Projeto de Pazolini que garante reajuste de 7% para servidores foi aprovado nesta segunda na Câmara O Projeto de Lei nº 157/2023, de autoria da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), foi aprovado por unanimidade na sessão desta segunda-feira (31) da Câmara de Vitória, garantindo reajuste de 7% para servidores do quadro geral, abarcando ativos e inativos. Apesar de o prefeito afirmar que o índice está acima da inflação do período de janeiro de 2021 a junho de 2023, alcançando 20,2%, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Vitória (Sindismuvi) contesta. “É um discurso maquiado de reposição de perda inflacionária”, aponta a presidente da entidade, Waleska Timóteo.Ela explica que a gestão desconsidera que, no primeiro ano, não houve recomposição e que os reajustes foram feitos sempre “de forma tardia”. A recomposição referente a 2020 deveria ter sido feita em janeiro de 2021, assim que Pazolini assumiu a gestão. Contudo, foi dado reajuste somente em julho de 2022, de 12,36%, de forma fracionada, metade em julho e outra metade em janeiro de 2023. Além disso, pontua Waleska, os 7% aprovados nesta segunda não são retroativos a janeiro. Durante a sessão da Câmara, Karla Coser defendeu que, para recompor as perdas salariais, precisaria de um reajuste de 30%, levando em consideração a pandemia e a reforma da Previdência. Também defendeu a criação de uma mesa de negociação paritária para tratar da recomposição. A vereadora defendeu que na gestão do ex-prefeito João Coser (PT) as distorções foram corrigidas. Contudo, o mesmo não aconteceu na gestão de Luciano Rezende (Cidadania), assim como na atual administração, o que vem causando uma “bola de neve”. “Reajuste é bom principalmente quando há ganho real de salário. Para isso é preciso recomposição salarial para restabelecer o poder de compra, defasado pelo acúmulo da inflação”, diz. Karla lembrou que a gestão municipal havia anunciado, por meio da imprensa, que o reajuste seria de 20%, sendo 10% em julho deste ano e outros 10% em janeiro de 2024. “Os servidores foram mais uma vez ludibriados por esse prefeito que gosta de fazer propaganda, mas não entrega o que prometeu”, criticou. O vereador André Moreira (Psol) também fez críticas ao fato de que o índice anunciado não foi o previsto na lei. “O reajuste de 7% não recompõe nenhum valor daqueles que recebem menos de um salário”, afirma. Também destacou que o índice aprovado não é calculado sobre o piso não reajustado dos professores. De acordo o vereador, embora o piso do magistério seja de R$ 4,4 mil, o magistério de Vitória recebe 3,8 mil. Com o reajuste, vai para 4,1 mil.
Grito dos Excluídos vai denunciar violência policial nas periferias do Estado
Falta de diálogo de Casagrande com a sociedade civil será outro ponto da mobilização, que neste sábado, realiza um “ato pré-grito” Na 29º edição do Grito dos Excluídos, os movimentos sociais vão levar diversas denúncias para as ruas. No Espírito Santo, as principais são em relação à violência das forças de segurança pública nas periferias e ao não cumprimento do termo de compromisso assinado pelo governador Renato Casagrande (PSB) com a sociedade civil organizada durante o segundo turno das eleições 2022. O Grito, que acontece tradicionalmente no dia 7 de setembro, já tem local definido. Os manifestantes sairão do Portal do Príncipe e seguirão até o Palácio Anchieta, no Centro de Vitória. Neste sábado (5), acontecerá uma ação pré-grito. Será uma panfletagem, a partir das 9h30, na praça Costa Pereira, Centro de Vitória, como forma de mobilizar as pessoas para o ato anual. O ponto de partida do Grito deste ano foi escolhido por se tratar de uma região periférica, nas proximidades de bairros como Ilha do Príncipe e Morro do Quadro. Já o ponto de chegada, por ser a sede do governo estadual. O tema do Grito é Vida em Primeiro Lugar e o lema é Você tem Fome e Sede de Quê? “. No Estado, aponta Giovani Lívio, do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, “temos muitas fomes e muitas sedes. Temos sede de vida diante de uma força de segurança pública que continua matando jovens negros e periféricos”. Giovani alerta que o Território do Bem, em Vitória, tem sido “perseguido pela Polícia Militar (PM)”. De acordo com ele, é frequente a ação da corporação na região, tendo como resultado a morte de jovens e adolescentes, “com a desculpa de que são traficantes ou usavam armas”. “Muitas vezes ficam forjando, criando cenas. Quando a morte acontece, dizem que os jovens partiram para cima da polícia, mas ao conversar com a comunidade, ela relata que a polícia chega atirando, preparada para o massacre”, diz. A situação se repete em outras regiões. Ele recorda o assassinato do jovem Carlos Eduardo Rebouças Barros, por policiais em março deste ano, na cidade de Pedro Canário, extremo norte do Estado. “A gente vê as forças de segurança pública matarem e levantarem um troféu a cada assassinato”, pontua, chamando de “um convite à morte” a exposição de operações policiais nas redes sociais do secretário estadual de Segurança Pública e Defesa Social, Alexandre Ramalho. Para Giovani, o fato de Casagrande não se pronunciar diante disso e manter Ramalho à frente da