Guardo, até hoje, objetos e memórias da emissora de rádio que descobri em Los Angeles Estava relembrando da época em que residi com a família em Los Angeles. Descobri, para ouvir uma emissora de rádio com a qual me identificava, principalmente por causa da programação musical, uma mescla de sucessos do passado, até duas décadas atrás, com os hits atuais, tudo no estilo classificado como Adulto Contemporâneo. Locução compassada, nem ligeira nem calma, mas firme e clara. Comerciais altamente padronizados. Tinha um esquema de noticiários que fluía de acordo com os acontecimentos. Deveria ter uma rede de informantes, que alimentavam sua central de notícias. A informação era levada ao ar de maneira constante, mas sem vinhetas e alardes. Se bem que seus locutores tinham padronização de voz com cadência, então ia bem qualquer tipo e notícia, como era bom ouvi-los anunciar músicas, etc. O que potencializava mais a audiência eram suas promoções, sempre em dinheiro vivo. Prêmio de mil dólares diários para quem acertasse o Quiz do dia. Sempre havia um vencedor, nunca acumulava. O raio de ação da emissora era bem diversificado, atingia o Vale de San Fernando, onde só moravam milionários e astros de cinema, como também era ouvida em San Pedro, zona portuária de L.A. E o interessante: Essa rádio pertencia ou ainda pertence à rede de comunicação dos Mórmons, a Bonneville Media Communications, conglomerado de rádios e televisões costa a costa dos Estados Unidos. Era situada num imponente prédio em Hollywood, bairro de entretenimento de Los Angeles. Todos sabem que os mórmons professam uma sólida religião, mas nunca misturaram as coisas. Religião-religião, comunicação-comunicação! No dia a dia lá, logo cedo, levando as crianças para o colégio, no “rush” da PCH (Pacific Coast Highway), a rádio já fazia companhia, ao ponto das crianças cantarem junto algumas músicas do momento no rádio. Depois, era companheira o resto do dia, no rápido e dinâmico transito da Beach Area de Los Angeles. À noite, como em qualquer outra emissora, vinha a programação estilo Loves Song, com os “request & dedications” da vida. Um dia, dando uma de tiete de rádio, fiz uma ligação para falar com o apresentador do horário. Atendeu-me fora do ar. Conversamos rápido e eu disse o que fazia aqui no Brasil. Disse também que morava em Manhattan Beach. Ele falou: Vá a tal endereço amanhã, pois eu também moro lá. Nos conhecemos pessoalmente, mostrou seu estúdio particular e presenteou com algumas coisas da rádio, como lembrança. Fizemos duas amizades distintas. A rádio e o vizinho apresentador. Guardei tudo até hoje. Os objetos e as memórias. PARABÓLICAS Isabel Mendonça, amiga, jornalista e assessora política, tem atualmente um programa na TV. Amaro Neto (Republicanos) ganhou de novo as eleições, mas continua desaparecido do seu grande público. Tem uma pessoa especial no rádio do norte do Estado. Beijos Susu Diolivier. Nossa diva. O nosso preclaro Reuber Dirr esta impossível em Sampa. Seu Instagram é assombroso com suas peripécias na Paulicéia. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE https://www.youtube.com/watch?v=b9aRZLbzOaERick Astley – When I Fall in Love MENSAGEM FINAL“Negar-se a cumprir uma ordem injusta não é desobedecer”. Honoré de Balzac
‘Querem transformar o normal em anormal e o anormal em normal’
Fórum LGBTI+ aponta homofobia e mobiliza repúdio ao vereador Igor Elson, presidente do PL da Serra Redes Sociais “Querem liberar a troca de valores. Querem pegar o que é normal e colocar como anormal e pegar o anormal e colocar como normal. Mas enquanto nós estivermos vivos, estaremos firmes combatendo isso”. A afirmação foi feita pelo vereador Igor Elson, eleito nesse sábado (4) presidente do PL da Serra, e alvo de nota de repúdio do Fórum Municipal de Cidadania LGBTI, assinada por mais de 40 entidades e coletivos do movimento social capixaba e serrano. O documento foi lido na sessão da Câmara de Vereadores na tarde desta segunda-feira (6), quando Igor se retirou do plenário e da Câmara. Em vídeo que circula nas redes sociais, entende-se que a fala se refere à Semana de Diversidade da Serra, que culminou com o XIII Manifesto LGBTI do município, no final de janeiro. Horas antes, pela manhã, o vereador publicou uma “nota de esclarecimento”, alegando que “no evento do PL, não chamou quaisquer pessoas de ‘anormais’” e que “anormal era e é a política pública adotada pelo Poder Executivo municipal, que privilegia apenas uma parte da sociedade, deixando de fora os setores conservadores e que pregam valores cristãos”. Membro do Fórum LGBTI+ da Serra e coordenador estadual do Levante Popular da Juventude, Ramon Rodrigues desmente a postagem do vereador. “É mentira. Ele se referiu sim à população LGBT. Eu disse isso na postagem, mas ele apagou meu comentário”, pontua. “É por falas como essa do Igor que muitos de nós são mortos. É ódio mesmo contra essa população”, indigna-se. Na nota de repúdio, o Fórum e as entidades e organizações signatárias ressaltam que, “no Brasil, a LGBTfobia é crime, a homossexualidade não é crime e tampouco doença, e que “existe todo um esforço coletivo para que possamos construir uma sociedade justa, fraterna e igualitária. Atitudes que pretendem reforçar o preconceito e a violência devem ser repudiadas e denunciadas”. Sobre a Semana da Diversidade, que suscitou o discurso preconceituoso do vereador, a nota explica que foi um evento que contou com “formação sobre diversidade sexual e gênero para servidores da Prefeitura de Serra, formação sobre o uso do nome social para servidores de unidades de saúde, cine debate para jovens em dois Centros de Referência de Juventudes, a primeira feira de diversidade que contou com oferta