Edinete Rosa, candidata de Ethel Maciel, tem divulgado apoio de parlamentares e representantes de entidades A chapa liderada por Edinete Rosa na disputa à Reitoria da Universidade Federal do Estado (Ufes) tem angariado apoios de lideranças políticas e sociais. Nos últimos dias, entraram oficialmente na campanha a secretária nacional de Vigilância em Saúde e Ambiente, professora Ethel Maciel, que já era uma entusiasta declarada da candidatura, e parlamentares e representantes de movimentos atuantes no Estado. Um ato foi realizado nessa terça-feira (10), no auditório do Centro de Ciências Exatas (CCE), no Campus de Goiabeiras, para declaração de apoio, com presença de Ethel, a deputada estadual Camila Valadão (Psol) e a ex-secretária de Educação de Cariacica, Célia Tavares (PT), cotada novamente para a disputa à prefeitura em 2024. Nas redes sociais da “Chapa 20 – Ufes+” e de suas integrantes, também há imagens de outras lideranças apoiadoras, como a ativista Deborah Sabará, da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade; Paulo Tupinikim, coordenador geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo; e Isaías Santana, do movimento negro. O bloco de Edinete afirma, ainda, ter o apoio do senador Fabiano Contarato (PT), mas a candidata a vice-reitora da “Chapa 10 – Nossa Ufes: Incluir, Construir, Transformar“, Sônia Lopes, também postou foto de um encontro dela e de Eustáquio de Castro, que disputa o cargo de reitor, com o senador, realizado na terça. Também há foto nas redes sociais do grupo em reunião com integrantes do movimento negro. Entretanto, as fotos de apoiadores oficiais, até o momento, se restringem a personalidades do próprio ambiente acadêmico, como o professor do Departamento de Letras Santinho Ferreira de Souza, docente titular da Ufes há quase cinquenta anos, um dos mais antigos em atividade. Apesar disso, o discurso da chapa de Eustáquio é de que a articulação se dá também com diversos setores de fora da universidade. Os trunfos para se chegar ao sucesso nessas articulações seriam o trabalho do candidato em projetos de extensão e a participação de sua vice na Coordenação Colegiada do Fórum Permanente de Educação Inclusiva do Espírito Santo (FPEI-ES) e do Fórum Nacional Popular de Educação do ES. As duas chapas representam o campo progressista e o nome mais votado pela comunidade acadêmica assumirá o lugar do atual reitor, Paulo Vargas. Em 2019, Ethel foi a mais votada na pesquisa informal, mas foi preterida pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), que nomeou o atual reitor. Cronograma O primeiro turno da pesquisa informal que decidirá quem a comunidade acadêmica prefere que ocupe a Reitoria e a vice no quadriênio 2024-2028 está marcado para 8 de novembro, e o segundo, se houver, para 22 do mesmo mês. O primeiro debate com os candidatos a reitor e reitora da Ufes está agendado para acontecer na próxima terça-feira (17), no campus de São Mateus, norte do Estado. Depois, as chapas estarão frente a frente novamente: em 25 de outubro, no campus de Alegre, no sul; 1º de novembro, no campus de Maruípe, em Vitória; e 6 de novembro, no campus de Goiabeiras, também em Vitória. Reitoria da Ufes: chapas intensificam campanha e divulgam propostas – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/chapas-da-disputa-a-reitoria-da-ufes-intensificam-campanha-e-divulgam-propostas Disputa para Reitoria da Ufes envolve chapas do campo progressista – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/campanha-para-a-reitoria-da-ufes-envolve-blocos-do-campo-progressista
Ricardo Ferraço vai assumir MDB em decisão da Nacional e filiar Euclério
Vice-governador, hoje no PSDB, foi escolhido pelo presidente nacional, Baleia Rossi (SP) Secom A decisão veio de cima para baixo para ressuscitar o MDB no Espírito Santo. O vice-governador, Ricardo Ferraço (PSDB), será o presidente estadual do partido, que filiará ainda o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (União), e o de Colatina, Guerino Balestrassi (Podemos). A notícia começou a circular na tarde desta quarta-feira (11), por meio de um convite para o “ato de filiação – a grande festa democrática”, marcada para a próxima segunda-feira (16), em Cariacica, às 18 horas. A movimentação em torno do nome de Ricardo começou a tomar impulso depois do empate na convenção do MDB, no dia 15 de setembro, para eleger a Executiva Estadual, agravando a crise. Da articulação participaram, de um lado o ex-deputado federal Lelo Coimbra e, do outro, a ex-senadora Rose de Freitas, aliada do governador Renato Casagrande (PSB), que teria se envolvido na questão a fim de reforçar o nome de Ricardo. No cartaz, aparecem o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, o ministro das Cidades, Jader Filho, Euclério, Ricardo Ferraço e Guerino. A notícia surpreendeu os meios políticos, porque ocorre sete dias depois de o PSDB eleger sua Executiva, com Ricardo apontado como o nome para assumir a Presidência. “Baleia estava conversando com Ricardo há algum tempo para trazê-lo, ele planejava vir após as eleições municipais. Com a convenção [MDB] empatada, gerou-se um impasse e Baleia evoluiu na conversa com ele. Me consultou, depois me informou da evolução. Tenho conversado com Ricardo desde então”, disse Lelo, apesar de não aparecer no convite para o evento, da mesma forma que Rose. Ele acrescentou que, nesta quarta-feira, Ricardo lhe informou “pessoalmente, dos desdobramentos com o PSDB já acertados e a data marcada para filiação, trazendo Balestrassi e Euclério, na forma do convite” divulgado.O formato, segundo Lelo, seria, de acordo com a decisão de Baleia Rossi, “para uma nova Comissão Provisória com Ricardo presidente, eu, Rose e mais quatro membros, num total de sete”.
