Com a proposta de promover a cultura e encontros artísticos, um dos destaques é Mateus Aleluia, ícone da música afro-brasileira Irís Zanetti Consolidado como uma referência na cena cultural do Espírito Santo, o Pocar Festival de Cultura realiza sua décima edição entre esta quinta-feira e domingo (27 e 30), em Conceição da Barra, norte do Estado. Serão mais de 30 atrações gratuitas, reunindo música, teatro, circo, cinema, literatura e artes plásticas, que tomarão as ruas, praças e praias do município. Com a proposta ainda de promover encontros artísticos, neste ano, um dos convidados ilustres é Mateus Aleluia, ícone da música afro-brasileira que fez parte do histórico grupo Os Tincoãs e também construiu uma elogiada carreira solo. Aos 79 anos, ele sobe ao palco junto com a Orquestra Jovem Capixaba e o músico Luccas Martins, num verdadeiro diálogo entre gerações. Outro encontro esperado é o da banda capixaba Jahzz, que fusiona reggae e jazz, com o vocalista Fauzi Beydoun, líder da Tribo de Jah, uma das bandas mais importantes do reggae nacional. O São Trio, de Vitória, receberá Eloá Puri, cantora da região do Caparaó. Além disso, valorizar as manifestações culturais de Conceição da Barra, que tem o título de Capital Estadual da Diversidade Folclórica, é uma das marcas desde o início do festival, há 10 anos. Nesta edição, participam atrações como os grupos de jongo de Nossa Senhora Aparecida e de São Cosme e Damião, o Ticumbi de São Benedito, a peça teatral Caburé, apresentações de alunos do Instituto Cultural Tambor de Raiz, o grupo de forró Fogumano e a cantora Fabíola Guimarães. “O Pocar é um ajuntamento de forças, de linguagens, de cultura, uma mostra da diversidade cultural capixaba e brasileira”, celebra Didito Camillo, coordenador do festival, organizado pelo Instituto Cultural Tambor de Raiz. “O diferencial é promover encontros de fato. Não é simplesmente ir para um evento e assistir, mas a possibilidade de vivenciar uma experiência, de interagir com artistas e público e poder trocar sobre as culturas”, exalta. Irís Zanetti O espaço público é o local privilegiado para essa experiência, sendo que o festival preza por palcos mais baixos, que aproximam artistas e público, promovendo diversos momentos em que as atrações percorrem as ruas ou se misturam ao cotidiano da cidade. Entre essas iniciativas estão o Cortejo de Chegança, que abre o evento com a presença de grupos de jongo locais e artistas convidados de vários lugares do Brasil; o Ajuntamento de Sanfona, Viola e Pandeiro “Mestre Mirtinho”, realizado no Mercado Municipal, com mestres da cultura popular tocando junto com artistas visitantes; e o Ajuntamento Pocar, que tradicionalmente encerra o festival com a união de todos convidados. “O Pocar é importante para Conceição da Barra e para o Espírito Santo, por permitir à cultura capixaba se mostrar para o público e para artistas de outros lugares, que vêm conhecer e reconhecer a identidade capixaba e dialogar com ela”, acredita Didito Camillo. O Instituto Cultural Tambor de Raiz, entidade criada em Conceição da Barra, atualmente também possui uma escola de arte e cultura no município, realizando aulas e oficinas de formação para crianças e adultos em artes como violino, coral, capoeira, teatro e jongo. PROGRAMAÇÃO Quinta-feira – 27 de julho Cozinha Industrial15h – Espetáculo “Era Solo que me Faltava” – Lacarta Circo Teatro Praça da Matriz até a Beira do Cais20h – Cortejo da Chegança– Jongo de São Cosme e Damião– Jongo de Nossa Senhora Aparecida– Malê Dixieland– Artistas Convidados Beira do Cais20h30 – Cerimônia de Abertura e pintura ao vivo com Henrique Selva ManaraHomenagem à Mestra Gessi CassianoMarcelino Xibil RamosMostra dos alunos do Instituto Cultural Tambor de Raiz Palco Maria Fumaça21h – Show “Los Durísimos del Barrio Salsa Orquesta” Beira do Cais23h30 – Show “De Viola e Rabeca”, Jeferson Leite e Rafael Gonzá Sexta-feira – 28 de julho Feira da Praça São Pedro9h30 – Espetáculo “Cloro, O Palhaço engolidor de Letras” – Circo Gamarra10h – Literatura a Quilo – Editora Cousa e Saulo Ribeiro10h30 – Ajuntamento de Sanfona, Viola e Pandeiro “Mestre Mirtinho”. Cozinha Industrial15h – Espetáculo de Contos “Contando a Gente Entende” – Rosana Mont’Alverne (Instituto Cultural Aletria) Beira do Cais16h30 (Pôr-do-Sol) – Show com Pentágono Vix Band (Fames – Faculdade de Música do Espírito Santo) Praça da Matriz18h – Espetáculo Teatral “Griô”, Cia. 2 x 219h – Sarau cênico-poético “Conceição Evaristo – Memória e Poesia”, com Carlandréia Ribeiro e Junim Ribeiro Mostra Pocar de Cinema20h – Curta metragem “Do Lado de Cá” – Cine Quilombola, Comunidade Quilombola Graúna e Instituto Marlin Azul Palco Maria Fumaça21h – Show “Banda Jahzz”, convida Fauzi Beydoun (Tribo de Jah)22h30- Show “Banda Casaca”– Malê Dixieland (cortejo) Beira do Cais23h30 – Show “Fogumano” Sábado – 29 de julhoABLA- Academia de Letras e Artes de Conceição da Barra8h -12h – Vivência “Diálogo Transatlântico- Cartografia da Memória e do Afeto”● Encontro formativo com a atriz e arte-educadora Carlandréia Ribeiro, onde será feito um relato sobre a sua viagem ao Senegal. Como se deu esse descruzamento Atlântico e os impactos dessa incursão na perspectiva de construção de uma educação decolonial. Memória, ancestralidade e diálogos entre culturas. Próximo à Cabana Kaique11h – Espetáculo Teatral “Canta Canta Minha Gente” – Rodrigo Robleño EMEF Dr. Mario Vello Silvares13h – 16h30 – Encontro Capixaba de Conselhos Municipais de Políticas Culturais Beira do Cais16h30 (Pôr-do-Sol) – Show “São Trio convida Eloá Puri” Praça da Matriz18h – Espetáculo Teatral “Ubuntu” – Escola de Artes do Instituto Cultural Tambor de Raiz19h – Espetáculo Circense “Xinfrim”- Cia Pé de Cana Mostra Pocar de Cinema20h – Curta-metragem “Quantos mais?” – filme de Lucas de Jesus Ferreira20h30 – Espetáculo Teatral “Caburé” – Instituto Cultural Tambor de Raiz Palco Maria Fumaça21h30 – Show “Orquestra Jovem Capixaba”, convidados: Luccas Martins e Mateus Aleluia– Malê Dixieland (cortejo) Beira do Cais22h30 – Show “Silvia Gomes” Domingo – 30 de julho Próximo à Cabana Kaique11h – Espetáculo Circense “Circo de Doisdo” Cia. Pé de Cana– Malê Dixieland (cortejo) Restaurante do Pintinho12h – Festa de Encerramento– Roda de Choro e Samba “Trio Gererê”, com a participação de Fabíola Guimarães, Elaine Vieira e Silvia Gomes.– Baile de Congo de São Benedito
