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Século Diário

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Em desvantagem no jogo político, Hartung tenta rivalizar com Malta

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Na disputa de espaço político visando criar musculatura para o cenário de 2014, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tenta rivalizar a disputa deste ano com o senador Magno Malta (PR). Diante da relutância do governador Renato Casagrande em subir nos palanques dos aliados, o campo ficou solto para essas duas lideranças. Malta, para os meios políticos, leva uma grande vantagem devido à sua postura na disputa. Enquanto Hartung vem correndo municípios pequenos e fazendo caminhadas ao lado de candidaturas já consolidadas como francas favoritas para vencer a eleição deste ano, Magno tem andado o Estado e trabalhado em grandes palanques, independentemente das condições de vitória de seus aliados. Hartung tem evitado a Grande Vitória e cidades de maior peso político no Estado, já que na maioria desses colégios a disputa está indefinida. Magno já definiu seu discurso em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. Também tem apoiado a disputa de Glauber Coelho (PR), em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. Na disputa de bastidores, o ex-governador tem tentado um antigo expediente, que parece não surtir o mesmo efeito dos oito anos em que esteve no governo. Hartung tentou estabelecer novamente o maniqueísmo que foi uma marca de sua política na última década. Com o apoio de parte da mídia, o ex-governador tenta colar na imagem de Malta uma ideia de que ele prejudica os aliados com os quais caminha. O problema é que os recentes escândalos envolvendo o governo de Hartung colocam por terra a tentativa de estabelecer essa disputa do bem contra o mal, colocando Hartung como uma figura política imaculada, enquanto o restante representaria o “retrocesso”. O ambiente político, porém, não deixa espaço para que o ex-governador imprima novamente essa atuação, que consiste em eliminar da disputa os adversários, para que o campo fique limpo para seus aliados. Na disputa na rua, Magno leva vantagem por ter mais condições de captação de votos e sua presença no palanque fortalece os candidatos, pela facilidade do senador em dialogar com o eleitorado, capacidade que Hartung ainda não demonstrou. Enquanto isso, o governador Renato Casagrande, candidato natural à reeleição em 2014, observa a movimentação do senador e do ex-governador. O socialista já demonstrou uma aproximação com o senador, na medida em que fez várias alianças com o PR na disputa deste ano. Já com o ex-governador, Casagrande vem mantendo uma política de evita atritos. O desempenho das urnas vai dar o direcionamento  das composições futuras.

20/08/2012 / 0 Comments
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Homem de confiança de Gallina é assessor especial de Roncalli

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  Alegando que o trabalho da polícia é apenas investigar e não acusar, o delegado Rodolfo Laterza, que comanda a força-tarefa que apura denúncias de corrupção no Instituto de Atendimento Socioeducaivo do Espírito Santo (Iases), deixou claro que estava respeitando a orientação de não envolver o secretário de Justiça Ângelo Roncalli no caso.    Durante a coletiva da última sexta-feira (17), quando anunciou as prisões de 13 pessoas e deu os detalhes da “Operação Pixote” – como foi batizada a investigação que apura diversos crimes de corrupção no Iases e na Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) –, o delegado se esquivou das perguntas que questionavam se havia indícios da participação de Roncalli no esquema montado por Silvana Gallina e Gerardo Mondragón – respectivamente diretora-presidente do Iases e presidente da Acadis – na autarquia   Laterza se limitou a dizer que o secretário estava disposto a colaborar com as investigações. As declarações que Roncalli deu aos jornais no dia seguinte (18) à explosão do escândalo, também deixaram claro que o secretário, mais uma vez, estava se fazendo de rogado. Ele chegou a dizer que tomou conhecimento dos fatos com surpresa, já se isentando de qualquer responsabilidade sobre os fatos.   Embora no discurso tente passar para a sociedade que está disposto, se for preciso, a “cortar da própria carne” para punir os culpados, Roncalli sempre acompanhou o que se passava no Iases. Ele também era ligado as pessoas que faziam parte do esquema, todas de sua confiança. Portanto, não justifica o secretário alegar que o Iases é uma autarquia com autonomia técnica, administrativa e financeira, dando a entender que ele não tem nada a ver com isso.    As justificativas de Roncalli são facilmente derrubadas quando analisamos o caso de um dos presos. Antônio Haddad Tápias é servidor efetivo do Iases (técnico de nível superior), mas desde maio de 2011 fora requisitado pelo próprio Roncalli para assumir o cargo em comissão de assessor especial. Por mês o servidor, que permanece preso, recebe R$ 12 mil para assessorar Roncalli.    Qualquer funcionário do Iases sabe que Toninho, como é conhecido entre os servidores, sempre foi o braço de direito de Gallina. Em outras palavras, era Toninho, na função de diretor técnico do Iases, quem botava a mão na massa. Era ele quem controlava as rebeliões, nomeava ou exonerava os diretores e ditava a linha socioeducativa adotada nas unidades.    Foi ele também que, sempre ao lado de Gallina, validou a entrada do colombiano Gerardo Mondragón e seu Método Pedagógico Contextualizado – surrupiado dos freis amigonianos – no sistema Iases. Toninho e Gallina, que recebiam cobertura política de Roncalli, tiveram carta branca para firmar os contratos com a Acadis que resultaram num escandaloso esquema de corrupção dentro da autarquia.    Ainda sobre as justificativas prévias de inocência de Roncalli, não é demais lembrar que o secretário, conforme prevê a “Lei complementar estadual 314/2004, é o responsável pelo Conselho de Administração do Iases, que tem como principal atribuição fiscalizar a autarquia. É da cota de Roncalli também nomear os membros que fazem parte do Conselho.    A obrigação de Roncalli, na época em que Século Diário publicou uma série de reportagens que denunciava o esquema de corrupção no Iases – seja na condição de secretário ou de presidente do Conselho -era, no mínimo, mandar investigar as denúncias.   Mesmo que não quisesse dar credibilidade às matérias publicadas por este jornal, a obrigação do secretário era apurar as denúncias da sociedade civil organizada. Na ocasião das denúncias, Século Diário entregou os documentos que deram emsamento às reportagens, ao Conselho Estadual de Direitos Humanos e Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad), que formalizaram denúncia a diversos órgãos, inclusive à própria Secretaria de Justiça.    Se Roncalli recebeu as denúncias e não as apurou, esse crime também tem nome, prevaricação na modalidade omissiva. 

