Renata Oliveira e Rogério Medeiros “Sua rotina é você que muda, por isso não espere por novidades. Faça!”. Charles Canela Fotos: Gustavo Louzada O entrevistado deste fim de semana não lidera corrida eleitoral, mas vem chamando a atenção dos meios políticos no município de São Mateus, no norte do Estado. Pedro Hemerly (PV) é professor de Direito em uma instituição de ensino superior, mas sempre esteve ligado ao movimento político. Vindo do Rio de Janeiro e morador do município há mais de 20 anos, ele aponta em sua campanha os principais problemas da cidade, focado especialmente na questão do abastecimento e saneamento básico, um dos passivos mais graves de São Mateus. Nesta entrevista, ele enumera os problemas da cidade e denuncia: a questão é gerencial. A política no município, segundo o candidato, não é voltada para a melhoria das condições de vida dos mateenses. Além disso, as movimentações eleitorais não apresentam novidade. Seus adversários, alerta, são ligados ao mesmo projeto político. Daí a ideia de disputar o pleito, para dar ao eleitor uma alternativa de voto. Confira a entrevista. Século Diário – Primeiro gostaria que o candidato falasse um pouco de si. O senhor é professor, não é? Pedro Hemerly – Isso. Eu sou professor em uma instituição de ensino superior, leciono Direito Tributário e Direito Civil. Mas sou formado em Ciências Contábeis, tenho uma graduação em Direito, tenho uma pós-graduação em Direito Civil e especialização em filosofia e sociologia. Dentro da área, já lecionei tanto no ensino médio, quanto no superior. – O candidato é natural de São Mateus? – Na verdade eu sou natural do Rio de Janeiro, mas moro há 20 anos em São Mateus, onde casei e constitui família, tenho dois filhos. – E por que entrou na política? – A verve política veio do movimento estudantil. Participei de dois diretórios acadêmicos, tive a oportunidade de participar de um Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), em Brasília. Então, como tenho uma formação política, juntamente da graduação, é um contato que não fica para trás, você não abre mão dos seus princípios. – O que te levou a escolher o PV? – Hoje, para disputar uma eleição, temos que estar em uma agremiação. Durante muito tempo eu acreditei na cartilha do PT, mas hoje dentro do município, o PT não representa os ideiais que acreditei. O grupo de pessoas que forma o PV em São Mateus é muito coerente de ações e atitudes. Em virtude dessa coerência, optei pelo PV. E também pela bandeira, existe uma questão ambiental que precisa ser discutida. Existe um passivo muito grande que a gente tem que quitar. – Existe um grupo que começa a ficar de olho na sua campanha porque o candidato tem uma postura e um discurso completamente diferente dos demais, olhando os problemas do município e focalizando muito bem. Como é isso? – São Mateus está devastado. Eu costumo dizer que São Mateus hoje é uma senhora que tem graves problemas cardíacos e que o médico está colocando silicone, aplicando botox e achando que com maquiagem consegue sanar os problemas da cidade. São Mateus está abandonado. Temos menos de 10% da cidade com coleta e tratamento de esgoto. Temos problemas graves de drenagem das águas pluviais, os efluentes são lançados dentro do rio sem tratamento. Os bairros periféricos, a ilha de Guriri, estão entregues à própria sorte. Optou-se por abrir mão das políticas estruturantes para que você trate desta questão de maquiagem que estou falando. Você coloca asfalto sobre uma rua que já era pavimentada. Já tinha o calçamento e você coloca asfalto, mas você não fez a drenagem. Recentemente tivemos uma chuva, havia acabado de colocar o asfalto no centro da cidade, onde já havia o calçamento, isso foi numa quarta-feira, o governador [Renato Casagrande] foi dar a ordem de serviço em uma galeria, naquele espaço onde foi feito o asfalto. Com as chuvas, aquele asfalto recém-feito não comportou, estourou. São problemas crônicos que têm que ser tratados. Hoje São Mateus padece por falta de planejamento e isso vai trazer uma conta para as gerações futuras, que uma hora vai ser cobrada. – O senhor está entrando em uma eleição que tem de um lado o prefeito Amadeu Boroto (PSB), com a máquina nas mãos, do partido do governador; e do outro Paulo Roberto (PMDB), ex-deputado… é uma eleição dura. – Em um ambiente político que seria polarizado entre os dois grupos, tudo bem. Mas o