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Manifesto LGBTI+ deve reunir mais de 10 mil pessoas na Serra

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Atrações locais e nacionais farão parte da programação do evento reivindicativo que acontece em Jacaraípe Uma multidão é esperada nas ruas de Jacaraípe no próximo domingo (29) no 13º Manifesto LGBTQIA+ da Serra, com previsão de mobilizar entre 10 mil e 15 mil pessoas, segundo o Fórum Municipal LGBTI+ do município, que organiza a atividade com apoio da prefeitura por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. O evento deve ter diversas atrações culturais de música e dança, incluindo uma atração nacional que deve ser anunciada nesta sexta-feira (27). A atividade acontece de 13h às 22h na Praça Encontro das Águas.  Luiz Carlos Fotógrafo Matheus Sena, presidente do Fórum, afirma que a palavra Manifesto é usada pelo fato do evento trazer “reivindicações políticas, de protesto e cobranças”. “Festejamos, como acontece nas Paradas, mas trazemos atos culturais e políticos durante toda semana e no manifesto”, diz. A programação que culmina no ato teve início no último dia 24 de janeiro e inclui atividade de formação para servidores públicos, palestras, cineclube, o Luau LGBTI+ que ocorre sexta-feira (27), 20h, em Praia de Carapebus, e a Feira LGBTI+, que ocorre no sábado (28), de 13h às 22h na Praça Encontro das Águas. O lema trazido pela edição deste ano do Manifesto é: “Ser quem sou é orgulho, é luta e é resistência”. “O Brasil é um dos países que mais mata homossexuais do mundo. Ao celebrar o orgulho de ser qualquer letra dentro da sigla LGBTQIAP+, estamos trazendo visibilidade às vítimas dos crimes de ódio, estamos demonstrando luta, resistência, e inspirando as pessoas que talvez ainda não tenham ‘saído do armário’”, considera Matheus Sena. Ramon Rodrigues, que participa da comissão de organização do evento, explica que a atividade foi adiada anteriormente até que fosse decidido realizá-la em 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans, buscando ressaltar a importância desta questão. “A luta é urgente porque o Brasil é um dos países que mais discrimina e mata LGBTs no mundo, ocupa o primeiro lugar na América Latina e é o líder em assassinatos de pessoas trans no mundo”, relata. Para ele, entre as principais questões colocadas para o movimento LGBTQIA+ no município da Serra estão a falta de representatividade nos espaços de poder. “Na Câmara Municipal, por exemplo, não temos vereadores que levantam a pauta LGBT e lutam pela causa. É preciso também criar meios para a empregabilidade das pessoas trans”. Entre as atrações confirmadas estão Motumbaxé, Casa das Boneketys, Laila Orlande, Risley, Matheus Anísio, Myrela Couth, Aru, DJ Matheusa e Pabllo Vittar Cover. A apresentação será da drag queen Aysha Pink, de Porto Seguro, e do digital influencer serrano Renan Mendes. Sobre a atração principal, que deve ser divulgada na sexta-feira, os organizadores dão uma dica: “”É um artista LGBT e preto, que participou de um programa de televisão e que vem fazer um show imperdível em umas das melhores ou a melhor edição do manifesto”. Alguém tem um palpite?

26/01/2023 / 0 Comments
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A minuta do golpe

