Os estudantes da Ufes que ocupam, desde a manhã da última quarta-feira (22), o prédio onde funciona Núcleo de Processamento de Dados (NPD) da universidade receberam na tarde de hoje (24) uma intimação para que o sistema de informática da universidade, que funciona no local, seja religado. Os manifestantes decidiram que vão continuar no local durante o final de semana, mesmo com as medidas judiciais que podem e vêm sendo tomadas a pedido da Administração Central da universidade. A manifestação faz parte das atividades da greve da universidade e tem como principal pauta a retomada das negociações com os discentes por parte da Reitoria. A Administração Central da Ufes, que nessa quinta (23) afirmou, por meio de nota, nunca ter interrompido o diálogo com o movimento – fato esse rechaçado pelos representantes estudantis –, acionou a procuradoria da Advocacia Geral da União (AGU) para tomar medidas judiciais necessárias para pôr fim a ocupação e garantir acesso dos servidores ao prédio ocupado, o que gerou a intimação. Segundo um dos manifestantes, quando o representante da AGU tentou entrar no prédio, estudantes contrários à manifestação barraram a sua entrada. Os manifestantes – que neste momento não totalizam 20 pessoas – estariam “ilhados” dentro do Núcleo. O NPD é o setor que controla todo o sistema de informática da universidade, como histórico escolar, declarações, informações sobre servidores e toda a internet da universidade. Desde a tarde de ontem (23), todo o sistema está fora do ar, incluindo o portal da Ufes. Segundo representantes da ocupação, não procede a informação de que os estudantes teriam desligado propositalmente os equipamentos do local. As principais reivindicações dos estudantes dizem respeito à revogação da resolução do Conselho Universitário que passa o controle do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (Hucam) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), moradia estudantil em todos os campi da Ufes, melhorias na creche universitária e pagamento retroativo ao período de greve do auxílio-alimentação.
Audiência pública debate os riscos do amianto para os trabalhadores
Os riscos gerados pelo uso de amianto – produto que provoca cancro do pulmão – foram discutidos nesta sexta-feira (24) durante audiência pública no Superior Tribunal de Federal (STF). O coordenador-geral de Monitoramento de Benefícios por Incapacidade do Ministério da Previdência Social, Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira, alertou sobre o impacto que representam para a sociedade brasileira os 15 mil trabalhadores do setor diretamente expostos aos efeitos maléficos desse produto nas indústrias em que trabalham, além das pessoas expostas a risco difuso provocado pelo amianto. Os trabalhadores do setor, explicou Oliveira, ao lado dos operários de minas de carvão, são os que se aposentam mais cedo: após 20 anos de trabalho. É a aposentadoria mais precoce entre todos os trabalhadores submetidos a fatores de risco. Segundo especialistas, o tempo curto de carreira se justifica devido ao alto risco cancerígeno que a atividade representa à saúde dos trabalhadores. Apesar dos riscos, estima-se que a produção de amianto chegue a 2,5 mil toneladas por ano, o que gera 50 mil toneladas de resíduos anulamente. Perigosos e cancerígenos, os resíduos do amianto ainda não têm destinação correta no Brasil. Desta forma, a população fica vulnerável à contaminação. Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira, após demonstrar os custos que a atividade representa em termos financeiros para a Previdência, alertou que quem acaba pagando essa conta, que não envolve somente a aposentadoria precoce, é toda a sociedade. Ele lembrou que o amianto provoca licenças médicas frequentes por doença durante o período trabalhado no setor; aposentadoria precoce por doença; pensão aos familiares por falecimento e uma série de outros problemas. E isso sem falar nos novos casos, em virtude do período latente em torno de 30 anos para contrair câncer provocado pelo contato difuso com o produto. “A bomba ainda está por vir”. E advertiu: “O amianto faz mal a quem trabalha nele e à sociedade em geral”. Espírito Santo No Espírito Santo, a última tentativa de banir o amianto foi por meio do Projeto de Lei 236/08, da deputada Luzia Toledo (PMDB), vetado pelo então governador Paulo Hartung. O PL foi um dos desdobramentos das movimentações nacionais encabeçadas na ocasião pelo então ministro do Meio Ambiente Carlos Minc para brecar o uso de amianto no País. O veto de Hartung contrariou ainda a Portaria nº43, assinada por Carlos Minc, em janeiro de 2009, proibindo o uso de amianto em obras públicas e órgãos vinculados à administração pública no País. O projeto da deputada Luzia Toledo pretendia proibir o uso do produto, materiais ou artefatos contendo amianto em todo o Estado O amianto é utilizado principalmente pela indústria da construção civil, na fabricação de telhas, caixas d’água, elementos isolantes; na indústria têxtil, na produção de roupas e equipamentos de proteção a incêndios, e na indústria automobilística (na fabricação, montagem e manutenção de sistemas de freios e embreagem). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aumentam os riscos de asbestose (doença crônica que causa o endurecimento dos pulmões), câncer de pulmão, entre outros males.
