Pedido de apoio estrutural da Prefeitura ao Manifesto LGBTQIA+, também feito na Ação, foi negado pela Justiça A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) deu entrada em uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de liminar em face da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV). Trata-se de um pedido de danos morais coletivos a favor da comunidade LGBTQIA+ e de retratação da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) com esse grupo. A iniciativa foi motivada após o ex-secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno, afirmar que a PMV não iria dar apoio para a 11ª edição do Manifesto LGBTQIA+, que acontecerá neste domingo (31). O valor pleiteado por meio da ACP é de R$ 250 mil, “a serem revertidos a fundo coletivo direcionado à tutela dos direitos das pessoas LGBTQIA+, de preferência, no âmbito do município de Vitória”. Gold Além do pagamento dessa quantia, defende-se que a gestão municipal deve “reconhecer publicamente a ilicitude de seu ato e se comprometer a garantir o tratamento isonômico à parcela da sociedade que, historicamente, é invisibilizada e agredida em seus direitos mínimos, de modo que fique claro, à população, a necessidade de se respeitar grupos minoritários, não havendo que se falar em análise de oportunidade e conveniência sobre tal temática, seja ao ente público, seja ao ente privado”. A retratação requerida é por meio de publicações no site da PMV e em jornal de grande circulação, estabelecendo multa diária de R$ 1 mil por dia de descumprimento. Também é demandada a construção, no prazo de um ano, na entrada do Sambão do Povo, de um “monumento em homenagem à conscientização da diversidade de gênero e respeito aos direitos da população LGBTQIA+ consubstanciado na bandeira símbolo atual da referida comunidade”. Conforme consta na ACP, “a mera indenização financeira pelos danos morais não são hábeis a, integralmente, interromperem os efeitos do incidente, devendo haver a prática de ato voltado ao futuro”. Em oito de julho, em reunião com a Associação Grupo Orgulho Liberdade e Dignidade (Gold), organizadora do Manifesto, Luciano Gagno disse que “a comunidade LGBTQIA+ não faz parte da nossa política”. Essa afirmação foi feita em resposta à solicitação da entidade de auxílio para o evento. Entre os pedidos feitos pela Gold estão palco, iluminação e banheiro, itens que, conforme recorda a coordenadora de Ações e Projetos da Associação, Deborah Sabará, a prefeitura disponibiliza para vários eventos realizados na cidade. Também foi solicitado recurso financeiro para custear atrações artísticas. O comportamento lgbtfóbico do gestor fez com que Deborah registrasse Boletim de Ocorrência (BO) contra ele, sendo exonerado no mesmo dia. Na ACP consta que a Ação vai ao encontro “dos direitos coletivos da população LGBTQIAPN+ que reside em Vitória de não ser discriminada, de ser indenizada pelos danos morais sofridos por ato administrativo ilegal e de ter o seu direito de manifestação cultural protegido e incentivado pelo poder público”. No documento é destacado que as articulações entre a Gold e a PMV começaram em 19 de abril, quando foi encaminhado um ofício ao gabinete do prefeito, bem como à presidência da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória e à Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos. “Como resposta, houvera encaminhamento da referida solicitação, pelo Prefeito, ao Secretário de Cultura de Vitória, Luciano Gagno, que, por sua vez, agendou reunião para o dia 05 de maio de 2022. Ao ato designado, teria, o destacado Secretário, durante a reunião, orientado a associação a encaminhar, de maneira formal, ofício com as solicitações desejadas, a fim de que os devidos encaminhamentos fossem tramitados internamente. Todavia, em que pese a Associação GOLD ter encaminhado as documentações necessárias, não mais obteve retorno formal por parte da Secretaria de Cultura”. O documento prossegue dizendo que “como forma de ilustrar o vínculo criado e a expectativa gerada anteriormente, menciona-se ocorrência de duas reuniões oficiais com o Diretor-Presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória, Sr. Evandro Figueiredo Boldini. Mais do que isso, há registro de reunião com a própria Comissão de Eventos para a Prefeitura de Vitória, o que demonstra que a municipalidade, de fato, vinha trabalhando com a previsão de realização e apoio ao projeto”. Além disso, segundo a ACP, a Secretaria Municipal de Cultura solicitou abertura de processo, por