Mais uma vez o corporativismo impera na Assembleia e os deputados estaduais silenciam sobre as denúncias que chegam às portas do colega de plenário Josias Da Vitória (PDT). Apesar de um grupo de deputados se revezar na tribuna para cobrar providência diante das graves denúncias de corrupção que atingiram o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases), o envolvimento do deputado é ignorado. Na segunda-feira (20), o nome do deputado foi incluído no rol dos investigados no esquema corrupção em contratos firmados entre Iases e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis). Mas o protecionismo ao deputado não se restringe à repercussão da “Operação Pixote”, da Polícia Civil e do Judiciário. Ainda no primeiro semestre do ano passado, a Corregedoria da Assembleia recebeu a denúncia da Associação de Mães e Familiares Vítimas da Violência (Amafavv). O corregedor da Casa, José Carlos Elias (PTB), designou o deputado Henrique Vargas (PRP) relator do processo. Procurado pela reportagem de Século Diário, nessa terça-feira (21), Vargas disse que à época a denúncia foi arquivada porque “não havia comprovação das denúncias”. Questionado sobre os novos episódios, envolvendo o caso, o deputado disse que vai ouvir os colegas para saber as providencias a serem tomadas. Esta não é a primeira vez que a Corregedoria da Assembleia atua de forma a proteger deputados acusados de participação em casos de repercussão. Na legislatura passada, o então deputado Wolmar Campostrini (PDT), apesar de ter o nome envolvido em um caso de venda de votos, teve o processo arquivado na Corregedoria da Casa. O escândalo envolvendo Campostrini ganhou projeção no dia 24 de abril de 2008, quando foi deflagrada pela Polícia Federal a operação “Auxilio-sufrágio”, que cumpriu 50 mandados de prisão e outros 59 de busca e apreensão, no escritório, na residência e no gabinete do deputado, que só não foi preso devido à imunidade parlamentar. O processo na Corregedoria ficou parado por dois anos e em 2010 foi arquivado, enquanto isso, Campostrini cumpriu normalmente o mandato parlamentar. Nos corredores da Assembleia, o comentário é de que de se depender dos deputados, nenhuma providência deverá ser tomada em relação ao deputado Josias Da Vitória.
Deputado diz que declarações de Roncalli são levianas
O presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, Gilsinho Lopes (PR), foi à tribuna da Casa na sessão desta quarta-feira (22), para desmentir o secretário de Justiça do Estado Ângelo Roncalli. O deputado afirmou que dizer que não sabia das irregularidades ocorridas no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases), “foi a maior leviandade publicada nos jornais do nosso Estado”. E foi além: disse que não foi ao Palácio Anchieta para pedir a cabeça do secretário, mas que não entende como um servidor público de Brasília, aprovado em concurso, sem estágio probatório, pode estar a serviço do Estado. Disse também que Roncalli deveria “vestir a carapuça” e deixar o cargo. Gilsinho garantiu que em almoço com o secretário denunciou todas as irregularidades na autarquia ligada à Secretaria de Justiça, mas que Roncalli ouviu o relato, mas não quis se comprometer. Depois o deputado teria sido procurado por emissários palacianos para tentar “apagar o incêndio”. As críticas do deputado foram além da situação do Iases, desbaratada na semana passada pela “Operação Pixote”, que levou para a prisão a diretora-presidente do Instituto, Silvana Gallina, o diretor executivo da Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), Gerardo Mondragón, e outras 11 pessoas. Gilsinho disse em seu pronunciamento que já levou ao conhecimento do secretário, inclusive munido de documentos, os problemas relacionados ao fornecimento de alimentação para os presídios e sobre a escola penitenciária. “Tem uma empresa chamada Quintino [MS Quintino] que ganha licitação sistematicamente e a qualidade da marmita todo mundo conhece, é pior do que lavagem de porco”, disparou o deputado, ao afirmar que já levou o caso ao conhecimento de dois subsecretários: Sérgio Alves Pereira e Marcos Costa. Sobre a escola, o deputado denunciou o fato do pagamento de altos valores por hora/aula sem que o serviço fosse de fato prestado. “Entreguei o documento na mão do secretário”, garantiu.
