O diretor presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Aladim Fernando Cerqueira, foi exonerado do cargo nesta segunda-feira (13). A medida, publicada no Diário Oficial do Estado, em meio a um momento de tensão entre servidores públicos, agradou aos funcionários do órgão. No lugar dele, assumirá o ex-secretário de Meio Ambiente da Serra Cláudio Denicoli. Aladim, entretanto, continua no governo, como subsecretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário, da Agricultura e da Pesca, na Secretaria de Estado da Agricultura (Seag). Para os servidores, Aladin Cerqueira trabalhava em prol dos grandes empreendimentos, ignorando a técnica e a ética dos servidores. Em greve desde o dia 9 de junho, eles alertam que a exoneração não foi uma solicitação do movimento, apesar de atender a anseio dos funcionários. As mudanças no órgão ambiental não garantem tranquilidade aos servidores. Segundo eles, as informações sobre o ex-secretário de Meio Ambiente da Serra ainda são superficiais e qualquer avaliação no momento seria precipitada. O próximo a deixar o Iema será o diretor técnico Fernando Aquinoga, conhecido entre os servidores por ser uma extensão das ações promovidas por Aladin Cerqueira dentro do órgão. A preocupação dos servidores é com o caráter político das indicações. Eles acreditam que o novo ocupante da vaga será indicado pelo DEM. Um novo cargo foi criado na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), para receber Fábio Ahnert, que respondia pela subsecretaria que será ocupada por Aladim. Ele exercerá o cargo de subsecretário de Estado Técnico de Meio Ambiente. Os servidores alertaram que a situação no órgão continua tensa. Eles ainda aguardam aguardam uma proposta da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) sobre as reivindicações da categoria.
Proposta quer alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente
Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados pretende modificar a Lei nº8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), determinando a internação por período superior ao que prevê a legislação vigente. O Projeto de Lei 3503/12, de autoria do deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB/SC), altera dispositivos do ECA para permitir o maior tempo de encarceramento de adolescentes que cometem atos infracionais de maior potencial ofensivo, mediante avaliação psiquiátrica semestral. Em tempos de unidades de internação superlotadas, a medida pode afogar o sistema socioeducativo. A coordenadora das Varas da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), juíza Janete Pantaleão, lamenta mais essa tentativa de alterar o ECA, que segundo ela sequer foi implementado efetivamente. Pantaleão afirma que os legisladores querem resolver problemas sociais criando dispositivos que criminalizam ainda mais a população. Para ela, é falta de respeito criminalizar ainda mais os adolescentes em vez de cumprir a legislação. Janete diz ainda que se os estados e municípios cumprirem o que determina o ECA, a repressão seria mínima. A magistrada completa dizendo que o Estatuto completou 22 anos em 2012 e não há disposição para dizer o que dele foi cumprido neste período. “Antes de se reformar qualquer coisa, primeiro precisa-se usar o que não foi feito com o ECA”, disse a juíza. O PL que está em análise prevê que o adolescente que comete ato infracional de alto potencial ofensivo possa ficar internado por um período que não poderá exceder a pena mínima prevista para o tipo penal equiparado ao ato infracional. Considerando que a pena mínima para crimes de maior potencial ofensivo é de quatro anos, o adolescente poderia ficar mais tempo encarcerado do que determina o ECA. Além disso, o projeto prevê que o adolescente passe por avaliação psiquiátrica a cada seis meses para fundamentar a decisão judicial. A magistrada classifica essas tentativas de alteração ao Estatuto como discurso vazio, formulado para criminalizar ainda mais crianças e adolescentes envolvidos, principalmente, no tráfico de drogas. A juíza ressalta que o envolvimento dos adolescentes no tráfico e uso de drogas tem raiz em um problema social que pode ser resolvido no âmbito dos estados e municípios. O Espírito Santo, segundo ela, dispõe de apenas 12 vagas para tratamento de dependentes químicos, para uma população de 3,5 milhões de habitantes, por isso, é necessário haver mais vontade política para evitar a entrada dos jovens no tráfico e uso, além de garantir tratamento para drogadição.