secretaria, faz dele alguém que “compactua com essa realidade”. O coordenador do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação diz ainda que o governador “fala muito, mas não cumpre com suas promessas”, referindo-se ao fato de não ter colocado em prática o Pacto Pelo Espírito Santo do Amanhã, assinado nas últimas eleições, e que conta com 13 reivindicações elencadas pelos movimentos sociais. No início deste mês, os movimentos concluíram que não havia possibilidade de diálogo com a gestão estadual, pois, após ser questionado sobre o que havia sido aplicado até então do Pacto, o Governo do Estado não deu nenhuma informação. Giovani elenca outras reivindicações que serão levadas para as ruas no 7 de setembro. “Temos fome de comida para a população em situação de rua. Temos sede de diálogo, temos sede de água encanada. Em muitos morros da Grande Vitória, os moradores chegam a ficar um mês sem água, mas o Estado não supre as necessidades básicas da população. O Estado tem que dialogar com a sociedade. Chega de morte, de violência, de fome, de pais e mães desesperados em casa”, ressalta. Outra reivindicação é a apuração do massacre cometido por um adolescente de 16 anos em Aracruz, norte do Estado, em novembro do ano passado. A arma utilizada no crime, recorda Giovani, era de um tenente da PM, pai do adolescente, portanto, uma arma do Estado. O coordenador do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação também aponta que o crime foi fruto de ações de grupos neonazistas. “Precisa de apuração e punição. O fascismo tem que ser limado para não crescer no Estado”, defende. Entidades repudiam soltura de policial acusado de homicídio em Pedro Canário Thafny da Silva Fernandes é acusado de matar um jovem de 17 anos em abordagem em Pedro Canário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/entidades-repudiam-soltura-de-policial-acusado-de-homicidio-em-pedro-canario ‘Resposta de Casagrande aos movimentos sociais foi decepcionante’ Fórum Igrejas e Sociedade em Ação conclui que é impossível diálogo com a gestão estadual https://www.seculodiario.com.br/direitos/resposta-de-casagrande-aos-movimentos-sociais-foi-decepcionante Casagrande firma compromisso com entidades da sociedade civil Governador se reuniu neste sábado com o Fórum Igrejas e Sociedade e o Movimento Negro do Estado https://www.seculodiario.com.br/politica/casagrande-firma-compromisso-de-politicas-publicas-com-entidades-da-sociedade-civil
Estado de greve continua até apresentação de nova proposta por transportadoras
Tanqueiros suspenderam paralisação por 24 horas enquanto aguardam posição do sindicato patronal Sindirovodiários/ES Os trabalhadores que atuam no transporte de combustíveis no Estado suspenderam, por 24 horas, a paralisação iniciada na madrugada desta segunda-feira (31). O motivo foi a abertura de negociação por parte das empresas no início da tarde, após algumas horas do movimento. As transportadoras avaliam internamente a pauta de reivindicações, para que a entidade que as representa possa levar uma contraproposta ao sindicato dos trabalhadores. “Suspendemos por 24 horas, mas o estado de greve continua, estamos pregando os cartazes em todos os caminhões. Se não aceitarem nossa pauta, a gente volta a parar tudo”, afirma Miguel Leite, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES). Já o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas Líquidas, Inflamáveis, Gasosas, Corrosivas, Químicas e Petroquímicas do Estado (SINDLIQES), Joceny Scheidegger Callenzane, explica que a reunião interna entre as empresas suspende temporariamente o dissídio coletivo que a entidade aventou solicitar ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). “Vamos ouvir as transportadoras e depois pedir uma agenda com o Sindirodoviários”. A pauta reivindicada pelos tanqueiros tem três pontos: reajuste de 15% nos salários e no tíquete-alimentação, pagamento do tíquete durante as férias e pagamento de R$ 5 por cada “boca” do caminhão (duas bocas) ou carreta (três bocas) por viagem. “Fizemos várias reuniões desde antes de maio, que é a nossa data-base. As empresas não atenderam nossas pautas”, afirma Miguel Leite. Segundo a diretoria da entidade, a categoria está 100% mobilizada no estado de greve. Os 30% de serviços em funcionamento, exigidos pela lei, foram cumpridos de meia-noite às 4h da manhã desta segunda-feira, explica Miguel. “Fizemos os 30% até às 4h. Depois parou tudo”. Em cada um dos três pontos de abastecimento da Grande Vitória foram registrados caminhões e carretas paradas: na portaria da Vale em Carapina, na Serra, em São Torquato, Vila Velha, e em Alterosas, também na Serra. Os três pontos, informa Miguel, atendem a todos os postos de combustíveis do Estado, inclusive no interior, além de alguns municípios do sul da Bahia. Cada motorista faz em média duas viagens por dia dentro da região metropolitana e uma viagem para o interior do Estado. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (SindipostosES) informa que os postos de combustíveis trabalham com reabastecimento dos tanques a cada dois dias, em média. Por isso, se um movimento de paralisação perdurar por esse período, pode haver desabastecimento para a população.