Sindicância em Kennedy: Quinta será ouvido na próxima semana
Próximo de receber o sinal verde para participar das eleições deste ano, o prefeito afastado de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB), será ouvido na próxima quarta-feira (29) pela comissão processante da Câmara de Vereadores que apura os episódios de corrupção no município. A sindicância pode culminar com a cassação do mandato do petebista e provocar o impedimento da reeleição de Quinta. A convocação do prefeito afastado foi publicada na edição desta quarta-feira (22) do Diário Oficial. O presidente da comissão processante, vereador Tércio Jordão Gomes (PSD), comunicou a defesa de Quinta sobre a marcação do depoimento. Além do prefeito afastado, os vereadores também vão ouvir no mesmo dia outras quatro testemunhas. Entre as pessoas arroladas constam os nomes de Ezilmar Henriques Calheira, que apresentou a denúncia contra Quinta, além do ex-secretário de Turismo José Carlos Monteiro Fraga, do motorista Ronaldo Nunes de Souza – principal testemunha durante as investigações – e do agente da Polícia Federal, Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli, que conduziu as investigações. O Regimento Interino da Casa prevê que, após a tomada dos depoimentos, a comissão processante submeterá o resultado dos trabalhos ao plenário – são necessários seis votos favoráveis para a perda dos mandatos. A comissão foi aberta no último dia 19 de julho. O prazo inicial para a conclusão dos trabalhos é de 60 dias, podendo ser prorrogado por igual período. Durante a “Operação Lee Oswald”, as equipes da Polícia Federal apontaram a existência de pelo menos 21 contratos sob suspeição no município, que chegam a R$ 50 milhões. Além do prefeito afastado, quatro vereadores também são alvos de investigações pela Câmara: Dorlei Fontão da Cruz (PV), Manoel José Abreu Alves, o “Brejeiro” (PTB), Clarindo de Oliveira Fernandes (PDT) e Vera Lúcia de Almeida Terra (PTB). Todos eles disputam as eleições deste ano. Caso sejam condenados à perda dos mandatos, tanto Quinta quanto os vereadores afastados ficarão inelegíveis.
Construção civil: TST determina reajuste de 14% para trabalhadores
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) referendou a decisão do Tribunal Regional do Trabalho no Estado (TRT-ES) e fixou reajuste de 14% para os trabalhadores da construção civil. A decisão do Tribunal que, ao conceder o reajuste negou o mérito na apelação do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES) pôs fim à greve da categoria, que já durava duas semanas. Na manhã desta quarta-feira (22), os trabalhadores realizaram mais um protesto para fazer valer a decisão do TRT, que fixou reajuste em 14%. A passeata reuniu centenas de pessoas em caminhada entre a Praça dos Namorados até a sede do Sinduscon, localizada no bairro Barro Vermelho, em Vitória, pela Avenida Nossa Senhora da Penha. A manifestação reuniu cerca de 400 trabalhadores,por conta de uma decisão liminar expedida anteriormente pelo TST, que suspendeu o aumento de 14% concedido pelo TRT-ES e fixou o reajuste de manutenção em 7,5%. Além de não receberem o reajuste de 14%, os trabalhadores em greve não receberam o adiantamento, que deveria ter sido pago nessa segunda-feira (20). A categoria considera que o reajuste de manutenção de 7,5% não representaria ganho real e que o pagamento dos 14% é possível de ser aplicado, já que a construção civil é um setor que não vê sinais de crise.
Quanto vale a cabeça de Roncalli?
