Com diversas participações especiais, o show é um lançamento oficial do disco do trio, divulgado em março deste ano Na próxima sexta-feira (26), o trio feminino Suindara subirá ao palco do Teatro Glória, às 19h30, no Centro de Vitória. Será o show de lançamento do disco do grupo, formado por Aline Maria, Relva Rodrigues e Laíssa Gamaro, da comunidade rural de Patrimônio da Penha, localizada na Serra do Caparaó Capixaba. O show traz no repertório canções de autoria das próprias integrantes e de compositoras brasileiras. Os ingressos estão à venda no site do Centro Cultural SESC Glória e na bilheteria do teatro. “É o show de lançamento oficial do disco. A gente quer levar para a capital essa energia da natureza, do Caparaó. É o resultado de um trabalho feito no decorrer do ano passado. Estamos preparando tudo com muito cainho”, diz Laissa. A apresentação parte da premissa de valorização da força feminina e da vida simples, conectada à natureza, trazendo no repertório canções de autoria das próprias integrantes e de compositoras brasileiras. Entre as participações confirmadas, destacam-se músicas e músicos que fizeram parte do disco, como Marcos Coco, grupo Moxuara; Lídia Soares; Jackson Pinheiro; Breno Brício; Bernardo Leitão; e o coro de crianças da comunidade de Patrimônio da Penha. Mari Garcia & Douglas Bonella Também subirão ao palco as cantoras Bruna Kethily, Elaine Vieira, Julia Nali, o músico Gessé Paixão e uma das matriarcas da comunidade, a compositora Valéria Rodrigues. O disco foi integralmente idealizado e produzido pelas integrantes em meio à mata atlântica, na comunidade onde vivem, e acaba de ser lançado em todas as plataformas digitais. O desejo do trio, por meio do trabalho lançado em março deste ano, segundo Aline Maria, “é ofertar ao planeta nossa gratidão e nosso profundo sentimento de amor pela natureza, e ao público, um respiro na mata, um mergulho nas águas puras e um momento de silêncio para ouvir a música que emana da floresta através da nossa canção e conectar-se com ela”, exalta Aline Maria, que integra o grupo junto com Laissa Gamaro e Relva Rodrigues. O som da Suindara vem carregada de essência, pois surge conectado com as vivências das artistas em Patrimônio da Penha, onde além da grande exuberância natural com florestas, rios e cachoeiras, encontra-se talvez uma das maiores concentrações de artistas e espaços para a cultura por metro quadrado no Espírito Santo, devido às tradições locais unidas ao fluxo de novos moradores, geralmente vindos de cidades metropolitanas cansadas do caos da urbe e em busca de novos ares. “O disco foi todo concebido a partir da nossa relação com esse lugar chamado Serra do Caparaó, nossa casa e abrigo de uma exuberante Mata Atlântica preservada”, observa a cantora. Relva foi criada desde criança no local, enquanto Aline e Laissa foram morar por lá há cerca de seis anos, aderindo a um novo ritmo e estilo de vida. “As canções tocam especialmente em questões do ser feminino, do ponto de vista social e espiritual, e convidam o público a uma reflexão sobre nosso lugar no mundo, a conexão com o sagrado e a natureza que habita em tudo e em todos”, explica Aline. Um disco sobretudo sobre amor, em seu conceito mais amplo, na relação com o todo e não apenas no engodo da estrita visão romântica que domina o mercado da indústria cultural de massas. A Suindara surgiu em 2019 para o Festival Holístico das Artes Cósmicas. Entre as influências musicais do grupo estão mulheres compositoras e instrumentistas como os grupos paulistas Clarianas e Obinrin Trio, o duo Perota Chingó, em que se somam a voz uma argentina e uma uruguaia, e a dupla Luli e Lucina, que teve maior sucesso na década de 1970. Também lembram das músicas de cura da cantora Danit Treubig e da poética de Dércio Marques, defensor da natureza e da cultura popular do Brasil. O canto feminino e coletivo da Suindara – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cultura/o-canto-feminino-e-coletivo-da-suindara
Setores da esquerda buscam saída para barrar Magno ao Senado
Ex-senador tem trajetória conturbada: já foi aliado dos governos petistas, passou por Temer, e agora está com Bolsonaro Jefferson Rudy/Ag.Senado “O jeito é votar na Rose [de Freitas, MDB] para impedir a vitória da extrema direita evangélica”; “Gilbertinho [Gilberto Campos, Psol], Rose nunca, e vou fazer campanha para ele”. As duas frases traduzem a visão de setores da esquerda relacionada à disputa da única vaga no Senado nas eleições de outubro. Todos buscam um fator capaz de impedir o avanço do ex-senador Magno Malta (PL), representante da extrema direita e do bolsonarismo no Espírito Santo. Magno Malta aparece com 29% na pesquisa Ipec/Rede Gazeta, menção estimulada, divulgada nessa quarta-feira (17), sete à frente da atual ocupante da vaga, Rose de Freitas, com 22%, com uma diferença de 27 pontos em comparação com os 2% pontuados por Gilbertinho Campos. Mesmo assim, sem um nome de peso na disputa deste ano, e a pouco mais de 40 dias da votação de 2 de outubro, militantes da esquerda apostam na busca de outra opção. O argumento é que, apesar do tempo reduzido de campanha, o cenário revelado na pesquisa é suficiente para trabalhar os eleitores que pretendem votar em branco ou nulo – 17% – e os indecisos, que marcaram 18%. Na pesquisa espontânea, o índice é muito mais alto: 72% não sabem ou preferiram não opinar, e 12% indicaram votar em branco ou nulo. Outro fator apontado como desfavorável a Magno Malta é a rejeição ao seu nome manifestada por setores progressistas de igrejas evangélicas, que, embora sejam minoria, reúnem melhores condições de convencimento e estão empenhados em derrotar o maior aliado do ex-senador, o presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa articulação leva em conta a desastrada gestão no plano