Expectativa é garantir as obras para que a estrada-parque seja um vetor de prosperidade e integração regional Consórcio Caparaó Uma estrada que seja de fato vetor de prosperidade e integração regional, que favoreça o turismo de base comunitária, e que seja, ela própria, uma referência para o lazer de visitantes e moradores locais. As expectativas se referem à implementação da Estrada-Parque Modelo do Caparaó e foram discutidas durante reunião realizada nessa terça-feira (8) reunindo o Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Território do Caparaó Capixaba (Consórcio Caparaó), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entidades não governamentais da região e diversos órgãos e secretarias do governo do Estado. Um ponto fundamental para o alcance dessas expectativas, expuseram as entidades, é a transferência da gestão da rodovia ES-190, e trechos de outras estradas que compõem a idealizada Estrada-Parque, para o Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), totalizando cerca de 80 km. Atualmente sob guarda da Secretaria de Estado de Agricultura (Seag), por meio do programa Caminhos do Campo, essas estradas estão limitadas a padrões de obras e gestão que não cabem nas necessidades de uma Estrada-Parque Modelo. Reprodução O projeto foi idealizado há três décadas por ambientalistas fundadores da Associação Pró-Melhoramento Ambiental da Região do Caparaó (Amar Caparaó), e há cerca de um ano vem tomando forma dentro do governo do Estado, a partir de proposições lideradas pelo Consórcio. É ele quem vai oficializar o pedido de transferência para o DER-ES e, num segundo momento, irá contratar, juntamente com o Sebrae, o projeto de “branding” da estrada-parque. “O DER tem condições de fazer, ano a ano, cada trecho das pavimentações e depois a sinalização e o paisagismo que o branding vai apontar”, explica Dalva Ringuier, secretária-executiva do Consórcio Caparaó. Todo o processo, afirma, será acompanhado por uma “comissão do branding”, que contará com as entidades que já participam das reuniões, iniciadas em junho passado, e outras que se somarem ao processo, entre elas a idealizadora da estrada-parque modelo, a Amar Caparaó. “A comissão vai ver o que a gente espera dessa estrada, para que ela seja uma referência para o turismo, para o desenvolvimento e para a integração das comunidades”, invoca a secretária-executiva. “Vamos ouvir as comunidades para criar os mapas, instalar os totens, os mirantes, fazer as ações de divulgação e marketing”, conta. Tudo, ressalta, respeitando a tradição turística diferenciada do Caparaó Capixaba, que privilegia um turismo de contemplação e harmonia com a natureza e de valorização das tradições culturais locais. Um modelo implementado com sucesso pelo projeto Cama & Café, do qual o Consórcio foi protagonista, junto com a Secretaria de Estado do Turismo, no início dos anos 1990, e que depois foi replicado em outras regiões do Estado. “Para ser bom para o turismo tem que ser melhor ainda para o morador. Privilegiamos as vivências e experiências com a natureza, com o sagrado que está na água, na floresta. Queremos continuar atraindo esse público”, afirma. Fundadora e integrante da diretoria da Amar Caparaó, Núbia Lares concorda com Dalva. “Que tipo de turismo queremos trazer para o Caparaó? Precisamos de um desenvolvimento que não descaracterize o lugar, que preserve a territorialidade, as características do povo local. Precisamos de um turista que venha com respeito e harmonia com a natureza”, pontua. A transferência para o DER, pondera, parece a melhor solução também para garantir uma melhor qualidade para a pavimentação das estradas. “Hoje, o próprio capixaba aconselha o visitante a passar por Minas Gerais, porque as estradas no Espírito Santo estão sempre muito ruins”, diz. Mas a qualidade, no entanto, não deve se limitar a um asfalto mais resistente, pois o projeto original da estrada-parque prevê pavimentações diferenciadas, mais ecológicas. “O sonho do Constantino era de uma estrada diferenciada e isso se tornou o sonho da Amar”, ressalta, referindo-se ao saudoso jornalista Constantino Korovaeff, também fundador da ONG, mentor de toda uma legião de ambientalistas que se reuniram na região do Patrimônio da Penha, em Divino de São Lourenço, um dos epicentros do turismo ecológico e místico do Caparaó Capixaba, e até hoje considerado um grande mestre. Dalva reforça a fala de Núbia. “Sempre relembramos os ideais de Constantino para essa estrada. Não podemos perder essa origem”. Nesse sentido, assevera, todo o trabalho de branding será focado na valorização das comunidades. “Os moradores devem ser os protagonistas do desenvolvimento do turismo. Os empreendimentos de fora são bem vindos, mas desde que respeitem os moradores. Eles devem se adequar à realidade local e não o contrário”, ressalta secretária-executiva do Consórcio, alertando