‘Difusão da cultura científica ajudar a evitar distorções como o terraplanismo’
Núcleo de Cosmologia e Astrofísica da Ufes realiza evento em Matilde, com atividades abertas à comunidade Divulgação A ciência está ao alcance de todos e a disseminação do conhecimento científico é fundamental para elevar a consciência humana e evitar distorções como o terraplanismo, que tomou força no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A reflexão surge no bojo do Inverno Astrofísico 2023, evento do Núcleo de Astrofísica e Cosmologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Cosmo-Ufes), que este ano acontece na estação ferroviária de Matilde, distrito de Alfredo Chaves, na região serrana, a cerca de 95 km de Vitória. O Inverno Astrofísico é uma escola científica voltada para estudantes de graduação e pós-graduação em Física e áreas afins, que tenham interesse em se especializar em temas como gravitação, cosmologia e astrofísica. Realizado desde 2018, tem como objetivo proporcionar um ambiente propício para discussões e aprendizado, que seja descontraído e favoreça a interação palestrante-aluno. A programação inclui minicursos e palestras que serão ministrados por professores da Ufes, juntamente com convidados de universidades e centros de pesquisa que são referência em astrofísica no Brasil, como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Dentre os assuntos que serão abordados estão: ondas gravitacionais, gravitação, modelos de inflação, gravitação quântica, física solar, equilíbrio das estrelas, perturbações de densidade do universo, buracos de minhoca, estrelas de nêutrons, estrutura causal e estabilidade de buracos negros. Há também uma série de atividades abertas para a comunidade local, como exibições de filmes e visualizações do céu com telescópio. Essa aproximação com a sociedade leiga é uma constante nas atividades do Cosmo-Ufes e de outros setores da Ufes vinculados à Física e à Astronomia, como o Planetário. “Faz parte de uma série de atividades do núcleo, que é dedicado à pesquisa e extensão. A ideia é sempre tentar fazer atividades com telescópio, palestras, para difundir a cultura científica. É uma forma de, entre outras coisas, evitar que distorções como o terraplanismo não se propaguem mais, pois as pessoas passam a entender porque a ciência faz afirmações e como é o processo de conhecimento científico”, argumenta o professor Júlio César Fabris, membro do comitê científico do Inverno Astrofísico. Divulgação Em outros eventos anuais e bianuais essa interação também ocorre, como é o caso do Verão Quântico (realizado nos anos ímpares) e da Escola José Plínio de Cosmologia (anos pares). “São eventos internacionais de ‘pesquisa pura e dura’, que dão visibilidade às pesquisas desenvolvidas no Espírito Santo e que inserem o Estado no circuito científico internacional. São voltados ao público universitário, mas sempre realizamos atividades abertas também”, conta. Sustentabilidade No caso do Inverno Astrofísico 2023, o professor explica que, exatamente devido a esse olhar para a sociedade em geral, o evento tem um foco importante em ciência básica – e um dos temas de destaque é o das ondas gravitacionais, um dos aspectos da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, mais discutidos atualmente -, mas também envolve aspectos que têm interesses mais amplos, como as mudanças climáticas e sustentabilidade. “Astrobiologia e exoplanetas [planetas que estão fora do Sistema Solar] são temáticas voltadas a compreender a origem da vida e a existência da vida em outros sistemas planetários. Isso provoca debates sobre por que a vida surgiu na Terra, o que obviamente gera discussões sobre as condições necessárias para se manter a vida no nosso planeta”, exemplifica Fabris. Na primeira noite na estação ferroviária de Matilde, haverá uma palestra sobre os satélites lançados para a observação do espaço e do cosmos. “Tanto os lançados mais recentemente, quanto os mais antigos. São formas de entender como a ciência produz o conhecimento e porque as afirmações científicas não são arbitrárias, mas partem de estudos profundos”. Outra importante atividade aberta à comunidade é a exibição do filme 2001 – uma Odisseia no espaço, um clássico da ficção científica de Stanley Kubric, lançado em 1968. “Vamos fazer uma exibição pública seguida de debate entre os presentes”. O professor Junior Diniz Toniato, também membro do Comitê Organizador do