O chamado movimento estético pós-moderno no qual a fotografia se insere de maneira decisiva, tem sido avaliado pelo ponto de vista estratégico para se firmar, principalmente no mercado, estabelecendo novos parâmetros estéticos. Passa, entre outras características, pela opção de transformar tais valores estéticos em entretenimento. Como consequência, é um movimento voltado para o mercado, por ser capaz de gerar lucros. Seguindo esses padrões, os museus ao redor do mundo passam a abrigar exposições pouco convencionais, como de vestidos de noivas e de artistas famosas capazes de atrair bom público e muito dinheiro. Os salões do tipo Bienal de São Paulo estão cada vez mais sendo engolidos pelos feirões do tipo Basel Art, onde compradores são disputados ferozmente por galeristas e marchants. O cinema é onde essa estética se mostra mais claramente perceptível. A renda semanal do filme é medida com precisão matemática, para determinar por quanto tempo o filme vai permanecer em cartaz. É a estética conservadora do politicamente correto, que abomina a rebeldia dos movimentos anteriores. Repudia o sexo, substituindo-o pela violência pirotécnica em 3D, mais simples de ser compreendida, proporcionando um retorno rápido e lucrativo. O problema desse modelo estético é uma cruel insatisfação, pois existe a constante necessidade do próximo lançamento, da próxima grande novidade. Uma obesidade intelectual insaciável que confunde o real com o virtual; banaliza a violência e a coloca sentada ao nosso lado dentro de nossas salas. Não existe nada mais simples de ser entendido que a violência, ela é parte de nosso DNA, não exige nenhum esforço mental. A violência domina os noticiários atuais, domina o cinema, e também está presente na arte. O grande problema é quando surge alguém incapaz de distinguir o real do virtual, e incapaz de receber ou dar amor, que repudia o sexo e resolve lavar uma sala de projeção com sangue, tal como numa cena de um filme pós-moderno. A imagem da semana é Juscelino Kubitschek se protegendo da chuva. Belo Horizonte, 1952, do fotógrafo Rodolfo Rocha, do Jornal Tribuna de Minas. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
A grande família
Tão opaca quanto a transparência do Estado é crítica do presidente do Tribunal de Contas Estadual (TC-ES) Carlos Ranna ao Portal da Transparência do governo estadual, chamando de “opaca” a ferramenta do governo. Bem, vamos lá. Quatro órgãos ficaram de fora desse pacote da “transparência”: Cesan, Banestes, Bandes e Ceturb. Pode ser coincidência, pode não ser, mas das quatro, hoje três são comandadas por figuras que têm ligação umbilical com o ex-governador Paulo Hartung. A Cesan, com Neivaldo Bragato; o Banestes, com Bruno Negris; e o Bandes, com o mais novo amigo de infância de PH, Guerino Balestrassi. Interessante ainda que o próprio Ranna é da “família PH”: lembremos que, antes de ser conselheiro, Ranna foi o auditor-geral do governo Hartung. Que coisa, não? Tem mais… Está lá no Portal da Transparência. O ex-secretário estadual de Saúde do governo PH, Anselmo Tozi, aparece como médico da Sesa com vencimentos de R$ 4,735,39 (os dados vão até junho deste ano). Uma pergunta: Tozi não é o atual Diretor de Administração e de Meio Ambiente da Cesan? A questão é pertinente porque concebe outra: ele vai acumular os dois salários, de médico e de diretor?Uma dúvida que tem de ser sanada. Pindaíba Finda nesta quinta-feira (2) o prazo para os candidatos de todo o Brasil apresentarem a primeira parcial da prestação de contas de campanha. Do jeito que as coisas vão no Espírito Santo, nossos candidatos terão pouca coisa a apresentar. Jogo manjado Desgastado após ter “miado” a manobra da PEC da reeleição, o presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa está recorrendo a um jogo mais velho que andar para frente. Agora que está em baixa, ele anunciou a formação de comissão para tratar do pagamento dos 11,98% devido aos