20/08/2012 / 0 Comments
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Conflito de Gerações

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Os jovens fotógrafos nascidos após a revolução dos pixels, ou que foram educados na fotografia digital, aprenderam desde cedo que em fotografia é tudo igual, independente da maneira que é concebida. Nascidos na frente de uma tela plana, tornaram-se menos preconceituosos, pelo menos em relação às imagens.   Minha geração, criada sob uma luz vermelha e com o ácido acético impregnado na pele, onde aedis egiptus não sobrevive, tem dificuldades em aceitar as mudanças provocadas pela revolução dos pixels. Contudo, é a geração anterior à minha que mais sofre com a dificuldade de compreender essa avalanche de zeros e uns que desmoronou sob suas cabeças.   Essa geração viu as câmeras aumentarem de tamanho e se tornarem aparelhos bem mais barulhentos e exibicionistas, para atender às exigências do novo mercado. Sim, é uma exigência de mercado, pois as câmeras digitais não têm necessidade de fazer o som de disparo; na verdade, a maioria delas possui a opção de desligar o som.   São pessoas do tempo em que se gravava músicas em fitas K7 da TDK, as melhores, pois não embolavam dentro do toca-fitas. Pessoas que tem uma grande dificuldade em compreender que na realidade a fotografia, não mudou tanto assim, continua basicamente a mesma. Ao invés de sais de prata sensíveis à luz, agora os zeros e uns avisam ao sensor, isso é preto, isso é branco. Isso mesmo, preto e branco, porque foi assim que a imagem digital originalmente foi criada. RGB é simplesmente o local onde esse pretos e brancos se misturam para criar as cores.   Nunca na história da fotografia se obteve tanta informação em uma imagem como temos agora. São 16.777.216 de variações de tons possíveis, entre o puro preto e o puro branco (em RAW). Mesmo assim, no final a fotografia é a mesma, pretos e brancos são os mesmos velhos companheiros que nos acompanharão pelo resto de nossas vidas, traduzindo nossas imagens, emoções e ideias com a fidelidade canina de sempre.   A imagem da semana é Gun #1, NY, de 1955, do fotógrafo americano Willian Klein     Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com

19/08/2012 / 0 Comments
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Dona Isabel

