Proposta foi retirada de pauta nesta segunda-feira, causando indignação dos peritos técnicos, que ocuparam as galerias da Assembleia A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 07/2022, de autoria do poder Executivo e que cria a autonomia da Perícia, foi retirada da pauta da sessão desta segunda-feira (17), na Assembleia Legislativa. A situação deixou a categoria, que foi acompanhar a votação, indignada. “Queremos que seja votado rápido, que seja pautado amanhã [terça-feira], se possível”, reivindica o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos), Tadeu Nicoletti. O deputado estadual Marcelo Santos (Podemos), que presidia a sessão, afirmou que não é de sua responsabilidade a retirada de itens da pauta, e que foi informado de que a retirada se deu em virtude de uma conversa entre o líder do governo, Dary Pagung (PSB), e o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), para emendas de aperfeiçoamento da proposta. O deputado Hércules da Silveira (Patri) afirmou que os peritos foram feitos de “palhaço”. “Vocês deveriam vir aqui com nariz de palhaço. Não é possível continuar dessa forma”, ressaltou. Fabrício Gandini (Cidadania), que junto da deputada Iriny Lopes (PT), é autor de uma proposta similar, a PEC 02/2022, recordou a luta dos peritos por melhores condições de trabalho e da decisão do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), de não mais ceder terreno para a construção do Centro Integrado da Perícia Técnica e Científica da Polícia Civil, o que fez com que o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (União), cedesse um na cidade. “Vitória perdeu um investimento importante. A quem não interessa votar? Será que é a alguma pessoa que não está aqui no plenário? É o que me parece, porque já estamos lutando há mais de três anos. Agora a gente ouve falar que têm pessoas insatisfeitas, que têm ligação com pessoas da Casa, pedindo para não votar. Desconfio de quem seja, pois já reverteu um terreno, uma doação da Prefeitura de Vitória. Agora segura mais uma vez o projeto, para não ser votado. A quem não interessa a autonomia da Polícia Técnica?”, reiterou. No artigo 4º, a proposta da gestão estadual prevê a inclusão do artigo 128-A na Constituição do Espírito Santo, com a seguinte redação: “à Polícia Científica incumbe as funções de polícia técnico-científica e de perícia oficial de natureza criminal”. No ofício, o Sindiperitos aponta a necessidade de mudar o texto, colocando-o da seguinte forma: “à Polícia Científica incumbe as funções de perícia oficial de natureza criminal, os exames periciais laboratoriais, as perícias médico-legais, as perícias em geral, os exames de corpo de delito, as perícias de identificação humana e a Identificação Civil e Criminal”. Ainda nesse artigo, parágrafo único, a proposta da gestão estadual estabelece que “o chefe da Polícia Científica será nomeado pelo Governador do Estado, escolhido entre os integrantes da carreira de Perito Oficial Criminal.” Os peritos ratificam que a nomeação deve ser feita pelo governador, mas acrescentam que a escolha deve ser feita “entre os integrantes da última classe da carreira de Perito Oficial”. A categoria também acrescentou um artigo à proposta de Casagrande, estabelecendo que “aplicam-se aos Policiais Científicos as mesmas disposições para a aposentadoria prevista para os Policiais Civis na Lei Complementar Federal nº 51/85 e na Lei Complementar Estadual nº 938/2020”. ‘Lastimável esperar sete meses e depois dizer que a obra não será feita’ Peritos criticam recuo de Pazolini na cessão de terreno para o Centro Integrado da Perícia Técnica e Científica https://www.seculodiario.com.br/seguranca/lastimavel-deixar-sete-meses-esperando-uma-obra-e-depois-dizer-que-nao-podera-ser-feita-naquele-espaco PEC da autonomia é enviada para a Assembleia, mas peritos propõem modificações Proposta de Emenda Constitucional cria a Polícia Científica, uma reivindicação antiga da categoria https://www.seculodiario.com.br/seguranca/pec-da-autonomia-e-enviada-para-a-assembleia-mas-peritos-sugerem-modificacoes
Campanha de Casagrande estreita diálogo com servidores públicos estaduais
Agenda de reuniões com associações detalha pautas específicas das categorias para melhoria do serviço público Divulgação/Sindipúblicos Na metade da campanha do segundo turno das eleições para o governo do Estado, a coordenação de campanha de Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, estreia o diálogo com o serviço público capixaba por meio de uma série de reuniões com o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos-ES) e associações de diversas categorias. A iniciativa partiu da campanha de Casagrande. “O objetivo é ampliar o diálogo e oportunizar que as pautas específicas de cada categoria sejam encaminhadas ao candidato à reeleição tendo a participação dos servidores que estão na base, colocando as suas demandas” comenta Rodolfo Melo, vice-presidente do Sindipúblicos. Além das pautas específicas, o sindicato também cobrará respostas quanto ao “Plano de Luta” do funcionalismo estadual, já entregue a Casagrande, que engloba, dentre outros pontos, demandas coletivas da categoria como a negociação dos cargos em vacância e aposentados prometido para final de novembro desde ano; o reajuste do auxílio-alimentação com implantação de cartão; e a revisão dos valores das diárias. Desde a semana passada, a agenda de reuniões já tratou da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb) – mobilidade urbana e saneamento financeiro da Ceturb, pós-impactos da pandemia – e da Secretaria Estadual de Educação (Sedu). Na pasta da Educação, foi discutida a pauta dos Agentes de Suporte Educacional (ASEs), com a presença do presidente do sindicato, Iran Caetano, as diretoras Emmanuelle Oliveira e Renata Setubal, e o advogado Marcos Gomes “Djavan”, além do coordenador da campanha de Casagrande, Vitor de Ângelo, e a assessora Aline Nunes. A principal reivindicação foi a garantia das nomeações dos candidatos aprovados no concurso para ASEs, realizado em meados do ano, tendo também sido pedido um cronograma de um diálogo permanente com a categoria. Outros pontos tratados foram a importância da substituição das contratações temporárias por servidores efetivos por meio de concurso e a necessidade de inclusão da categoria no rateio do abono referente ao orçamento vinculado do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), seguindo a alteração constitucional realizado no final de 2021. Para o decorrer desta semana, já estão agendadas reuniões com a associações de servidores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Assin; com trabalhadores do Departamento de Edificações e de Rodovias (DER); do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf); Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema); Departamento Estadual de Trânsito (Detran); Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN); e com os aposentados. A maioria das pautas das categorias, explica Iran Caetano, passa por concursos públicos, que é demanda geral do sindicato, além de auxílio-alimentação, reajuste das perdas salariais, redução de servidores em Designação Temporária (DTs) e reajuste das diárias para trabalhos fora do município. Abertura histórica A agenda de encontros com os servidores públicos consagra a histórica abertura de uma mesa de diálogo com o Palácio Anchieta, realizada há um mês, por meio de uma reunião entre o sindicato e o governador. Na ocasião, foram abordadas as 17 pautas elencadas durante o último congresso da entidade e algumas já foram alvo de comprometimento por parte do candidato à reeleição. “Eu vejo como uma janela de oportunidade que a gente tem, para apresentar as demandas do serviço público em um diálogo mais direto. Era uma crítica que a gente tinha contra os governos, que nunca dialogavam com os servidores. Agora está sendo resolvida”, avalia o presidente. Iran informa que o sindicato tem uma campanha de valorização salarial pronta para ser lançada em 2023. “Além do diálogo com o governo, precisa que a base dos servidores também se some à luta, para fazer os processos de mobilização e garantir que essas agendas sejam realmente implementadas”. Promessas de campanha incluem piso de R$ 6,3 mil e concursos periódicos Manato foi o quarto candidato a responder a todas as perguntas do Sindipúblicos, depois de Casagrande, Guerino e Capitão Sousa https://www.seculodiario.com.br/politica/promessas-de-campanha-incluem-piso-de-r-6-3-mil-e-concursos-publicos-periodicos Demandas dos servidores são respondidas por Casagrande, Guerino e Capitão Sousa Sindipúblicos demandou oito questões aos sete candidatos ao governo. Audifax e Manato enviaram resposta única https://www.seculodiario.com.br/politica/demandas-dos-servidores-sao-respondidas-por-casagrande-guerino-e-capitao-sousa
‘Como fazer a locomotiva do mundo seguir sem passar por cima dos seres vivos?’
Filme aborda os múltiplos impactos impressos na paisagem, no corpo e na alma do atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP Divulgação A menos de um mês de completar sete anos, o crime da Samarco/Vale-BHP contra o Rio Doce é tema de mais uma produção audiovisual brasileira: o longa “Lavra” – documentário híbrido, onde uma personagem ficcional interage com personagens e situações reais. O filme mostra a jornada da geógrafa Camila, emigrante de Governador Valadares, interpretada por Camila Mota, atriz do Teatro Oficina. Na trama, ela retorna dos Estados Unidos para sua terra natal, quando o Rio Doce foi contaminado pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. Camila então segue o caminho da lama tóxica que varreu povoados do mapa e matou 19 pessoas, deparando-se com paisagens, comunidades e pessoas devastadas: Governador Valadares, Baguari, Território Krenak, Ouro Preto, Itabira, Paracatu de Baixo, Bento Rodrigues…e também visita Serro e Conceição do Mato Dentro, hoje no centro da atuação predatória de outra mineradora. Nesse percurso, outra barragem da Vale se rompe, em Brumadinho, também em Minas, matando cerca de 300 pessoas. Nesse momento, “ao ver a tragédia de perto, ela sente-se pela primeira vez atingida e se envolve com movimentos de resistência”, destaca Lucas Bambozzi, diretor do filme. Divulgação Ele conversou com Século Diário, na expectativa de confirmar uma agenda de lançamento da obra em território capixaba. A primeira exibição já confirmada será na segunda edição do DOC Regência, que acontece de 18 a 20 de novembro, na vila de Regência, localizada na foz do Rio Doce, em Linhares, onde a lama de rejeitos chegou quinze dias depois de romper a barragem em Mariana. A mostra de cinema, não competitiva, marca essa data fatídica, mas também inclui produções sobre outro crime provocado pela Vale, em Brumadinho, em janeiro de 2019. As inscrições estão abertas na internet, para quem quiser exibir suas produções, até o dia 30 de outubro. Além de Regência, Lucas conta que também está sendo viabilizada uma estreia em Vitória, ainda sem data confirmada. O filme tem 1’41 de duração. A produção é da Trem Chic Cine Video Lab, produtora que tem como um dos sócios o videoartista Eder Santos, e o roteiro, de Christiane Tassis. O filme teve sua World Premiere em 17 de novembro de 2021, no prestigiado IDFA (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã), considerado o maior festival no gênero. Selecionado entre os 985 filmes inscritos para o Festival de Brasília, participou da Mostra Competitiva, nos dias 8 e 9 de dezembro, sendo premiado na Categoria “Melhor Som” e “Fotografia”. Foi exibido no One World Festival, na República Tcheca, dedicado a direitos humanos, na 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, no disputado Hotdocs de Toronto, no 26º Festival de Cine de Lima, e segue sendo convidado para importantes festivais pelo mundo. Na 11ª Mostra Ecofalante, em 2022, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem pelo público, atestando o impacto que vem causando nas pessoas. Divulgação A seguir, um pouco da conversa com o diretor, Lucas Bambozzi: Século Diário: Vou começar pelo final, destacando algumas frases do encerramento do filme: “Como podemos nos aliar para resistir a tanta devastação?”; “Como fazer a locomotiva, a máquina do mundo, seguir sem passar por cima dos seres vivos?”; “O povo constrói, a Vale destrói!”