Nossa população tem três majestades: o rei das pistas, o rei do futebol e o rei da música Em termos de mitos, nossa população tem três reis: O rei das pistas, Ayrton Sena; o rei do futebol, Pelé e o rei da música, Roberto Carlos. O rei das pistas foi embora deixando saudades enormes, causando comoção em todo país e comentários em todo mundo. Até hoje, principalmente no meio, seu nome é falado e lembrado, pois igual a ele, segundo entendidos, não apareceu outro. Ayrton reina ainda em cada pista de F1 pelo mundo afora. O rei do futebol deixou um mundo órfão, não só no esporte, futebol, mas no mundo da bondade, simplicidade e reconhecimento. Muitos de nós, brasileiros, não tínhamos noção do reconhecimento de todo mundo nesta figura do Pelé. Ele realmente cativou a todos, reis e plebeus, com sua figura ímpar. Ele se foi e deixou lagrimas escorrendo nas faces de muitas pessoas. Mas, assim como Sena, Pelé está imortalizado para sempre. O nosso rei da música está aí, na graça de Deus, nos causando fortes emoções. Reações essas que, por certo, irão acompanhar nosso rei por toda eternidade. Roberto Carlos não tem esse reconhecimento mundial de sua fama, mas seus súditos nacionais, por certo, são qualificados, sensíveis e apreciadores de emoções. Se Roberto Carlos ainda vive com saúde, devemos fazer igual lá fora e dizer: Vida Longa ao Rei! Finalizando, existe uma história que Pelé e Emerson Fittipaldi estavam em um show de Roberto Carlos em São Paulo. Roberto soube das presenças ilustres e convidou os dois a irem ao seu camarote após o show. Os três batendo papo, de repente, Pelé soltou essa: “Roberto, admiro muito seu jeito de compor e cantar. Ouço muito suas músicas na boca de muita gente. Meu pai, seu Dondinho, deveria ter passado em Cachoeiro, sua terra, e eu ter nascido por lá também” Os três caíram na gargalhada. Tamanha era admiração do rei do futebol pelo rei da música. PARABÓLICAS Bibinho Percy morou nos Estados Unidos (Califórnia) e um dia voltou. Mas partiu de novo e agora está bem, mas na Flórida. Paulo Duarte, talento do nosso rádio, se restringe a fazer um noticiário na Internet, precisamente no Facebook. Não se desperdiça talentos em vida assim! Oseas Farias é repórter da Massa FM de Linhares. Descoberta de Giovani Rodigheri, Farias é um excelente repórter, atualizado e dinâmico. Parece que aconteceu um deslize na Spacex FM de Jose Luís Dantas. Monica Camilo voltou para a Jovem Pan (depois de muito tempo) e não temos notícias do amigo Paco DJ, que era um baluarte lá. ACESSE: http://jrm50anos.blogspot.com.br/ O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE https://www.youtube.com/watch?v=YmglT3rSHF8 Gladys Knight – The Best Thing MENSAGEM FINAL O amor não começa e termina do jeito que achamos que ele faz. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra, o amor é um amadurecimento. James Baldwin
Pad-Vix denuncia ‘tratamento não isonômico e negação de direitos’
Gestão de Lorenzo Pazolini não concedeu dois abonos e dois auxílios alimentação para quem tem duas cadeiras O grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (PAD-Vix) irá fazer o levantamento dos docentes que passaram em dois concursos, ou seja, têm duas matrículas na rede municipal de ensino de Vitória, para mover ação judicial por causa de “tratamento não isonômico e negação de direitos”, afirma a diretor executivo da entidade, Aguinaldo Rocha de Souza, que questiona o não pagamento de dois abonos e do 13º no auxílio alimentação para esse grupo de profissionais. Aguinaldo recorda que, na greve de 2018, quando quem estava à frente da gestão era o prefeito Luciano Rezende (Cidadania), através de uma mediação com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) os trabalhadores conquistaram o pagamento do auxílio-alimentação para quem tem duas cadeiras na rede municipal; que era uma das reivindicações junto com a reposição das perdas inflacionárias; cumprimento do Plano de Cargos e Vencimentos; qualificação das compras públicas para a obtenção de materiais escolares de melhor qualidade; e a reforma e manutenção dos prédios públicos. A partir daí, quando havia abono no final do ano, quem tem duas cadeiras passou a receber também esse valor em dobro. Entretanto, afirma Aguinaldo, na gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) isso não foi mais feito, como o ocorrido em dezembro último, quando a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) concedeu abono no valor de R$ 1 mil para todos servidores. O mesmo aconteceu com o 13º do auxílio alimentação, pago no mesmo mês. No caso, do auxílio, por exemplo, quem tem carga horária de 50h semanais por ter duas cadeiras de 25h recebeu somente um, mas quem cumpre carga horária de 40h recebeu proporcionalmente. “Não defendemos política de abono, defendemos valorização salarial. Entendemos que a escolha por dar o abono é da administração, mas se ela escolhe dar, e dá com recurso público, perante o princípio da administração pública está fazendo errado em conceder um único abono para quem tem duas cadeiras”, diz Aguinaldo. No caso do auxílio alimentação, o professor Daniel Barboza Nascimento, que cumpre carga horária de 50h, afirma não se opor à proporcionalidade para quem tem jornada de 40 horas, mas que a gestão municipal “está sendo injusta com quem tem duas cadeiras”. Trabalhadores da saúde Além dos professores, somente os trabalhadores da saúde podem ter duas cadeiras. Portanto, eles estão passando pela mesma situação, não tendo recebido duplamente o abono nem o 13º salário. A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória (Sindismuvi), Waleska Timoteo, faz críticas ao fato de que esse benefícios foram concedidos sem que antes houvesse diálogo com os trabalhadores e em uma época em que muitos estavam de férias, e, portanto, desarticulados. Waleska aponta ainda que a partir da gestão de Pazolini não houve mais nenhuma mesa de negociação com o Executivo, como acontecia no governo João Coser (PT) e de maneira mais reduzida no de Luciano Rezende. Assim como a Pad-Vix, afirma a dirigente sindical, o Sindismuvi defende valorização salarial e irá dar início a assembleias no início de fevereiro para pautar essa discussão com a categoria. Professores encerram greve, mas movimento reivindicatório continua em Vitória – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/professores-encerram-greve-mas-movimento-reivindicatorio-continua-em-vitoria