meio do Protocolo Virtual da prefeitura de Vitória, para que fosse possível “dar continuidade aos demais encaminhamentos junto à Comissão de Eventos”. “Ocorre, porém, que, apesar de atendidos os representantes da Gold e comprometidos, os órgãos municipais, com os pleitos correspondentes – como demonstram os fatos descritos e comprovados anteriormente-, a incluir a garantia de disponibilização da estrutura física e da programação cultural, aparentemente, o contato se desfez de forma imediata e unilateral por parte da Administração Pública. A partir desse momento, os ofícios e tentativas de contato passaram a ser ignorados”. A nova tentativa de diálogo da Gold, aponta o documento, foi na reunião de oito de julho, na qual foi afirmado pelo secretário que a comunidade LGBTQIA+ não faz parte da política da PMV. A ACP destaca, ainda, que em entrevista à imprensa local Luciano Gagno afirmou que não é o momento de apoiar o evento com recursos públicos, podendo haver diálogo em outra época do ano. “Em outras palavras, o evento só fora negado em razão do seu público alvo ,levando à conclusão de que, na melhor das hipóteses, inexistiria razão outra que não a de natureza eminentemente eleitoral. Afinal, por quê apenas em ‘outra época do ano’ – segundo o próprio ex-Secretário- seria possível o reinício das negociações para o apoio pretendido? A proximidade das eleições e o clima de polarização desenhado no país pressionam a gestão pública a evitar as chamadas ‘pautas polêmicas’”, diz o documento. Por meio da ACP, a DPES chama atenção para o fato de que “a confirmação de que a motivação do ato administrativo consistente na negativa de auxílio financeiro e estrutural à realização do ato público foi, justamente, o fato desse último veicular valores da comunidade LGBTQIA+. Não se tratava, por exemplo, de superveniente restrição orçamentária, risco de violência, ausência de estrutura ou existência de
Flagrante de crime ambiental leva quatro pessoas à prisão em Guarapari
Polícia Federal flagrou extração ilegal de areia no entorno do Parque Paulo Vinha, dentro da APA de Setiba Divulgação/Polícia Federal A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (27), quatro homens flagrados cometendo crime ambiental em Guarapari, por executarem extração ilegal de areia. A operação foi realizada por policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Meio Ambiente (DELEMAPH). Os homens foram surpreendidos quando carregavam um caminhão com a areia, em área de amortecimento do Parque Estadual Paulo César Vinha, às margens da Rodovia do Sol, próximo à Praça do Pedágio, já dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba. “Não bastasse a proibição de lavra naquele local, a atividade criminosa perpetrada pelo grupo coloca em risco a integridade da própria rodovia em função da grande proximidade com que a extração estava sendo realizada”, destacou a PF. A Polícia Federal alertou ainda para o fato de que areia extraída de forma ilegal, como flagrada nesta quarta-feira, “é revendida a pequenas lojas de material de construção que, ao comprarem essa areia, alimentam a rede criminosa que envolve a extração clandestina”. Divulgação/Polícia Federal A atividade de extração ilegal de areia incorre, segundo a Polícia Federal, em crime ambiental (Art.55, da lei 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais) e em crimes de usurpação (Art. 2º. da lei 8.176/91), que se refere a “produzir bens ou explorar matéria-prima pertencentes à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo”. Combinadas, as penas podem chegar a seis anos de detenção. A repressão a crimes ambientais, afirmou a PF, tem merecido “atenção e esforço” por parte da Polícia Federal, em ações que também envolvem, em muitos casos, outras instituições que possuem suas atribuições ligadas ao tema. Há quase 30 anos A extração ilegal de areia na região sul de Vila Velha e norte de Guarapari foi o que levou ao assassinato do biólogo e ambientalista Paulo Cesar Vinha, em 1993, um dos mais trágicos crimes relacionados à proteção do meio ambiente no Espírito Santo. Na época, as irregularidades denunciadas por ele aconteciam dentro da área do então Parque Estadual de Setiba (decreto nº 2.993-N de 1990). Um ano após a trágica morte do ambientalista, o Parque foi rebatizada com seu nome (Lei nº 4.903 de 1994). O Parque tem área de 1,5 mil hectares e, no seu entorno, foi criado, em 1994, a APA das Três Ilhas, com 12,9 mil hectares, rebatizada em 1998 como APA Paulo Cesar Vinha ou APA de Setiba.