. São frases que convocam o telespectador a se unir aos movimentos da sociedade civil em defesa dos direitos dos atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP contra o Rio Doce e de outras tragédias cotidianas da mineração, que desenham uma “geografia da danação”. Que tipo de ação você gostaria que o filme suscitasse entre os que o assistem? Lucas Bambozzi: Essa pergunta faz parte da estrutura do filme. Quando ocorreu o desastre, a tragédia, a gente se perguntou: fazer o quê? Há vinte anos faço trabalhos em contextos de conflitos, buscando diálogo sobre o que não é muito explícito. Mas não é sempre que a gente pensa em fazer um filme. Muitas vezes é um pequeno vídeo, uma instalação, algum trabalho na web, mais imediato. Então por que fazer um filme? Em 2015/2016, o audiovisual estava com um público em ascensão, se tornando uma mídia não de massa, mas bastante privilegiada, com bastante capilarização, tanto em salas maiores quanto em pequenas e em festivais. Mas, especialmente, é porque é uma obra que anda sozinha, o diretor não precisa estar junto, como numa instalação, que eu preciso ir lá montar. A ideia então de fazer um filme era essa, de que induzisse a discussões e tomadas de consciência e, daí, para a ação. A história é uma narrativa que transita entre a ficção e o documentário e entre outros gêneros também, roadmovie, arte, porque tem uma camada mais plástica e experimental, que não é ficção nem documentário (e eu não acho que ficção e documentário são antagônicos). Mas tem uma estrutura narrativa que ele chama para uma ação, pega pela mão. A personagem vai entendendo as questões envolvidas e vai se transformando em função disso. E essa transformação, quando se passa com qualquer indivíduo, é muito potente. Não é um panfleto, uma indução: ‘tem que fazer isso’. Muitas vezes isso funciona quase como um choque, mas acho que funciona melhor quando a pessoa vai se dando conta, vai se indignando, entendendo as forças envolvidas, e pode se tornar uma força de luta, de replicação dessa luta, uma forma de replicar, de multiplicar essa luta. Esse inimigo contra quem não é claro na vida contemporânea. A mineração não vai acabar, cada vez mais os equipamentos as tecnologias são dependentes de minérios, muitas vezes minérios raros, que nem levem a destruição de montanhas inteiras, mas a disputas de poder, a interferências políticas, a ações de poder do capital e nações inteiras a fazerem atrocidades. Esse inimigo no filme é colocado dessa forma, não é colocado como uma coisa clara. Há uma consciência de que por trás da mineradora tem o consumo, o modo, estilo de vida contemporâneo, o capitalismo. É difícil hoje dizer se somos contra o capitalismo. Dá para ponderar quais aspectos do capitalismo são mais nocivos e precisam mudar
Mural em grafite resgata história de padre Gabriel Maire
Pintura foi feita no muro da comunidade católica do bairro Padre Gabriel, em Cariacica, por moradores da região Divulgação Parte da história do padre francês Gabriel Maire foi resgatada em um muro de 110 m², na comunidade católica São João Batista, situada no bairro que leva o nome do sacerdote, em Cariacica. O território, anteriormente chamado de Barbados, era onde diversas famílias, apoiadas pelo padre, lutavam por moradia. O memorial urbano, feito com grafite, com a participação de moradores da região, principalmente jovens, busca resgatar a trajetória do padre francês no Espírito Santo, notadamente no município, onde atuou até ser assassinado, em dezembro de 1989. A iniciativa foi idealizada pela historiadora Thays Ferreira, moradora da comunidade, e possibilitada por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Cariacica João Bananeira. Para fazer o memorial urbano, foram realizadas, gratuitamente, oficinas de desenho e grafite. O projeto não se limitou à parte técnica, pois houve também roda de conversa sobre a história do bairro e a do sacerdote francês, além de discussões sobre o grafite como instrumento de potencialização dos territórios. O resultado foi um memorial que se destaca pelo colorido, beleza e criatividade. As manchas vermelhas, simbolizando o sangue de padre Gabriel, se misturam ao rosa, azul e branco da bandeira do Espírito Santo, que em vez de “Trabalha e Confia”, traz “Prefiro morrer pela vida do que viver pela morte”, frase proferida pelo sacerdote para deixar claro que, mesmo em meio às ameaças de atentado contra a sua vida, não deixaria de lutar pelas causas populares. Pode-se dizer que, no Espírito Santo, padre Gabriel trabalhou e confiou. Trabalhou em diversas pastorais, coletivos populares, movimentos sociais, confiando sempre que a mobilização popular traria dias melhores para os mais pobres. Uma das muitas lutas que travou foi por moradia a todos, retratada no memorial por um conjunto de casas coloridas, com o pasto verde ao fundo. Divulgação O desenho retrata como o bairro, que era uma grande fazenda, foi ganhando aspecto mais urbano, a partir das ocupações de moradia, muitas delas apoiadas por padre Gabriel. Com o passar do tempo, as pessoas passaram de fato a conquistar a posse dos imóveis pelos quais