que em muitas regiões turísticas, mesmo no Espírito Santo, empresas de fora envolvem os moradores apenas como servidores de seus negócios, o que não pode ser aceito no Caparaó. Núbia faz coro. “O branding tem que atender às necessidades reais do povo”. Por uma estrada que integre as comunidades e proteja a natureza e a paisagem Criada em 1995 por ambientalistas, ideia da Estrada Parque Modelo do Caparaó ainda busca espaço para virar realidade https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/por-uma-estrada-que-integre-as-comunidades-e-proteja-a-natureza-e-a-paisagem Morre o jornalista e ambientalista caparaoense Constantino Korovaeff https://www.seculodiario.com.br/noticias/morre-o-jornalista-e-ambientalista-caparaoense-constantino-korovaeff Estrada Parque Modelo do Caparaó: sonho que começa a se realizar? Prioritária no Plano de Ação regional, estrada tem aceno do governo para iniciar este ano em 12km dos 100km https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/estrada-parque-modelo-do-caparao-sonho-que-comeca-a-se-realizar Caparaó mobiliza governos e sociedade para criar APA no entorno do parque Proposta caminha em paralelo à polêmica concessão da exploração do uso público à iniciativa privada https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/caparao-mobiliza-governos-e-sociedade-para-criar-apa-no-entorno-do-parque
Camila e Iriny denunciam interesse político por trás do consórcio entre estados
Deputadas foram as únicas que votaram contra a participação do Espírito Santo no Cosud, aprovada pela Assembleia Ausência de transparência, interesses políticos para desestabilizar o governo do presidente Lula e repúdio às declarações separatistas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foram os pontos apontados pelas deputadas Camila Valadão (Psol) e Iriny Lopes (PT), as únicas a votar contra a participação do Espírito Santo no Consórcio de Integração dos Estados do Sul e Sudeste do Brasil (Cosud), na sessão desta terça-feira (8) da Assembleia Legislativa. O projeto, de autoria do governo do Estado, aprovado pela Assembleia, formaliza decisão adotada por Renato Casagrande (PSB) ao participar, em junho deste ano, da reunião de governadores do Sul e Sudeste, em Belo Horizonte, que elegeu o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, como primeiro a comandar as ações do colegiado. Formado por maioria de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Cosud foi criado em meio a polêmicas, reforçadas por afirmações de Romeu Zema, de cunho separatista, que estabeleceu a necessidade de maior poder político para o Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo do que para os estados nordestinos. Para a deputada Iriny Lopes, em discurso para justificar o voto contrário, “seremos levados de roldão”, referindo-se ao tamanho do Espírito Santo, comparado com os outros estados da região, como São Paulo, Minas, Paraná e Santa Catarina. Acrescentou que se trava “uma luta política desqualificada, baixa e cheia de fake news”, ao apontar que “por trás desse Cosud, há um grande movimento para impedir o presidente Lula de governar”. A deputada afirmou que o país atravessa uma convulsão política que ainda não foi debelada e citou o fosso da desigualdade, sendo interrompida pelo falatório de outros deputados, forçando-a a protestar e levando o deputado Danilo Bahiense (PL), que presidia a sessão, a chamar a atenção do grupo, citando nominalmente o Capitão Assumção (PL). Já a deputada Camila Valadão, depois de repudiar a fala de Romeu Zema, considerando-a uma demonstração de xenofobismo e retrocesso, questionou o projeto do governo do Estado por ausência de transparência e classificou a iniciativa como “um versão distorcida” do consórcio criado pelos governadores do Nordeste, região que, historicamente, sempre recebeu menor volume de investimentos. Para Camila, o conselho consultivo do Cosud não tem a garantia de representação popular, e o projeto, de forma geral, não indica o objetivo detalhadamente. Projeto A participação do Espírito Santo no Cosud foi aprovada em dois dias. O projeto começou a tramitar na segunda-feira (8), e nesta terça, entrou no regime de urgência, passando à unanimidade pelas comissões de Constituição e Justiça e a de Finanças, presididas pelo deputado Mazinho dos Anjos (PSDB) e Tyago Hoffmann (PSB). No texto, o governador Renato Casagrande (PSB) explica que o projeto visa “promover a integração dos entes consorciados, a consecução dos interesses comuns, o planejamento integrado e desenvolver políticas de integração para melhorar a qualidade do serviço público”. Com prazo de vigência indeterminado, o PL 613/2023 estabelece que o consórcio será mantido financeiramente pelos estados-membros mediante transferência de verbas (contrato de rateio), patrocínio, contratações, prestação de serviços, rendimentos e doação de bens móveis e imóveis.