Caramanchão
Esta armadura de madeira florida dava boa sombra, principalmente a entrada, após as escadas No sobrado que a família morava em Cachoeiro, havia um caramanchão tapado de bougainville vermelhinhas. Esta armadura de madeira florida dava boa sombra, principalmente a entrada, após as escadas. Passei boa parte de minha infância neste terraço, mas sem dar o devido valor ao caramachão. Hoje fico imaginando como conseguiam colocar as hastes sustentadoras, sem ficar no cão (cimento) ou pregar em qualquer lugar.O caramanchão era autossustentável, totalmente equilibrado em suas hastes de madeiras. As flores que ficavam por toda a sua parte superior eram leves. Depois, vendo alguns filmes, principalmente os que se passavam em Quintas Italianas, comecei a ver os caramanchões, iguais o que tinha no nosso sobrado, na esquina da rua Capitão Deslandes com 7 de Setembro. Meus avós Humberto e Rosária construíram um belo sobrado, com muitos quartos, ampla cozinha e terraço com caramanchão. O parapeito do terraço dava para a 7 de setembro e dali se via Rádio Cachoeiro, no fim da rua. O terraço com o caramanchão e o parapeito marcaram meus primeiros anos, e lá na frente, estava a ZYL-9, onde tudo começou na minha vida profissional em Cachoeiro e depois em Vitória. PARABÓLICAS Jotinha é atualmente o mais ativo repórter em ação no futebol capixaba. É da Rádio ES. Tem uma estranha sensação que os emissores gospels estão perdendo a força em suas programações. Será? A Cultura FM de Castelo, do Cesar Nemer, continua mandando no sul do Estado, com sua programação aguerrida. Com desaparecimento por Covid da radialista Rosemarrie Sanglaard, a Colina FM de Guarapari continua com sua programação, mantendo boa audiência. E lá no norte, a aguerrida Musical FM é líder de audiência em São Mateus, com uma das melhores equipes do rádio do Espírito Santo. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Bee Gees – Love So Righthttps://www.youtube.com/watch?v=tfbEJbUOW_0 MENSAGEM FINAL“Tire todas as togas dos bons juízes que viveram na face da Terra ao longo dos tempos e elas não serão suficientes para cobrir a iniquidade de um só juiz corrupto. Henry Ward Beecher
Rose e Da Vitória, as opções de Renato Casagrande para o Senado
Apontada como a preferida do governador, senadora recebe pressões de setores aliados a Da Vitória Leonardo Sá A senadora Rose de Freitas (MDB), caso tenha confirmado o apoio do governador Renato Casagrande (PSB), é a pré-candidatura mais competitiva na disputa à única vaga no Senado Federal nas eleições deste ano, aberta com o fim do seu próprio mandato. Em círculos próximos ao Palácio Anchieta, além de Rose aparece também o nome do deputado federal Da Vitória (PP), que poderia ganhar o apoio de Casagrande, estimulado por setores da área de Segurança Pública. É nesse setor que o parlamentar tem um de seus redutos mais fortes e onde o governador, pré-candidato à reeleição, encontra resistência, decorrente de questões ainda pendentes referentes à melhoria salarial das polícias. Caso seja indicado, Da Vitória pode atuar nesse campo, favorável ao ex-senador Magno Malta (PL), afetando ainda a pré-candidatura ao governo de Carlos Manato (PL) e do Tenente Assis (PTB), que concorre à Câmara Federal. Essa é a projeção do mercado político, feita nesta terça-feira (26), já considerando o ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli, apontado como competitivo, fora da chapa do Republicanos, situação que está sendo definida nesta terça-feira (26), em Brasília. Nesse contexto, ocorreria o enfraquecimento da base do presidente Jair Bolsonaro, seguindo a tendência nacional, que aponta a vitória do ex-presidente Lula (PT) em primeiro turno. ]Meneguelli é apontado como competitivo, mas sua pré-candidatura, desde o lançamento, nunca foi bem acatada pela cúpula do Republicanos, braço político da Igreja Universal. Em junho, os conflitos internos o levaram a uma situação de desgaste, chegando a um ponto considerado irreversível, depois que o vereador Devanir Ferreira, bispo da igreja Universal e um dos nomes mais influentes do partido no Espírito Santo, contestou declarações dele à imprensa, que se chocam com o pensamento da Universal e do partido. Procurado, Meneguelli se manteve e em silêncio. Aos nomes apontados como pré-candidatos ao Senado, ainda podem ser considerados os professores Célia Tavares e Reinaldo Centoducatte, ambos do PT, que no próximo sábado (30) participam de uma reunião convocada pela militância para confirmar o lançamento de uma candidatura avulsa, fora da coligação PT-PSB. O movimento visa tirar o PT do isolamento nas articulações, decorrente da retirada da pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado.