tanto lutaram. Thays Ferreira conta que moradores da região relataram, no decorrer do projeto, que as ruas e lotes foram divididos, já na década de 90, em frente a uma árvore. Essa árvore, que vive ainda hoje, encontra-se em frente à praça da comunidade, e é retratada no memorial com uma copa que tem diversas mãos no lugar das folhas, simbolizando que o bairro foi construído coletivamente. Outros desenhos que constam no muro são o fusca de padre Gabriel, muito recordado pelos moradores, que fizeram questão de desenhar o veículo, e uma asa de anjo, onde as pessoas podem tirar foto, e que simboliza que o sacerdote ainda vive. Divulgação Padre Gabriel, também conhecido como Gaby, foi assassinado em 23 de dezembro de 1989. Chegou ao Brasil em 1980, e sua atuação no Espírito Santo, principalmente no município de Cariacica, foi marcada pela intensa participação nas Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) da Igreja Católica. Gabriel incentivava a organização popular como forma de mobilização para garantia de direitos, dignidade e qualidade de vida. Incentivou a criação de movimentos de mulheres, culminando na atual Associação de Mulheres de Cariacica Buscando Libertação (Amucabuli). Foi essencial nos movimentos de moradia e em meio aos grupos de juventude, como a Juventude Operária Católica (JOC). Ainda sobre a classe trabalhadora, atuou na Pastoral Operária, onde coordenou um jornal chamado Ferramenta, feito por operários para operários, que buscava informar os trabalhadores sobre questões como as lutas populares no Espírito Santo, no Brasil e, em menor escala, no mundo, além de ter como outro objetivo a educação para a cidadania. O crime que resultou e sua morte prescreveu em 2017, sem que os mandantes fossem identificados e punidos. Padre Gabriel será homenageado com mural em grafite feito por jovens Estão abertas inscrições para oficinas de desenho e grafite, quando os jovens irão se preparar para a confecção do mural https://www.seculodiario.com.br/cultura/padre-gabriel-sera-homenageado-com-painel-em-grafite-feito-por-jovens
‘Agradeço a Deus por tudo, mesmo as dificuldades’
Com nova liminar judicial, cadeirante continua no hospital onde tratou o fêmur para tratar da osteomielite Arquivo pessoal “Eu agradeço a Deus por tudo, mesmo pelas dificuldades, porque ele está me honrando, a minha advogada, Monica [Receputi Duarte], ao Século Diário, a Apasod [Associação dos Pais e Amigos dos Surdos e Outras Deficiências], a minha família, os meus amigos, a equipe do hospital toda, técnicos, enfermeiros, pessoal da limpeza, da cozinha, que são uns amores, ao João Carlos, do Direitos Humanos, também a todas as igrejas que estão em oração por mim e que Deus abençoe cada pessoa tremendamente”. A súplica de gratidão vem de Viviane Rangel, diante de uma vitória que ela chegou a pensar que não iria alcançar: o início do tratamento da osteomielite crônica que acomete suas duas pernas. Nessa quinta-feira (13), mediante nova liminar judicial, Viviane garantiu sua continuação no Hospital da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo (AFPES), na Cidade Alta, Centro de Vitória, para começar a receber os medicamentos referentes à doença, uma grave infecção diagnosticada há quase um ano, em dezembro passado. Na véspera, ela chegou a ser informada que seria transferida para um hospital em Baixo Guandu, no noroeste do Estado, ou teria que pagar pelo leito que ocupava, desde o final de setembro, quando passou por uma cirurgia no fêmur fraturado. “Fiquei desesperada, porque não teria como minha mãe nem meu pai ficarem lá comigo. Eles são idosos, estão fazendo tratamentos também, eu não teria ninguém para me acompanhar”, conta. Em seu despacho, a juíza Ilaceia Novaes assinala “as enfermidades dos [seus] genitores” e “a fragilidade do quadro clínico da autora”, determinando que a AFPES “mantenha-a naquela instituição até que se encontre outro nosocômio situado na Grande Vitória”. Após a sentença, Viviane conta que começou a receber os medicamentos que a infectologista do ambulatório do Hospital havia indicado para o seu caso de osteomielite. “Estou tomando Ampicilina e mais dois antibióticos, para matar a bactéria. Me disseram que o tratamento vai durar oito semanas. Estão esperando curar a ferida da perna onde foi raspado o osso, para tirar a carne que eu perdi com a infecção, para então mexer a outra perna, se não pode passar a bactéria de uma para a outra”. No hospital da AFPES, ela conseguiu um quarto isolado “para não pegar outras bactérias, de outras pessoas”. A internação aconteceu logo depois da consulta realizada no dia 27 de setembro, esta, também fruto de uma liminar judicial e da cobrança, feita por Século Diário, de um posicionamento público da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre o caso. Quase desistiu Em agosto, Viviane já tinha obtido uma primeira liminar da magistrada Ilaceia Novaes, determinando internação imediata em um hospital que contasse com equipe de ortopedista e infectologista. Equivocadamente, no entanto, a liminar a direcionou para o Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), o Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que não dispunha da equipe necessária. A juíza então orientou que ela adentrasse no sistema estadual de saúde, agendando uma consulta em alguma Unidade de Pronto Atendimento (Upa) ou PA mais próximo de sua residência, porém, diante das dificuldades de locomoção de Viviane, que é cadeirante e estava com o fêmur quebrado, a mãe tentou essa entrada, mas não conseguiu. Foi quando ela chegou a pensar em desistir de tudo, pedindo aos amigos e familiares que respeitassem sua decisão. A interferência da Sesa no agendamento da consulta para internação no hospital da AFPES no final de setembro reacendeu sua esperança e permitiu que os tratamentos