Portuários denunciam ‘tentativa de manipulação do Judiciário por patrões’
Trabalhadores realizam manifestações nos portos e navios de todo o país no primeiro turno desta quarta-feira Leonardo Sá Trabalhadores dos portos de todo o país realizam uma mobilização nesta quarta-feira (9) em repúdio a uma “tentativa de manipulação do Poder Judiciário por parte de entidades patronais” que denunciam estar em curso. No primeiro turno de trabalho, durante uma hora, lideranças sindicais irão panfletar na entrada dos portos ou no costado dos navios, divulgando a nota de protesto dos portuários brasileiros. No documento, os trabalhadores descrevem a manobra empreendida por advogados dos patrões. A nota de protesto foi aprovada por unanimidade pelas 73 entidades presentes na Plenária das Três Federações, realizada nos dias 27 e 28 de julho, em Brasília, reunindo as três federações nacionais que representam os trabalhadores dos portos: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviário e Aéreo, na Pesca e nos portos ((CONTTMAF)); Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); e Central Única dos Trabalhadores (CUT). No Espírito Santo, um exemplo da aplicação prática do entendimento patronal da legislação portuária ocorre com a Technip. Presidente do Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo (Suport-ES), Marildo Capanema conta que a empresa alega não precisar seguir a lei e pode deixar de contratar os avulsos – que têm exclusividade e não prioridade na contratação – porque fechou sua fábrica de tubos flexíveis, transferida para o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, e arrendou uma área no Porto de Vitória. “Eles não saíram da poligonal, estão dentro da área de porto público. Estão se sobrepondo à lei”, afirma, com base em reunião realizada entre o sindicato e a direção da empresa. O próximo passo é fazer uma nova reunião, desta vez com a presença da Vports, a empresa que assumiu a autoridade portuária capixaba, após a desestatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). “A Vports tem que intervir nisso. Ela é a autoridade portuária agora, privada. É ela quem arrenda terreno, discute questões trabalhistas, tarifa, dragagem”. Segundo o presidente do Suport-ES, a Technip alega que a Vports está de acordo com essa mudança na contratação da mão de obra, mas não é o que o sindicato tem percebido em conversa com a Vports. “Precisa fazer uma acareação”, posiciona Marildo Capanema. A expectativa é de que todos os portos e terminais do Espírito Santo recebem os protestos da mobilização nacional. Doutrinação patronal A nota de repúdio expõe, em linhas gerais, que tem ocorrido uma “sistemática exclusão dos trabalhadores em eventos promovidos por entidades empresariais do setor portuário (…) [que] discutem assuntos de interesse do setor empresarial e incitam alterações na legislação portuária”. Nesses eventos, elencam, participam Órgãos Gestores de Mão de Obra (OGMOs), seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), feiras empresariais, advogados patronais e autoridades do Poder Judiciário do Trabalho, e que “nem sempre são convidadas as entidades sociais de representação nacional dos trabalhadores e seus advogados”. Mas, mesmo quando são convidados, “tal participação laboral é muito restrita e sem o direito ao contraditório. Há, ainda, casos de rigorosa proibição da presença das representações de portuários”. Os portuários acreditam que o objetivo desses eventos, “salvo melhor juízo”, é o de “criar doutrinas a serem utilizadas para formar jurisprudência judicial e até mesmo para servir de subsídios em processos de alteração da legislação portuária, com a finalidade de reduzir ou eliminar direitos e conquistas dos trabalhadores dos portos, fragilizando seus sindicatos e liberalizando a mão de obra para aumentar o lucro das empresas e operadoras portuárias, bem como criando óbice a cumprimento do Tratado Internacional ratificado pelo Brasil (a exemplo da Convenção 137 da OIT)”, práticas que consideram “drasticamente impiedosas com os trabalhadores e suas famílias”. Segundo a nota de protesto, “as participações especiais de juízes, desembargadores e de ministros são, em geral, estrategicamente direcionadas a proferir palestras ‘coincidentemente’ em defesa de posições desses empresários, referentes a assuntos em pauta na Justiça do Trabalho, notadamente, contra a chamada ‘exclusividade’ para contratação de trabalhadores avulsos a vínculo empregatício, sobre ‘adicional de risco’, ‘multifuncionalidade’ e a confirmação de autonomia ilegal e inconstitucional ao OGMO para baixar regras, inclusive de escalação na vacância de instrumento coletivo de trabalho sem a participação (…) dos sindicatos, bem como sobre alteração da legislação portuária referente a dispositivos que favorecem aos trabalhadores do porto”. O cenário, afirmam os trabalhadores, é de desrespeito, “inclusive por muitas autoridades participantes do diálogo social defendido rigorosamente pela Organização Internacional do Trabalho, assim como está sendo inobservada a estrutura republicana e democrática”. Justiça é acionada para garantir trabalho a portuários da antiga Codesa – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/justica-e-acionada-para-garantirtrabalho-a-portuarios-da-antiga-codesa
CMEI em Tabuazeiro adotará período integral, mas comunidade escolar é contra
