do apoio nas eleições de 2010 o loteamento de algumas secretarias, entre elas o sistema Sejus-Iases, que movimentou valores bem próximos da casa do bilhão nos últimos anos da Era Hartung.
Costas quentes
Esta é a pergunta que não quer calar diante da insistência cega do governador Renato Casagrande de mantê-lo no cargo a qualquer custo. A lista de problemas e irregularidades relacionada à pasta de Justiça é extensa e não se restringe ao caso do Iases/Acadis. Também não tem nada de recente, denúncias e mais denúncias revelam questões graves e suspeitas há muito tempo e já foram parar até na Organização das Nações Unidas (ONU). Mas não há evidência nem escândalo capazes de ameaçar Roncalli. Não é novidade que Casagrande age com excesso de prudência em relação aos hartunguetes que permanecem em seu governo, tanto que cheira a omissão. Mas o caso envolvendo Roncalli parece ultrapassar os limites desse acordo. Sai governo, entra governo e ninguém tem coragem de entregar a cabeça do secretário, mesmo que isso custe um ônus muito caro de arcar. O trunfo de Roncalli, já está provado, faz milagre. Inverteu Interessante na nova justificativa de Casagrande para não exonerar e nem afastar o secretário, é a afirmação de que não há provas do envolvimento de Roncalli no esquema de corrupção do Iases, como indicam os indícios e o próprio inquérito. Mas é o contrário: não há nada que prove que Roncalli não tem participação, isso sim. Enquanto isso… A candidatura a prefeito de Colatina (noroeste do Estado) do deputado estadual Da Vitória (PDT) segue em queda livre. Amarrado Em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), já estão evidentes as relações políticas estabelecidas entre o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM). Os dois rearrumaram o cenário da disputa municipal, de maneira a garantir a reeleição do prefeito Carlos Casteglione (PT). Os atores políticos, de forma direta ou indireta, garantiriam ao petista esse apoio, para que depois a vitória ganhe contorno de reviravolta. Atribuída, evidentemente, a Hartung. Amarrado II As movimentações deixam Glauber Coelho (PR) isolado na campanha, contando apenas com apoios de lideranças locais com capital político já reduzido, como o ex-prefeito Roberto Valadão e o ex-deputado José Tasso, ambos do PMDB. Tudo isso para atribuir ao senador Magno Malta (PR) a derrota de Glauber. Magno, como se sabe, é sempre alvo certeiro de Hartung. Projeto futuro O deputado estadual Sandro Locutor (PV) demonstra seu senso de oportunismo na eleição deste ano. É candidato a prefeito em Cariacica, mas seu objetivo é mesmo preparar o terreno para uma disputa à reeleição. O verde – pra lá de desbotado – já baixou o tom de sua campanha e se transportou para Viana e Brejetuba, onde o PV tem candidatos estratégicos. Tenta, assim, consolidar espaços. Projeto futuro II Em Viana, Locutor pega carona no candidato Gilson Daniel, que surpreende e ameaça a deputada estadual e ex-prefeita Solange Lube (PMDB). Já em Brejetuba, está na cola de João Lourenço, favorito na disputa. Com estratégia, o deputado dá um brilho em torno de seu nome nos três municípios em questão, se valendo do partido que milita, apesar de não ter identidade nenhuma com ele. Aliás… O debate com os candidatos de Cariacica deixou clara a real intenção de Locutor. Mais ainda, a aliança entre o deputado e o prefeito Helder Salomão (PT) – o PV tem indicação da secretária de Meio Ambiente na administração municipal. 140 toques “O 18º Grito dos Excluídos mostra, mais uma vez, a força dos movimentos sociais organizados”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Todos os segredos da política consistem em mentir a propósito”. Jeanne Pompadour
Rebelde sem causa