Lugar comum
A Índia sempre esteve de moda desde quando os Beatles descobriram o lugar propício para novas experiências de vida. Curioso que sempre os ingleses deram o primeiro passo em relação a ex-colônia. Nos anos 90 recapacitaram a região com inúmeros documentários e séries da BBC. Uma vez aceita como cultura exótica, os Estados Unidos passam a incluir em suas séries mais badaladas sempre um coadjuvante hindu. Se agora a Índia cresce e aparece como potência emergente do Brics acentua-se ainda mais a ressonância no mundo cultural. Viagem a Darjeeling (2007), Quem Quer Ser um Milionário? (2008) e agora O Exótico Hotel Marigold. Entretanto o país ainda funciona como um mundo alheio e exótico (como suscita o título) e fora da realidade eurocêntrica é sujo e subdesenvolvido. Vários idosos em distintas situações se veem obrigados a irem a Índia, seja por problemas de saúde, econômicos, ou afetivos. Se encontram com um paradigma que pode mudar toda a concepção de vida. Todos ficarão hospedados no Hotel Marigold, gerenciado por Sonny (o mesmíssimo Jamal de Quem Quer Ser um Milionário?), que, além de ter que reerguer o antigo hotel, deve mostrar a família de sua noiva que tem condições para casar. O diretor John Madden (Sheakspeare Apaixonado, 1998), chega na Índia assim como seus personagens, prepotente, preconceituoso e arrogante, como bom inglês. Utiliza sua câmera para mostrar a inferioridade do país, seja através de belíssimas cores exóticas, seja pela claridade excessiva do calor, seja pelo ruído constante da sujeira. Os únicos personagens que tentam sair da cultura inglesa são justamente os marginais, o gay Grahan (Tom Wilkinson) e a pobre Evelin (Judi Dench), que não mostram dificuldade em se afastarem de um mundo tão purgativo. Até o ator inglês Dev Patel (Sonny ou Jamal) se passa por indiano, para não entrar mais no mundo cinematográfico hindu (diga-se de passagem que Bollywood é a maior produtora de filmes do mundo). Uma forma de utilizar a cultura exótica aproveitando-se de clichês e menosprezando o mérito da alteridade. Nada que a cultura (dita) desenvolvida não tenha feito desde sempre. O começo dramático da trama já define bem o que se pode esperar de toda a narrativa, uma linearidade entrecortada pelos vários protagonistas, mas guiada de perto pelos veteranos Grahan e Evelin. Até mesmo o ambiente escuro/sóbrio típico da cultura se contrapõe à claridade/baderna da barbárie. A fotografia é o olho perverso do diretor que sujeita o alheio às formas predeterminadas de um cinema tão chato e velho como reflexo da população envelhecida e preconceituosa de um país que insiste num sistema político feudal com apoio a uma monarca caquética e simbólica de uma região prestes a cair a qualquer momento. A possibilidade de apreender algum ensinamento de uma cultura milenar se esvai na rigidez de uma trama tão simplória e banal, mesmo que para isso tenha que se repetir em quase uma dezena de histórias de cada personagem. A superficialidade ocidental mais uma vez se mostra superior (perceptivelmente falando) à diferença e complexidade de um oriente cada vez mais distante, mesmo que estejamos dentro dele, e vendo cada dia mais se aproximar de maneira acelerada, seja no cinema, tevê ou mesmo na vida cotidiana, com o aumento de restaurantes e produtos oriundos do outro lado do mundo. Serviço O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, Reino Unido, 2011, 124 minutos) John Madden Fox R$ 44,90 em média (a partir de 15/08)
Proporcionalmente, Estado é o terceiro em número de ex-prefeitos na eleição deste ano
Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), publicado nesta segunda-feira (13), no jornal Valor Econômico, 60% dos candidatos na eleição deste ano já estiveram à frente de administrações municipais entre 1997 e 2008, e tentam retomar o poder na disputa de outubro próximo. Minas Gerais é o estado com o maior número de ex-prefeitos na disputa, mas se avaliarmos proporcionalmente, pelo número de município em cada estado, o Espírito Santo, com 60 ex-prefeitos candidatos em um total de 78 colégios eleitorais, aparece em terceiro na corrida, com um percentual de 76,9%. Só na região da Grande Vitória, apenas o município de Cariacica não entra neste perfil. Na Capital, o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) concorre à eleição depois de dois mandatos à frente da prefeitura, entre 1997 e 2004. Na Serra, o deputado federal Audifax Barcelos (PSB) tenta retomar à prefeitura. Ele foi o antecessor do atual prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e por ele foi antecedido por dois mandatos. Se vencer a disputa deste ano, Vidigal somará mais quatro anos aos 12 que já acumula à frente da prefeitura da Serra. Em Vila Velha, o ex-prefeito Max Filho (PSDB) tenta voltar à prefeitura que comandou de 2000 a 2008. Em Viana, a deputada estadual Solange Lube (PMDB) tenta retornar à prefeitura depois de dois mandatos consecutivos entre 2000 e 2004. Em Fundão, a ex-prefeita Maria Dulce (PMDB) também tenta retomar o comando do município. Já em Guarapari, que também compõe a Região Metropolitana, o prefeito Edson Magalhães (PPS) tentará o segundo mandato. Mas há uma insegurança jurídica no caso, já que ele assumiu a prefeitura quando vice do antecessor Antonico Gottardo. Neste caso, também estaria disputando um terceiro mandato. O caso aguarda julgamento da Justiça Eleitoral.