que existe hoje é uma rejeição muito forte. Os dois nomes encontram rejeição porque nenhum dos outros dois representa novidade na política mateense. O PSB é o partido do governador e é o partido que governa São Mateus por 12 anos. Foram oito anos com Lauriano [Zancanela] e agora caminha para 12 anos com Boroto. Paulo Roberto fez parte desse primeiro grupo, não representa oposição. Amadeu faz parte desse grupo e não representa novidade. Ele veio com um apoio muito forte…se bem que isso não foi representado nas urnas, ele venceu com cerca de dois mil votos o candidato que enfrentou nas últimas eleições, que hoje é deputado federal [Jorge Silva (PDT)], então ele veio com uma expectativa, que não foi representada no número de votos e deixou de fazer. Por isso, o PV hoje faz uma revolução na cidade. Estamos demonstrando que com ideias e organização podemos mostrar ao povo que há a possibilidade de fazer uma política de efetivação. O que é essa política de resultados? É você programar e apresentar à população esse projeto, trazendo a população para o debate e juntos buscar o resultado. – Agora, nessa questão do abastecimento e tratamento da água, temos que destacar que no município o serviço não é da Cesan e sim do SAAE. Então, esse trabalho está deixando de ser feito pela própria prefeitura, certo? – Exatamente, a gestão é municipalizada. Existiu uma tentativa de se terceirizar aquela
PH atira para todos os lados com objetivo de se fortalecer para 2014
Renata Oliveira e Nerter Samora De norte a sul do Estado, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tem marcado território em palanques com chances de vitória, para garantir uma musculatura capaz de enfrentar Casagrande em 2014. Mas a manobra não é tão bem sucedida assim. Renata – Nerter, o ex-governador Paulo Hartung tem intensificando sua participação nos palanques de aliados de norte a sul do Estado em uma clara demonstração de demarcação de território para crescer e ganhar musculatura para 2014. Em alguns casos, suas apostas confluem com os aliados de Renato Casagrande e do senador Magno Malta (PR). Mas daí a compartilhar vitória é uma história bem diferente. Nerter – A atuação do Paulo nestas eleições é bem particular. Ele está visando, como sempre fez, a seu próprio projeto. Hartung vem em um momento complicado com denúncias de corrupção em seu governo e precisa de um certo capital com vistas ao seu futuro político. É claro que o governador Renato Casagrande permitiu que ele se movimentasse, o que está fazendo. Quando Hartung aparece ao lado de Luiz Paulo, ele entra em um palanque com bastante potencial de vencer as eleições, de cara. A mesma coisa acontece em Cachoeiro, quando declara apoio ao palanque do prefeito petista Carlos Casteglione (PT), que está em franco crescimento. Paulo está ficando ousado. Renata – Ousado, nada. Ele está precisando que os holofotes eleitorais estejam nele para que se as denúncias forem aprofundadas durante o período eleitoral, ele tenha essa justificativa na ponta da língua. Mas é interessante observar como foi a construção dessa entrada de Hartung no processo eleitoral. Primeiro ele atuou nos bastidores para tentar se viabilizar para a disputa em Vitória, não conseguiu. Depois deu uma mergulhada, e aos poucos começou a emergir nas disputas em cidades pequenas com palanques do PMDB, que são favoritos. Então passou para algumas cidades de porte maior e, agora, escancarou de vez, subindo nos palanque que sequer têm o apoio de seu partido… Nerter – O Paulo nunca foi homem de partido. Os apoios seguem a conveniência do momento e não há conveniência maior de apoiar quem está bem na parada. Veja o caso de Cariacica, onde ele prepara um embarque na campanha do deputado estadual Marcelo Santos (PMDB), através de seu interlocutor, Lelo Coimbra. É só lembrar que há poucos meses ele havia anunciado por seus emissários, porque ele nunca aparece quando a bola é dividida, que apoiaria Juninho (PPS), e depois fez um movimento de aproximação com Lúcia Dornellas (PT). Renata – Mas nem tudo são flores nesse caminho que Hartung segue com seu grupo na disputa eleitoral deste ano. Ele já sofreu alguns revezes. Declarou apoio a Edson Magalhães (PPS) em Guarapari, que além de ter sido impugnado pela Justiça, também tomou um passa fora por ter colocado a imagem de Hartung na propaganda, já que o PMDB está com Ricardo Conde (PSB). Também teve