de vários serviços públicos para o público LGBT” e que, somadas todas as atividades, incluindo a festa final –Manifesto LGBTI da Serra – a 18 mil pessoas foram atingidas. “Movimenta a cultura, o lazer e o comércio local”, acentua Ramon Rodrigues. Além de muitas informações sobre as diversas violências a que a população LGBTQIA+ é submetida, especialmente as juventudes, a carta destaca direitos conquistados recentemente, como à “união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar”. O documento traz uma série de ponderações sobre como a postura de Igor Elson e demais políticos presentes “não condiz com um agente do estado eleito democraticamente que tem, pelas funções que ocupam, redobrada a obrigação de respeitar e defender a Constituição”, enfatizando que são posturas assim que mantêm, na sociedade, “forte sentimento de desprezo que parte da sociedade nutre por nossa comunidade que, vistos como desiguais e inferiores, nos tornamos alvos frequentes daqueles/as que se sentem superiores”. E pede por “uma ação eficiente por parte das autoridades” e investigações e punição do responsável. “Atitudes nefastas, como deste sujeito, demonstram a persistente truculência do ideário homofóbico e o quanto ainda precisamos avançar para que todas e todos possam exercer seus direitos com respeito e igualdade. A LGBTfobia direta e indireta não só atinge a população LGBTI+, mas também outras pessoas que de alguma maneira se comportam fora dos padrões heterossexuais”, pontuam os signatários, afirmando ainda que “com essa firmeza, acionaremos a justiça e os órgãos competentes para que nossos direitos sejam respeitados e persistiremos na cobrança firme para que as investigações ocorram com seriedade e justiça”. “Nosso desejo é o de que possamos viver de fato um ambiente livre de todas as formas de violência, tipificando atitudes como essas como uma violação aos direitos humanos da população LGBTI+”, finalizam. Signatários A nota é assinada pelo Instituto EcoVida; Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs); Conselho de Direitos Humanos da Serra; Aliança Nacional LGBTI; Conselho Municipal do Idoso da Serra; PDT Diversidade – ES; Semearte-Serra; Rede de Comercialização Solidária do ES (Rede Comsol); Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold); Centro Cultural Eliziário Rangel (CCER); Federação Espírito-Santense de Cultura e Povos Tradicionais de Matriz Africana; Psol – Serra; Coletivo Diversidade, Resistência e Cultura – Coletivo DRC; Associação de Mulheres Unidas da Serra (Amus); Comsea; Resistência – Psol ES; Grito da Cultura ES; Secretaria Nacional LGBT do PT; Secretaria Nacional de Diversidade Sexual e Gênero do Ministério de Direitos Humanos; Fórum Municipal de Economia Popular Solidária (Fomeps); Rede de Comercialização Solidária do ES (Rede Comsol ES); Associação de Moradores de Belvedere; Conselho dos Direitos e Defesa da Pessoa Idosa da Serra (Comids); Conselho Municipal de Assistência Social (Comasse – Serra); Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Serra; Secretaria Estadual LGBT do PT; Conselho Municipal do Negro da Serra (Conegro); Núcleo de Gênero e Sexualidade do IFES Campus Serra; Fórum Chico Prego; Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra; Rede Gaylatino; Grupo Dignidade; Associação Brasileira de Famílias HomoTransAfetivas (ABRAFH); Fórum Estadual LGBT; Ilé Asè Odé Nilá; Coletivo Santa Sapataria; Levante Popular da Juventude; e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Também aderiram a vereadora da Serra, Elcimara Loureiro (PT); as deputadas estaduais Camila Valadão (Psol) e Iriny Lopes (PT), os vereadores de Vitória André Moreira (Psol) e Karla Coser (PT); o deputado federal Dorinaldo Malafaia (PDT-AP); e a deputada estadual do Rio de Janeiro Renata Souza (Psol).
Acertos internos
Depois do governador Renato Casagrande, Marcelo Santos estende as mãos para Gandini e acomoda aliado Ellen Campanharo/Ales Os sinais emitidos pelo governo do Estado na semana passada para cessar de vez o incêndio deflagrado na base, com a declaração de independência do deputado Fabrício Gandini (Cidadania), registrou novo capítulo nesta segunda-feira (6), porém, tendo como personagem o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), ligado a Renato Casagrande (PSB). Ele garantiu abrigo ao antigo aliado de Gandini e liderança de Jardim Camburi, Anael Rodrigues Parente, para o cargo de assessor júnior da Secretaria (AJS), sem relação, portanto, com o gabinete do parlamentar. O ato não passa batido, já que, embora Gandini negue, a recente exoneração de Anael da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport-ES), onde atuava como gerente de Esportes, Formação e Rendimento, entrou na conta dos ruídos registrados desde o último dia 15, que geraram turbulências para a gestão estadual, aos poucos minimizadas. A primeira mão estendida foi de Casagrande, que depois do bate-boca em plenário entre integrantes da própria base, sancionou o projeto que foi motivo de polêmica, da bolsa-estudantil, com a emenda de Gandini que dobrou o valor de R$ 400,00 para R$ 800,00. Agora, mais uma questão foi sanada, com a nomeação de Anael por Marcelo Santos. Os movimentos reforçam a tentativa do governo de eliminar qualquer novo princípio de rebelião e fazer Gandini recuar, definitivamente, de sua saída da base, onde estava situado há anos. Na prática, até que se prove o contrário, os ânimos já se acalmaram. MudançasAliás, nos últimos dias, o Diário Oficial do legislativo tem sido farto em nomeações. Empossado em fevereiro, Marcelo Santos efetiva a tradicional dança das cadeiras registradas nos meios políticos sempre que há mudanças de comandos. CadeirasEntre nomes já