‘O mercado de carbono ignora os danos sociais e ambientais dos monocultivos’
Educadora da Fase, Clara Junger relata reflexões feitas no encontro da Rede Alerta Contra os Desertos Verdes Divulgação/Fase-ES O enfrentamento à crise climática requer medidas muito mais abrangentes do que meros cálculos de sequestro de carbono. Sem considerar a proteção da sociobiodiversidade, as soluções serão sempre falhas, não resolvendo o problema do clima e agravando a degradação ambiental e social, principalmente no hemisfério sul. O posicionamento é da educadora da Federação dos Órgãos para a Assistência Social e Educacional no Espírito Santo (Fase-ES) Clara Junger, que participou do último encontro anual da Rede Alerta Contra os Desertos Verdes, realizado em São Mateus, norte do Estado, reunindo pesquisadores, organizações da sociedade civil e movimentos sociais capixabas, fluminenses, baianos, gaúchos e matogrossenses. Para a educadora, “o maior problema do mercado de carbono é reduzir a crise climática a apenas cálculos de emissões de carbono”, especialmente quando usa os monocultivos como forma de compensar emissões. “As monoculturas causam danos para o solo, as águas, a biodiversidade e os povos tradicionais. O eucalipto no norte do Espírito Santo foi um dos principais responsáveis pelo desmatamento da Mata Atlântica. Hoje há uma crítica contra a soja na Amazônia, mas a Suzano [ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose] já fez isso na Mata Atlântica do norte do Espírito Santo e sul da Bahia, e está fazendo a mesma coisa, o mesmo desmatamento, no Cerrado, principalmente no Mato Grosso do Sul”. Dar visibilidade a essa incoerência e imenso equívoco é fundamental, avalia a ambientalista. “Esses cálculos de sequestro de carbono ignoram os danos ds monocultivos, que também são responsáveis pela crise climática. Esse reducionismo de emissão de carbono é o que justifica que as empresas e os governos tentem compensar a exploração de petróleo com monocultivo de árvores e facilita que a Suzano, por exemplo, se ‘pinte de verde’ [greenwashing], como se a conta fechasse, sendo que os danos só se acumulam”. Os monocultivos, explica, secam nascentes e outras fontes de água, modificam o regime de chuvas, contaminam e empobrecem os solos, poluem as águas, reduzem a biodiversidade, invadem territórios de povos e comunidades tradicionais e violam outros direitos fundamentais. “Não dá para excluir os seres humanos dessa conversa ambiental. Não dá para não levar em conta a invasão de terras indígenas e quilombolas que foi e ainda é muito violento. Comunidades que sofrem com seca, com cercamento de áreas que eram coletivas, para plantio de alimentos, e hoje são ocupadas com eucaliptos que não alimentam ninguém, só os bolsos dos empresários”. Nesses territórios, são comuns as intoxicações por agrotóxicos dispersados por drones, que assolam pessoas e animais. “Temos relatos de animais sofrendo abortos, nascendo com má formação, pessoas com problemas de vista, câncer, e isso não está em nenhum cálculo de mercado de carbono”. Clara lembra que são violações que já ocorrem há gerações pelas grandes empresas do agronegócio de monocultivos, conforme demonstrou um estudo recente solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou as relações promíscuas entre a então Aracruz Celulose e a ditadura militar, na grilagem de terras e prisões e torturas de indígenas e quilombolas. “A Suzano, quando compra essas empresas, tem que ser responsabilizada por esse passivo social e ambiental”, avalia. Carta política Essas reflexões constam na carta política da Rede Alerta Contra os Desertos Verdes, publicada na última semana, com base nas discussões realizadas durante o encontro. “Árvores transgênicas, créditos verdes e de carbono, padrões de governança ESG são novas roupagens usadas por empresas que plantam monocultivos de árvores e que sempre tentaram ser tratadas como florestas para ganhar apoio político e ambiental. No entanto, a sociedade civil organizada conhece desde o tempo da ditadura militar as artimanhas empresariais para se impor sobre os territórios e conspirar contra o sistema democrático brasileiro, como é o caso da Aracruz Celulose revelado em recente pesquisa encomendada pelo MPF. Por todos estes motivos, a Rede Alerta contra os Desertos Verdes denuncia estes crimes e exige reparações imediatas! “, afirma o documento. Uma das visitas técnicas do encontro foi à comunidade do Angelim 2, que integra o conjunto de mais de trinta comunidades certificadas no Território Quilombola Tradicional do Sapê do Norte, em São Mateus e Conceição da Barra, que há cinco décadas é usurpado pela Suzano, sem que o governo do Estado interfira efetivamente de forma a cessar as violações de direitos. A carta inclui a problemática das famílias que reivindicam a reforma agrária, destacando que o Estado tem sete acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em áreas dominadas pelos monocultivos da Suzano. E aborda os territórios tradicionais de pesca artesanal, também impactados pela multinacional de celulose. “A Mata Atlântica foi destruída pela Suzano, muitos