fossem finalmente iniciados. A via crucis de Viviane teve início quando recebeu o diagnóstico, em dezembro, quando ela ainda dispunha de plano de saúde. Sem conseguir atendimento no SUS, ela tentou manter consultas e remédios por conta própria, mas a renda limitada pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) não permitiu a continuidade. Já vislumbrando o risco de amputação das pernas, ela decidiu pedir ajuda da advogada que cuidava do seu divórcio. Foi quando, após meses de peregrinação em várias unidades básicas de saúde, PAs e hospitais, a consulta no Hucam foi marcada e, logo depois, no AFPE. ‘Muito bem tratada’ O início do tratamento da osteomielite, depois de duas semanas de internação, vem coroar um momento que ela considera abençoado. “Eu quero ficar aqui, estou sendo muito bem tratada, fiz amizade com todo mundo. Todo mundo que entra aqui diz que a energia do quarto é boa, ‘que quarto cheiroso’, ‘como é gostoso ficar com esse quarto’, ‘é tão abençoado’. Está sendo muito bom para a minha recuperação ter esse carinho das pessoas”, conta. Mesmo morando em Vila Velha e com todas as dificuldades de locomoção em vista da idade e problemas de saúde, Viviane conta que sua mãe tem conseguido ficar com ela no hospital, sendo substituída pelo pai, com dificuldades semelhantes, quando a mãe precisa ir para casa ou fazer exames e consultas. “Uma amiga cadeirante vem passar o dia comigo, porque está vendo a dificuldade da minha mãe para ir a médico, se tratar. Sou muito grata por conseguir esse tratamento. E penso em quantas pessoas podem estar passando pela mesma situação e não conseguem um advogado, nem conseguem ser ouvidas, e ficam sem atendimento”, roga. Seu desejo é que sua história sirva de inspiração para que todos que atravessam dificuldade semelhante possam conhecer os caminhos onde pedir ajuda. “É muita gente para poucos funcionários. Tem advogado aqui no hospital, mas precisou a minha falar com ela para eles me manterem aqui. Foi preciso o jornal cobrar a secretaria para conseguir a confirmação da minha consulta”, relata. “Mas, quando você pensar em desistir, lembre-se dos motivos que te fizeram aguentar até agora. Há sempre lugar no palco da vitória para os guerreiros que nunca desistem após uma queda. Sempre que sentir vontade de desistir, lembre-se que seus sonhos podem ser alcançados no próximo passo que der”, aconselha. Sesa garante tratamento para cadeirante com osteomielite e risco de amputação Liminar judicial determina internação hospitalar desde agosto, mas tratativas
É tempo de palomínias
Não chore por elas, que renascerão jovens e frescas na primavera, feito fênix mitológica O outono no hemisfério norte nos brinda com o magnífico matiz das árvores, a folhagem variando entre amarelo, vermelho e marrom. Para então tombarem, vítimas do rigoroso inverno. Não chore por elas, que renascerão jovens e frescas na primavera, feito fênix mitológica. Não por coincidência, o inverno traz as palomínias – essas ainda mais lindas e misteriosas. * Chegam atrasadas, quando os galhos desnudos das árvores parecem tristes zumbis de braços estendidos para o alto, como a pedir perdão por algum crime cometido em outras gerações – se houve, nem se lembram mais. Filhas do frio e da neve, as palomínias choram e praguejam ao luar por nunca poderem ver o sol. Dizem que quando morrem elas vão para um leito de fogo, mas nenhuma voltou para contar se é verdade. * Donde concluímos como somos privilegiados pela Mãe Natureza: temos sol em abundância quase todo o ano, não sofremos os rigores dos invernos congelantes, nossas árvores não desperdiçam energia vital brincando de Van Gogh nas folhagens agonizantes. Além dessa mãe comum a todos nós ser uma grande artista, tem também um fino senso de humor: basta olhar as listras de uma zebra, a disposição de um bicho-preguiça, o pescoço da girafa. * Seu maior feito, porém, são as palomínias – não confundir com palomitas, as pombas que hablan espanhol. Pela beleza das cores, pela exuberância da plumagem, pela elegância do porte, Quem as viu, jamais as esquece. Diz a lenda que são originárias da hoje chamada República Tcheca, mas não há provas contundentes do fato. Mesmo assim, a mídia local se vangloria dessa boa sorte. No entanto, entretanto, elas existem de fato ou tudo é folclore, como a mulher de algodão e o jovem que se apaixonou por ela? * A origem das lendas se perde nas brumas do tempo. Se vivemos de sol e praia nas imediações do Equador, o povo das neves não reclama quando o termômetro despenca abaixo do zero. Se não gostassem, já teriam migrado para Miami. Alguns usam aquecedores, outros dormem com os cachorros. As palomínias se enroscam umas nas outras, e a rica plumagem as defende dos ventos cortantes que sopram nos polos. Por isso nunca acharam marcas de sua passagem nas neves eternas. * Na República Tcheca, os habitantes de um bairro judeu sobreviveram às perseguições e execuções do holocausto porque Hitler decidiu preservá-lo para ser o ‘museu de uma raça extinta’. O tempo correu em seu devido tempo, os fatos viraram textos em livros acadêmicos. O que restou de Hitler e seus ideais alucinados? Apesar do insano genocídio, a raça judaica não se extinguiu e continua mantendo sua cultura e seus costumes. O que seria um museu hediondo é apenas um bairro movimentado, uma lucrativa atração turística * A roda do tempo gira, o ciclo da vida é implacável para ricos e pobres, bons e maus, bonitos e feios, gordos e magros, influenciadores e encantadores de serpentes. Como as folhas das árvores que morrem no inverno, mas antes nos brindam com seu belo espetáculo de cores vibrantes, continuamos nossa busca pelo amor ideal, o Santo Graal, a verdade absoluta, a felicidade completa. Talvez ainda não estejam em exposição no museu das intenções extintas, como as palomínias.