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Com a boca aberta, a língua para fora e uma expressão grave, Zuca assiste ao espetáculo deprimente que seu companheiro protagoniza. Thor, um corpulento labrador amarelo-claro, de bem vividos sete anos, pusera-se de barriga para cima no chão frio da varanda. Vira, revira e desvira-se inquietamente aos pés da dona, como que implorando carinho ou demonstrando inteira submissão.   Isabel faz-lhe uma festa e comenta: “Ele sempre teve problemas de pêlo, com carrapato. É preciso muito cuidado”. Isabel estava tranquila na iluminada manhã daquela quarta-feira (15). Como todos os dias, às 6h ela já estava de pé. O café da manhã também foi o de todos os dias: um pedaço de mamão, meia fatia de pão integral e uma xícara de café.   Não parecia que dali a alguma horas, com um soberbo vestido e um xale a cobrir-lhe elegantemente o ombro esquerdo, ela seria agraciada com a Comenda Ewerton Montenegro Guimarães, durante a abertura da V Conferência Internacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que terminou sexta-feira (17) em Vitória. Concedida pela seccional capixaba da OAB, a comenda é um tributo simbólico aos que se destacam na defesa dos direitos humanos.   De certa forma, a mineira Isabel Aparecida Borges da Silva, 67 anos, foi homenageada pelo que não fez. Como alguns outros, o ex-secretário de Segurança do governo Paulo Hartung, Evaldo Martinelli, e a delegada do Núcleo de Repressão à Organização Criminosa (Nuroc), Fabiana Maioral, sabem o que ela fez. E, talvez, melhor que a própria Isabel, sabem o que ela não fez.   Em 2006, aos 25 anos de devoção à Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória, apaziguando ânimos, mediando conflitos, debelando rebeliões, evitando tragédias e salvando a pátria de secretários de Segurança e de Justiça, Isabel viu-se de repente enredada num pesadelo kafkiano.   Já leram O Processo? Igualzinho. Basta trocar poucas palavras de um dos inícios mais devastadores da literatura mundial: alguém certamente havia caluniado Isabel Borges, pois certa tarde ela foi acusada de uma série de crimes sem ter feito mal algum.   Durante os três encontros com a reportagem, Isabel enunciou inúmeros “por ques?”. Reação típica de quem foi tragada pela vertigem de eventos atrozes, gratuitos e sem sentido. Ela conta a história do bolo. Todo ano a Pastoral promovia uma festa de Natal para os detentos. Uma das atrações era sempre um irresistível bolo confeitado.   Mas certa vez na Casa de Custódia de Viana implicaram com o bolo de Isabel. Acusaram-lhe de rechear o interior com uma pistola ponto 40, razão pela qual os agentes, para o desgosto da confeiteira, queriam parti-lo. “Eu não queria que partisse o bolo. Eu queria que o bolo chegasse bonito lá dentro”, ri-se. A relutância de Isabel em violar a integridade física da iguaria foi, claro, interpretada como um indício de culpa.   Para a sorte dela, o bolo foi fatiado. Não havia nada além da combinação de leite, açúcar, farinha, ovos e manteiga. Ainda assim, foi indiciada. “Por que não me prenderam? Cadê a pistola? Cadê o que gerou essa acusação?”, protesta.   Isabel Borges nasceu em Lagoinha (MG), única menina entre quatro varões. O pai a chamava de “princesinha”. Era uma família carente, de uma “pobreza infinita”, como define Isabel. Quando tinha dois anos, os Borges se mudaram para a favela de Turiaçu, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Moravam num exíguo barraco. Os filhos todos dormiam perfilados numa cama de casal.   A mãe, dona de casa, era uma mulher crua, sem instrução, além de católica fervorosa. O pai, pespontador, era uma figura ambígua: sonhador, romântico e boêmio. Gostava de beber e dançar. Mas quando exagerava na dose, o que fazia com frequência, a esposa sofria. “Nunca esqueço uma cena dele quebrando tudo, xingando ela e ela limpando os cacos de vidro entre os dedos dele”, lembra.   Os homens da casa também sofriam com o destempero paterno. Mas na carne. Após 22 anos de uma turbulenta união, um dia brotou a gota d’água e a semente da revolta nasceu milagrosamente da resignação católica da mãe de Isabel. Ela juntou quatro filhos e se mandou para Belo Horizonte. Apenas um ficou, tinha que servir o exército. Quando deixaram a casa, Isabel lembra, já na rua, do choro lancinante do irmão que ficou.   Os cinco foram morar com três tias, irmãs da mãe e tão ou mais carolas que ela. Isabel tinha 13 anos. As dificuldades não cederam e Isabel viu que tinha que trabalhar. Arrumou um emprego de balconista nas Lojas Americanas. Foi subindo na hierarquia: virou subchefe de setor, depois chefe e, finalmente, encarregada. Ia e voltava a pé da labuta, queria poupar o dinheiro do ônibus para investi-lo em casa.   Há quase 30 anos Isabel Borges mora sozinha numa belíssima casa de dois pavimentos, com ares coloniais, encravada aos pés do Morro do Moreno, na Praia da Costa, Vila Velha. É um dos poucos exemplares a salvo do furor imobiliário que há anos varre o bairro. Para o deleite de Thor e Zuca, um amplo e verdejante jardim se estende pela entrada e fundos da residência. Pelo porte e localização, não é um imóvel acessível a qualquer mortal. Isso também suscitou diversos comentários acerca das atividades da militante. Ela diz que nem liga mais para boatos de como ela vive e se sustenta. Tem até preguiça de se explicar.   A casa liga-se à famigerada história da Loteria Federal, que há mais de três décadas abençoou o ex-marido. Foi na Americanas que Isabel conheceu o estoquista que seria seu futuro esposo. Já casados, mudaram-se para São Paulo. Na capital paulista, Isabel começou uma história efetiva com a Igreja Católica, atuando nas equipes de liturgia e canto.   Aí o destino deu mais uma de suas voltas: o marido fora demitido. Recebia um dos salários mais altos da empresa. Como era capixaba, veio para Vitória, tanto em busca de um recomeço quanto pela saúde de um dos filhos do casal. O menino sofria de asma e

