Com campo ao governo congestionado, Audifax e Guerino tentam levar bônus como únicos adversários-gestores Leonardo Sá Com um cenário ainda congestionado de candidaturas ao governo do Estado, e muitas dividindo terreno nos mesmos campos que marcam a polarização entre direita e esquerda reproduzida País afora, quem tem um ponto a mais a explorar, investe todas as fichas. É o que têm feito os ex-prefeitos Audifax Barcelos (Rede), da Serra, e Guerino Zanon (PSD), de Linhares (norte do Estado), que, junto com o governador Renato Casagrande (PSB), são os únicos a contar, na trajetória política, com cargos de gestores públicos, e por mais de um período. Audifax comandou a Prefeitura da Serra por três mandatos, enquanto Guerino já estava no quinto em Linhares, quando deixou o cargo para disputar o governo do Estado. Não à toa, os dois têm se dedicado a exaltar ações de todos esses anos, na tentativa de convencer o eleitorado de que são os mais capacitados para comandar o Palácio Anchieta. Na Serra, ao listar suas medidas, com foco em áreas de maior apelo popular, como Segurança Pública e Saúde, Audifax sempre diz que “transformou a cidade” e se coloca como “expert em economia e gestão”. Não muito diferente, Guerino usa o termo “revolução” para definir seu trabalho em Linhares, acrescentando, na estratégia, o desenvolvimento econômico do norte do Estado. E por aí vão, a cada dia fazendo uma prestação de contas diferente, para confrontar o currículo de Casagrande, governador pela segunda vez, que não tem, ao mesmo tempo, escapado de críticas diárias dos ex-prefeitos (vale lembrar, também com seus telhados de vidro). Alianças amplas, fechadas e consolidadas, nenhum dos dois têm, até agora. Mas a campanha, como se vê, já está na ponta da língua. ÁreasOs outros concorrentes da disputa deste ano vêm do legislativo, como Erick Musso (Republicanos), Felipe Rigoni (União), Carlos Manato (PL) e Fabiano Contarato (PT); do setor empresarial, caso de Aridelmo Teixeira (Novo); e da carreira militar, como Capitão Sousa (PRTU). FunilAs reduções sinalizadas no quadro ainda são poucas. Erick e Rigoni conversam para a formalização de uma composição, mas, por enquanto, “tudo certo, nada resolvido”. Já a candidatura de Contarato, a considerar os movimentos nacionais, tende a naufragar ainda nesta semana. Peixes pequenosDe volta às alianças dos adversários-gestores, Audifax fechou com o pequeno Solidariedade e o ex-prefeito de Linhares circula em torno do DC e PMB. Ambos estão de olho, porém, no PSDB. OficialApesar de Guerino e Erick Musso avançarem sobre a área de Manato, se declarando bolsonaristas, conservadores e de direita, oficialmente, é somente o palanque do ex-deputado federal que aparece no mapeamento nacional das candidaturas do presidente. Manato representa uma das 23 costuras acertadas no campo de Bolsonaro, como aponta o jornal O Globo. NovelaDo lado de Lula, o cenário segue mais complicado, com apenas 13 definições. O Espírito Santo aparece como ainda em aberto, resultado da falta de martelo sobre o palanque de Contarato e a aliança com o PSB de Casagrande. NacionalA vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol) integra uma lista de 50 parlamentares de 13 estados mobilizados com apresentação de projetos para banir o reconhecimento facial em espaços públicos. A campanha, que terá início nesta terça-feira (21), chama #SaiDaMinhaCara. Erros gritantesO grupo aponta o caráter invasivo e discriminatório da tecnologia, principalmente quando aplicada sob a narrativa de segurança pública, como adotado pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Entre as críticas, a citação de estudos que comprovam falhas e erros gritantes quando se tratam de rostos de pessoas negras, e ainda mais, mulheres ou pessoas trans. Fim do usoPolos de desenvolvimento do reconhecimento facial já eliminaram seu uso para fins de policiamento, como informa a mobilização. Como ocorreu em São Francisco, Boston e Cambridge, nos EUA. Na Europa, em 2021, o Parlamento votou a favor do banimento, após manifestação da Autoridade Europeia para a Proteção de Dados (AEPD). Nas redes “As cheias do Rio Jacaraípe afetavam moradores de muitos bairros da Serra em época de chuvas. Como prefeito da cidade, vi que a gente poderia fazer mais por eles. E fizemos! Nossa obra de macrodrenagem e urbanização mudou a vida de mais de 40 mil moradores de 16 bairros. Os alagamentos acabaram! Dá pra fazer muito melhor!”. Audifax Barcelos, ex-prefeito da Serra, em sua publicação/prestação de contas mais recente. Nas redes II“Se tem uma coisa que tenho muito orgulho é de tudo que fizemos em Linhares. Foram anos de gestões que trouxeram desenvolvimento, novos empreendimentos, geraram empregos e tornaram a cidade destaque no Espírito Santo (…)”. Guerino Zanon, ex-prefeito de Linhares, na mesma “pegada” de Audifax. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Cotoveladas – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/cotoveladas-1 No encalço – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/no-encalco-1-1
Vereador quer vetar menores de 18 anos em eventos de temática LGBT