‘CRJ de Castelo Branco vai potencializar a cultura como um todo’
Coletivo de batalha de rap comemora inauguração e quer aperfeiçoar o espaço com a criação de um estúdio O primeiro Centro de Referência das Juventudes de Cariacica, na Grande Vitória, vai ser inaugurado pela gestão de Renato Casagrande (PSB), por meio da Secretaria Estadual de Direitos Humanos (SEDH), no bairro Castelo Branco, nesta quinta-feira (28). Para Olok MC, um dos organizadores da Batalha do Castelo, um coletivo de batalha de rap do bairro, a iniciativa “vai potencializar a cultura com um todo”. Olok MC afirma que, apesar de o CRJ ainda não ter sido inaugurado, os jovens da comunidade já estão conhecendo a infraestrutura. Ele informa que o espaço terá quadra poliesportiva, sala de informática e outros lugares para cursos e oficinas, o que supre uma carência, já que os jovens têm como espaço de lazer e manifestações artísticas somente a Praça da Conquista. O local tem quadra, mas não há, no bairro, os demais espaços disponibilizados no CRJ. Divulgação Entretanto, aponta Olok MC, há uma necessidade que não foi contemplada no CRJ: um estúdio. Por isso, a Batalha do Castelo fez um abaixo assinado reivindicando a criação de um. “Seria um estúdio para gravar música, podcast, expandir o potencial da juventude de Castelo Branco, que acaba ficando limitado à condição financeira”. Olok MC afirma que, para gravações, é preciso alugar estúdio. Alguns artistas, destaca, têm estúdio, “mas com uma infraestrutura inadequada”. De acordo com a SEDH, o CRJ de Castelo Branco vai oferecer gratuitamente cursos, oficinas de geração de renda, espaços para trabalho e laboratórios criativos, além de fazer passeios, entre outros. Os CRJs contarão com equipe formada por psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, educadores, articuladores locais, oficineiros e outros profissionais. Está prevista para agosto a inauguração de um novo CRJ em Cariacica, dessa vez, na região de Flexal, que será coordenado pelo Instituto Raízes. Ao todo, serão 14 CRJs em dez cidades capixabas, com investimento de mais de R$ 30 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na Grande Vitória, os CRJs estão em funcionamento nos bairros Terra Vermelha, em Vila Velha; Feu Rosa e Novo Horizonte, na Serra; Território do Bem e em São Pedro, na Capital; e Kubitschek, em Guarapari. No norte, nos bairros Centro, em Aracruz; Ayrton Senna, em São Mateus; Araçá, em Linhares; e João Meneguelli, em Colatina. No sul, no bairro Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim. ‘Esperamos que seja efetivado como política de Estado, e não de governo’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/a-gente-espera-que-isso-seja-efetivado-como-uma-politica-de-estado
‘Entre iguais’: começa a nascer a primeira Assessoria Jurídica Popular Capixaba
Gajupoc vai defender a luta de movimentos sociais e populações marginalizadas, ressalta Josilene Santos Lucas S. Costa/Ales O Espírito Santo está vendo nascer a sua primeira iniciativa de assessoramento jurídico voltado aos movimentos sociais e populações marginalizadas. A exemplo de iniciativas semelhantes em outros estados e em âmbito nacional, o Grupo de Assessoria Jurídica Popular Capixaba (Gajupoc) surge em meio a um contexto de lutas coletivas, onde o acesso digno à Justiça é uma lacuna por onde direitos fundamentais – humanos, sociais, ambientais etc. – escoam pela ação predatória de grupos econômicos poderosos e também do próprio Estado. O Gajupoc já realizou duas plenárias presenciais, a última neste sábado (23), na sede do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro/ES), onde mais de uma dezena de entidades e organizações sociais se reuniram e apontaram as possíveis comissões temáticas e ações prioritárias a serem empreendidas pelo Grupo. Além do Sindipetro/ES, também já foram seladas parcerias com a Paróquia Santa Teresa de Calcutá, Associação dos