Fórum Popular pede audiências regionalizadas sobre Plano de Gestão da Orla
Entidade também requer que conselho gestor seja tripartite. Consulta pública online vai até o dia seis Divulgação/PMVV A efetiva participação da sociedade civil na formulação e implementação do Plano de Gestão Integrada da Orla é o que reivindica o Fórum Popular de Vila Velha, diante da consulta pública aberta até na internet o dia seis de fevereiro. Entre os encaminhamentos, estão a realização de audiências públicas regionalizadas para a escuta mais próxima dos moradores, principalmente de comunidades mais humildes e impactadas pelos problemas ambientais e climáticos que afligem a cidade, e a redefinição do Conselho Gestor do Plano, para um formato tripartite e não bipartite, como está definido atualmente. “A participação social precisa ser efetiva. Não basta ter uma convocatória publicada em um veículo e considerar a sociedade convidada; não! Tem que criar condições para que essa participação seja efetiva. As comunidades mais carentes têm uma dificuldade objetiva de se deslocar para o local onde a gestão chama para a audiência. É um limitador social e a prefeitura precisa observar isso. E a linguagem técnica precisa ser explicada. Só assim se tem transparência”, explica Inês Simon, integrante do Fórum Popular de Vila Velha. A colega de Fórum, Irene Léia Bossois, concorda e enfatiza que as oficinas realizadas até o momento dificultaram a participação popular. “Tivemos duas oficinas abertas à participação das entidades da sociedade civil. Ocorre que as oficinas duravam o dia todo, durante uma semana, então poucas pessoas puderam participar. Entre os que participaram, as discussões foram intensas. Cada grupo realizou um diagnóstico e apresentou propostas de intervenção”. Os próximos passos, afirmam as ativistas, precisam incluir audiências regionalizadas em que haja um cuidado para os conteúdos estejam de fato acessíveis e transparentes, permitindo debates democráticos. “A prefeitura precisa se dedicar a fazer uma ampla consulta pública, para explicar os termos técnicos às pessoas leigas. As audiências públicas precisam levar em consideração as populações mais pobres e periféricas, localizadas em áreas de risco. São altamente impactadas, mas não têm condições de opinar”, defende Inês. A consulta pública pela internet, pontuam, facilita o acesso por uma camada da população, mas não é suficiente. “Não é acessível para todos e não permite o debate. E o debate nesses casos é muito importante, porque a sociedade civil coloca seus questionamentos, os técnicos, os agentes públicos, o setor empresarial, as entidades. A partir daquele embate pode chegar a um lugar comum, em que esses vários fatores sejam levados em considerações”, pondera Inês. Sobre o formato de gestão do futuro Plano Integrado, o pedido é para que seja tripartite. “Divergimos quanto à composição do Conselho Gestor. Postulados que seja tripartite, com representantes do governo, do segmento popular e do segmento empresarial. Na concepção do Ministério do Turismo, segmento popular e empresários são sociedade civil, por isso a proposta bipartite. Ocorre que são atores com papéis distintos. O segmento popular inclui os usuários da orla; o segmento empresarial os que exploram economicamente a orla. Nem sempre os interesses dos usuários coincidem com os interesses do segmento empresarial. Por isto defendemos um Conselho Tripartite”, expõe Irene Leia. Inês reforça a necessidade de equilibrar a balança de forças dentro desse grande conjunto chamado de sociedade civil pelo governo federal. “Uma cidade está sempre em disputa entre várias forças econômicas e políticas. Por vezes são interesses bem contraditórios e que podem gerar problemas para cursos d´água e ambientes naturais em geral e as populações mais vulneráveis”. Diagnóstico e planejamento O PGI é uma iniciativa do governo federal e está sendo implementado pela prefeitura municipal. “Trata-se de uma ação governamental transversal com o intuito de compatibilizar as políticas econômica, urbana, patrimonial e ambiental, por meio da gestão costeira integrada no âmbito municipal”. Abrange toda a faixa costeira, que foi dividida em seis Unidades de Planejamento (UPs). As duas primeiras englobam a região entre a Segunda Ponte até o Clube Libanês; a terceira, do Libanês ao calçadão de Itaparica (incluindo as ilhas); a quarta vai de Itaparica até o Morro da Concha, na Reserva de Jacarenema, na Barra do Jucu; a quinta, do Morro da Concha à Matinha de Interlagos, na Ponta da Fruta; e a sexta e última, de Interlagos até a Nova Ponta da Fruta. O documento preliminar, disponibilizado para a consulta pública, traz uma caracterização completa de cada UP, abordando infraestrutura urbana, equipamentos turísticos, atividades econômicas, aspectos ambientais e sociais, estrutura fundiária. Traz também os Cenários de Usos Desejados para a Orla. Para participar da consulta pública, até o dia seis de fevereiro, clique aqui.