Projeto de Marquinhos Torres foi apresentado em Venda Nova após ataques de bolsonaristas a evento do Ifes Está prevista para esta terça-feira (21), em Venda Nova do Imigrante (região serrana), a votação do Projeto de Lei (PL) 56/2022, de autoria do vereador Marquinhos Torres (SD), que veta a participação de menores de 18 anos em eventos de temática LGBT no município. A proposta foi apresentada após ataques do deputado federal Evair de Melo (PP) ao “1° Encontro pela Diversidade, Inclusão e Respeito”, que será realizado nesta quarta-feira (22), no campus do Instituto Federal do Estado (Ifes). Evair gravou vídeos nas redes sociais contra o evento, assim como o ex-candidato a prefeito de Venda Nova, Rafael Monteiro (PL), e o pré-candidato a deputado federal este ano, Darcio Bracarense (PL), todos bolsonaristas, o que gerou reação do Ifes e entidades. O evento, que tem como tema “Políticas Públicas e a comunidade LGBTQIAP+ no ES: avanços e desafios”, é organizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (NEPGENS), voltado para profissionais que trabalham no atendimento ao público, estudantes de nível superior, comunidade LGBTQIA+ e suas famílias, e população em geral. Além de palestras, haverá no local a instalação artística Água Viva, com fotografias, vídeos, poesias, desenhos e performances. O artigo 1º do PL apresentado pelo vereador, define que “fica vedada no âmbito do município de Venda Nova do Imigrante a participação de menores de 18 anos em evento, qualquer que seja, que tenha como tema assuntos LGBT ou similares, sem expressa autorização dos pais ou responsáveis legais, salvo acompanhado da presença dos mesmos”. Ainda segundo a proposta, “os representantes legais ou os pais que estiverem acompanhando seus filhos, deverão apresentar documento de identificação que demostre a paternidade ou a responsabilidade legal sobre o menor”. A autorização, conforme consta no projeto, “deverá ser por escrito e com firma reconhecida em cartório, com cópia autenticada do documento de identificação do responsável”. Diz ainda que “será obrigatória a exibição de documento de identificação do menor que possibilite averiguar que o indivíduo que autorizou é efetivamente seu genitor(a)” e que “caso a autorização seja lavrada por um responsável legal, deverá ser apresentado documento que concede tal responsabilidade, sendo cópia, esta deverá ser autenticada”. A iniciativa também estabelece que a organização do evento é responsável pela fiscalização da entrada de menores de 18 anos, devendo comunicar o Conselho Tutelar com antecedência de 30 dias para se fazer presente. Caso o Conselho Tutelar constate descumprimento dos artigos contidos na lei, “deverá determinar o encerramento do evento de imediato, e caso necessário, solicitar auxílio policial”. O presidente do Conselho Estadual LGBT, João Lucas Cortes de Sousa, classifica o projeto como “descabido e inconstitucional”, e afirma que, caso seja aprovado, a Justiça será acionada. Para ele, o evento é um espaço de “informação, cidadania, direito e cultura”. “O projeto de lei é uma tentativa de criminalização da cultura e do movimento LGBT. Vivemos isso na época da Aids e vivemos agora dizendo que a cultura LGBT incentiva a pedofilia e coisas do tipo. Isso infelizmente é esperado em ano eleitoral. Estamos vendo vereadores, deputados e políticos incitando a violência contra a comunidade LGBT em prol de movimentos eleitoreiros”, critica. Ataques O evento do dia 22 é realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade de Venda Nova do Imigrante (NEPGENS-VNI), em parceria com a prefeitura. Os palestrantes serão a secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo; a coordenadora da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), Deborah Sabará; e a coordenadora do coletivo Mães pela Diversidade, Mônica Alves. Em suas redes sociais, o deputado Evair de Melo, inicialmente, afirmou que os estudantes vão para o Instituto Federal “para aprender ciência, tecnologia, inovação, aprender aquilo que pode gerar riqueza para a sociedade”; que “o Instituto Federal não está autorizado a se meter na formação moral e ética dos nossos filhos”; e que “isso nós fazemos em casa, nas nossas igrejas, nas nossas orientações religiosas”. Diante do não cancelamento da atividade, Evair gravou novo vídeo, afirmando estar “perplexo com a teimosia do Instituto Federal em realizar o tal evento do mês do Orgulho LGBT dentro da nossa instituição, com apoio do governo do Estado, a secretária estará presente, de Direitos Humanos”. Posteriormente, mostrou imagens de eventos que, de acordo com ele, são similares, como a intervenção de um artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM), no Ibirapuera, em São Paulo, em 2017, que ganhou repercussão na época; e algumas do ex-presidente Lula e da deputada federal Gleisi Hoffmann em uma apresentação artística de 2018, na qual dois bailarinos se beijam. “É o escárnio da sociedade, querem a destruição total dos princípios e valores, isso não ajuda na nossa organização. Não foi para isso que trabalhamos muito para ter o Instituto Federal em Venda Nova e no Espírito Santo”, esbraveja. O deputado prossegue dizendo que “é isso que querem levar para nossos filhos e dizer que é normal. E tem um cunho ideológico político. Olha o cidadão rindo. Assistindo e rindo, olha a cara do sujeito aqui, olha a cara do cidadão”, referindo-se a Lula. Evair continua seu discurso alegando que “a escola não tem direito de se meter e se envolver nisso. Uma meia dúzia decide que isso é importante, mas isso não é importante. Espero que a sociedade se revolte mesmo, que possamos suspender esse evento, realizar audiência pública onde for, na Câmara de Vereadores, levar padres, pastores e pais, para que isso seja previamente apresentado às pessoas”. Os ataques também partiram de Darcio Bracarense, que afirma ser pré-candidato a deputado federal pelo Espírito Santo. “A população de Venda Nova, bem como de toda a região de montanha, sempre desejou a instalação de um Ifes. Um Ifes lá sempre representou mais educação, mais capacitação técnica”, diz iniciando o vídeo. Depois, ele cita o nome do evento e prossegue: “calma, não é discussão sobre orientação sexual, aqui não é questão de preconceito. Se fosse encontro de casais hétero, ainda assim estaria errado, não foi para isso que a população de Venda Nova lutou tanto para ter um Ifes”. Quem também atacou o