Defensores Públicos do Espírito Santo (Adepes), Federação dos Órgãos para Assistência Social e Jurídica (Fase), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Movimento Negro Unificado (MNU), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Círculo Palmarino, Frente Estadual pelo Desencarceramento do Espírito Santo (Desencarcera ES), Comissão Quilombola do Sapê do Norte, Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABJD) e Rede Nacional de Advogados Populares (Renap). “A Defensoria e o Ministério Público não conseguem contemplar todos os coletivos e movimentos sociais, devido ao número reduzido de defensores, promotores e procuradores. É nesse sentido que a assessoria popular vem dar apoio e suporte, auxiliando esse trabalho. Temos defensores públicos como parceiros, atuando na educação jurídica popular”, expõe a advogada popular quilombola Josilene Souza dos Santos, responsável pela Coordenação de Assistência Jurídica do Gajupoc. Entre as comissões temáticas já alinhavadas, estão as de Comunidades tradicionais e povos originários; Criminal; Moradia; Povos do Campo; e Direito Ambiental. “Estamos abertos para que outros movimentos se manifestem e nos procurem”, ressalta Josilene, citando diálogos já iniciados com organizações como o Mães Eficientes Somos Nós (MESN) e o Programa de Extensão Formação em Dança da Universidade Federal do Espírito Santo (Fordan/Ufes). “Entre iguais” Liderança do MNU e presidenta do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir-ES), Fátima Tolentino da Silva comemora a iniciativa pioneira no Espírito Santo. “Esse grupo jurídico popular tem uma Importância muito grande. Temos que divulgar a existência dele para a população e trabalhar com resultados”, conclama. Assistente social com especialização em igualdade racial, ex-conselheira tutelar e ex-educadora social, Fátima explica que há uma falta generalizada de políticas públicas para o povo pobre e periférico. “Educação, saúde, moradia … é o poder público que mais viola esses direitos, é uma falta de assistência muito grande. Por isso a gente se emociona quando vê um projeto que pode possibilitar, na verdade, que vai possibilitar, porque eu acredito nisso, que vai possibilitar dias melhores para a nossa população pobre, explana”. Hoje, afirma, “a gente não tem a quem procurar”. Ecoando a percepção de Josilene Santos, Fátima Tolentino lamenta que a Defensoria e o Ministério Público não deem conta de defender os mais pobres e oprimidos e ressalta um pleito feito ao governador Renato Casagrande (PSB) pelo MNU, de criação de uma Ouvidoria Estadual para receber as denúncias de violações múltiplas de direitos. “Quando tomba um jovem preto, todas as mães pretas e pobres sofrem juntas e elas têm medo de continuar os processos de investigação sobre os culpados, principalmente quando a bala é da polícia. Elas têm medo. Dos casos de morte de jovens negros já registrados, veja lá quantos processos estão em andamento, quantos foram solucionados? Quase nada. ‘Ah, matou um menino ali’, se é preto, é pobre, a sociedade logo fala que era criminoso, bandido. Porém aquele corpo tem uma mãe, tem um pai, tem uma família, tem um filho, tem esposa … Por isso é importante uma assessoria jurídica popular, porque quando a gente diz ‘popular’ a gente está fala em segurança, porque estamos ‘entre iguais’, como se diz. Sabemos que podemos confiar, que a defesa dos nossos direitos vai ser levada a sério. Isso é muito importante”. No Estado, 85% das mulheres assassinadas em 2019 eram negras – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/no-espirito-santo-85-das-mulheres-assassinadas-em-2019-eram-negras
Alunos da Ufes fazem ‘roletaço’ no RU e divulgam manifesto