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“Para referendar o dia do caçador, Anderson Torres está preso” A minuta do golpe que foi encontrada no apartamento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres, do governo de Jair Bolsonaro, agora ex-presidente da República, é mais um fato que vem se somar à miríade de tentativas tanto de contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, como de servir para um balão de ensaio de golpe e anulação deste resultado. A sanha golpista do que representou o governo de Jair Bolsonaro e de uma parte intervencionista do espectro do bolsonarismo, e que culminou na conspirata da depredação dos Três Poderes no fatídico 8 de janeiro de 2023 em Brasília, tem nesta minuta mais uma prova de que foram ensaiadas diversas saídas para negar a derrota eleitoral e virar a mesa. E na dinâmica do dia da caça e do caçador, esta caçada insana por uma saída inconstitucional foi pega em flagrante. A minuta era um rascunho para um decreto de golpe, indo de encontro ao Artigo 2 º da Constituição Federal sobre a independência dos poderes. A redação da minuta seguia todos os quesitos de um texto jurídico e fundamentado, porém, na forma, pois o conteúdo era escandaloso, e obviamente inconstitucional. O documento, portanto, foi elaborado por juristas, mas com intenções de burlar a Carta Magna. A independência entre os Três Poderes foi algo referendado desde a obra de Montesquieu, um dos pilares do Iluminismo, na Teoria da Separação dos Poderes, que é o Sistema de Freios e Contrapesos, na obra O Espírito das Leis, que se seguiu a elaborações embrionárias com fontes na Política de Aristóteles e no Segundo Tratado do Governo Civil, de John Locke. O Espírito das Leis, por sua vez, circulou primeiramente no período da Revolução Francesa. A minuta do decreto, golpista, visava a instauração do estado de defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com o objetivo de mudar o resultado das eleições de 2022. O estado de defesa, previsto no artigo 136 da Constituição Federal, é um mecanismo de restabelecimento da ordem pública em casos de calamidades naturais e de instabilidade institucional, o que na minuta não demonstra fundamentação, portanto, está no terreno da inconstitucionalidade. Para ficar mais claro, a pretensão da minuta, em seu conteúdo, era uma tentativa de imputar abuso de poder, suspeição e medidas ilegais ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na condução das últimas eleições no Brasil. Agora os investigadores da Polícia Federal recebem informações de que a minuta do decreto circulou por mensagens de celular entre assessores do então presidente Jair Bolsonaro, já com o fito de uma intervenção na Justiça Eleitoral, e também circulou entre membros do comitê da reeleição. Tal informação é importante para entender a atuação do ex-secretário da Segurança Pública do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no final do governo de Jair Bolsonaro, Anderson Torres. A tentativa da Polícia Federal agora é de acessar dados do celular de Anderson Torres que estejam disponíveis em nuvens de plataformas digitais. Anderson Torres não trouxe o seu celular para o Brasil, numa conversa mole de quem tem muito o que explicar na Justiça, pois está tudo à luz do dia. Por sua vez, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal remetesse uma cópia da minuta do decreto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O material agora é anexado a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que tramita contra Bolsonaro na Corte por sua inelegibilidade, já desde o episódio fatídico de seu convescote com embaixadores em julho de 2022, também um pretexto apócrifo e desconjuntado de questionar as urnas eletrônicas. Uma piada diplomática. O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), portanto, determinou a inclusão da minuta do decreto nesta ação de investigação. Tal anexação da minuta a esta ação foi atendendo a um pedido do PDT, e que pode tornar Jair Bolsonaro inelegível. Agora a trama do golpismo está entrelaçada, pois as ações estão sendo unificadas, juridicamente, como se fosse a melhor documentação da cantilena bolsonarista, o dia da caça se batendo com o dia do caçador. Para referendar o dia do caçador, Anderson Torres está preso, e se encontra encalacrado com as consequências de sua ausência do Distrito Federal durante o episódio de vandalismo e tentativa de golpe que ocorreu em 8 de janeiro deste ano, uma obra prima da ignorância, o opus da cantilena bolsonarista que cultua a burrice em todas as suas formas possíveis e impossíveis. Agora à sua via crúcis se adiciona este achado, este artefato, que é a minuta do golpe, que estava em seu apartamento. Por fim, Benedito Gonçalves, ministro-corregedor da Justiça Eleitoral, recebe uma petição de Bolsonaro que contém uma alegação farsesca tentando a desconsideração da minuta do decreto, a minuta do golpe. O argumento feito para temperamentos ou inteligências do reino mineral não convence, pois mistura a ideia de documento apócrifo, de que a minuta não deixou a residência de Anderson Torres, de que não foi publicado, e de que o rascunho não foi transposto à realidade. Ou seja, argumentos capazes de deixar corada uma rúcula, como vemos. Mas, vai que cola, só que não. A minuta era um balão de ensaio de golpe, e para variar, morreu na praia. Gustavo Bastos, filósofo e escritor. Blog : http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

26/01/2023 / 0 Comments
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Número de desalojados e de desabrigados pelas chuvas dobra no Espírito Santo

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Mimoso do Sul tem a maior parte das mais de 4,4 mil pessoas atingidas, com 2,6 mil desalojados e 20 desabrigados Giovani Pagotto/GovES O número de desalojados e desabrigados no Espírito Santo, conforme o Boletim Extraordinário da Defesa Civil divulgado na manhã desta quinta-feira (26), é de 4.515. Desse montante, 4.476 estão desalojados e 39 desabrigados. As 4.515 vítimas das chuvas correspondem a um pouco mais que o dobro da quantidade registrada no penúltimo Boletim, divulgado no final da tarde dessa quarta-feira (25), quando havia 1.875 pessoas em situação de desalojamento e desabrigamento. O município com maior número de pessoas atingidas é Mimoso do Sul, no sul, com 2.620 desalojados e 20 desabrigados. Bom Jesus do Norte, também no sul, tem 1832 desalojados e 19 desabrigados. Linhares, no norte, tem 24 desalojados. Na cidade de Mimoso do Sul há vários pontos de alagamento na Sede e uma árvore atingiu uma residência no bairro Vista Alegre. A chuva do final da tarde de ontem fez com que os rios Muqui do Sul e os córregos Santa Marta Belmonte e Serra extrapolassem a cota de inundação. Prédios públicos também foram atingidos pelas chuvas, ficando inundados, como a Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro José  Vieira, no Centro. A partir desta quinta-feira, estão sendo aceitas doações de roupas e alimentos para as vítimas, que devem ser entregues no ginásio da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Monsenhor Elis Tomasi, no Centro. A Paróquia São José também deu início a uma campanha em parceria com a Prefeitura, por meio da qual está arrecadando dinheiro através do pix paroquiasaojosemimoso@hotmail.com.  Redes Sociais Em Bom Jesus do Norte, o rio Itabapoana ultrapassou a cota de inundação, fazendo com que várias ruas inundassem e muitas famílias tivessem que sair de suas casas. Na zona rural, foi registrada muita queda de barreira. O município se encontra em alerta vermelho até o dia 31 de janeiro. Na cidade de Linhares, o rio Doce se mantém acima da cota de inundação. A previsão para esta quinta-feira é de variação de nebulosidade sobre a maioria das regiões do Estado e de pancadas de chuva. É considerada alta a possibilidade de movimentos de massa nas mesorregiões Sul, Central e Litoral, podendo deflagrar deslizamentos de terra induzidos esparsos em áreas urbanas, além de queda de barreiras nas margens de rodovias. Na região noroeste, é considerada moderada a possibilidade de movimentos de massa devido aos acumulados dos últimos dias e à previsão de chuva na forma de pancadas. Estado registra cerca de 2 mil desalojados ou desabrigados por causa das chuvas A maioria das vítimas são da cidade de Bom Jesus do Norte, no sul. Também há atingidos em Linhares, no norte https://www.seculodiario.com.br/cidades/estado-registra-cerca-de-2-mil-desalojados-ou-desabrigados-por-causa-das-chuvas