que sair da propaganda de Carlos Castelgione (PT), em Cachoeiro. Em Vila Velha, o candidato que oficialmente está apoiando, Rodney Miranda (DEM), também não anda muito bem das pernas. É verdade que há uma manobra de bastidores com Max Filho (PSDB), mas a imagem do ex-governador está ligada ao demista. Nerter – Toda essa movimentação tem sida atribuída a uma rivalidade com o senador Magno Malta (PR), o que não deixa de ser verdade. Mas é importante ver que o ex-governador está em viés de baixa, emprestando um termo muito usado por ele mesmo. Então, rivalizar com o senador acaba sendo uma forma de se colocar no jogo, uma vez que com Casagrande essa rivalidade não é tão cristalina assim. Se sobreviver às intempéries que se aproximam, pode ter um papel decisivo em 2014, seja com o seu retorno ao Palácio Anchieta ou à ascensão do senador Ricardo Ferraço (PMDB), que está junto com ele. Aliás, é importante pontuar a ação do senador, que tenta criar uma base municipalista. Funcionaria como meio caminho para a eleição em 2014, quando não terá nada a perder, já que tem mandato até 2018. Renata – O jogo colocado na eleição deste ano é truncado. Temos quatro lideranças, as quatro maiores lideranças do Estado, se movimentando intensamente dentro de um cenário que pode gerar muitas mudanças no futuro, até porque a tal da fila não existe mais. Essa coisa de Ricardo Ferraço jogar junto com Hartung é um caminho um pouco inseguro. Há quem diga que Hartung não tem muito a oferecer para 2014, já que sua situação é delicada e mais dois anos na planície podem causar sérios danos ao prestígio político do ex-governador. Magno Malta parou de dizer que não quer ser governador. Não dá para saber o que se passa na cabeça do senador e Casagrande parece estar no parapeito da janela acompanhando a movimentação de longe, sabendo de tudo e fingindo que não sabe de nada. Nerter – De todos esses atores, a posição do governador é a mais confortável. Eleito naquela aliança mais do que plural, ele não pode colocar em risco essa base na disputa municipal. E olhando para frente, os dois próximos anos vão ser um grande teste para a finança dos municípios. Essa prefeitada toda vai estar com ele a partir de janeiro do ano que vem. Fora que eu não acredito muito nessa história do Magno. Ele não quer ser excluído de primeira hora, mas pode acabar tendo um papel fundamental para a reeleição de Casagrande, já que a simples possibilidade de ele disputar o governo tira a zona de conforto do Paulo para operar a classe política do jeito que ele gosta. Renata – Aliás, na zona de conforto, ele já não está há muito tempo.
Sem mais
Agora não é somente Século Diário que diz, está no inquérito do delegado Rodolfo Laterza sobre a Operação Pixote, que investiga corrupção no Iases/Acadis. Ao contrário do movimento-abafa em torno do secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, contrariando todas as evidências, o documento indica que ele não só tinha conhecimento dos desvios de recursos públicos, como participou do esquema – divulgou A Gazeta nesta sexta-feira (7). Junto com Roncalli, aparecem o deputado estadual Da Vitória (PDT) e o juiz Alexandre Farina. Nada diferente, portanto, do que Século vem denunciando desde o ano passado. A indicação dos nomes põe abaixo as defesas feitas até agora em favor do secretário, inclusive pelo governador Renato Casagrande. Essas, se já não colavam antes, imagine neste momento. Mas afinal, qual é o limite do acordo firmado pelo socialista com seu antecessor Paulo Hartung (PMDB)? Está nas mãos de Casagrande. Assumir mais essa conta será um tiro no pé. Já passou da hora de agir. Sem mais II A situação é a mesma em relação à Assembleia Legislativa. O presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), vai continuar com essa conversa de que Da Vitória garantiu a ele – em reunião a portas fechadas – não ter nada a ver com a história? E os demais parlamentares, vão manter o corporativismo? Omissão e solidariedade têm limite. Sem mais III É contraditório os deputados José Esmeraldo (PR) e Gilsinho Lopes (PP) mirarem o alvo somente em Roncalli, sendo que um colega de plenário também está no mesmo bolo do esquema. Dois pesos e duas medidas. Vai entender… Aliás, o governador Renato Casagrande adora entrar em campo minado. Essa de firmar novo aditivo ao contrato com a Perkons, empresa denunciada em nível nacional e acusada