conhecidos, registrei aqui, na semana passada, a chegada à Assembleia, por atos da Mesa Diretora, do ex-deputado estadual Sergio Majeski (PSDB), coordenador especial de Escola do Legislativo (CEEL), e de Nathan Medeiros (União), na mesma Secretaria de Anael, mas no cargo de assessor sênior. Cadeiras IITambém repercutiu a nomeação de Amanda Aleixo Batista Cruz, filha do deputado federal Gilson Daniel (Podemos), como diretora de Finanças. Só para lembrar…Anael Parente, que presidiu a Associação Comunitária de Jardim Camburi, maior colégio eleitoral de Vitória, foi exonerado pelo secretário de Esportes, José Carlos Nunes, do PT. A medida remete à eleição municipal de 2024… TabuleiroGandini tem sinalizado interesse em disputar a prefeitura novamente, assim como João Coser (PT). Junto com a tentativa de reeleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos), o cenário repetiria o pleito de 2020, entrando no bolo ainda, sem dúvida, um palanque bolsonarista. Mais rápidoPor falar em bolsonarista, o deputado Callegari (PL) conseguiu aprovar, na sessão desta segunda, a tramitação em urgência do seu projeto que susta portaria da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) obrigando uso de câmeras nos uniformes dos policiais penais. Ao contrário da previsão, decorrente do assassinato do jovem em Pedro Canário por PMs, a matéria não rendeu – ainda! – embates em plenário. Deixou correrComo não se tratava do mérito da proposta, o líder do governo na Casa, Dary Pagung (PSB), liberou a base para votar “de acordo com a consciência”. Apenas João Coser e Iriny Lopes, do PT, e Camila Valadão (Psol) manifestaram-se contra a urgência. BombaO ex-deputado estadual Emilio Mameri (PSDB), aliado do governo, não conseguiu se reeleger na disputa de 2022, chegou a ser cotado, lá atrás, como possível secretário de Estado de Saúde, mas foi parar, mesmo, numa diretoria técnica do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba). Justamente a bomba da saúde da gestão estadual, que acumula denúncias e problemas. Veremos! Nas redes“Já são quase dois anos batalhando pela reabertura do Pronto-Socorro do Hospital Jayme, na Serra. De 2013 a 2020, foram 550 mil atendimentos! As UPAs, que já eram ruins, estão piores. Amanhã [terça, 7] vamos questionar o Governo e dar um passo importante para reabrir o atendimento no Jayme para o povo (…). Vandinho Leite, deputado estadual pelo PSDB. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Frente parlamentar deve abarcar todas crenças, defendem entidades
Com críticas à criação de uma frente dos valores cristãos, comissão irá entregar carta ao presidente da Assembleia, Marcelo Santos Movimentos sociais, conselhos e organizações religiosas irão formar uma comissão para entregar ao presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), e à Comissão de Direitos Humanos uma carta na qual tecem questionamentos a respeito da criação da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, da Família e dos Valores Cristãos, proposta pelo deputado Alcântaro Filho (Republicanos). As organizações defendem que a iniciativa tem que ser ampla, abrangendo todos credos, caso contrário, trata-se de um “desrespeito ao Estado laico”. A formação da comissão será feita em reunião a ser realizada nesta segunda-feira (6), no Comitê de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Assinam o documento a Federação Espírito-Santense de Cultura e Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fescpotma); Irmandade São Francisco de Assis ISFA Àsé Manguinhos; Movimento Negro Unificado (MNU); Coletivo de Entidades Negras do Espírito Santo (Conen-ES); Conselho Municipal de Segurança Alimentar da Serra (Comsea); Comissão dos Presidentes dos Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional do Espírito Santo (CPCM) e Instituto Defesa do Verde de Serra (Ideves). A carta apresenta dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), que em 2019 divulgou que, no ano anterior, o Espirito Santo registrou um aumento de 60% na violação de direitos e na violência contra os povos tradicionais de matriz africana e seus territórios, comparado com dados de 2017. O mesmo Ministério também divulgou, recentemente, novo levantamento, no qual observa-se que o racismo religioso cresceu 45 % no Brasil. Isso fica visível, segundo a carta, no fato de que as denúncias de intolerância religiosa em 2020 foram 498, em 2021 foram 466, e em 2022 foram 545. Para Ogã Marcos, da Fescpotma, a criação da frente parlamentar trata-se do Estado “se institucionalizando em uma religião, fortalecendo o racismo religioso”. Na carta, é resgatada outra ação da Assembleia Legislativa que, de acordo com as organizações, fortalece a intolerância religiosa: a aprovação da Resolução nº 1.337, de 1978, que estabelece que a bíblia tenha espaço na Casa de Leis. “Atos como este, que fere a constituição Federal de 1988, e outros que vêm acontecendo em vários parlamentos, inclusive em âmbito federal, contrapõem os avanços de direitos, e são fortalecidos politicamente por grupos religiosos políticos fundamentalistas que não aceitam avanços sociais a religiões de matriz africana”, diz a carta. Para as organizações, “quando parlamentares apresentam uma proposta de desenvolver ações dentro da Assembleia Legislativa no sentido cristão, pode-se entender que o Estado assume uma religião, que fere a Constituição Federal, a Constituição Estadual, Lei nº 11610, que institui o Estatuto de Liberdade Religiosa no Estado do Espírito Santo e leis internacionais, deixa o estado de direito volta ao século XIV, mas agora com empoderamento político ‘legal’ e muito bem articulado”. Além da carta, será feita, junto com o MPES, uma cartilha para entregar aos parlamentares e ser distribuídas às pessoas de religião de matriz africana. Ela contará com esclarecimentos sobre o que é racismo religioso, direitos, legislações e documentos a respeito do tema e canais de denúncia. Ogã Marcos destaca que a criação da frente contraria ainda o Estatuto de Liberdade Religiosa do Espírito Santo, aprovado pela Assembleia Legislativa em maio do ano passado. Estatuto de Liberdade Religiosa é antidemocrático, critica entidade Lei sancionada pelo governador, proposta pelo pastor Marcos Mansur, não envolveu as religiões de matriz africana https://www.seculodiario.com.br/politica/religioes-de-matriz-africana-questionam-estatuto-de-liberdade-religiosa