Inverno Astrofísico, acrescenta uma outra função importante dos eventos científicos e suas pontes com a sociedade, que é disseminar o conhecimento produzido no Espírito Santo, na Ufes, e mostrar que a ciência está acessível a todos. “Qualquer um que se interesse, pode seguir a carreira científica”, convida. “Mesmo em eventos mais avançados, a gente sempre leva para dentro da comunidade local algum diálogo, alguma ponte. Porque não importa quão complicado é a ciência produzida, ela pode ser acessível às pessoas, o é importante é a forma como ela é comunicada”, pondera. Um olhar especial é direcionado às crianças e jovens. “O nosso núcleo busca atender escolas de ensino médio no interior do Espírito Santo e estimular o caminho do conhecimento, para que os jovens possam ter contato com a ciência, se vejam estimulados a continuarem seus estudos depois do ensino médio, queiram ingressar no ensino superior. Mesmo que depois eles se decidam por profissões de outras áreas, como Medicina ou Direito, mas a gente na Astrofísica faz a nossa parte levando a nossa ciência para eles”. Divulgação Também repercutindo a provocação feita no título da matéria, Junior Toniato entende que a insurgência de movimentos com o terraplanismo em pleno Século XXI são em parte resultado de problemas estruturais na educação básica. “Nossos jovens e crianças não estão fazendo conexões entre o conteúdo aprendido na escola e o dia a dia deles. A gente aprende que a Terra é redonda desde muito cedo, isso é experimentalmente ensinado desde o ensino fundamental”, pontua, dando como exemplos a observação de eclipses e da mudança das sombras de objetos ao longo do dia. “São experiências que evidenciam os fortes indícios de que a Terra é redonda, de forma relativamente simples”. Premiação Ao final do evento, o melhor trabalho apresentado por um estudante de graduação receberá o prêmio Antônio Brasil Batista. Outros três trabalhos de alunos de graduação que se destacarem serão contemplados com menções honrosas. O prêmio recebeu esse nome
Alavantu!
Ensinavam mil jeitos de achar casamento, segurar namorado escorregadio, trazer de volta marido fujão As festas juninas se encerram com o dia de São Pedro e deixam saudades – até o ano que vem. Para as coisas boas o tempo demora a passar. Foi-se a metade do ano e nos preparamos para o que ainda vem por aí. O tempo não para e já não se pega o bonde andando. O ser humano, esse desconhecido sem rosto e sem identidade, é persistente: esquece o que não vale a pena lembrar mas espera que tudo melhore daqui a pouco. Ou no mês que vem. * Enquanto isso, na dança da vida vão rodopiando bons e maus, ricos e pobres, justos e pecadores, políticos e eleitores. Votantes e votados remam no mesmo barco, os primeiros se perguntando por que votei nesse cara, os segundos se perguntando se serão reeleitos nas próximas eleições. No circo ali do lado, o palhaço gargalha – Isso é que é coragem! * As chamadas festas juninas se esticam pelo mês de julho. Nos forrós animados, mais uma chance de usar o vestido de rendas e babados que nada tem de caipira e custou uma boa nota. A quadrilha é remanescente dos bailes requintados da corte francesa, em um tempo em que a França ditava a moda no Brasil. O americanismo superou, pior pra nós. * Quando criança em Alegre, as quadrilhas eram marcadas em francês: En avant tour, virou alavantu – todos em frente.. En arriere virou anarriê: Todos para trás. A gente não entendia mas se divertia do mesmo jeito, com vestidos de chita barata e muitos lacinhos de fita; uma rodelinha de ruge nas bochechas já coradas pela vida ao ar livre. * Já o casamento na roça é coisa nossa: o pai de espingarda na mão, o delegado e o padre. Totalmente machista: o sujeito só se casava porque o pai era bravo. E na mira de uma arma. As rezas e adivinhações, tão comuns nos tempos de antanho, não se usam mais. Caíram em desuso como o fogão de barro branco e picolé de groselha. * Havia tratados ensinando mil e um jeitos de achar casamento, segurar um namorado escorregadio, trazer de volta marido fujão. Ou saber se a menina sonhadora acharia seu grande amor perdido em algum lugar da imensa floresta humana. Põe água na bacia e deixe no sereno em noite de lua cheia; joga umas cascas de laranja dentro. De manhãzinha, as tiras de casca formariam a primeira letra do nome daquele com quem iria se casar. Não me lembro de nenhuma adivinhação apropriada para o lado masculino.