‘Ramalho tem sido algoz da vida do povo negro no Espírito Santo’
Saída do secretário de Segurança é uma das reivindicações que as mulheres negras levarão às ruas de Vitória na sexta-feira O Fórum Estadual de Mulheres Negras Capixaba (Femnc) lançou, nesta terça-feira (25), o manifesto da I Marcha Estadual da Mulher Negra Capixaba, que acontece na próxima sexta-feira (28), no Centro de Vitória. Entre denúncias a serem levadas para as ruas da Capital estão a violência policial nas comunidades periféricas, a morte da juventude negra em ações das forças de segurança pública, a impunidade que prevalece nesses casos e a saída do coronel Alexandre Ramalho da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). “Ele tem sido algoz da vida do povo negro no Espírito Santo”, enfatiza a coordenadora estadual do Círculo Palmarino, Ana Paula Rocha. “A gente denuncia que a ação da Polícia nas comunidades periféricas é terrorismo de Estado. O Estado está sendo violador. Além de matar, usa o discurso do confronto para legitimar a violência que comete e ele mesmo investiga. A gente quer Ouvidoria externa da polícia”, complementa a ativista. No manifesto, as mulheres também afirmam marchar “contra impunidade de policiais que matam jovens negros pobres e periféricos de forma perversa, a exemplo do policial que assassinou Carlos Eduardo, em Pedro Canário”. Carlos Eduardo foi assassinado em março deste ano pelo policial Thafny da Silva Fernandes, que estava em prisão preventiva, mas foi solto este mês após decisão do juiz Getúlio Marcos Pereira Neves. A Marcha, cujo tema é “Contra a Violência, o Racismo, o Machismo, o Fascismo e pelo Bem Viver”, faz parte da programação do Julho das Pretas, que marca, sempre no dia 25, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A concentração será a partir das 15h, no Palácio Anchieta. As manifestantes seguirão para a praça Costa Pereira, também no Centro. Entre as entidades que fazem parte da organização estão o Círculo Palmarino, Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU), União de Negros e Negras pela Igualdade no Espírito Santo (Unegro), Bloco AfroKizomba e Coletivo Zacimba Gaba. O manifesto conta com cerca de 80 assinaturas, entre entidades e pessoas físicas, e aponta uma lista de reivindicações, como o reconhecimento e titulação das comunidades quilombolas no norte do Espírito Santo. Esse procedimento é previsto no Decreto 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação e demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, mas ainda não foi efetivado no Estado. A presidente do Instituto Elimu e pesquisadora da educação étnico racial, Nelma Monteiro, aponta ainda a necessidade de defender a cultura dos povos quilombolas, como suas crenças. Conforme afirma, muitas pessoas dessas comunidades professam religiões de matriz africana, sendo, por isso, agredidas. Ela recorda do incêndio criminoso ocorrido em agosto do ano passado no Ponto de Memória Jongo de Santa Bárbara, na comunidade de Linharinho, em Conceição da Barra, norte do Estado. O manifesto deixa claro que a pauta “contra a intolerância religiosa, por respeito e preservação das religiões de matrizes africana” vai para além das comunidades quilombolas. “Quando a gente vê que uma Igreja Católica foi invadida pela Polícia Militar, que tentou intimidar um padre que se posiciona ao lado dos pobres, podemos imaginar o que acontece com quem é das religiões de matriz africana, que têm menos espaço em nossa sociedade”, diz Ana Paula Rocha, referindo-se à entrada, sem autorização, de policiais com cães farejadores na dependências da comunidade matriz Imaculada Conceição, em Itararé, onde atua o padre Kelder Brandão, crítico contumaz da ação violenta das forças de segurança pública mas periferias. Outras reivindicações são a aplicação, por parte do Estado e dos municípios, dos recursos das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc em projetos que priorizem as culturas afro-indígenas; a presença do Estado, com políticas públicas nas comunidades periféricas, com uma polícia de dimensão comunitária e não como braço armado que tem assassinado os jovens, filhos das mães pretas, pobres e periféricas; educação antirracista; o fim do machismo, do racismo, da lesbofobia, da transfobia, da intolerância religiosa, da xenofobia, e do preconceito e discriminação de qualquer natureza; fim da exploração sexual das crianças e adolescentes; e aborto legal, seguro e pelo fim da violência obstétrica; e valorização da trabalhadora doméstica. Entidades repudiam soltura de policial acusado de homicídio em Pedro Canário Thafny da Silva Fernandes é acusado de matar um jovem de 17 anos em abordagem em Pedro Canário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/entidades-repudiam-soltura-de-policial-acusado-de-homicidio-em-pedro-canario Atentado criminoso destrói parte de Ponto de Memória no Sapê do Norte – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cultura/fogo-destroi-parte-do-ponto-de-memoria-jongo-de-santa-barbara-no-sape-do-norte ‘Marcha será o grito das mulheres negras para um governo que não quer ouvi-las’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/marcha-sera-o-grito-das-mulheres-negras-para-um-governo-que-nao-quer-ouvi-las
Carta de repúdio à ação da PM contra padre Kelder é entregue a Casagrande