Gastos com salários de membros do Ministério Público Estadual e policiais civis se equivalem
Enquanto os dados salariais de membros do Ministério Público Estadual (MPES) seguem desconhecidos do público, o total de gastos com promotores e procuradores de Justiça – único dado já divulgado – equivale ao custeio dos salários dos efetivos da Polícia Civil. Segundo dados do Portal da Transparência do MPES e do Estado, a instituição ministerial gastou R$ 153,14 milhões com salários e vantagens. No mesmo período, o gasto com os servidores efetivos da PC foi de R$ 174 milhões. A disparidade entre o número de servidores e o total gasto expõe as controvérsias em torno dos benefícios pagos no Ministério Público capixaba – único órgão dentro da administração pública que não divulgou as folhas de pagamento, como prevê a Lei de Acesso à Informação, em vigor há quase três meses. De acordo com as informações do MPES, o valor gasto apenas com subsídios – isto é, sem contar vantagens ou despesas com obrigações patronais – de procuradores e promotores foi de R$ 102,9 milhões em 2011. Até o final do ano passado, a instituição contava com 321 membros ativos – atualmente este número está em 317. No caso da Polícia Civil, o Espírito Santo possui cerca de 2,7 mil servidores entre delegados, agentes, investigadores e peritos espalhados em unidades em todo Estado. Apesar deste contingente de policiais, a instituição gastou pouco mais de R$ 174 milhões com pessoal. Deste total, aproximadamente R$ 139,27 milhões com efetivos, enquanto mais R$ 34,86 milhões atenderam ao pagamento de efetivos em funções gratificadas. Dentro do mesmo levantamento, os gastos no Ministério Público com exercícios anteriores, rubrica cujos pagamentos não são explicitados pelo atual modelo de divulgação, também se destacam entre os gastos de outros órgãos da administração pública. No ano passado, o MP capixaba pagou R$ 25,24 milhões aos membros somente neste tipo de compensação. Valor superior aos gastos com pessoal no período de órgãos, por exemplo, como a Defensoria Pública do Estado (R$ 20,09 milhões) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), este último em R$ 15,31 milhões.
Ações de aliados de Paulo Hartung são entendidas como recado a Casagrande
Uma série de movimentos dos aliados do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) mostra que a intenção é vencer a eleição deste ano e se fortalecer para a disputa eleitoral de 2014. Mas as ações vão além do comportamento do ex-governador: apontam também para outros campos de atuação. Dentro dessa movimentação, alguns atores ganham destaque. O presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), atua no desgaste do governador Renato Casagrande, estabelecendo uma crise entre o Legislativo e o Executivo. O governador, porém, não entrou no jogo de Ferraço e diminuiu o tamanho do imbróglio. Enquanto Theodorico parte para o ataque, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) e o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) entram em campo para dar a impressão de que se alguém está fora do grupo é Renato Casagrande e não o PMDB. Embora o senador diga que está unido com o governador, o posicionamento do pai dele mostra que a movimentação é para criar condições de Ricardo Ferraço ser o candidato ao governo pelo grupo, oportunidade que lhe foi tirada em 2010, com uma movimentação nacional entre PT, PSB e PMDB. Quanto à declaração de Lelo Coimbra, nesse fim de semana, também tem uma leitura interessante no mercado político. O deputado é um dos principais aliados de Hartung, mas nunca teve o aval de ser seu porta-voz. Além disso, o apoio do deputado a Casagrande em um momento em que Lelo tem problemas tanto no campo político quanto no Tribunal de Contas, mais prejudica do que atrapalha. Para completar, a movimentação de Hartung correndo os municípios e se aliando a palanques favoritos na disputa em várias bases aponta para uma movimentação que pretende tornar um ambiente favorável ao ex-governador. Vencendo a disputa deste ano, o ex-governador mede forças com Casagrande e sai vencedor, ganhando musculatura para a disputa de 2014.