Os anos 50 começaram de forma empolgante, com grandes acontecimentos que mudaram nossa cultura. No dia 2 de outubro de 1950 foi lançada a tirinha do famoso Peanatus, de Charles Schulz (26 de novembro de 1922 – 12 de fevereiro de 2000 ). A euforia prosseguiu com o lançamento da TV em cores, em 1951. Tudo indicava que o mundo seguia um rumo de perfeita harmonia, um lugar onde yin e yang haviam finalmente encontrado o equilíbrio. A vacina antipólio, o DNA, e até a revista Playboy foram inventadas ou descobertas nessa década. A caretice humana parecia estar com os dias contados quando surgiu, de calças jeans, camiseta branca e um cigarro no canto da boca, o rebelde James Dean (8 de fevereiro de 1931 – 30 de setembro de 1955 ). A imagem se tornou icônica pelo fato de contestar os costumes da sociedade conservadora americana, em um período em que a calça e camisa social com gravata era a regra de bom costume. Por baixo dessa indumentária vestiam ainda uma cueca longa e camiseta de malha branca. É quando o rebelde James Dean posa para as lentes do fotógrafo vestido apenas com essas “peças íntimas”. Depois disso o mito estava criado, e o resto é história. Vários fotógrafos ajudaram na construção desse mito, como Roy Schatt, Frank Worth, além do celebrado Dennis Stock (4 de julho de 1928 – 11 de Janeiro de 2010), que produziu essa fotografia do jovem rebelde que se tornou a imagem mais reproduzida no período pós-guerra. Stock foi um fotógrafo ligado à Agência Magnum. Com intenso trânsito entre as celebridades de Hollywood, produziu outras relevantes imagens dos costumes californianos dessa época, e também fotografou vários astros durante as filmagens, como Audrey Hepburn em Sabrina (1954), Humphrey Bogart, Marilyn Monroe, entre tantos outros. A imagem da semana é James Dean andando na Times Square, em Nova York, fotografado para a Revista Life em 1955, pelo fotógrafo americano Dennis Stock. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Fim da ideologia
Com a criação do Partido Ecológico Nacional (PEN), o Brasil chega à marca de 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pluripartidarismo foi implantado no País a partir da abertura política. Até então as forças se dividiam entre MDB e Arena. O Partido Comunista era clandestino. Cada uma destas siglas defende uma ideia, uma ideologia, desde o Partido Verde, ao Partido da Social Democracia, passando pelo Partido dos Trabalhadores, progressistas, socialistas e comunistas. Tem escolha para todos os gostos. Mas, será que tem mesmo? Na última década os acordos para garantir a governabilidade e a ascensão de figuras de impacto social criaram um novo modelo de se fazer política. Desde a abertura democrática, os presidentes que se sucederam não representaram a ideologia dos partidos pelos quais foram eleitos. Talvez Fernando Henrique Cardoso, com sua política neoliberal, tenha sido o mais próximo do que prega o PSDB. Mas o governo não foi tucano e sim o governo FHC. Da mesma forma a figura de Lula marcou e ainda marca a passagem do PT no governo federal. Dilma não é uma petista de carteirinha, é uma figura forte ligada a Lula. No Espírito Santo, essa mudança de comportamento político é ainda mais evidente. O ex-governador Paulo Hartung, já foi tucano, socialista, popular-socialista, hoje é peemedebista, e pode ser que volte a ser tucano. Mas nada disso tem relação com seu modo de agir no meio político. Independentemente da agremiação partidária em que está filiado, Hartung é um político de grupo e para onde vai seus aliados. Personifica a política a ponto de dizer que está livre, leve e solto, esquecendo-se que tem um partido político com uma ficha assinada por ele. Enfrenta em alguns casos seus próprios correligionários, em busca de vitória, sem defender em nenhum momento os ideias dos partidos pelos quais passa. Por isso mesmo, vem acumulando desafetos nas Executivas Nacionais dos partidos em que passou. Mas o que acontece quando a figura no palanque se apaga? Esse é o grande problema da política personalista. As pessoas passam, as ideias ficam.