Vender campos do norte significa perder metade dos royalties, diz Sindipetro
Ferraço e Casagrande acionaram presidente da Petrobras para manifestar interesse na manutenção das vendas de campos no Estado A afirmação do vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), ao jornal A Gazeta, de que o Governo Casagrande (PSB) se opõe à suspensão dos processos de privatização em andamento na estatal no norte do Espírito Santo, gerou indignação ao Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES). A entidade considera a postura na contramão do discurso do governador de aumento de investimentos e recursos financeiros na região. A afirmação, segundo Ricardo Ferraço, foi feita em reunião da qual ele e Renato Casagrande participaram junto com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. A interlocução foi motivada pelo fato de o Ministério de Minas e Energia ter encaminhado ofício para o Conselho de Administração da estatal requerendo a suspensão dos processos de privatização em andamento em todo o País, inclusive no norte capixaba, com possibilidade de paralisar a venda do Polo Norte Capixaba e do campo de Golfinho. Em entrevista ao jornal A Gazeta, Ferraço considerou que as vendas estão sendo importantes para o norte e podem melhorar a dinâmica econômica dos municípios de Linhares e São Mateus. O Sindipetro contesta: “Qual governador, em sã consciência e não pautado pelos interesses empresariais, abriria mão de metade dos royalties?”, questiona o coordenador-geral do sindicato, Valnísio Hoffmann, destacando que a Petrobras deve destinar 10% dos royalties para o Estado e municípios, enquanto as empresas pequenas, que participam das negociações, 5%. Hoffmann também salienta a possibilidade de precarização dos trabalhadores e ocorrência de desastres ambientais. O Sindipetro irá marcar uma reunião com Jean Paul Prates para deixar claro que o posicionamento de Ferraço e Casagrande não é corroborado pelo sindicato. Para Hoffmann, uma atitude dessa vinda do vice-governador não surpreende, uma vez que ele é “pai da reforma Trabalhista”, tendo um histórico de “não se importar com os trabalhadores”. Já em relação a Casagrande, recorda que, durante o segundo turno das eleições de 2022, ele assinou uma carta em defesa da permanência da Petrobras no Espírito Santo e gravou um vídeo em que afirma que a iniciativa traz geração de emprego e “atividade econômica mais forte para gerar oportunidades para os capixabas”. Apesar disso, de acordo com Hoffmann, o Sindipetro tem tentado dialogar com Casagrande, mas sem sucesso. O sindicato tentou, inclusive, se reunir com ele antes da reunião com Jean Paul Prates. O Sindipetro considera que a iniciativa do Ministério de Minas e Energia, questionada por Ferraço e Casagrande, é fruto da mobilização da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e de sindicatos que representam a categoria em todo o Brasil, que encaminharam a demanda para a pasta e a Casa Civil. Também fizeram o mesmo com o presidente da Petrobras, que se reuniu com as entidades em janeiro. Além da suspensão das vendas em andamento, o Sindipetro busca a reversão da venda do campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos, concretizada em janeiro, quando a estatal comunicou fato relevante informando a venda da totalidade de sua participação. O valor, pago à vista, foi de 1,6 bilhão de dólares, o que corresponde a R$ 8,4 bilhões. Quem comprou foi a empresa Petro Rio Jaguar Petróleo. O valor recebido se soma ao montante de US$ 292,7 milhões pagos à Petrobras na ocasião da assinatura do contrato de venda, em abril de 2022. O Sindipetro também encaminhou a demanda de reversão da venda do Ativo Norte Capixaba, em São Mateus, que compreende a Base de Administração de São Mateus (Base 61), postos de produção e o Terminal Norte Capixaba. A venda do Ativo Norte, ressalta Hoffmann, causou demissões e fez com que a renda per capita da região diminuísse, uma vez que a Petrobras oferece um salário acima do mercado e seus funcionários, por causa dessa transação, tiveram que trabalhar em outros estados. No caso dos terceirizados que permaneceram, os salários foram reduzidos. Também houve queda na arrecadação de royalties. A entidade defendeu ainda a implementação do projeto Rota 4, em Linhares, no norte. Trata-se de um gasoduto que possibilita aumentar a oferta de gás para a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC). O projeto teve origem no governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), mas sua efetivação não se concretizou diante do impeachment em 2016. Ao assumir o posto, o então vice-presidente, Michel Temer (MDB), não deu continuidade ao gasoduto. A implementação da Rota 4, aponta Hoffmann, pode gerar mais empregos para a UTGC, que, de acordo com ele, tem capacidade para produzir 15 milhões de m³ de gás diariamente, mas tem produzido cerca de 2 milhões de m³, sendo a Rota 4 importante para que opere plenamente. Hoffmann afirma que se a UTGC utilizasse toda a sua capacidade, produziria 300 mil botijas de gás por dia, mas atualmente produz 30 mil. Ministério de Minas e Energia requer suspensão de vendas em curso na Petrobras Valnísio Hoffmann informa que iniciativa pode paralisar a venda do Polo Norte Capixaba e do campo de Golfinho https://www.seculodiario.com.br/economia/ministerio-de-minas-e-energia-requer-suspensao-de-vendas-em-curso-na-petrobras Sindipetro apresenta reivindicações para futuro presidente da Petrobras Em reunião com Jean Paul Prates, sindicato buscará reverter vendas de Albacora Leste e do Ativo Norte Capixaba https://www.seculodiario.com.br/sindicato/sindipetro-apresenta-reivindicacoes-para-futuro-presidente-da-petrobras