Dois bispos do Estado assinam documento, junto com 44 participantes do Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base Os bispos Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, da diocese de Colatina (noroeste do Estado); e Dom Luiz Fernando Lisboa, da diocese de Cachoeiro de Itapemirim (região sul), juntamente com o restante da comitiva capixaba que participou do 15º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base realizado em Rondonópolis, Mato Grosso, de 18 a 22 de julho, divulgaram, nesta terça-feira (25), uma carta de repúdio à tentativa de intimidação contra o padre Kelder Brandão por parte da Polícia Militar (PM). O documento foi entregue ao governador Renato Casagrande (PSB). Dom Lauro e Dom Luiz são, respectivamente, presidente e vice-presidente da Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual as dioceses do Espírito Santo fazem parte. Eles assinam a carta com mais 44 integrantes da comitiva. “É inadmissível que os poderes do Estado usem de suas estruturas na tentativa de silenciar, de forma truculenta, os gritos dos que defendem o povo mais sofrido e com menor acesso às políticas públicas”, diz a carta. No documento consta, ainda, que Jesus “convoca a olhar pelos pobres, excluídos e marginalizados”, atitude que “carrega o risco da incompreensão e da desconfiança”. Contudo, “de certo modo, o Espírito Santo em nós, nos prepara para isso. Não obstante, também nos impulsiona – por voz profética – a denunciar as injustiças e os abusos dos poderes instituídos, quando, no uso de suas atribuições, desrespeitam o direito à liberdade e à vida plena e pressupõe, de forma preconceituosa, que aqueles que defendem os mais fracos e marginalizados possam ser coniventes com práticas e costumes ilegais”. O texto termina destacando que “é sempre tempo de lembrar que a missão da Igreja é a defesa da vida, certos de que: ‘Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão’ (Lc 19,40), uma vez que a truculência nunca calou a ação de Deus, manifestada em seus profetas de ontem, de hoje e, muito certamente, de amanhã. Nossas causas valem mais que nossas vidas!”. O Intereclesial de CEBs reúne representantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) de todo o Brasil para melhor articulação e partilha de experiências, como desafios, sofrimentos e conquistas, e fazer encaminhamentos. Intimidação Na última semana, policiais militares entraram no pátio da comunidade matriz Imaculada Conceição, em Itararé, no Território do Bem. A comunidade faz parte da paróquia Santa Teresa de Calcutá, na qual o padre Kelder Brandão atua como pároco. O ocorrido foi encarado como uma tentativa de silenciar o sacerdote, que tem feito críticas às operações violentas das forças de segurança pública nas comunidades periféricas. A ação da PM motivou a realização de uma missa de desagravo, idealizada pelos movimentos sociais. A missa foi celebrada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória, Dom Andherson Franklin, na própria comunidade, nesse domingo (23). Ao final, foi lida uma nota assinada por 119 entidades, entre elas, uma internacional, a Justiça Global, que destacou o histórico de atuação do padre Kelder na defesa dos direitos humanos. Leonardo Sá O sacerdote, após a leitura da carta, classificou a ação da PM como “uma ação obscena, ilegal, imoral, da Polícia Militar, que com os portões fechados, na calada da noite, entrou fortemente armada neste espaço com cães farejadores sabe-se lá à procura de quê e pra quê”. Destacou, ainda, que os policiais fizeram isso sem mandado judicial, sem conversar com ele, com alguém da comunidade, com o arcebispo Dom Frei Dario Campos nem com o bispo auxiliar. “Transformamos o escândalo em ato de desagravo, de resistência à violência da polícia, que está acostumada a fazer isso na casa dos mais pobres, dos mais necessitados e vulnerabilizados”, disse. E fez um convite: “que a nossa voz se junte a tantas outras vozes das nossas periferias e digamos todos juntos ‘somos todos periféricos! Vidas pobres importam!”. Logo após a missa em Itararé, teve início uma em São Paulo, celebrada pelo padre Júlio Lancelotti, e que contou com a presença do padre da Arquidiocese de Vitória, Vitor Noronha. A missa não foi motivada pelo ocorrido em Itararé, mas padre Júlio enviou uma saudação especial a Kelder, “que está sendo duramente perseguido por estar do lado dos pobres, por estar do lado dos que mais sofrem. Queremos manifestar ao padre Kelder todo nosso apoio e pedir ao ministro dos Direitos Humanos que tenha especial atenção aos defensores dos direitos humanos. O Brasil é um dos países do mundo que mais mata defensores de direitos humanos”. ‘Missa é ato de desagravo à ação obscena, ilegal, imoral, da Polícia Militar’ Carta com 119 assinaturas foi lida em missa de apoio a padre Kelder e às comunidades do Território do Bem https://www.seculodiario.com.br/seguranca/missa-e-ato-de-desagravo-a-acao-obscena-ilegal-imoral-da-policia-militar ‘Estão tentando intimidar o padre Kelder, mas não vamos aceitar’ Movimentos farão missa em desagravo à entrada de policiais com cães farejadores nas dependências de igreja em Itararé https://www.seculodiario.com.br/seguranca/estao-tentando-intimidar-o-padre-kelder-mas-nao-vamos-aceitar
Cartas na mesa
Podemos demarca território em Cachoeiro de Itapemirim para sucessão do prefeito Victor Coelho (PSB) Redes Sociais Um dos principais partidos aliados do governador Renato Casagrande (PSB), o Podemos demarca território em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, e chega à mesa de negociação da sucessão do prefeito Victor Coelho (PSB) com cartas na manga. O cenário foi reforçado em encontro da legenda no município, no último sábado (22), quando o presidente estadual e deputado federal, Gilson Daniel, jogou luz nos quadros que detém para as eleições de 2024. Ele anunciou, publicamente, a pré-candidatura do deputado estadual Allan Ferreira, nome já cotado no mercado, e citou ainda o atual vice-prefeito, Coronel Guedes, e o presidente da Câmara de Vereadores, Brás Zagotto. Também se colocou à disposição para a disputa majoritária, no evento, a secretária de Desenvolvimento Social, Márcia Bezerra. Por lá, na mesa principal, estava o