Casos de “violência extrema” registrados em 2022, em Aracruz e Vitória, integram relatório nacional do MEC O Grupo de Trabalho de Especialistas em Violência nas Escolas, formado pelo Ministério da Educação, divulgou o relatório “Ataques às Escolas no Brasil: Análise do Fenômeno e Recomendações para a Ação Governamental“. O estudo, que reúne dados de 2002 a 2023, aponta que o Espírito Santo registrou dois ataques de violência extrema nas escolas, que deixaram um total de 17 vítimas. O Estado ficou atrás somente do Rio de Janeiro, com três ataques, que resultaram em 27 vítimas, e de São Paulo, com sete ataques, vitimando 31 pessoas. Os três primeiros colocados protagonizaram alguns dos ataques violentos a escolas de maior proporção nos últimos anos. No caso do Espírito Santo, destaca-se o ocorrido em Aracruz, no norte, em 25 de novembro, quando um adolescente, ex-aluno da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Primo Bitti, adentrou a escola armado, atirando, depois fez o mesmo no Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), um colégio privado. Ao todo, quatro pessoas morreram e 12 ficaram feridas. No Rio de Janeiro, foi o ataque a uma escola do bairro Realengo, na capital, em 2011. Um ex-aluno fez 12 vítimas fatais e mais 12 ficaram feridas após o criminoso disparar vários tiros, tendo como alvo a cabeça das meninas e o corpo dos meninos. Em São Paulo, o caso de grande repercussão foi na cidade de Suzano. O crime, cometido por dois ex-alunos, resultou na morte de cinco alunos e dois funcionários. Tanto em Realengo quanto em Suzano os criminosos cometeram suicídio. O outro ataque ocorrido no Espírito Santo que consta no relatório foi em agosto do ano passado, quando Henrique Lira Trad, de 18 anos, pulou o muro da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Éber Louzada, em Jardim da Penha, e ameaçou professores e estudantes com uma balestra, deixando uma criança ferida. O jovem, ex-aluno da unidade de ensino, foi contido por policiais militares e também foram encontrados com ele facas, bombas caseiras, flechas e coquetel molotov. A professora da EEEFM Primo Bitti e integrante do Fórum Antifascista do Espírito Santo, Leilany Santos Moreira, recorda que além dos ataques violentos, também aconteceram algumas tentativas, que foram impedidas. Uma delas foi este ano, em uma escola pública em Guarapari. Um aluno tinha um plano de atacar a escola onde estudava, mas foi impedido pela Polícia Federal (PF). Com o rapaz, foram encontrados material neonazista e armas. Outro plano frustrado, lembra Leilany, foi em Aracruz, também este ano. Em uma escola particular, um estudante portava desenhos com plano para atacar o colégio. Segundo o relatório “Ataques às Escolas no Brasil: Análise do Fenômeno e Recomendações para a Ação Governamental”, ocorreram 36 ataques violentos a escolas no país desde 2002, o que resultou na morte de 49 pessoas e 115 feridos. Conforme mostra o documento, o índice tem crescido vertiginosamente nos últimos. Em 2021, foram registrados dois ataques. No ano de 2022, sete. Neste ano, até o momento, 16. Insegurança O crescimento, acredita Leilany, tem relação com a política armamentista e o discurso de ódio contra as escolas, os professores e as mulheres, capitaneado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores. “Ainda tem parlamentares, inclusive no Espírito Santo, que em vez de fazer projetos para proteger os professores, querem criminalizar, propondo a instalação de câmeras nas escolas para vigiar o trabalho desses profissionais, acusando-os de doutrinadores”, critica. A professora afirma que o clima que paira nas escolas capixabas é de insegurança. “Nós temos medo de estar nas escolas, mas não por causa dos alunos, e sim, pelo descaso do governo com a educação e dessa caça às bruxas”, diz, acrescentado que o debate sobre a violência nas escolas não vem sendo realizado, o que faz com que os estudantes abordem o assunto, muitas vezes, de forma “equivocada”. Leilany relata que nos jogos escolares, em uma partida de futsal em Linhares, norte do Estado, o time da EEEFM Primo Bitti perdeu uma partida. Um dos jogadores do time vencedor publicou nas redes que eles haviam vencido a escola onde “aluno mata professor”, o que causou desconforto nos estudantes da escola de Aracruz. “Para quem já está fragilizado como os alunos da Primo Bitti, isso é uma violência muito grande. Pelo comportamento do menino, se vê que apesar de o assunto não estar sendo debatido, ele está na cabeça dos estudantes”, avalia. Ela também faz críticas à gestão de Renato Casagrande (PSB). A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) elaborou uma cartilha sobre violência nas escolas, mas se, a participação da comunidade escolar em sua construção. Além disso, embora o ano letivo já esteja chegando ao fim, o material ainda não chegou nas unidades de ensino e não há orientação sobre como utilizá-lo.