Mudança foi anunciada pela Prefeitura de Vitória sem diálogo, apontam responsáveis e profissionais Mais um colégio da rede municipal de ensino de Vitória pode vir a ser integral mesmo sem a concordância da comunidade escolar. Trata-se do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Jacy Alves Fraga, em Tabuazeiro. Os responsáveis pelos estudantes questionam a mudança, pelo fato de que as aulas terminarão às 16h, o que os impossibilita que busquem as crianças, por ser horário de trabalho. Há aqueles que defendem, ainda, a permanência em casa em um turno, e assim preferem, o que entendem como um direito das famílias. PMV Professores também apontam prejuízos para a categoria, que passaria, obrigatoriamente, a trabalhar o dia todo no CMEI. Pai de um aluno, o microempresário José Carlos Durans relata que, caso os responsáveis não possam ou não queiram matricular a criança na escola de tempo integral, terão que encaminhá-la para as dos bairros São Cristóvão ou Maruípe, pois não há outras opções na comunidade. De acordo com ele, devido aos questionamentos, chegou a ser marcada uma reunião no final de julho, à noite, com a secretária municipal de Educação, Juliana Roshner Toniati. Contudo, foi desmarcada pela pasta, que alegou “motivo maior”. A reunião foi remarcada para outro dia, às 7h, horário que, conforme afirma José Carlos, é mais difícil para os responsáveis por causa do trabalho. Por isso, poucas pessoas compareceram. O CMEI irá funcionar de forma integral em uma nova infraestrutura, que está sendo construída. Na reunião, informa José Carlos, foi proposto que isso acontecesse, mas que o imóvel atual continuasse funcionando como um CMEI, só que não de forma integral, para atender a demanda de quem não pode ou não quer aderir ao outro modelo. Contudo, a secretária falou que, para continuar usando o imóvel para esse fim, seria necessário fazer mudança na infraestrutura, como a construção de uma cozinha, pois a alimentação é trazida de fora. Foi sugerido, então, que as mudanças estruturais fossem feitas, o que não foi acatado pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos). José Carlos se queixa, ainda, de ter sido feita, no mês passado, uma votação virtual para saber o posicionamento da comunidade escolar, mas havia somente as opções pelo ensino integral ou de ir para escola de outro bairro. Não havia, portanto, a opção de não querer o integral. Uma profissional do CMEI, que não quis se identificar por medo de represálias, aponta outros problemas que podem ser acarretados pela iniciativa da Prefeitura de Vitória. Um deles é a ação do tráfico, que muitas vezes coíbe a mobilidade de moradores de Tabuazeiro para São Cristóvão. Portanto, ter que buscar e levar os estudantes no CMEI do bairro vizinho pode ser perigoso para os responsáveis e as próprias crianças. Outro problema, segundo a servidora, é a imposição aos docentes da atuação em tempo integral, portanto, quem tem cadeira em outros municípios ou na rede estadual de ensino, teria que optar por uma delas. A trabalhadora acredita que a opção da maioria que tiver que passar por isso vai ser sair de Vitória, pois é a cidade com menor salário para o magistério na região metropolitana. “O Conselho de Escola não foi ouvido. Apenas chegaram e disseram ‘vai ser integral’. Uma gestão democrática não toma decisão sem diálogo. Essa gestão não é democrática desde o primeiro dia de mandato, quando começou um lobby pela reforma da Previdência”, diz, referindo-se ao aumento de 11% para 14% na alíquota da Previdência, aprovado em janeiro de 2021 e que até hoje é questionado por todos servidores, sejam eles ativos ou aposentados, além de pensionistas. Uma situação semelhante acontece em Caratoíra, onde o CMEI Sinclair Philips será transformado em unidade de ensino em tempo integral, também sem apoio da comunidade escolar. O Conselho de Escola chegou a realizar uma reunião no dia 2 de agosto com os familiares dos alunos. Embora não tenha sido convidada, a gestão municipal se fez presente por meio da secretária de Educação; do secretário de Governo, Aridelmo Teixeira; e do assessor especial dessa pasta, Luciano Gagno, ex-secretário de Cultura. Redes Sociais Na ocasião, informa o integrante do Conselho de Escola e pai de uma aluna, Arlindo de Almeida, Juliana disse que a própria direção da unidade de ensino solicitou a mudança. Contudo, afirma, não há registro nenhum nesse sentido em documentos ou e-mail. Outro argumento apresentado pela gestora foi de que o prefeito Lorenzo Pazolini foi ao bairro e conversou com moradores, que sinalizaram positivamente para a possibilidade de mudança. A informação também é contestada. “Tenho certeza que esses representantes da prefeitura que vieram aqui, se precisassem voltar sozinhos, não saberiam nem chegar”, aponta Arlindo, evidenciando o distanciamento e a falta de conhecimento da gestão sobre a região. Além da imposição, a mudança para o tempo integral tem sido questionada porque a escola não tem infraestrutura para isso. Arlindo relata que o CMEI se situa em um beco e não tem acessibilidade para pessoas com deficiência nem proporciona condições para que isso seja feito. Também não tem saída de emergência e um terreno foi desapropriado há cerca de 10 anos para ampliação, como forma de resolver os problemas de infraestrutura, o que não foi concretizado. A escola, atualmente, tem jornada ampliada, ou seja, funciona das 7h às 17h. No horário integral, funcionaria das 8h às 16h, um horário mais difícil para quem trabalha e, por isso, teria que pagar alguém para buscar e levar a criança, como explica Arlindo. No primeiro caso, não há, ainda, obrigatoriedade de deixar a criança durante todo período no colégio, ao contrário do integral. O integrante do Conselho Escolar relata que a justificativa da secretária Juliana Roshner sobre esses pontos, é de que será feita reforma. “Não se mexe no avião em pleno voo. Como fazer uma obra com as crianças lá dentro?”. A mudança para o integral também acarretaria em uma redução de cerca de 50% dos estudantes do CMEI, portanto, seriam perdidas por volta de 125 vagas. Além disso, as classes para crianças de seis meses a um ano seriam extintas. Assim, os pais que não conseguissem matricular seus filhos teriam que recorrer a unidades de ensino de
Ministério Público não pode mais ser contra adoção por casais homoafetivos