As denúncias de corrupção no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) começam a provocar um turbilhão que pode ser capaz de arrastar pessoas de peso do governo, a maioria, remanescentes do governo Paulo Hartung. É o caso do secretário de Justiça Ângelo Roncalli, que começa sentir a pressão, uma vez que o escândalo aconteceu, como se diz popularmente, na barba dele. Nessa segunda-feira (20), houve uma movimentação na Assembleia Legislativa, que já não anda com uma relação muito boa com o Palácio Anchieta, cobrando uma posição do governador Renato Casagrande em relação ao secretário. O deputado José Esmeraldo (PR) subiu à tribuna para exigir a saída do secretário e o cancelamento dos contratos com a Acadis, do colombiano Gerardo Mondragón, um dos pivôs do esquema. Na tentativa de apaziguar o ânimo dos insatisfeitos, o governador convidou os deputados para um almoço-reunião nesta terça (21). Casagrande falou sobre a importância de manter a governabilidade. Lembrou aos parlamentares que o biênio 2013/2014 deve ser duro para o Estado e municípios. Ele listou o fim do Fundap e a iminente perda de receitas com as novas regras de partilha dos royalties do petróleo, além da crise financeira internacional, como componentes que podem comprometer o poder de investimento do Estado. Em contrapartida, diante do quadro pouco otimista, ele apresentou o programa de sustentabilidade aos parlamentares, mostrando que o governo já tem um plano “B” na manga para enfrentar a crise que se avizinha. Se o almoço foi bem digerido pelos deputados, a sobremesa, que só foi servida para alguns, foi mais indigesta. Houve uma conversa reservada com os deputados que querem a cabeça do secretário de Justiça Ângelo Roncalli. Diante da demanda dos parlamentares, o governador não disse nem sim nem não. Preferiu ficar em cima do muro. Em tom contemporizador, para não estremecer ainda mais a relação que já não é das melhores, o governador disse que prefere aguardar o andamento das investigações. Está claro que Casagrande não pode, pelo menos ainda, entregar a cabeça de Roncalli de bandeja aos deputados, que usariam Roncalli para lavar a alma da Assembleia. Em tempos eleitorais, a Assembleia daria tudo para sair exibindo à população a cabeça de Roncalli como um prêmio. O problema é que o acordo de Casagrande com o ex-governador Paulo Hartung o impede de mexer com os seus aliados. Casagrande não pode adiantar o passo, pois Hartung consideraria a manobra como quebra de acordo. Apesar do aumento da pressão por parte da opinião pública e da Assembleia, Casagrande procura tratar a questão com o máximo de cautela para não se indispor com o seu antecessor. Parece que a estratégia do governador e dar tranquilidade para as investigações avançarem. Mais à frente, quando as denúncias arrastarem Roncalli para a mesma vala que já sorveu Silvana Gallina e companhia, ele dirá que foi o andamento natural das investigações que envolveram o secretário. Isso o isentaria perante Hartung. Agora, se a sociedade civil espera que haja uma pressão para que as investigações apurem com isenção e seriedade o suposto envolvimento de Roncalli no escândalo, é mais provável que ela venha do Tribunal de Justiça, que hoje é a única instituição capaz de fazer as coisas andarem no Estado.