Casagrande firma compromisso com entidades da sociedade civil
Governador se reuniu neste sábado com o Fórum Igrejas e Sociedade e o Movimento Negro do Estado O governador Renato Casagrande (PSB) assinou dois termos de compromisso com a sociedade civil na manhã deste sábado (15). O primeiro foi com o Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, composto por diversas entidades, como sindicatos, centrais e movimentos sociais. A assinatura foi durante uma plenária realizada no colégio Agostiniano, Centro de Vitória. Em seguida, o candidato à reeleição assinou um termo de compromisso, em seu comitê, com o Movimento Negro do Estado. Hélio Filho Denominado Pacto pelo Espírito Santo do Amanhã, o documento elaborado pelo Fórum Igrejas e Sociedade em Ação aponta 13 reivindicações para serem efetivadas por meio de Grupo de Trabalho (GT) com participação igualitária entre representantes do governo e da sociedade civil, a ser instituído pelo gabinete de Casagrande. “Este ato simboliza um grande avanço, um comprometimento do governador e candidato Renato Casagrande com a pauta extensa do movimento social e popular. A gente espera, elegendo Casagrande, poder cobrar a partir de um grupo estadual de controle dessa pauta”, diz o coordenador do Fórum, Giovani Lívio. No documento, as entidades destacam que, passada a pandemia da Covid-19, as desigualdades se aprofundaram, devendo ser enfrentadas, mas que isso “só pode ser concretizado em um ambiente de aprofundamento democrático, com ampla participação popular e plena confiança nas instituições públicas”. “O Pacto traz propostas que têm bom senso, mais que assinar o papel, assumo compromisso de continuar governando o Estado com diálogo. Meu governo é para todos e não apenas para quem vota em mim. Temos que caminhar juntos com quem pensa igual e quem pensa diferente”, apontou Casagrande. O governador voltou a alertar para o risco da volta do crime organizado às instituições capixabas e para “o retrocesso que o Espírito Santo pode passar com o despreparo de seu adversário”. “Tiramos o crime organizado que tomava conta das instituições e não podemos aceitar o retorno de milícias ao poder público. Temos que deixar transparente a minha vida e a do meu adversário. Temos que mostrar aos jovens quem era a Scuderie Le Cocq, que matava pessoas que não concordavam com seus projetos, e que meu adversário fez parte deste grupo”, pontuou. Hélio Filho O governador disse ainda que Carlos Manatto (PL), com quem disputa no segundo turno, atuou 16 anos como deputado federal, mas “não fez nada para ajudar o Espirito Santo e o Brasil”, trabalhou na Casa Civil “e foi demitido por falta de produtividade. Foi retirado do Sebrae e até da gestão de um grande hospital do Estado. Por onde passa, meu adversário deixa um rastro de incompetência”, acrescentou. As propostas contidas no Pacto pelo Espirito Santo do Amanhã são o aperfeiçoamento da democracia participativa; enfrentamento às desigualdades sociais e regionais; combate à fome e à insegurança alimentar; prevenção às violências; implementação de medidas efetivas de integração social de reeducandos e adolescentes; aprimoramento e construção de políticas de igualdade e oportunidades igualitárias para meninas e mulheres; implementação das ações constantes do Plano Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia; implementação do Plano Estadual de Políticas para as juventudes; implementação do Programa Estadual de Direitos Humanos e do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos; garantia irrestrita à liberdade religiosa; defesa dos direitos dos povos originários; compromisso com a pauta ambiental; e construção e implementação do Plano Estadual para Equidade Racial e combate ao racismo. Essa última reivindicação também consta no documento “Demandas Negras Estruturantes para Equidade Racial e Combate ao Racismo no Estado do Espírito Santo”, também assinado por Casagrande na manhã deste sábado. Divulgação “O avanço do fascismo, genocídio e do racismo no mundo e no Brasil nos faz continuar atentos e mobilizados com proposições e nas lutas de enfrentamentos em especial neste 2º turno da Eleição no Espírito Santo”, diz o documento, que prossegue afirmando que as demandas apresentadas, acrescidas de reparações ao povo negro, estão na Plataforma do Governo Lula, o programa Junto pelo Brasil. “Assim sendo, nossas vozes e expectativas estão concentradas no compromisso do candidato Casagrande com as demandas e posicionamento do mesmo, em apoio à candidatura de Lula presidente”.Além do Plano Estadual, constam, entre as reivindicações, criação do Fundo Econômico Estadual para Equidade Racial e Combate ao Racismo; criação ou adaptação de uma ferramenta afro governamental com capacidade de articulação para implementações das políticas do Plano; criação de Comissões Afro-brasileiras e Indígenas em todas as secretarias do governo; implantação e implementação de um Plano Estadual da Educação Afrobrasileira e Indígena; formatação de programa para Formação sobre Relações Etnicorraciais e Racismo para Servidores Públicos; e criação de um Comitê Estadual Interinstitucional para Monitoramento, Avaliação e Aferimento das implementações das políticas do Plano Estadual. Psol apresenta 25 pontos para incorporar ao plano de governo de Casagrande – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-apresenta-25-pontos-para-oplano-de-governo-de-casagrande Casagrande se compromete a não privatizar Banestes e Cesan Governador também garantiu dialogar com centrais sindicais, movimentos sociais e comunidades tradicionais https://www.seculodiario.com.br/politica/casagrande-se-compromete-a-nao-privatizar-o-banestes-e-a-cesan-caso-seja-reeleito
‘Essa comissão é uma farsa’, afirma liderança sobre impasse em Barra do Riacho