servidores da Assembleia. Conta outra, Ferraço. Estraga-prazeres O governador Renato Casagrande vetou o projeto de lei do deputado estadual Marcelo Coelho (PDT) que declara de utilidade pública estadual a Associação dos Produtores Rurais e Pecuaristas de Santa Rosa e Comunidades Vizinhas, de Aracruz. Seria um afago que Marcelo faria em possíveis eleitores, já que é candidato a prefeito de Aracruz. A voz do coração Dia desses o senador Ricardo Ferraço (PMDB) postou no twitter: “Super boa sorte pra minha conterrânea Larissa e pra Juliana, do vôlei de praia! Cachoeiro bem representado em #Londres2012”. Como bom cachoeirense, Ricardo puxou a sardinha pro seu lado. Mas a questão é que a jogadora de vôlei de praia Larissa França deve estar enjoada de dizer que “só” nasceu no Espírito Santo. Criada em Belém, ela se considera paraense de coração. Portanto, senador, esqueça Cachoeiro – sabemos, é difícil – e ouça o coração da moça. Cliente… Cliente do Banestes procurou uma unidade para pagar em dinheiro uma cobrança de outro banco. Foi informado que o procedimento não poderia ser efetuado e foi-lhe sugerido outros meios. O cliente não gostou e buscou a ouvidoria, que lhe enviou uma carta com as razões do gerente. …pra quê? E o gerente assim arrematou-as: “Caso o cliente não se sinta satisfeito com o nosso atendimento, sugiro procurar uma unidade mais próxima”. Ok, o Banestes pode estar com a razão, nem sempre é possível proceder segundo os desejos da clientela. Mas as palavras do gerente foram um tanto temerárias, não? Boa saída Demorou bastante, mas a Prefeitura de Vitória deu uma bela solução para aquele trevo em que se encontram a Rua Humberto Martins de Paula, a da saída da Terceira Ponte, e a Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, em direção à Assembleia Legislativa. Aqueles horrorosos gelos baianos foram removidos e deram lugar a um projeti que, além de ter ficado legal, deu mais fluidez ao trânsito naquele trecho, que fica, às manhãs, bem movimentado. Olé! Ruy Baromeu, da Rede Sim de Rádio e Televisão, deu um tombo na Rede Vitória, afiliada da Rede Record no Espírito Santo. Ele ficou com o R7, o portal de notícias da Record News. 140 toques “… Mas, com certeza, pratico o trabalho, pratico o respeito e a responsabilidade com a coisa pública. (…)”. O deputado estadual e candidato a prefeito de Vila Velha Rodney Miranda (DEM). Quando secretário de Segurança, no período de Paulo Hartung, esse respeito e responsabilidade não forma lá muito praticados, não. Pensamento “Ser um homem bom e um bom cidadão não é sempre a mesma coisa”. Aristóteles
Identidade
Há dois movimentos do governador Renato Casagrande que buscam estabelecer, a partir de 2013, a identidade de seu governo. O primeiro é relativo à sua movimentação nos meios políticos no período pré-eleitoral, buscando manter a unidade da base, que garante sua governabilidade. O segundo movimento tem relação com o resultado da eleição, que deve mudar o modo de governar do socialista. Diante da evidente disputa paralela entre o governador Renato Casagrande e seu antecessor, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), pelo espaço político no cenário capixaba, o desempenho dos aliados de Casagrande pode estabelecer uma nova relação de forças no Estado. Mudança que pode e deve refletir para dentro do governo. Hoje a gestão partilhada entre Casagrande e o grupo de Hartung deixou a gestão sem uma identidade com o governador. A tendência é que essa divisão seja superada aos poucos, dando lugar à marca Casagrande. Não que isso exclua Hartung do projeto político do socialista, até porque ele foi parte importante do palanque de Casagrande em 2010. Casagrande foi eleito com a bandeira da continuidade, o que não significa, e isso começa a ficar claro para os meios políticos, que haja uma submissão do governador a seu antecessor. O que deve acontecer é um fortalecimento de Casagrande no cenário político, tomando