próprio prefeito, acenando para manutenção da aliança. Victor Coelho ainda não definiu seu candidato e tem dito que fará isso somente no próximo ano. Enquanto isso, as peças do campo adversário já se movimentam no jogo, como seu concorrente em 2020, Diego Libardi (Republicanos), apadrinhado do clã Ferraço, e o vereador de oposição, Júnior Corrêa (PL). Esse tabuleiro promete! Outras bandasNa Assembleia, como analisado aqui em junho, outro deputado aparecia no possível leque de opções do prefeito: Dr. Bruno Resende (União). Dia desses, porém… Outras bandas II…ele publicou vídeo de visita a Libardi, que ocupa há pouco tempo o cargo de secretário de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho de Vitória. Exaltou o “amigo e parceiro” de Cachoeiro e o prefeito Lorenzo Pazolini, que é oposição a Casagrande. Dobrou a metaTanto Allan quanto Bruno Resende são deputados em primeiro mandato e têm reduto em Cachoeiro, polo estratégico da política capixaba. Allan chegou à Assembleia com 15,1 mil votos, Bruno com mais que o dobro: 31,8 mil. PáreoTrês nomes citados acima também participaram do pleito em 2022, só que à Câmara dos Deputados: Júnior Corrêa alcançou 37, 7 mil votos; Libardi 18,7 mil; e Brás Zagotto 9,8 mil. DuplaA candidatura de Zagotto foi em dobradinha com Allan Ferreira, também vereador na época, como apostas do Podemos para o sul do Estado. Uma chapa puro-sangue em 2024 seria viável? Há controvérsias! ForaDos nomes anunciados do Podemos, o que se diz nos bastidores, é que o vice já é carta fora do baralho. Não tem interesse em disputar. Sigo de olho! Anos e anosPor falar em Gilson Daniel, ele já está empenhado na reeleição do seu apadrinhado em Viana, o atual prefeito Wanderson Bueno (Podemos), quem tornou seu sucessor, permanecendo com os dois pés dentro da gestão municipal. A considerar o cenário atual, é alta a chance de o mesmo grupo permanecer no poder. OpiniãoAviso aos vereadores de Vitória: minha coluna é de opinião, mesmo! Análise dos fatos políticos. Claramente uma coluna, como sempre foi! Nas redes“Diretores e diretoras afastados pelo prefeito porque ele pressupõe que sejam contrários ao seu posicionamento ideológico. Esquece que foram eleitos democraticamente e estão protegidos pela legislação. Pazolini precisa aprender a cumprir a lei (…)”. André Moreira, vereador de Vitória pelo Psol. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com PL no jogo Na semana da Festa de Cachoeiro, Callegari mira na gestão de Victor Coelho e joga luz na sucessão de 2024 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/pl-no-jogo
Pedido de cassação de vereador vira disputa de blocos políticos em Vitória
Vinícius Simões e Leonardo Monjardim protagonizaram embate na sessão da Câmara desta terça-feira CMV Ao apontar o vereador Vinícius Simões (Cidadania) como cabo eleitoral na sessão desta terça-feira (25), o corregedor-geral da Câmara de Vitória, Leonardo Monjardim (Patri), deu tom de disputa entre blocos políticos ao pedido de cassação do mandato do vereador de oposição ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Simões apresentou questão de ordem que foi encaminhada à Procuradoria da Câmara, para manifestação antes da análise na Corregedoria. O pedido de cassação do mandato foi feito durante a prestação de contas de Pazolini, no último dia 12, que abriu espaço para tratar de outras questões, e insistiu sobre o acolhimento da solicitação diretamente ao presidente da Câmara, Leandro Piquet (Republicanos), e ao próprio corregedor, ambos de sua base política. A questão essencial, mais do que as acusações entre Vinícius e Monjardim, é se Pazolini conseguirá reduzir o número de vereadores da oposição em plenário, hoje restrito a Vinícius, André Moreira (Psol) e Karla Coser (PT). Se cassado, resultado difícil de ocorrer, segundo os meios políticos, Vinícius será substituído pelo ex-vereador Leonil, do Cidadania, muito próximo do deputado federal Gilson Daniel, do Podemos. Caso o processo prossiga e chegue à Corregedoria-Geral, será analisado por quatro vereadores, já que o quinto membro é o próprio Vinícius, que estará impedido. Leonardo Monjardim, por ser corregedor-geral, não vota. Luiz Manuel (Republicanos), do grupo de Pazolini, e dois da oposição, Karla Coser e André Moreira, é que decidirão pela admissibilidade ou não do processo. A condenação envolvendo Simões, citada por Pazolini, é de 2020, época em que ele se articulou com o então candidato à prefeitura e hoje deputado estadual Fabrício Gandini, do seu partido, derrotado pelo atual prefeito, que visa à reeleição. Essa aliança se mantém e o coloca em rota de colisão com o grupo do prefeito, por conta da movimentação de Gandini para concorrer novamente em 2024. “Paguei a indenização. É um processo cível, não é criminal. Já se encerrou”, diz Vinícius, e justifica que “os atos anteriores ao mandato devem ser arquivados”. Na sessão desta terça-feira, o vereador apontou irregularidades do corregedor, por tratar o assunto de forma apressada. “Venho fazer um alerta aos colegas vereadores e à imprensa sobre a Corregedoria desta casa. O que está acontecendo é que o corregedor não está respeitando o artigo 18 do regimento interno”, disse Simões e lembrou: “Art. 18 – Os membros da Corregedoria deverão observar o sigilo, a discrição e o comedimento indispensáveis ao exercício de suas funções, sob pena de destituição do cargo e aplicação das sanções previstas neste Código”. Já Leonardo Monjardim afirmou que o processo seguirá o rito normal, citando os recentes casos de cassação de mandatos dos vereadores Armandinho Fontoura (Podemos), afastado das funções e preso desde 15 de dezembro de 2022, e Chico Hosken, do mesmo partido, que o sucedeu, que teve o processo arquivado. “Estou analisando seu processo”, disse Monjardim, e ressaltou: “Você está tentando se blindar”. O vereador Vinícius se diz perseguido por ser uma das vozes que aponta os desmandos da atual administração. Mas ressalta: “Não vão me calar”.