Deserto vermelho
Uma história de amor pode tomar muitas formas. Em Retalhos, premiada graphic novel que colocou Craig Thompson entre os grandes nomes do quadrinho mundial, foi a história de um jovem que se viu preso entre valores religiosos e a força da primeira paixão. Em Habibi, é a saga de dois escravos fugitivos, unidos e separados pelo destino, vivendo no limite que separa a tradição da descoberta. Dodola, uma garota perspicaz e independente, foge de seus captores levando consigo um bebê. Eles crescem juntos no deserto, sozinhos em um navio naufragado na areia. Em meio a sentimentos cada vez mais conflitantes, os dois passam o tempo contando histórias. Assim, somos apresentados também à origem do islamismo e de suas tradições, conforme as narrativas se combinam numa trama de aventura, romance, filosofia e tragédia. Para contar a saga de Dodola e Zam, Craig Thompson recorreu ao Corão e às Mil e Uma Noites. Do primeiro, colheu o próprio estilo do livro, inspirado na caligrafia árabe, e também as narrativas do texto sagrado dos muçulmanos, recriadas pela pena do autor. Do segundo, tirou um cenário fantasioso, repleto de lendas e histórias, uma versão quase mitológica da nossa ideia de Oriente. Ambientado nos dias de hoje, Habibi não se passa em nenhum país conhecido. É uma terra igualmente fantástica e concreta, onde questões presentes se misturam a indagações ancestrais. Crítica social, questionamentos ecológicos, paralelos entre religião e amor: tudo encontra seu lugar nesta narrativa tão épica quanto particular. Fruto de sete anos de pesquisas e trabalho, Habibi é um monumento do quadrinho moderno e uma resposta atual a questões que nos perseguem desde sempre. Serviço Habibi Craig Thompson Companhia das Letras 672 págs R$ 57 em média
Juiz determina revisão de processosna Vara de Falência da Capital
O juiz Camilo José D'Ávila Couto, da Vara de Falência e Recuperação Judicial de Vitória, determinou a inspeção em todas as ações que tramitam no juízo que engloba os processos da Grande Vitória. De acordo com o edital publicado no Diário da Justiça desta segunda-feira (6), a revisão dos processos terá início na próxima segunda-feira (20). A última inspeção na vara que foi alvo de denúncias envolvendo a má gestão de massas falidas aconteceu há quatro anos. Na publicação, o magistrado determinou a devolução de todos os processos que estejam fora do cartório, no prazo de cinco dias. A única exceção são os casos em que as partes tenham sido intimadas para alguma manifestação. Durante a inspeção, as audiências e atos processuais não deverão ser postergados, informou D'Ávila Couto. A revisão vai ser acompanhada por representantes do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com dados da Corregedoria-Geral de Justiça local, a última inspeção na Vara de Falência da Capital foi realizada no ano de 2008. Desde então, o juízo tem sido alvo de denúncias de má gestão de massas falidas. Um dos casos de maior repercussão envolveu o advogado e ex-presidente do Banestes Paulo Roberto Mendonça França, que acabou destituído da gestão das massas falidas da administradora de consórcios Adec e da HSU Comercial Ltda (Eletrônica Yung). Em setembro do ano passado, o então titular da Vara, juiz Ademar João Bermond, considerou a conduta de Paulo França no interesse das massas falidas “altamente temerária”. Baseado no relatório de uma auditoria independente realizada nas contas das falências, o juiz indicou a possibilidade de fraudes que poderiam ultrapassar R$ 4 milhões. Após uma completa revisão dos processos, o magistrado apontou a não comprovação de pagamentos de honorários, utilização de documentos sem idoneidade para comprovar despesas, além da emissão de cheques nominais – da massa falida – que foram sacados na boca do caixa, sem o devido respaldo do juízo. Na época, o advogado negou as acusações e afirmou que todas as prestações de contas, ao longo de doze anos, foram aprovadas pelo juízo e Ministério Público, sem qualquer impugnação por parte dos credores e falidos.