rios e córregos estão secos e contaminados, as nascentes desprotegidas, neste semiárido que se tornou a região, já não existem mais pescados. Como povos da água, os pescadores artesanais estão adoecendo, morrendo e gritando por socorro”. As entidades atacam ainda o elevado consumo de água da papeleira. “A Suzano, consumidora voraz de água tanto nas indústrias quanto nos plantios, conseguiu junto à ANA (Agência Nacional de Águas) a outorga para 44 bacias hidrográficas em nove estados do Brasil e diz, em seus relatórios de ‘sustentabilidade’, estar em conformidade com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) do cuidado com a água. Mas, no ES, não se identifica na AGERH (Agência Estadual de Recursos Hídricos) registros de portarias de outorgas para nenhum uso de água que a empresa faz no norte do Estado. Diante das denúncias, órgãos públicos e o MPES (Ministério Público Estadual) dizem não haver indícios suficientes de prejudicialidade e arquivam processos”, denunciam. O manifesto também menciona os conflitos históricos no sul da Bahia, onde atualmente o MPF/BA tem feito atuações fortes contra as violações de direitos e em favor do cumprimento da consulta livre, prévia e informada, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio do Fórum em Defesa das populações indígenas e comunidades tradicionais na Bahia. E cita os avanços dos desertos verdes sobre o Cerrado no Mato Grosso do Sul – por meio da Suzano, Arauco
É possível uma sociedade com lixo zero?
Grazielli Pirovani, embaixadora Lixo Zero Capixaba, fala de impactos sociais e ambientais do descarte incorreto de resíduos A Entrevista do Século recebe Grazielli Pirovani, embaixadora Lixo Zero Capixaba. Ela fala sobre o conceito de lixo zero, a importância do descarte correto dos resíduos gerados, o papel dos catadores e suas associações na política de resíduos sólidos, a compostagem como alternativa para o lixo orgânico, e os preparativos para a terceira edição da Semana Lixo Zero, que acontece a nível nacional no mês de outubro e terá atividades também em municípios do Espírito Santo. — * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
‘Déjá-vu’
Forças de segurança voltam ao campo de combate com o Governo Casagrande por reajuste salarial Leonardo Sá As insatisfações dos servidores das forças de segurança contra a proposta de reajuste anunciada pelo Governo Casagrande, que já circulam na área e nos corredores políticos há dias, terão um palco oficial na próxima terça-feira (17), pós feriadão. Eles se reunirão na Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, às 10h, como informado pelo deputado Danilo Bahiense (PL), presidente do colegiado. A convocação do debate, que tem como pauta o reajuste, ocorre no embalo de uma reunião realizada entre o secretário de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon, com representantes de associações e sindicatos das diferentes categorias das polícias Militar e Civil. O governo anunciou reajuste anual de 4%, somando 16% até 2026, quando se encerra a atual gestão – mais o destinado a todos os servidores do Estado (este ano foi 5%). Ninguém concordou, apontando o dobro como demanda. O cenário remete a um passado recente, quando essa corda ficou tensionada por tempo prolongado com os mesmos atores, unidos na Frente Unificada de Valorização Salarial. Diante da nova reclamação, o governo já cravou que não tem mais gordura para negociar. O impasse, como se vê, já está novamente instalado. Resta saber o alcance da reação e os possíveis acirramentos. Logo, logo, o teste! Beco sem saídaBahiense diz que a reunião é uma demanda das categorias e espera que “todos possam dialogar”. O deputado falou em histórico de salários baixos e déficit de pessoal. A questão é: o governo já sentenciou que não irá aumentar o índice e as entidades que não querem a proposta. Quer dizer… AmpliaçãoO reajuste, tudo indica, deverá nortear a maioria do debate, mas outras pautas são anunciadas: regulamentação das Polícias Penal e Científica, pedido de incorporação da escala especial nos salários e superlotação prisional. Assuntos que também registram sucessivos capítulos com o governo do Estado. Enquanto isso……os agentes de suporte educacional (ASE) e os auxiliares de secretaria escolar se mobilizam para inclusão no reajuste de 4% anunciado para o magistério do Estado, retroativo a janeiro. Foram ignorados no projeto enviado pelo governo. O desfecho do problema também ficou para a semana que vem. Neste caso a expectativa é atender ao pleito, o que seria de fato o justo. DireçõesCom a autorização legal e oficial para o deputado estadual Fabrício Gandini sair do Cidadania, o mercado aguarda as cenas dos próximos capítulos. Leia-se a filiação dele ao PSD e movimentações mais efetivas em direção à Prefeitura de Vitória. Gandini ficou um bom tempo “submerso” e tem voltado aos poucos, porém, ainda mais discreto no jogo, que pega fogo. Direções IIO deputado formou um grupo recentemente com os colegas de plenário Tyago Hoffmann (PSB) e Mazinho (PSDB) e o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Acontece que, em seguida, o