Senador Fabiano Contarato é autor da solicitação, aprovada à unanimidade por Conselho Nacional Membros do Ministério Público estão proibidos de se manifestarem de forma contrária à adoção de crianças e adolescentes com base na orientação sexual dos adotantes. A decisão é do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e foi adotada por solicitação do senador Fabiano Contarato (PT), na sessão dessa segunda-feira (8), à unanimidade. Ao destacar a responsabilidade do Ministério Público no combate à discriminação e na igualdade de direitos de todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, os conselheiros reforçaram que ficam “vedadas, nos processos de habilitação de pretendentes e nos de adoção de crianças e adolescentes, guarda e tutela, manifestações contrárias aos pedidos pelo fundamento exclusivo de se tratar de casal ou família monoparental homoafetivo ou transgênero”. A proposição foi relatada pelo conselheiro Engels Augusto Muniz. “Hoje, o CNMP está fazendo história, porque, além de pedagógico e contundente, decide que esses tipos de comportamento não vão mais se repetir. O MP está dando um passo humanizador, de empatia, de se colocar na dor do outro, exercendo o seu verdadeiro papel”, disse Contarato. O senador havia feito o pedido ao CNMP em junho. O objetivo, aponta, é evitar que casos de homofobia sejam registrados no Brasil e até impeçam casais de conseguirem finalizar processos de adoção. “Durante o processo de adoção do Gabriel, passei pelo preconceito de um promotor que, sem pensar no bem do meu filho e no amor que colocamos durante todo o processo, quis negar a adoção alegando que não era possível a dupla paternidade. Não desistimos. Lutamos pela adoção e pelo Gabriel. E conseguimos. Hoje, ele e Mariana, que também foi adotada por mim e pelo meu marido, Rodrigo, são os amores das nossas vidas”, lembra o senador. A legislação brasileira orienta a adoção pelo interesse da criança e do adolescente. Tanto a Constituição Federal quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente qualificam a condição da pessoa adotada como a de filho. O Ministério Público tem um papel fundamental durante o processo, participando das fases de autorização dos pedidos dos adotantes. “Adoção é ato de amor, de doação, de entrega. É a constituição de uma família, de um lar. Não podemos aceitar homofobia ou qualquer outro tipo de preconceito. Nenhuma pessoa tem o direito de negar o amor paterno ou materno com base na orientação sexual”, afirma o senador. Em março deste ano, o senador Fabiano Contarato venceu uma ação judicial movida em razão da conduta apontada como homofóbica do promotor de Justiça do Espírito Santo Clóvis Barbosa Figueira, que atuou no processo de adoção de Gabriel, em 2017. Durante o processo, o promotor fez comentários preconceituosos para se referir ao senador e ao marido, Rodrigo Groberio. A Justiça homologou os valores de indenização e determinou o pagamento. O valor por dano moral foi fixado em R$ 12,7 mil para cada autor (Contarato e o marido), e não cabe mais recurso. Contarato vence ação judicial contra promotor acusado de homofobia – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/contarato-vence-acao-judicial-contra-promotor-acusado-de-homofobia
Contagem regressiva para a maior mobilização política feminina da América Latina
ES levará 800 mulheres para a 7ª edição do evento, em Brasília, que este ano é chamado de “marcha da esperança” José Cruz/Agência Brasil Da “marcha da resistência” para a “marcha da esperança”. Na próxima segunda-feira (14), cerca de 800 mulheres capixabas, em 14 caravanas oriundas de norte a sul do Estado, seguirão rumo a Brasília para integrar uma multidão de mais de 100 mil mulheres, na realização da 7ª Marcha das Margaridas, nos dias 15 e 16 de agosto. Realizada há vinte anos a cada quatro anos, o tema desta edição é “Pela reconstrução do Brasil e pelo bem viver”. A expectativa é de que a pauta de reivindicações, que será entregue ao presidente Lula (PT) e diversos ministros, tenha uma resposta objetiva de encaminhamentos durante a Marcha. “A pauta foi elaborada a partir de uma escuta em rodas de conversa com as mulheres no Brasil inteiro. A gente espera que resulte em políticas públicas afirmativas, que façam a diferença na vida das mulheres”, afirma Fabiana Delucca, diretora da Secretaria de Mulheres, Formação e Organização Sindical da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Espírito Santo (Fetaes) e coordenadora da Regional Sudeste da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidades que organizam a Marcha, respectivamente em âmbitos estadual e nacional, com apoio de quase vinte organizações nacionais e internacionais. Um ato político realizado nesse sábado (5), durante a Feira da Agricultura Familiar e 5ª Feira Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais (Femtru), marcou a mobilização capixaba para a Marcha. “Dos 320 expositores, 90% eram mulheres. Foi uma feira muito bonita, que mostrou a importância da mulher trabalhadora rural”, pontua Fabiana Delucca. A diretora da Fetaes ressalta que a representatividade capixaba será diversificada na Marcha. “Temos vinte ônibus, que sairão de todas as outras regiões do Estado. Nós construímos coletivamente as caravanas com os movimentos sociais”, explica, citando o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos Atingidos por Barragens (MAB), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de organizações indígenas e quilombolas. Representatividade e diversidade que inclui as mulheres da região metropolitana que praticam ou não agricultura urbana. “Trabalhadoras em geral, porque a pauta das margaridas tem uma luta muito grande contra a violência contra a mulher”. Divulgação/Fetaes Ela lembra ainda que a última marcha, de 2019, não fez entrega de pauta de reivindicações. “Era um governo que não dialogava com os trabalhadores nem com as mulheres, muito pelo contrário, fazia muita incidência de violência contra as mulheres. Então, dialogamos com a sociedade naquele ano. Foi um período de disseminação de muita violência, estavam todos com medo”. A mudança no cenário político transformou totalmente o tom do evento de 2023, ressalta. “Foi a marcha da resistência, essa é a marcha da esperança. Agora temos um governo que tem dado todas as possibilidades para as mulheres, que entende que as mulheres têm uma importância fundamental para o desenvolvimento do país”. Ainda assim, o machismo estrutural se mantém na sociedade, por isso a necessidade da grande mobilização. “Precisamos lutar para desenvolver liberdade e autonomia para as mulheres. É muito desafiador”, afirma. A programação na capital federal envolve várias ações de formação, oficinas, atividades culturais e painéis. Os temas, relacionados aos “desafios que as mulheres ainda vivem no cenário atual, de violência, de busca de autonomia e liberdade, de apoio para a produção agroecológica”. Entre as apresentações culturais à noite, estará um grupo capixaba de cultura pomerana. Pauta nacional A Pauta da Marcha das Margaridas foi entregue ao governo federal, durante evento com a participação