Pocando pelo mundo: capixabas no berço do samba carioca
Sambistas Chico Alves e Makley Matos ganharam espaço nas rodas e escolas de samba e fazem carreira no Rio de Janeiro Chico Alves e Makley Matos são dois sambistas capixabas que ganharam espaço nas rodas de samba do Rio de Janeiro e vêm construindo suas carreiras como cantores e compositores. No programa Pocando pelo Mundo, eles falam sobre suas carreiras; a importância dos compositores; o processo de construção e seleção dos sambas-enredo no Carnaval; as semelhanças e diferenças entre a cena do samba carioca e capixaba; e o projeto Cante um Samba na Universidade, que vem acontecendo mensalmente na Universidade Federal do Estado (Ufes), trazendo grande compositores para o Estado. — * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
‘O que mais acontece entre os não ciganos é homem que mata mulher’
Nilcélia de Jesus relata aumento da discriminação contra a comunidade cigana após assassinato de Hyara Flor A morte da jovem cigana Hyara Flor Santos Alves tem tido desdobramentos no Espírito Santo não somente pelo fato de seu esposo, suspeito do assassinato, ter sido encontrado em Vila Velha, mas também por causa do aumento da discriminação contra a comunidade cigana do Estado. Com a repercussão do caso, relata a tesoureira da Associação Municipal de Etnias Ciganas de São Mateus (AMEC), Nilcélia de Jesus Santos, o “julgamento silencioso”, tão comum no cotidiano desse povo, tornou-se ainda mais acentuado. O que Nilcélia chama de “julgamento silencioso” nada mais é do que os olhares que demonstram condenação e medo direcionados aos ciganos. As atitudes, afirma, têm abarcado ainda práticas como o mau atendimento nas repartições públicas. “Casos de a gente chegar no local e sermos os últimos a serem atendidos, e quando somos, não nos tratarem da mesma forma como tratam os não ciganos. Isso tem aumentado”, destaca. Hyara tinha 14 anos e foi assassinada em Guaratinga, na Bahia, no dia 6 de julho. Estava casada com o acusado, também de 14 anos, há 45 dias. Ele foi apreendido em Vila Velha e foi transferido para a Bahia na última quarta-feira (26). Nilcélia questiona a forma como as críticas ao caso vem sendo feitas, pois é como se isso fosse frequente na comunidade cigana, e somente nela. “A comunidade está sofrendo com esse crime e pede justiça, quem cometeu não pode ficar impune. Sofremos mais ainda pelo fato de tratarem como se fosse algo recorrente entre nós e como se não acontecesse em nenhum outro espaço. O que mais tem entre os não ciganos é homem que mata mulher, mas é muito mais fácil falar daquilo que não se conhece, dar opinião sobre uma cultura que não é a sua, em vez de encarar sua própria realidade”, diz Nilcélia, que recorda que o Espírito Santo tem altos índices de feminicídio. As críticas à cultura cigana, aponta, têm sido feitas também devido ao casamento de dois adolescentes de 14 anos. “Na nossa tradição procura-se um casamento em que a família do marido vai cuidar da menina. Os pais do marido têm que cuidar como se fosse filha, dar o mesmo tratamento que dá aos filhos”, conta. Nilcélia afirma que muitos têm encarado os jovens já serem casados como “um absurdo, uma violência”. “Mas esquecem que é muito comum na sociedade meninas serem violentadas pelos pais, padrastos e outros familiares”. Hyara Flor foi baleada no queixo dentro de casa, levada ao hospital, mas não resistiu. Após o crime, o marido e sua famílias fugiram, sendo encontrados em Vila Velha, na Grande Vitória. O pai da jovem, Hyago Alves da Silva, acredita que a morte foi planejada, já que a sogra da filha estava tendo um caso extraconjugal com um tio da menina, tratando-se, portanto, de uma vingança. Já o pai do suspeito, Júnior Silva Alves, o “Amorim”, diz que o tiro foi acidental, disparado pelo filho de 9 anos ao brincar com a arma.