Serra receberá pela primeira vez Marcha da Juventude Negra
Felipe Lima, do Fejunes, afirma que decisão de sair da Capital é para abranger outras regiões que também têm registrado violências Pela primeira vez, a Marcha contra o Extermínio da Juventude Negra não será na Capital, Vitória. A 16ª edição tem como tema “Antes que a bala perdida me ache” e ocorrerá no próximo dia 18, na Serra, município mais populoso do Espírito Santo. O trajeto abarcará os bairros Ourimar II, Vila Nova de Colares e Feu Rosa, áreas onde “a juventude negra foi e ainda é afetada pela violência”, como destaca o presidente do Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), Felipe Lima. A concentração será às 14h, no centro comunitário do bairro Ourimar II, onde haverá apresentação do bloco Coisa de Negres. Depois, seguirá pelas as comunidades de Vila Nova de Colares e Feu Rosa. Nesta última, a marcha será encerrada com o Festival da Cultura Negra. De acordo com Felipe, depois da edição de 2022, no Território do Bem, o Fejunes recebeu várias provocações sobre o porquê de não realizar a marcha em outras regiões, o que motivou a mudança. Ele destaca que 16 anos se passaram desde a criação da marcha, mas a realidade ainda é de racismo e extermínio da juventude negra. “Queremos jogar luz a esse problema, que não pode ser jogado para debaixo do tapete”, pontua. Normalmente, a marcha acontece em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. No ano passado, a data foi alterada devido à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2023, pelo segundo ano consecutivo, também não será no dia tradicional. A mudança, desta vez, foi porque o 20 de novembro cairá na segunda-feira. Felipe ressalta que fazer a marcha em um dia de semana no Centro de Vitória, onde ocorreram a maioria das manifestações até agora, é diferente de realizar na região de Ourimar II, Vila Nova de Colares e Feu Rosa. Ele salienta que manifestações em dia de semana e, consequentemente, o congestionamento do trânsito, são mais comuns nas vias da Capital, enquanto os moradores da região escolhida para este ano não estão habituados com isso. Além disso, explica, realizar na segunda-feira seria impossibilitar a participação dos moradores das comunidades, pois estariam trabalhando no momento da realização da marcha e a ideia é que eles participem do evento. Anuário da Segurança Pública Os dados do Anuário da Segurança Pública, divulgados em setembro último, confirmam a fala de Felipe, quando disse que, passados 16 anos da realização da primeira marcha, a juventude negra continua sendo exterminada. Realizado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o levantamento mostra que as principais vítimas de homicídios dolosos no Espírito Santo em 2022 foram negros e homens, com índices de 82% e 91%, respectivamente. Considerando a faixa etária, 52% tinham idade entre 15 e 29 anos. Os brancos totalizaram 15% das vítimas e sobre outros 3% não há informações de raça. Apenas 9% eram mulheres. Ao todo, foram 1 mil crimes desse tipo no Estado, o segundo menor dos últimos 10 anos. O menor foi em 2019, quando foram registrados 987. O maior foi em 2012, com 1,6 mil. Do total de vítimas de 2022, a maioria, 51%, não tinham passagem pela polícia. O restante, 49%, tinha. Nove delas faziam parte da comunidade LGBTQIA+; 11 eram pessoas em situação de rua; três policiais militares; quatro estavam detidas em regime fechado; quatro no semi-aberto; e seis eram taxistas ou motoristas de aplicativo. Homens negros foram as principais vítimas de homicídios dolosos em 2022 – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/homens-negros-foram-as-principais-vitimas-de-homicidios-dolosos-em-2022
Campanha eleitoral para Reitoria da Ufes entra na reta final