de participar da máfia dos radares, é barca furada e não faz o mínimo sentido. É o ‘bicho’ Do ponto de vista político, o prefeito de Cachoeiro (sul do Estado), Carlos Casteglione (PT), demonstra competência. Primeiro derrotou, de virada, o ex-prefeito Theodorico Ferraço no pleito passado. Depois adotou a candidatura do filho do demista, Ricardo Ferraço (PMDB), para senador. E, agora, quando seria abatido com força por Glauber Coelho (PR) este ano, conseguiu reunir apoios e cresce na disputa. Amarrou o cenário. Segue… Há quem diga que o orientador do prefeito é o monsenhor Rômulo Zagotto, da Paróquia de São Sebastião. Zagotto declara apoio ao petista, relatando a formação católica do prefeito e apontando melhorias na gestão. Privilégio A bronca do vereador de Vitória Max da Mata (PSD) em relação às propagandas eleitorais de sua coligação – ele diz ser boicotado -, enfrenta controvérsias. Nos bastidores, o que se comenta é que Max tem exigido mais tempo de exibição do que o resto dos candidatos. Daí a confusão. Ausente O mercado político de Vargem Alta (sul do Estado) cobra o prefeito Eliezer Rabello (PMDB) pela omissão na campanha de Bosquinho (PSB). Inusitado Já em Barra de São Francisco (noroeste do Estado), o então candidato do DEM a vereador Denílson Alves da Silva, o Denilson do Ônibus, desistiu da disputa pelo partido. Alegou, para isso, que cansou de ouvir mentiras do deputado estadual Luciano Pereira (DEM), candidato a prefeito, e seu pai Edinho Pereira, durante os comícios. Resultado: está no palanque de Enivaldo dos Anjos (PSD). 140 toques “O Sindaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado) presente na manifestação do Grito dos Excluídos, denuncia a privatização da Cesan: acorda capixaba!”. (Vereador de Vila Velha João Batista Babá – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Voltaire
Pode? Não pode
Em duas semanas, a Justiça Eleitoral deu uma demonstração de força contra o sistema político que não reconhece as regras do jogo. Primeiro a Justiça de Guarapari mandou tirar do ar a participação do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na propaganda do candidato impugnado à reeleição Edson Magalhães (PPS), e nessa quinta, o fato se repetiu em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), com a retirada da imagem do ex-governador da campanha do prefeito Carlos Casteglione (PT). Nos dois casos, o PMDB, partido ao qual Hartung está filiado desde 2005, está coligado com outro candidato. Mas, o ex-governador achou o fato de estar “livre, leve e solto”, como ele mesmo declarou em relação à definição de seus apoios, permitiria que ele passasse por cima das regras eleitorais. Não basta a liberação do partido, o que já é uma coisa estranha, porque um partido que quer crescer e tem uma liderança com o status de ex-governador do Estado, deveria cobrar dele o compromisso com as alianças e candidatos da sigla. Em alguns casos, como em Cariacica, Hartung desconheceu a candidatura de seu próprio correligionário, Marcelo Santos, e se movimenta em direção aos adversários do peemedebista. No interior, Hartung tem subido em alguns palanques do partido, mas não por afinidade política, e sim porque os candidatos são favoritos e podem compartilhar as vitórias com o ex-governador, aumentando seu capital político, visando a 2014. Que Hartung não prega a fidelidade partidária, usando as siglas de acordo com a conveniência do momento, não é segredo para os meios políticos, mas a atuação do ex-governador nesta eleição tem mostrado que sua política de grupo tenta passar por cima de regras básicas da eleição. Hartung até pode se movimentar, declarar apoio a candidatos que não sejam do arco de alianças do PMDB, mas isso tem que ser feito em bastidores, na caminhada, nas manifestações de rua, mas gravar programa eleitoral, isso não pode. Fragmentos: 1 – Com a forte mobilização de prefeitos de todo o País, já tem gente comentando mais um erro estratégico do ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi, que deixou a vice-presidência da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). 2 – Balestrassi deixou a instituição em 2010, quando pretendia disputar o Senado. Não conseguiu se viabilizar e perdeu a projeção nacional que a Confederação lhe daria. 3 – Atenção eleitor: há fortes comentários sobre uma nova qualidade de fruta. Andam dizendo que tem laranja verde no mercado.