19/08/2012 / 0 Comments
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Dona Isabel

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Com a boca aberta, a língua para fora e uma expressão grave, Zuca assiste ao espetáculo deprimente que seu companheiro protagoniza. Thor, um corpulento labrador amarelo-claro, de bem vividos sete anos, pusera-se de barriga para cima no chão frio da varanda. Vira, revira e desvira-se inquietamente aos pés da dona, como que implorando carinho ou demonstrando inteira submissão. Isabel faz-lhe uma festa e comenta: “Ele sempre teve problemas de pêlo, com carrapato. É preciso muito cuidado”. Isabel estava tranquila na iluminada manhã daquela quarta-feira (15). Como todos os dias, às 6h ela já estava de pé. O café da manhã também foi o de todos os dias: um pedaço de mamão, meia fatia de pão integral e uma xícara de café. Não parecia que dali a alguma horas, com um soberbo vestido e um xale a cobrir-lhe elegantemente o ombro esquerdo, ela seria agraciada com a Comenda Ewerton Montenegro Guimarães, durante a abertura da V Conferência Internacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que terminou sexta-feira (17) em Vitória. Concedida pela seccional capixaba da OAB, a comenda é um tributo simbólico aos que se destacam na defesa dos direitos humanos.   De certa forma, a mineira Isabel Aparecida Borges da Silva, 67 anos, foi homenageada pelo que não fez. Como alguns outros, o ex-secretário de Segurança do governo Paulo Hartung, Evaldo Martinelli, e a delegada do Núcleo de Repressão à Organização Criminosa (Nuroc), Fabiana Maioral, sabem o que ela fez. E, talvez, melhor que a própria Isabel, sabem o que ela não fez.   Em 2006, aos 25 anos de devoção à Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória, apaziguando ânimos, mediando conflitos, debelando rebeliões, evitando tragédias e salvando a pátria de secretários de Segurança e de Justiça, Isabel viu-se de repente enredada num pesadelo kafkiano.   Já leram O Processo? Igualzinho. Basta trocar poucas palavras de um dos inícios mais devastadores da literatura mundial: alguém certamente havia caluniado Isabel Borges, pois certa tarde ela foi acusada de uma série de crimes sem ter feito mal algum.   Durante os três encontros com a reportagem, Isabel enunciou inúmeros “por ques?”. Reação típica de quem foi tragada pela vertigem de eventos atrozes, gratuitos e sem sentido. Ela conta a história do bolo. Todo ano a Pastoral promovia uma festa de Natal para os detentos. Uma das atrações era sempre um irresistível bolo confeitado.   Mas certa vez na Casa de Custódia de Viana implicaram com o bolo de Isabel. Acusaram-lhe de rechear o interior com uma pistola ponto 40, razão pela qual os agentes, para o desgosto da confeiteira, queriam parti-lo. “Eu não queria que partisse o bolo. Eu queria que o bolo chegasse bonito lá dentro”, ri-se. A relutância de Isabel em violar a integridade física da iguaria foi, claro, interpretada como um indício de culpa.   Para a sorte dela, o bolo foi fatiado. Não havia nada além da combinação de leite, açúcar, farinha, ovos e manteiga. Ainda assim, foi indiciada. “Por que não me prenderam? Cadê a pistola? Cadê o que gerou essa acusação?”, protesta.   Isabel Borges nasceu em Lagoinha (MG), única menina entre quatro varões. O pai a chamava de “princesinha”. Era uma família carente, de uma “pobreza infinita”, como define Isabel. Quando tinha dois anos, os Borges se mudaram para a favela de Turiaçu, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Moravam num exíguo barraco. Os filhos todos dormiam perfilados numa cama de casal.   A mãe, dona de casa, era uma mulher crua, sem instrução, além de católica fervorosa. O pai, pespontador, era uma figura ambígua: sonhador, romântico e boêmio. Gostava de beber e dançar. Mas quando exagerava na dose, o que fazia com frequência, a esposa sofria. “Nunca esqueço uma cena dele quebrando tudo, xingando ela e ela limpando os cacos de vidro entre os dedos dele”, lembra.   Os homens da casa também sofriam com o destempero paterno. Mas na carne. Após 22 anos de uma turbulenta união, um dia brotou a gota d’água e a semente da revolta nasceu milagrosamente da resignação católica da mãe de Isabel. Ela juntou quatro filhos e se mandou para Belo Horizonte. Apenas um ficou, tinha que servir o exército. Quando deixaram a casa, Isabel lembra, já na rua, do choro lancinante do irmão que ficou.   Os cinco foram morar com três tias, irmãs da mãe e tão ou mais carolas que ela. Isabel tinha 13 anos. As dificuldades não cederam e Isabel viu que tinha que trabalhar. Arrumou um emprego de balconista nas Lojas Americanas. Foi subindo na hierarquia: virou subchefe de setor, depois chefe e, finalmente, encarregada. Ia e voltava a pé da labuta, queria poupar o dinheiro do ônibus para investi-lo em casa.   Há quase 30 anos Isabel Borges mora sozinha numa belíssima casa de dois pavimentos, com ares coloniais, encravada aos pés do Morro do Moreno, na Praia da Costa, Vila Velha. É um dos poucos exemplares a salvo do furor imobiliário que há anos varre o bairro. Para o deleite de Thor e Zuca, um amplo e verdejante jardim se estende pela entrada e fundos da residência.   Pelo porte e localização, não é um imóvel acessível a qualquer mortal. Isso também suscitou diversos comentários acerca das atividades da militante. Ela diz que nem liga mais para boatos de como ela vive e se sustenta. Tem até preguiça de se explicar.   A casa liga-se à famigerada história da Loteria Federal, que há mais de três décadas abençoou o ex-marido. Foi na Americanas que Isabel conheceu o estoquista que seria seu futuro esposo. Já casados, mudaram-se para São Paulo. Na capital paulista, Isabel começou uma história efetiva com a Igreja Católica, atuando nas equipes de liturgia e canto.   Aí o destino deu mais uma de suas voltas: o marido fora demitido. Recebia um dos salários mais altos da empresa. Como era capixaba, veio para Vitória, tanto em busca de um recomeço quanto pela saúde de um dos filhos do casal. O menino sofria de asma e bronquite.