Votação será nesta quarta-feira, com duas chapas disputando a preferência da comunidade acadêmica Divulgação/Ana Luz O período de campanha do processo eleitoral para escolha de reitor e vice-reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para o quadriênio 2024-2028 está em seus últimos dias. A pesquisa informal ocorrerá nesta quarta-feira (8), das 7h às 22h, em todos os campi universitários. Poderão votar quase 30 mil pessoas, dentre professores, técnicos administrativos e estudantes regularmente matriculados na graduação (presencial e a distância), pós-graduação (doutorado e mestrado), e residências médica e multiprofissional. Nesta eleição, duas chapas do campo progressista disputam a preferência. A “Chapa 10 – Nossa Ufes: Incluir, Construir, Transformar” tem como candidato a reitor Eustáquio de Castro, professor do Departamento de Química e vice-diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE), e como vice, a professora Sonia Lopes Victor, do Departamento de Teorias do Ensino e Práticas Educacionais. O bloco representa uma continuidade do grupo ligado ao atual reitor, Paulo Vargas. Posicionando-se como oposição à Reitoria atual, a “Chapa 20 – Ufes+” é encabeçada por Edinete Maria Rosa, professora do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento e diretora do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN), e tem como vice Maria Lúcia Teixeira Garcia, docente do Departamento de Serviço Social. Durante a campanha, a “Chapa 10” buscou abarcar mais apoiadores dentro da própria comunidade acadêmica. Já a “Chapa 20” evidenciou que possui entusiastas entre representantes de movimentos sociais e figuras que ocupam cargos políticos. Uma delas a professora Ethel Maciel, secretária nacional de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) – candidata mais votada na pesquisa informal de 2019, mas preterida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O resultado oficial da pesquisa será divulgado em 6 de dezembro, e a definição da lista tríplice de nomes para a escolha do presidente Lula ocorrerá em 11 de dezembro. Debates e clima quente Nas últimas semanas, o clima esquentou entre os candidatos após a realização dos quatro debates nos campi universitários e postagens nas mídias sociais. Uma das controvérsias foi a divulgação de um vídeo no perfil de Instagram da “Chapa 20”, na qual um integrante da coordenação do Movimento dos Atnigidos por Barragens (MAB), Heider Boza, declara apoio a Edinete e alfineta o bloco concorrente. “Não tem como nós, atingidos pelo maior crime ambiental da história do nosso país, apoiarmos uma reitoria chefiada pela Fundação Renova, fundação privada criada para ser uma laranja, uma testa de ferro das criminosas Vale e BHP”, disparou Heider. Houve reclamação da “Chapa 10” e solicitação da Comissão Coordenadora da Pesquisa Eleitoral (CCPE) para remoção do vídeo, mas a “Chapa 20” recorreu. O vídeo chegou a ser retirado, mas voltou ao ar após conversa e esclarecimentos junto à CCPE. Na própria postagem, há reações à fala de Heider. “Absurdo este depoimento dado por este rapaz! Quem não trabalha arduamente no PMBA e não conhece a verdade do histórico deste projeto fala estas inverdades. Jamais fomos coniventes com nada, nem com reitoria, nem com Renova e nem com presidente algum. Fico estarrecida com este depoimento absurdo e irreal. Acordem, eleitores. Temos muito orgulho por fazermos parte deste projeto que tem tido excelentes resultados ambientais e sociais. Lamentável!”, criticou uma professora da Ufes. Pesquisa informalO processo eleitoral para os cargos de reitor e vice-reitor universitários é baseado em uma pesquisa informal com a comunidade acadêmica. Entretanto, o resultado final é definido pelo Colégio Eleitoral, composto por integrantes dos três Conselhos Superiores da Universidade, que indicam uma lista de três candidaturas. Uma delas é sancionada pelo presidente da República, que não é obrigado a nomear a chapa mais votada na pesquisa. Nas últimas décadas, tradicionalmente, o presidente vinha acatando a decisão da maioria da comunidade acadêmica, mas isso não se repetiu a partir do governo de Jair Bolsonaro. No Espírito Santo, a chapa formada pela professora Ethel Maciel foi a mais votada em 2019, mas não sancionada por Bolsonaro. Situação semelhante se deu em diversas universidades e institutos federais do Brasil. A expectativa agora é para saber se o presidente Lula retomará a tradição de acatar a escolha da comunidade acadêmica. Em reunião com reitores de universidades e institutos federais realizada em janeiro, conforme noticiado na imprensa nacional, Lula prometeu que respeitaria a autonomia das instituições.