Diárias engrossam vencimentos de membros do Ministério Público
Além do recebimento de gratificações, indenizações de ajuda de custo e dos chamados “penduricalhos legais”, os membros do Ministério Público Estadual (MPES) também recebem diárias para dar expediente em outras promotorias. No mês de agosto, a instituição gastou R$ 152 mil com o pagamento das diárias que, além de custear o reembolso pelo deslocamento de promotores, garante a participação dos membros em eventos e reuniões fora do Estado. De acordo com dados do Portal da Transparência do MPES, 147 diárias foram concedidas no mês pelo procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, que é a autoridade responsável pelos desembolsos. O valor das diárias variou entre R$ 25,00 – pagos a um promotor de Justiça como complementação de uma diária liberada em julho – e R$ 3.384,92 no pagamento de quatro diárias para a participação de um membro em um encontro internacional em São Paulo. No período, o próprio chefe da instituição recebeu um total de R$ 5.344,63 em dois pagamentos para a participação em dois eventos do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) nas cidades de Florianópolis (SC) e Brasília (DF). Além dele, o procurador de Justiça, Fábio Vello Corrêa, atual subprocurador-geral de Justiça Institucional, recebeu R$ 4.453,86 para participar de eventos nacionais. Entre os promotores de Justiça, a listagem publicada revela o pagamento de diárias pagas como forma de compensação pelo acúmulo de promotorias no interior do Estado. Em um dos casos, um promotor lotado em São Mateus recebeu R$ 1.867,86 por cinco diárias em função da atuação na promotoria de Mucurici, distante a quase 120 quilômetros do município onde está baseado. Fontes ligadas à instituição explicam que os valores não chegam a suprir inteiramente as despesas com o acúmulo de promotoria sob argumento de que os promotores utilizam veículo próprio no deslocamento e são responsáveis pelo custeio de hospedagem e alimentação. Mas há uma ressalva: só não pode se tornar mais um benefício incorporado ao contracheque. Os pagamentos são disciplinados por resoluções editadas pelo procurador-geral de Justiça. O texto em vigor foi publicado em maio do ano passado, pelo então chefe do MPES, Fernando Zardini. Além da limitação a cinco diárias por membro, a resolução nº 004/2011 estabelece os valores dos desembolsos para dentro e fora do Estado. A tabela é divida em faixas por cargos e funções dentro da instituição. Segundo o texto, o valor das diárias pode variar entre R$ 180,00 e R$ 890,77, respectivamente, no pagamento de servidores do MPES de nível médio para atividades no Espírito Santo até as diárias pagas para procuradores de Justiça para fora do Estado. Mesmo com as limitações impostas pela resolução, o procurador-geral de Justiça pode conceder diárias adicionais em situações classificadas como “excepcionais”. Na comparação com o pagamento de diárias em outros órgãos da administração pública no Estado, o Ministério Público aparece na parte de cima do ranking. Em agosto, os gastos do MPES só foram inferiores aos de duas pastas (Secretaria de Segurança Pública e Defensoria Pública), segundo levantamento no Portal da Transparência do Executivo. No mês, as diárias pagas a promotores, procuradores e servidores do MPES (que totalizaram R$ R$ 152.068,37) foram superiores, por exemplo, aos gastos da Secretaria de Agricultura (Seag), que inclui também as despesas de autarquias como o Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) e o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), que fechou o mês em R$149.771,30.