Violências contra mulher operadas pelo Judiciário terão canal de denúncia
Negativas e revogações de medidas protetivas, comuns no Estado, estão entre os casos a serem tratados Agência CNJ Todas as formas de violência praticadas pelo Judiciário contra as mulheres contarão com um canal específico de denúncia, além de capacitações recorrentes aos magistrados e servidores vinculados a este poder e também aos cartórios. A iniciativa é da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) e tem o objetivo de garantir uma “política permanente de enfrentamento a todas as formas de violência contra a mulher”, crime que tem o Espírito Santo como um dos estados onde os índices são mais elevados. As regras constam no Provimento nº 147, publicado na última sexta-feira (21) pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Luís Felipe Salomão. “Essa era uma demanda antiga de grupos especializados na prevenção, combate e repressão às formas de violência contra a mulher, como o Fordan e tantas outras iniciativas existentes nas universidades brasileiras e nos grupos da sociedade civil organizada que, agora, finalmente se torna realidade e seu cumprimento pode ser cobrado com base nas diretrizes estabelecidas pelo provimento”, comemora Carla Appollinario, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde é vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Direito e coordenadora da Clínica Jurídica LGBTQIA+. A acadêmica é parceira do programa de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Fordan, por meio do qual vem acompanhando os recorrentes atos de misoginia e violência institucional que ocorrem no Espírito Santo a partir do Judiciário, que agravam o drama das mulheres que sofrem violência doméstica e não encontram na Justiça o espaço de acolhimento e enfrentamento que têm direito, caracterizando uma revitimização, denunciada seguidas vezes pelo programa de extensão. Casos emblemáticos dessa situação são os de Rosemery Casoli e de Alessandra Souza, noticiados em Século Diário. Nesses e em muitos outros, a negativa ou revogação irregular da Medida Protetiva de Urgência (MPU), executadas pela 1ª Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar contra Mulher de Vitória, expõe as mulheres ao risco de morte. A falta de acesso à MPU, conforme mostra estudo do Fordan, está diretamente relacionada ao aumento dos casos de feminicídio. O provimento prevê englobar desde casos de ofensas e desrespeitos, até assédios moral, psicológico e sexual. O “canal simplificado de acesso a vítimas de violência”, a ser criado no CNJ, prevê, entre os princípios e diretrizes, a não exigência de uma “prova pré-constituída dos fatos alegados”, valorizando assim a legitimidade do relato da mulher agredida. Carla Appollinario ressalta também a possibilidade de que a vítima seja ouvida por uma juíza mulher ao fazer a denúncia e de obter atendimento psicossocial por um órgão de preferência da pessoa vítima de violência, o que pode facilitar o acesso. “Todas essas medidas são fundamentais, não apenas para capacitar os agentes do Poder Judiciário e dos serviços auxiliares para que participem diretamente na prevenção de toda e qualquer forma de violência, como também tem o potencial de diminuir a incidência de situações em que o próprio Judiciário é responsável pela sua prática, direta ou indiretamente, por ação ou omissão, o que pode se configurar como violência institucional”, avalia. “O formulário deverá conter, além de linguagem simplificada e humanizada, dados que permitam a formulação de estudos estatísticos acerca do perfil das demandas, observado o sigilo das informações. Caso a apuração dos fatos não seja de competência da Corregedoria Nacional de Justiça, a vítima receberá orientação acerca das vias adequadas para a formulação de sua reclamação”, pontua o CNJ. “O provimento orienta ainda para a necessária capacitação dos magistrados e servidores da Corregedoria Nacional de Justiça, a fim de enfrentarem as formas de violência contra a mulher e atuarem segundo o protocolo de julgamento com perspectiva de gênero”, acrescenta. Outros princípios que norteiam o documento incluem: “eliminação de todas as noções preconcebidas e estereotipadas sobre as respostas esperadas da mulher à violência sofrida e sobre o padrão de prova exigido para sustentar a ocorrência da agressão”; “não revitimização da ofendida, evitando-se sucessivas inquirições sobre o mesmo fato, bem como questionamentos desnecessários sobre sua vida privada”; e “enfrentamento da subnotificação dos casos de violência contra a mulher”. ‘Vara Especializada de Vitória age contra a lei e revitimiza mulheres’ Alessandra Souza é uma das que teve Medida Protetiva retirada irregularmente, segundo denúncia do Fordan-Ufes https://www.seculodiario.com.br/justica/vara-especializada-de-vitoria-age-contra-a-lei-e-revitimiza-mulheres ‘Judiciário atua de forma muito restritiva em relação à Lei Maria da Penha’ Promotora compõe grupo nacional de especialistas que irá acompanhar julgamento do agressor de Rosemery Casoli https://www.seculodiario.com.br/justica/judiciario-atua-de-forma-muito-restritiva-em-relacao-a-lei-maria-da-penha
‘Pude ver que sou gente e faço parte desse mundo também’, relata mãe de autista
Natália teve apoio irrestrito de outras mulheres para participar, com sua filha, de encontro em Brasília “Só tenho a agradecer. Me fortaleceu muito esse encontro, como mãe, mulher, pessoa e ser humano. Eu estou totalmente encantada ainda. Porque trinta anos da minha vida e hoje mãe de uma criança com deficiência, eu nunca fui tão bem tratada assim. Muito pelo contrário: sempre hostilizada, criticada, no transporte público, dentro das unidades, na rua, na escola, nós somos sempre criticadas, apedrejadas”. O relato emocionado, feito nesta terça-feira (25), Dia Internacional da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha, é de Natália Assis da Silva, uma das 15 integrantes da delegação capixaba que, sob organização do Movimento Olga Benário-ES, participou do 3º Encontro de Mulheres da América Latina e Caribe, realizado em Brasília entre sexta e domingo (21 a 23). Ela é mãe da pequena Helena, de três anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) e foi a primeira criança com deficiência do Espírito Santo a participar do evento. Também foi a primeira vez que o Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN) levou a pauta das mães atípicas para este grande fórum feminista internacional. Redes Sociais “Nesse espaço eu pude ver que eu sou ser humano também. Eu pude me entender como gente, como ser humano, e que eu faço parte desse mundo. Porque a gente fica como se não existisse. O sentimento que eu tenho é que a gente não existe, mas eu puder ver que nós existimos e que a nossa presença nesses espaços faz a diferença. Estamos vivas e queremos estar nesses espaços com nossos filhos com deficiência”, declara. Natália conta que o convite para integrar a comitiva veio da coordenadora do Coletivo, Lucia Mara Martins, e que ela precisou vencer muitos medos para aceitar. A coragem, afirma, valeu a pena. “Graças a Deus eu não desisti e fui muito valente. Hoje eu percebo que fui muito valente em ir. Mesmo com todas as dificuldades que tenho com a minha filha, consegui estar nesse espaço com apoio de outras mulheres. A gente precisa colocar essas mães atípicas nesses espaços, porque é nosso direito, não estamos mortas. Ainda existe vida na maternidade atípica e a gente precisa se fortalecer umas com as outras. Fiquei encantada com todo o carinho, de todas, pessoas que eu nem conheço, sempre oferecendo ajuda. Fiquei lisonjeada e muito grata. Nós fomos tratadas como rainhas”. Um aspecto fundamental da acolhida, conta, foi a creche onde ela pôde deixar a filha. “Eu nem acreditei! A Helena foi tão bem recebida, tão bem cuidada, que eu fico emocionada, porque a gente não está acostumada a ser bem tratada. Principalmente nesses espaços. Estamos tão acostumadas a ser apedrejadas, criticadas, pela deficiência dos nossos filhos. Porque a sociedade põe a culpa na mãe, ela não entende que a criança é uma pessoa com deficiência, que tem as suas limitações e que tem as suas restrições! A todo momento a minha mente estava: ‘eu vou ser criticada’; mas foi totalmente diferente. Minha filha nunca foi tão bem cuidada assim por outras pessoas. Eu fiquei encantada com tudo”. Bem cuidada, a pequena Helena também pôde se expressar com plenitude, pontua Natália. “Eu estou muito orgulhosa da Helena! Porque ela superou os seus limites. Os autistas se desorganizam muito fácil quando muda a rotina deles. E foi uma viagem de 24 horas, cansativa para nós adultos, você imagina para uma criança, principalmente com deficiência. E a Helena foi muito guerreira, muito forte, e eu admiro muito a força dela, desde pequenina já está crescendo na militância e, mesmo que ela não fale e não entenda muito bem, sabe que estamos ali na luta por ela, por eles. Lá na frente eu vou dizer para ela quanto ela foi forte e fez a diferença nesse espaço. Vou ter o orgulho de contar essa história para ela depois”, emociona-se. Redes Sociais Durante os debates, ela percebeu a invisibilidade das mães atípicas mesmo entre os grupos feministas e alegrou em ajudar a retirar esse véu. “Lucia levou vários debates para o encontro. Ela fez a revolução. Quando ela leva esse debate, as pessoas ficam impactadas, porque a maternidade atípica não é discutida nos movimentos. Foi muito importante que outras mulheres soubessem da nossa existência”. A Natália pós-encontro, afirma, é outra: muito mais forte e confiante. “Estou trazendo para Vitória outra percepção: que nós mulheres poderiam ser mais unidas, caminharmos juntas. Eu vi que é possível isso em Brasília. Que é possível que as nossas crianças estejam presentes em todos os espaços, que estejam presentes em todos os eventos”. Lucia, por sua vez, compartilha da emoção da colega. Mesmo mais experiente na luta pelos direitos das pessoas com deficiência (PCDs) e das mães e cuidadoras de PCDs, a coordenadora do MESN também foi tocada pelo cuidado e afeto do Olga Benário e demais organizações que fizeram o encontro acontecer na Capital Federal. “A gente conseguiu construir dentro da resolução da plenária final as nossas pautas de mães e cuidadoras de filhos com deficiência. O encontro foi maravilhoso! Fora o cuidado: fomos muito bem recebidas em Brasília. Tinha creche para cuidar das crianças, muito bem equipada, com cuidado excepcional com as crianças. Todas as mulheres puderam deixar suas crianças para participar totalmente dos debates. E todas as mulheres com sororidade entre si. Foi um encontro de muita potência”, atesta. O documento final, afirma, conseguiu incluir as mães atípicas na luta feminista global por mais equidade e justiça entre os povos. “O documento traz o compromisso da luta das mulheres pelo socialismo, da luta das mulheres contra o imperialismo e contra tudo o que nos oprime”, resume. Especificidades das mães atípicas As pautas do Coletivo MESN incluem um olhar feminista e feminino sobre questões como: a solidão na luta; a falta de rede de apoio; o abandono social e familiar; o esgotamento físico, mental e social; a falta de políticas públicas; o suicídio devido ao esgotamento; as violências sofridas pelas mulheres com deficiência intelectual; a falta de acessibilidade para filhos com deficiência de mães que precisam
A Filosofia
O homo sapiens avaliando seu dom de pensar A história ocidental do surgimento da filosofia na Grécia, datada entre o Século VII e VI a.C., trata da necessidade e tentativa do ser humano ocidental explicar o mundo ao seu redor. Uma inquietação, frente ao desconhecimento, que traz a filosofia como ferramenta de busca da compreensão. A partir de Sócrates (Séc. IV a.C.) a investigação, antes voltada à busca da origem das coisas, a “arché”, é direcionada também à educação, política e ética. Nesse momento se estabelece que o homem vive para o desenvolvimento de virtudes e nasce o “homem bom”. Com a chegada do cristianismo e a ascensão do poder da igreja sobre as pessoas, inclusive de suas vidas íntimas, de alguma forma a filosofia também foi subjugada. Passou a ser um instrumento de justificação da fé, num malabarismo reflexivo destacado principalmente com Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) e Tomás de Aquino (São Tomás de Aquino). As influências desse longo período da idade média chegam também à modernidade, com a “deusa razão” cartesiana. Podemos entender a modernidade como início da libertação da filosofia. René Descartes, ao colocar o pensamento como prova irrefutável da existência e estabelecer o método para universalização das ciências, mesmo ainda com