mesmo Luiz Paulo se reuniu com o ex-prefeito Luciano Rezende (Cidadania) e os dois anunciaram convergências para 2024… Direções III…Luciano, não é novidade, foi o padrinho político de Gandini e o lançou candidato à sucessão em 2020, mas eles estão agora afastados. Como finalizará esse enredo? É a pergunta da vez! Tudo igualA mesma liberação de Gandini foi para Pablo Muribeca, para deixar o Patriota. Mas o deputado da Serra, ao contrário de Gandini, já estava há tempos vestido com a camisa do Republicanos, seu próximo partido, e com movimentos muito claros e ofensivos para a candidatura de prefeito, como oposição ferrenha a Sergio Vidigal (PDT). RetrocessoA absurda aprovação do projeto que tenta proibir o casamento homoafetivo no Brasil já contou com um “sim” da bancada capixaba: o deputado federal Messias Donato (Republicanos), que faz parte da comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família. O placar no colegiado fechou em 12 x 5, mas ainda há um longo trâmite na Câmara e no Senado. Retrocesso IIA autoria da proposta, como já citado aqui em Século Diário, é do deputado estadual Capitão Assumção (PL), quando assumiu uma cadeira na Câmara, lá em 2009. A iniciativa foi ressuscitada pelos conservadores e bolsonaristas e, para além de todos os retrocessos, vai contra decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A derrubada o quanto antes é o mínimo que se espera! Nas redes“Está circulando aqui na Câmara de Vitória um projeto de lei (PL) absurdo, uma espécie de ‘higienização social’. Estamos preparando um PL que garanta uma política de dignidade para as pessoas em situação de rua. Meu mandato está trabalhando junto a movimentos que atuam nessa área”. André Moreira, vereador pelo Psol. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Gandini e Muribeca já podem trocar de partido e entrar de vez na disputa de 2024
Deputados estaduais se movimentam em busca de espaços para concorrer às prefeituras de Vitória e Serra Ales Fabrício Gandini (Cidadania), de Vitória, vai se filiar ao PSD, e Pablo Muribeca (Patriota), da Serra, ao Republicanos, para concorrerem às prefeituras de seus municípios em 2024. Esse quadro foi consolidado nesta quarta-feira (11), com a autorização concedida aos deputados estaduais pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), para deixarem suas atuais legendas sem perdas dos mandatos. O TRE-ES acatou o pedido de justa causa para a desfiliação partidária, durante sessão do Pleno, confirmando a argumentação das duas ações, protocoladas por Gandini em julho deste ao, e por Muribeca, em agosto. O relator do processo, Lauro Coimbra, seguiu o parecer da Procuradoria e obteve a concordância dos demais membros do colegiado. A filiação de Gandini ao PSD, apesar de ser mantida na lista de conversas sigilosas do deputado, já foi comentada publicamente pelo presidente do partido, Renzo Vasconcelos. Ele disse que a decisão depende do deputado, que esperava o final do julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), para oficializar a alteração, já com a campanha eleitoral estruturada. Gandini estava à frente do Cidadania no Estado, partido onde militou desde 2005, quando ainda era PPS, mas deixou a presidência e entrou com uma ação na Justiça, em 4 de julho, para se desfiliar. Ele já estava amparado por uma carta de anuência do partido, que se compromete em liberá-lo sem requerer o mandato, justificativa citada pelo procurador regional eleitoral substituto, Alexandre Senra em seu despacho. A saída ocorre por conta do cenário político nacional e mudanças no programa partidário, em especial a aprovação da federação, que juntou o Cidadania com o PSDB, deixando-o sem espaço para articular e garantir a candidatura. No Cidadania, há a movimentação do ex-prefeito Luciano Rezende e, no PSDB, do também ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, hoje um dos mais cotados. Já Pablo Muribeca lançou formalmente sua pré-candidatura na Serra em agosto, em evento para marcar a posse das novas diretorias do Republicanos e Partido Social Democrático (PSD), Partido da Mulher Brasileira (PMB) e Democracia Cristã (DC). O encontro representou, na realidade, a consolidação do nome de Muribeca nas movimentações à sucessão de Sergio Vidigal (PDT). A ausência do Patriota, atual legenda do deputado, no convite do evento, que já indicava a sua saída do partido, deveu-se à fusão do partido com o PTB, sem definição do nome que comandará a executiva estadual: Tenente Assis (PTB) ou o ex-deputado estadual Rafael Favatto (Patri). Os dois foram derrotados na disputa para deputado federal nas eleições de 2022. Gandini obtém sinal verde para sair do Cidadania e está a um passo do PSD – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/gandini-obtem-sinal-verde-para-sair-docidadania-e-esta-a-um-passo-do-psd
Pastor aponta perseguição e membros da IBPC questionam Convenção Batista