19/08/2012 / 0 Comments
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Na briga entre Ferraço e Casagrande, presidente da Assembeia já tem 3 X 0

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  O recente embate entre o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), e o governador Renato Casagrande não foi um fato isolado entre essas duas lideranças desde o início de 2011. Na verdade essa é a terceira vez que o deputado dá uma reviravolta deixando o governador em maus lençóis. O primeiro embate entre Casagrande e Ferraço começou na eleição para a presidência da Casa no início de 2011. Mas é preciso voltar a 2010 para entender o que aconteceu. No final da legislatura passada, Sérgio Borges (PMDB) era o nome mais cotado para suceder Elcio Alvares (DEM) na presidência da Casa, mas uma movimentação de Ferraço conseguiu esvaziar a candidatura do peemedebista, tornando-se favorito para a disputa.   Casagrande, porém, começou a “cozinhar” o processo, dando a entender para os deputados que não queria Ferraço na presidência da Assembleia, o que acabou por esvaziar também sua candidatura. Diante da movimentação do governo, o próprio demista virou o jogo indicando o socialista Rodrigo Chamoun para a presidência. A iniciativa acabou lhe rendendo a vice-presidência. Com a ida de Chamoun para o Tribunal de Contas, ainda no primeiro semestre deste ano, uma nova movimentação governista em torno da eleição para o mandato tampão visava tirar Ferraço do páreo, mas desta vez, o deputado teria falado grosso e ganhou a presidência no grito.   Agora, a manobra para retornar a reeleição para a presidência da Casa, com a recondução de Ferraço, o que o colocaria à frente do poder durante o processo eleitoral de 2014, novamente colocou Ferraço e Casagrande em rota de colisão. Para alguns deputados houve erro dos dois lados, o governo porque não conversou com os deputados sobre o assunto e só se manifestou pela imprensa, e a Assembleia por ter colhido 22 assinaturas sem o conhecimento do governo. Mais uma vez, Ferraço tentou ganhar a peleja no grito, mas o que está em jogo desta vez pode dar à situação um desfecho   diferente. Aparentemente, depois de uma reunião esta semana, o clima de tensão tende a amenizar. De qualquer forma, se a eleição fosse hoje, Ferraço estaria reeleito e quem sairia derrotado da história seria Casagrande. Mas se a reeleição for discutida depois da eleição de outubro, o cenário pode ser diferente e a movimentação do plenário mudar. Os deputados precisam se unir ao governo, sobretudo os que têm base no interior. Se até lá Ferraço conseguir dar ao Legislativo um peso que restabeleça o tamanho do capital político da Casa haverá embate, se não, Casagrande poderá sair vitorioso.