Quase um ano depois, Roncalli é associado ao esquema de corrupção montado no Iases
Finalmente, as autoridades capixabas admitiram que o secretário de Justiça Ângelo Roncalli tinha conhecimento do esquema de corrupção instalado no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Nessa quinta-feira (6), o delegado Rodolfo Laterza, que comanda a operação (Pixote) que apura irregularidades nos contratos entre a autarquia subordina à Sejus e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) – entregou o relatório das investigações ao Tribunal de Justiça (TJES). O relatório aponta que o secretário fora informado sobre os indícios de corrupção nos contratos firmados com a Acadis, organização social comandada pelo colombiano Gerardo Mondragón, que continua preso, assim como a ex-diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina. Embora as revelações sobre o esquema estejam sendo tratada como novas, as informações do relatório foram reveladas em uma série de reportagens publicadas por Século Diário a partir de outubro de 2011, ou seja, quase um ano atrás. Apesar de as reportagens estarem apoiadas em farta documentação, as autoridades capixabas, assim como a imprensa corporativa – que agora recebe em primeira mão informações privilegiadas da operação -, ignoraram os indícios de corrupção apontados pelo jornal, que também revelou o envolvimento do deputado estadual Josias da Vitória (PDT) e do juiz Alexandre Farina no esquema de corrupção montado no Iases. A primeira reportagem da série, publicada em 8 de outubro de 2011, revelava, em detalhes, o esquema de corrupção. A matéria chamava atenção para os altos valores repassados à Acadis e explicava como o esquema fora montado por Gallina e Roncalli para favorecer a entidade do colombiano. Após fazer um exaustivo trabalho investigativo – não recebemos nada de mão beijada das autoridades -, Século Diário teve acesso ao relatório técnico de servidores do Iases que apontavam graves irregularidades nos contratos entre a Acadis e empresas terceirizadas. Veja um trecho da reportagem publicada há um ano: De acordo com o relatório da servidora do Iases, é flagrante a quebra de contrato e o mau uso do dinheiro público. Diz um trecho do relatório: “Observados em todos os contratos a falta das tabelas referenciais; falta dos mapas comparativos de preços; justificativas para contratação; contratos com vigência indeterminada e sem numeração, quando tem aditivo, não tem numeração”, adverte. Entra as diversas irregularidades encontradas nas contas da Acadis, a técnica destaca um contrato firmado pela Associação com a Stoffel Tour Locadora de Veículos. Segundo o relatório, o valor do contrato mensal para locação de veículos passa de R$ 19 mil. Ela chama atenção para o fato de a empresa Ajures Assessoria Jurídica – que não tem registro na OAB-ES -, embora preste serviços jurídicos, também loca carros à Acadis. Entretanto, para locar por R$ 10.500,00 uma van Renault Master, a Ajures fez o contrato por meio da Stoffel. Intrigada, a técnica pergunta se as duas empresas seriam do mesmo dono. Mais à frente, a reportagem aponta irregularidades nos contratos com a Garra, do empresário Claudio Farina Lopes, que também foi indiciado no relatório do delegado laterza apresentado nessa quinta (6). Releia: O contrato com a empresa Garra Escolta Vigilância e Segurança também deixou a técnica encafifada. Ela informa que os gastos mensais da entidade com segurança patrimonial armada e desarmada são de R$ 67.505,58. “No dia 09/03/2010, o contingente do CSE foi reduzido a um posto de 24 horas, no valor de R$ 10.426,58, sendo transferido um posto de 24 horas desarmado noturno para a Casa da Família (Enseada do Suá), onde funciona a sede da Acadis”, informa o relatório. A técnica pergunta ao presidente da entidade, Gerardo Mondragon, por que a segurança foi transferida para local diverso ao previsto no contrato, o que seria ilegal, uma vez que o serviço deveria ser exclusivo para o CSE, detentor do contrato do contrato. Mondragon responde à técnica que fez a transferência com a anuência da diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina. Ele alegou ainda que no local são ministrados cursos e palestras para adolescentes da Casa República, que fica em Vila Velha. Diga-se de passagem, é deste mesmo contrato que sai também os R$ 8 mil mensais pagos mensalmente à empresa Única Negócios e Participação Imobiliária pelo aluguel da casa com piscina que fica no bairro de Itapoã. A mesma reportagem também revela a ligação entre Mondragón, o juiz Alexandre Farina e do deputado Da Vitória, ambos indiciados no relatório da Operação Pixote entregue ao TJES nessa quinta (6). Inclusive a matéria publica fotos dos três em viagem à Espanha, com tudo pago por uma ONG articulada pelo colombiano. Na reportagem publicada no mês seguinte, em novembro de 2011, Século Diário apontou irregularidades nos contratos da Acadis com empresas da família do deputado Da Vitória. Leia mais este trecho da primeira reportagem, à época, ignorada pelas autoridades. Durante o último ano do governo Hartung, os aliados de Mondragon trabalharam forte para manter a Acadis como referência no atendimento de adolescentes em conflito com a lei, já que se aproximava a transição para o novo governo. Mandragon fez sua parte. Em novembro de 2010, levou para