federal, com perda de soberania, carestia desenfreada, denúncias de corrupção e ameaça de golpe de estado, além do discurso de ódio disseminado muitas vezes por meio de fake news de cunho religioso, com notícias falsas sobre ameaça comunista e demonização das religiões de matriz africana. São mensagens que encontram terreno fértil em Magno Malta. Em junho deste ano, o ex-senador foi, inclusive, alvo de uma ação penal impetrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, por calúnia e difamação. A subida de Magno Malta na atual pesquisa é decorrente, em parte, à saída da disputa do ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli (Republicanos), em consequência de manobra do deputado estadual Erick Musso, que tomou o seu lugar na chapa do partido, depois de desistir de concorrer ao governo do Estado. Levantamento realizado no início de maio, também pelo Ipec/Rede Gazeta, mostrava que, enquanto Erick Musso patinava na candidatura ao governo, Magno tinha 23%, Meneguelli 17% e Rose 15%. No final do mesmo mês, a pesquisa Real Time Big Data, encomendada pela Record TV, já apontava Meneguelli com 22%, à frente dos 20% de Magno Malta, e dos 16% de Rose. Fidelidade e maus-tratos O ex-senador, atualmente um dos mais próximos aliados de Bolsonaro, tem uma trajetória política contraditória. Já foi apoiador do então presidente Lula, que, na época, fez um decreto criando o dia da Marcha para Jesus e outro garantindo a liberdade religiosa no país, e também da presidenta Dilma Rousseff, passando-se depois para o lado de Michel Temer (MDB). Em ambos os casos, ocorreram distorções. A Marcha para Jesus virou palco de campanhas eleitorais de Bolsonaro e seus seguidores, incluindo pastores e cantores como magno Malta; e o decreto do ex-presidente garantindo a liberdade religiosa ganhou o esquecimento, sendo substituído por notícias falsas dando conta de que, se eleito, Lula fechará as igrejas evangélicas. Essa fake news é disseminada por meio de mensagens em igrejas e até a mulher do presidente, Michele Bolsonaro, iniciou uma cruzada demonizando adversários do marido. Essa marca na trajetória de Magno Malta ficou mais forte nas eleições de 2018, quando ele foi derrotado na tentativa de reeleger-se. Nesse mesmo ano, foi alvo de denúncia publicada em Século Diário, com exclusividade. “Com o objetivo de ganhar os holofotes da mídia na véspera de disputar a reeleição para o Senado, em 2010, o senador Magno Malta (PR) é acusado de usar uma menina de dois anos e seus pais. O pai respondeu por estupro à criança e a mãe por ter sido conivente com o fato”, informava o texto jornalístico. Em seguida, acrescentava: “O senador colocou o caso na mídia do Estado e do país na época, ganhando espaço até na imprensa internacional, legitimando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, rebatizada de CPI dos Maus-Tratos, da qual ainda é presidente. Seu alvo principal foi o então cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima, à época com 35 anos, acusado de ter violentado a própria filha, então com dois anos. O acusado passou nove meses preso, até ser declarado inocente pela Justiça”. “Luiz Alves de Lima relata que, na época, foi torturado fisicamente nas dependências do Centro de Detenção Provisória de Cariacica (CPDC), até quase ser morto. Dentre as práticas de tortura a que foi submetido no local, aponta asfixia com sacola na cabeça; choques elétricos, principalmente no órgão genital; e surras”. Luiz reside em Vitória e, procurado nesta quinta-feira (18), não atendeu a ligação nem retornou, até o fechamento desta matéria. Acusado de abuso por CPI da Pedofilia denuncia senador Magno Malta – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/acusado-de-abuso-por-cpi-da-pedofilia-denuncia-senador-magno-malta
2018 sem fim
Coronel, capitã, cabo…militares continuam por toda parte nas eleições do Espírito Santo e do País Redes sociais Apesar da “onda Bolsonaro” não vir com a mesma força das eleições majoritárias e proporcionais passadas, alguns elementos que a complementam seguem em alta este ano. É o caso das candidaturas de militares, que, na maioria dos casos, têm nomes de urnas identificados com patentes. Levantamento da Agência Pública aponta que, no País, o número na disputa de outubro é ainda maior do que quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República, e, junto, representantes de PMs e bombeiros nos legislativos, somando mais de 70. Há quatro anos, eram 1.186 candidatos, desta vez, 1.520. Isso sem falar das demais categorias que representam as forças de Segurança, como a Polícia Civil, e os candidatos que não se identificam diretamente com a área. No Espírito Santo, também se vê por toda parte, nos registros da Justiça Eleitoral, o mesmo cenário. Nas disputas majoritárias, há tais presenças tanto no páreo ao governo quanto de vice e Senado, mas o “grosso”, mesmo, está nos quadros da Câmara Federal e Assembleia Legislativa, 10 e 22 (somente com patentes no registro), respectivamente, entre políticos já conhecidos, outros menos, e alguns…nada! Não por coincidência, os maiores blocos são de partidos ligados ao presidente e à direita, como o próprio PL, Patriota, PTB e DC. Além dos candidatos à reeleição dessa origem, como os deputados estaduais Capitão Assumção e Delegado Danilo Bahiense, ambos do PL, tem gente que mal entrou na política e já quer mudar cadeira, como a vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane (Republicanos), outro que nem bem tentou estrear e foi vetado ao Senado, precisando descer para a Câmara, o Coronel Ramalho (Pode), e ainda cabos, como o ex-vereador de Viana, Cabo Max, que vem buscando, nos últimos anos, outras posições políticas – tentativa mais recente foi a prefeitura em 2020 -, ainda sem êxito. Na esteira das bandeiras de Bolsonaro, apesar de alguns (poucos!) ocuparem o espaço de oposição, chegaram à Assembleia, em 2018, quatro parlamentares, na Câmara, um, e no Senado, dois! E agora, essa meta será batida? MarcasNa Assembleia, foram eleitos Assumção, Bahiense, o delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), atual prefeito de Vitória, e o coronel Alexandre Quintino (União). Na Câmara, Da Vitória (PP), policial militar; e, no Senado, Marcos do Val (Pode), o “cara da Swat”, e o também delegado Fabiano Contarato (PT). Lado opostoQuintino logo firmou aliança com o governador Renato Casagrande (PSB) e atua descolado dos bolsonaristas. O deputado, aliás, embora atue na sua área, não usa a patente coronel no registro de urna, assim como Da Vitória, Marcos do Val e Contarato. O senador, campeão de votos, é apontado pelos apoiadores do presidente como “sua maior decepção política”, afinal, se firmou como um dos principais nomes da oposição e ainda se filiou ao PT. FederalEste ano, tentarão ocupar cadeiras com a mesma marca na Câmara Federal, além de Capitã Estéfane e o Coronel Ramalho; o Coronel Risperi e o Major Wallace, ambos do Patriotas; Cabo Bonadiman, Delegada Rosemary, e Gilvan o Federal da Direita, do PL; Soldado Hinte (PSC); Tenente Assis (PTB); e Coronel Wagner dos Bombeiros (Republicanos). JuntosDois são ligados ao movimento bolsonarista “raiz”, da dupla Carlos Manato e Magno Malta (PL): o vereador de Vitória, Gilvan, conhecido por vários ataques proferidos do plenário da Câmara, por isso, alvo também de ações judiciais, e o Tenente Assis, que chegou a ser cotado para vice de Manato, e disputou a Prefeitura de Cariacica, em 2020. PTB e PL caminham juntos no pleito. Outras bandasO Coronel Wagner também disputou a eleição municipal em Vila Velha. Ele coordenou o Projeto Político Militar (PPM) do Espírito Santo e apareceu, na época, como apadrinhado por Marcos do Val, mas depois caiu nos braços de Magno Malta, filiando-se ao PL. Hoje no partido Republicanos, não é considerado parte desse movimento puxado por Manato-Magno. Estadual Na Assembleia, fora os já citados Assumção, Bahiense e Max, utilizam os emblemas da segurança: Capitão Natael Lima, Sargento Evandro Greggio, Sargento Heeley e o Suboficial Alciclei Dutra, do DC; Major Miranda (Patri); Capitão Harderson Braga (PL); Sargento do Carmo e Sargento Vicente (Pode); Coronel Foresti (PP); e Tenente Urubatan Rabello (PSD)… Estadual II…Cabo Dulcineia, Cabo Eugênio, Coronel Weliton e Policial Otaviano Campagnaro, do PTB; Delegada Gracimeri e Delegado Piquet, do Republicanos; Soldado Olmir Castiglioni (SD); e Cabo Fonseca e Coronel Rogério, do União. Testados nas urnasDo bloco, a Delegada Gracimeri disputou a Prefeitura da Serra em 2020, pelo PSC; e o Delegado Piquet é vereador de Vitória, eleito no mesmo ano, assim como o Soldado Olmir Castiglioni em Colatina. Na mira de PHJá Coronel Foresti foi um dos militares acusados de inflar a greve de 2017, inocentado pela Justiça no ano passado. O Coronel Rogério, que dirigiu a Associação dos Oficiais Militares Estaduais (Assomes), também foi alvo de inquérito na gestão de Paulo Hartung, acusado de criticar a gestão estadual em entrevistas e artigos publicados na imprensa. MajoritáriasTem patente ainda na disputa ao governo, com Capitão Sousa (PSTU), mas com bandeiras totalmente antagônicas do movimento bolsonarista; a Tenente Andresa, como vice da chapa de Audifax Barcelos (Rede); e o Coronel Lugato (DC), no Senado. Nas redes“Assinei a carta-compromisso com a Articulação Nacional da Agroecologia (ANA) para o fortalecimento da agricultura familiar camponesa, dos povos e comunidades tradicionais e da agroecologia. Estou empenhado em ampliar o debate e trazer mais a pauta da agroecologia para a Câmara dos Deputados e ampliar as Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) no Espírito Santo”. Helder Salomão, deputado federal pelo PT. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Candidatos ao governo mantêm poluição do ar à margem da pauta ambiental
Entre os três últimos a publicarem suas propostas de governo, dois mencionam o problema, de forma superficial Leonardo Sá O pó preto e outros poluentes atmosféricos, emitidos majoritariamente pelas gigantes Vale e ArcelorMittal, que deterioram a qualidade do ar e a saúde da população da Grande Vitória, tendem a continuar invisíveis para o próximo governador eleito no Espírito Santo. Dos três últimos candidatos a divulgarem suas propostas no site DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Carlos Manato (PL), Audifax Barcelos (Rede) e Guerino Zanon (PSD) -, dois mencionam o problema, mas também de forma superficial. Audifax propõe, sucintamente, providenciar a “melhoria da qualidade do ar e parcerias visando a otimização da fiscalização de emissão de poluentes”. Guerino diz que irá “conter, reduzir e reverter a degradação e poluição ambiental do ar, dos rios, lagoas e do litoral”. Já no plano de Manato, sequer consta a palavra “poluição”. O ex-deputado federal, segundo lugar nas pesquisas, mas distante ainda do governador Renato Casagrande (PSB), define seu programa ambiental com base em “cinco pilares: desburocratizar, descentralizar, pertencer, fomentar e reservar”. A maior parte dos tópicos se refere a modificar aspectos legais, administrativos, burocráticos e técnicos do sistema ambiental, de forma a acelerar os processos de licenciamento. Para além do tema “desburocratizar”, cita a promoção de “mecanismos de desoneração e compensação para pessoas físicas e jurídicas que desenvolvam boas práticas ambientais, tanto no meio rural como urbano”, o incentivo ao “cultivo de palmeiras (juçara e pupunha) de grande potencial para a sociobiodiversidade do Espírito Santo” e ao “uso de áreas abandonadas e marginalizadas para atividades de recreação, lazer e cultura e hortas comunitárias