Jogos do Povos Indígenas serão nos dias 20, 21 e 22 de janeiro
Evento aconteceria em novembro, mas foi cancelado devido aos ataques nazistas a escolas em Aracruz Os Jogos dos Povos Indígenas do Espírito Santo já têm nova data. Acontecerão nos dias 20, 21 e 22 de janeiro. O evento, que seria no final de novembro, foi cancelado devido aos ataques no Centro Educacional Praia de Coqueiral (antigo Darwin) e na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Primo Bitti, ambas em Aracruz, norte do Estado, que vitimou, inclusive, uma indígena da aldeia de Caieiras Velha, onde seria realizado o evento. Não haverá mudança nas modalidades esportivas, que continuam a ser Arco e Flecha, Bodoque, Zarabatana, Arremesso de Lança, Luta Corporal, Corrida com Tora, Corrida Livre e Cabo de Guerra, nas categorias masculino e feminino. A escolha teve como um dos critérios o fato de serem atividades desenvolvidas no passado, resgatando a memória da cultura local. Os primeiros colocados receberão troféu e medalha. Quem ficar em segundo, somente medalha. O evento, que está na segunda edição, tem como objetivo fortalecer a identidade dos indígenas do Estado; preservar sua cultura, transmitindo-a para os mais jovens; fazer resgate das aldeias de Aracruz; e denunciar o desrespeito aos povos indígenas, principalmente as consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, crime ocorrido em 2015. Além dos Jogos, nos três dias haverá apresentações culturais, danças e cantos tradicionais, rodas de conversa, feira de artesanato e exposição fotográfica do jornalista, fotógrafo e fundador do Século Diário, Rogério Medeiros. Modalidades Zarabatana é um instrumento de caça antigo, que não se usa mais. O Bodoque, que também é uma arma de caça, ainda é usado nas aldeias de Aracruz por algumas pessoas. A corrida com tora remete ao tempo em que os fogões eram a lenha, por isso, os indígenas tinham que buscá-las longe, trazendo nas costas. “É uma forma de mostrar para os mais jovens como a vida era sofrida, e isso acabou virando uma prática esportiva. Aí se vê a luta do dia a dia como uma forma de geração de vida”, diz um dos organizadores do evento, Jocelino Tupiniquim. Arremesso de Lança recorda uma pesca tradicional na qual dois indígenas na canoa, em cuja ponta tem um lampião, arremessam a lança para atingir o peixe que está boiando. Entretanto, trata-se de uma prática inviável em meio às comunidades indígenas de Aracruz, devido à contaminação dos peixes, causada pelos rejeitos de minério da Vale, Samarco e BHP Billiton, oriundos do rompimento da barragem de Fundão. Esse também é o motivo pelo qual, ao contrário da primeira edição, não haverá a modalidade nado. A partir da criação dos Jogos, em 2018, foi feito um dossiê encaminhado para a gestão de Renato Casagrande (PSB) para nortear políticas públicas de reconhecimento dessa atividade como parte do calendário esportivo. Com base nisso, a deputada estadual Iriny Lopes (PT) apresentou um projeto de lei, aprovado e sancionado. O mesmo aconteceu na Câmara de Aracruz, por meio do vereador Vilson Jaguareté (PT). “A gente precisa se articular para colocar em prática essa lei e pensar diretrizes de desenvolvimento desses jogos de forma mais organizada dentro dos territórios”, aponta Jocelino. Os Jogos são uma realização do Centro Cultural Tupinikim, por meio do Instituto Indígena Cocar. Tem apoio da Secretaria Estadual de Cultura por meio do prêmio da Funcultura de Diversidade Cultural, do vereador Vilson Jaguaretê, da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) e da Associação Indígena Tupinikim de Caieiras Velha (AITCV). Jogos dos Povos Indígenas são cancelados devido a ataques em Aracruz Comunidades afirmam estar consternadas com o ocorrido. Uma indígena da aldeia Caieiras Velhas é uma das vítimas https://www.seculodiario.com.br/cultura/jogos-dos-povos-indigenas-sao-cancelados-por-causa-de-ataques-em-aracruz
‘É momento de nos unir e ocupar os espaços para fomentar políticas públicas’
Gerente de Igualdade Racial de Cariacica comemora criação do dia nacional das tradições africanas e Candomblé Uma das primeiras iniciativas do Governo Lula (PT) foi a sanção da Lei 14.519/2023, que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, a ser comemorado anualmente no dia 21 de março. A iniciativa, aliada a outras que o Governo Federal tem feito, é vista como um avanço para o babalorixá e gerente de Igualdade Racial de Cariacica, Sandro Cabral, podendo se desdobrar em novas ações de promoção da igualdade racial e de combate à intolerância religiosa pelo Brasil, inclusive, por gestões estaduais e municipais. Arquivo Pessoal Diante disso, afirma Sandro, “é momento de nos unir e ocupar os espaços para fomentar políticas públicas”, destacando a necessidade de os povos tradicionais atuarem nos conselhos, movimentos sociais e outros espaços de mobilização. Uma das principais demandas das religiões de matriz africana no Espírito Santo, aponta, é a obtenção de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) das casas de Umbanda e Candomblé, além do alvará e da isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), pois “se as igrejas têm, por que a gente não pode ter?”