Limbo identitário de pardos e não-brancos reduz luta antirracista, afirma autora
Janaína Bastos expõe limitações do binarismo branco/negro em Cinquenta Tons de Racismo Qual o lugar da pessoa não-branca na luta antirracista? E quem é a pessoa branca no Brasil do Século XXI? Ela é também não-negra, não-indígena e não-asiática? É mestiça, parda? É menos negra, menos indígena? Um verdadeiro limbo identitário historicamente assombra as pessoas nascidas de cruzamentos de raças e se torna mais espesso quanto mais diluídos são seus traços fenotípicos, quando comparados aos que são postulados como característicos das ditas raças originais. Um limbo que atinge parte significativa da população brasileira, considerando que, segundo o Censo 2022, 45,3% (cerca de 91 milhões) das pessoas se autodeclaram pardas, seguidos de 42,8% de brancos e 10,6% pretos, restando 1,3% para indígenas e asiáticos. Reprodução/IBGE Jovem Para além de uma necessidade pessoal, de conhecer sua ancestralidade complexa e se posicionar socialmente em alguma raça, a mestiça tem ainda um dilema político, quando, ao definir sua identidade racial, ela quer que isso seja feito de forma antirracista, ou seja, de maneira a combater o racismo estrutural brasileiro. Inicialmente, os termos mestiço e pardo foram usados, a partir do final do Século XIX, para executar a política de branqueamento da população, que era majoritariamente negra. Com a abolição da escravatura, os donos do poder na recém-nascida República brasileira precisavam invisibilizar os negros com urgência, para desarticular a luta por direitos que se vislumbrava poder eclodir. A partir daí, os termos foram se intercalando na classificação oficial e é chocante perceber que a raça “indígena” só foi aparecer oficialmente em 1910, segundo registra o Portal Geledés na reportagem As não brancas – identidade racial e colorismo no Brasil, mas cujo infográfico só registra essa introdução em 2010. Reprodução/Geledés A invisibilidade da miscigenação indígena se mantém, de certa forma, em 2023. Apesar da classificação em cinco raças do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) definir a denominação parda como sendo aquela que resulta da mistura de quaisquer das outras quatro raças (negro, branco, indígena e asiático), há um movimento consolidado no Brasil que busca associar o pardo como a pessoa negra de pele clara, enquanto preto é o negro de pele escura, sem mencionar a composição dos povos originários nessa mistura. Na reportagem do Portal Geledés, publicada em abril de 2020, antes, portanto, dessa atualização do IBGE, a jornalista e educadora Inara Fonseca fala dessa invisibilização ao dizer que tem ascendência indígena, da etnia Guató, e que se autodeclara politicamente como mestiça e, no censo oficial, como parda. “Historicamente, por causa dessa política de invisibilização indígena, o pardo vem sendo exclusivamente associado à negritude. Eu uso mestiça para demarcar que minha identidade racial está ligada à minha ancestralidade indígena, e não apenas a fenótipo. Ela não cabe no que se convenciona no pardo, que coloca a negritude como mais visível”, pondera. Cinquenta tons de racismo No livro Cinquenta Tons de Racismo, a doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Janaína Bastos concorda com a necessidade de não reduzir a questão a um binarismo preto/branco e abarcar toda a complexidade da constituição racial brasileira e da luta antirracista no país. “Enquanto as pesquisas acadêmicas e os movimentos sociais insistirem na lógica polarizada, não vamos resolver o problema do racismo. O mestiço não pode ser invisibilizado. O racismo não é binário”, afirma. Arquivo Pessoal A obra é baseada em tua pesquisa de doutorado e traz um apanhado histórico sobre a questão racial brasileira, analisando suas raízes desde o tempo da colonização e do escravismo, passando pelo branqueamento promovido por meio da imigração europeia nos Séculos XIX e XX, até chegar às teorias que percebem a miscigenação como positiva e que dariam origem ao mito da democracia racial, explorado à exaustão como símbolo nacional de harmonia e respeito. Na capa do livro, a autora traz o emblemático quadro A Redenção de Cam, do pintor espanhol radicado no Brasil Modesto Brocos, pintada em 1895, logo após a abolição da escravidão e a proclamação da República. A obra