Usiel entregou as chaves, mas não existe nenhuma possibilidade de o templo ser fechado. “A IBPC segue normalmente” “O que tenho enfrentado tem nome: perseguição religiosa. Os que a praticam o fazem movidos por ódio, insensatez e protagonizam vários tipos de violência”. O desabafo é do pastor Usiel Carneiro de Souza, presidente do Conselho da Igreja Batista da Praia do Canto, afastado das funções por meio de uma decisão judicial, no último dia 6, adotada em denúncia formalizada por 25 ex-integrantes da denominação religiosa. O pastor se mantém na igreja e vem recebendo o apoio de cerca de 500 membros, que o apoiam contra apoiadores do conservadorismo, contrários ao perfil progressista do pastor, dentro da doutrina bíblica da igreja acolhedora estabelecida por Jesus Cristo. A membresia questiona a decisão, apoiada, também, pela Convenção Batista no Espírito Santo, apontando distorções na “Declaração Doutrinária da própria entidade: “Por que a Convenção Batista no Espírito Santo, no caso do pastor Usiel, resolveu interferir na igreja local, fazendo valer a vontade de 25 pessoas, ao invés das outras 500 que demonstraram apoio a ele no culto de domingo (8) e também através de um abaixo-assinado. Não estaria a Convenção infringindo os princípios estabelecidos por ela mesma?”. A pergunta circula entre os membros da igreja, juntamente com dúvidas sobre porque a Convenção, “ao invés de decidir e expulsar o pastor presidente, tomar a gerência e domínio desta igreja (IBPC), não toma a postura de expulsá-la de sua Associação, já que, segundo a Convenção, este pastor e igreja não estão de acordo com as doutrinas batistas?”. A declaração doutrinária da convenção, de acordo com membros da igreja, diz que os batistas se caracterizam pela intensa e ativa cooperação entre suas igrejas, “não havendo nenhum poder que possa constranger a igreja local, a não ser a vontade de Deus, manifestada através de seu Santo Espírito (…) Para a execução desses fins, organizam associações regionais e convenções estaduais e nacionais, não tendo estas, no entanto, autoridade sobre as igrejas; devendo suas resoluções ser entendidas como sugestões ou apelos”. Em entrevista a Século Diário, o pastor Usiel esclarece que os acusadores, “ignorando claramente o funcionamento da igreja e mesmo o seu estatuto, pediram meu impedimento para atos administrativos que sequer tenho poderes para eles. Restou-me entregar a chave da sala que uso em meu trabalho pastoral e que contém livros e pertences pessoais. Já estamos preparando o recurso adequado para buscar a suspensão da liminar. Restará o julgamento do mérito”. Para ele, as pessoas que o denunciaram “desconhecem o valor do diálogo e a importância do respeito devido ao outro. São incapazes de conceber que nenhuma discordância, especialmente em nome de Deus, justifica a violência e o uso de calúnias e mentiras”. O pastor ressalta que não existe nenhuma possibilidade de o templo ser fechado. “A IBPC segue normalmente. Não sou o único pastor da igreja e, ainda que fosse, a igreja que temos aprendido a ser não é pastor-dependente. Os fieis entendem seu papel como cristãos e a palavra e ação de cada um é parte fundamental do que cremos ser o modo que Deus se manifesta para o bem de todos nós”. Sobre os supostos “desvios doutrinários”, como afirma a denúncia, Usiel diz que, “para tanto, precisaria que o grupo que me acusa me esclarecesse. Pois a leitura da Declaração Doutrinaria da Convenção Batista Brasileira não traz nenhum ponto diante do qual eu esteja agindo em contradição. Eles afirmam que eu estou, mas não mostram prova alguma. Ao contrário, pelo modo como procedem, percebo que eu me conduzo com muito mais fidelidade e zelo às doutrinas e práticas batistas do que eles próprios, que não respeitam decisões democraticamente tomadas e estatutariamente amparadas”. O pastor acredita que existe influência politica/ideológica para querer tirá-lo da igreja e explica que “não existe vida em sociedade sem política ou ideologia. Portanto é certo que ambas estão presentes. Todavia, o que não deveria haver é a manipulação da verdade e o uso de meios escusos para impor vontades. Mas confio na justiça e especialmente na providencia divina”. Ele aponta: “Veja, por exemplo: o juiz que concedeu a liminar, Dr.Maurício Camatta Rangel, que ao meu julgar foi levado a erro pelo grupo, com suas alegações falsas e mal elaboradas, e acabou gerando prejuízo a mim e a toda comunidade cristã sob minha liderança”. Membro da IBPC que rebate as acusações ao pastor, escreveu um texto sobre as ações da IBPC, sob o título “Deve mesmo ser uma igreja muito herética”, que diz: “Acredita na oração e prega sobre isso; acredita na graça redentora de Deus, por meio de Cristo, para todos. É acolhedora a todas as pessoas (…) uma prostituta, um casal gay, que entrar no templo, não será maldito, mas instado a louvar conosco. Uma igreja que se associa para apoiar um instituto com o nome de Maltrapilho, no bairro da Penha. Uma igreja que distribui cestas básicas aos que precisam; uma igreja que mantém uma fundação que acolhe a 230 crianças em São Pedro e planeja dobrar em 2024; uma igreja que dá liberdade política aos seus membros, mas que não permite que uns discriminem os outros por isso (…) e que não permite o uso político do púlpito. Realmente, essa é uma igreja herética”.