. Essa política deve ser fomentada pelos municípios, que, defende, devem instruir as casas sobre os caminhos que precisam percorrer para sanar essas necessidades. O CNPJ, é importante, por exemplo, no caso de a casa sofrer algum tipo de violência. “Se eu vou na delegacia denunciar como CPF, muito provavelmente não serei bem recebido, vão dizer que ‘macumbeiro é baderneiro, perturbador’. Quando a gente tem o respaldo de um documento, de um CNPJ, a receptividade é outra”, diz. A Lei 14.519/2023 tem origem em um projeto do deputado federal Vicentinho (PT/SP). Originalmente, o projeto previa a comemoração no dia 30 de setembro. Entretanto, quando tramitou no Senado, o relator da matéria na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), senador Paulo Paim (PT/RS), propôs alterar a data. Ele argumentou que o dia 21 de março foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Além da sanção dessa lei, Sandro aponta outras ações do Governo Lula que podem fazer surgir ações de promoção da igualdade racial e de combate à intolerância religiosa pelo Brasil ou fortalecer as que já existem. Essas ações, afirma, devem abarcar não somente as religiões de matriz africana, mas também demais povos tradicionais, como ciganos, indígenas quilombolas, ribeirinhos, entre outros. Uma delas é a recriação do Ministério da Cultura, pasta comandada pela ministra Margareth Menezes, “negra, militante, de religião de matriz africana, que tem diversos trabalhos sociais na Bahia e conhece o povo de pé no chão”. Ainda nesse Ministério, ele destaca a nomeação de João Jorge Rodrigues para presidir a Fundação Palmares, “advogado, militante do Movimento Negro, que criou grandes projetos, como o Olodum”. Sandro também avalia positivamente a criação do Ministério dos Povos Indígenas e do Ministério da Igualdade Racial. O gerente de Cariacica também celebra a o retorno da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepir) e a possibilidade de o Sistema Nacional de Política de Igualdade Racial (Sinapir) voltar a atuar de maneira efetiva. Para o babalorixá, que também é representante do poder público no Conselho Municipal de Igualdade Racial de Cariacica e integrante do Fórum de Matrizes Africanas do município, as mudanças em âmbito federal já estão repercutindo positivamente no Espírito Santo. Sandro aponta como exemplo o fato de o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ter nomeado esta semana Heloisa Ivone da Silva de Carvalho para comandar a Coordenação de Políticas dos Direitos da População Negra, vinculada à Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid). “O prefeito se recusava a nomear alguém, mas o govenador Renato Casagrande [PSB] tem apoio do Governo Lula. Se Pazolini fechar totalmente o diálogo, como vai fazer a política no município?”, aponta. O babalorixá diz ainda que iniciativas que já vinham sendo discutidas com o Movimento Negro e religiões de matriz africana, por exemplo, poderão ganhar ainda mais força para serem concretizadas, como a criação de uma secretaria ou subsecretaria estadual de Igualdade Racial. A criação da secretaria, inclusive, é uma das reivindicações contidas no documento “Demandas Negras Estruturantes para Equidade Racial e Combate ao Racismo no Estado do Espírito Santo”, apresentado pelo Movimento Negro no segundo turno das eleições e assinado publicamente por Casagrande. Divulgação O fato de o novo mandato do governador ter iniciado, mas a secretaria não ter sido criada, tem sido alvo de críticas por parte do Movimento Negro. O advogado e militante do Movimento, André Moreira, acredita que Casagrande irá manter a gerência de Igualdade Racial, já existente dentro da Secretaria Estadual de Direitos Humanos (SEDH), ou criar uma subsecretaria. Porém, destaca, uma secretaria pode lidar de igual para igual com outras pastas, não somente em ações conjuntas, mas também para questionar o que estão produzindo para promover a equidade racial e apontar quais iniciativas favorecem ou não a promoção dessa equidade. Sandro também considera positivas ações cujo anúncio da implementação já havia sido feito, como o mapeamento dos povos tradicionais do Espírito Santo, que, de acordo com ele, será realizado a partir de março pelo Governo do Estado e possibilitará conhecer a realidade desses grupos para formulação de políticas públicas. O babalorixá recorda ainda uma iniciativa que considera um avanço, que foi a sanção do Estatuto de Liberdade Religiosa do Espírito Santo, em março de 2022. A lei surgiu a partir de um projeto de autoria do deputado estadual Marcos Mansur (PSDB). Estatuto de Liberdade Religiosa é antidemocrático, critica entidade Lei sancionada pelo governador, proposta pelo pastor Marcos Mansur, não envolveu as religiões de matriz africana https://www.seculodiario.com.br/politica/religioes-de-matriz-africana-questionam-estatuto-de-liberdade-religiosa Vila Velha vai mapear casas de religiões de matriz africana Manoel Goes Neto, subsecretário de Cultura, explica que mapeamento possibilitará formulação de políticas públicas https://www.seculodiario.com.br/cidades/vila-velha-ira-fazer-mapeamento-de-casas-de-religioes-de-matriz-africana