Depois lavar roupa suja, Casagrande e Ferraço afinam discurso e selam trégua
Em entrevista à Rede Gazeta nesta sexta-feira (24), o governador Renato Casagrande repetiu o discurso da maturidade política dos poderes, também difundido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), depois que os chefes dos dois poderes acertaram as arestas em uma reunião a portas fechadas esta semana passada. O governador destacou que apesar das diferenças, naturais, na sua opinião, sua expectativa é de que no que tange à governabilidade o Executivo e o Legislativo possam caminhar juntos. O discurso pareceu afinado, mas não convenceu os meios políticos sobre o diálogo permanente que o governador disse ter com a Casa, dada a proporção que a crise ganhou. Para os observadores do processo, a entrada de Casagrande na discussão mostrou que os interlocutores do governo falharam na tentativa de apagar o incêndio na Assembleia. No plenário, as reclamações sobre a falta de diálogo com o Executivo são constantes e embora a aprovação de projetos governamentais não tenha sido atingida, a insatisfação dos deputados com a falta de diálogo com o secretariado é grande. Ainda na entrevista, o governador falou sobre seu papel na eleição deste ano. Isso porque uma leitura que se faz dos atritos do presidente da Casa com o governo do Estado tem relação com a disputa nas bases dos deputados, onde o PSB de Casagrande estaria enfrentando os aliados. O governador destacou que em todos os municípios há disputa na base e que a única forma seria ter candidaturas únicas nos municípios, já que o governador tem o apoio de praticamente todos os partidos. Casagrande, porém, tentou separar a imagem do governador da imagem de liderança partidária e disse que vai manter o compromisso de não se envolver nas campanhas eleitorais. Quanto à participação do ex-governador Paulo Hartung que vem subindo em palanques contrários aos de seus aliados em muitos municípios, o governador considerou a movimentação de seu antecessor natural, mas chamou a atenção para o fato de que foi aliado de Hartung nos oito anos de seu governo e que agora espera contar com o apoio para garantir a governabilidade.
Secult divulga ganhadores do edital de valorização do Patrimônio Natural do Estado
A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (24) o resultado final do edital que selecionou projetos de valorização do Patrimônio Natural do Espírito Santo. Os ganhadores têm dez dias para retirar a premiação de R$ 20 mil e R$ 30 mil. Foram selecionados os projetos: Reestruturação do Grupo de Condutores e Valorização da Comunidade do Entorno do Parque Estadual Cachoeira Da Fumaça, de Leonan de Assis Praça e Formação de Condutores Turísticos na Serra do Caparaó, de Rosimiriam Borges Lacerda. Ambos serão contemplados com o prêmio de R$ 20 mil. Já o prêmio de R$ 30mil contemplou os projetos Mergulho Poético – Cartografia Afetiva do Rio Jucu, de Júnia de Queiroz Aguiar e Fabíola Melca da Silva Araújo; e Projeto de Estruturação Ecológica do Polo de Educação Ambiental do Caparaó Capixaba, de Rosimiriam Borges Lacerda. Os recursos visam à contemplação da manifestação cultural em toda a sua diversidade, possibilitando que a arte e a cultura produzidas no Espírito Santo possam ser desfrutadas por todos os capixabas, em especial nas áreas mais vulneráveis do Estado. Este ano foram investidos R$ 7,05 milhões em lançamentos de 34 editais de incentivo à cultura. Esses recursos irão beneficiar artistas e agentes culturais, com a proposta de tornar a atividade cultural uma importante estratégia de desenvolvimento e inclusão social. A comissão julgadora do edital foi formada pelo coordenador do IEMA/ES André Luiz Campos Tebaldi (ES), pelo professor do IES, Sergio Salazar Salvati, de São Paulo; e a paulista Heloisa Dias, coordenadora do Colegiado Mar da RBMA.