Reunião em CMEI da Ilha das Caieiras é adiada sem previsão de nova data
Secretária Juliana Roshner alegou impossibilidade de comparecer, devido à guerra do tráfico em Itararé A reunião entre a secretária municipal de Educação de Vitória, Juliana Roshner, e a comunidade escolar do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Magnólia Dias Miranda Cunha, na Ilha das Caieiras, que aconteceria nessa terça-feira (10), foi cancelada a pedido da gestora. Embora a unidade de ensino fique em outra localidade, Juliana alegou que não seria possível comparecer devido à guerra do tráfico, que tem culminado em trocas de tiros e mortes em Itararé, região onde fica a Secretaria Municipal de Educação (Seme). A secretária não deu previsão de uma nova data para a reunião, que seria para discutir sobre a implantação do tempo integral. A comunidade aponta falta de diálogo na implantação do modelo. O CMEI da Ilha das Caieiras é misto, com turmas de tempo integral e parciais. O objetivo da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) é, aos poucos, diminuir a quantidade de turmas parciais, até que a unidade de ensino se torne 100% integral. Os servidores informam que hoje são cinco turmas de tempo integral; seis parciais, no vespertino; e outras cinco parciais, no matutino. Seguindo a proposta de implantação gradativa do modelo presencial em 100%, a Secretaria Municipal de Educação (Seme), a partir de 2024, abrirá seis turmas de tempo integral; três parciais, no matutino; e outras quatro parciais, no vespertino. Com essa alteração, não haverá vagas, no próximo ano, para o grupo 1, que é de crianças de seis meses a um ano. Atualmente, o grupo 1 funciona à tarde. O grupo 2, que é de um ano a dois anos, passará a ser integral. A não oferta de vagas para o grupo 1 tem sido questionada pelos responsáveis. Muitos deles também não querem matricular as crianças do grupo 2 no modelo integral, pois as consideram muito pequenas para ficar o dia todo na escola, precisando de maior contato com a família. “Por que não atender a todos?”, questiona um trabalhador do CMEI, que prefere não se identificar por medo de represálias. Ele aponta, ainda, um outro problema, que é o horário de atendimento do tempo integral, proposto pela Seme, que é das 7h às 16h, portanto, impossibilitando muitos responsáveis de buscar as crianças, pois a saída é no horário do trabalho. Assim, na impossibilidade de matricular as crianças no Magnólia Dias Miranda Cunha, os responsáveis teriam que buscar vagas no CMEI Gilda de Athayde Ramos, em São Pedro, ou no Padre Giovanni Bartesaghi, em Santo André, que não são muito próximos. Além disso, não há quadro suficiente de profissionais para trabalhar 40 horas semanais e atender o integral. A carga horária dos professores é de 25 horas e há aqueles com duas cadeiras. Assim, teriam que largar uma para trabalhar no período integral. Outro problema é a situação dos assistentes de educação, cuja carga horária é de 30 horas. Abaixo-assinado Na reunião dessa terça-feira (10), a comunidade iria apresentar para a secretária um abaixo-assinado. “Entendendo que temos o direito e o dever de nos posicionarmos diante daquilo que nos afeta, nós, abaixo assinados/as, moradores/as do entorno do CMEI Magnólia Dias Miranda Cunha e demais membros da comunidade da Unidade de ensino, vimos por meio desse informar ao poder público municipal de Vitória, em particular a secretaria municipal de Educação de Vitória/ES, que, diante da possível implantação do Tempo Integral em nossa unidade de ensino, não nos sejam retirados direitos de matrículas e permanência, por não desejarmos/podermos seguir a jornada integral”. O documento destaca que a comunidade compreende que os legisladores, ao propor o Plano Nacional de Educação (PNE), Plano Estadual de Educação (PEE) e o Plano Municipal de Educação (PME), ao proporem um percentual de atendimento integral até 2024, “deixam explícito nos documentos que não há a necessidade que todos sejam obrigados a permanecer nas unidades de ensino, se adequarem ao horário integral”. “Somos, todas e todos a favor do Tempo Integral, porém, que seja ofertado a partir de um amplo e respeitoso debate democrático com as comunidades e seus conselhos de escolas, onde a premissa seja a garantia de direitos. Não queremos e não podemos abrir mão do atendimento aos grupos hoje atendidos, para agradar a um modelo de implantação, escolhido/imposto pela gestão municipal de Vitória/ES, que, nega nossos interesses e possibilidades como usuários/as do serviço público. Somos favoráveis que metade das turmas continuem em Tempo parcial e a outra metade em Tempo Integral”, destaca o abaixo-assinado.