Protesto foi motivado por agressões dos vigilantes contra estudantes que tentavam pular a roleta nessa segunda-feira “O dinheiro do meu pai não é capim, eu pulo a roleta sim!”. Essa palavra de ordem, muito entoada nos protestos contra o aumento da passagem, foi proferida na tarde desta terça-feira (26), quando dezenas de estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) fizeram um “roletaço”, pulando a roleta do Restaurante Universitário (RU) em protesto contra a violência sofrida por universitários nessa segunda-feira (25). Eles denunciaram que, na ocasião, vigilantes agrediram fisicamente e verbalmente alunos que tentavam pular a roleta do RU. A manifestação desta terça aconteceu depois de uma assembleia na qual os graduandos aprovaram uma pauta de reivindicações que contempla, principalmente, a necessidade de mais facilidade de acesso às refeições para quem não pode pagar. Leonardo Sá O estudante de Arquivologia e representante da comissão eleitoral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Gabriel Oliveira, relata que foi acompanhar o processo de panfletagem da eleição no RU e viu um tumulto, pois vigilantes queriam impedir que um aluno pulasse a roleta. De acordo com ele, as pessoas argumentaram que alguns estudantes não têm condições de pagar, mas os vigilantes fizeram chacota e disseram que todo mundo tem acesso a R$ 5,00, valor da comida no restaurante. Leonardo Sá “Isso não é verdade, R$ 5,00 hoje, se você calcular a soma de uma semana, de um mês, é muito dinheiro para quem ganha um salário mínimo, por exemplo. O preço de tudo subiu, o poder de compra diminuiu. Alimentação é permanência, ninguém estuda com fome”, diz Gabriel. O estudante relata ainda que, em virtude de os vigilantes estarem gritando e apontando o dedo, uma aluna subiu na cadeira para “se impor”, sendo puxada para baixo. Além disso, outro estudante, que tentou pular a catraca, levou um soco no olho e teve os óculos quebrados. Gabriel informa que, embora estudantes de origem popular tenha direito à gratuidade no RU, o processo para acessar o benefício é burocrático. “Tem aluno que entrou em janeiro e até agora não conseguiu. Não dá para chegar para uma pessoa que está há seis, sete meses sem auxílio e dizer ‘espera aí, fica com fome, vai para a sala, vai estudar, vai produzir ciência com fome’”. As reivindicações aprovadas nesta terça serão encaminhadas ao pró-reitor de Assuntos Estudantis e Cidadania, Gustavo Forde. Uma delas é a ampliação da cobertura da assistência alimentar do RU, fazendo com que estudantes que tenham renda familiar de até 2,5 salários mínimos possam ser contemplados com a gratuidade no RU. Outra é a modernização das recargas com pagamento via pix e pela internet, para que não seja preciso ir pessoalmente recarregar o cartão. Leonardo Sá Os estudantes afirmam que o RU da Ufes é um dos mais caros do Brasil. Eles apontam que nos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), os valores são, respectivamente, R$ 2,50; R$ 1,30 e R$ 1,40. “Nosso aumento em 2017 foi de R$ 1,50 para R$ 5, e vimos como impactou na diminuição dos estudantes que comem no RU e começaram a trazer marmitas para universidade”, dizem os alunos no manifesto aprovado. Eles também defendem que “pular a catraca é um ato político e uma forma de garantir a alimentação adequada para passar o dia na universidade. Receber estudantes com violência física e verbal não resolve o problema, o agrava e expõe que a universidade tem refletido aspectos da política nacional bolsonarista, que por nós é rechaçada diariamente”. Diante disso, os estudantes acreditam que “os vigilantes devem continuar suas funções e não agredir estudantes”, e que “universidade não é lugar de polícia!”, reivindicando “outro projeto de segurança universitária, construída e dialogada com a comunidade estudantil”. Por fim, os universitários defendem o reajuste das bolsas de pesquisa e extensão. “As bolsas oferecidas pela universidade também se constituem como uma política de assistência para complementar a renda. Queremos o reajuste dos valores das bolsas para fazer jus a nova realidade do Brasil”, ressaltam.