Filha de Camilo Cola acusa as empresas do pai de caixa dois
A defesa de Ana Maria Cola, filha do deputado federal Camilo Cola (PMDB), ofereceu duas notícias-crime na Receita Federal e Ministério Público Estadual (MPES) sobre eventuais fraudes em transações entre empresas do grupo do peemedebista. Na denúncia, o caixa dois seria abastecido pela sonegação de tributos na reforma de pneus. Essa não é a primeira vez que a disputa familiar pela herança da família Cola acaba chegando à Justiça. Nos documentos – protocolados entre o final de março e início de abril deste ano –, o advogado Wesley Louzada Barcelos, que patrocina os interesses da filha do congressista, leva ao conhecimento das autoridades as suposta irregularidades que envolveriam as empresas Cola Comercial e Distribuidora Ltda. (Cola Pneus) e a Viação Itapemirim. As fraudes aconteceriam na operação de reforma de pneus velhos. A borracha seria adquirida pela Cola Pneus de uma empresa sediada no estado do Rio Grande do Sul e com filial no estado da Bahia. De acordo com a notícia-crime, os tributos seriam recolhidos na origem dos produtos, porém, o diferencial do ICMS da borracha no Espírito Santo não seria recolhido. Nos dois estados, a alíquota do tributo é menor do que a recolhida pela Fazenda capixaba (17%). No Rio Grande do Sul é cobrado 7%, enquanto na Bahia a alíquota é de 10%. “A empresa denunciada simplesmente realiza as reformas e não recolhe os tributos devidos, sendo que tal esquema estaria em funcionamento desde o ano de 2005, gerando assim um caixa dois […], bem como pela venda de carcaças de pneus oriundas da Itapemirim”, assinala um dos trechos do documento. Ao final da peça, o advogado pede que os fatos sejam apurados pela Receita Federal e Ministério Público. Na peça endereçada à promotoria de Cachoeiro de Itapemirim, o representante de Ana Maria Cola admite que os fatos também prejudicam a herdeira do deputado federal. “Não deseja a noticiante ser conivente ou participar de atos ilícitos e criminosos”, alega. Essa não é a primeira notícia-crime apresentada pela filha de Camilo Cola contra o pai. Em setembro de 2010, a defesa de Ana Maria Cola denunciou um suposto esquema de remessas de dinheiro ao exterior através de empresas “laranjas”. Um pouco depois, a filha entrou com uma ação judicial para solicitar uma auditoria para apurar o real valor das empresas do grupo. Na época, a defesa do parlamentar informou que a filha que o testamento de Maria Ignez Cola, ex-esposa falecida do parlamentar, reconhece a divisão igualitária da parcela legítima que caberia a cada um dos filhos. A defesa da Ana Maria também denunciou a suposta participação do irmão, Camilo Cola Filho, nas irregularidades.