26/01/2023 / 0 Comments
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Estado registra cerca de 2 mil desalojados ou desabrigados por causa das chuvas

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A maioria das vítimas são da cidade de Bom Jesus do Norte, no sul. Também há atingidos em Linhares, no norte As chuvas das últimas 24 horas já deixaram 1.856 pessoas desalojadas no Espírito Santo, sendo 1.832 em Bom Jesus do Norte, no sul, que foram encaminhadas para a Creche Tia Fatinha. As outras 24 são de Linhares, no norte. No Estado também há 19 pessoas desabrigadas, todas elas em Bom Jesus do Norte. As informações foram divulgadas por meio do Boletim Extraordinário da Defesa Civil Estadual. Em Bom Jesus, ruas foram inundadas devido ao fato de o Rio Itabapoana ter atingido a cota de inundação. Na zona rural há muita queda de barreira, além de terem sido registradas quedas de três árvores na Rodovia 484, que liga a cidade a São José do Calçado. Em Linhares, o nível do Rio Doce ultrapassou a cota de inundação, sendo que em Colatina, no norte, o rio está na cota de atenção, que precede as de alerta e inundação. Reprodução Embora não haja registro de desalojados e desabrigados, outros municípios foram atingidos pelas chuvas. Em Itarana, na região serrana, há pontos de inundação em estradas vicinais na comunidade de Barra de Jatiboca. Na cidade de Itaguaçu, também na região serrana, casas foram invadidas pela água da enxurrada que escorreu dos morros. No Centro de Rio Novo do Sul, o sul, houve queda de árvore na comunidade de Pau D`alho. No município de Afonso Cláudio, na região serrana, foram registrados pontos de alagamento, deslizamentos de terra, quedas de muro e de pontes. Em Mimoso do Sul, no sul, há pontos de alagamento na Sede. Na cidade de Itapemirim, na mesma região, a Comunidade do Frade sofreu alagamentos, deslizamento de talude e quedas de árvores. Nas de Retiro e Piabanha do Norte algumas casas foram destelhadas. A previsão para esta quinta-feira (26) é de variação de nebulosidade sobre a maioria das regiões do Estado. Ainda há previsão de pancadas de chuva no Espírito Santo, com acumulados de precipitação relativamente expressivos em alguns pontos. Por causa dessa previsão, é alta a possibilidade de ocorrências de inundações, alagamentos e enxurradas, em especial na região entre Cachoeiro do Itapemirim e a Grande Vitória, e na foz do Rio Doce, em Linhares. Também é considerada alta a possibilidade de movimentos de massa nas mesorregiões Sul, Central e Litoral Norte Espírito Santense. Considera-se moderada a possibilidade de movimentos de massa no Noroeste. Investimentos Na manhã desta quarta-feira (24), o governador Renato Casagrande (PSB) visitou o município de Mimoso do Sul, no sul do Estado, onde anunciou o repasse de R$ 500 mil por parte do governo do Estado à cidade, para projetos de obras estruturantes nos próximos quatro anos, e falou sobre R$ 200 milhões a serem distribuídos entre os municípios do Estado para que “aumentem a resiliência às chuvas”. Espírito Santo tem 27 desalojados e 8 desabrigados devido às chuvas A previsão para esta quarta-feira é de inundações, alagamentos e enxurradas em todo o Espírito Santo https://www.seculodiario.com.br/cidades/espirito-santo-tem-27-desalojados-e-8-desabrigados-devido-as-chuvas

25/01/2023 / 0 Comments
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Carta-compromisso do governo estadual não aborda reajuste dos servidores