Petroleiro diz que Bolsonaro ‘mente’ ao culpar Petrobras por alta de preços
Valnísio Hoffmann, coordenador do Sindipetro-ES, aponta uma “cortina de fumaça” como um plano para privatizar a empresa Arquivo SD Os petroleiros estão em estado de greve, que poderá ser deflagrada a qualquer momento caso o presidente Jair Bolsonaro (PL), em ação com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), prossiga com o plano de responsabilizar a Petrobras pela alta desenfreada dos preços dos combustíveis. “É mais uma cortina de fumaça de Bolsonaro, parte do plano para privatizar a empresa”, aponta Valnísio Hoffmann, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), enfatizando que “Bolsonaro mente”. A declaração foi feita nesta segunda-feira (20), mesmo dia em que o presidente da estatal, Mauro Coelho, pediu demissão por conta da pressão do presidente e de seus aliados dentro da estratégia de responsabilizar a empresa, colocando-a contra a sociedade. Bolsonaro amplia o tom de seus discursos, que visa deixar o governo fora do centro das decisões relacionadas ao aumento. No entanto, a alta dos preços é de total responsabilidade do presidente, conforme afirma Valnísio Hoffmann, mesma opinião de outros especialistas e técnicos no assunto. “O presidente nomeia seis dos 11 diretores da Petrobras e é ele que tem o poder de mudar a atual política de preços, iniciada no governo de Michel Temer, como está, inclusive, no estatuto da empresa”, diz, e acrescenta que o presidente virou refém do mercado, por ter assumido compromissos que afetam diretamente a sociedade brasileira. “Ele e Paulo Guedes – ministro da Economia – sabem que, mesmo mudando a tabela de ICMS, a situação não vai mudar, porque o ICMS é valor agregado e tem uma função social”. A questão é decorrente da Política de Paridade e Preços da Importação (PPI), pela qual são repassadas no mercado interno as alterações do exterior, dolarizando as tarifas para o consumidor brasileiro, com impacto em toda a economia, gerando benefício para os grandes acionistas. “Bolsonaro quer tirar a responsabilidade deles”, ressalta Valnísio. O coordenador do Sindipetro classificou como “falácias” as declarações e postagens em redes sociais do deputado Arthur Lira responsabilizando a Petrobras pelos aumentos nos preços dos combustíveis. Ele convocou parlamentares para uma reunião, na qual poderá ser criado um plano de privatização da empresa, baseado na falsa promessa de que a iniciativa privada irá baixar os preços. O assunto vem movimentando os meios políticos desde o fim de semana. O deputado federal Helder Salomão (PT) publicou nas redes sociais: “Quem indica o presidente da Petrobras? Bolsonaro; Quem indica o presidente do Conselho? Bolsonaro; Quem indica a maioria dos conselheiros? Bolsonaro; Quem dita a política de preços? Todos eles; a culpa é do Bolsonaro!”. O senador Fabiano Contarato (PT) também se posicionou: “Bolsonaro te enganou: atacar o ICMS só vai privar o povo de educação, saúde e segurança! Não vai conter os preços dos combustíveis! (…)”. ‘Gás de cozinha deveria custar menos de R$ 35, segundo prometeu Paulo Guedes’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/economia/gas-de-cozinha-deveria-custar-menos-de-r-35-segundo-prometeu-paulo-guedes
Após três meses, prefeitura anuncia retorno do Porta a Porta em Vitória
Expectativa é de que o programa, destinado ao transporte de pessoas com deficiência, volte a funcionar nesta quarta-feira Redes sociais A Prefeitura de Vitória realizou, nesta segunda-feira (20), a vistoria dos dois primeiros veículos que irão atender usuários do Programa Porta a Porta. A expectativa é que os veículos voltem a rodar nesta quarta (22), após três longos meses em que pessoas com deficiência ficaram sem acesso ao serviço na Capital. “Já era pra ter feito isso há muito tempo. Ficaram enrolando a gente três meses. Fora que ninguém avisou que ficaria tanto tempo. Na época, deveriam ter falado que seria encerrado [o contrato] e não tinha previsão de volta. Eu mesmo só fiquei sabendo por causa de um motorista”, critica Kenedy da Vitória, morador de São Benedito e usuário do programa. Os serviços, destinados a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, foram paralisados no dia 13 de março. Nesse período, Kenedy teve que mudar toda a rotina, já que dependia do serviço para diversas atividades diárias. Ele conta que precisou trancar o curso de Turismo que fazia no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), além de ter que adiar o tratamento de problemas de saúde. “Minha vida ficou parada, porque eu dependo de terceiros. Vou ter que ir lá no Ifes, para ver se eu consigo retornar”. Apesar de aliados do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), como o presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), divulgarem vídeos dizendo que “Nunca se fez tanto pelas pessoas com deficiência”, a questão evidenciou a omissão da gestão municipal, que negou o direito dos usuários. Em um vídeo divulgado nas redes sociais de Esmael, Pazolini também diz que “o objetivo é continuar cuidando de quem mais precisa”. De acordo com o prefeito, o serviço será retomado com uma frota maior. Mensagens encaminhadas aos usuários informam