de 13 ministras e ministros de Estado, no Palácio do Planalto, no dia 21 de junho. O evento contou com a presença de 13 ministras e ministros de Estado, diversas/os parlamentares, Diretoria da CONTAG, Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da CONTAG, representantes de movimentos sociais e convidadas em geral. No mesmo dia foi entregue a Pauta voltada ao Legislativo para o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira. A pauta traz propostas organizadas em 13 eixos temáticos: Democracia participativa e soberania popular; Poder e participação política das mulheres; Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo; Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade; Proteção da Natureza com justiça ambiental e climática; Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética; Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios; Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns; Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional; Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda; Saúde, Previdência e Assistência Social pública, universal e solidária; Educação Pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo; e Universalização do acesso à internet e inclusão digital. Sementes de Margarida Alves A Marcha tem como força inspiradora a luta de Margarida Maria Alves, uma mulher trabalhadora rural nordestina e líder sindical, que rompendo com padrões tradicionais de gênero ocupou, por 12 anos, a Presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Por lutar pelo direito à terra, pela reforma agrária, por educação, por igualdade e por defender direitos trabalhistas e vida digna para trabalhadoras e trabalhadores rurais, Margarida Alves foi cruelmente assassinada na porta da sua casa, no dia 12 de agosto de 1983. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas. É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade. “De Margarida nos tornamos sementes. Em agosto, vamos realizar a 7ª Marcha das Margaridas”, anunciou Mazé Morais, que disse ainda que, nesse ano, são 23 anos de realização da Marcha e 40 anos do assassinato de Margarida Alves. “Nós nos guiamos pelos princípios do feminismo anticapitalista, antirracista e antipatriarcal. Um feminismo que valoriza a vida, vinculado à defesa da
Livro com fotos históricas de mulheres escritoras será lançado em Vitória
Obra é resultado de mobilização iniciada há um ano, que reuniu escritoras de diversas regiões do País Há exatos um ano e dois meses, mulheres de diversas partes do Brasil se reuniram em suas respectivas cidades para uma foto histórica das escritoras. Hoje essas imagens estão disponíveis no livro Um Grande Dia Para as Escritoras – Autoras do Brasil Mostram a Cara, que será lançado nesta sexta-feira (11), a partir das 18h, na Biblioteca Pública Municipal Adelpho Poli Monjardim, no Centro de Vitória. A obra traz 53 fotografias, que reúnem mais de 2,3 mil escritoras, inclusive as do Espírito Santo, que tiraram a foto histórica na Escadaria Maria Ortiz, no Centro da Capital. Luara Monteiro A ideia de fazer o registro foi inspirada na foto “Um Grande Dia no Harlem”, quando, em 1958, a convite da revista Esquire, o fotógrafo Art Kane resolveu registrar a efervescência da cena do jazz dos Estados Unidos convidando todos os músicos que estivessem em Nova York para uma foto. Ao todo, compareceram 57, originando uma imagem que se tornou um registro histórico da chamada “era de ouro do jazz”. Lançado pela editora Bazar do Tempo, além das fotos, o livro traz os nomes de cada uma das escritoras registradas nas imagens e depoimentos das organizadoras das fotos nas cidades onde foram tiradas, abordando o que significou aquele acontecimento. “Foi uma forma de dar mais visibilidade para as escritoras e debater sobre o fato de que o mercado editorial e as premiações ainda são muito masculinos, um dia de botar a cara, como diz o nome do livro”, diz a integrante do Leia Mulheres, Taiga Scaramussa, que mobilizou as escritoras para a atividade no Espírito Santo. Grande Dia Para as Escritoras – Autoras do Brasil Mostram a Cara é organizado por Giovana Madalosso, Paula Carvalho, Esmeralda Ribeiro, Sony Ferseck e Deborah Goldemberg. A edição conta com uma sobrecapa especial com todas as fotografias do livro, que também pode ser usada como um pôster, com a frase “Uma escritora puxa a outra”. Os livros não estarão à venda no dia do lançamento, podendo ser adquirido no site da editora. Durante o evento da próxima sexta, as escritoras receberão seus exemplares e farão um “autografaço”, que é como chamam os autógrafos a serem trocados entre elas. Também haverá exposição e venda de livros publicados por elas durante suas carreiras literárias, atividades culturais e coffe break. Uma das mais de 70 escritoras que participaram da foto histórica em Vitória, Suely Bispo afirma que “foi um momento bonito de encontrar, de conhecer outras mulheres que escrevem”. “Foi importante participar, estar junto. É um movimento que nos dá mais força”, exalta. Mulheres negras Um Grande Dia Para as Escritoras – Autoras do Brasil Mostram a Cara não foi o único fruto da foto histórica. Um mês depois, em julho de 2022, foi criado o Coletivo Tereza de Benguela, composto por escritoras negras do Espírito Santo. Nos meses de março, junho, setembro e dezembro, ou seja, a cada estação, elas realizam um evento aberto ao público com música, declamações, recitais e depoimentos. A ideia de se guiar pelas estações, explica a escritora e organizadora do Coletivo, Luciana Santos, é porque o grupo tem em si também a questão da religiosidade de matriz africana, e as estações remetem às forças da natureza. Divulgação O Coletivo começou com 16 mulheres e agora conta com 34. Os eventos são feitos de maneira itinerante, buscando contemplar vários municípios. Para Luciana, a iniciativa é importante porque “quando a mulher negra escreve, leva para a literatura a sua realidade”. De acordo com ela, um dos objetivos do grupo é transformar o coletivo em uma academia de letras de mulheres negras. “As mulheres pretas produzem muito no campo intelectual, mais isso não é mostrado”, destaca. Mobilização busca dar visibilidade às mulheres escritoras do Estado Mulheres se reuniram para foto histórica que pode ser pontapé para criação de um coletivo de escritoras https://www.seculodiario.com.br/cultura/mobilizacao-feminina-busca-dar-visibilidade-as-mulheres-escritoras