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O presidente do Sindipúblicos-ES, Iran Caetano, cobra cumprimento dos compromissos de campanha de Casagrande Lucas S. Costa/Ales Ao assumir o compromisso de carta de Compromissos em Gestão Fiscal, assinada na última segunda-feira (23), o governador Renato Casagrande (PSB) deixou de abordar um dos temas relacionado diretamente com o funcionamento da máquina pública: o reajuste dos servidores estaduais, estacionados desde o início de 2022. A carta, assinada também pelo vice-governador, Ricardo Ferraço (PSDB), e pelo secretário da Fazenda, Marcelo Altoé, destaca cinco pontos, em especial a parceria como setor privado. O assunto é tema de manifestação dos Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos-ES), marcada par o próximo dia 1º, na Assembleia Legislativa, durante a cerimônia de posse dos deputados estaduais. O presidente da entidade, Iram Caetano Milanez, informou nesta quarta-feira (25) que pretendem entregar um documento pedindo a criação de uma frente parlamentar para tratar do tema, que envolve “recomposição salarial, auxílio-alimentação, entre outras reivindicações”. “Queremos o cumprimento das promessas de campanha de reeleição do governador Renato Casagrande, feitos em 2022, referente aos servidores públicos”, destaca o presidente do Sindipúblicos, reforçando a criação de uma frente parlamentar específica sobre o assunto. No documento do governo, o destaque fica com a “não elevação da alíquota modal do ICMS em 2023; segurança jurídica em matéria de benefícios fiscais; redução das desigualdades sociais e regionais e interiorização do desenvolvimento; responsabilidade fiscal e controle dos gastos públicos; e manutenção da nota máxima em capacidade de pagamento e gestão fiscal”. “Como isso pode sinalizar o não cumprimento de promessa de campanha de reajustar o salário dos servidores. Também aproveitar para questionar ao governo sobre quando e quanto será o reajuste, visto que desde a eleição se calou sobre o assunto”, indaga um servidor público, ao questionar o compromisso assumido pelo governo. O documento coloca o governo fora do bloco de estados que aderiram à decisão do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz), em 2022. “…para compensar a perda de arrecadação com a desoneração dos combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, os governadores teriam que elevar em quatro pontos porcentuais, de 17,5% para 21,5%, a alíquota média padrão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a partir de 2023”. Ao contrário dessa medida, o governo do Estado optou pela não elevação da alíquota modal do ICMS neste ano, “reafirmando a sua parceria com a iniciativa privada sob os compromissos de alavancar o desenvolvimento econômico e de potencializar a competitividade dos setores produtivos capixabas”, como diz a carta. O documento cita “os compromissos sociais do governo com as condições de vida da população, com o desenvolvimento socioeconômico, com a geração de emprego e renda e com a redução das desigualdades sociais e regionais”, mas não entras em detalhes sobre reajustes salariais dos servidores, cujo último ocorreu no início de 2022, da ordem de 6%, de forma linear, havendo complementação isolada em algumas áreas. Por conta desse desequilíbrio, foram registradas paralisações e um clima de insatisfação. O exemplo mais recente é a greve dos servidores do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest). O movimento, iniciado no último dia 23, é resultante da falta de acordo com o governo na reunião do Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta terça-feira (24). Enquanto o governo reforça que a “experiência capixaba exprime, com efeito, a insubsistência do aparente dilema entre responsabilidade social x responsabilidade fiscal” e mostra que nos “últimos quatro anos …o incremento de investimentos e a implementação de políticas públicas podem ser efetivados sem expor a risco o equilíbrio fiscal do Estado”. De outro lado, servidores reclamam da falta de reposição dos índices de inflação, que fecharam 2021 acima de 10%. Para o governo, no entanto, as decisões adotadas “consideram tanto a dimensão social quanto a dimensão fiscal das escolhas políticas – e a excelência do trabalho técnico levado a efeito pelos servidores públicos – os fatores capazes de propiciar resultados históricos como os apresentados no último mandato, a despeito do panorama de rarefação das bases de incidência do ICMS”.

25/01/2023 / 0 Comments
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O Hospital do Câncer e a política

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A obra, em Cachoeiro de Itapemirim, possui o tamanho e a importância de uma eleição Ao mesmo tempo em que o governador do Estado assinou edital de licitação, determinando que seu vice, Ricardo Ferraço (PSDB) fosse a Cachoeiro com vistas a construir o Hospital do Câncer, uma das obras mais importantes do Sul do Estado, que vem recebendo aporte de verbas de emendas parlamentares, criou-se também um imbróglio político com vistas à próxima eleição para prefeito. Todos os pré-candidatos querem tirar proveito de um pedacinho da autoria da obra. E com toda razão. A obra possui o tamanho e importância de uma eleição. É o caso do deputado Bruno Rezende (União Brasil), que como radiologista, teve apoio do Hospital Evangélico na eleição. Ele já se apresenta como pretensão a ser futuro candidato a prefeito de Cachoeiro. A sua boa votação em Cachoeiro superou a de Ferraço (Progressista), tido como favoritíssimo. O que provocou, de modo geral, um aborrecimento do deputado demostrado em entrevista à imprensa. Ferraço tem em seu banco, para entrar em campo a qualquer momento, a ex-deputada e sua mulher Norma Ayub (Progressista) que poderia ser a sua candidata a prefeita. Norma, então como deputada federal, acompanhou o processo de articulação do hospital. Mais uma razão. Ele precisa recuperar seu prestígio eleitoral. E a hora está passando. Sobretudo porque tem Ricardo, seu filho, na vice-governadoria. Por outro lado, o prefeito Victor Coelho (PSB), precisa bancar seu sucessor para projetar e delinear o seu futuro. Ao que tudo indica, o candidato de confiança seria o seu vice, Rui Guedes Barbosa, fiel escudeiro. Ou mesmo o deputado eleito Allan Ferreira (Podemos). O quadro geral se apresenta com mais elementos: o vereador Juninho (PL), seguidor ferrenho de Bolsonaro e representante da extrema direita e opositor do prefeito. Não se sabe ainda como será seu posicionamento na próxima legislatura sob o ponto de vista ideológico. Sobretudo enfrentando a carga de pressão sobre o ex-presidente. Difícil será delinear e alinhavar um discurso defensivo. O panorama que se esboça é o mais claro possível. E a obra de construção do hospital é a galinha de ovos de ouro de cada um deles. Isso porque é uma obra cara e as interseções junto ao governo federal são fundamentais. Principalmente porque o governo federal, hoje, ainda busca uma convergência dos Três Poderes em torno de um pacto pela democracia aberta desde 8 de janeiro, mas não permanecerá assim indefinidamente. Se o governo Lula deixar passar muito tempo depois da eleição das Mesas da Câmara e do Senado sem colocar as propostas para andar, as divergências políticas voltarão a emergir, pautadas também pela controversa agenda econômica do Executivo, e adeus oportunidade de proteger mais fortemente as instituições e o processo democrático, como observa a jornalista Flávia Magalhães. Onde cabe a construção do hospital nessa conversa? Ora, intenso está que para aprovar o pacote com celeridade, o governo precisará da contribuição do Congresso. O momento atual é propício para isso. Mas há uma disputa que vai ganhando corpo pelo comando do Senado. Embora publicamente Rogério Marinho se coloque como um bolsonarista moderado no páreo, no submundo das redes cresce a pressão dos radicais bolsonaristas sobre senadores, com ameaças àqueles que votarem em Pacheco (o voto é secreto). O momento é propício para entabulações. Os representantes do estado devem entender que o apoio a Lula hoje é fundamental. A atuação do governo, por sua vez, tem de ser inteligente: uma adesão ostensiva de Lula a Pacheco pode ser a forma mais eficaz de assegurar votos nos partidos. Mas o Planalto precisa acompanhar de perto a disputa para não ser surpreendido por uma reviravolta, como o próprio Lula sofreu em 2005, com a vitória de Severino Cavalcanti na eleição para a presidência da Câmara. A atuação da bancada em prol da vitória de Rodrigo Pacheco (PSD) claro que facilita o trânsito na obtenção de recursos para a construção do Hospital. E abrir caminhos de diálogo. Por isso a importância da atuação da bancada capixaba neste momento é estratégica e importante. Sobretudo o vigoroso desempenho do governador Renato Casagrande. Aliás, que conhece as entranhas do Senado.