19/08/2012 / 0 Comments
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Foco errado

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  A nota questionável da educação básica, divulgada esta semana, traz a coluna ao foco da educação novamente. Enquanto o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) aponta para a necessidade de melhorar o desempenho dos estudantes brasileiros na Olimpíada de Matemática diante do brilhantismo dos asiáticos e aponta para a importância dos esportes na formação do cidadão, os índices caem. Fiquemos na questão do ensino médio, competência do Estado. Na semana passada, a coluna destacou a linha distorcida e amplamente adotada nos oito anos do governo Hartung em relação à formação para o mercado de trabalho.   Talvez o ex-governador nunca tenha entrado em uma sala de professores para sentir o clima de hostilidade entre os professores do ensino básico (português, matemática e outros) com os da educação profissionalizante, que ganhavam mais pelo planejamento de aulas e participação do Programa de Educação Continuada (PEC). Enquanto isso, o governo prega a meritocracia, baseada nas notas de português e matemática, o que aumentava a pressão sobre esses profissionais. Melhorar a educação no governo passado, uma ideia que ainda persiste no governo atual, é informatizar as escolas, colocar quadros inteligentes, financiar computadores para professores e outros penduricalhos.   O ex-governador que gostava tanto de viajar, ver a experiência de outros países em várias áreas, bem que poderia ter dado um pulinho na Finlândia, para conhecer como funciona a melhor escola do mundo. Em 2008, a Revista Veja publicou uma reportagem sobre a escola Meilahden Yläaste, em Helsinque, a melhor do mundo segundo o ranking do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a publicação, o segredo da boa educação finlandesa não está no investimento tecnológico, e sim no currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras, além da formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico.   Da gestão do ex-secretário de Educação Lelo Coimbra (PMDB), cabe ao hoje deputado federal explicar ao Tribunal de Contas as irregularidades encontradas no período. Depois dele o ex-presidente do Bandes Haroldo Corrêa Rocha assumiu, e é de seu período o aumento do período das aulas, o que deixou muito professor sem almoço.   Do governo Paulo Hartung ficou a falta de valorização dos professores. São nove mil trabalhando em Designação Temporária. Em vez de aumento real, sistema de subsídio e bônus no fim do ano para equilibrar o balancete da aplicação dos 25% do Orçamento determinado por lei. Enquanto a educação for voltada para políticas de vitrine em vez da valorização dos profissionais e do currículo, a nota não vai subir.

18/08/2012 / 0 Comments
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Até o pescoço

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O deputado estadual Da Vitória (PDT/foto) está perdendo tempo em tentar justificar o injustificável sobre seu envolvimento nos episódios de corrupção no Iases/Acadis. As declarações dele na imprensa corporativa, além de não terem qualquer consistência, chegam a subestimar a inteligência da população. A questão não se resume ao fato de Da Vitória ou sua mulher serem ou não sócios das empresas envolvidas no esquema. Mas sim na movimentação do deputado estadual em fazer lobby para o projeto do colombiano Gerardo Bohórquez Mondragón, desde o primeiro mandato que exerceu na Assembleia, recebendo, em troca, contratos milionários e sem licitação para empresas em nome de seus familiares na Acadis Linhares, onde o deputado também emprega “afilhados”. Todos esses indícios, com provas mais do que evidentes, seriam singelas coincidências? Não brinca, deputado.      Até o pescoço II Já diz a expressão popular: na falta do que dizer, é melhor ficar quieto. Pois esse deveria ter sido o comportamento adotado por Da Vitória. A tentativa do deputado de levar a questão para o campo político, atribuindo a citação de seu nome nas investigações ao crescimento na intenção de votos a favor de sua candidatura a prefeito em Colatina (noroeste do Estado), chega a ser cômica. Mostra desespero.    Até o pescoço III O deputado, pelo visto, já tenta arrumar uma desculpa para a provável derrota que sofrerá no pleito. Até mesmo porque, em Colatina, todo mundo está careca de saber que a família de Da Vitória responde pelas empresas investigadas, inclusive sua mulher.  E mais ainda: que o deputado mudou de vida. E como!   Números Para o leitor ter noção do montante, é bom detalhar. Das empresas de familiares do pedetista na Acadis Linhares, a Capixaba Vigilância e Segurança recebe por ano 1.832.306,00, referentes a quatro contratos de terceirização. Já a Capixaba Assessoria Empresarial LTDA fica com R$ 293.960,40, para fornecer mão de obra de serviços à unidade. Tudo sem licitação, com aditivos que garantem a manutenção das empresas no esquema pelo prazo máximo permitido: cinco anos.    Mesma prática Quem entra no contexto em expediente semelhante é o juiz Alexandre Farina, que também viajou para a Espanha na companhia de Da Vitória e Mondragón, e ajudou a promover o colombiano no Estado. Assim como o deputado, Farina não responde pelo Grupo Fibra (empresas Fibra e Garra), também investigado, e sim seu irmão Cláudio Farina. A empresa de segurança, até dezembro de 2011, detinha contratos pomposos com a Acadis.    Mesma prática II O juiz Alexandre Farina, aliás, é bem conhecido pelo período em que atuou no município de Aracruz (norte do Estado), em favor da Aracruz Celulose (Fibria), no conflito com índios e quilombolas. Época em que um braço do grupo, a empresa Garra, ganhou um dos maiores contratos na área da transnacional.     Piada pronta O secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, ter a coragem de falar que foi pego de surpresa pela operação que comprovou a fraude milionária, é realmente demais. Uma afronta.    Estratégia E as cabeças entregues para o sacrifício começam a rolar. Os peixes pequenos, presos nessa sexta-feira (17), foram exonerados. Mas os tubarões continuam à solta.     Silêncio E como de costume, a classe política capixaba se cala diante de mais um escândalo.    140 toques “A casa caiu”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter)   PENSAMENTO: “Quem se compraz em ser adulado é digno do adulador”. William Shakespeare