é considerada uma das imagens que melhor ilustra a política de branqueamento da população iniciada na época. Na tela, uma mulher idosa negra com as mãos e o rosto voltados para o alto, em gesto de alívio e agradecimento; ao centro uma mulher jovem negra, mais clara que a primeira, provavelmente sua mãe, com um bebê branco no colo; no canto direito, um homem branco jovem, com olhar e postura de orgulho, olhando para o bebê, provavelmente seu filho. Há mais de cem anos, a pintura tem sido interpretada como retratando um momento de felicidade de uma família multirracial que se alegra com a constatação de que alcançou o alardeado branqueamento em sua terceira geração, representada pelo bebê branco. Divulgação Janaína ressalta que trazer a figura do mestiço ou pardo nesse momento é uma forma de expandir a reflexão antirracista, que se torna reducionista ao se basear no binarismo preto/branco. “Duas perspectivas que nunca nos ajudam a fazer ciência são a negacionista, que nega a existência do problema, e a reducionista, que reduz um problema complexo a algumas partes apenas. Minha pesquisa se propôs a olhar a complexidade da problemática do racismo para propor soluções”. Ao longo da história, diz, “a perspectiva da mestiçagem foi tomada por discurso negacionista por muito tempo, ao afirmar que ‘somos todos mestiços e o racismo não existe, estamos numa democracia racial’. Esse discurso começou a ser combatido a partir do projeto Unesco, com intelectuais da escola paulista de Sociologia”. A Unesco trouxe uma evolução, na década de 1950, à questão ao afirmar o racismo do Brasil e combater, portanto, o negacionismo. Mas o fez de forma reducionista, ressalta Janaína, pois considerava apenas três grupos étnicos: branco, negro e amarelo, excluindo o indígena e os mestiços. “Eles mesmos reconhecem que havia um extrato intermediário, aos quais se referem com vários nomes, mas, ao final, polarizam entre brancos e negros, porque admitem ser complexo demais ampliar isso”, explica. Nem embranquecer, nem enegrecer O problema persiste, prossegue a autora, pois esse estudo polarizado ainda hoje
Decisão da OAB sobre eleição do Tribunal de Justiça é ‘afronta à democracia’
Diretora da Associação Brasileira dos Advogados no Estado critica rejeição da paridade de gênero e cota racial A diretora da Associação Brasileira dos Advogados no Espírito Santo (ABA-ES), Erica Neves, classificou como “uma afronta à democracia” a decisão da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) de rejeitar a proposta de aplicar paridade de gênero e de cota racial na lista sêxtupla que será apresentada ao Tribunal de Justiça (TJES) para a vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional. A vaga em disputa é referente à vaga que será aberta em abril de 2024, em decorrência da aposentadoria do desembargador Annibal de Rezende, que deve ser preenchida por representante da advocacia. Na votação que aconteceu em 2021, coube ao Conselho da OAB-ES escolher 12 nomes entre os candidatos, e a lista sêxtupla foi escolhida por voto direto da advocacia. Agora, será o inverso: caberá à advocacia escolher 12 nomes e, dentre estes, o Conselho estabelecerá a lista sêxtupla. Isso transfere o poder de escolha para um pequeno grupo, em detrimento da categoria inteira. “A escolha da lista sêxtupla não vai ser da advocacia, mas, sim, do Conselho da OAB-ES. Não será uma escolha direta, o que é um desrespeito à democracia. É uma concentração de poder que cala a advocacia, que tira o poder da classe”, critica. A diretora da ABA-ES destacou que as manifestações de conselheiros alegando que não haveria advogadas qualificadas para ocupar o cargo de desembargadora “é absurda, vergonhosa e atinge a moral de todas”. “Estamos sendo prejudicas por quem deveria nos defender. Temos muitas advogadas qualificadas, mas que, justamente por ações excludentes como essas, acabam desencorajadas a concorrer à vaga”, afirma, e lembra que em seccionais onde há paridade, como em São Paulo, as mulheres atingem visibilidade e posições de destaque. “Afirmações como essas são uma prova inequívoca da total desconexão da instituição com a nossa classe. E, pior, elas atacam todas as advogadas que lutam diariamente para sobreviver do seu ofício, atingindo nosso respeito no mercado, no Poder Judiciário e na sociedade”, enfatiza Erica.