Três agências vão dividir bolo de quaseR$ 50 milhões em verbas de publicidade
A Superintendência Estadual de Comunicação Social (Secom) divulgou, nesta segunda-feira (13), o resultado final da nova licitação de publicidade do governo do Estado. Mesmo depois das polêmicas que levaram o certame até a Justiça, três agências – apenas uma delas capixaba – vão dividir o bolo de quase R$ 50 milhões em verbas publicitárias nos próximos 12 meses. O total de gastos no setor pode chegar a até R$ 62 milhões, apenas nos cinco lotes contratados nesta concorrência. O resultado publicado no Diário Oficial confirmou as agências Ampla Comunicação (lotes 01, 03 e 05), de Pernambuco; a carioca Contemporânea (lote 02), e a capixaba MP Publicidade (lote 04) como vencedoras do certame. Juntas, elas devem dividir um total de R$ 2,5 milhões apenas em comissões pagas pelos veículos de comunicação. Apenas a agência pernambucana ficou com mais de um lote, terminando a disputa com três lotes arrematados. Ao todo, o edital prevê que o valor dos contratos chegue a R$ 49,89 milhões, pelo prazo de 12 meses – podendo alcançar cerca de R$ 62 milhões, considerando os possíveis aditivos. Na última semana, o governo definiu o valor da remuneração das agências responsáveis pela elaboração de peças publicitárias para várias secretarias e também para a preparação da prestação de contas do governo. Nos cinco lotes em licitação, o percentual oferecido pelas empresas ficou próximo ao teto designado pelo edital. No item, o desconto sobre custos internos permaneceu inalterado em 50%, enquanto os honorários sobre os custos de produção, juntos, caíram de até 15%, como previsto em edital, para 9%. Mesmo caso dos custos de serviços incumbidos a terceiros, que teve uma queda de 7% para 4%. Durante o transcorrer da licitação, cinco agências locais apresentaram recurso contra o julgamento das propostas técnicas – fase considerada decisiva no certame –, por supostos equívocos cometidos pela comissão responsável pelo certame. A entidade que representa as agências capixabas chegou a entrar na Justiça para suspender a contratação. Seguindo o exemplo do que ocorreu na licitação realizada no ano passado, a Secom decidiu fazer adequações de última hora e excluiu uma das agências que haviam saído vencedoras, no caso, a paulista Giacometti Comunicação. Neste caso, a Ampla acabou beneficiada com a vitória em mais um lote. Ao todo, 16 agências locais e nacionais participaram da disputa.
Os filhos de Touro Moreno
Escrevo esta coluna antes de saber se os dois filhos de Touro Moreno conquistaram o ouro olímpico, mas, mediante as circunstâncias, o simples fato de estarem disputando as Olimpíadas de Londres já lhes confere o direito de escreverem seus nomes com tinta dourada. Se o pai é um Touro, os meninos Esquiva e Yamagushi são bezerros de ouro, com tudo o que me permite a licença poética. Tenho convicção de que, mais do que homenageados, eles serão bajulados em sua volta para casa. As homenagens são justas e devem ocorrer, mas é de causar indignação o pouco caso que se faz do esforço de gente como esse pai e seus filhos, por puro amor ao esporte. Haverá muita gente hipócrita querendo aparecer ao lado dos meninos de ouro, os pugilistas que foram mais longe na história das participações do Brasil nos Jogos. Servílio de Oliveira conquistou o bronze em 1968 no México e nunca mais alguém conseguiu feito igual. Agora, os irmãos Falcão conseguem não apenas igualar, mas superar isso, pelo menos um deles, Esquiva, já havia garantido a Prata quando eu fazia esta reflexão, e o outro, Yamagushi, tinha assegurado o bronze. Será que aguardaremos mais 45 anos para que alguém brilhe nesse esporte, onde a técnica prevalece à fúria? Obrigatoriamente, fui remetido ao passado, quando eu era um jornalista iniciante. Havia acabado de chegar de minha “escola de correspondente”, que “cursei” por pouco mais de quatro anos em Alegre, aprendendo a profissão na base do erro e acerto quando ainda era menor de idade. Cheguei como Redator de Esportes em A Tribuna ao lado de um dos maiores profissionais de imprensa que conheci em minha trajetória (incluída a passagem pela grande imprensa