ele o lugar de líder em substituição a Hartung. Mas, lembrando, tudo isso depende do desempenho eleitoral dos aliados do governador na disputa de outubro próximo. Casagrande planta um importante alicerce para seu palanque à reeleição em 2014. Se Hartung vai aceitar ser apenas parte desse projeto e não o capitão do barco, isso é que não se sabe. Mas a grande questão é se ele terá condições de chegar a 2014 em condições políticas de questionar seu papel no projeto político em curso. O ex-governador tenta equilibrar o jogo na disputa eleitoral deste ano e vem correndo o Estado em busca de fortalecimento, mas os desgastes políticos vão muito além das urnas. Fragmentos: 1 – Os deputados voltaram ao trabalho, mas com a ressaca do recesso parlamentar, mostrando que o ritmo deve cair, mesmo com as promessas de manter os trabalhos na eleição. 2 – Todos os quatro projetos de lei oriundos de mensagem governamental, submetidos ao Plenário nesta quarta-feira (1), continuam com prazo regimental em comissões da Casa. 3 – O presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), voltou a falar sobre os 11.98%, mas na Casa há um sentimento forte de que a dívida com os servidores do Legislativo vai mesmo virar precatório.
Ruralistas na cabeça
Este ano não poderia ser melhor para a bancada ruralista do Congresso Nacional e para o setor do agronegócio. Não bastassem as alterações no Código Florestal, o meio ambiente sofreu mais um golpe duro, tendo novamente como protagonista o governo Dilma Rousseff. A portaria que estipula regras para as terras indígenas, colocando em risco as demarcações em todo o País, é mais do que absurda. Representa anos de luta para fazer valer os direitos constitucionais dos índios jogados na lata de lixo, movido por interesses econômicos e políticos. Cheira à encomenda. As investidas contra o território indígena, todos sabem, é coisa antiga. As comunidades tradicionais representam um entrave à expansão do agronegócio no País, o que sempre deixou os ruralistas em pólvora e decididos a limar de vez esse incômodo obstáculo. No ano passado, a questão ganhou novo fôlego após ter sido ressuscitada a PEC 215, depois de 11 anos. Objetivo era tornar as terras indígenas da alçada do Congresso. Os parlamentares teriam o poder de decidir sobre esses territórios. Mas a matéria nem teve sua tramitação concluída e o governo federal já tratou de fazer as honras da casa. A portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), atende perfeitamente aos anseios ruralistas, ao piorar a já caótica situação de reconhecimento e demarcação de terras indígenas no País, que caminha a passos de tartaruga e regada a muitos conflitos agrários. Ao determinar que sejam revistos os procedimentos de demarcação em curso e até mesmo os já finalizados, o governo federal deixa sem qualquer segurança jurídica os povos indígenas do País. Como se isso fosse pouco, permite ainda que o poder público intervenha sobre intervenções nas terras indígenas, sem consulta prévia – nem aos índios, nem à Fundação Nacional do Índio (Funai). Desde que essas obras sejam consideradas “estratégicas” pelo Ministério da Defesa e o Conselho de Defesa Nacional. Ou seja, tome hidrelétricas e estradas! Para se dobrar ao pleito dos grandes empresários, o governo federal se valeu de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de três anos atrás, sobre a Raposa Serra do Sol, em Roraima. Que, diga-se de passagem, ainda não transitou em julgado e nem tem efeito vinculante. A história é tão descabida que o próprio STF já havia negado o pleito da bancada ruralista nesse sentido. O governo federal, pelo contrário -desculpem-me o linguajar -, “abriu as pernas”. Para isso, bastaram algumas reuniões a portas fechadas e acordos no estilo uma “mão lava a outra”. Os encaminhamentos dados à questão ambiental no País não deixam qualquer dúvida de quem dá as cartas no governo Dilma. Muito estrago ainda há de surgir.