Comissão da Assembleia quer desconto na conta de água dos moradores da Serra
Encaminhamento à Cesan foi anunciado pelo deputado Xambinho, após reunião sobre fornecimento de água suja e imprópria Desconto na conta de água e esgoto dos moradores da Serra; limpeza das caixas d’água; e prazo para regularização definitiva do fornecimento. Esses são os encaminhamentos da reunião realizada nesta segunda-feira (6), pela Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa, que debateu o problema da distribuição de água suja e imprópria – amarela e barrenta – à população, sob responsabilidade da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan). “Desde o início de janeiro que a gente vem com esse problema. Um morador me falou que está com a família inteira na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com problemas intestinais”, contou Marcelo Leal, líder do bairro Serra Dourada II. A presidente da Federação das Associações de Moradores da Serra (Fams), Mara Gomes, reforçou: “os bairros estão recebendo mais barro do que água”. Também presente à reunião, Guilherme Lima, coordenador-geral da Assembleia Municipal do Orçamento (AMO), apontou que o “o serviço prestado é da pior qualidade e as pessoas estão passando mal”. O presidente da comissão, deputado Alexandre Xambinho (PSB), morador do município, afirmou que sempre houve interrupção dos serviços pela Cesan, seja por manutenção ou fortes chuvas, mas nunca aconteceu de a água chegar suja. “Eu vivo esse problema dentro da minha casa”, disse. “As nossas crianças e idosos estão passando mal por causa dessa água barrenta”, reiterou. Também residentes na Serra, as estudantes de Engenharia Sanitária e Ambiental no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Vitória, Liliane Coimbra e Cássia Boaventura, participaram da reunião. Elas realizaram uma análise da qualidade da água que chegava em suas casas e concluíram que a amostra coletada apresentava turbidez seis vezes maior do que a permitida pela legislação, segundo as alunas do Ifes. Segundo Xambinho, a solicitação de desconto na conta de água e esgoto será referente aos dias em que houve problema de abastecimento. Além do prazo para resolver o problema e da limpeza das caixas d’água, o deputado pedirá ainda uma visita técnica da comissão, juntamente com os vereadores e líderes comunitários, às obras da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Carapina. O gerente da Cesan, Carlos Augusto Dilem, “pediu desculpas à população” e reconheceu a falha na ETA, que acarretou no aumento da turbidez. “A gente teve esse problema mais acentuado dos dias 5 a 8 do mês de fevereiro. Naquele fim de semana mesmo a gente iniciou a desinfecção”, afirmou. Dilem informou que as reclamações sobre o abastecimento já diminuíram, mas que qualquer situação deve ser relatada à Cesan pelo telefone 115. Também participaram da reunião os deputados João Coser (PT) e Hudson Leal (Republicanos); os vereadores da Serra Adriano Galinhão (PSB), Jefinho do Balneário (PL), Paulinho do Churrasquinho (PDT), Professor Rurdiney (PSB), Rodrigo Caçulo (Republicanos), Saulinho da Academia (Patri), Sérgio Peixoto (Pros) e William Miranda (PL); e o subsecretário da Casa Civil para Relações Institucionais, Sandro Locutor.
Zumbis Contemporâneos caminham em memória à Insurreição de Queimado
Inscrições gratuitas estão abertas para até 300 pessoas. Percurso noturno tem 21km, com saída da Serra-Sede A Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos está de volta, após três anos sem acontecer, devido à pandemia de Covid-19. O evento acontece no próximo dia 18 de março, completando sua 11ª edição. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas pela internet e têm um limite de 300 participantes, para garantir a infraestrutura adequada e mesmo a segurança sanitária, já que a pandemia ainda não acabou. A concentração começa às 19h na Praça Chico Prego, em Serra-Sede, com início das atividades culturais às 21h. A partida para a caminhada rumo às ruínas de Queimado se dá à meia-noite, com previsão de chegada às 6h de domingo, após 21 km de um trajeto rico em memórias da luta do povo negro. Por volta das 2h manhã está programada uma parada no Sítio Morro do Céu, onde o agroturismo serrano apoia o evento, com oferecimento de lanche, moda de viola e local para descanso dos que precisarem recobrar energias. Carros de apoio acompanharão todo o trajeto, para levar quem não conseguir prosseguir caminhando. Redes Sociais Neste ano, o tema da caminhada é novamente “Kizomba: construindo ninhos e voltando para casa”, ressaltando a necessidade de reverenciar a história e a ancestralidade. “É uma caminhada celebrativa, não esportiva nem competitiva. Ela revive um pouco da história dos nossos ancestrais, com momentos voltados para os quatro elementos da natureza: a água, o fogo, o ar e a terra. Cada parada faz uma atividade revivendo esses passos e essa memória”, conta Fátima Tolentino da Silva, a Fatinha, coordenadora do Conselho Municipal do Negro (Conegro Serra), presidente do Conselho Estadual de