Coletivo trabalha para organizar campo político progressista no sul do Estado
Encontro com movimentos populares em 2024 é um dos planos da União das Esquerdas Sul Capixaba Demétrius Julice A União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc), coletivo que atua em quatro cidades do sul do Espírito Santo, planeja a realização de um encontro de movimentos populares no início de 2024, em Cachoeiro de Itapemirim. Essa é uma das estratégias para organizar o campo progressista na região, em ano de eleições municipais. “A ideia é reunir sindicatos, associações, partidos, coletivos e movimentos em geral, para que possam se conhecer, dialogar e colocar suas demandas. Queremos, ainda, focar muito em formação política, trazendo uma formação marxista para essa galera que entrar na disputa do campo. A Uesc não é um partido político, mas também servimos como um espaço para dar apoio e divulgar candidaturas de esquerda”, afirma Marcelo Gobbi, um dos coordenadores da Uesc em Itapemirim. Itapemirim é um dos municípios onde a presença da Uesc está mais consolidada. O coletivo está envolvido nas lutas contra o fechamento de escolas rurais e o desmonte na rede municipal de ensino. Cachoeiro e Marataízes são outras duas cidades com coordenações da Uesc, que também se organiza em Guaçuí. “Temos militantes individuais em outras cidades, como Piúma, Anchieta e Rio Novo do Sul, mas sem organização consolidada. Para 2024, queremos intensificar a atuação nos lugares onde a gente já está presente e nos organizar de vez onde estamos começando o trabalho, como em Guaçuí”, explica Gobbi. Batizada inicialmente como “Progressistas Maratimbas”, a Uesc surgiu no primeiro semestre de 2021, com o intuito de reunir militantes de Marataízes e Itapemirim para a defesa da democracia e o combate ao bolsonarismo. Naquele contexto de pandemia de Covid-19, o grupo pluripartidário, declarava seguir “os ideais e propostas da corrente política de esquerda, como a defesa da vacinação para toda a população, auxílio econômico suficiente para as famílias se manterem, a valorização do serviço público e da saúde e educação públicas e universais”. “Após a eleição de 2020, eu fiquei frustrado com a ausência de um trabalho de base na região, e decidi criar um grupo de WhatsApp com todas as pessoas de esquerda que eu conhecia. ‘Progressistas Maratimbas’ era o nome do grupo, mas depois fizemos uma votação e ganhou ‘União das Esquerdas Sul Capixaba”, relata Marcelo Gobbi. Demétrius Julice Em seu primeiro ano, a Uesc organizou as manifestações contra Bolsonaro em Marataízes e Cachoeiro – neste último município, ocorreu a maior delas, em maio de 2021. Ainda durante a pandemia, o coletivo distribuiu marmitex para pessoas em situação de vulnerabilidade social, em Itapemirim e Marataízes. E também passou a realizar ações de limpeza nas praias da região, três vezes ao ano. Além da questão das escolas, em Itapemirim, a Uesc também atuou, este ano, em manifestações para a retomada de transporte público escolar. “Em Marataízes, nós nunca precisamos ir pra rua fazer manifestação, porque o prefeito (Tininho Batista, sem partido) é ex-presidente do PT e a gente tem um diálogo maravilhoso. Então, a gente reivindica e geralmente atendem”, afirma Marcelo. Organização e relação com partidos A Uesc ainda não é organizada juridicamente, mas elabora seus estatutos para formalizar o grupo. Uma das questões colocadas foi a implementação de dois coordenadores em cada município onde atua, sendo uma mulher e um homem. Em Itapemirim, Claudia Carvalho está na coordenação junto com Marcelo Gobbi. “Foi uma ideia que tiramos da Rede Sustentabilidade. Buscamos aplicar as melhores ideias dos partidos e movimentos”, comenta Marcelo. Naturalmente, militantes da Uesc assumem posições em partidos políticos e encampam candidaturas. Marcelo e Claudia concorreram, respectivamente, aos cargos de vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em 2020, e deputada estadual pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em 2022. Recentemente, os dois fizeram parte da debandada da Federação Frente Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) rumo ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que constituiu seu diretório em Itapemirim. “Recentemente, nós fizemos uma reunião para reformular a estratégia de atuação mediante a nova conjuntura. Decidimos que, a partir de agora, o coletivo deverá ter uma tomada mais política de fortalecimento do campo, proporcionando encontros e reuniões de formação e dando suporte a outros movimentos políticos. A ideia da Uesc hoje é ser uma ponte dentro campo. A organização tomou muito protagonismo quando os partidos de esquerda não estavam organizados. Agora que estão um pouco mais fortalecidos na região, a ideia é dar suporte para esses partidos e movimentos”, resume Marcelo Gobbi.