Divulgados finalistas do Prêmio da Música Capixaba
Mais na Coluna: Samba; Literatura; Pocar Festival; Biblioteca Municipal de Viana O Prêmio da Música Capixaba divulgou os quatro finalistas de cada uma das 24 categorias. São três escolhidos pela curadoria e um pelo voto popular. Os vencedores serão conhecidos e premiados no dia 26 de setembro, em cerimônia no Teatro da Ufes, campus de Goiabeiras. O evento celebra os profissionais da música capixabas e as realizações musicais feitas durante o ano de 2022. Thais Carletti A premiação está em sua segunda edição. Procura abarcar toda a cadeia da música, premiando não somente cantores e instrumentistas, mas também profissionais como diretor de palco, roadie, técnico de luz, luthier e técnico de som. Além disso, preza pela diversidade com categorias como Vozes Negras e LGBTQIA+ e busca dar espaço para profissionais mais novos no mercado por meio da categoria Revelação Musical. Vozes Negras Thais Gobbo A cantora Monique Rocha chegou à semifinal nas categorias Videoclipe, com o clipe da música Sou Negro e Vozes Negras, mas chegou à final somente nessa última categoria, na qual concorre com Afari, Eugênio Goulart e Elaine Augusta. Elaine, que tem obtido uma popularidade muito grande no cenário artístico capixaba, foi a escolhida por meio do voto popular para disputar a final. AfroKizomba Divulgação A expectativa que se tem a cada ano, nas proximidades do Carnaval, para a saída do bloco AfroKizomba, mostra bem a popularidade do grupo, o que se confirma com a grande quantidade de pessoas que ele leva para as ruas. Mais uma vez essa popularidade é confirmada com a chegada do AfroKizomba à final na categoria Grupo ou Banda, pois foi escolhido pelo voto popular. Também disputam nessa categoria Aurora Gordon, Casaca e ChorouBebel. Revelação Redes Sociais Na categoria Revelação Muiscal, a cantora Ada Koffi foi quem chegou à final por meio do voto popular. Ela competiu na semifinal em outras quatro categorias: Destaque Artístico, Intérprete e Linguagens Urbanas, nas quais não chegou à final, e Música, com a canção Sabor, do single de mesmo nome, lançado em 2022, que prossegue na disputa e pode ser uma das premiadas no dia 26 de setembro. LGBTQIA+ Afronta MC, que tem se destacado no hip hop capixaba, foi a escolhida pelo voto popular para estar na final na categoria LGBTQIA+. Foi a primeira travesti a participar das rodas de rima, em 2019. Ela concorre nessa categoria pela segunda vez. Na primeira edição do Prêmio da Música Capixaba foi vencedora como destaque LGBTQIA+ e Revelação Musical. Este ano concorre também na categoria Artista Solo ou Duo. Samba e Literatura A cantora Ury Vieira, que também concorre na categoria LGBTQIA+ do Prêmio da Música Capixaba, se une a Maicon Gomes, no violão de 7 cordas, e Gabriel Novaes na percussão, para o Samba da Ury. Será nesta quarta-feira (2), às 19h30, no Espaço Thelema, Centro de Vitória. Ainda na Thelema acontecerá a Terça Poética, na terça-feira (1), com o escritor, ator, professor e psicanalista, Marcos Marcelo Lirio, o Tié. Autor dos livros Lençol de Ilusão, Palavra é Arte, Suavidade Sob Pressão e Delírios e Tarja Preta para Desavisados, Tié irá compartilhar sua trajetória no universo literário. Homenagem Divulgação O Pocar Festival de Cultura, em sua abertura, na noite do dia 27 de julho, em Conceição da Barra, norte do Estado, fez uma justa homenagem à mestra Gessi Cassiano, do jongo Santa Bárbara, na comunidade quilombola de Linharinho. Na ocasião, o artista Henrique Selva realizou uma pintura ao vivo da mestra, que tem destacada atuação em ações como o trabalho com a agricultura familiar, a preservação da memória da cultura quilombola e projetos com adolescentes para manter viva a cultura do jongo. Último dia O Pocar finaliza neste domingo (30). A programação do último dia começa com o espetáculo circense Circo de Doido, da Cia. Pé de Cana, às 11h, próximo à Cabana do Kaique. Ao meio-dia, na festa de encerramento, haverá roda de choro e samba “Trio Gererê”, com a participação de Fabíola Guimarães, Elaine Augusta e Silvia Gomes, além do baile de Congo de São Benedito – Ticumbi e do show Ajuntamento Pocar. Reinauguração Como parte das comemorações do aniversário de 161 anos de Viana, na Grande Vitória, nesta segunda-feira (31), às 10h, será reinaugurada a Biblioteca Pública Municipal Júlia Colnago de Miranda, na sede do município. O prédio foi reformado e, além do espaço para os livros, terá áreas para atrações artísticas e culturais, como cineminha, literatura infantil, exposição de arte e espaço para pesquisa digital. Exposições Durante a reinauguração serão lançados dois projetos. Um é a exposição Painel Mosaico Iconográfico, com ícones da cultura vianense em costura criativa, da Ruimara Ateliê, patrocinada pela Lei de Incentivo à Cultura de Viana. A outra exposição é Patrimônio Fotográfico de Viana, que envolveu a digitalização, descrição e difusão do acervo fotográfico da biblioteca. A iniciativa é do arquivologista André Malverdes. Até a próxima coluna! Email: elainerdalgobbo@gmail.com