O desafio dos municípios
Novos gestores municipais serão eleitos neste ano. Junto com eles, novos legisladores. Talvez não tenhamos, ainda, a felicidade da depuração total dos quadros políticos, e acho que nunca a conseguiremos, mas o aprendizado democrático avançou muito, principalmente porque o Judiciário resolveu entrar em campo e dar sua ajuda republicana. Havia um sentimento de que o crime compensa na política. E sempre haverá quem arrote que isso não vai dar em nada. Se eu estivesse no lugar desses ignóbeis, não teria tanta certeza e colocaria a barba de molho. Existe vontade política de um grupo de pessoas de bem para que a bandalha não prospere. Do outro lado, resta à sociedade compreender o novo momento e juntar-se a ele. Não precisa fazer adesão institucional, porque eu também não me iludo muito com isso, uma vez que as instituições tomarão os rumos das ideias de seus dirigentes, e eles passam. Falo de aproveitar a onda e surfar nela. Uma prática muito comum na política brasileira é tomar a população refém fazendo benesses com o dinheiro público. É o exemplo clássico de Presidente Kennedy, onde somente o dinheiro dos royalties do petróleo daria para pagar R$ 800,00 a um professor para cada habitante, mas o município amarga índices lamentáveis de desenvolvimento humano. A se levar pelo “clamor público”, entretanto, tudo ficaria como dantes no quartel de Abrantes. Um antigo oficial da PM capixaba, estudioso de Nicolau Maquiavel, gostava de aplicar uma ideia adaptada do conselheiro da monarquia da península itálica: o povo conspira com quem o protege. No sistema republicano, se o Estado não faz isso de forma equânime e justa, não faltam pequenos emires para assumirem o imaginário coletivo do coronel, do paim, do caudilho. Kennedy é típico porque, em vez de estrutura para libertar o povo, os dirigentes políticos criaram esquemas para aprisionar a cidadania debaixo do balaio. Mas chutaram o balaio de gatos em que aquilo se transformou, com a conivência de pretendentes a “sheiks” do petróleo que povoa nosso subsolo em quantidades ainda por se calcular. Quero deixar uma única proposta de mudança de rumo para os novos gestores que vêm por aí: invistam na educação. Não estou falando daquilo que se convencionou chamar de educação, a das escolas de adestramento mental e de transmissão de conhecimento, mas da educação verdadeira, a que vem do berço. Vai mudar esse País quem ousar investir na base, na família, criando programas que reensinem a homens e mulheres a serem pais e mães verdadeiros, a construir bases de valores éticos para seus filhos. Estou falando, mesmo, do essencial na nossa cultura judaico-cristã: “ensina o menino no caminho em que deve andar e, mesmo depois de velho, não se desviará dele”. Falo não de arroubos populistas, mas de programas de governo, política de Estado, como tão bem foi aplicado o programa de proteção social que vem se aperfeiçoando em nível federal. Para quem não gosta, quero somente contar uma historinha que vivenciei há poucos dias, quando estava voltando do Norte do Estado e dei uma carona a um cidadão de São Domingos do Norte para Colatina. Puxei conversa e ele contou-me sequer saber escrever o nome, mas é um eficiente e confiável trabalhador em fazendas da região, gozando de total confiança de seus patrões e ganhando um salário que tem gente com diploma debaixo do braço que não ganha, até porque boa parte está desempregada ou subempregada para não passar vergonha. A despeito de um circunstancial desajuste familiar, que está sendo “ajeitado”, falou com orgulho que a mãe de seus filhos não trabalha. Fica em casa cuidando dos três e vivendo do Bolsa Família e do que ele manda para contribuir nas despesas de casa. Os três filhos, certamente, têm futuro mais promissor do que viver da proteção social do Estado brasileiro, porque estão todos estudando e avançando, ano a ano. É a condição para que a família receba o apoio financeiro. Será que os que condenam esse tipo de política costumam pelo menos abrir seus carros de luxo para vivenciarem a experiência dessa gente humilde e digna, e abrir seus ouvidos para saber sua história, antes de acharem que o governo está criando uma horda de vagabundos, porque está tirando do sistema capitalista “a força de trabalho” das mães que ficam em casa, para cuidar dos filhos? É bom a gente observar, ouvir e pensar antes de emitir juízos preconceituosos, antes de conhecer. A companhia daquele senhor negro “pagou” minha viagem.