Igualdade Racial e integrante do Fórum Chico Prego e da comissão de organização da Caminhada. “Os nossos ancestrais eram mais noturnos nas vivências das tradições africanas, porque durante o dia tinham que trabalhar”, ressalta, explicando porque a caminhada sempre acontece à noite. Fatinha conta ainda que os Zumbis Contemporâneos compõem um rol de atividades que marcam a Insurreição de Queimado, como a Celebração Inter Religiosa de Queimado, que alcança sua 24ª edição. Este ano também serão feitas falas na tribuna livre da Câmara da Serra, nesta segunda (6) e, no dia 15 de março, uma audiência pública, onde homens e mulheres negras serão homenageadas por terem se destacado na defesa da causa. “Lideranças de movimentos negros e entidades, educadores…muitas pessoas que fazem trabalhos importantes e muitas vezes que não têm o reconhecimento merecido pela sociedade”, pontua. A 11ª Caminhada acontece às vésperas de uma nova reforma das ruínas e ampliação do espaço, com previsão de construção de banheiros, minimuseu e instalação de energia elétrica e sistema de segurança. Melhorias fundamentais para honrar o uso do espaço pelos próprios negros. “Hoje não conseguimos usar de forma adequada. Primeiro porque não tem transporte público para lá e não é todo mundo do movimento negro que tem condução própria para ir. Muitas pessoas de fora é que estão usando, para fazer ensaios fotográficos, lazer. Então quem usa aquele espaço tem que saber que para nós ele é sagrado, tem valor simbólico, histórico e de vivência, porque tem 23 anos que estamos vivendo aquilo ali, buscando o reconhecimento, e conseguimos, porque a caminhada está no calendário nacional do movimento negro e conquistamos a restauração e essa ampliação agora”, explica Fatinha. Everton Nunes/Secom PMS Histórico A Insurreição de Queimado aconteceu no dia 19 de março de 1849, quando um grupo de negros escravizados se revoltou contra a não concessão da alforria prometida pelos senhores em retribuição à construção de uma igreja. Liderada por personalidades como Elisiário Rangel, Carlos, Eliotério e os heróis e mártires negros João da Viúva Monteiro (enforcado no dia oito de janeiro de 1850, em frente à Igreja de São José do Queimado) e Francisco de São José, o Chico Prego (enforcado na Praça da Igreja Matriz, em Serra-Sede). A Primeira Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos aconteceu no ano de 2003, de Cariacica-sede para a Comunidade Quilombola de Retiro, em Santa Leopoldina. No dia 19 de março de 2011, dia da Revolta do Queimado, foi realizada a Primeira Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos de Serra-Sede para Queimado, revivendo o percurso realizado pelos líderes dessa revolta. Serviço 11ª Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos Data: 18 de março de 2023. Horário: concentração a partir das 18h, com saída para a caminhada à meia-noite. Na Praça Chico Prego, em Serra Sede. Inscrições abertas por meio de formulário na internet Mais informações, com o Departamento de Promoção de Igualdade Racial, no telefone 27 98182-0720 Não será obrigatório o uso de máscaras faciais, mas é recomendo às pessoas que possuem comorbidades ou convivam com pessoas com doenças pré-existentes e que precisam de uma proteção maior contra a Covid-19.
Como vocês se conheceram?
O sentido de para-sempre encurtou tanto que nem sempre o sempre dura até que o divórcio nos separe Os seres humanos andam aos pares…quase sempre. Sendo uma constante estudiosa da raça humana, estou sempre tentando saber como os pares se formam – pessoas totalmente opostas, com ideias e costumes diferentes decidem viver sob o mesmo teto, para sempre. Outras se parecem, mas deparam com a incompatibilidade de gênios. As relações interpessoais nos dias de hoje variam tanto que faltam adjetivos para qualificar os relacionamentos: bem-casados, namorados, ficantes, parceiros, juntos até que apareça algo melhor, ou até que a rotina atrapalhe. É pra valer ou estão só testando a força da correnteza? O sentido de para-sempre encurtou tanto que nem sempre o sempre dura até que o divórcio nos separe. * De vez em quando arrisco algumas perguntas se a meteorologia promete tempo estável: Uma família perfeita: ele lindo, ela com tudo no lugar certo, duas crianças brincando por perto que deviam fazer comercial de pasta de dente. Como vocês se conheceram? O rapaz de corpo atlético, pele tostada no tom correto, me ignora. A jovem com um corpo de supermodelo é mais comunicativa, Desde sempre, ora. Somos gêmeos. Minha educada surpresa: E essas crianças? Que crianças? Tô muito gata pra ter filhos, Coroa. A mãe não mencionada está bem longe, hipnotizada pelo celular. * Não sou de desanimar, e sigo um casal de idosos caminhando sob a sombra de árvores frondosas em um bairro tranquilo – local perfeito para ser feliz para sempre. Como vocês se conheceram? Pra que quer saber? A mulher pergunta e acelera o passo. O marido para, atencioso. Pois não? Informo que faço uma pesquisa para um importante jornal online no Brasil. Brazil? Maradona era melhor que Pelé. Ah, gosta de futebol? Ele dá de ombros, Sei nada de socker, mas tinha um vizinho argentino que gritava isso na janela todas as manhãs. Já faz tempo, mas nunca esqueci. E como conheceu sua esposa? Ah, isso eu esqueci. * Continuo a minha busca incansável – um casal meia-idade no Walmart, um jovem casal na padaria, um velho casal na farmácia… As respostas nada respondem. Acho que foi… Cê lembra, Bem? Deve ter sido… o que foi mesmo que você perguntou? Também já esqueci. A madame de cabelo vermelho: Gente xereteira se metendo na vida alheia. Um casal com cinco cachorrinhos diz que se conheceram no canil. Ele: Quer saber o nome deles? Água, Fogo, Luz, Gelo… O