que o retorno será feito de forma gradativa. Na nova licitação, apenas uma empresa se inscreveu para prestar os serviços. Nessa segunda-feira (20), alguns usuários ainda enfrentaram dificuldades para fazer o agendamento pelo aplicativo. Ao longo desses três meses, a interrupção dos serviços foi alvo de ações de parlamentares e órgãos fiscalizadores. A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) ingressou com uma Ação Civil Pública (ACP) pedindo indenização aos usuários e o retorno imediato do Porta a Porta. O deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) também chegou a acionar o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), cobrando a retomada. Em entrevista ao Século Diário, o coordenador de Direitos Humanos e Cidadania na DPES, Hugo Fernandes, ressaltou que os direitos da pessoa com deficiência estão assegurados na Constituição. “No caso do Porta a Porta, o que verificamos é uma questão ligada à continuidade e ao princípio dos serviços públicos, a questão da liberdade de locomoção e também a acessibilidade, uma vez que, com a não execução – ainda que temporária – do programa, as pessoas com deficiência estão experimentando dificuldades, inclusive em relação à acessibilidade nos meios alternativos”, enfatizou. ‘Sumiço de processo é estranho e conveniente para a Prefeitura de Vitória’ Deputado Gandini denuncia que ação judicial sobre funcionamento do programa Porta a Porta terá que ser restaurada https://www.seculodiario.com.br/justica/eles-conseguiram-o-que-queriam Defensoria Pública pede indenização para usuários do Porta a Porta Ação também requer retorno imediato dos serviços em Vitória e aponta danos morais e materiais https://www.seculodiario.com.br/direitos/defensoria-pede-indenizacao-de-usuarios-do-porta-a-porta-por-danos-materiais-e-morais
Defensoria fará diagnóstico da situação dos pescadores de Barra do Riacho
Objetivo é saber se problemas socioambientais são contemplados nas licenças da Suzano e outras empresas Leonardo Sá Quais as relações entre os problemas socioeconômicos e ambientais enfrentados pelos pescadores de Barra do Riacho, em Aracruz, norte do Estado, com os empreendimentos industriais e portuários instalados ao longo dos últimos 50 anos ao redor da comunidade, até então, uma pequena vila de pescadores? Mais precisamente, como as condicionantes socioambientais estabelecidas nos licenciamentos da Suzano Papel e Celulose (ex-Aracruz Celulose e ex-Fibria) e de empreendimentos contemplam questões como o assoreamento do rio Riacho e os consequentes fechamentos constantes da foz do rio (“boca da barra”), impedindo o acesso dos barcos ao mar? Encontrar respostas para essas e outras perguntas são o objetivo de um estudo que a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) planeja realizar visando apoiar os pescadores em sua luta para prover segurança e dignidade ao trabalho de todos os membros da cadeia produtiva da pesca, que envolve centenas de famílias na região. “Vamos estudar o caso, fazer um diagnóstico da situação, do ponto de vista jurídico, social, econômico, ambiental (…) um diagnóstico geral dos problemas enfrentados pelos pescadores, e averiguar como a questão do fechamento da foz do rio Riacho dialoga com as condicionantes da Suzano e outros empreendimentos instalados na região da Barra do Riacho”, afirma o defensor público Rafael Portella, do Núcleo de Atuação em Desastres e Grandes Empreendimentos (Nudege) da DPES, que atua junto com a defensora Jamile Soares Matos de Menezes no caso. A solução do problema, reconhece o defensor, exige “grande mobilização” de diversos atores sociais envolvidos. Até o momento, o Nudege encaminhou uma solicitação de providências, com duas demandas: abertura imediata da foz aberta (que estava fechada desde meados de maio); e definição de quais empregados ou colaboradores da multinacional são os responsáveis pelo “diálogo social da empresa com a comunidade de pescadores de Barra do Riacho”. O ofício foi direcionado à Diretoria de Sustentabilidade da Suzano – nas pessoas de Douglas Peixoto Pereira, da coordenação de Desenvolvimento Social ES/BA/MG; e de Wilson Cesar Muniz, da diretoria de Relações e Gestão Legal – e decorre de uma visita técnica realizada pela Defensoria no dia 7 de junho, na véspera de um protesto e uma assembleia realizados pelos pescadores, denunciando a impossibilidade de trabalhar em decorrência da falta de acesso ao mar. O fechamento da boca da barra é um problema antigo, de décadas, sublinha o defensor Rafael e, na avaliação dos pescadores, “é diretamente causado – ou ao menos intensificado – pela existência de comportas acima do rio”. No dia da visita técnica, complementa, “foi apontado pelos pescadores que apenas uma das quatro comportas estavam abertas e que a pouca vazão de água em muito contribui para as dificuldades de navegação local”; e “relatado que existe um compromisso entre a empresa Suzano (e anteriormente pelas outras pessoas jurídicas que a antecederam na localidade) de empreender esforços para abrir a boca da barra toda vez que a mesma impossibilitar a navegação local”. Pelos relatos, no entanto, sublinha, “parece que não há nada que assegure formalmente aos pescadores qualquer tipo de apoio [da Suzano] no desassoreamento”, avalia. A primeira medida foi atendida no dia seguinte ao ofício e protesto, com o envio de uma máquina para cavar a foz. Mas o equipamento quebrou em menos de 24 horas. No dia 13, foi preciso a Prefeitura de Aracruz enviar outra máquina. Em seguida, a Suzano remediou o problema da sua máquina quebrada e, juntas, as duas