Rede na varanda
Nossos profundos sentimentos a quem mora em apartamento. Nessas tardes frescas de inverno, as receitas de vida longa e felicidade eterna recomendam uma rede na varanda. Mas não valem varandas de apartamento; estas são debuxos melancólicos de suas irmãs caseiras; são frias e impessoais; e costumam dar para paredes vizinhas, janelas vizinhas, copa, cozinha, sala, quarto e intimidades vizinhas. As mesmas receitas recomendam que homens, mulheres e crianças esparramem seus corpos por toda a extensão de uma rede na varanda. Dos oito aos oitenta a vida hoje não absolve ninguém. Daí a importância de uma rede na varanda. O sofá da sala lhe espera; mas o controle da TV também lhe faz plantão. Se o anjinho sapeca da tentação lhe espicaçar a alma, solicite reforço: provenha-se de um livro, um mp3 player ou um chá de hortelã (quente). E siga para a rede na varanda que vai ficar tudo bem, prometo. Obs.: extraordinariamente a dica vale tanto para quem tem por lar um apê ou uma casa – os momentos mais agudos da vida não permitem discriminações de tal natureza. Isso não é uma apologia à preguiça; é uma elegia à vida. A rede na varanda dá para a rua – isso se você não mora numa dessas fortalezas modernas. Você pode distribuir seu corpo de modo a lhe permitir a observação da vida ao entorno, o vizinho que passa, a folha que cai, o chato do marimbondo que voa cada vez mais perto e ferroada de marimbondo não é legal… Não obstante os marimbondos – que Jah os proteja e a nós não desampare – rede na varanda é um inegável refúgio de vida. Você pode se acomodar com sua querida barriga para cima e desfrutar o céu lá em cima. Tomara ainda que haja urubus; às vezes eles voam em altitudes tão insondáveis que lembram inanimados risquinhos negros fazendo cócegas nos pios pés do Criador. Se a vista dá para oeste, tanto melhor. Se o dia for aberto, você verá a tarde minguando. Quando o sol começa a se esconder atrás das casas, árvores e morros, a borda do horizonte ganha um tom esparsamente branco; parece que o decorrer da tarde não é nada mais que um lento processo de empalidecimento do frágil azul do céu de inverno. Ali o dia cerra os olhos e, como bom filho de Deus, vai dormir. Se o dia estiver nublado – coisa mais natural no inverno – tanto faz que sua varanda contemple o leste ou o oeste. As nuvens são boas amigas. Portanto, meu amigo, minha amiga, se você tem casa e, ainda por cima, uma rede na varanda, nossos cumprimentos. Percalços existem para todos; mas a nós, especialmente, a vida nos será boa e suave.