Amarrado
A demora do Tribunal de Contas do Estado (TCES) em julgar os processos de prestação de contas do Iases expõe ainda mais as relações de poder entre o órgão e o governo Paulo Hartung (PMDB). Integrante do arranjo institucional perpetuado pelo ex-governador durante oito anos, o tribunal sempre atuou em favor dos interesses de Hartung, quem continua garantindo o ingresso de fieis aliados na composição do plenário. Não é de se estranhar, portanto, que as contas referentes aos exercícios 2008 – ano do primeiro contrato com a Acadis -, 2009, 2010 e 2011, estejam até hoje paradas no TCES, sem qualquer decisão. E paradas na área técnica, que de um modo geral age com rigor diante de casos semelhantes. A documentação em questão tem graves indícios de irregularidades, com fraudes e constantes aditivos, além de erros grotescos, perceptíveis a qualquer profissional da área. Imagine para um servidor de um órgão que existe para esta função. Se os processos estão até hoje devidamente guardados nas gavetas do tribunal, é exatamente para blindar a alta cúpula do governo passado. O esquema é grande. Amarrado II No ano em que chegou ao TCES o primeiro processo, em 2009, referente ao ano anterior, na presidência do órgão estava o conselheiro afastado Marcus Madureira. Embora não fosse considerado do grupo de Hartung, Madureira, como presidente, foi o que mais se alinhou às necessidades do ex-governador, mantendo com ele uma relação marcada por total submissão aos interesses do ex-governador. Amarrado III Também em 2009, chegava ao TCES, como conselheiro, o aliado político de Hartung de longa data e seu ex-secretário da Casa Civil, Sérgio Aboudib. Pouco tempo depois, ele assumiu o cargo de vice-presidente do conselheiro Umberto Messias, que sucedeu Madureira. Após o escândalo envolvendo Messias, que culminou com seu pedido forçado de aposentadoria, Aboudib assumiu como presidente. No início deste ano, com a eleição de Sebastião Carlos Ranna, ele voltou ao posto de vice-presidente. Ou seja, tudo em casa. Gastou saliva Ranna, aliás, passou um sufoco nesta terça-feira (21), para tentar justificar tamanha demora em dar respostas aos processos, em entrevista à Rádio CBN Vitória. Tentou jogar o problema para o campo da falta de pessoal e de infraestrutura, mas acabou sendo obrigado a admitir erro do órgão. Prato cheio A omissão do Tribunal de Contas em julgar as contas do Iases serviu como um excelente álibi para os envolvidos no esquema durante todo esse tempo. Logo das denúncias reveladas por Século Diário, a justificativa do colombiano Gerardo Mondragón para pontuar que as mesmas eram infundadas, tinha como base exatamente o Tribunal de Contas, já que o órgão não havia vislumbrando irregularidades. Cliente VIP As informações dando conta de que a diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina, presa em Tucum, Cariacica, estaria recebendo tratamento privilegiado, com regalias, a mando do secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, serão investigadas pelo delegado Rodrigo Laterza. A pedido do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Pagando pra ver Por falar em Roncalli, na Assembleia Legislativa, já há movimento de alguns deputados pedindo a cabeça do secretário, com convicção do envolvimento dele no escândalo, caso de José Esmeraldo (PR). Agora, os parlamentares se deparam como uma situação envolvendo um colega de plenário, o pedetista Da Vitória, incluído entre os investigados. E aí? Vai prevalecer o corporativismo? Segue… A contar pelo comportamento do deputado Genivaldo Lievori (PT) nesta terça-feira (21), tudo indica. O petista deveria ser o primeiro interessado na Casa a voltar a mira contra Da Vitória (PDT), em favor da candidatura à reeleição do prefeito também petista Leonardo Deptulski, o Batata, em Colatina. Mas subiu à tribuna da Casa, criou expectativa, e nada. Falou muito, menos do escândalo. Sem solução A propósito, no município, a situação complicou para a oposição de Batata. Com a batata assando para o lado do candidato Da Vitória, o grupo ficou de mãos abanando. Cirilo Tarso, nome mais indicado para substituir o pedetista, não se desincompatibilizou de seu programa de rádio, como exige a legislação eleitoral. Único recurso seria o deputado federal Paulo Foletto (PSB). Mas vai pegar muito mal o socialista voltar atrás, depois de todo o discurso para justificar seu recuo e ainda mais enaltecer conduta de Da Vitória, investigado por corrupção. 140 toques “Feliz com o telefonema do Lula: ‘Companheira, estou chegando aí em breve, faço questão disso”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”. Hubert H. Humpherey