Prefeitura acha manifestações na Prainha pacíficas e não irá intervir
Os manifestantes ocupam um espaço próximo ao muro do Convento da Penha e atacaram equipes de TV Foto do Leitor A Prefeitura de Velha não intervirá nas manifestações nem na montagem de um novo acampamento formado por grupos bolsonaristas de extrema direita na Prainha, próximo ao quartel do 38º Batalhão de Infantaria (38º BI) e ao muro do Convento da Penha, porque elas estão “respaldadas pela Constituição Federal, desde que sejam pacíficas”. A informação foi dada nesta sexta-feira (6) pelo prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), por meio de sua assessoria, em resposta a questionamentos feitos por Século Diário sobre a reconstrução por grupos golpistas de um novo acampamento, com barracas maiores, depois da retirada de entulho e de restos do local de concentração anterior. No local ocorreu a prisão, em 19 de dezembro, do autointitulado pastor Fabiano Oliveira, líder do movimento “Soberanos da Pátria”, que atua em âmbito nacional, que foi levado por agentes da Polícia Federal quatro dias depois de expedido o mandado do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O cumprimento do mandado foi decorrente de estratégia dos policiais, para evitar conflito com os manifestantes, que contestavama operação. No mesmo espaço, nesta quinta-feira (5), integrantes de grupos bolsonaristas que estavam no local ameaçaram equipes da TV Tribuna e TV Capixaba, provocando, também, transtornos s moradores e transeuntes. A ameaça de agressão motivou protestos do Sindicato dos Jornalistas no Espírito Santo, da Federação Nacional dos Jornalistas e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que avaliam acionar o Ministério Público cobrando providências, a fim de assegurar a liberdade de imprensa. Em resposta, a prefeitura informou que enviará um relatório ao Ministério Público do Espírito santo (MPES) apontando os estragos e o valor que será gasto para recuperação do espaço no Parque da Prainha, em frente ao Quartel do 38º Batalhão de Infantaria (38º BI). No local, operários do município retiraram grande quantidade de entulho. “Todo o parque passará por reformulação, por obras de infraestrutura que esperamos entregar até o final do ano”, respondeu o prefeito, sem informar quanto custou as operações de limpeza do acampamento e outras medidas, inclusive de segurança, para manter a cidade em ordem. “No local foi recolhido muito lixo, que foram pesados e corretamente descartados”, acrescentou. A reconstrução do acampamento em Vila Velha e o posicionamento do prefeito Arnaldinho Borgo vai em sentido contrário a decisão do ministro da Justiça do governo Lula, Flávio Dino. Ele entende que os manifestantes que estão na frente dos quarteis do Exército pedindo golpe militar serão enquadrados conforme a lei. Além disso, há movimentação de grupos terroristas partindo desses acampamentos em outros estados, que inclui o Espírito Santo. A assessoria deixou sem respostas as perguntas sobre qual a solução para impedir a reconstrução do acampamento na Prainha, levando entulho e sujeira, incomodando os moradores e causando transtorno inclusive à movimentação turística, agora nas proximidades do Convento da Penha, cuja afluência de pessoas cresce no período de férias; e sobre a adoção de medidas para evitar que novas agressões aconteçam contra a imprensa, considerando que, durante o episódio já ocorrido, os agentes da guarda municipal nada fizeram para impedir a violência. O acampamento é marcado por manifestações de pessoas fora da realidade, um mundo paralelo no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda está no poder, apesar de ele ter fugido para os Estados Unidos, onde se encontra desde o dia 29 de dezembro. De lá, segundo os meios políticos e diplomáticos, ele iria para a Itália, com o objetivo de escapar da prisão, por supostos crimes cometidos na sua gestão. Grupo reconstrói acampamento e mantém manifestações golpistas em Vila Velha – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/grupo-reconstroi-acampamento-e-mantem-manifestacoes-golpistas-em-vila-velha Acampamento golpista na Prainha é dissolvido e local começa ser recuperado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/acampamento-golpista-na-prainha-edissolvido-e-local-comeca-ser-recuperado
Édson Papo Furado: uma biografia do samba
O icônico sambista capixaba fala sobre sua trajetória na Entrevista do Século, junto a seu biógrafo Wagner Silva Gomes Prestes a completar 84 anos de idade, Édson Papo Furado é uma verdadeira lenda viva do samba. Fundador e primeiro intérprete da Unidos da Piedade, primeira escola de samba do Espírito Santo, ele nasceu na Serra, morou no Rio de Janeiro, onde conviveu com grandes sambistas, e até hoje permanece tocando e cantando livremente, especialmente nos bares do Centro de Vitória. Conversamos com o próprio Papo Furado e com o escritor Wagner Silva Gomes, que acaba de lançar pela editora Pedregulho o livro Mudando de Conversa com Papo Furado, uma biografia do artista. O livro pode ser adquirido no site da editora. * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Filme capixaba fará estreia em importante festival europeu