Seminário Nacional vai discutir gestão Integrada de resíduos sólidos em Vitória
Nos próximos dias 28 e 29 de agosto será realizado em Vitória o VIII Seminário Nacional e VII Workshop Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. No Estado, os principais municípios da Grande Vitória -Serra, Vila Velha, Cariacica e Vitória – não apresentaram um Plano de Gestão dos Resíduos Sólidos no prazo dado pelo governo federal. Além dos quatro, Fundão, Guarapari, e Viana também não apresentaram. Os municípios vêm se guiando através do acordo assinado com o MPES, que exigiu a adoção de medidas para corrigir, minimizar, neutralizar e prevenir degradações ambientais causadas pela destinação inadequada de resíduos sólidos, seguindo as diretrizes cobradas no Plano Nacional de Gestão dos Resíduos Sólidos, porém, sem a exigência de prazos tão rígidos. De acordo com dados do governo federal, mais de 50% dos municípios brasileiros ainda não possuem um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. O evento deverá discutir os desafios que ainda precisam ser enfrentados, como a aplicação das diretrizes previstas pelo Plano Nacional de Gestão dos Resíduos Sólidos e promover o debate sistemático sobre a situação dos Resíduos Sólidos no Brasil, em consonância com o panorama internacional e estadual. Participarão dos debates o presidente do Sindicato Nacional das empresas de reciclagem de resíduos na França, Marc Pena; Promotora de Justiça Dirigente do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, bens e Direitos de Valor Artístico, Estético, Histórico, Turístico, Paisagístico e Urbanístico, Isabela de Deus Cordeiro; Diretor de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano do SINDUSCON – Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo, Victor Macedo; Secretário Municipal de Serviços da Prefeitura de Vitória. Romário de Castro; geóloga e Mestre em Geologia Econômica pela UFRJ, Renata Frank, entre outros. O evento contará também com o embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Franchesca e como representante do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito que irá falar sobre a situação da política de resíduos sólidos no País. Serviço Data: 28 e 29 de agosto Local: Hotel Golden Tulip, em Vitória Horário: 8h30
Por paz
Filha do herói nacional Aung San, Suu Kyi foi um estorvo para o governo militar da Birmânia entre 1988 e 1989 e também símbolo da luta pela democratização. Incapazes de silenciá-la, para não transformá-la em mártir como o pai, os militares a mantiveram em prisão domiciliar e afastada de seu marido e filhos, que moravam na Inglaterra, por quase 20 anos. A cinebiografia de Suu Kyi, Além da Liberdade, estreia neste final de semana no Cine Jardins e traz no papel da protagonista a atriz Michelle Yeoh, que se assemelha muito fisicamente com a pacifista. A história começa quando ela retorna a Birmânia para cuidar da mãe doente e como acaba se envolvendo com o movimento democrático é impedida de retornar para Londres junto com sua família. Suu Kyi aproveitou sua prisão e sua popularidade crescente para desafiar os soldados e conquistar mais simpatizantes para sua causa. O nome de Suu Kyi ficou proibido, por isso as pessoas se referiam a ela como “A Dama” – “The Lady” é o nome original do filme. Sua luta contra a repressão política ficou conhecida pelo mundo todo e em 1991 ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Apenas em 2010, Suu foi liberada e pode rever sua família. Seu marido Michael Aris (David Thewlis), tem uma grande participação no filme sempre a aconselhando e a encorajando. Dirigido pelo francês Luc Besson, o drama privilegia a simplicidade e os detalhes, bem diferente de suas antigas produções como Imensidão Azul (1988) e O Quinto Elemento (1997). Serviço Além da Liberdade (The Lady, Espanha, 2011, 132 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h.
Ponto de fuga
Depois de mais de 20 anos de guerra entre Israel e Líbano pela dominação da região Beaufort, a base militar e ponto estratégico de mesmo nome foi destruído pelas tropas libanesas em 2000. Beaufort era um símbolo da ocupação israelense no Líbano. Sob a perspectiva de seu jovem comandante, de apenas 22 anos, o filme que leva seu nome conta como foram os últimos meses dos militares que habitavam o forte. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Beaufort chega ao Cine Jardins nesta sexta-feira (24). O foco do drama é a solidão dos militares; não há heróis nem vilões, apenas homens tentando salvar suas vidas. As imagens de conflito também são poucas, a tropa israelense fica presa dentro do forte que está sendo tomando pelos libaneses, mas eles não podem atacar por falta de ordem e nem fugir para não darem a impressão de rendição. Diante desse impasse, os soldados começam a questionar as razões da guerra e se realmente vale a pena sacrificar a família, os amigos e a própria vida por uma causa. Escrito e dirigido por Joseph Cedar, o drama chamou atenção internacional: ganhou o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim e 10 indicações à premiação da Academia de Cinema de Israel, ganhando em quatro delas Edição, Fotografia, Direção de Arte e Som. O longa foi filmado nas Colinas de Golan, pois a locação original hoje em dia virou um deserto, apesar de ainda ser uma zona de conflito devido a sua posição estratégica no alto de um morro na fronteira entre o Líbano e Israel. Serviço Beaufort (Beaufort, Israel, 2007, 131 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 18h55.