Falta de consenso deixou Macroterritório Sul fora de sentença judicial para atuação imediata de assessoria técnica “Essa comissão é uma farsa. Não tem compromisso em defesa dos atingidos do nosso território”. A afirmação é do presidente da Associação Comunitária de Barra de Riacho (ACBR), Herval Nogueira, e refere-se à Comissão de Atingidos de Barra do Riacho, formada por um grupo de moradores do balneário que, instruídos por advogados particulares, reivindicam uma assessoria técnica diferente da escolhida em 2018, em consultas e eleições coordenadas pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, expert contratado pelo Ministério Público Federal (MPF) para assegurar a lisura do processo de definição das entidades que irão garantir a implementação desse direito basilar dos atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP. A comissão, explica, está no epicentro das divergências que impediram o consenso sobre a entidade a ser contrata como AT para todo o Macroterritório Sul (Aracruz, Fundão e Serra), na audiência de conciliação realizada na última terça-feira (11) em Belo Horizonte, Minas Gerais, pelo novo juiz do caso, Michel Procópio Ribeiro Alves Avelar. Sem o consenso alcançado nos demais territórios, a região não está contemplada na sentença emitida nessa quinta-feira (13), determinando a contratação imediata da Associação de Desenvolvimento Agrícola (Adai). No despacho, o magistrado afirma que o Macroterritório Sul será alvo de uma análise por parte do juízo, juntamente com o Ministério e as Defensorias Públicas, instituições de justiça que defendem os atingidos nos últimos sete anos. O atraso na determinação de atuação das entidades no assessoramento das populações atingidas nos três municípios tenta ser corrido pelos próprios moradores, com uma mobilização que visa permitir uma decisão mais rápida e justa possível por parte do magistrado, com auxílio dos procuradores e defensores. O grupo que se apresenta como maioria no macroterritório prepara um abaixo-assinado expondo a necessidade de também trazer a Adai para o trabalho imediato, evitando prolongar ainda mais o atraso, que já acumula quatro anos. “Na audiência, o próprio juiz Michael fez a mea-culpa, dizendo que parte desse atraso, desse problema para os atingidos, foi causado pela própria justiça, que não resolveu os processos, não determinou a contratação imediata das assessorias que a gente já tinha escolhido”, rela Herval Nogueira, remetendo-se a um dos momentos da audiência de terça-feira, da qual ele participou. “Ele foi diplomático, não disse que a culpa foi do juiz anterior, Mário de Paula [Franco Junior], que foi quem ajudou a criar essas comissões falsas, que orientava os advogados, dizendo como fazer as petições para ele poder aprovar”, avalia o líder comunitário, citando um aspecto que foi formalmente denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o antigo juiz da 12ª Vara. Essa e outras atuações de Mário de Paula foram alvo de outras denúncias, feitas pelas instituições de Justiça. Contra ele pesa também um documento assinado por mais de 100 juristas brasileiros, além de entidades como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). A falta de imparcialidade de Mário de Paula, no entanto, não foi acolhida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1). As comissões de atingidos apoiadas por Mário de Paula tiveram início em Baixo Guandu, noroeste do Estado, sob liderança da advogada local Richardeny Luiza Lemke Ott, e foram se disseminando em outras cidades. Em outubro de 2020, o MPF peticionou a anulação de todos os atos da 12ª Vara referentes aos acordos firmados entre a Fundação Renova e as comissões, que previam, entre outras medidas apontadas como irregulares e contrárias aos direitos dos atingidos pelo órgão ministerial, o fechamento do cadastro de atingidos e a quitação geral de danos. A peça jurídica cita vários trechos das sentenças do próprio Mário de Paula, apontando aspectos esdrúxulos da denunciada “parceria” entre o juiz e os advogados que coordenavam as comissões. Entre elas, o pedido de sigilo na tramitação das ações de indenizações impetradas pelos advogados em nome dos atingidos e o impedimento de participação do MPF no processo. O pedido de exclusão do MPF do processo de escolha das assessorias técnicas é outro ponto destacado pelo presidente da Associação Comunitária de Barra de Riacho, que expõe a ilegitimidade da Comissão de Barra do Riacho em pedir uma outra AT, diferente da já escolhida há quatro anos. “É oportunista, sem caráter. Pediu à justiça para não realizar a reunião do dia cinco de agosto de 2022, na nossa associação, com o Fundo Brasil, onde a gente iria definir se continuaria com a Adai. O Fundo Brasil é prestador de serviço do Ministério Público. É quem tem defendido a gente, junto com a Defensoria Pública. Então essa Comissão é parte do cartel de ambição das comissões que começaram lá em Baixo Guandu. Elas têm essa relação política, todas elas têm essa visão contra o Ministério Público”, explica. Um dos que se pronunciou na audiência em Belo Horizonte contra a Adai foi o coordenador do Movimento Nacional dos Pescadores e presidente da Federação das Associações de Pescadores do Espírito Santo, Manoel Bueno dos Santos, o Nego da Pesca. “Eu falei que a nossa preocupação é com a lentidão. Nós já estamos há quatro anos esperando. A gente aqui na Serra, Fundão, Aracruz, somos o último território praticamente. A Adai vai ter perna para a gente até aqui e fazer o trabalho com agilidade? Já temos duas entidades aqui que nos ajudam, que fizeram cartografia da pesca, que podem agilizar, porque já conhecem a região”, argumenta, citando as ONGs Voz da Natureza e Líder. Herval Nogueira afirma desconhecer a relação das duas ONGs com todo o macroterritório. “Elas nunca foram conversar com a associação comunitária nem com a colônia de pesca daqui. A gente não vê nada que elas tenham feito”. Numa tentativa de conciliação, Nego da Pesca vislumbra uma atuação conjunta das ONGs que atuaram com os pescadores e a Adai, escolhida originalmente. “Talvez entrar numa parceria, a Adai com elas”, propõe. Entidade local Até o momento, apenas um território teve sua assessoria técnica contratada, que é a comunidade quilombola de Degredo, em Linhares. A escolha foi por uma entidade local para o trabalho, a Associação dos Pescadores e Extrativistas e Remanescentes de Quilombo de