Disputa no campo da direita reforça dianteira de Renato Casagrande
Campanha eleitoral de Bolsonaro no Espírito Santo movimentou pré-candidatos ao governo Redes sociais Os esforços dos pré-candidatos da direita ao governo do Estado para chegar perto do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante sua visita ao Espírito Santo, nesse fim de semana, reforçam os atropelos entre eles e, de outro lado, confirmam a posição de dianteira do governador Renato Casagrande (PSB), revelada na última pesquisa, da Rede Record, em maio deste ano. Deve manter os 44%, com chance de ampliar essa vantagem por conta da retirada da pré-candidatura do senador Fabiano Contarato (PT), na avaliação do mercado político. A campanha antecipada de Bolsonaro ao Estado, realizada juntamente com a “Marcha para Jesus”, provocou polêmica nas redes sociais, em consequência do uso político do evento, agravado com o desfile de um carro alegórico com uma réplica de um revólver. O público evangélico encheu as redes com postagens de protestos, que não obtiveram explicações capazes de justificar o clima belicista do evento, com motociata e culto evangélico, em meio a declarações de cunho religioso. Erick Musso (Republicanos), Guerino Zanon (PSD) e Carlos Manato (PL) disputaram os olhares de Bolsonaro, com vantagem para Manato, que manteve o título de candidato representante do presidente no Espírito Santo, apesar da foto conseguida por Erick Musso ao lado de Michelle Bolsonaro, depois de ser barrado de subir ao palanque e alvo de vaias. A dois meses das eleições e em baixa nas pesquisas, os três candidatos mais alinhados a Bolsonaro caminham para enfraquecer a esperada recomposição da direita no Estado. Audifax Barcelos (Rede) e o ainda indefinido Felipe Rigoni (União) articulam por outras vias. A tendência projetada pelo mercado coloca o candidato da Rede em uma posição mais avançada do que os 6% mostrados na pesquisa, enquanto Rigoni poderá retirar a candidatura e juntar-se a Erick Musso, embora ele negue, por falta de melhor opção: os dois pontuam pouco mais de 3%, distantes dos 12% de Manato e da pontuação de Casagrande. Nesse domingo (24), Erick Musso confirmou o apoio do Patriota, dirigido no Estado pelo deputado estadual Rafael Favatto, pré-candidato a federal, que terá de administrar as divisões internas, decorrentes da movimentação de alas alinhadas ao governador Renato Casagrande. Com esse apoio, a legenda desembarca da base de apoio ao governo na Assembleia e abraça a corrente do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), cuja vice-prefeita, Capitã Estéfane (Patri), foi anunciada como pré-candidata a federal. As articulações no Estado seguem no contexto da política nacional e, apesar da queda na pontuação de Bolsonaro em nível geral, ele consegue manter boa aceitação no Espírito Santo. Nesta segunda-feira (25), levantamento do BTG Pactual, produzida pelo Instituto FSB Pesquisa, aponta crescimento de três pontos percentuais do ex-presidente Lula (PT) nas intenções de voto. Ele aparece com 44%, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) cai para 31%. Com isso, a diferença entre os dois chega a 13 pontos percentuais.