Crime e castigo
Criança naqueles tempos não tinha vez nem voz Prefeitura de Alegre Eu ainda criança, na minha alvissareira cidade de Alegre, curtindo meus doces primeiros sonhos, e de repente minha pacata Avenida Comandante Barata, hoje Rodriguez Alves, é abalada por um vândalo ou vândala jogando pedras nos telhados da vizinhanças. Muitas pedras, na verdade. Não pequenas, minúsculas pedras, como aquelas que se usava no jogo das cinco pedras, muito popular na época – mas grandonas, perturbando o sossego e quebrando as telhas. Isso em tempo de chuvas copiosas. * Os ataques persistiram por dias e semanas, e não sei por que – ou ninguém me explicou – todos me acusavam do delito. Talvez porque as pedras nunca eram atiradas no nosso telhado, mas mesmo assim, tinha mais duas irmãs morando na mesma casa. As vizinhas me cercavam em suas portas quando eu passava – “É você, tenho certeza!” Meus pais me punham de castigo, “Se não parar com isso, vai ficar sem cinema domingo!” * Cinema, naqueles idos, só aos domingos, condicionado a bom comportamento e boas notas. Na caderneta escolar as notas boas eram azuis, abaixo de cinco eram vermelhas. Quem tirasse muitas notas baixas era chamado de comunista. “Juro que não sou eu!” jurava eu, mas ninguém me ouvia. “Por que eu? Alguém viu pra me acusar?” Mas todos insistiam – “Só pode ser você!” E como as pedras continuavam caindo, meus pais me puseram de castigo na despensa, que com a lâmpada queimada ficava escura, mesmo durante o dia. A pequena janela pouco clareava, mas nos permitia ver os quintais dos vizinhos sem sermos vistos. * E foi assim que assisti, estupefata, a vetusta vizinha, senhora bem casada e bem comportada, cheia de filhos já crescidos, se debruçando sobre nossa cerca para fiscalizar nosso quintal – vazio a essa hora da manhã. E não vendo ninguém, Boom! Pegou uma pedra numa pilha escondida em baixo do tanque e a atirou certeiramente no telhado oposto! Nem acreditei nesses olhos que a terra há de comer! Ou não, que talvez eu deixe uma ordem por escrito para ser cremada…ou canonizada, eternamente encerrada debaixo do altar de Santa Eduvirfes na igreja matriz de Alegre. * Quase sem fôlego, atropelando as palavras, corri pra contar pra minha mãe – “Mãe, é a Dona X que tá jogando as pedras!” Mamãe ficou brava, “Deixa de ser mentirosa e volta já pro seu castigo!” Criança naquele tempo não tinha voz, não tinha crédito, não tinha vez. Mesmo assim ela foi pra despensa fazer plantão, esperando…Até que a respeitável senhora chegou para prarticar o esporte de atirar pedras no telhado alheio. * Mamãe convocou as demais vizinhas, e na manhã seguinte nossa pequena despensa ficou lotada, uma reunião com bolo e biscoito de polvilho regados a suco de groselha – antigamente era o que se bebia: suco de groselha. As madames ficaram espremidas no pequeno compartimento, meio que duvidando mas esperando…como se espera o trem, o bonde, que bicho que deu no jogo do bicho, o resultado do campeonato entre o Rio Branco e o Comercial, o aumento do salário, o mundo acabar. Só que, diferente do aumento do salário que nunca chega, a vizinha por fim veio se exibir diante da incrédula plateia. * Deixei bem claro que criança naqueles tempos não tinha vez nem voz. Portanto, a) ninguém veio me agradecer ou me enaltecer por ter solucionado o crime hediondo; b) ninguém me pediu desculpas por ter me acusado injustamente; c) ninguém me contou o que aconteceu com a vizinha. Cujo nome aqui não revelo, não por discrição, mas porque esqueci. Correram boatos de que o marido deu-lhe uma surra, mas continuando com meus castigos na despensa, nunca ouvi gritos vindos na casa ao lado.
Os monumentos populares mais famosos do Espírito Santo
Professor da Ufes Aparecido José Cirillo fala sobre monumentos “espontâneos” que viraram ícones de cidades capixabas Tigrão de Guarapari, Papi-Hoo…esses são dois de vários monumentos populares, chamados também de “espontâneos”, que fazem sucesso em municípios do Espírito Santo e se tornaram ícones em algumas cidades, como conta o professor do Centro de Artes da Universidade Federal do Estado (Ufes) Aparecido José Cirillo, coordenador do Laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes (Leena). No programa Raiz Capixaba, ele mostra e comenta esses e outros exemplos de monumentos espontâneos, seus significados e histórias, e fala também sobre a reprodução de miniaturas de alguns deles por meio de impressora 3D e seu possível uso pedagógico. — * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
‘Aldear’ a ciência para descolonizar o mundo, conclamam indígenas