geridas pelas associações locais”, e “inserir o tema educação ambiental na matriz curricular da Secretaria de Estado da Educação – Sedu, no ensino fundamental”. Por outro lado, também pontua “inserir o conceito de economia circular com indicação de florestas plantadas para fins comerciais e manejo sustentável”, proposta que disfarça a intenção de manter o campo aberto para a contínua expansão dos monocultivos de eucalipto da Suzano (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose), ao abrir o tópico com o desejado “conceito de economia circular”. Povos tradicionais O alinhamento com o agronegócio é explícito principalmente nas páginas dedicadas à Agricultura, onde o título é “O Agro Sustentável”. Em meio às pautas costumeiras do setor de latifúndio voltado à exportação de commodities, surpreendentemente, há espaço para tópicos como “Fortalecer a Agricultura Familiar, com incentivos à inclusão da mulher, das comunidades tradicionais e de quilombolas”, e “Incentivar a adoção de sistemas de produção orgânicos e agroecológicos”. O tema “comunidades tradicionais” também aparece no programa de Audifax, ao mencionar a “Defesa e proteção dos povos indígenas e ribeirinhos do Espírito Santo”. O ex-prefeito da Serra também surpreende positivamente ao propor a “reestruturação e fortalecimento do Iema (Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e da Seama (Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos)”, citar a necessidade de concurso público para os dois órgãos, bem como “combater o sucateamento pelo atual governo do Estado no Incaper – Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, para que o instituto possa dar o devido apoio técnico aos agricultores capixabas”. O “zoneamento agroecológico e agrário” também é uma singularidade do candidato da Rede, bem como a única citação, entre os sete concorrentes ao Palácio Anchieta, à intenção de “desenvolver Programa de Educação Ambiental com Ênfase em Resíduos Sólidos e Hídricos”. No mais, compartilha com boa parte dos demais pautas como ampliação do saneamento básico, recuperação de recursos hídricos e aumento da cobertura florestal, com “ampliação do Programa Reflorestar”, e “reformar e agilizar o licenciamento ambiental estadual”. Mais monocultivo O ex-prefeito de Linhares traz sete tópicos em seu capítulo de Meio Ambiente, sendo o primeiro, “tornar o Espírito Santo líder em desenvolvimento sustentável no Brasil”. Os demais não trazem surpresas, abordando necessidade de adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas, universalização da coleta e tratamento de esgoto, ampliar a reciclagem e destinação adequada de resíduos sólidos. O deserto verde também marca posição, como o sexto tópico: “Aumentar a cobertura florestal do Estado, combinando manutenção de florestas naturais e expansão das florestas plantadas”. E, por último, um último tópico aparentemente semelhante à desburocratização de Manato e que também surge com outros termos na maioria dos candidatos, que é “melhorar a qualidade, a resolutividade e a eficiência da regulação ambiental estadual”. O meio ambiente nos planos de governo dos candidatos ao Palácio Anchieta Apenas três dos sete candidatos têm programas mais robustos e um único inclui povos e comunidades tradicionais https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/o-meio-ambiente-nas-propostas-de-governo-dos-candidatos-ao-palacio-anchieta
Camila Valadão ocupa primeiro lugar em financiamento coletivo
“Não dependemos do dinheiro de grandes empresas, não comprometemos nossos ideais”, defende vereadora A vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol), candidata a deputada estadual nas eleições de outubro, é a que mais arrecada no Espírito Santo e ocupa a 27ª posição, no Brasil, na relação dos que mais conseguem recursos com financiamento coletivo de campanha. Os dados são do portal DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e referentes às candidaturas que já prestaram contas. A plataforma de financiamento coletivo da candidata, lançada no dia 15 de maio, atingiu a marca de 57% do valor total da meta estipulada, angariando até o momento R$ 8,6 mil em doações. “Ser a que mais vem recebendo doações com financiamento coletivo diz muito sobre de onde nós partimos e onde queremos chegar. Nossa campanha é coletiva e conta com o apoio e solidariedade dos que acreditam nas nossas lutas e propostas para uma virada política no Estado”, comenta Camila Valadão. Segundo ela, desde sua primeira disputa eleitoral, em 2014, antes mesmo das plataformas virtuais, já buscava recursos nessa “lógica coletiva, transparente e ética”. Ao concorrer pela primeira vez ao cargo de deputada estadual, em 2018, a vereadora informa que realizou a maior campanha do Estado em angariar recursos e contribuições voluntárias. Aquele ano foi, também, a estreia desse mecanismo permitido pela Justiça Eleitoral. Em 2020, novamente Camila Valadão usou essa mesma estratégia para custear os gastos na corrida para Câmara de Vitória, sendo eleita. “O financiamento coletivo é uma forma benéfica de possibilitar nossa entrada nas disputas políticas. É uma estratégia de nos colocar em pé de igualdade, ou o mais perto disso, nessa corrida. Não dependemos do dinheiro de grandes empresas, não comprometemos nossos ideais”, avalia. Candidatura considerada prioritária pelo Psol, Camila tem um mandato bem avaliado e desenvolve a campanha distanciada do candidato ao governo do Estado pela federação com a Rede, Audifax Barcelos, de centro-direita. Nas redes sociais, ela afirma: “Nossa caminhada até a Assembleia Legislativa tá sendo construída com quem anda do nosso lado e acredita na força da coletividade. #NadaSemNós é resistência nesse cenário em que as engrenagens do poder econômico favorecem os de sempre: os caras brancos e engravatados”.