A água está subindo
O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) ensaia sua entrada na disputa eleitoral da Grande Vitória, mas sua participação nos palanques de aliados vem sendo vista no mercado político como algo que vai além da disputa de espaço político para enfrentar o governador Renato Casagrande. As mudanças no ambiente político colocaram o ex-governador em uma situação complicada. Desde o estouro da “Operação Lee Oswald”, em abril, aquela blindagem que Hartung construiu em torno de seu governo e, consequentemente, de sua imagem, dá sinais de rachadura. Daí a necessidade de entrar logo no processo eleitoral em Vitória. Sem um mandato, o ex-governador aumenta sua proteção com o discurso que as denúncias, que agora se multiplicam e começam a chegar bem perto dele, possam ter relação com o processo eleitoral. Mas ao entrar na disputa da Grande Vitória, se por um lado pode dar uma camada a mais de proteção em sua vitrine, por outro assumirá um risco ao subir nos palanques de aliados, já que a disputa segue indefinida na região, com expectativa de segundo turno em todos os municípios. Resta saber o que está valendo mais para Hartung neste momento: sair vitorioso do processo eleitoral deste ano ou ileso dessa devassa que começa a ser feita em seus governos. O escândalo do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases) pode derrubar o secretário de Justiça, Ângelo Roncalli. Antes disso, as discussões envolvendo a Delta já haviam chegado ao ex-secretário de Fazenda de Hartung José Teófilo. Com a água subindo, é preciso que Hartung tenha uma blindagem, afinal há quem acredite que este é só o início de um processo de passagem a limpo do governo passado. Isso deve ainda acelerar o processo de afastamento do governador Casagrande de seu antecessor. O mercado político esperava que isso só acontecesse a partir do próximo ano, depois da eleição e dependendo do resultado das urnas. Mas com o surgimento das denúncias, esse processo vai ser acelerado. Casagrande deve aos poucos ir retirando algumas peças problemáticas de sua equipe, para evitar que a água que está fazendo a canoa de Hartung espirre nele. Fragmentos: 1 – O candidato tucano a prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), realizou nessa segunda-feira (20) um webcomício, mas enfrentou alguns problemas no início da transmissão, quando o site que transmitia o evento foi invadido por hackers. 2 – Apesar do transtorno inicial, a transmissão foi retomada através do Facebook. Os webcomícios continuarão a ser realizados todas as segundas-feiras, logo após o programa de TV de Luiz Paulo. 3 – Inteligente a ideia de inserir o candidato a prefeito da Serra, pelo Psol, Professor Renato, na propaganda do candidato do partido em Vitória, Gustavo De Biase. Como na Serra não há transmissão da propaganda eleitoral, Renato pega carona em Vitória.
Árvore do reggae
Ano passado, a cantora Anelis Assumpção lançou um dos melhores discos de 2011, Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa. O álbum de estreia da filha do fundamental Itamar Assumpção traz a utópica Neverland, um reggae macio sobre um lugar feito apenas de paz, amor e flores. Sem crises, nem guerras. Esse sonho com a Terra do Nunca é dividido com a cantora Céu, cuja voz preguicenta deixa ao final uma doce promessa: There is a land far far away / There is a land far far away. Essa terra distante, que existe em outro lugar, existe mesmo. Se não fisicamente, pelo menos em música. Anelis e Céu foram buscá-la no Abyssinians (fotos acima e capa), trio vocal jamaicano que talvez