conseguiram a abrir a boca da barra na quinta-feira (16), após um mês de foz fechada. Nesse período, os prejuízos aos trabalhadores da cadeia produtiva da pesca foi imenso, relata Alexandre Barbosa, membro das associações de Pescadores e de Moradores de Barra do Riacho, do Sindpesmes e suplente no Conselho Municipal de Saúde de Aracruz. No inverno, que para os pescadores começa com o vento sul de maio, há muitos dias em que não há condições climáticas para trabalhar e, quando há ventos propícios, é preciso que o acesso ao mar esteja aberto. “A gente não quer problema com a Suzano. Ela é uma multinacional, muito grande! Mas a gente quer que ela trabalhe reparando os danos à altura”, reivindica. Máquina da Suzano quebra em um dia e pescadores continuam sem acesso ao mar Pescadores da Barra do Riacho estão há um mês sem pescar. https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/maquina-da-suzano-quebra-em-um-dia-e-pescadores-continuam-sem-acesso-ao-mar
Lacen descarta caso suspeito de varíola do macaco no Estado
Amostra ainda é analisada em laboratório de referência do Rio de Janeiro; Brasil já confirmou oito casos da doença Agência Brasil O primeiro caso suspeito de varíola do macaco no Espírito Santo, anunciado na última semana, foi descartado pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/ES). Nesta segunda-feira (20), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirmou que a amostra foi enviada ao laboratório de referência na Universidade Federal do Rio de Janeiro para investigação. “A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) informa que todos os exames de diagnóstico diferencial realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/ES) em amostras coletadas em homem estrangeiro, 44 anos, comandante de embarcação marítima, com suspeita de varíola do macaco (monkeypox), foram descartados”, informou a pasta. O paciente segue em isolamento. Ele recebeu alta do hospital privado da Grande Vitória em que estava internado desde a última quarta-feira (15). Trata-se do comandante de uma embarcação marítima de carga procedente de Singapura, que estava fundeado na costa capixaba. No último dia 9, ele começou a apresentar sintomas como febre e erupções cutâneas, sintomas que também têm sido relatados por pessoas contaminadas pela nova doença ao redor do mundo. De acordo com a Sesa, até o momento, não há novos casos suspeitos de monkeypox no Espírito Santo. Enquanto isso, nesse domingo (19), o Ministério da Saúde informou que foi confirmado o oitavo caso no Brasil. O homem de 25 anos, morador da região metropolitana do Rio de Janeiro, não viajou para o exterior, mas teve contato com estrangeiros. A identificação de casos em diferentes países do mundo acendeu o alerta de médicos e especialistas. No último sábado (18), a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu passar a trabalhar em uma resposta unificada ao vírus. Isso porque, antes dessa nova onda de disseminação da doença, a varíola do macaco era considerada endêmica em países da África Central e da África Ocidental, onde o vírus circulava o ano todo, com volume esperado de casos. Nos últimos meses, no entanto, casos passaram a ser identificados em outras partes do mundo, principalmente na Europa, que é responsável por 84% dos casos notificados. De acordo com a OMS, só entre janeiro e junho deste ano, 2.103 casos confirmados da doença foram relatados em 42 países. Espírito Santo investiga primeiro caso suspeito de varíola do macaco Estrangeiro de 44 anos, internado nesta quarta, é monitorado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) https://www.seculodiario.com.br/saude/espirito-santo-investiga-primeiro-caso-suspeito-de-variola-dos-macacos
Afinados
Programas sobre a Bossa Nova mostram que ainda existem coisas que prestam na TV Desafinado é um marco da Bossa Nova. Música de João Gilberto, que, segundo os pesquisadores, foi um gênio. Esse dado serviu apenas de munição para este presente artigo. Enquanto os canais livres passam Fantástico, Domingo Espetacular, programas de esportes ou filmes populares, tem canais que mostram coisas superinteressantes, como programas atuais sobre a Bossa Nova. Domingo desses, o canal ‘Film$Art’ passava, no horário noturno nobre, um programa denominado Nossa Bossa. Nele estavam reunidos alguns dos nomes daquela época, como Osmar Milito, Marcel Powell (filho de Baden), Leila Pinheiro e, por incrível que pareça, Tony Garrido, inclusive o responsável pelo encontro de todos os músicos e intérpretes. Músicas como: Chega de Saudade, Meditação, Corcovado, O Barquinho, Pela luz dos Olhos Teus, Surf Board, O Morro não Tem vez, Eu sei que Vou te Amar, Águas de Março, Se Todos fossem Iguais a Você e outras foram cantadas pelos intérpretes acima citados. Confesso que naquela noite “achei” este programa e, eu que vivi a Bossa Nova, deu para emocionar. Teve uma hora que Tony Garrido falou: “É impossível deixar de mostrar essas músicas, são coisas maravilhosas, riquíssimas em letra e música”; logo ele que faz sucesso com um conjunto de reggae. Enfim, ainda existem coisas que prestam na televisão brasileira. PARABÓLICAS Ferreira Neto é um dos radialistas mais sensíveis e completos do rádio, atuando na Rádio ES. Meu amigo Geraldo Magela deixando saudades dos tempos da Gazeta, onde a gente tinha a Confraria das Sextas. Fabio Pirajá posta fotos de suas novas manias. Entre outras coisas, virou “chef”, fazendo pratos incríveis. E o Amaro Neto volta suas forças para a reeleição. Na realidade, a comunicação perdeu um grande nome em prol da política fálica. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Spiral Starcase – More Today Than Yesterdayhttps://www.youtube.com/watch?v=BKqMotjgpk8 MENSAGEM FINALDentro de nós está o poder do consentimento para a saúde e a doença, a riqueza e a pobreza, a liberdade e a escravidão; somos nós que controlamos isso e não os outros. Bernard Shaw