Lideranças exigem diálogo do novo coordenador de Saúde Indígena
Indicação política foi feita sem diálogo com as comunidades. Paulo Tupinikim alerta que governo federal já cortou 50% da verba do setor As lideranças indígenas do Espírito Santo e Minas Gerais estão mobilizadas em repúdio à troca do coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Minas Gerais e Espírito Santo (DSEI MG-ES), feita sem qualquer diálogo com as comunidades, rompendo uma tradição que havia antes da gestão de Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República. O novo coordenador, Gabriel Ribeiro Santos, foi encaminhado ao cargo pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Fórum de Presidentes, atendendo à indicação política feita pelo deputado federal Euclydes Marcos Pettersen Neto (PSC-MG). Sua apresentação à DSEI aconteceu nessa quarta-feira (17), data em que a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) publicou uma nota de repúdio à manobra, considerada explicitamente eleitoreira. O texto critica ainda que sequer foram informados os motivos da substituição, contrariando frontalmente o controle social, que caracterizava a gestão da DSEI antes do atual governo federal, marcada sempre pela “escuta dos povos indígenas em todas as ações de atendimento e prestação de saúde as comunidades indígenas”. A medida também “desrespeita preceitos legais infraconstitucionais e internacionais como o art. 6º da Convenção 169 da Organização do Trabalho, que versa justamente sobre consulta aos povos interessados e mediantes a procedimentos apropriados, inclusive sobre medidas administrativas que venham a afetar esses povos”, ressalta a nota. “A gente entende que a indicação da coordenação é uma prerrogativa da gestão da Sesai, mas existe um controle social que foi desrespeitado. Nossa revolta é porque a indicação é de um deputado de Minas que não tem relação nenhuma conosco, com os povos indígenas. E já é a segunda indicação dele, que atenta contra a saúde e a vida das populações indígenas”, expõe Alexandre Pataxó, coordenador da Apoinme. “O deputado quer fazer do DSEI o segundo gabinete dele. Não queremos politizar a nossa saúde”, ressalta. Coordenador-geral da Apoinme e liderança na da Aldeia Caieiras Velha, em Aracruz, norte do Espírito Santo, Paulo Tupinikim explica que a princípio a mobilização das lideranças não objetiva retirar o novo coordenador, mas “chamar para um diálogo”. Cortes de orçamento Nesta quinta-feira (18), diversas lideranças capixabas e mineiras chegam em Governador Valadares na expectativa de conversar com Gabriel Ribeiro, para expor as prioridades do setor e exigir respeito aos funcionários da DSEI, aos processos seletivos realizados, e escuta das necessidades das comunidades atendidas pelo Distrito. “Não vamos aceitar que mexa na estrutura do Distrito. Sabemos que no período de eleições fazem essas jogadas para ganhar votos, de trocas de cargos e funções. A intenção desse governo é mexer nos setores e colocar os indicados deles para troca de favores. Vamos deixar claro para ele que não vamos permitir isso”, reforça Paulo. “Nós sofremos recentemente por conta daquele projeto de lei kamikaze, que destina recursos para os deputados fazerem campanha eleitoral. Estamos sofrendo cortes de 50% da verba para a saúde indígena. Material médico hospitalar solicitado a Brasília, medicamentos…foi tudo cortado pela metade. E isso tem reflexo negativo na ponta do atendimento. Além disso, vários processos encaminhados para Brasília, que estavam em vias de aprovação e ainda não foram autorizados, não saíram do papel”, complementa. Numa espécie de operação de redução de danos, Paulo explica que as lideranças esperam ao menos conseguir que o novo coordenador não piore ainda mais as coisas. “Sabemos também que esse coordenador não deve ficar muito tempo. Como é indicação política, conforme for o cenário nacional, ele pode sair logo, em janeiro deve deixar o cargo. Temos conhecimento de que nesses poucos meses até o final do ano, ele não vai resolver os problemas, mas precisamos ao menos não sofrer mais cortes e ter mais problemas”, explica. Médica denuncia serviço de saúde indígena no Estado: ‘não é humano’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/medica-denuncia-servico-de-saude-indigena-no-estado-nao-e-humano Descentralização da Saúde Indígena em Aracruz será levada ao governo federal – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/descentralizacao-da-saude-indigena-em-aracruz-sera-levada-ao-ministerio-da-saude
OAB vai suspender notificação que proíbe assessoria jurídica nos sindicatos
Compromisso foi firmado por José Carlos Rizk Filho em reunião com as centrais sindicais O impasse entre as entidades sindicais e a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES), que registrou repercussão local e nacional na última semana, teve um desfecho nesta quarta-feira (17). As centrais se reuniram com o presidente da entidade, José Carlos Rizk Filho, que se comprometeu a suspender as notificações feitas no intuito de impedir a prestação de serviço de assessoria jurídica para os trabalhadores.A presidente da Central Única dos Trabalhadores no Espírito Santo (CUT-ES), Clemilde Cortes, afirma que o presidente da OAB-ES “se desculpou pelo ocorrido e disse que se tratou de uma confusão interna”. Ela classifica a reunião como positiva. “A gente não podia deixar de se posicionar. Vivemos um momento sombrio, no qual os trabalhadores estão sendo prejudicados. Não podemos permitir mais nenhum tipo de perda e de descredibilização das entidades sindicais”, ressalta. Clemilde destaca que as entidades sindicais confiam nas instituições, como a própria OAB, mas que o ocorrido não poderia “passar batido”. A notificação da Ordem foi enviada para os sindicatos da Indústria da Construção Civil; dos Servidores e Funcionários Ativos e Inativos da Câmara e Prefeitura de Vila Velha; dos Petroleiros; dos Comerciários, além da Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar; do Corpo de Bombeiros Militar; e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires). Também foram notificadas associações empresariais: a Associação Capixaba das Empresas de Vistoria de Veículos (Acevive) e a Associação Comercial e Empresarial do Espírito Santo. No documento, a Comissão da OAB, comandada pelos advogados Bruno Milhorato Barbosa e Baltazar Moreira Bittencourt, com autorização de José Carlos Rizk Filho, pede que a entidade notificada “(…) se abstenha de divulgar e praticar ato privativo da advocacia, direta ou indiretamente, por