melhor tenha traduzido o ardor espiritual do roots reggae e que, demos graças, se apresenta nesta quarta-feira (22) em Vitória. E com um luxuoso detalhe: o grupo começa por aqui sua estreia em palcos brasileiros. O Abyssinians é um dos raros frutos da primeira geração do reggae jamaicano que ainda estão na ativa. Voltemos à Jamaica de 40 anos atrás. Corria o ano de 1968 quando o grupo vocal Carlton & His Shoes, liderado por Carlton Manning, gravou os singles Love Me Forever e Happy Land no lendário Studio One. O êxito foi retumbante. Mas aqui interessa-nos um outro lado da história. Carlton é irmão de Donald Manning, que, ao lado de Bernard Collins, fundou naquele ano o Abyssinians (hoje David Morrison completa o time). Happy Land serviu a base para a criação de Satta Massagana, cântico de 1969 que fixaria para sempre o nome do trio na morada dos deuses do reggae e, cá entre os mortais, celebrando a existência da “terra distante, que existe em outro lugar”, se tornaria uma das composições mais regravadas da história do gênero. Seria, no entanto, imprudência reduzir a magnitude do Abyssinians a seu famoso hino rastafári. O primeiro álbum “cheio” do trio saiu apenas em 1976, quase uma década após a aparição de Satta, que, aliás, batizou o disco. As 14 canções do disco fazem de Satta Massaganna um álbum indispensável, feito de consistência musical, lirismo harmônico, consciência social e religiosidade. Muita religiosidade. As canções são antes cânticos de louvor. Uma solene crença religiosa, no amor e no fazer-o-bem perpassam Good Lord, Know Jah Today, Abendigo, I And I, sem falar na própria Satta. A veia social também salta da garganta: se Bob Marley fez Get Up, Stand Up, uma violenta convocação à luta por direitos, o Abyssinians tem Declaration of Rigths, não tão contundente, mas semelhante em seu recado. O álbum seguinte, Arise (1978), não apresenta o mesmo vigor musical. O que não é exatamente ruim: trata-se de um disco de cadência mais reflexiva. A espiritualidade, claro, continua, e já na abertura, com This Land Is For Everyone, sobre uma terra, a mesmíssima de Satta, onde cabem todos e qualquer um: o branco, o preto, o amarelo. Mais imersas em piedade estão Mightiest Of All e Let My Days Be Long. Gerações se sucederam até chegarmos ao final dos anos 90 quando surge na Califórnia (EUA) o principal nome do reggae contemporâneo. O Groundation (foto acima) promove uma alquimia com o jazz e o blues que concebeu uma sonoridade única, mas também uma missão sempre delicada: como equilibrar o suingue leniente e a espiritualidade do reggae com a eficiência e precisão musicais características da banda? A cada álbum essa pergunta é feita e respondida. Com maior ou menor nível de eficácia. Mas respondida. O Groundation vem apresentar em Vitória a turnê de lançamento de seu novo rebente, Building An Ark, lançado este ano. A noite ainda tem a banda paulista Mato Seco. Com o Groundation acontece um interessante fenômeno. Pelo menos entre Each One Teach One (2001), talvez o mais fraco da discografia, passando pelo conceitual Hebron Gate (2002), a obra-prima da banda, e chegando ao profundo e pensativo We Free Again (2004), a ousada proposta musical é bem resolvida, em especial nos dois últimos, terceiro e quarto álbuns, respectivamente. A partir do sexto disco, Upon The Bridge (2006), tem início um aprofundamento da “ousada proposta”: apagar ainda mais as fronteiras entre o reggae raiz e o jazz. A empreitada por enquanto culminou neste Building An Ark, mais um passo na abolição das divisas. Talvez os fãs mais tradicionais torçam o nariz, a banda tem se mostrado mais inquieta, criando obstáculos para si mesma, o que é sempre foi uma opção (estética/artística) saudável. Em bom português, disco a disco as músicas se mostram mais cerebrais: como em Be That Way, Payaka Way (esta com direito a solo de baixo), Keep It Up ou Daniel. O que não significa o fim da chapação. Exemplo: a canção de abertura, que batiza o disco. Ela começa num singelo piano/voz/violão para de repente virar um fumacê generalizado. The Dreamer também segue por aí, assim como, de