Votação de reajuste para o magistério é adiada para segunda-feira
Dary Pagung vai conversar com o governo sobre inclusão de outras categorias contempladas pelo Fundeb A votação do Projeto de Lei (PL) 831/2023, de autoria do Executivo, que estabelece reajuste de 4%, retroativo a janeiro, para professores ativos e inativos da rede estadual de ensino, foi adiada para a próxima segunda-feira (16). Após manifestação do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos) na Assembleia Legislativa, na manhã desta quarta-feira (11), o líder do Governo, deputado Dary Pagung (PSB), se comprometeu a conversar com representantes da gestão de Renato Casagrande (PSB) sobre a possibilidade de inserção dos agentes de suporte educacional (ASE) e dos auxiliares de secretaria escolar na proposta. A conversa foi anunciada para ainda esta quarta-feira (11). Além de Pagung, o Sindipúblicos, segundo seu presidente, Iran Milanez, fez articulação com os deputados João Coser (PT), Iriny Lopes (PT), Camila Valadão (Psol) e Tyago Hoffmann (PSB). A reivindicação é porque, embora os ASE e os auxiliares de secretaria escolar sejam contemplados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), origem dos recursos do reajuste, eles não estão inclusos no PL apresentado pelo Executivo. João Coser chegou a anunciar que, ness terça-feira (10), que apresentaria uma emenda para que o Governo do Estado apresente, no prazo de até 30 dias, proposta de reajuste que contemplasse os agentes de suporte educacional. Até então, a discussão sobre a inclusão dos auxiliares de secretaria escolar não estava colocada, ganhando destaque nesta quarta. Segundo o deputado, conceder o reajuste somente para o magistério deixaria um “mal-estar” dentro da escola. O reajuste, segundo o secretário de Estado de Educação, Vitor de Angelo, foi definido em diálogo com Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) na semana passada. A presidente do Sindiupes, Noêmia Simonassi, relatou que durante as negociações com o governo estadual, o sindicato reivindicou que fossem utilizadas as sobras do Fundeb para garantir um reajuste, em vez de rateio. Noêmia recordou que, no final de 2022, o Governo do Estado anunciou abono no valor de R$ 7,2 mil aos profissionais, o que considera expressivo, mas que, ao contrário do reajuste, não incide, por exemplo, na aposentadoria. Contudo, afirmou, a possibilidade de um rateio não está descartada, pois se ainda houver sobras do Fundeb, o valor pode ser rateado entre os trabalhadores contemplados pelo Fundo. Governo do Estado vai conceder reajuste de 4% para trabalhadores da educação Anúncio foi feito pelo governador nas redes sociais. Percentual foi estabelecido em negociação com o Sindiupes https://www.seculodiario.com.br/educacao/governo-do-estado-vai-conceder-reajuste-de-4-para-trabalhadores-da-educacao Emenda quer ampliar reajuste de 4% para agentes de suporte educacional Categoria foi excluída de reajuste anunciado para o magistério e realiza ato nesta quarta; Sindicato acionou deputados https://www.seculodiario.com.br/educacao/emenda-quer-ampliar-reajuste-de-4-para-agentes-de-suporte-educacional
‘Os atingidos somos nós, mas não querem nos ouvir’, ecoa protesto em Vitória
Ato que terminou no Palácio Anchieta lançou manifesto e também cobrou Casagrande sobre lei reivindicada em abril “O que o pescador quer? Participar!”, “o que o surfista quer? Participar!”, “o que o comerciante quer? Participar!”. Essas foram algumas das palavras de ordem dos manifestantes da Caminhada das Atingidas e Atingidos por Justiça e Direito ao chegar no Palácio Anchieta, Centro de Vitória, na manhã desta terça-feira (10). São tantas pessoas impactadas pelo crime Samarco/Vale-BHP, desde 2015, que se somaram ainda marisqueiros, indígenas e mulheres. Todos exigem participação na mesa de negociação entre as empresas criminosas e os Ministérios Públicos e governos de Minas Gerais e Espírito Santo. Leonardo Sá A mesa debate a repactuação das ações de compensação e reparação dos danos decorrente do crime. Para o coordenador do Movimentos dos Atingidos por Barragem (MAB), Heider Bozza, “não pode ser um remendo dos acordos anteriores”. Uma das pautas que precisa ser debatida, aponta, é a questão a indenização. De acordo com ele, no Espírito Santo cerca de 3 mil pessoas recebem o auxílio emergencial mensal, sendo que o Movimento contabiliza que deveria ser pago para uma média de 500 mil. Os manifestantes cobraram, ainda, a aprovação da Lei Estadual dos Atingidos. Heider relata que em abril deste ano o MAB se reuniu com o governador Renato Casagrande (PSB), apresentou uma proposta de projeto de lei (PL), mas nunca mais obteve retorno ao pleito. Leonardo Sá Ele explica que a lei deve deve ser do executivo, pois versa sobre atribuições específicas e questões orçamentárias. Caso a iniciativa