DOC Regência reunirá filmes sobre o Rio Doce e Brumadinho
Na coluna: obras de artista capixaba no Louvre; mulheres no graffiti, Samba pras Moças; a Fantástica Realidade de Izar AUDIOVISUAL Inscrições abertas para o DOC Regência Entre 18 e 20 de novembro, a vila de Regência Augusta, na foz do Rio Doce em Linhares, norte do Estado, será palco de uma mostra audiovisual, a DOC Regência, de caráter não-competitivo, reunindo diversas obras que falam sobre o rio e também outra tragédia similar à que o acometeu, o crime de Brumadinho, em Minas Gerais. As inscrições de filmes estão abertas até dia 30 de outubro, por meio deste link. A mostra vem sendo realizada de forma colaborativa por Cia de Arte Regência Augusta, Interferências Filmes e Projetos, Centro Tamar, Prefeitura de Linhares, Escola da Terra Capixaba e jornal A Sirene. Catálogo vai reunir filmes feitos no Espírito Santo nas últimas décadas Outro convite para os produtores do audiovisual no Estado é para inscrição, até 30 de novembro, no Catálogo de Filmes Funcultura 2009-2020. Projeto aprovado pelo edital Setorial de Audiovisual do próprio Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), pela Interferência Filmes, pretende reunir as obras audiovisuais realizadas com recursos deste fundo desde o início de sua aplicação, em 2009. O objetivo é que o material sirva como referência para pesquisas, tanto para fins de estudo como para de mercado. A inscrição de obras para o catálogo deve ser feita por meio de formulário online. ARTES PLÁSTICAS Artista capixaba no Louvre Obras da artista plástica Liana Gonzales estarão expostas no Carrousel du Louvre Art Fair, que acontece no centro comercial anexo ao Museu do Louvre, em Paris, o mais famoso do planeta. Três de suas esculturas em papel machê que estavam em uma galeria na Finlândia estarão expostos, junto com obras de outros 14 artistas, entre os dias 21 e 23 de outubro. Liana é de Guarapari e falou um pouco sobre suas artes à TV do município. ELEIÇÕES Grito da Cultura realiza mobilizações em favor de Lula e Casagrande O movimento Grito da Cultura convoca artistas e produtores culturais para se unirem em ações em defesa das eleições de Lula (PT) e Renato Casagrande (PSB) para a presidência e governo do Estado, consideradas as melhores opções para o setor e para a sociedade pelo grupo. Além de panfletagens e ações culturais, o grupo também se mobiliza nas redes sociais, com chamados e sugestões de como abordar as pessoas e ganhar votos para os candidatos. EVENTO ‘É a sopa’ fortalece mulheres no graffiti No domingo dia 23 de outubro, a partir das 9h, a Rua Sete, uma das principais veias do coração da cidade de Vitória, recebe o evento É a Sopa, que tem como objetivo reunir artistas ligadas ao graffiti e fortalecer a cena feminina, unindo pintura e também muita música. Foram selecionadas quase 30 artistas urbanas para as pinturas, inspiradas nas ações “sopa de letras”, em que se privilegia as grafias por meio de estilos bombing e throw up. A atividade vai contar ainda com participação da DJ Negana e da cantora Mary Jane. A realização é da Rede de Mulheres Urbanas. MÚSICA Samba pras Moças no Clube de Pesca Em ação em prol do Outubro Rosa e pela valorização das mulheres no samba, acontece evento no dia 22 de outubro, às 16h, no Clube de Pesca, em Santo Antônio, Vitória. Estarão presentes o Samba Pras Moças, reunindo diversas mulheres sambistas, que convida também os grupos Cadê Maria, Já Gamei e DJ Dani B. Os ingressos podem ser comprados a partir de R$ 10, online ou nos espaços Bar do Rominho e Casa de Bamba, ambos no Centro de Vitória. No evento haverá arrecadação de absorventes para serem doados em parceria com a Associação Gold. Izar lança disco Fantástica Realidade Na última sexta-feira (14), o cantor e compositor Izar lançou nas redes Déjà vu do Futuro (assista abaixo), a sexta canção deste ano, que vai fazer parte de seu segundo disco, Fantástica Realidade, que virá ao mundo no dia 12 de novembro. O artista já lançou singles como Não Solte A Mão de Ninguém, Todo Mundo É Mais Famoso Que Eu e Impaciência, todos produzidos por Thiago Arruda e disponíveis em seu YouTube e plataformas de áudio e música.
Representatividade e desafios da esquerda no poder
Deputadas eleitas, Jackeline Rocha e Camila Valadão falam sobre a conjuntura e perspectivas para seus futuros mandatos Abrindo a série Entrevista do Século, convidamos duas mulheres negras e de esquerda, eleitas para representar o Espírito Santo nos legislativos. Jackeline Rocha (PT), como deputada federal, e Camila Valadão (Psol), deputada estadual. Quais as trajetórias destas mulheres e a importância da representatividade nos espaços de poder? Quais os desafios que devem enfrentar como deputadas e como se preparam para eles? O que está em jogo neste segundo turno para Governo e Presidência? Essas são algumas das questões que elas responderam. Inscreva-se já no canal Século Diário no YouTube para receber atualizações. Você poderá ouvir as entrevista também em podcast, em plataformas de áudio como Spotify e Google Podcast.