Independência ou morte: viver com razão
Quando eu era criança, a Semana da Pátria era uma festa, marcada por muito verde e amarelo, nas ruas, nas casas, fitinhas nas antenas dos carros, distribuídas pelos postos de gasolina, pelos comerciantes. Nas escolas, fazíamos encenações do Dia da Independência. Lembro-me que participei de uma delas, no Professor Lellis, em Alegre. Não me lembro o personagem que vivi, mas lembro bem que Dom Pedro era o Sérgio, filho do Dr. Adalto, o juiz da cidade. Naqueles tempos era muito comum o filho do operário estudando com o filho do prefeito, do empresário, do médico, do gerente de banco, na mesma escola pública. Depois, transformaram a escola pública num gueto. Adorávamos participar do Desfile do 7 de Setembro. Eu sempre curti essas coisas. O desfile militar me atraía, pela sincronia dos passos, a harmonia, a veneração pela bandeira, símbolo nacional, que, mais tarde, eu empunhei como seu condutor na guarda bandeira nos tempos da prestação do serviço militar, em que o uniforme verde-oliva no corpo dava-nos o sentimento de soldados da Pátria. Hoje, o Feriado da Independência ninguém lembra o que é. Aliás, lembra sim, para emendar com o fim de semana. Principalmente, se o sujeito mora em Vitória, é funcionário público e o Dia da Pátria cai na quinta-feira, para emendar como Dia da Cidade na sexta-feira. Quem não gosta é quem trabalha por conta própria e depende da produção para viver. Fica sempre um sentimento de que precisamos fazer uma síntese para não esquecer os valores simbólicos da Nação, mas eu até compreendo a razão de tudo isso estar acontecendo. Primeiro, aquelas comemorações de minha infância, hoje entendo, não eram espontâneas. A ditadura militar as impunha. Ora, tudo o que é imposto, no dia em que houver alguma liberdade, as pessoas abominarão. Impuseram 300 anos de serviços forçados aos africanos trazidos como escravos para o Brasil e, quando lhes foi permitido não mais trabalhar forçados, eles trabalhavam somente o que era necessário para a sobrevivência e o restante dos dias passavam nas praças, olhando para o tempo e curtindo aquilo que a alma mais busca, a liberdade. E foi assim que as elites marginalizaram todos os seres humanos nesse País, com a pele pigmentada, rotulando-os de preguiçosos e indolentes. Da mesma forma, uma parcela saudosista do autoritarismo rotula os que nem se lembram dos símbolos nacionais como não patriotas. Sentimento não se impõe. Infelizmente, os ditadores ignoram isso e deformam a sociedade. Consertar leva tempo. É preciso que pessoas de bom senso trabalhem neste sentido, construindo o sentimento não pela imposição, mas pela adesão racional. Era assim antes do arbítrio, quando pessoas de todas as ideologias se uniam em torno dos ideais nacionais, mas os líderes que se assenhoraram do poder sobre a vida e a morte dos brasileiros, manipulados por interesses externos, transformaram o sentimento de amor à Pátria em algo negativo na alma do brasileiro. “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”, do Hino da Proclamação da República, tem muito mais significado no nosso imaginário do que o “Já podeis da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil” (o poeta inverteu os elementos da frase para permitir a sonoridade, e é preciso entender que ele queria dizer “filhos da Pátria”), do Hino da Independência, porque, durante algum tempo, a Pátria se tornou madrasta da pior espécie. E o segundo ponto de minha compreensão é que, em lugar do sentimento nacional, criou-se um sentimento hedonista voltado para o consumo desenfreado em busca de status. E status, nunca encontrei melhor definição, é comprar aquilo que você não precisa, para mostrar a pessoas de quem você não gosta, quem você não é. Mas de nada adiantam essas elucubrações intelectuais. Isso tudo faria sentido para a maioria dos leitores, se ainda tivéssemos uma filosofia de vida, mas transformaram a Filosofia num monstro abominável para retirá-la das escolas. Afinal, a Filosofia faz pensar e gente pensante é tudo o que as elites, em todos os níveis, menos querem. Assim, fica mais fácil dominar a massa e conduzi-la para onde querem os dominadores. José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia
O trem atrasou
Bibiana chega na estação e nada de trem. Paciência, não era a primeira vez, por certo não será a última. Manhã cedo ainda, senta no banco da plataforma vazia, pega o livro na bolsa e abre na página marcada com um recibo de lanchonete. Antigo. Sim, começou a ler o livro na viagem de vinda, vai terminar na viagem de volta. Quanto tempo se passou da página 125 para a página 126? Uma eternidade. Por excesso de tempo disponível olha a nota de compra sem muita curiosidade de saber quando fez a viagem de vinda. Por um acaso do destino, ou por mera coincidência, é o mesmo dia, um ano antes. Então era aniversário e não lembrou. No livro não lido nada mudou nesse ano que transcorreu entre a viagem de vinda e a de volta. As vidas nele contidas ficaram