18/08/2012 / 0 Comments
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Insônia

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  Acordou do primeiro sono, e os outros não chegaram. Tem coisa pior que uma noite insone e mal dormida em véspera de entrevista de emprego? Liga a televisão e não acha nada tão bom que o desperte de vez, ou tão ruim que o faça dormir, apesar das 200 opções do canal a cabo. Sem sono, nada como um livro na mão. Procurou na estante, esquecido de que não tem estante, quanto mais livros.   Olhou no kindle, e apesar das duas mil opções, nada acha que o despert de vez ou o faça dormir. O jeito é ir para o computador, tudo que não precisa em noite de pré-entrevista, Apesar das 20 mil opções do Facebook, não acha nada… até que alguém entrou em sua área de risco. Sonia, o nome. Em qualquer outra situação ignoraria… Mas está com insônia e o nome combina.   Abre o coração para uma estranha, amiga de amigos, contando que precisa dormir por causa de uma entrevista de emprego no dia seguinte. O emprego era do tipo que muda sua vida, e precisa mesmo mudar de vida. O casamento acabou e está sozinho, sem sono e sem emprego. Gostei do sozinho, ela diz.   Conta que também tem uma entrevista de emprego amanhã. Estranhas coincidências o acaso nos manda numa noite de chuva, diz. Pena que não chove, ela contesta. Ambos com insônia, ambos com uma entrevista de emprego, e o nome é Sonia. Seu provável futuro emprego também pode mudar sua vida? pergunta, como bem indica o ponto de interrogação no final da frase. Não muda muita coisa, acaba virando rotina, ela explica.   Sonia de quê, pergunta sem interrogação, pois acha que ela não vai responder. Sonia Dalmin Roger. Parece nome de casada, diz. Fui, mas como você estou em fase de reabilitação. Sozinha, sem sono e sem senso de humor, ele pensa mas não fala. Por que não toma um relaxante? Porque não tenho em casa. Nem eu.   E você, tem nome ou se esconde atrás de um pseudônimo? ela quer saber. Amado, Olavo Amado. Omitiu o de Jesus, uma humilhação. Não há quem não ria ou zombe, ou morra de pena quando lhe ouve o nome. Amado de Jesus, sem emprego, sem sono e sozinho? com certeza ela perguntaria. A mãe queria que ele fosse padre.   Vou pra cama ou amanhã estarei um lixo pra tal entrevista… Ela diz que vai também, e aconselha meditação, sempre ajuda. No estado em que anda minha vida, quanto mais medito pior fica. Ela joga uns rs, rs, rs, achando que é brincadeira. Não sabe da missa um terço, diria minha mãe, se ainda pudesse dizer alguma coisa.   Vai direto da insônia para a entrevista, e na sala cheia de candidatos que passaram a noite dormindo, procura alguém que possa se chamar Sonia e com cara de sono, mas coincidências nunca acontecem duas vezes, dizia o pai, que não o deixou ser padre.   Olavo Amado de Jesus! chama a secretária, e um repentino silêncio se faz no recinto. Segue para a sala que ela lhe indica, A Dra. Sonia vai atendê-lo.

18/08/2012 / 0 Comments
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Papo de Repórter Casagrande continua pagando a fatura das broncas de Paulo Hartung