menorzinho ainda não tem nome. Sugiro Atmosfera, eles se mandam, ofendidos. Ele: Perdi três namoradas por incompatibilidade canina. * Loja de shopping, quase na hora de fechar, o jovem casal entra correndo, de mãos dadas. Lindos e risonhos, tremendamente apaixonados. Essa loja vende vestido de noiva? A assistente explica que só tem roupas esportivas. À pergunta se ali por perto teria alguma loja vendendo vestidos de noiva, ela informa que não, mas pode dar alguns endereços… A garota: Tem alguma ainda aberta? A assistente informa que já devem ter fechado, Volta amanhã, por que a pressa? Ele: A gente quer casar antes de mudar de ideia. Uma boa razão, sem dúvida. * As razões variam, mas acabam no mesmo cartório: Na escola, na faculdade, no trabalho, no bar da esquina, na casa de um amigo, era a melhor amiga da ex. A necessidade de companheirismo ou o medo da solidão é igual, mas os termos variam: cara-metade, distinto/a, companheiro/a, meu bem, meu benzinho, parceira/o, docinho, Amô, patroa, provedor, cabeça do casal, tagarela, encosto, assombração, fofinha, cruz-credo, criatura, tesouro, xuxu, chefia, chefão, lava-e-passa, coisinha. Como vocês se conheceram? No enterro de um amigo, bebemos demais…
‘Ato na Assembleia será o começo das manifestações deste ano’
Peritos querem construir com a gestão estadual a elaboração da lei orgânica e do estatuto da Polícia Técnica Os peritos farão um ato na Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (7), durante a audiência da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado que discutirá a remuneração dos profissionais da segurança pública. O Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos) terá um espaço de fala e convoca a categoria para comparecer em massa ao ato. O presidente da entidade, Tadeu Nicoletti, afirma que o ato na Assembleia será o começo das manifestações deste ano, uma vez que os trabalhadores afirmam que irão retomar os protestos de rua caso a gestão de Renato Casagrande (PSB) não dê início ao diálogo com a categoria para debater a elaboração da lei orgânica e do estatuto da Polícia Técnica e Científica, cuja criação foi aprovada na Assembleia Legislativa em outubro de 2021. “Na audiência será discutida a remuneração dos profissionais da segurança pública, não tem como discutir isso sem falar da situação da Perícia. A categoria tem um trabalho de responsabilidade imensa e tem o pior salário do país. Não tem como!”, destaca. O prazo para a elaboração do estatuto e da lei orgânica era de até 120 dias após a aprovação da criação da Polícia Técnica e Científica, completados em 24 de fevereiro. Os deputados estaduais Fabricio Gandini (Cidadania) e Janete de Sá (PSB) se pronunciaram sobre o assunto na sessão da Assembleia Legislativa dessa quarta-feira (1º). Gandini destacou que a criação da Polícia Técnica foi uma “conquista importante, feita a várias mãos, e lamentou que a gestão estadual ainda não tenha chamado a categoria para conversar sobre a estruturação, além de defender que a Perícia precisa de “avanço, de orçamento próprio”. Janete ressaltou que o diálogo deve ser feito com “mais brevidade possível. Nossa Perícia é muito importante para elucidação de crimes e para fazer com que a justiça seja feita”, acrescentou. Como o Governo do Estado não deu início ao diálogo com a categoria, os peritos, por conta própria, começaram a debater a elaboração do estatuto e da lei orgânica. Tadeu afirma que entre as propostas está o aumento gradativo do salário. O inicial, hoje, é de R$ 6,88 mil, e o final, de R$ 13,8 mil, sendo o mais baixo do País. Na média nacional, o inicial é R$ 13,8 mil e o final R$ 24,57 mil. Os peritos iniciaram, em dezembro de 2020, diversas manifestações por autonomia. Na ocasião, os trabalhadores reivindicavam reabertura de diálogo com a gestão de Renato Casagrande, que havia começado em 2019, início do mandato, tendo sido interrompido em decorrência da pandemia da Covid-19. Depois de vários protestos, inclusive com queima de caixão em via pública simbolizando a morte da Perícia, o diálogo foi retomado, mesmo que a passos lentos. A reivindicação começou a ganhar mais materialidade em 2022, culminando nas duas PECs e a proposta pelo Executivo. Com a aprovação, o Espírito Santo passou a ser o 20º Estado a ter uma Perícia autônoma. Outra reivindicação da categoria que começou a se concretizar, em novembro passado, foi a o pagamento do adicional de insalubridade, porém, os peritos ainda lutam pelo pagamento do retroativo, uma vez que conquistaram esse direito há quatro anos e até então nenhum valor havia sido pago. Peritos debatem elaboração do estatuto da Polícia Científica e da lei orgânica Debate é feito por conta própria, pois a gestão de Casagrande ainda não fez convocação para discussão conjunta https://www.seculodiario.com.br/seguranca/peritos-debatem-elaboracao-do-estatuto-da-policia-cientifica-e-a-lei-organica PEC da Autonomia da Perícia é aprovada em dois turnos na Assembleia Proposta que desvincula Polícia Técnica e Científica da Polícia Civil torna o Estado o 20º a consolidar a autonomia do setor https://www.seculodiario.com.br/seguranca/pec-da-autonomia-da-pericia-e-aprovada-em-dois-turnos-na-assembleia
‘Quero inspirar outros jovens a verem que sempre há outro caminho’