si e/ou terceiros, retirando tais atividades de seus materiais publicitários, sites, termos de afiliação/associação, não retenha honorários advocatícios, nem indique advogados ‘parceiros’ a seus afiliados, bem como que realize alteração em seu estatuto excluindo qualquer menção de serviços privativos da advocacia”. A entidade também divulgou posts em suas redes sociais, nos quais se posicionou contrária ao serviço de assessoria jurídica nos sindicatos. Na ocasião das notificações, a CUT-ES, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, Nova Central e CSP Conlutas afirmaram ser “inacreditável que a Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Espírito Santo, que até outro dia era incansável defensora dos valores constitucionais, desconheça os dispositivos acima citados! Desta forma, deixa o repúdio à tentativa de calar a voz dos únicos legítimos representantes dos trabalhadores! Fazendo este destaque, porque o post foi discriminatório contra as entidades representativas de categorias profissionais, não fazendo qualquer menção às representações econômicas”. A OAB nacional também se pronunciou por meio de um documento que teve como base nas postagens da Seccional Espírito Santo nas redes sociais acerca do assunto. Em uma delas, a Ordem afirma que sindicato não pode contratar advogado ou sociedade de advogados, pois o artigo 4º da OAB diz que “é defeso ao advogado prestar serviços de assessoria e consultoria jurídicas para terceiros, em sociedades que não possam ser registradas na OAB”. A OAB nacional sugere que o texto seja modificado para “a atuação dos advogados dos departamentos jurídicos dos sindicatos, sejam prestadores de serviços autônomos ou com vínculo empregatício, deve se restringir aos interesses coletivos ou individuais da categoria profissional, nos termos do inciso III, do artigo 8º da Constituição Federal”. A Federação Nacional dos Servidores dos Poderes Legislativos Federal, Estaduais e do Distrito Federal (Fenale) também reagiu à iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES). Em nota de repúdio, a entidade aponta que “a atitude é um ataque aos preceitos do estado democrático de direito”. A Fenale destacou que a função assistencial dos sindicatos está prevista na Constituição Federal, e salientou que o Capítulo II, que trata dos Direitos Sociais, traz em seu atigo 8º que “é livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: (…) III – ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no artigo 513, conforme acrescentou a entidade, prevê que são prerrogativas dos sindicatos “representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou interesses individuais dos associados relativos à atividade ou profissão exercida”. A Fenale finalizou dizendo que é “flagrante o desprezo às garantias sociais e ao direito à defesa dos trabalhadores, perpetrado pela OAB-ES, que afrontado sua própria função social, ao invés de somar forças na proteção da parte hipossuficiente da relação trabalhista – o trabalhador – apresenta este ataque imensurável”. Além disso, afirma que a Federação “não poderia calar-se diante desta desmedida agressão à democracia e aos direitos das trabalhadoras e trabalhadores em geral”. ‘OAB-ES ataca os preceitos do estado democrático de direito’, repudia Fenale Federação de Servidores reage à tentativa da Ordem, dirigida por José Carlos Rizk Filho, de impedir assessoria jurídica por sindicatos https://www.seculodiario.com.br/justica/para-federacao-oab-es-ataca-os-preceitos-do-estado-democratico-de-direito OAB nacional defende prestação de assessoria jurídica por sindicatos Entidade se posicionou após tentativa da seccional capixaba da Ordem dos Advogados de impedir esse tipo de serviço https://www.seculodiario.com.br/justica/oab-nacional-defende-prestacao-de-assessoria-juridica-pelos-sindicatos OAB-ES quer fim da assessoria jurídica para trabalhadores em sindicatos – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/oab-es-quer-fim-da-assessoria-juridica-para-trabalhadores-em-sindicatos
Diversidade religiosa nas urnas do Espírito Santo
Pessoas de diferentes credos disputam as eleições no Espírito Santo. Vinte e quatro delas usam títulos religiosos na urna O Espírito Santo, nas eleições deste ano, conta com 24 candidatos que usam títulos religiosos na urna, como os de pastor, pastora, missionário, bispo e evangelista. Há ainda aqueles que têm religião, sem um título específico, ou até mesmo atuam como sacerdote, mas preferiram não inserir essas informações. O número de religiosos no pleito, portanto, é ainda maior, o que não é de se estranhar, em um país com diversidade religiosa como o Brasil. Contudo, diversidade não é sinônimo de respeito e tolerância. Por saber bem disso, Mãe Yara (PSDB), sacerdotisa de Umbanda, decidiu se candidatar, considerando a falta de representatividade das religiões de matriz africana. “Tem políticos que até nos recebem bem para discutir política pública, mas vemos crescimento dos evangélicos na política e, muitos deles, não querem tratar disso com a gente, motivados pelo racismo religioso”, afirma. Divulgação Mãe Yara explica que as religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, e qualquer outra religião, não podem ser alvo de política pública, pois o Estado é laico. Entretanto, essas crenças compõem as comunidades tradicionais, podendo, em virtude disso, haver políticas voltadas para esse foco. Uma de suas propostas como candidata a deputada estadual é o apoio às comunidades tradicionais, não somente as de religiões de matriz africana, mas também as demais existentes em solo capixaba, como ciganos, pescadores, marisqueiros e pomeranos. A sacerdotisa relata que as dificuldades impostas a sua fé acontecem, inclusive, nos procedimentos burocráticos relativos ao processo eleitoral. De acordo com ela, uma das orientações dadas aos candidatos para a foto da urna é de que não usem acessórios. Isso fez com que tivesse que abrir não de suas guias e de seu turbante, a descaracterizando como mãe de santo. Não há nenhum candidato registrado com o título religioso de padre. Na Igreja Católica, os sacerdotes não são proibidos de se candidatar, mas a orientação é de que não o façam. Apesar disso, o Espírito Santo já contou com padres candidatos e até mesmo eleitos, como padre Honório (PT), que foi deputado estadual. A orientação está expressa em alguns documentos, como a encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, que diz que é reservado aos leigos esse tipo de ação. É com base nisso, informa