Denunciado plano para comprar arma e matar o capitão Sousa
Vinícius Sousa é pré-candidato ao governo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) Ana Salles/Ales O pré-candidato ao governo do Estado pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Capitão Sousa, está ameaçado de morte. Nesta segunda-feira (25), ele registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia especializada em crimes cibernéticos da Polícia Civil, relatando que integrantes do seu partido identificaram uma “Vaquinha” na internet angariando dinheiro para “comprar uma arma para matar o Capitão Sousa”. O PSTU divulga uma nota nesta terça-feira (26) para denunciar a ameaça. Também nesta terça, o advogado André Moreira, especializado em Direitos Humanos e militante político, protocolará notícia-crime no Ministério Público Eleitoral (MPE), pedindo investigação sobre a ameaça, e analisa se é conveniente pedir segurança para o Capitão Sousa. Segundo ele, é preciso adotar os cuidados necessários e descobrir do que se trata: um crime cibernético ou uma ameaça, de fato. Capitão Sousa é do Movimento Policiais Antifascismo, nova organização formada por “operadores de segurança pública de várias categorias profissionais, entre estas policiais civis, militares, bombeiros e rodoviários federais”, que trabalham visando mudar o sistema de segurança, com ênfase na desmilitarização, uma nova política de combate às drogas e valorização do policial, visto por eles como um trabalhador com direitos e deveres, segundo a legislação. A pré-candidatura do Capitão Souza ao governo foi lançada em 15 de maio, com presença da presidente nacional do PSTU, Vera Lúcia Salgado, pré-candidata à Presidência da República. “A pré-candidatura ao governo é muito importante para marcar posição das lutas de esquerda”, afirmou ele, na ocasião, enfatizando que o processo é todo movido “a grana”, favorecendo grupos fechados. A pauta do PSTU, exalta ele, é para mudar essa realidade.
O fim justifica os meios
Alivia o momento comprometendo o futuro, mas dá voto! Para compreender os tempos (para além de chronos) que vivemos no Brasil, recomendo uma leitura ou releitura de O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Clássica do Renascimento, século XVI, esta obra rompe o romantismo da “adoração ao governante” herdado da monarquia e revela as características comuns aos ocupantes do poder, podemos afirmar, de quaisquer regimes, e pior, por todos os tempos. Partindo da premissa de que o importante é que pareça ser, mesmo que não seja, o governante justifica suas ações como parte da luta “pela felicidade do povo”, quando, em verdade, a única coisa que lhe importa é se manter no poder. Desta visão, particularmente reveladora do sujeito que ocupa o poder, e em se tratando de um clássico (que mesmo passados 500 anos continua a dialogar com a realidade), surge o termo maquiavélico que, a rigor, representa o governante que o filósofo descreve em O Príncipe. É preciso atentar para o fato de que a leitura que Maquiavel faz do Príncipe serve muito mais como um alerta para o povo, que um manual para um governo tirano. A exemplo disso, a atual conjuntura política brasileira se revela um governo que podemos taxar de “maquiavélico”, mesmo sabendo que o presidente dificilmente tenha tido contato com a letra do filósofo ou mesmo com a Filosofia, ele simplesmente aderiu ao popular “maquiavelismo”. Esta postura está sempre muito clara em seus discursos e em sua ação política, que tem sempre uma realidade aparente muito distante da concreta. A chamada “PEC kamikase”, que rompe o regulamento eleitoral e interfere diretamente na eleição, é um exemplo gritante de golpe e, faz todo esse estrago protegido pelo discurso de “aliviar o povo pobre e os caminhoneiros frente ao aumento no preço dos combustíveis”, quando, pelos ensinamentos de Maquiavel, sabemos que se trata de uma estratégia suja de angariar votos. A questão da disparada no preço dos combustíveis é uma questão mundial, frente a todos os problemas desta década, onde se ressalta a pandemia e a guerra. Contudo, é preciso considerar também que, sendo o Brasil um grande produtor de petróleo, poderíamos estar mais aliviados da crise mundial, se o nosso petróleo não estivesse servindo ao enriquecimento de investidores, ao invés de beneficiar ao povo brasileiro. Oferecer um aumento no auxílio à pobreza e aos caminhoneiros, faltando cinco meses para o final do mandato, além de fraldar a eleição, demonstra uma irresponsabilidade enorme frente à possibilidade de deixar um rombo no caixa, obrigando ao próximo governo enfrentar revoltas populares, acertando o caixa, ou sacrificar áreas importantes para manter o benefício. Mas o pior de tudo isso, é que a parcela beneficiada da população jamais entenderá as razões para combater tal medida, mesmo porque, é antigo o argumento de que “em casa que não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Por fim, vale o diálogo esclarecedor, principalmente junto à população mais necessitada, para garantir o usufruto do benefício sem que ele se transforme em credibilidade a esse governo “maquiavélico” – na dimensão mais pejorativa possível do termo. Everaldo Barreto é professor de Filosofia