Estudo lista 278 espécies de peixes na APA Baía das Tartarugas
Biodiversidade e pesca artesanal podem dar as mãos, defendem pescadores excluídos da unidade de conservação em Vitória Uma grande biodiversidade marinha sobrevive em meio à região de maior adensamento urbano do Espírito Santo. A constatação é dos pesquisadores responsáveis pela elaboração da primeira lista de espécies de peixes da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía das Tartarugas, em Vitória. O estudo registrou 278 espécies, sendo que dessas 233 são peixes recifais, o que corresponde a cerca de 32% dos peixes encontrados em toda o país. Outro destaque é a existência de 20 espécies endêmicas das águas brasileiras e 12 ameaçadas de extinção. “Mostra a importância biológica da região”, acentuam os autores do levantamento. Espécies endêmicas da Província Brasileira encontradas na APA Baía das Tartarugas. Fotos: João Luiz Gasparini O artigo pode ser acessado na íntegra no site do Jornal Pan-Americano de Ciências Aquáticas e é escrito pelo cientista do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP) Hudson Pinheiro, pelo pesquisador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nupem/UFRJ), João Luiz Gasparini, e pelo graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Guilherme da Cruz. Na publicação, os cientistas ressaltam que o nome da APA decorre da grande ocorrência de indivíduos juvenis da Tartaruga-verde (Chelonia mydas) e que a região possui “uma grande diversidade de ambientes, como estuários, recifes rochosos, praias arenosas e poças de maré (…) e “está localizada no meio de uma região de transição biogeográfica, formando um ecótono de espécies marinhas do norte e do sul do país”. Ecótonos são áreas de encontro entre dois ambientes com características diferentes. No caso da Baía de Vitória, trata-se de uma latitude onde o litoral brasileiro tem seu ponto de transição, marcando, inclusive, o início do Banco de Abrolhos, que tem no Parque Nacional Marinho homônimo, localizado no sul da Bahia, seu principal local de proteção da incrível biodiversidade que faz da região um grande berçário. João Luiz Gasparini Também a cadeia submarina Vitória-Trindade é um diferencial único em todo o litoral brasileiro, caracterizada por um conjunto de montanhas submersas que ligam o litoral da capital capixaba até a ilha oceânica de Trindade, a 1,2 mil km, um dos principais sítios reprodutivos da tartaruga-verde, cujos filhotes vêm se alimentar em Camburi e outras praias do Espírito Santo e outros estados do Sudeste e Nordeste. Em meio a tanta riqueza e sensibilidade ambiental, os pesquisadores destacam a diversidade de pressões antrópicas, impactos de atividades humanas sobre a natureza. “Dentre as problemáticas, podemos encontrar o descarte inadequado de efluentes, a intensa atividade portuária e a pesca ilegal”, assinalam. Pesca ilegal que também é denunciada pelos pescadores artesanais locais. No âmbito do Comitê Estadual de Gestão Compartilhada para o Desenvolvimento Sustentável da Pesca (Compesca) – que desde 2003 reúne bimestralmente representações de 13 instituições públicas federais e estaduais, 13 prefeituras, nove associações e nove colônias de pesca, além dos Ministérios Públicos Estadual (MPES) e Federal (MPF) – algumas soluções já foram encaminhadas nesse sentido, buscando frear a invasão de grandes barcos de fora com instrumentos predatórios de pesca de lagosta, camarão e outros. A solução para a exclusão dos pescadores artesanais da gestão e da vida da APA, no entanto, ainda não foi encontrada. Exclusão A unidade de conservação foi criada há quatro anos – Decreto 17.342/2018 – e abrange toda a Baía de Vitória, desde Complexo de Tubarão, no limite com a Serra, até as proximidades da Terceira Ponte, incluindo a praia de Camburi e Curva da Jurema, e as ilhas do Boi e do Frade, totalizando 1,6 mil hectares, sob gestão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam). João Luiz Gasparini Abrange, portanto, uma área litorânea com intensa densidade demográfica e diversificados usos econômicos, com destaque para o porto de Tubarão, que atende a um dos maiores complexos minerossiderúrgicos do mundo, formado pela Vale e ArcelorMittal, que produz grande poluição atmosférica e do mar. Além disso, a região é palco de atividades de lazer pela população local e de outras regiões da Grande Vitória e do Estado, além de um ecoturismo em desenvolvimento focado no potencial da observação de baleias. E, o mais antigo dos ofícios no local, a pesca artesanal. O objetivo legal é “ordenar os usos das diversas atividades de modo a assegurar a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental dos ecossistemas costeiros”. Mas, na prática, simplesmente excluiu a atividade mais tradicional. Desde que foi criada – na verdade, no ano anterior já havia uma proibição por parte da prefeitura – os pescadores artesanais da Baía de Vitória foram expulsos do local. Apesar dos protestos e reivindicações, ainda não integram o conselho gestor da APA e continuam apartados da importante área de pesca, que é tradicionalmente usada pelas famílias pescadoras da Ilha das Caieiras. “Não entendo como isso não foi resolvido ainda [a ausência dos pescadores no conselho gestor da APA]”, repudia o vice-presidente