o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Maurício Abdalla (PT), que ele é candidato a deputado estadual. Maurício relata ainda que sua candidatura também tem como base a Doutrina Social da Igreja (DSI). Redes sociais “Minha candidatura vem em função daquilo que sempre trabalhei. Meu despertar para a política veio dentro da Igreja, desde quando estava no seminário. Quero defender uma sociedade justa, que foi o que aprendi dentro da Igreja”, diz o candidato, que é membro da Rede Nacional de Assessores do Centro de Fé e Política Dom Helder Câmara, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e coordenador pedagógico da Escola de Fé e Política da Arquidiocese de Vitória. A professora Thayane Oliveira, que é evangélica da Igreja Batista, faz parte de uma candidatura coletiva composta por cinco mulheres, registrada em nome da empreendedora Fernanda Pereira (PSB) e que tem como foco a Câmara Federal. Thayane acredita que, independentemente da religião, a meta dos candidatos tem que ser “a questão social e humana” e que “o amor ao próximo é a base do respeito à escolha que o outro fez para si, inclusive na fé”. Divulgação O mandato coletivo conta, inclusive, com uma mãe de santo, a Karla Regynna, da Serra. “Ela está ali não somente pela questão da diversidade, mas também por ser uma pessoa que através da fé dela realiza um importante trabalho social, um trabalho de caridade, que não deixa de ser política”, afirma. Thayane relata que uma das coisas que a fez ingressar na candidatura coletiva foi a baixa participação das mulheres na política. Cenário Dos 24 candidatos do Espírito Santo que usam títulos religiosos na urna, 17 utilizam o de pastor, um o de bispo, dois de pastora, dois de missionário e dois de evangelista. No que diz respeito aos partidos, eles são considerados de direita, menos a Rede. As siglas são DC (3), Republicanos (2), PRTB (1), Solidariedade (1) PMB (1), PL (2), PSDB (3), MDB (1), Patriota (1), Rede (1), PRTB (1), Agir (3), PSC (3), e União (2). De acordo com levantamento da Agência Pública, no Brasil há ao menos 640 candidatos com títulos religiosos nas urnas. A maioria dos nomes com títulos religiosos utilizam termos cristãos. O destaque é dos evangélicos. Somente pastores são 393. Há ainda 81 pastoras candidatas. Também aparecem bispos e bispas (53), missionários e missionárias (53), reverendos (2), apóstolos (4), padres (13), pais e mães de santo (27). Comuns no meio cristão, os termos ‘irmão’ e ‘irmã’ são usados por 150 postulantes. Os partidos que concentram maior quantidade de candidatos que usam nomes ligados à religião são PTB (49), PSC (44), Republicanos (44), DC (40), Patriota (38) e PL (37). ‘A política só tem sentido na ótica do bem comum’ Presbítero Nilton Emmercick e o professor Maurício Abdalla afirmam que eventos da Marcha para Jesus https://www.seculodiario.com.br/politica/a-politica-so-tem-sentido-na-otica-do-bem-comum
Redes sociais e bandeiraços marcam primeiros dias de campanha
Militância do PT ocupou parte da Reta da Penha, enquanto Manato realizou ação na região da Praça dos Namorados Visitas a comunidades e instituições, manifestações de rua e intenso uso das redes sociais marcam os primeiros dias da campanha eleitoral dos sete candidatos ao governo e dos nove inscritos para o Senado, além de 192 para a Câmara Federal e 507 que concorrem à Assembleia Legislativa. Os números são da Justiça Eleitoral, que nesta quarta-feira (17), já apresentou o registro do candidato do PSD ao Palácio Anchieta, Guerino Zanon, com as correções nas certidões negativas do Poder Judiciário. Nessa terça-feira (16), primeiro dia de campanha, a arrancada foi dada, em Vitória, pela militância do PT, que no final da tarde encheu a Reta da Penha, uma das mais movimentadas avenidas da cidade, com bandeiras, som e panfletagem, para divulgar, unicamente, a campanha presidencial de Lula. Não se falou em Renato Casagrande (PSB), do partido coligado com o PT, por conta de conflitos decorrentes da retirada de petistas na chapa do Senado. Redes sociais Já Carlos Manato (PL), que representa o bolsonarismo raiz no Espírito Santo, ocupou parte da região da Praça dos Namorados, na Praia do Canto, também no final da tarde, com carro de som, panfletagem com foco em pontos de seu plano de governo e citando o presidente Jair Bolsonaro, do seu partido. Entre as propostas, o corte de 20% no número de secretarias de Estado, da subsecretarias e dos cargos comissionados. Nesta quarta, ele manteve contatos com apoiadores e, nesta quinta (18), participa da feira livre da Praia do Canto. Redes Sociais O governador Renato Casagrande, candidato à reeleição, manteve o ritmo normal no primeiro dia de campanha, ausentando-se do Estado para participar da solenidade de posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, em Brasília. Para ele, o discurso do ministro foi uma “manifestação de confiança no governo brasileiro, em defesa das instituições”. Em sua fala, o novo presidente do TSE defendeu o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e a democracia. Nesta quarta-feira, Casagrande fez uma transmissão nas redes sociais, conversou com eleitores e os convidou a ajudar na campanha, anunciando ainda a proposta de criação de linhas de crédito para os beneficiados pelo programa QualificarES, que já atendeu 380 mil pessoas diferentes com formação profissional. Em seu primeiro dia oficial de campanha, Guerino Zanon, acompanhado do candidato a vice, Marcus Magalhães, do mesmo partido, foi recebido pela diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos), e destacou que o Estado precisa de políticas públicas diferentes para cada região. Nesta quinta, ele viaja a Iconha e Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, onde se encontra com representantes do setor de rochas ornamentais. Audifax Barcelos, candidato a governador da federação Rede-Psol, inaugura nesta quinta-feira (18), às 19h30, o comitê central de campanha no bairro Planalto de Carapina, na Serra, com um grande “adesivaço”, com a utilização de um trio elétrico para movimentar simpatizantes e apoiadores. Na ocasião, correligionários do candidato também preparam uma festa partidária para apresentação do clipe de lançamento do jingle de campanha. O candidato Capitão Sousa, do PSTU, manteve atividades de rua em Cachoeiro de Itapemirim e, nesta quinta-feira, participa de reunião com apoiadores em Vitória, juntamente com a candidata a vice, Soraia Chiabai, e ao Senado, Felipe Skiter.
Quantos são, onde e como vivem os quilombolas e indígenas no Brasil?