25/01/2023 / 0 Comments
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Atentados de Aracruz: Casagrande ainda não recebeu Fórum Antifascista

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Fórum denuncia ‘desumanidade com as vítimas e familiares, falta de suporte e busca pela normalidade’ Passados exatos dois meses dos atentados cometidos por um adolescente de 16 anos em Aracruz, no norte do Estado, o Fórum Antifascista queixa-se do fato de que o governador Renato Casagrande (PSB) ainda não recebeu o grupo, apesar de terem reivindicado a reunião com o gestor. As demais reivindicações feitas, e explicitadas em uma nota divulgada quando o crime completou um mês, também não avançaram. “A gente aposta na importância de o governador se localizar no campo democrático para fazer enfrentamento ao extremismo de direita”, diz a integrante do Fórum, Ana Paula Rocha, que denuncia, ainda, a falta de punição ao pai do adolescente, embora ele tenha “treinado e recrutado o jovem para fazer aquele crime”. Ana Paula também aponta a necessidade de investigação de ligação com grupos neonazistas. Para a integrante do Fórum, a investigação deve ser no sentido de “desbolsonarização” do Estado e faz críticas à política de segurança pública do governo Casagrande, “que se diz democrático”, mas “criminaliza e marginaliza a periferia”. Ana Paula também questiona a permanência do coronel Alexandre Ramalho à frente da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), pois, conforme afirma, “diante de um crime de extremistas de direita a gente não vê ele falar grosso”. Além da investigação e do diálogo com Renato Casagrande, o Fórum, em nota publicada em dezembro, reivindicou participação da sociedade civil na sala de situação e assistência imediata às vidas em risco da comunidade escolar. Também em dezembro, professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Primo Bitti, um dos cenários do atentado, se pronunciaram por meio de uma carta aberta à gestão de Renato Casagrande e à população capixaba. No documento, afirmaram que é preciso providenciar uma equipe de apoio para o ano letivo de 2023, que inclua trabalhadores para as vagas em aberto na secretaria, diretor adjunto, aumento da equipe de professores, coordenadores e pedagogos, além de equipe de atendimento social e psicológico que atenda às demandas dos profissionais. Outra reivindicação foi o apoio financeiro para as vítimas e famílias atingidas, garantindo o custeio de remédios, equipamentos, cuidadores e psicólogos, além de “indenização e aposentadoria dignas para os diretamente atingidos em exercício de sua função”. De acordo com Ana Paula, as reivindicações não avançaram, havendo “desumanidade com as vítimas e familiares, falta de suporte, busca pela normalidade e por apagar o crime”. O crime Os ataques foram executados primeiramente contra a EEEFM Primo Bitti, em Coqueiral de Aracruz. Após arrombar o cadeado, o adolescente invadiu a escola e acessou a sala dos professores e depois outras salas. Em seguida, foi para outro colégio do bairro, o Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), onde efetuou mais disparos, deixando outras vítimas. Três professoras e uma estudante morreram. O atirador foi preso no mesmo dia, em uma das casas da família no município, onde foi apreendido e mostrou todos os objetos, roupa e suástica nazista utilizadas nos crimes. A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) também investiga quais as possíveis contribuições do pai do atirador, um tenente da Polícia Militar, para que o crime fosse consumado, e as relações do adolescente de 16 anos com células nazistas e fascistas que se expandem pelo país. Um dos pontos da investigação é descobrir se o pai ensinou ao filho a dirigir e atirar. Fórum denuncia ‘inércia’ dos governantes e dos sistemas de justiça e segurança Ataques em Aracruz completam um mês. Fórum Antifascista faz reivindicações de apoio às vítimas e apuração do crime https://www.seculodiario.com.br/seguranca/forum-denuncia-inercia-dos-governantes-e-dos-sistemas-de-justica-e-seguranca Polícia Civil vai investigar tenente que é pai de atirador de 16 anos – Século Diário Comunidades judaicas do ES e RJ cobram combate ao recrutamento de jovens em células nazistas no País https://www.seculodiario.com.br/seguranca/pc-investiga-se-atirador-de-16-anos-foi-ensinado-pelo-pai-a-dirigir-e-atirar