Ufes tramita com proposta de seleção específica para estudantes indígenas ingressarem na graduação Arquivo Pessoal “Aldear” a política, “aldear” a academia, “aldear” o mundo. O termo está cada vez mais presente nos discursos em defesa da diversidade étnica e cultural e do respeito aos direitos dos povos originários, os maiores guardiões dos conhecimentos ancestrais que, nos atuais tempos de crise climática, se mostram fundamentais para impedir a tragédia absoluta. Terras Indígenas demarcadas são os territórios onde a floresta tropical se encontra mais protegida, ao lado das unidades de conservação de proteção integral. O que a sociedade não-indígena vai conseguir construir a partir desse fato pode ser crucial para a sobrevivência da humanidade. A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem avançado em seu “aldeamento” em 2023. Depois da formatura da primeira turma do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena Tupinikim e Guarani (Prolind), em junho último, agora aprecia uma minuta de resolução que objetiva instituir o programa de vagas suplementares para estudantes indígenas, por meio de processo seletivo específico nos cursos de graduação presencial, a exemplo do que já acontece em outras universidades federais do país, como a de Brasília (UnB), de São Carlos (UFSCar) e de Minas Gerais (UFMG). A expectativa de criação dessa política na universidade capixaba é alta entre as comunidades Tupinikim e Guarani de Aracruz, no norte do Estado, onde quem deseja cursar uma graduação tem a opção do Prolind ou de ir para outros estados para ingressar em cursos. No atual da Ufes, os desafios de permanência já são grandes, porque é preciso vencer o preconceito que ainda existe por parte dos estudantes não-indígenas e as barreiras culturais impostas pelo ensino básico hoje oferecido aos povos indígenas. A primeira turma do Prolind/Ufes levou oito anos para se formar, com 70 alunos. Dilzeni Vieira, da aldeia Pau Brasil, é uma dessas pioneiras. Educadora e liderança indígena, ela também integra o grupo que trabalha na proposta levada para a reitoria da Ufes. Ela conta que as aulas aconteciam presencialmente no Polo de Oceanografia da Ufes em Coqueiral de Aracruz, perto das Terras Indígenas de Santa Cruz. Apesar da proximidade, o que facilitou a questão do transporte, residência e alimentação, a turma atravessou a pandemia de Covid-19, no início, sem a vacinação, com mais dificuldades que a dos estudantes não-indígenas. “A vacina demorou a chegar nas aldeias e nós precisávamos preservar nossos familiares, tínhamos contato com nossos anciãos. As aulas foram suspensas e fomos voltando de forma remota, até tudo se normalizar”. Studio Casa Produções Voz A condição de mulher e mãe acrescenta outras camadas no desafio. “Eu, como mulher, mãe e trabalhadora, é mais difícil. Mas é uma oportunidade que eu abracei, estudar e me formar, para unir a nossa cultura com a ciência. Isso é muito importante, nós mesmos termos voz para falarmos de nós, como povo. Ter igualdade de falar com o não-indígena que tem o conhecimento colonial, ter voz mesmo”. A oferta de mais cursos, na Ufes, tende a ampliar essa voz e a descolonizar o pensamento, afirma. “O conhecimento cientifico adquirido fortalece o desejo de ocuparmos os espaços. Independente do curso que o indígena cursar, ele vai falar da sua cultura. Seja na arquitetura, na Medicina, no Direito. Vai enriquecer o conhecimento tradicional e também o científico”. Os ‘parentes’ A distância de casa, quando é preciso sair do Espírito Santo, aumenta consideravelmente os desafios de inserção de estudantes indígenas na academia, como relata Taylane Tupinikim, da aldeia Pau Brasil, estudante do segundo período de Ciências Sociais na UFSCar. “No início foi assustador, porque a gente que mora em comunidade, tem um círculo familiar. Quando decide sair, se desliga desse meio, não tem apoio, fica carente. O que me confortou aqui é que a gente acaba encontrando outros parentes. Porque hoje, por mais que seja dito que existe uma diversidade de indígenas no país, quando a gente chega na universidade, encontra aquele olhar desconfiado, ‘será que vai entender o que o professor diz’, ‘vai conseguir acompanhar?’. O apoio que a gente tem é encontrar outros parentes nas universidades, um dá força para o outro”, descreve. Arquivo Pessoal O objetivo de levar a voz indígena para todos os cantos da academia, no entanto, é o mesmo. “A gente vem para a universidade com intenção de voltar e trabalhar em prol do povo, porque é carente. A maior parte da nossa história, saúde e educação é de pessoas de fora, o branco que faz, que publica. A gente não tem, na maioria das vezes, alguém próprio indígena que faça isso. Então entrar no campo da universidade é para isso, para ter voz ativa e autoridade de fazer publicações a gente mesmo. A gente não tem antropólogo Tupinikim. Eu vim para fazer essa formação e voltar para aldeia e trabalhar nessa área. A gente precisa ocupar esses espaços de liderança no nosso povo e incentivar a nossa comunidade, os