Madri, Espanha, o deputado Josias da Vitória (PDT) e o juiz Alexandre Farina. De acordo com Mondragon, palavras dele, “o objetivo da visita aos centros penitenciários foi conhecer os programas de ressocialização dos internos e da efetiva inclusão dos mesmos no contexto comunitário, social e laboral, como prevê as legislações vigentes”. Os convidados voltaram satisfeitos da Espanha e Mondragon com a certeza de que o Modelo Pedagógico Contextualizado (MPC), sua maior descoberta, teria novos aliados para defendê-lo. Após o final do governo Hartung, mas com a dupla Roncalli e Gallina mantida pelo governo Renato Casagrande, iniciaram-se as articulações políticas para estender o contrato da Acadis. O deputado Josias da Vitória, encantado com o trabalho desenvolvido pelo amigo, promoveu, este ano, até uma audiência pública na Assembleia Legislativa para exaltar o trabalho da Acadis. Nas reportagens seguintes, Século Diário publicou novos detalhes do esquema, mas que não foram suficientes para sensibilizar as autoridades e tampouco a imprensa corporativa, que
Estrelinhas: primeira parcial dos candidatos a vereador sai neste sábado
Século Diário publica neste sábado (7), a partir das 14 horas, o primeiro quadro de estrelinhas que avalia as chances de eleição dos candidatos que disputam assentos nas quatro principais câmaras da Grande Vitória: Cariacica, Serra, Vila Velha e Vitória. Esta primeira parcial, a partir de cada uma das pernas coligadas, relaciona apenas os candidatos com mais chances de eleição, segundo as análises da equipe de Século Diário. O levantamento estima quantas vagas cada coligação será capaz de conquistar. Por exemplo, a coligação “X”, que tem os partidos “A/B/C” em uma das pernas, é capaz de eleger de 2 a 3 candidatos, e assim por diante. A partir desse dado, são relacionados os nomes dos candidatos, hoje, mais bem cotados. Século Diário esclarece que preferiu não publicar os nomes dos candidatos com chances reduzidas ou remotas neste momento. O que não impede que o jornal, nas novas atualizações – que serão semanais (quartas e sábados) -, inclua entre os favoritos candidatos que não aparecem nesta primeira parcial. Mesmo critério se aplica às coligações. O leitor perceberá que algumas, pelo menos com base no cenário atual, não “elegem” nenhum candidato, pois o quociente eleitoral necessário para conquistar uma cadeira ainda não foi alcançado pela coligação. Nada impede, porém, que o cenário se altere e essas coligações passem a ter chances de eleger ao menos um candidato na próxima avaliação. De acordo com a experiência do jornal, que faz o levantamento das estrelinhas há uma década, as eleições para vereador sempre são muito dinâmicas. Isso explica por que, muitas vezes, de uma semana para outra, as posições são alteradas.
Leitores de Século Diário debatem supersalários do MPES
A semana, apesar de mais curta, foi movimentada por conta de campanhas eleitorais que esquentaram, outras que afundaram e ainda pela divulgação dos dados salariais dos promotores de Justiça pelo Ministério Público do Estado (MPES). A abertura da “caixa-preta” do MP revelou que os “penduricalhos legais” da folha de pagamento elevaram a remuneração de muitos membros do MPES acima do teto constitucional A revelação dos dados foi detalhada em matéria na terça-feira (4) e os leitores questionaram tanto os altos valores pagos aos promotores quanto a diferença entre os vencimentos do MPES e de outros setores do funcionalismo. Na quarta-feira (5), o presidente da Comissão de Finanças, deputado Sérgio Borges (PMDB), criticou o grande número de “furões do teto” do MPES e prometeu medidas do Legislativo para acionar os promotores e procuradores de Justiça que receberam salários acima da lei. Os comentários acompanharam a crítica do parlamentar, mas questionaram a demora da Assembleia Legislativa em abordar o tema dos supersalários no MP. A coluna Socioeconômicas de quarta-feira também destacou o “saculejo” dado pelo deputado Sérgio Borges no MPES. Usando o caso que o atinge diretamente, a condenação que sofreu no Judiciário – a quem Borges também não poupou críticas – após denúncia do MPES, o deputado fez graves acusações, que não podem ser minimizadas. Destemido, disparou na direção do promotor Marcelo Zenkner – autor da denúncia contra ele, na qual as contestações de Borges indicam armadilha -, na prática do MPES de arquivar e liberar processos de acordo com os interesses, e pontuou a responsabilidade da própria Assembleia Legislativa, que se cala diante de episódios tão evidentes. Borges sacudiu a Casa, como há muito tempo não se via. Assim como na matéria relativa ao caso, publicada no mesmo dia, a demora em trazer à tona estas denúncias também foi questionada pela audiência. No campo político, foi destaque na semana a falta de identificação e consequente rejeição à candidatura de Rodney Miranda (DEM) em Vila Velha. Na segunda-feira (3) foi publicada uma matéria destacando que, como havia previsto o mercado político, o deputado estadual Rodney Miranda, que se apresentava como uma grande novidade para a disputa eleitoral de Vila Velha, já alcançou seu teto de votação e está regredindo na corrida à prefeitura do município. Os leitores acompanharam a ideia da matéria e destacaram que a população de Vila Velha tem reserva ao que chamaram de “forasteiros”.