25/01/2023 / 0 Comments
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Servidores da Prodest seguem em greve por tempo indeterminado

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Sindicato alerta que serviços essenciais ficarão prejudicados, como pagamentos de salários e benefícios sociais Divulgação Os servidores do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest) continuam em greve por tempo indeterminado, aguardando propostas concretas por parte do governo do Estado, para atender as reivindicações já apresentadas pela categoria, com objetivo de reverter o sucateamento da autarquia. Deflagrado nesta segunda-feira (23), conforme decidido em assembleia no dia nove deste mês, o movimento grevista continua, já que, na reunião realizada com mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta terça-feira (24), não houve avanços nas negociações com os representantes da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), da Prodest e da Procuradoria Geral do Estado (PGE). “Não trouxeram nada de novo para a gente. A greve continua e na próxima semana faremos outra assembleia para definir os próximos passos”, informa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados do Estado do Espírito Santo (SINDPD-ES), Luiz Carlos Garcia, o Mussula. A reunião foi coordenada pelo procurador do Trabalho Antonio Marcos Fonseca de Souza e contou com a presença da subsecretária de Administração e Desenvolvimento de Pessoas, Heyde Lemos, que está interinamente substituindo o secretário Marcelo Calmon; o presidente e da diretora-administrativa da Prodest, Marcelo Azeredo Cornélio e Marcia Ballarini, respectivamente; o procurador trabalhista da PGE Luiz Carlos de Oliveira; além de uma comissão de trabalhadores da Prodest. “Seguimos a lei de contingência, mantendo 30% do funcionamento, mas os serviços já estão precários e os problemas já estão começando a aparecer”, lamenta Mussula, referindo-se a serviços essenciais para a população, como pagamento de benefícios sociais e de salários de servidores estaduais, serviços do Detran, sistemas como o E-Docs e o Sistema de Agendamento do ES (Agenda ES). A greve, explica o sindicato, decorre do “descumprimento do acordo de datas assumido pela Prodest, Seger e Seg [Secretaria de Estado de Governo], sobretudo nas principais pautas imediatas, que são concurso público e recomposição salarial e de pessoal”. Esses descumprimentos “pioraram más condições de trabalho que já vinham se acumulando com a saída de analistas de tecnologia da informação e demais servidores, cujas vacâncias permaneceram sem recomposição”, ou seja, muitos servidores experientes que deixaram a Prodest em busca de melhores condições de trabalho em outros órgãos públicos e na iniciativa privada. O SINDPD-ES conta que desde dezembro de 2021 está em um processo de negociação com a Seger e a diretoria do Prodest, com foco em “readequação da carreira de Tecnologia de Informação (TI) para retenção de talentos e estancamento da evasão de analistas, recompondo seus valores nos moldes do mercado público e privado, bem como a realização de concurso para a autarquia”. As promessas de solução, no entanto, ficaram “só no papel”, afirma o presidente. Em suas redes sociais, os servidores exaltam serem parte fundamental da conquista de premiações importantes para o Estado tal como o de melhor Transparência com os Gastos Públicos durante a Pandemia, dentre outros. “TI forte significa mais serviços digitais, mais economia, mais reconhecimento nacional do Estado, mais e melhores soluções e atendimentos para o próprio Governo do Estado e a sociedade”. Apoiando o movimento grevista da Prodest, o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos/ES) que desde 2003 os servidores da Prodest, bem como os demais servidores públicos estaduais, estão tendo seus salários arrochados e que mudanças impostas por Paulo Hartung e seguidas por Casagrande só pioram o quadro. “Houve uma sucessão de precarização do servidor público, que começou com a mudança do sistema celetistas para estatutário em Paulo Hartung. Em Casagrande, houve a mudança de vencimento para subsídio, deixando de pagar vários benefícios por tempo de serviço. São modificações visando fugir cada vez mais de leis trabalhistas”, aponta Rodolfo Simões de Melo, vice-presidente do Sindipúblicos/ES. Os trabalhadores da Prodest, ressalta o sindicalista, tiveram um agravante durante a pandemia, pois, assim como os profissionais da Saúde, foram mais exigidos, devido à grande demanda por serviços remotos, como o Painel Covid. “Mas depois da pandemia, o governo veio com projeto de adequação da carreira e os técnicos da Prodest ficou com salários mais defasados ainda. Em relação a outros estados, chega a metade dos salários ou menos. Isso aumentou o esvaziamento da Prodest”, descreve. Para o vice-presidente do Sindipúblicos, esse sucateamento é uma estratégia consciente do governo. “Casagrande tem roupagem progressista, mas o conteúdo é ultraliberal. A cada dia somos surpreendidos. Hoje [terça-feira, 24], ele publicou um plano de contingenciamento de despesas no Diário Oficial e hoje uma carta se comprometendo com a política fiscal, austeridade fiscal, sinalizando para o mercado, cumprindo promessas feitas para as oligarquias, representada pelo vice-governador, Ricardo Ferraço [PSDB]”. Todo esse contexto, afirma, “reverberou entre os servidores da Prodest e eles decidiram entrar em greve. Há uma grande sobrecarga de trabalho e arrocho salarial. Um trabalho que deveria ser feito por cinco, é feito por dois”. Rodolfo avalia que “há um clima de ‘não temos nada a perder’” não só na Prodest, mas foram esses servidores que estão “organizando essa insatisfação generalizada”. Percepção compartilhada pelo presidente do SINDPD/ES. “Somos a ponta do iceberg. Atrás da gente vários servidores virão, tenho certeza que vão integrar a nossa luta”.