nossos parentes, a fazerem o mesmo”. A “história real”, afirma Taylane, não é contada nas escolas não-indígenas. “Então, quando eles se deparam como indígena, têm aquela visão de que a gente anda pelado na aldeia, tem casa de barro, pergunta por que a gente tem celular, internet. Por um lado, isso ofende, mas a gente entende que o ensino na cidade também é tão precário, que eles não conhecem a realidade. Aqui a gente aprende mas tem também que ensinar”. Violência Há também o cuidado com a segurança e a integridade física. “Indígenas não andam sozinhos na cidade, sempre em grupo. O risco de uma agressão é constante. A minha mãe, mesmo eu com 27 anos, me manda mensagem, me liga sempre pedindo para eu não andar sozinha. E precisa ter cuidado mesmo. Na Marcha das Mulheres Indígenas do ano passado, a nossa passeata coincidiu com a passeata em prol de Bolsonaro e a nossa foi proibida. Tinha alguns homens com a gente e um deles saiu dali, foi caminhando sozinho, e foi assassinado. Isso é muito triste, a gente não tem segurança para andar. Sempre tem notícias de morte, de estupros, de crianças assassinadas. É muito triste”. Bolsa permanência O retorno da bolsa-permanência é outra
Exposição artística itinerante no sul do Estado celebra cultura negra
Mostra apresenta fotos, ilustrações e objetos de três artistas. Abertura será na Casa da Memória, em Cachoeiro Divulgação As obras dos artistas Endilly Nascimento, Vinícius Martins e Maicon T’Xangô estarão na exposição “Raízes, Cultura e Protagonismo“, que percorrerá três cidades do sul do Estado neste mês de novembro: Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Marataízes. A exposição celebra a cultura negra capixaba por meio de ilustrações, fotografias e instalação artística. O primeiro espaço a receber os trabalhos será a Sala Levino Fanzeres, na Casa da Memória, em Cachoeiro, onde ficará de segunda a sexta-feira da próxima semana (6 a 10). A visitação é gratuita e poderá ser feita das 9h às 15h em todos os dias. Na abertura, haverá um bate-papo com os três artistas, e serão distribuídos exemplares do livro infantojuvenil Amadé Ayé, de Guilherme Nascimento, que apresenta 12 contos dos orixás mais cultivados no Espírito Santo. A exposição apresenta os 12 desenhos autorais de Endilly Nascimento para o livro Amadé Ayé, cada um acompanhado de uma descrição completa dos orixás. Endilly é uma jovem quilombola de 16 anos da comunidade de Graúna, em Itapemirim. Os outros dois artistas são de Cachoeiro. Vinicius Martins, arquiteto e fotógrafo, captura em imagens a diversidade da juventude universitária negra em suas múltiplas vivências, destacando suas futuras profissões e importância na sociedade. Maicom T’Xangô, por sua vez, é um zelador de religião de matriz africana. Ele apresenta, na exposição, uma instalação artística que incorpora diversos materiais usados em rituais sagrados, como adagas, coroas, machados e outros instrumentos religiosos dos povos de terreiro. Os três artistas têm atuação na Casa Roxa, espaço cultural de Marataízes onde as obras também ficarão expostas, de 27 a 30 de novembro. O idealizador da exposição é o arte-educador e ativista Guilherme Nascimento, fundador da Casa Roxa. “A ideia da exposição nasceu da convicção de que a arte e a cultura podem ser ferramentas poderosas para a transformação social e o fortalecimento dos direitos humanos. Num momento em que templos de matrizes africanas são atacados e a intolerância religiosa prevalece, e o racismo sistêmico continua sendo uma realidade, a Casa Roxa percebeu a necessidade de utilizar a expressão artística para abordar essas questões profundas”, explica. O fundador da Casa Roxa lembra também que a iniciativa faz alusão ao mês da Consciência Negra, tradicionalmente comemorado em novembro, e afirma que a escolha de diferentes locais permite que os trabalhos alcancem uma audiência diversificada. “A importância do projeto é significativa para a região, uma vez que busca dar visibilidade e legitimidade às expressões culturais periféricas e ancestrais, com foco especial na população negra e afrodescendente. Além disso, a exposição desafia preconceitos e estereótipos arraigados na sociedade, promovendo um entendimento mais profundo da riqueza e diversidade da cultura afro-brasileira”. Além da Casa da Memória e da Casa Roxa, a exposição Raízes, Cultura e Protagonismo, que conta com recursos do Fundo de Estado da Cultura (Funcultura), será apresentada no auditório da Universidade Aberta do Brasil (UAB), na Vila de Itapemirim, de 20 a 24 de novembro. SERVIÇO Exposição Raízes, Cultura e Protagonismo Cachoeiro de ItapemirimSala Levino Fanzeres – Casa da Memória6 a 10 de novembro ItapemirimUniversidade Aberta do Brasil (UAB)20 a 24 de novembro MarataízesCasa Roxa27 a 30 de novembro Visitação gratuita, sempre das 9h às 15h.