Atividade paranormal
Elaborado com uma das técnicas mais complicadas e artesanais do cinema, ParaNorman foi todo feito em stop-motion, em que horas de trabalho delicado e detalhista de equipe são transformados em poucos minutos. Diante da maioria das animações, feitas por computação gráfica, ParaNorman se destaca pelo efeito diferente de movimento. Da produtora Laika, a mesma de Coraline e o Mundo Secreto (2009), o filme estreia neste fim de semana. Norman, do título, é um garotinho constantemente desprezado por sua família e seus colegas. Ele revelou que consegue falar com espíritos e desde então ninguém o leva a sério. Apesar disso, ele tenta levar uma vida normal e os fantasmas já fazem parte da sua rotina. Mas esse dom o fez descobrir uma maldição lançada por uma bruxa, que os mortos voltem a caminhar sobre a terra em forma de zumbis. Para tentar impedir a catástrofe, Norman tenta convencer alguns de seus amigos a lutar com ele. ParaNorman também discute temas como preconceito e bullyng, mas sem pregação. A animação tenta passar a mensagem de igualdade ao comparar a intolerância com as mulheres no passado, acusadas de bruxaria, com a incompreensão que Norman sofre por ser diferente das outras crianças. Dirigido por Butler e Sam Fell, de O Corajoso Ratinho Despereaux (2008) e Por Água Abaixo (2006), o filme tem a intenção de divertir com algumas doses de suspense. Com reviravoltas surpreendentes e piadas inteligentes, ParaNorman também deve chamar a atenção dos adultos. Serviço ParaNorman (ParaNorman, EUA, 2012, 92 minutos, Livre) Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1 (3D). 13h30, 15h30, 17h30. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 5 (3D). 13h15, 15h50, 18h05. DUBLADO. Sexta, sábado e domingo também 11h. DUBLADO.
Sangue de verdade
Os vampiros saíram das sombras e invadiram o cinema e a literatura há tempos. O novo filme que envolve os sugadores de sangue explora a vida secreta de um dos principais presidentes dos Estados Unidos. Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, estreia do final de semana nos cinemas capixabas, conta uma história sobre vingança que definiu os Estados Unidos. Produzido por Tim Burton e dirigido por Timur Bekmambetov, o suspense começa quando a mãe do presidente, Nancy Lincoln (Robin McLeavy), é assassinada por uma criatura sobrenatural. Abraham Lincoln investiga o caso e descobre a existência de vampiros e declara uma guerra sem piedade contra os seres das trevas. Os vampiros se tornam o verdadeiro motivo por trás da Guerra da Secessão. Contrário à escravidão, Lincoln é uma ameaça ao submundo que está totalmente integrado a sociedade escravagista, pois os escravos lhe servem de alimento. Os vampiros se unem e conseguem aliados humanos para matar o abolicionista. Diferente do glamour que os vampiros têm sido retratados na telona, em Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros eles são criaturas lentas e feias. O roteiro de Seth Grahame-Smith, autor de Orgulho e Preconceito e Zumbis (2010) e do livro que deu origem ao filme, é bastante sério e visceral, ao contrário da paródia que o título sugere. Serviço Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, EUA, 2012, 105 minutos, 14 anos) Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 3. 14h20, 16h30, 18h50, 21h10. DUBLADO. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 3 (3D). 13h10 e 15h30. DUBLADO. 18h e 20h20 (LEG). Sexta e sábado também 23h50 (LEG). Cine Ritz – Shopping Norte Sul: Sala 2. 17h30, 19h30, 21h30. DUBLADO.