25/01/2023 / 0 Comments
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‘O bate-boca sutilmente tomou o lugar da reflexão’, diz economista

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Helder Gomes, um dos coordenadores do curso de formação política do Triplex Vermelho, aponta desafios para esquerda A formação política é uma das questões centrais para as organizações de esquerda e um desafio que precisa enfrentgar diversas mudanças da contemporaneidade. Com objetivo de reforçar a formação e reflexão de militantes sociais, o Triplex Vermelho, espaço político e cultural no Centro de Vitória, está promovendo uma série de atividades com quatro minicursos, com inscrições até o dia 31 de janeiro, com participação gratuita, vagas limitadas e inscrições por formulário online. Com o nome de Quartas no Triplex Vermelho: formação política em temas contemporâneos, o projeto que prevê 12 meses de atividades, teve início com a realização de um seminário introdutório e seguirá com ações às quartas-feiras a partir de fevereiro, tendo quatro eixos centrais: Formação omnilateral e o devir humano; Para entender o Brasil atual; Gênero, sexualidade e diversidade; e A mercantilização da natureza. “Nosso objetivo é promover espaços e tempos de formação interativa e interdisciplinar, baseada em temas contemporâneos, com foco na difusão da leitura dialética da realidade, a partir do uso de metodologias ativas e de múltiplos recursos didáticos, mesclando instrumentos convencionais com vídeos e técnicas digitais de interação presencial e remota”, diz o convite do curso. Para saber mais, ouvimos um dos coordenadores do curso, o economista Helder Gomes, doutor em Política Social pela Ufes, sobre os desafios da formação política e questões que envolvem a política brasileira e capixaba.  Senge-ES Você acredita que a esquerda perdeu nas últimas décadas capacidade de fomentar atividades de formação política? Por quê? Acredito que a formação continuada da militância popular deveria ser uma atividade permanente como forma de ocupar espaços e tempos com mais reflexões acerca de nosso comportamento cotidiano. Sair das rotinas automáticas e refletir, no sentido de voltar-se a si, sobre o sentido da vida em sociedade, é um caminho necessário para o reconhecimento como sujeito coletivo na história, sobre os limites e as possibilidades de transformações mais significativas no curso da vida social. Tendo dito que a chamada Guerra Fria trouxe, entre outras consequências, o privilégio da propaganda, voltada para a difusão de dogmas forjados de parte a parte, afastando a militância da busca de fundamentação teórica para seus argumentos. O bate-boca sutilmente tomou o lugar da reflexão, facilitando ainda mais a penetração dos apelos dominantes, nos embates ideológicos entre a conservação e a mudança. As seguidas derrotas das classes populares também tiveram como consequência a cooptação de diversas lideranças populares, no sentido da busca por soluções mais imediatas, motivadas por resultados de curto prazo que contribuem para sua legitimação política enquanto tal. Tal comportamento acaba se incompatibilizando com atividades que promovam uma efetiva reflexão política coletiva, pois, parece ser melhor manter a vida social no automático das rotinas, sem pensar muito sobre a busca por alternativas programáticas. A formação política traz a possiblidade da crítica e da autocrítica e isso nem sempre interessa a quem está no comando das organizações. Quais considera os principais desafios em termos de conteúdos, formatos e mobilizações para a formação política de base atualmente? De um lado, há uma grande dificuldade em abrir espaços para atividades de formação política da militância de base. No processo mencionado acima, privilegiou-se a formação de lideranças, nos marcos dos interesses internos à direção de cada movimento popular e sindical. De outro lado, existem grandes obstáculos ao rompimento com a tradição de que o conhecimento é acumulado por formadores, afunilado e posteriormente transmitido aos formandos. Mas, formar não é adestrar! Senhores e senhoras do conhecimento não abrem mão do monopólio conquistado e isso dificulta a interdisciplinaridade e, também, a verdadeira construção do conhecimento de forma integral e interativa, reconhecendo os formandos como sujeito efetivo, ativo, no processo de formação. As novas tecnologias digitais têm quebrado algumas dessas tradições, ao tornarem mais viável a construção coletiva, solidária, participativa do conhecimento, deixando cada vez mais nítido a possibilidade de romper com a concepção de formandos como sujeito passivo, mas, ainda existem muitas dificuldades para ouvir mais que falar, como nos indica Paulo Freire. Como enxerga o Espírito Santo nesse panorama? Quais as particularidades de nossa esquerda dentro da questão da formação política? Como não poderia deixar de ser, a região capixaba está inserida nesse processo todo e, por aqui, as atividades de formação popular ficaram enfraquecidas durante muito tempo. Aos poucos, essa situação está se revertendo, pois, com a renovação dos quadros de alguns sindicatos, há uma evidente necessidade de novos aprendizados, ao mesmo tempo em que novos espaços e oportunidades estão surgindo, como tem sido o caso do Centro Cultural Triplex Vermelho, o Espaço Thelema, ambos no Centro Histórico de Vitória, entre outras iniciativas de espaços culturais em que nossa equipe tem sido acolhida com muito esmero. Sobre a parte que você vai ministrar, fala sobre questões como heranças do passado colonial, acumulação violenta, militarismo estrutural, raízes do latifúndio. Quais elementos conectam todas essas questões? Quando vamos a fundo nesse alerta dos clássicos do pensamento social brasileiro, descobrimos que, sem entendermos o nosso passado colonial, é difícil entendermos o processo inorgânico, incompleto e descontínuo da descolonização e seus desdobramentos até a atualidade. Parece nítido que a opção inicial pela escravização dos povos nativos e, depois, a sua substituição por um grande contingente de escravizados africanos, nada teria a ver com um projeto de nação, uma vez que obedeciam aos interesses vinculados ao exclusivo metropolitano. Porém, é preciso percebermos que a descolonização, iniciada após a fuga da família real [portuguesa] para o Brasil e, depois, consolidada com a formação do Império formalmente independente e da República, tampouco proporcionou algum grau de soberania nacional, suficiente para isso. A descolonização inorgânica ocorreu no contexto da Segunda Revolução Industrial e da formação de uma nova etapa do capitalismo mundial, o que significava abandonar o antigo sistema colonial, para industrializar a produção de insumos e alimentos voltada para abastecer os grandes centros imperialistas em ascensão. Portanto, as antigas relações coloniais, mantidas a partir do trabalho escravo, já não atendiam aos interesses do grande capital sediado na