Na coluna: outra obra estará no Festival de Tiradentes; 824 vagas na Fafi; Hip Hop é patrimônio imaterial capixaba AUDIOVISUAL Anderson Bardot leva mais um filme ao Festival de Rotterdam O novo curta-metragem de Anderson Bardot, Procuro teu auxílio para enterrar um homem, fará sua estreia em grande estilo, durante o 52º Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda, considerado um dos cinco maiores festivais da Europa. O evento acontece entre 25 de janeiro e 5 de fevereiro e ainda não teve a programação final divulgada. A obra anterior do cineasta, Inabitáveis, também foi selecionado para Rotterdam. Seguem a seguir o trailer e a sinopse do novo filme de Bardot, executado recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) Império do Brasil, 1870. Gita é uma mulher transexual destinada a morrer ou a sofrer as consequências de suas tradições. Já o Soldado está destinado a cumprir e a servir as leis injustas de seu país. A Mulher de Preto precisa salvar o seu filho das garras do Império Brasileiro. E a Criança disse que o amor, a maior lei universal, tem no seu destino a quebra do ciclo de todas as tragédias. Curta-metragem do ES na Mostra de Tiradentes Outra obra feita no Espírito Santo que estreia em um festival importante é O Último Rock, obra ficcional de Diego de Jesus, que estará na 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes, uma das mais destacadas do Brasil. A exibição será na Mostra Foco, no dia 25 de janeiro às 22h30. A obra de 24 minutos é sobre um grupo de jovens que se reúne para uma festa antes de ficarem em lockdown por causa da pandemia de Covid-19. Produtora busca atores e atrizes para longa-metragem E as produções do cinema capixaba não param. A produtora Finordia está buscando atores e atrizes entre 18 e 60 anos de todas as etnias para testes para o longa-metragem Pirâmides, que está em fase de pré-produção. Os interessados devem gravar um vídeo de apresentação de até 5 min e enviá-lo junto com materiais de trabalhos anteriores para o endereço finordia@finordia.com com seu nome e idade no assunto do e-mail. CARNAVAL Carnaval de rua de Vitória – enfim! – garantido em 2023 Depois de muita polêmica e críticas dos blocos, aparentemente houve avanços nas reuniões (tardias) da gestão Pazolini com os grupos que protagonizam o carnaval de rua em Vitória. Depois de dois anos sem sair por conta da pandemia de Covid-19, o carnaval está confirmado para 2023 na capital. No mês de dezembro foram três reuniões entre a gestão municipal e organizadores do bloco, até definir detalhes para o planejamento dos festejos e o decreto para reger as atividades de rua no carnaval. Afrokizomba celebra 5 anos com festa O bloco Afrokizomba, um dos destaques do carnaval de rua com sua reivindicação da cultura negra e combate ao racismo, comemora no próximo dia 13 de janeiro, a partir das 20h30, seu aniversário de 5 anos, no Terraço Rosário, Centro de Vitória. Os ingressos e kits promocionais do bloco estão à venda e mais informações podem ser encontradas no Instagram do grupo. Além disso, o Afrokizomba tem outra agenda no dia 21 de janeiro, às 15h, na programação do Ensaio de Verão do Regional da Nair, maior bloco do carnaval capixaba, no Recreio dos Olhos, em Vitória. Redes Sociais EVENTOS Arena Verão terá shows gratuitos em Camburi A Prefeitura Municipal de Vitória anunciou a programação cultural da Arena Verão, que está funcionando na Praia de Camburi. As atrações serão de quinta-feira a domingo durante o mês de janeiro. Entre as atrações estão Tatau (ex-Araketu), Casaca, Macucos, Alemão do Forró, Som de Fogueira, Jammil e outros. A programação completa e mais informações podem ser encontradas aqui. Inauguração de exposição no Caparaó No dia 8 de janeiro às 19h, o Armazém Multiverso inaugura sua primeira atividade de 2023, a exposição Retratar la Magia, do fotógrafo Thiago Luz Raft, que registra fotografias da vizinhança de Patrimônio da Penha, distrito turístico do Caparaó capixaba, onde se localiza o espaço cultural. A exposição começa no Multiverso mas se expande até outras paredes da vila. FORMAÇÃO Mais de 800 vagas para cursos na FAFI A partir da próxima terça-feira (10), serão abertas 824 vagas para cursos e oficinas da Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música (Fafi), em Vitória. Destas vagas, 419 são para a área de música, 255 para dança e 150 para teatro. As inscrições devem ser feitas de forma presencial na sede da Fafi, que fica na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória, da seguinte maneira, nos dias 10 e 11 de janeiro estão abertas inscrições para oficinas de dança, em 12 e 13 para as oficinas de teatro e entre 16 e 17 para oficinas de música, sempre entre as 9h e 16h. Os candidatos devem observar os pré-requisitos de cada oficina e apresentar documento com foto e comprovante de residência no ato da inscrição. Os cursos, seus horários e número de vagas estão disponíveis aqui. LEGISLAÇÃO Lei que transforma Hip Hop em patrimônio capixaba é sancionada Foi no último dia 3 de janeiro que foi sancionada pelo executivo estadual a lei 11.771, de autoria da deputada estadual Iriny Lopes (PT), que declara o Hip Hop como Patrimônio Imaterial do Espírito Santo. Segundo a deputada, a lei ajuda a proteger cultura e seus agentes de discriminação e a garantir o apoio na realização de políticas de incentivo estaduais e municipais