parta da Assembleia, pode ser apontado vício de origem e classificada como inconstitucional. “Esse risco a gente prefere não correr”, afirma. Rastro de morte “Águas para a vida, não para a morte” foi outra das muitas palavras de ordem ditas durante o percurso da manifestação, que saiu do Centro Sindical dos Bancários, no Forte São João, até o Palácio Anchieta. A frase remete aos incontáveis relatos dos atingidos de que es águas do Rio Doce e do litoral norte capixaba, que antes eram fonte de vida, agora, após oito anos do derramamento de rejeitos de minério, não podem mais trazer a mesma prosperidade de outrora. Em Regência e Pontal do Ipiranga, Linhares, o crime ambiental promovido pela Vale, Samarco e BHP Billiton prejudicou a prática do surfe, e consequentemente, de toda a cadeia que derivava dela, como o comércio e a setor hoteleiro. Segundo o surfista Edson Zucatelli, quando ocorreu o rompimento da barragem, o surfe na região estava em ascensão. Contudo, a fama de praia atingida pelos rejeitos de minério se espalhou pelo Brasil, diminuindo o fluxo de turistas, que agora vão direto para Itacaré, litoral sul da Bahia, não mais param em Linhares. Leonardo Sá O pescador Vanderlei Sacramento veio de Conceição da Barra, norte do Estado, para participar da manifestação. Ele está há oito anos sem pescar diante do medo das pessoas de consumir os mariscos da região, o que reduz o número de clientes, e também pela própria desconfiança que ele e outros pescadores têm da qualidade dos mariscos. “Como você vai vender se tem desconfiança da qualidade daquilo que está oferecendo para os outros?”, questiona. Vanderlei informa que durante dois anos recebeu uma indenização mensal, cujo pagamento cessaria em 2025. Se a impossibilidade de pesca persistisse, seria prorrogada por mais 10 anos. Contudo, assim como tantos outros atingidos, acabou a perdendo quando, em uma nova pactuação, a Justiça determinou o pagamento de uma indenização paga em uma única parcela. O pescador defende a participação dos atingidos na repactuação. “Os atingidos somos nós, mas não estamos na mesa. Como vou saber o que acontece na sua casa? Mas eles não querem nos ouvir”, diz, destacando que a Vale, a Samarco e a BHP “mataram rio, mataram vidas, peixes, meio ambiente e a população, que precisa de água”. Leonardo Sá Luís Antônio Barbosa, liderança indígena da aldeia Córrego do Ouro, em Aracruz, também norte do Estado, ressalta que o crime da Samarco/Vale-BHP impactou na subsistência dos povos originários, que viviam da caça e da pesca; e na espiritualidade, já que as águas do rio Piraquê-Açu, atingidas pelos rejeitos de minério, eram utilizadas para rituais como os de batismo. Curandeira na aldeia Boa Esperança, também em Aracruz, Marilda de Oliveira aponta que os resíduos de minério de ferro dificultam, inclusive, as práticas artesanais e da medicina popular. Agora ela não pode mais fazer um extrato utilizado para sanar problemas de pele, retirados de uma lama preta no pé da raiz do manguezal. Também já não é mais possível extrair o miruim, uma semente branca utilizada para fazer artesanato, tendo que substituí-la por miçangas. Leonardo Sá Revida, Mariana! Muitos desconhecem o fato de que os impactos do rompimento da barragem persistem ainda hoje. Por isso, o MAB, também durante a manifestação desta manhã, lançou a campanha “Revida, Mariana! Justiça para Limpar Essa Lama”, que busca chamar a atenção da sociedade civil para essa realidade, principalmente neste momento de repactuação. Leonardo Sá A ideia, afirma Heider, é de que a sociedade civil se engaje na causa dos atingidos, assim como aconteceu com o Marco Temporal. “Foi o maior crime ambiental da história do Brasil, o maior do mundo envolvendo rejeitos de minério, atingindo a 5ª maior bacia hidrográfica do país, assim como o Marco Temporal, trata-se de uma pauta progressista”, destaca. Para o lançamento da campanha, foi lançado um manifesto, assinado por entidades nacionais e internacionais, e no qual os atingidos ressaltam querer justiça, e não vingança. “Casas foram derrubadas, plantações e criações, devastadas, cadeias produtivas aniquiladas. Nosso Rio Doce está morto. Até hoje, falta água potável para muitas comunidades. Não é possível voltar à atividade econômica que sustentava famílias antes do rompimento, porque não há possibilidade de uso do rio para a pesca, agricultura, turismo ou lazer”, diz o manifesto. São apontadas ainda a morosidade da justiça e dos governos e a “tentativa vergonhosa das mineradoras de escaparem das suas responsabilidades”, e protesta contra as “ações superficiais e insuficientes da Fundação Renova, empresa controlada pelas empresas BHP, Vale e Samarco, para nos silenciar e nos derrotar”. Leonardo Sá O grupo afirma querer “justiça, reparação integral e urgente. Para ressuscitar nosso rio. Para