‘Advogada dos pobres’, Defensoria é referência na proteção das mulheres
Fernanda Prugner conta como a DPES garante o “atendimento integral” previsto na Lei Maria da Penha A “advogada dos pobres”. A Defensoria Pública é uma instituição de portas abertas que atende a todas as pessoas que dela precisarem. Mas para uma parcela da sociedade, que vive em um contexto socioeconômico menos favorecido, é o único apoio jurídico com que se pode contar. No caso das mulheres hipervulnerabilizadas, que são aquelas que, além da fragilidade socioeconômica, também são negras ou pardas e vítimas de violência doméstica, o trabalho feito pela instituição no Espírito Santo é exemplar, tendo inclusive reconhecimento nacional. Quem conta um pouco desse cotidiano de atendimento integral das mulheres em situação de violência, é Fernanda Prugner, coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Espírito Santo (Nudem/DPES). Ela fala também sobre a urgência da implementação de dispositivos estabelecidos na Lei Maria da Penha, como as varas judiciais híbridas, que não existem no Espírito Santo; o fim dos prazos de validade das Medidas Protetivas de Urgência (MPU); e a capacitação permanente do corpo técnico e jurídico das instituições de proteção e do Judiciário, para o devido acolhimento especializado. — * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e no Google Podcasts . O desafio de vencer o machismo e o racismo no Judiciário Advogada Layla dos Santos conta sua luta cotidiana para aplicar a Lei Maria da Penha a mulheres negras e periféricas https://www.seculodiario.com.br/tv-seculo/o-desafio-de-vencer-o-machismo-e-o-racismo-no-judiciario-1 Corpos invisibilizados: APP amplia público-alvo e inicia testes em São Pedro Episódio de estreia do podcast Aplicativo Fordan entrevista coordenadora-geral do programa, Rosely Pires https://www.seculodiario.com.br/tv-seculo/corpos-invisibilizados-app-amplia-publico-alvo-e-inicia-testes-em-sao-pedro-1
MDB entra nas articulações para as eleições municipais de 2024
Movimentações envolvem o governador Renato Casagrande e um esperado apoio ao PT O rompimento e o volta atrás do deputado estadual Denninho Silva (União) somam-se às articulações para as eleições municipais, no âmbito do favorecimento ao ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), pré-candidato em 2024, que incluem, segundo o mercado político, o MDB pós-crise, comandado pelo vice-governador, Ricardo Ferraço, e, por extensão, o governador Renato Casagrande (PSB). O governador articulou a pacificação do partido, apesar de ser do PSB, legenda aliançada com o PT, do deputado estadual João Coser, também pré-candidato em Vitória. A articulação do vice-governador, agente político que estimulou o retorno de Luiz Paulo à disputa eleitoral, remete ao apoio do PT a Casagrande, em 2022, inclusive com o cancelamento do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado, favorecendo a reeleição de Casagrande. Em um processo natural, haveria o apoio do MDB – e de Casagrande – a Coser, considerando, também, não apenas o PSB, mas legendas ligadas a seu governo, como o MDB, agora parte do projeto futuro, liderado por Ricardo Ferraço, governador substituto de Casagrande em 2026, como aponta o mercado. No campo nacional, o MDB apoia o Governo Lula, tanto que Simone Tebet e Renan Filho, membros do partido, ocupam ministérios de grande destaque. Esse cenário é descrito por emedebistas, ressalvando, no entanto, que, apesar das ligações do próprio João Coser com Casagrande, essa aliança dificilmente será concretizada. Luiz Paulo é colado a Ricardo Ferraço, tem cargo no governo e conta ainda com a adesão explícita do secretário de Estado de Meio ambiente, Filipe Rigoni, presidente estadual do União Brasil e se movimenta para fechar alianças que poderão afetar a pré-campanha do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Não é à toa, que o governador tem afirmado há dias que pretende ver o MDB pacificado e com mais filiações, uma declaração que se relaciona às eleições de 2024 e a formação de bases fortes para as de 2026. O rompimento de Denninho com Pazolini, seguido de pedido de perdão, tem o mérito de demonstrar o nível de instabilidade nas relações político-eleitorais, quando destituídas de um mínimo de embasamento ideológico. Ele teria seguido a direção do seu padrinho político, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, que se filiou ao MDB, mas agiu fora do tempo, precipitadamente. Ao contrário do vice-governador, que, embora na presidência do MDB e ainda sem conseguir convencer a base do partido sobre a pacificação entre os grupos da ex-senadora Rose de Freitas e o ex-deputado estadual Lelo Coimbra, mantém a discrição e age nos bastidores. Lelo foi eleito na semana passada secretário-geral da Fundação Ulisses Guimarães, entidade formadora de conceitos políticos da legenda. Ele e Rose, afastados do processo decisório, buscam cacife para a disputa à Câmara Federal em 2026.