No Estado, levantamento prévio do IBGE identificou 87 localidades quilombolas e 18 indígenas Conaq O primeiro censo com identificação das comunidades quilombolas e indígenas do Brasil foi inaugurado oficialmente neste mês de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesta quarta-feira (17), foi lançado o Dia de Mobilização do Censo Quilombola e, no último dia 10, iniciada a Mobilização Indígena. As datas marcam a apresentação da metodologia da operação censitária nessas áreas e pretende mobilizar as lideranças a abrirem suas comunidades para que a populações quilombola e indígena respondam ao Censo 2022. A mobilização se explica porque essa primeira iniciativa conta com a parceria de diversos órgãos federais envolvidos na garantia de direitos desses dois povos tradicionais brasileiros, além da autorização e participação direta das próprias comunidades, em respeito à Convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho (OIT), que define a consulta livre, prévia e informada às comunidades, em todas as ações que as impactem diretamente. No Espírito Santo, o levantamento prévio feito pelo IBGE e parceiros identificou 87 localidades quilombolas em 28 municípios, sendo quase metade em Conceição da Barra e São Mateus, norte do Estado, no território tradicional conhecido como Sapê do Norte. Já as indígenas somaram 18 localidades, em quatro municípios. No caso dos quilombolas, especialmente, o número final tende a ser maior, como considera a principal entidade parceira do trabalho, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). “Nós trabalhamos com um número de 100 comunidades quilombolas no Espírito Santo”, afirma Arilson Venturam coordenador-executivo das Comunidades Quilombolas do Espírito Santo – Zacimba Gaba e Coordenador Nacional da Conaq. “Brigamos muito para fazer esse censo. Dialogamos com o IBGE desde os preparativos do Censo de 2020”, contextualiza. Das 100 estimadas pela entidade, metade já está certificada pela Fundação Cultural Palmares, órgão do governo federal responsável pelos primeiros passos no longo e burocrático caminho de titulação dos territórios quilombolas do país, processo que é finalizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A maior parte das certificadas, 32, também estão no Sapê do Norte. São cerca de quatro mil famílias nas comunidades certificadas, segundo a Conaq. A outra metade é formada por comunidades autodeclaradas, explica Arilson, ou seja, aguardam ainda a primeira ação formal para a titulação. Entre elas, estão Mocambos e Jacarandá, em Guarapari; São Mateus do Sul, em Anchieta; e Timbó e Vargem Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado – todas não pontuadas no levantamento prévio do IBGE. A planilha provisória elenca alguns nomes repetidos, pois considera três tipos de fontes de informação: Território quilombola oficialmente delimitado; Agrupamento quilombola; e Localidade quilombola identificada por registro administrativo (veja lista abaixo). “Quantos de fato somos? O censo vai nos aproximar mais dessa resposta. Porque até agora não temos dados oficiais, somente o que a Conaq conseguiu levantar. Isso é muito importante para definição de políticas públicas de saúde, educação cultura, e etc..”, afirma Arilson. A vacinação contra Covid-19, por exemplo, esbarrou nessa dificuldade de quantificar as doses necessárias. As ações previstas na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 742, impetrada em 2020, pedindo um plano emergencial de enfrentamento da pandemia nos quilombos, se baseou no Censo de 2010. “As cestas de alimentos, da ADPF 742, vão sair agora em 2022. Foi com base no Censo de 2010. Vai ser um problema nos territórios, porque a população quilombola cresceu”, aponta. “O IBGE vai realmente nos dar uma atualização dos dados muito importante, e dados oficiais”. O atual governo federal, ressalta o coordenador da Conaq, “tem promovido muitos retrocessos no acesso aos direitos das comunidades quilombolas, inclusive na própria Fundação Palmares, que paralisou os processos de certificação”. No Espírito Santo, prossegue, o cenário não é muito diferente. Renato Casagrande (PSB) foi o vice-governador e secretário de Agricultura que, em 1998, no governo de Vitor Buaiz (PT), assinou uma lei que determinava a titulação das terras devolutas identificadas como quilombolas. A Conaq solicitou uma reunião com Casagrande na atual gestão, conta Arilson, mas ainda não foi atendida. O único encontro com o governador, no Palácio Anchieta, explica, ocorreu por uma situação momentânea, que levou a uma reunião “a toque de caixa”, mas a titulação prevista na lei de 1998 não avançou. A Mesa de Resolução de Conflitos Fundiários, coordenada pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e seu GT Quilombola, também não tem trazido avanços, apesar de dois anos de funcionamento. “Não avança nada. Quando avança um pouco, retorna. Vai terminar a gestão e não tem resultado para o foco principal, que é titulação das terras para a nossa gente”. Localidades No levantamento prévio do IBGE, constam as seguintes localidades quilombolas no Espírito Santo: Santana, Angelim I, São Domingos, Córrego do Macuco, Angelim III, Linharinho, Morro da Onça, Roda d´Água, Cochi, Córrego do Sertão, Porto Grande, Córrego do Alexandre; Angelim II, Angelim III, Dona Guilhermina, Córrego Santa Izabel e Angelim Disa (Conceição da Barra); Beira Rio, Dilô Barbosa, Chiado, Nova Vista I e II, Córrego do Tapá, São Jorge, Palmitinho, Serraria e São Cristóvão, Mata Sede, Cacimba e São Domingos, Córrego Seco, Palmitinho, Angelim III, Divino Espírito Santo (São Mateus); Monte Alegre, Pedra Branca, Sítio dos Crioulos e Barro Branco (Cachoeiro de Itapemirim); Graúna (Itapemirim); Sítio dos Crioulos e Serteo (Jerônimo Monteiro); Boa Esperança (Presidente Kennedy); Pedra Branca (Vargem Alta); Córrego do Sapato (Brejetuba); Córrego do Sapato (Conceição do Castelo); Córrego Amarelo (Divino de São Lourenço); São Pedro (Fundão); Córrego Azul e Córrego Sossego (Guaçuí); Alto do Iguape (Guarapari); São Pedro (Ibiraçu); Monte Belo (Iconha); Terra Corrida (Iúna); Palmitinho (Jaguaré); São Pedro (João Neiva); Degredo (Linhares); Graúna, Boa Esperança, Santa Luzia (Marataízes); Meia Quarta, Terra Corrida, Córrego Rico (Muniz Freire); Andes, Sítio dos Crioulos, Fazenda Santa Joana (Muqui); Santa Luzia (Pedro Canário); Córrego do Sertão (Pinheiros); São Pedro (Santa Teresa); Araçatiba (Viana). Já o levantamento prévio indígena traz as seguintes localidades: Boa Esperança, Irajá, Três Palmeiras, Pau Brasil, Piraquê-açu, Caieiras Velha, Córrego do Ouro, Areal, Comboios, Novo Brasil, Olho d´Água, Amarelo (Aracruz); Chapada do A (Anchieta); Yaka Rexaka