Da arte de não dormir
Considerando as milhares de opções de lazer e trabalho que a vida moderna nos oferece, dormir nos dias de hoje é um desperdício. Com tantas maravilhas abarrotando as prateleiras das lojas, exigindo nosso tempo e atenção, por que ainda nos atamos a esse costume do tempo das cavernas, quando os primeiros humanóides dormiam porque não tinham nada que fazer na escuridão da noite? Dormir, hoje, é um desperdício de vida útil. Pense nas vantagens de não dormir – maior aproveitamento da alta tecnologia posta à nossa disposição; mais interações sociais no facebook. Quantas vezes dizemos, ou ouvimos alguém dizer, Ah, queria ver esse filme mas não tive tempo… Eu ia lhe ligar, mas não deu… Preciso aprender mandarim, mas só quando o dia tiver 30 horas… Tempo é uma energia estática, e não sabemos controlá-lo ainda. O melhor que se pode fazer é não desperdiçá-lo. Médicos e cientistas insistem nas tradicionais oito horas de sono diárias para a saúde e o bem estar, mas isso pega bem para crianças, não para marmanjos. Não que elas precisem, realmente, mas o que seria de nós se os filhos não dormissem? Estaríamos condenados a ver Bob Esponja a noite toda. Sabemos o quanto esses pixotes dominam o cenário doméstico, e não importa o número de TVs na casa, eles controlam os controles remotos. Eu tenho a força? Pois sim! Médicos e cientistas se enganam; a ciência é inconstante. Todo dia descobrem que velhos preceitos e preconceitos estavam errados. Olha o ovo e o café… O hábito de dormir vem na herança genética desde que o homem aprendeu a controlar o fogo e pôde descansar. Mas o corpo se acostuma com tudo, bem sabemos. Tem gente que vive no Polo Norte, tem gente que vive no Saara. Tem ricos ficando pobres, tem pobres ficando ricos. Conheço uma pessoa que não dorme desde os sseis anos, e já chegou aos 60. Nada mal, pois muita gente que dorme muito viveu menos. Dormir ou não dormir também obedece a essa dinâmica – tem que se adaptar a um novo estilo de vida, tal como se aprende a eliminar gorduras e açúcar da dieta para perder peso. A palavra chave então é descanso. Precisamos de oito horas de descanso para o bom funcionamento do corpo e da alma, não de apagar totalmente numa espécie de morte reversível. Esse é o filão que a medicina moderna está deixando escapar – ao invés de gastar bilhões com remédios para dormir, devia investir em remédios para não dormir. Ninguém precisa dormir no ponto, esperando a indústria farmacêutica acordar para a realidade. Existem técnicas de não dormir que se pode pôr em prática para aproveitar mais a vida; pequenos truques para ajudar sua reeducação. Converse com seu corpo – seu cérebro é o mestre, o senhor absoluto da massa operária de ossos e órgãos abaixo dele. Diga, não estou com sono, não tenho tempo para dormir. Mantenha as luzes acesas, o computador e a televisão ligados, o som a todo volume. Dance ou faça ginástica nas hora mais insólitas. Saia, frequente bares , festas noturnas, ande com gente que não costuma ir pra cama antes das cinco da manhã. Não use suas 24 horas de vida útil em mais trabalho; nem pense em arranjar um emprego noturno. Pense em lazer e diversão. Pense em todos os livros chegando às livrarias, todos os filmes chegando nos cinemas, todos os emails que não tem tempo de abrir, quanto mais responder… Faça o que gosta, e verá que o sono, esse mau hábito rudimentar, não combina com a vida moderna.
Em férias
Jornal papel
Tive acesso a um material sobre a utilização da imprensa jornalística de papel, face aos meios tecnológicos de comunicação atuais, ou seja, o jornal versus internet ou mesmo televisão. Nele, vários estudiosos, pensadores e pesquisadores do papel da imprensa analisam profundamente, a ainda importância da imprensa “argumentativa”, que só é encontrada nos jornais tradicionais espalhados pelo mundo. E é justamente ou tão somente na comunicação política que esse aspecto mostra seu peso e sua liderança perante a opinião publica de qualidade. Segundo opiniões diversas, abalizadas ou não, tanto o rádio e a televisão dependem de dados, temas e contribuições opinativas desse jornalismo sério que os jornais tradicionais mostram. No linguajar mais popular, fica difícil ou supérfluo fornecer informação precisa, confiável ao público necessitado de direcionamento, sem uma imprensa que mostra formação de opinião, principalmente política. Nesse aspecto de seriedade informativa, a internet é o principal destaque, o principal acesso, mas com um pormenor fundamental aos argumentos descritos até aqui. Mas como? Não são os jornais tradicionais? Sim, são eles, mas