paradas no tempo, esperando que a leitora prossiga a leitura e lhes permita morrer ou viver na última página. Felizes ou infelizes, só saberá ao término da viagem de volta. Quanto à sua aventura, porém, entre a ida e a volta, o final é melancólico, como todo final de tudo na vida. Bibiana olha o relógio, Que estranho, o trem atrasado e ninguém mais esperando… Provavelmente os futuros viajantes sabiam do atraso, só ela esperando na estação. Podia ser uma viagem de avião, voltaria ao passado mais depressa e sem tempo de terminar o livro, mas não existem viagens rápidas entre o começo e o fim de um relacionamento. O homem da estação se aproxima e pergunta para onde vai, visto que o próximo trem só passa amanhã cedo. Como só passa amanhã cedo? Cheguei aqui com antecedência de meia hora, e o trem de hoje ainda não passou. Ah,meu Deus, isso sempre acontece. Começa ou termina o horário de verão ou de inverno, e as pessoas esquecem, ou não veem na televisão, ou não são informadas. Acerte o relógio e volte amanhã, moça. O homem volta a seus afazeres, veio só informar, e Bibiana nem tem voz para agradecer a gentileza. Como assim, trem só amanhã? O que vai fazer da vida nessas 24, bem, 23 horas em que não passam trens nem ônibus nem aviões, onde não tem hotel nem pousada nem ponte pra se esconder em baixo? Voltar pra casa não pode, porque não tem mais casa. Ir pra casa de amigos não pode, porque não tem amigos. Dormir no banco da estação? Ir a pé? Continua sentada, volta ao livro onde a heroína enfrenta também suas dúvidas, vai ou fica, mas suas opções são opostas às de Bibiana. Tem gente que dá mais sorte, inda que na ficção – o final é sempre feliz ou ninguém compra o livro. O homem da estação volta: Liguei pro seu marido, ele está vindo buscá-la. Bibiana se levanta, se ajeita, junta a bagagem e deixa a estação, prefere esperar do lado de fora. Deixa o livro no banco, talvez algum passageiro queira terminar a leitura. .
Empresários travam disputa por controle do Porto de Peiú
Depois de mais de seis anos de uma disputa judicial que pode chegar à casa das centenas de milhões de reais, o empresário Otto Netto Andrade obteve o sinal verde da Justiça para destituir a família Scopel do controle de complexo portuário em Vila Velha. No próximo dia 14, uma assembleia de acionistas da Peiú – Sociedade de Propósito Específico (subsidiária integral da Trufa S/A) se reúne para destituir qualquer membro da direção da empresa ligado aos empresários Pedro Scopel e Adriano Mariano Scopel. Segundo o ato de convocação da assembleia, publicado na edição dessa quinta-feira (6) do Diário Oficial, os acionistas da Peiú e Trufa vão ratificar a contratação de uma auditoria independente para apurar o suposto desvio de faturamento do negócio entre os anos de 2005 a 2012. A estimativa é de que o rombo seja muito superior aos R$ 33 milhões, valor apurado há quase sete anos. O caso se tornou público após a disputa judicial entre Otto Andrade e a família Scopel ter motivado a deflagração da Operação Naufrágio, em dezembro de 2008, por conta da venda de sentença. Durante a Operação Titanic, que apura fraudes na importação de veículos de luxo, as equipes da Polícia Federal flagraram os empresários Pedro e Adriano Scopel comprando uma decisão do ex-desembargador Elpídio José Duque que mantinha os poderes da dupla na empresa. Por conta do imbróglio, o complexo portuário era administrado por uma filha de Pedro Scopel, Fabiana Scopel Tramontana, que deverá ser destituída da presidência dos conselhos de administração da Peiú e da Trufa na assembleia. Na época, a Junta Comercial do Estado (Jucees) não quis registrar a nomeação de Fabiana, que acabou sendo efetivada somente depois de uma obtenção de decisão liminar na Justiça. Também será destituído qualquer membro da direção e da administração que tenha ligação com Rodrigo Barroso Tramontana, marido de Fabiana, e da Agência Marítima Universal. Está prevista a tomada das medidas extrajudiciais e judiciais necessárias para o cumprimento do objeto social da companhia. O empresário Otto Andrade alega que a atual administração não apresentou nenhum balanço financeiro, assim como não realizou qualquer assembleia entre os acionistas no período. “Vamos montar uma direção com um pessoal qualificado, com experiência no mercado. Não é possível que o porto não tenha nenhum faturamento”, explica. Atualmente, o porto vem sendo administrado por meio de uma gestão compartilhada, o que também não contribuiu com a resolução do conflito entre os sócios. Em abril deste ano, veio a público a notícia de uma briga entre Otto Andrade e Adriano Scopel, que chegaram às vias de fato. Após o incidente, uma nova decisão judicial restringiu o acesso de Pedro e Adriano Scopel das instalações do porto e sequestrou as ações para evitar qualquer negociação dos papeis até a eleição de uma nova administração. “Essa disputa acabou se tornando um sofrimento, mas sempre tive certeza que o mal não vence o bem”, comemorou Otto Andrade.