medo do poder da igreja, começa a derrubar verdades dogmáticas e passa a localizar a ciência no posto de detentora da “verdade”. Bem, o desmoronamento dos dogmas da igreja, minando as crenças, atira ao deserto as certezas de “ser”. Passamos a nos enxergar como “sendo”, incompletos, em construção, ainda sem respostas às perguntas radicais. Ao mesmo tempo que podemos considerar toda esta trajetória do pensamento ocidental uma evolução, não dá para negar a condição humana frente aos acontecimentos. A modernidade também traz consigo a angústia da falta de propósito para a vida, muito bem retratado por Albert Camus em O Mito de Síssifo e a filosofia do absurdo. Este ser solitário e desamparado, em busca da significação de seus dias, vaga pelas novas mídias e suas redes sociais cheias de mestres e gurus do bem viver. Ali de tudo aparece, de reflexões profundas lastreadas em grandes pensadores clássicos e contemporâneos, até “iluminados” mudando a forma geométrica do planeta. Esta reflexão nos questiona se a filosofia tem um papel no desenvolvimento do pensamento humano, além daquele que instiga a movimentação da ciência para a busca de respostas. Se a filosofia é como a coruja de minerva e seu voou contemplativo ao entardecer ou se é mesmo o hábito de buscar, com os dados da realidade obtidos com segurança pela ciência, pensar no curso da vida, na significância desses dados para sua melhor compreensão, com o objetivo de: compreendendo melhor o mundo, melhorar nossa vida. Que seja “instrumental” ou simplesmente contemplativa, a atitude filosófica sempre trará vida melhor ao estudante/praticante, mesmo que não mude a realidade, mesmo que revele o desamparo com “o crepúsculo dos ídolos”. Põe o ser humano em seu lugar próprio, fora da caverna enganadora das sombras de verdade. A busca elimina a inquietação do desconhecimento e traz o ser pensante para o desafio de sua própria natureza a exercitar o seu dom. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Câmara confirma rejeição ao pedido de impeachment contra Pazolini
Vereadores votaram com a decisão da Comissão de Constituição e Justiça, constituída por aliados do prefeito Com a rejeição pela Câmara de Vitória do recurso do vereador André Moreira (Psol) contra o arquivamento de um pedido de impeachment de seu mandato, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) demonstrou, nesta segunda-feira (24), que superou os atritos com parte do legislativo municipal, mantendo a maioria dos vereadores em sua base política. Dos 12 vereadores presentes à sessão, foram 10 votos favoráveis ao prefeito contra apenas um, de André, e uma abstenção, do presidente Leandro Piquet (Republicanos). O recurso foi colocado no plenário por Piquet, que citou um extenso levantamento da regulamentação e dos aspectos jurídicos antes de encaminhar para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), constituída por aliados do prefeito. O colegiado é presidido pelo vereador Luiz Emanuel, também do Republicanos, e tem como membros Davi Esmael (PSD), Duda Brasil (União), Leonardo Monjardim (Patriota) e Maurício Leite (Cidadania). Como era esperado, o recurso foi rejeitado à unanimidade e a decisão colocada em votação no plenário, obtendo a maioria dos votos. As justificativas apresentadas, consideradas sem fundamento por Piquet, foram defendidas por André Moreira, que aponta crime de responsabilidade de Pazolini por não ter prestado contas dentro do prazo regimental, promover atos de promoção pessoal e ausência de respostas a pedidos de informações dos vereadores. O vereador do Psol fez um alerta sobre o descumprimento do plano de metas e do desgaste da imagem do prefeito no âmbito eleitoral. Lembrou dados contidos no plano e citou a mortalidade infantil. No início da atual administração, o índice em Vitória, que era de 9,4%, deveria cair para 8,8%, mas subiu para os atuais 10,42%. Ao falar sobre a questão político-eleitoral para 2024, disse que a recente aliança do PP e o Republicanos, em nível nacional, e a aproximação com o governo do presidente Lula, mais o lançamento de uma candidatura da ala bolsonarista à prefeitura – Capitão Assumção (PL) – já sinaliza o esvaziamento da movimentação para reeleição de Pazolini. E citou a frase que corre nos meios políticos: “Vamos de Assumção ao João [Coser, PT] , mas Pazolini não!”. As metas Sobre o plano de metas, André Moreira faz um levantamento no qual o prefeito Pazolini deixou de cumprir 75% da execução do projetado por sua administração, de acordo com documento publicado em 2021. Pela legislação, esse documento deveria ser mantido atualizado, mas não é o que vem acontecendo. Segundo André, o Executivo Municipal é obrigado, pelo o Artigo 114-A da Lei Orgânica Municipal, a apresentar, no início de cada ano legislativo, um Plano de Governo relativo ao período. Ao final do ano, novamente o Executivo tem que esclarecer à Câmara o que foi realizado ou não. Isso também não foi feito em 2022. Embora o Plano de Metas tenha sido elaborado pela própria gestão Pazolini, chama atenção o alto índice de metas que não foram atingidas, embora falte apenas um ano e meio para o fim do mandato. Moreira lembra que “sem o plano de governo de 2023 e com base apenas em um plano de metas apresentado em 2021, fica muito difícil para os vereadores cumprirem sua função constitucional de fiscalizar o Executivo”. Informações retiradas do próprio sistema municipal mostram que a gestão de Pazolini não atingiu nem 25% das metas fixadas para todo o mandato. André questionou, especialmente, a piora de alguns dos indicadores nas áreas de Educação, Saúde, Assistência Social e Segurança. Na Educação, o registro foi feito em torno da diminuição da oferta de vagas em creche, que caiu de 95,63%, quando a gestão de Pazolini iniciou, para 92,72% em 2022; o número de crianças alfabetizadas até o segundo ano também piorou. Caiu de 71,52% para apenas 59,48%. A meta para esse indicador projetada para 2024 é de 90%. Na Assistência Social, a meta de ampliar o acesso aos serviços públicos também não foi alcançada. Em 2020, o índice era de 8,1% e, em 2022, caiu para 5,6%. A meta para 2024 é de 12%. Na Segurança Pública, o prefeito prometeu em seu plano de metas aumentar o percentual de recuperação de veículos roubados no município, mas o índice, novamente, piorou. Era de 46,11% e caiu para 35,62%.