em suas versões “ON LINE”, quer dizer, se está ali na web, já foi escrito em papel e publicado simultaneamente. Por outro lado, a gama de informações despejadas pela internet por blogueiros de plantão e até nas redes sociais são consideradas sem efeito no tocante a uma informação mais apurada, mais opinativa, mais formadora de opinião, e isso só os sites dos jornais tradicionais propiciam. E quem é mais assíduo a essas informações? O próprio Estado. Ele se considera policiado com a imprensa política argumentativa, formadora de opinião. Bem fez Thomas Jefferson, ao colocar numas das emendas da tradicionalíssima Constituição América a Liberdade de Imprensa. Parabólicas O Iate Clube do ES agora tem uma rádio na web para manter informado seus associados. Responsável: Nero Neto. Luis Cláudio Casado mantém todos os discos (CD’s e Vinis) que arrematou das rádios de Vitoria em ambiente climatizado. A volta do Estrelinha de Cachoeiro à “elite” do futebol capixaba motivou as equipes esportivas de rádio de lá. Elas vêm com tudo. Quem só vê Globo pela frente, este perdendo a Olimpíada de Londres, exclusividade da Record. Mensagem final Acredito que nenhum homem ou mulher sensatos creia que a imprensa seja ou deva ser cerceada ou ameaçada. ( … ) A democracia representativa jamais tolerará a supressão de notícias verdadeiras por determinação do governo. Franklin Delano Roosevelt
Emissão de poluentes entra na pauta de debate em Vitória
O Grupo de Trabalho Interinstitucional – GTI Respira Vitória se reúne no dia 14 agosto para discutir novos padrões para as emissões atmosféricas na cidade de Vitória. O objetivo é criar padrões de monitoramento e licenciamento mais rigorosos que a legislação ambiental e, sobretudo, compatíveis com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para isso, o debate será norteado pelas informações debatidas no recente Seminário Respira Vitória, de iniciativa do vereador Serjão Magalhães (PSB). Na ocasião, o vereador alertou para a necessidade de revisar, com base em amplo debate técnico, os padrões vigentes de monitoramento da poluição atmosférica e aumentar o rigor sobre a emissão de poluentes no ar da cidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Capital capixaba é campeã na concentração de dióxido de enxofre (SO2) por metro cúbico na atmosfera, o que tornam as mudanças de padrões ainda mais urgentes. Com a concentração de 17 microgramas de enxofre por metro cúbico de ar, 13 a mais do que a cidade de São Paulo, os moradores de Vitória estão sujeitos ao surgimento de doenças respiratórias, assim como o agravamento das mesmas. O mesmo estudo também indica altos índices de Partículas Totais em Suspensão (PTS) e de Partículas Inaláveis (PM10) e são estes os poluentes que mais afetam a saúde da população. A informação é que na cidade de São Paulo a redução das emissões ocorreu através da redução dos níveis aceitáveis para as emissões de partículas no ar e do investimento na ampliação do serviço de fiscalização. Neste contexto, o grupo conduzido pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal e pela Frente Parlamentar Ambientalista de Vitória, contará também com a representação de instituições municipais, estaduais, federais e sociedade civil organizada para a realização do debate. Para Serjão, é lamentável que a cidade ainda apresente índices elevados de poluentes no ar, visto que esta é uma discussão antiga no Estado – desde 1977, a medição da quantidade e a qualificação dos poluentes na Grande Vitória são cobradas por ambientalistas do Estado. Em 2011, o Ministério Público Estadual (MPES) chegou a cobrar do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) que novos parâmetros para a emissão de poluentes fossem estabelecidos para o Estado, porém, sem sucesso. Ao todo, as onze instituições que compõem o GTI-Respira Vitória e seus respectivos representantes são: Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória – SEMMAM; Secretaria Municipal de Saúde – SEMUS; Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – IEMA; Secretaria de Estado de Saúde – SESA; Ministério Público do Estado do Espírito Santo – MPES; Universidade Federal do Espírito Santo – UFES – Departamento de Engenharia Ambiental; Conselho de Defesa do Meio Ambiente de Vitória – COMDEMA; Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Vitória; Representação das Associações de Moradores do município de Vitória junto ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo – MPES; Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo – FINDES; Procuradoria Geral do Município de Vitória – PGM.