Candidatos envolvidos em graves denúncias se aproveitam de brechas da lei
No início do mês de agosto, após as decisões da primeira instância, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recebeu mais de 200 recursos pedindo a impugnação de candidatos ou tentando livrá-los da restrição de participar do pleito deste ano. Só que mais uma vez, o julgamento ficará por conta do eleitor. Mesmo com os nomes envolvidos em escândalos de repercussão, todos os candidatos com pendências judiciais conseguiram reverter as impugnações na segunda instância. O único nome que segue em aberto é o do prefeito de Guarapari, Edson Magalhães (PPS). As decisões do Tribunal já começam a causar discussões no mercado político, devido à grande insegurança que a avaliação do TRE vem fazendo dos casos. Além do prefeito afastado de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB), acusado de participar de um esquema de fraudes em contratos e que fez o registro da candidatura de dentro da cadeia, outros nomes com pendências na Justiça foram liberados para disputar. Na mesma sessão, o TRE liberou a candidatura do deputado estadual Gildevan Fernandes (PV) mesmo diante da rejeição das contas dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, quando o verde estava à frente da prefeitura de Pinheiros, no norte do Estado. O prefeito de Mantenópolis (noroeste do Estado), Eduardo Carneiro (PT), mesmo tendo sido afastado do cargo por acusação de fraude nos contratos de construção de campos de futebol society e que teve a impugnação pedida por compra de votos em 2004, também foi liberado. Para os meios políticos, essa avaliação do tribunal traz o questionamento sobre a atuação do Tribunal de Contas, já que embora haja um parecer de área técnica sobre irregularidades, os juízes se baseiam na aprovação de contas pela Câmara de Vereadores, que não tem corpo técnico, na verdade, faz um julgamento político. Assim como o prefeito de Conceição da Barra (norte do Estado), Jorge Donati (PSDB), que chegou a ser preso este ano, acusado de participação em crime de mando. O prefeito de Linhares (norte do Estado), Gueirno Zanon (PMDB), que acumula mais de 10 processos na Justiça, além de também ter sido afastado do cargo por denúncia de improbidade administrativa. Para os meios políticos, as liberações dessas candidaturas colocam em xeque a eficácia da Lei da Ficha Limpa. Mesmo com pareceres opinando pela rejeição de contas de alguns desses candidatos, o julgamento do Tribunal Regional Eleitoral estaria, para algumas lideranças, extrapolando o âmbito jurídico. Os mecanismos legais seriam avaliados no Tribunal de forma política, beneficiando alguns candidatos com base em brechas na Legislação Eleitoral. Sem a intervenção da Justiça no processo, os observadores dos processos eleitorais avaliam que o desgaste causado pelas denúncias poderá influenciar no voto do eleitor, forçando assim a um julgamento popular. O que não deve acontecer, por exemplo, em Presidente Kennedy, onde a linha populista e clientelista do prefeito Quinta o coloca como favorito na disputa, mesmo diante das denúncias de envolvimento em um esquema de corrupção. Esse cenário cria um problema para o futuro também. Se Quinta for eleito com mais de 50% dos votos e perder o cargo depois, uma nova eleição será realizada no município, com gasto de dinheiro público para a escolha de um novo prefeito.
TJES mantém absolvição de Cacau Lorenzoni em ação de improbidade
A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) confirmou, na última semana, a absolvição do deputado Cacau Lorenzoni (PP) em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual (MPES). O juiz de 1º grau também havia absolvido o parlamentar – então prefeito de Marechal Floriano – da acusação de ter nomeado, em 2003, o motorista de gabinete como ouvidor-geral do município com o suposto objetivo de aumentar a renda do servidor. A decisão do colegiado foi publicada no Diário da Justiça desta sexta-feira (24). No voto, o relator do recurso do Ministério Público, desembargador Roberto da Fonseca Araújo, indicou que não há comprovação de dolo ou negligência do ex-prefeito. Nas duas instâncias, os julgadores consideraram a ofensividade do caso como mínima, uma vez que a denúncia aponta que a diferença salarial entre os cargos não chegaria a R$ 150. De acordo com informações trazidas nos autos, o motorista recebia inicialmente um salário de R$ 506,44, elevado mais tarde para R$ 633,06. Já como ouvidor geral, o mesmo servidor passou a ganhar R$ 791,32 pelo período de meses. Diferença que não foi interpretada como ação explícita para desviar recursos públicos. O episódio motivou ainda abertura de uma ação penal contra Cacau, também absolvido no Tribunal de Justiça, que também não vislumbrou qualquer prova da prática de peculato (quando servidor público se apropria de dinheiro ou bem em função do cargo).