A quem servem as sombras
A verdade e o interesse na política Vem da origem da filosofia grega, mais precisamente pelo Séc. III a.C., a visão aristotélica de que o homem é um animal político – Zoon politikon, animal racional, que pensa e fala. Ideia de mais de 2 mil anos que define a condição do ser humano em sua existência social, sofrendo até hoje o preconceito da ignorância, que toma o conceito pela forma como ele é manipulado. A grosso modo, pela atuação comum (não confundir com normal) dos políticos. Existe em nossa sociedade, principalmente no meio mais popular, uma aversão por esse “tipo” de pessoa, o político e, mais ainda pelo tema, por isso é muito comum que as pessoas se excluam de conversas quando escutam explicitamente o conceito política. Bem, primeiro vamos esclarecer que a política não se restringe à política partidária, tão presente nos periódicos. A política, como definiu o estagirita, é condição do ser humano que precisa estar sempre exercitando a política em suas relações. Para melhor compreender a afirmação do filósofo, podemos refletir sobre a menor célula da sociedade, a família, que sob qualquer traçado tem sua constituição política. Inicia-se com uma política de aproximação, constrói-se uma política de convivência social em intensa negociação de onde frequentar, com quem se relacionar, como se divertir, etc. se chegam filhos ou agregados, é definida uma política de hierarquia muito bem delineada entre os moradores adultos, crianças/adolescentes e jovens. Desde os regulamentos diários e as responsabilidades de cada um, até a definição de a quem cabe cada tipo de correção, orientação, etc. Enfim, negociação e política estão sempre em pauta. Aqui quero tratar das consequências do preconceito que a política enfrenta junto às pessoas comuns, principalmente aquelas que estão na base das organizações sociais e comunitárias. As sombras, estabelecidas “culturalmente” no assunto, são muito bem utilizadas por alguns políticos profissionais estabelecidos, que se aproveitam da ignorância de novos e novas líderes comunitárias, geralmente pessoas simples da comunidade que atendem a uma necessidade de seu bairro, mantendo-as como cabos eleitorais que poderão perpetuá-los no poder. Quanto mais tempo a liderança comunitária leva para entender sua importância na política partidária, mais facilmente é usurpado dela a sua influência direta com o cidadão (aqui eleitor). Muitas vezes, o poder político municipal mantém essas lideranças em seu plantel de multiplicação de votos, atendendo, homeopaticamente, as demandas de seu bairro em troca dos elogios e agradecimentos públicos que essas lideranças possam lhe fazer para manter a “gratidão” da comunidade, sempre fazendo pensar que a obra ou serviço entregue foi produto de sua bondade no atendimento àquela liderança. É desta forma que se perpetuam políticos populistas, geralmente milionários, governando populações carentes iludidas com as sobras da verdade e, pior, se sentindo prestigiadas pelo próprio algoz. Penso que para amenizar esta situação, precisaríamos de políticas públicas na área de formação das lideranças comunitárias, que além das questões de funcionamento das instituições, capacitassem para uma visão crítica da sociedade que vivemos, preparando essas lideranças para a ética na relação de poder exercida entre elas e os políticos ocupantes das instituições. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Direita faz ato para lançar Muribeca pré-candidato a prefeito da Serra
Pablo Muribeca cumpre primeiro mandato de deputado estadual depois de atuar como vereador Partidos políticos do campo da direita e da extrema-direita se reunirão nesta sexta-feira (11) em evento para demarcar espaço e lançar a pré-candidatura do deputado estadual Pablo Muribeca (Patri) à Prefeitura da Serra. Oficialmente anunciado para marcar a posse das novas diretorias do Republicanos e Partido Social Democrático (PSD), Partido da Mulher Brasileira (PMB) e Democracia Cristã (DC) no município, o encontro representa, na realidade, a consolidação do nome de Muribeca nas movimentações à sucessão de Sergio Vidigal (PDT). A ausência do Patriota, atual legenda de Muribeca, no convite do evento, que será realizado a partir das 19 horas, na Escola Integral, é justificada pela fusão do partido com o PTB, estando ainda indefinido o nome que comandará a executiva estadual: Tenente Assis (PTB) ou o ex-deputado estadual Rafael Favatto (Patri). Os dois foram derrotados na disputa para deputado federal nas eleições de 2022. No mercado político, Favatto aparece como favorito, com o reforço do presidente estadual do Republicanos, ex-deputado estadual Erick Musso, que lidera a articulação em torno de Muribeca. Os dois são aliados desde as três gestões de Musso na presidência da Assembleia e nas últimas campanhas eleitorais, a primeira como tentativa de candidato ao governo e depois o Senado, as duas sem êxito. Já Assis era ligado à candidatura do ex-deputado federal Carlos Manato, de outra ala bolsonarista. As comissões executivas dos partidos que organizam o evento na Serra são comandadas por Flavio Serri, PSD, Charles Nunes, Republicanos, Márcio Barros, DC, e Eraldo Silva, PMB. São os principais articuladores da movimentação, que já conta com os vereadores Alex Bulhões (PMN), Anderson Muniz (PRP), Professor Artur (Solidariedade) e Darcy Júnior (Patri). Com o lançamento oficial da pré-candidatura de Pablo Muribeca, que deverá ocorrer até setembro, a ala bolsonarista na Serra poderá ter cinco nomes na disputa: o ex-prefeito Audifax Barcelos (sem partido), o vereador Igor Elson (PL), o vice-prefeito Thiago Carreiro (União), e o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB). No campo da esquerda, o jornalista Ronaldo Cassundé (PT) já se lançou pré-candidato, mas ainda enfrenta uma disputa interna no partido. Ele é do grupo do deputado estadual João Coser. Pablo Muribeca é formado em Educação Física, foi professor em escolas municipais da Serra e iniciou a carreira política como vereador em 2020. No ano passado, foi eleito para o seu primeiro mandato de deputado estadual, com 24,5 mil votos.