da Associação dos Pescadores, Marisqueiros e Desfiadeiras da Região da Grande São Pedro, Celso Henrique Luchini. “Essa pesca que a gente faz é uma profissão milenar. Vitória é uma ilha. A pesca sempre fez parte da vida do município, não pode chegar e proibir. Precisa é criar uma lei que permita a natureza e a pesca andar de mãos dadas”, sugere. Ellen Campanharo/Ales “O pescador artesanal não é o culpado pela poluição, pela degradação. Ele não joga toneladas de óleo no mar, pó de minério, toneladas de esgoto. Não é ele que tem porto para navios que jogam rejeitos na água. Ele sabe que tem que cuidar, senão, não vai ter nada para ele”, expõe. A baía de Vitória é uma área importante de pesca para as famílias, especialmente as da Ilha das Caieiras. “É um mar de boca aberta. Muito difícil para a gente perder essa área. Camburi tem biodiversidade, golfinhos, tartarugas…tem que trabalhar em conjunto, proteger a natureza sem tirar o sustento das famílias dos pescadores”, reivindica. Pesca assistida A conciliação pesca e conservação foi defendida na Assembleia Legislativa em fevereiro, durante
‘Sumiço de processo é estranho e conveniente para a Prefeitura de Vitória’
Deputado Gandini denuncia que ação judicial sobre funcionamento do programa Porta a Porta terá que ser restaurada Tati Beling/Ales A novela do serviço Porta a Porta, que ainda não foi retomado em Vitória, teve mais um capítulo na Justiça. De acordo com o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), a prefeitura informou que perdeu o processo que apura o cumprimento do programa e os autos terão que ser restaurados. “Meu advogado esteve lá e verificou. Eles fizeram carga e perderam o processo. Vão ter que recompor todos os autos agora, se conseguirem, né? Na verdade, era o que eles queriam, parar tudo”, denuncia. Gandini se refere a um processo que investigava o funcionamento do Porta a Porta antes mesmo do serviço ser paralisado, em março deste ano. “O sumiço é estranho e conveniente para a prefeitura, que vem retirando um direito adquirido das pessoas com deficiência. A cidade sente a ineficiência dessa gestão, principalmente os mais pobres, que mais precisam de serviços públicos”, reforça. Em maio, o deputado entrou com um pedido de busca e apreensão no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), para recuperação dos documentos, acusando a retenção irregular do processo pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), o que definiu como “obstrução da Justiça”. O documento em posse da prefeitura, que agora precisará ser restaurado, é a ação que tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública Municipal, determinando que o município preste regularmente os serviços. A medida foi proposta pelo Ministério Público do Estado (MPES) contra o município, com o objetivo de regular o funcionamento do programa, que já foi alvo de denúncias anteriormente. Sem o processo, a tramitação não corre regularmente e as decisões já proferidas em torno do tema não são efetivamente cumpridas. A 5° Vara da Fazenda Pública Estadual já tinha determinado que o município deveria aumentar a frota do programa em oito veículos e reduzir o período de agendamento de três dias úteis para duas horas. Até o momento, usuários do serviço Porta a Porta continuam sem acesso ao programa em Vitória. Em maio, a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) ingressou com uma Ação Civil Pública (ACP) pedindo indenização aos usuários e o retorno imediato do atendimento, o que até agora não aconteceu. O órgão aponta danos morais e materiais provocados durante o período em que o atendimento está parado, desde 13 de março. “O que verificamos é uma questão ligada à continuidade e ao princípio dos serviços públicos, a questão da liberdade de locomoção e também da acessibilidade, uma vez que, com a não execução – ainda que temporária – do programa, as pessoas com deficiência estão experimentando dificuldades, inclusive em relação à acessibilidade nos meios alternativos”, pontuou na ocasião o coordenador de Direitos Humanos e Cidadania na DPES, Hugo Fernandes. Gandini pede busca e apreensão de documentos do programa Porta a Porta Deputado estadual aponta que Prefeitura de Vitória retém, irregularmente, processo que apura o cumprimento do programa https://www.seculodiario.com.br/justica/gandini-pede-busca-e-apreensao-de-documentos-do-porta-a-porta-em-vitoria Defensoria Pública pede indenização para usuários do Porta a Porta Ação também requer retorno imediato dos serviços em Vitória e aponta danos morais e materiais https://www.seculodiario.com.br/direitos/defensoria-pede-indenizacao-de-usuarios-do-porta-a-porta-por-danos-materiais-e-morais
Jornalista e ambientalista intimidados em Santa Teresa pedem justiça