Política x corporativismo
Monjardim sinaliza que processo de cassação do mandato de Vinícius Simões vai correr. Quero só ver o desenrolar… Redes Sociais O retorno dos trabalhos na Câmara de Vitória nesta segunda-feira (24), após uma pausa justificada nas obras realizadas no local, retomou as pautas que sacudiram o mercado político nas últimas semanas. Uma das principais, a convocatória do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) feita a aliados para que o legislativo casse o mandato do vereador Vinícius Simões (Cidadania), seu opositor. Embora tenha alegado que ainda não acessou o documento protocolado na Casa, o corregedor-geral, Leonardo Monjardim (Patri), sinalizou que deixará a representação correr, sem jogar direto para a gaveta, e defendeu a manutenção do trâmite realizado no caso dos dois outros vereadores alvos de procedimentos semelhantes. Vinícius queria que passasse, antes, pela Procuradoria da Câmara, como no pedido de impeachment de Pazolini. O documento foi apresentado por uma figura conhecida do mercado político, o Thor do Império, que já foi preso por assassinato, e também se declara “Thor, o pagodeiro do amor”. Justamente no mesmo dia da prestação de contas de Pazolini, quando a cobrança foi feita, direcionada a Monjardim e ao presidente da Câmara, Leandro Piquet (Republicanos). O corregedor também tentou, nesta segunda, descolar os fatos. “Não é o prefeito que está pedindo a cassação” e “assim fica a impressão que existe ingerência sob esta Casa” foram algumas de suas frases ditas em plenário. O contexto geral levanta as seguintes questões: os aliados vão atender ao pedido de Pazolini no sentido exato ou só o desgaste a Simões já vale? E o tradicional corporativismo que sempre predomina nos legislativos, como ficará agora? No aguardo dos próximos capítulos… PosiçãoAo tratar do impeachment de Pazolini, mais uma vez rejeitado nesta segunda, o vereador Luiz Paulo Amorim (PV) já aproveitou para publicizar: “Voto contra o impeachment e contra o processo de Vinícius Simões. É muito trabalho para pouca denúncia”, disparou, criticando a enxurrada de representações na Câmara. Para acrescentar…O impeachment voltou à pauta devido ao recurso apresentado pelo autor do pedido, vereador André Moreira (Psol). Já os outros vereadores alvos de cassação são Armandinho Fontoura (Podemos), que está preso, e Chico Hosken (Podemos), livre do processo após arquivamento. Para acrescentar II…Thor do Império é do partido União, comandando na Capital pelo aliado de primeira fileira de Pazolini, deputado estadual Denninho Silva. O autor da representação tentou uma cadeira na Assembleia em 2022, sem êxito. Ele saiu da prisão em 2017, após cumprir pena pelo assassinato do diretor social do Clube Náutico Brasil, José Carlos Preciosa. ArticulaçãoPor falar em Denninho e Pazolini, o prefeito recebeu apoio público e antecipado de dez lideranças comunitárias. O registro foi feito pelo deputado nas redes sociais, na última sexta-feira (21). Os dois se encontraram com o grupo, junto ainda com o secretário da Central de Serviços, Léo Formigão. Articulação IIOs bairros de atuação dessas lideranças são: Goiabeiras e Grande Goiabeiras, Bairro República, Antônio Honório, Solon Borges, Parque Residencial Maria Ortiz, Jardim da Penha, Boa Vista e Morada de Camburi. Articulação IIINa prestação de contas do prefeito na Câmara, muitas lideranças se fizeram presentes, aumentando a claque formada por comissionados. Claque bem barulhenta, vale recordar. AcertosO deputado estadual Pablo Muribeca, que já declarou várias vezes disputar a Prefeitura da Serra no próximo ano, tudo indica, deu mais um passo na direção do Republicanos. Ele aparece em foto sorridente nas redes sociais ao lado do presidente estadual do partido, Erick Musso, e do deputado federal Amaro Neto. Hoje, ele está filiado ao Patriotas. ObrigaçãoLevantamento divulgado pelo O Globo mostra que, no quesito assiduidade, os deputados da bancada capixaba têm cumprido sua obrigação. Quase todos tiveram entre nenhuma a três faltas no plenário da Câmara. A única exceção é Paulo Foletto, com 13 faltas do total de 58 sessões. As presenças são o mínimo que se espera dos eleitos, não é mesmo?! Nas redes“Operação da PF e do MP realizou mandados de busca e apreensão e prisão no Rio de Janeiro. Com a milícia fora do Palácio do Planalto, estamos cada vez mais perto de identificar os mandantes do crime. Quem mandou matar Marielle?”. Camila Valadão, deputada estadual pelo Psol.FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com ‘Trio ternura’ Erick Musso, Lorenzo Pazolini e Piquet: se um dia teve choque no Republicanos, nem se lembram! https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/trio-ternura No embalo Para além da prestação e do pedestal erguido para Pazolini na Câmara, o que poderá render da convocação contra Vinícius Simões? https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/no-embalo