Caminhos de 2024
Em meio a nova rodada de ensaios do PSB na disputa à prefeitura da Capital, lideranças do PT sentam-se à mesa… Redes Sociais As principais lideranças do PT no Estado que se movem na direção das eleições de 2024 sentaram-se à mesa nesse domingo (6), leia-se as duplas, de correntes diferentes, Helder Salomão/Iriny Lopes e João Coser/Jack Rocha, e o senador Fabiano Contarato. O encontro foi registrado nas redes sociais, exaltando expressões como “união”, “time Lula” e o “futuro das cidades”. Nada mais expôs publicamente, mas acontece em meio a novas articulações puxadas pelo PSB, do governador Renato Casagrande, partido que é a principal perna de aliança do PT na disputa à Capital e que retomou, nos últimos dias, a possibilidade de lançar candidatura própria ao invés de subir no palanque do deputado estadual João Coser. As cotações seguem em torno do também deputado Tyago Hoffmann e do secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno. A jogada faz parte da mesa de negociação e foi ensaiada outras vezes este ano. Se agora vai de fato avançar, ainda não se sabe. De todo modo, o PT já se prepara e mantém o alerta ligado! Vai receber menos do PSB e de Casagrande do que espera, assim como em 2022? No aguardo, porque ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte! Refresco de memóriaNo último pleito, o PT se sacrificou para aderir ao projeto de reeleição do governador. Basta lembrar da retirada da candidatura ao governo de Contarato e das tentativas frustradas de disputar o Senado. Fora isso… Refresco de memória II…na campanha do segundo turno, participou do movimento que reuniu diferentes setores e entidades sociais para colocar gás no palanque contra o bolsonarista Carlos Manato (PL). Em contrapartida, recebeu uns cargos, mas também aquém. MetaDesta vez, nos movimentos de 2024, a expectativa é não só caminhar com o PSB, mas também receber apoio declarado de Casagrande, o que não aconteceu em 2020, quando Coser avançou para o segundo turno contra o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Retrato atualHá meses, nos arranjos de suplências e acomodação de aliados, a possibilidade de Hoffmann sair da Assembleia era zero. Agora já está aí, com as principais cotações. Entre ele e Damasceno, realmente, faz mais sentido quem já tem um mandato para chamar de seu. Mas…sei não, ainda tenho minhas dúvidas! Retrato atual IIOutro município que o PT precisa se alinhar é Cariacica, entre lançar novamente a professora e ex-secretária Célia Tavares ou aderir à frente ampla em torno do prefeito Euclério Sampaio (União). Também como analisei aqui outro dia, as lideranças têm sinalizado para trajetos diferentes. Helder e Iriny com o plano Célia, Coser e Jack mais alinhados a Euclério. AliançaNo município, o PSB fará parte do palanque do prefeito, que tem anunciado alianças com bastante antecedência. Euclério é “nome da unanimidade”. Única possibilidade de adversário é o PT e Célia. Mais um passoO deputado estadual Pablo Muribeca, não é de hoje, se declara candidato à Prefeitura da Serra. Nessa linha, faz oposição permanente ao prefeito Sergio Vidigal (PDT). Agora, mais um passo na direção do projeto de 2024: convida para evento com quatro partidos, com chamadas como “juntos, em defesa da Serra”, “a mudança chegou” e “novo tempo para a Serra”. Mais um passo IIO evento será nesta sexta-feira (11), às 19h, na Escola Íntegra, em Serra Sede. Os partidos são Republicanos, PSD, PMB e DC. Mubibeca é hoje do Patriota e deve se filiar ao Republicanos. Na Serra, como se vê, as movimentações seguem intensas! Nas redes“Hoje comemoramos 17 anos da Lei Maria da Penha, um marco legislativo de proteção à mulher e contra a violência doméstica e familiar. Lei que inova ao trazer a violência psicológica, patrimonial e simbólica para além daquela concepção estrita de que violência é só agressão física”. Camila Valadão, deputada estadual pelo Psol. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Encontros-desencontros Depois de Coser-Euclério, Jack Rocha é homenageada pelo líder do prefeito na Câmara de Cariacica https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/encontros-desencontro Metas e projeções Previsões prioritárias do PT para 2024 incluem 10 municípios capixabas. Destaque, por razões óbvias, para a Capital, com Coser https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/metas-e-projecoes