Denúncias de crimes ambientais por empresários do setor imobiliário motivaram as agressões, registradas em evento público “Num momento em que o Brasil chora a morte do jornalista britânico Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira, no Espírito Santo, em Santa Teresa, o jornalista Bruno Lyra e a ambientalista Carmem Barcellos estão sendo intimidados e sofrendo ataques à liberdade de imprensa pela divulgação de irregularidades em parcelamentos de áreas rurais, degradação de solo, danos a fontes de águas e ao ecossistema”. Assim Carmem inicia uma postagem em que divulga um link com uma dezena de documentos e duas dezenas de vídeos produzidos pelo portal de artigos e notícias fundado por ela, O Convergente, com base em denúncias anônimas relacionadas a possíveis crimes ambientais cometidos no interior do município, na região serrana capixaba. “É assustador verificar, in loco, o tamanho do estrago no ecossistema do município teresense e o prejuízo que o município e cidades que dependem da água que nasce em Santa Teresa terão se não for feito algo maior do que apenas operações que pegam pequenos infratores, mas não os verdadeiros grandões. A sensação que muitos da população teresense têm é da impunidade e de descaso das autoridades competentes e dos órgãos fiscalizadores com o município”, alerta a ambientalista. Denúncias nesse sentido já foram levada a público também por Século Diário, ao noticiar várias irregularidades ambientais ocorridas em Santa Teresa e municípios vizinhos, sem fiscalização e punição a contento por parte dos órgãos ambientais estaduais e municipais. Para falar sobre os ataques sofridos pela dupla em função do trabalho de denúncia ambiental, o jornalista Bruno Lyra conversou com Século Diário e contou as medidas que ambos vêm tomando. O episódio de intimidação e agressão que sofreram ocorreu no último dia 3 de junho, durante solenidade do governo do Estado para lançamento dos editais para novas obras do Programa Caminhos do Campo no município, no valor de R$ 14 milhões. Secom-ES Ele conta que havia terminado de entrevistar o governador Renato Casagrande [PSB] e o prefeito, Kleber Medici [PSDB], quando se virou e se viu diante do empresário Élcio Thomazini. “Como é sabido em Santa Teresa, Élcio Thomazini é um dos principais empresários do setor imobiliário que investe em loteamentos rurais e causam muitos desmatamentos, exposições de lençóis freáticos, ocupação de APPs [Áreas de Preservação Permanente], parcelamento desordenado do solo”, salienta. “O prefeito tinha acabado de citar o Élcio Thomazini como um dos articuladores do pool de empresários que elaborou o projeto de pavimentação da Rota do Caravaggio, um dos trechos que o governo do Estado havia incluído no edital do Caminhos do Campo. Então perguntei a ele sobre o desafio de conciliar o crescimento de mercado com loteamentos rurais com a preservação ambiental. Ao invés de responder ou dizer que não queria responder, ele pegou meu telefone da minha mão e tentou desligar”, relata. Reprodução Enquanto o embate acontecia entre os dois em meio à multidão dos presentes à solenidade, o jornalista conta que outro empresário, Antônio Junior Macci, conhecido como Juninho Macci, proprietário da Jardinagem Serrana, se aproximou e passou a esbravejar. “Eu tinha dito ao Thomazini que ele não podia fazer aquilo, pegar meu celular, tentar desligar. Daí o Juninho Macci chegou muito agressivo, dizendo que ele que queria falar comigo, que eu era autor de fake news. Eu respondi que não tinha condições de fazer entrevista devido à maneira agressiva que ele se dirigia a mim. Me afastei e disse que se ele continuasse eu iria chamar a polícia”. Reprodução Simultaneamente, em outro local do auditório, Carmem Barcellos também relatou que foi hostilizada por outro representante do setor imobiliário do município, Emerson Sancio, conhecido como “Dengo”, filho do presidente da Câmara de de Santa Teresa, Vanildo Sancio (PSB). Bruno conta que “Dengo” se dirigiu a Carmem “visivelmente transtornando”, acusando-a de publicar fake news e dizendo que iria processá-la. Apesar das intimidações serem feitas diante do presidente da Câmara Municipal, este não tomou qualquer atitude contra os ataques deferidos pelo filho à articulista, ao contrário continuou “rindo” diante do ocorrido. “Dengo’ também está parcelando o solo de forma desordenada no município. Já teve empreendimento embargado, porque fez intervenções além do que permitia a licença emitida pelo Idaf [Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo]”, afirma. Liberdade de imprensa Na ocasião, Bruno ressaltou no portal de notícias que o fato ocorreu às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 7 de junho, e que “esta violação é um símbolo de como alguns do poder econômico e político lidam com a imprensa, buscando tirar a liberdade do trabalhador jornalista”. E disse que tudo aconteceu a poucos metros do governador Renato Casagrande, do prefeito Kleber Medici e de outras autoridades, “mas não foi possível perceber que alguma dessas autoridades notou o que ocorria, uma vez que as pessoas se dispunham em grupos que conversavam entre si, fato típico ao que ocorre após solenidades desta natureza”. Outros políticos que participaram da solenidade são citados: o ex-prefeito Claumir Zamprogno (PSB), os deputados estaduais Marcelo Santos (Podemos), Adílson Espíndula (PDT), Emílio Mameri (PSDB), Dari Pagung (PSB), e os federais Da Vitória (PP) e Paulo Folleto (PSB), além de vereadores e secretários de Estado. Proteção Também fragilizada, Carmem publicou um pedido de apoio: “Não deixem que matem um ambientalista para só depois darem voz às suas denúncias. Não deixem que silenciem um jornalista por falta de apoio. Basta a omissão de quem pode ajudar para conseguirem sufocar quem alerta. (…) Neste momento, precisamos do apoio e pronunciamento público de todas as autoridades e veículos de comunicação. Que estes apurem e repercutam o que está acontecendo conosco para que não sejamos calados. Para que não calem outras vozes de ambientalistas e jornalistas, como temos visto no Brasil. Não é necessário matar para que estas vozes sejam sufocadas, basta que a justiça não seja feita, o apoio seja negado e sejamos deixados sós. (…) A natureza e os que a defendem precisam de todos nós unidos. Não deixe que quem se oferece para lutar fique sozinho”. Um outro ofício foi encaminhado por ela e Bruno