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Renata Oliveira e Rogério Medeiros   O escândalo envolvendo o Iases aumenta necessidade de o governador Renato Casagrande se posicionar sobre os fatos que são graves e que vem de seu antecessor. Enquanto o socialista se cala, paga contas que não fez. Papo de Repórter analisa mais esse desgaste para o socialista.   Renata – Vamos falar sobre o quê?   Rogério – E há outra coisa a se falar senão os episódios de corrupção que finalmente começam a aparecer, e que remetem aos oito anos em que Paulo Hartung (PMDB) ficou batendo na tecla do crime organizado, sem dar os nomes? Ou melhor, ele se escondeu atrás desse slogan, para que não fossem reveladas as falcatruas de seu governo. Estão aí: começam a ser desvendadas pelo próprio aparelho policial. Era tão inevitável, que não dava mais para esconder, mas há ainda muita coisa para se revelar.   Renata – Em sua sentença sobre os crimes ocorridos em Presidente Kennedy, desbaratados pela “Operação Lee Oswald”, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa nos dá uma boa ideia do que vem por aí. Nada que nós aqui do Século Diário já não soubéssemos… Rogério – Esse caso que vem agora à tona, nosso editor José Rabelo já havia denunciado ainda em 2011. Ele relata nas reportagens, com farta documentação, o esquema de corrupção que teve início em 2006, em pleno governo Paulo Hartung.   Renata – Na sentença de Feu Rosa, ele aponta uma série de irregularidades ocorridas durante o governo que batem às portas do Palácio Anchieta. Vale destacar aqui, a questão da Delta, que está sendo represado para não alcançar a imprensa nacional, mas que algum momento a represa vai romper, como acaba de ocorrer, e como outros diques também começam a rachar. O ex-secretário da Fazenda José Teófilo tem ligação sanguínea com a Delta. A coisa era tão íntima que ele colocou o irmão como diretor da empresa no Estado. E mais, o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que é membro da CPI do Cachoeira, que já virou CPI da Delta, também tem que dar explicações, já que ele foi secretário de Agricultura e Transportes do Estado e lidou com contratos da Delta. O primeiro contrato da Delta no Estado é do “Caminhos do Campo”.   Rogério – Esse negócio do Ricardo Ferraço há controvérsias. Ele pode até ter entrado por aí, mas isso foi o cerne do governo Hartung. Não que eu esteja defendendo Ricardo Ferraço, mas a coisa entrou por uma licitação e depois é que a empresa vai para dentro do sistema, negocia uma diretoria para o irmão de Teófilo. Há um hiato entre a entrada da Delta na secretaria do Ricardo e quando ela vai para cerne do governo, com Teófilo, Neivaldo Bragato e o próprio Hartung. Tanto é que você vai encontrar em pleno governo Casagrande Neivaldo Bragato fazendo um aditivo em contrato da Delta com a Cesan, mesmo depois do escândalo da Delta com o Carlinhos Cachoeira. Na questão da CPI, Ricardo pode até ter uma atitude omissa e isso pode ser entendido como omissão proposital, porque ele pertencia ao governo. O que não justifica é a atitude do Foletto, que pulou fora depois de dizer que ia levantar a questão. Temos que lembrar também o escândalo da Secretaria de Saúde, que envolve falcatruas diversas da gestão de Anselmo Tozzi. Mais uma vez foi Século Diário que denunciou, em um trabalho do companheiro Nerter Samora, que se o governo de Casagrande tivesse o mesmo interesse que teve no caso de Roncalli, também já teria gente presa.   Renata – E por falar em Casagrande. Há um ditado de quem cala consente. Não estou dizendo que o governador tenha envolvimento com tudo o que estamos dizendo, longe disso. Mas o receio dele em entrar em atrito com o seu antecessor está fazendo com que ele pague um preço alto por contas que não foi ele quem fez. Ou Casagrande se posiciona em relação a essas questões, ou vai pagar um preço bem mais alto pela falta de atitude que o homem público tem que tomar.   Rogério – Veja o seguinte: nesse caso, tardou, mas ele tomou atitude. Mas uma atitude de legítima defesa, como quem diz “isso não é meu”. O que se assistiu na entrevista do delegado que apura o caso, Rodolfo Queiroz Laterza, foi algo que nem Kafka poderia produzir. Tem material tanto de Josias Da Vitória (PDT), quanto de Roncalli, mas disse que não poderia comentar a respeito. Deixou a impressão de que havia ordem para proteger a ambos. Agora, eu pergunto: o Roncalli vai continuar? Casagrande vai pagar essa fatura? Se você quiser estender o assunto: quando veio a bronca dos incentivos, que é um dos maiores escândalos da área financeira do Espírito Santo, Casagrande protegeu Hartung. Na questão da Delta, foi a mesma coisa, vem o governo dizer que os contratos estão totalmente regulares. Casagrande está pensando o quê da vida?   Renata – Eu, sinceramente, acho difícil o Roncalli cair. E isso vai ser muito prejudicial ao Casagrande. Tem que lembrar que a prisão foi feita pelo governo, ok, mas os mandados saíram do Tribunal de Justiça, tudo bem que é um mecanismo legal. Mas se a coisa do lado do governo vai parar nos lambaris, o tribunal já tinha tomado atitude, incluindo o caso na sentença do “Lee Oswald”. O presidente do tribunal já mostrou que não tem medo de colocar o dedo na ferida.   Rogério – Qual é a dívida de Renato com PH? Eu gostaria de saber. Teve a questão da reviravolta de 2010, que fez ele virar candidato de Paulo Hartung à força, por conta da movimentação nacional. Mas essa dívida parece ser impagável…   Renata – Tá saindo muito caro.   Rogério – A imprensa corporativa não falada nada sobre a desastrosa segurança de Hartung…   Renata – Na verdade a coisa começou pela saúde. Durante os oito anos de governo Paulo Hartung, a imprensa foi impedida de entrar nos hospitais

18/08/2012 / 0 Comments
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