25/01/2023 / 0 Comments
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‘Existem crianças e adolescentes que manifestam a transexualidade desde cedo’

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Crianças e adolescentes transgêneres são tema de live do Criad e Conselho Estadual LGBT na próxima sexta “Precisamos falar sobre direitos de crianças e adolescentes transgêneres!” é o tema da live que será realizada pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad) e pelo Conselho Estadual LGBT, na próxima sexta-feira (27). A escolha do assunto a ser debatido foi feita diante do fato de que, conforme afirma o assistente social e conselheiro do Criad, Thauan Pastrello, a temática é “invisibilizada, oculta, fragilizada, fragmentada, dissolvida, negada e negligenciada”. Thauan destaca que, por mais que a infância seja uma categoria recente na construção histórica da sociedade moderna, “desde sempre se ratificou o que chamamos de doutrina da proteção integral dos direitos da criança e do adolescente”. Ele aponta o Estatuto da Criança e do Adolescente como principal arcabouço dessa doutrina. A proteção integral, afirma, tem a diversidade como um de seus pilares. “Crianças e adolescentes são sujeitos de direito à luz de uma cultura que não se resume ao adultocentrismo”, diz. O assistente social e conselheiro do Criad afirma que “existem crianças e adolescentes que manifestam a transexualidade desde cedo”, mas que isso não quer dizer que precisam necessariamente passar por um processo de transexualização. Ele destaca que, em meio à comunidade LGBTQIA+, as pessoas trans são as mais invisibilizadas diante de um processo de exclusão que começa na infância, prossegue na adolescência e continua na fase adulta, sendo que a expectativa de vida desse grupo é de 35 anos. “Já na infância, sofrem no ambiente familiar, são rechaçadas, oprimidas, colocadas dentro do armário, vilipendiadas, torturadas e passam a não ter mais na família um espaço de proteção”, diz. Na escola, que Thauan classifica como “ambiente comunitário excludente, julgador e perverso”, não é muito diferente. “Ao não ter família, escola e comunidade, as pessoas trans saem principalmente do interior, sem muitas opções, estando mais suscetíveis ao trabalho precário, aos piores cargos, piores funções e piores salários”, diz. Thauan defende a educação sexual nas escolas como fundamental para fomentar “o respeito à diversidade e coibir abusos e exploração sexual”, sendo os contrários a ela “cúmplices e coniventes com abusos sexuais”. Para ele, a educação sexual contribui para “uma cultura da diversidade que não invisibiliza crianças e adolescentes trans”. A live “Precisamos falar sobre direitos de crianças e adolescentes transgêneres!” terá início às 14h e conta com a parceria do Fórum Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes (FDCA) e do Núcleo de Estudos sobre Crianças e Adolescentes da Universidade Federal do Espírito Santo (NECA/UFES). A programação conta com a participação de Vanessa Leite, pesquisadora associada do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (CLAM/IMS/UERJ). Também contará com a estudante de design digital e mulher trans Stella Andrade e com Ágatha Benks, artista afro-capixaba, gestora de diversidade no coletivo FEPNES+ Diversidade, Conselheira Estadual do Conselho LGBTQIPN+ e ativista dos direitos humanos. O link da atividade será enviado pelo contato informado na inscrição, que deve ser feita pelo google forms.

25/01/2023 / 0 Comments
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