Morador de São Pedro, Lucas precisa de apoio para participar do campeonato anual do Conselho Brasileiro da Dança, no RJ Redes Sociais Uma oportunidade única na vida de um jovem negro de periferia que assumiu a arte como seu talento natural e a abraçou como profissão, paixão e proteção para as armadilhas que normalmente cercam as juventudes pretas e pardas das comunidades mais vulnerabilizadas das cidades brasileiras. É como pode ser descrita sucintamente o momento atual na vida do bailarino e professor de dança Lucas dos Santos da Graça. Morador de São Pedro, em Vitória, ele tem 18 anos e foi convidado a representar sua escola no campeonato anual do Conselho Brasileiro da Dança (CBDD), que ocorre no início de abril no Rio de Janeiro. “Com menos de dois meses na academia, ser escolhido para uma competição nacional é uma responsabilidade muito grande”, reconhece o jovem bailarino, que é bolsista integral na Pimenta Dance, estúdio em Jardim da Penha fundado e dirigido pela dançarina Liviane Pimenta, que rapidamente identificou o grande talento de Lucas e o merecimento para que ele tenha mais essa oportunidade de se desenvolver em sua arte. “Nós participamos desde 2016 [do campeonato do CBDD]. Sempre ganhamos muitas medalhas, troféu e prêmios. A única dificuldade é patrocínio. Nós temos muitos talentos, mas não conseguimos muitos apoios do Estado e prefeitura para alavancar a carreira deles. A oportunidade na escola a Pimenta Dance já faz: identificamos alguns talentos, damos a bolsa, mas a competição a gente não consegue cobrir tudo. Falta uma parte do transporte, estadia, alimentação, porque é uma base de mil e poucos reais para cada um”, relata Liviane, que atualmente mantém 20 bolsas de estudo para jovens de periferia como Lucas. Redes sociais “Como um bailarino como o Lucas conseguiria esse dinheiro sem um patrocínio, um apoio? É uma oportunidade única para ele”, ressalta a diretora, feliz com a constatação de tantos outros jovens já apoiados pela escola e que tiveram suas vidas transformadas depois dessa experiência. “Hoje ou são bailarinos profissionais no Brasil e na Europa, dançando e vivendo da arte, ou são pessoas que viram a diferença que essa oportunidade de estar na escola lhes trouxe, treinando todos os dias, de 14h às 20h, em vez de estar nas ruas, sem um objetivo maior. São fisioterapeutas, médicos e professores de educação física e de artes”. Lucas tem consciência desse diferencial. “Dançar foi um tipo de superação tanto emocional quanto física. Ver que consigo avançar cada dia me faz realizado. E saber que posso avançar mais ainda! É minha meta, aperfeiçoar sempre. Ainda mais para mim, que moro na periferia e sou negro. É tanta pressão por ser negro, jovem de periferia…que você não vai ser nada nunca na vida, vai ser um advogado, um médico, um cantor, um dançarino”, pondera. “Em casa, lavando louça, lavando roupa, cozinhando, eu faço tudo sempre dançando. É como se tivesse uma musiquinha na minha cabeça todo tempo e eu danço essa música o tempo todo na minha vida”, descreve Lucas. “Pirueta é minha paixão! Estou sempre dando piruetas”, sorri. “Eu desconheço um bailarino da Pimenta, dos que ficaram e trabalharam, que tenha ido para o lado errado. Sempre depois fazem faculdade, coisa que nunca antes tinha pensado que poderiam. São todos trabalhadores. Porque a dança é muito rigorosa, precisa de muita disciplina. Trazendo isso para a vida, essa disciplina e foco, a pessoa deslancha e consegue alcançar seu objetivo, ser um cidadão que depois retorna para a sociedade tudo de bom que recebeu”, conta Liviane. A dança, salienta, exige muito. “O bailarino tem que ser um atleta, ter condicionamento físico, se alimentar bem e se cuidar, tem que entender de música, cenário, figurino. E tem que conseguir, mesmo num passo mais difícil e complexo, mostrá-lo para a plateia com um sorriso. Isso ensina nossos alunos, principalmente os bolsistas, que por mais que seja difícil, ao enfrentar os obstáculos com um sorriso no rosto, eles conseguem atingir seus objetivos”. Com menos de três anos de treinamento profissional, em escola de dança – ele havia recebido outra bolsa de estudo antes da Pimenta -, Lucas já dá aulas de dança em um projeto social em São Pedro. “É muito gratificante. Todo mundo no meu bairro sabe que eu danço, as criancinhas falam comigo o tempo todo, me chamam de artista. Eu me sinto um artista. As crianças do projeto são muitas fãs e eu me sinto o máximo”, festeja. Liviane conta que Lucas está treinando para dançar no final do ano com Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus. Foi a grande bailarina Ana Botafogo, inclusive, ícone do balé nacional, bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que a inspirou a fazer o Quebra-nozes em Vitória em 2021, com entrada gratuita. Seu projeto trouxe o diferencial de acrescentar, ao clássico, elementos da identidade cultural capixaba, como Nossa Senhora da Penha, o congo, Augusto Ruschi, orquídeas e beija-flores. Marcella Neitzel “Foram 10 mil pessoas no Shopping Vitória!”, comemora. Em 2022, sem apoio suficiente, ela quase não conseguiu repetir a dose. Em 2023, as expectativas estão renovadas. Os patrocínios ainda não chegaram, mas Liviane continua firme no sonho. “Quero transformar esse quebra-nozes capixaba em tradição. Uma das coisas que reclamam do Espírito Santo é que aqui não tem público para grandes espetáculos. O Cirque du Soleil não vem para cá, grandes musicais não vêm para cá, porque dizem que não tem público. Eu faço questão de provar que temos sim. Temos que partir da base. Temos que primeiro dar acesos e oportunidade, formar públicos”, explica. Lucas também acredita em evoluções positivas através da arte. “Eu sempre fui muito aberto a tudo e consigo entender que [o tráfico de drogas e a criminalidade] não é certo, mas que as pessoas estão ali muitas vezes porque não tiveram oportunidade. Poderiam ser jogadores de futebol, engenheiros, artistas…conheci muitas pessoas, amigos, que já morreram no crime e mais jovens do que eu. Meu Deus do céu! Eu sou um jovem, negro, de periferia, que é artista. Porque eu me considero artista já. Então eu quero