certa forma, Payaka Way. Humility é o Groundation em seu melhor: virtuoso porém regueiro. O disco termina com Sunlight Reflections, uma breve oração que vincula-se aos temas meditativos com que o Groundation costuma arrematar seus discos: Each One, Teach One (do álbum homônimo), Seventh Seal (We Free Again), Seesaw (Upon The Bridge), Golan to Galilee (Here I Am, 2009). Agora vejamos ao vivo o passado e o presente do reggae. O Groundation é de casa. Ano sim e outro também a banda apresenta um show devastador. Quanto ao Abyssinians, melhor não alimentar expectativas. Deixe a coisa fluir. Quem floresceu na Jamaica dos anos 60 não está até hoje aí à toa. Serviço O Festival de Reggae Ilha em Paz, com Groundation, Mato Seco e The Abyssinians, acontece nesta quarta-feira (22), a partir das 22h, no Ilha Shows. Alameda Ponta Formosa, 350, Praia do Canto, Vitória. Ingressos: R$ 30 (primeiro lote/pista/meia), R$ 35 (segundo lote/pista/meia), R$ 50 (primeiro lote/camarote/meia) e R$ 60 (segundo lote/pista/meia). À venda nas Lojas
TRE indefere candidatura de Antônio Fiorot em Pedro Canário
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Espírito Santo indeferiu nesta segunda-feira (20) a candidatura de Antônio Wilson Fiorot (PSB) à prefeitura de Pedro Canário, no norte do Estado. A ação, que teve a participação do Ministério Público estadual (MPES), foi aprovada por unanimidade no Tribunal. O candidato é atual vice-prefeito da cidade. Assumiu o cargo quando o prefeito eleito, Mateus Vasconcelos – o Mateusão –, teve seu mandato cassado pela Justiça. Fiorot, no ano passado, também foi cassado, dessa vez pela Câmara de Vereadores, em uma acusação de residir em Vitória, onde exerce a função de médico, e não na cidade do norte do Estado. Ele manteve-se no cargo por uma decisão da Justiça. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em junho deste ano, reconheceu a validade do decreto legislativo que o havia cassado, mas só publicou após o período de registro eleitorais, o que atrasou o processo de indeferimento da candidatura.
Casagrande se mostra reticente sobre saída de ??ngelo Roncalli
No almoço com os deputados estaduais, nesta terça-feira (21), o governador Renato Casagrande ouviu também críticas sobre a repercussão do escândalo no Instituto de Assistência Socioeducativo do Estado (Iases). Transpirou do encontro a cobrança por um posicionamento do governador sobre o caso, já que até o momento, Casagrande tem evitado comentar o assunto. Segundo fontes palacianas, o pedido de alguns deputados na sessão dessa segunda-feira (20) da Assembleia, para que o secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, saia da pasta, também foi levado ao governador. Aliás, a permanência da cúpula da Segurança, oriunda do governo passado, foi questionada por alguns parlamentares. Mas houve quem saiu descontente do encontro. O governador não teria demonstrado vontade em tomar qualquer medida para penalizar o secretário de Justiça. Mesmo diante da polêmica causada pelo caso, o governador teria ouvido as queixas, mas não apontou nenhuma atitude por enquanto. Casagrande estaria esperando o andamento das investigações para só então se posicionar. Apesar de ter sido um encontro com todos os deputados, o assunto foi conversado a boca miúda. No almoço, em que o governador pediu apoio da Assembleia para garantir sua governabilidade, apenas três deputados não compareceram: José Carlos Elias (PTB), Dary Pagung (PRP) e Josias Da Vitória (PDT), que também tem o nome envolvido no escândalo do Iases. Os deputados saíram do encontro com a impressão de que o governador não está interessado em se indispor com os nomes arrolados no escândalo, para não entrar em atrito com seu antecessor, Paulo Hartung (PMDB), a quem o secretário de Justiça é ligado. Roncalli ficou no governo Casagrande dentro da cota de aliados de Hartung que permaneceram no governo. Há também outra leitura nos meios políticos, de que ao se afastar do caso, Casagrande abre campo para que os deputados façam o julgamento político do secretário, sem que ele precise entrar em rota de colisão com Hartung.