do Rio), João Luiz Caser, que viera de O Diário e era o editor de setor na irrequieta Redação da Alberto Torres. Naquela ocasião, criamos, talvez, o mais ousado projeto da imprensa capixaba, nos tempos em que o telex imperava e o “fac-simile” era o maior avanço tecnológico de que a Redação poderia dispor. Fotos internacionais chegavam pelo serviço de radiofoto da UPI e da AP e sua recepção era controlada e limitada, porque o custo de cada foto era altíssimo. O noticiário esportivo era dominado pela Agência Sport Press, que não existe mais. Pois bem, naqueles tempos, com uma equipe enxutíssima, criamos o Caderno de Esportes de A Tribuna, que ainda era no formato “jornalão”. A gente escrevia feito louco. Carro era artigo de luxo. O estacionamento da empresa vivia às moscas. Tempos das máquinas de escrever, em que Gilson Félix escrevia com dois dedos, sem qualquer preocupação com a pontuação e, quando eu reclamava, ele datilografava todos os pontos, vírgulas, interrogações, ponte-e-vírgula, numa folha separada e me entregava para que eu “distribuísse como quisesse”. Eu era Redator, mas meu lugar sempre foi na rua, na escola em que me formei, por isso escrevia sempre uma a duas reportagens especiais todas as semanas. Naqueles tempos havia um cabra arretado, com história controversa de leão-de-chácara da zona de São Sebastião, na Serra. Mais que isso, a fama dele era de envolvimento com as drogas, por uso e venda. Pois me mandaram, moleque ingênuo do interior, entrevistar aquele sujeito, que todos conheciam como Touro Moreno. Um apaixonado pelo boxe, que desafiava a lógica para defender sua paixão. Colecionava mulheres e filhos na mesma proporção de seus sonhos de ser um grande campeão, alucinado ou não. Da forma mais direta possível, perguntei se ele “fumava maconha” (esse era, naqueles tempos, um fator de marginalização do indivíduo) com a mesma objetividade como perguntei a Castor de Andrade, em pleno Estádio Engenheiro Araripe, se ele era mesmo bicheiro e mafioso. Assim como Castor, Touro apenas sorriu. Mas eu gostei mesmo da história dele e, nesta semana, quando não se fala de outra coisa a não ser a performance de seus filhos em Londres, recordei isso ao Caser, que é o Diretor de Jornalismo da Rede Tribuna. Touro era um esportista marginalizado, mas dávamos a ele muito espaço. Fiz matéria especial com ele, que naquela época já morava de forma muito modesta. A situação era-lhe difícil, o que não impedia que ele amasse o boxe e as muitas mulheres. E sonhasse. Era o tempo de Éder Jofre terminando a carreira e Touro Moreno insistindo em manter a sua. Graças a esse destaque que lhe demos, Touro conseguiu realizar uma luta contra um campeão brasileiro. Perdeu por pontos, mas a gente percebia que o campeão havia, de certo modo, poupado o veterano. Touro Moreno passou a vida inteira sonhando com a glória no boxe, o que consegue, agora, através de seus filhos. É curioso ler o depoimento de Esquiva Falcão de que foi colocado nos eixos pelo pai quando, na adolescência, desiludiu-se com o boxe foi vender drogas. Antes da polícia, foi Touro quem o pegou e endireitou. Coisa de pai, que conhecia muito bem esses descaminhos. As condições em que vive Touro Moreno, e como preparou seus filhos para serem campeões, demonstra bem que, se alguém tem glória nessa história, ela somente pertence a ele, como pai, e aos seus filhos, que aceitaram seus conselhos. Ninguém mais tem o direito de querer tirar uma casquinha na glória dos bezerros de ouro de Touro Moreno. Portanto, revoguem-se, liminarmente, todas as tentativas nesse sentido. Tudo o que fizerem por eles agora será pouco diante da projeção que deram ao Estado. Pelo menos, acordem para a realidade de que o esporte, seja a modalidade que for, é a forma mais barata e efetiva de se dar uma chance de inserção e projeção social a todas as camadas sociais. Touro Moreno é o mentor, Esquiva e Yamaguchi os realizadores do maior feito do esporte capixaba em todos os tempos – nem tanto pelas medalhas de Londres, mas por transformarem em ouro as cinzas da vida dura que sempre tiveram. Bravo, Touro! José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia. Escreve