Assessores de vereador preso ainda não sabem se ficam no emprego
Armandinho Fontoura está preso desde 25 de dezembro e pode perder o mandato por improbidade administrativa CMV De uma hora para outra, a boa perspectiva que se abria, fazer parte do gabinete da presidência da Câmara de Vitória, passou para o terreno das incertezas, sem saber se irão continuar ou não no emprego. Assim é o cenário em que passaram a conviver os assessores do vereador Armando Fontoura (Podemos), o Armandinho, preso desde o dia 25 de dezembro de 2022, afastado das funções, com o salário suspenso e com forte chance de ter o mandato cassado. Segundo a assessoria da presidência da Câmara, “a convocação de suplente de vereador está previsto no artigo 351 do Regimento Interno. Não há nenhuma previsão para a convocação em caso de afastamento cautelar em razão de decisão judicial”. O setor administrativo explica: “A Câmara está cumprindo uma decisão judicial de afastamento do mandato do vereador Armando Fontoura e a omissão regimental para a convocação do suplente poderá ser sanada internamente pelos vereadores após o retorno do recesso parlamentar”, em 1º de fevereiro. Os servidores, em cargos comissionados, nada comentam sobre o assunto, motivo de movimentações no Poder Judiciário, em torno dos recursos impetrados para a libertação do vereador, até agora todos negados, e também no âmbito político, área na qual a cassação do mandato ganhou força depois que o novo presidente da Câmara, Leandro Piquet (Republicanos) suspendeu os vencimentos de Armandinho. O vereador está preso desde 25 de dezembro de 2022, perdeu a presidência da Câmara por estar impedido de tomar posse e pode ser enquadrado por improbidade administrativa. Ele foi substituído por Piquet, eleito no último dia 2. Além disso, pode responder por prática de atos antidemocráticos e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), investigados no inquérito determinado pelo presidente do Superior Tribunal Eleitoral (STF), Alexandre de Moraes. Armandinho foi eleito presidente da Câmara em agosto do ano passado, em uma eleição antecipada, em articulação visando manter inalterada as correlação de forças favorável ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), situação que se mantém com a eleição de Piquet, do mesmo partido, e a substituição do Denninho Silva, eleito deputado estadual, pelo suplente Vinícius Simões (Cidadania). Suplente de Armandinho deve entrar na justiça para tomar posse – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/suplente-de-armandinho-deve-entrar-na-justica-para-tomar-posse Câmara elege aliado de Pazolini para presidente após prisão de vereador – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/armandinho-perde-presidencia-ecamara-elege-aliado-de-pazolini Afastamento de Armandinho amplia ameaça de cassação do mandato – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/afastamento-de-armandinho-ampliaameaca-de-cassacao-do-mandato
Desconfiança com vacinas gera lucro para alguns, diz professor da Ufes
Fabio Goveia coordena pesquisa que analisa redes de desinformação sobre saúde e vacinas na internet Uma questão que ganhou amplitude nos últimos dois anos, as notícias falsas e desinformações relacionadas com a saúde, especialmente aquelas contra as vacinas, são um dos desafios colocados como centrais atualmente por importantes entidades da área, como a Organização Mundial das Saúde (OMS). A “infodemia”, conceito que vem sendo usado para abordar essa profusão desinformativa, ocorre principalmente pela internet. Um estudo que vem sendo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo ( Ufes) está trabalhando para mapear e entender melhor as características dessas redes. Usando ferramentas de mineração e análise de dados, o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), que funciona na universidade capixaba, já levantou mais de um milhão de postagens desde julho de 2022 para estudar a questão. O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), órgão ligado ao governo estadual. “Os estudos buscam ajudar os gestores públicos para que possam tomar decisões sobre desinformação com elementos mais consistentes, mais robustos”, diz Fabio Goveia, professor de Comunicação Social da Ufes e um dos coordenadores do Labic. “Além disso, usamos ferramentas que temos no laboratório e estamos aperfeiçoando algumas e criando novas a partir do projeto, o que traz com ele um viés de inovação”. O Labic-Ufes realiza pesquias relacionadas com internet e redes sociais. Foto: Divulgação A onda de desinformação não é nova e nem se resume ao período da Covid-19. Mesmo antes da pandemia, os movimentos antivacina já tinham muita força em países como os Estados Unidos. O professor observa que há pelo menos uma década a desinformação tem sido algo relevante no questionamento a vacinas e gerado impacto sobre as estatísticas das vacinações. A baixa vacinal no Brasil também ameaça a volta e o crescimentos de doenças que não despertavam mais tanta preocupação devido à ampla cobertura vacinal, como o sarampo, poliomelite, meningite, a rubéola e a difteria. Há casos como o da vacina anti-HPV, cuja acusação de provocar problemas de saúde ocasionou a criação em 2021 no Acre da Abravac, uma associação antivacina. No Brasil, segundo dados da Unicef, a taxa de vacinação infantil, por exemplo, caiu de 93,1% para 71,49% entre 2019 e 2021. Claro que as informações falsas e antivacina não são a única causa da queda nos índices – e nem deve ser coincidência que a queda aconteça durante um governo federal que negligenciou a vacina contra Covid-19, gerou dúvidas sobre ela, e nutriu relações ou ao menos fortes simpatias de movimentos antivacina. “O governo não fez uma campanha de vacinação, ao contrário, muitos dos sinais do presidente foram antivacina, muitas informações forma questionando elas, e isso causou um dano muito grande ao Programa Nacional de Imunização, o PNI, que já fez do Brasil referência na área”, analisa o professor e pesquisador. Ele ressalta também que um fator determinante é que essa posição do presidente encontrou respaldo em grupos de profissionais da saúde, como o Médicos pela Vida. Goveia menciona que cruzando informações nos primeiros levantamentos, ainda parciais, é possível identificar relações entre movimentos de extrema-direta e os grupos antivacina, embora nem todos estejam envolvidos com questões ideológicas tão explícitas. Ele considera essa uma hipótese que exige mais tempo de investigação, assim como a análise da maior penetração destes discursos em grupos religiosos e junto a profissionais liberais e autônomos. Fabio Goveia é professor da Ufes e um dos coordenadores do Labic e do estudo. Foto: Divulgação As estratégias desinformativas são diversas e em vários níveis, desde a descontextualização até as informações totalmente falsas, incluindo vários meios, linguagens e narrativas. É justamente o bombardeio de informações vindas de vários locais que faz com que pareçam verídicas para muitas pessoas. Um outro objeto de investigação é a conexão global entre as desinformações. “Vemos similaridade de argumentos nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Por exemplo, na utilização de determinados artigos que não são científicos na sua acepção mais séria. Também carece de mais estudos, mas é uma hipótese que estamos levantando. Não se trata de algo que surge de forma natural, parece existir uma organização, uma dinâmica de funcionamento dessa circulação da desinformação sobre vacinas”, indica o coordenador do Labic. Nesse sentido, ele aponta que existem grupos organizados que lucram com a desinformação, vendendo serviços para quem não quer se vacinar, como a oferta de apoio jurídico ou venda de passaportes vacinais falsos para que essas pessoas não sofram sanções, ou oferecimento de outras terapias que combateriam as doenças, muitas vezes sem eficácia comprovada. “Há então um incentivo para a criação do medo e da desconfiança, porque pode gerar lucros”, analisa Fábio Goveia, que entende que esses grupos são causa e consequência desse movimento antivacina. Em relação às redes sociais, o professor indica que nos levantamentos já feitos é possível perceber diferenças entre as plataformas em relação ao nível de difusão de materiais desinformativos. O Twitter, considera, é onde ocorrem mais embates, enfrentamentos entre visões opostas, o que ficou ainda mais acirrado ao longo do segundo semestre de 2022 por conta do debate eleitoral. Já o Instagram possuiria predominância de conteúdos pró-vacina, e o Facebook traria comportamento mais informativo, com menos argumentos de desinformação. O que foi identificado até o momento como principal foco de notícias e informações falsas ou tendenciosas foi o aplicativo Telegram, que serviria como um espécie de incubadora e disseminador dessas notícias, que depois extravasam para outras redes sociais. O estudo ainda não se debruçou em outras redes como Whatsapp. Relatórios do estudo podem ser encontrados na página do ICEPi Os primeiros relatórios desenvolvidos sobre o tema podem ser encontrados na página do projeto Observatório da Saúde nas Redes Sociais no site do ICEPi. Resultados parciais já foram apresentados em reuniões do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), ligada à OMS. Os dados coletados e analisados pelo Labic podem ter relevância nacional e internacional ao refletir sobre o tema. A recuperação da eficácia do PNI