Ainda restam pelo menos duas a três décadas para o País recuperar o estrago do desastre Bolsonaro O cenário eleitoral no Espírito Santo, a menos de dois meses da campanha eleitoral, mostra uma tendência, qualquer que seja o resultado nas urnas, em outubro, que não ocorrerão as mudanças reclamadas nas manifestações populares de 2021, em lives, seminários e encontros promovidos pelo campo progressista e os trabalhadores: a pressão da esquerda, meio esfarrapada, não rendeu os frutos esperados. No cenário nacional, mesmo a vitória em primeiro turno do ex-presidente Lula, apontada nas pesquisas, caso se concretize, representará apenas o começo do ajuste nas coisas destruídas – e foram muitas. Ainda restam pelo menos duas a três décadas para o Brasil recuperar o estrago causado pelo desastre Jair Bolsonaro, assentado na base construída pelo antecessor Michel Temer (MDB), elevado à condição de autor do programa Ponte para o Futuro, rejeitado pela ex-presidente Dilma Rousseff e motivo do seu impeachment em 2016. Essa mudança, no entanto, depende do crescimento das forças progressistas, a fim de impedir o reforço da esteira de acontecimentos, à frente o capital financeiro internacional e as elites brasileiras, bastantes atrasadas, como assinala o sociólogo Jessé Souza, que possibilitaram a um punhado de militares, pastores evangélicos e outros oportunistas passar a ocupar funções nas casas parlamentares nos estados e municípios. Um fruto do bolsonarismo, cartilha do autoritarismo, da destruição, do entreguismo e da irresponsabilidade, algoz da nossa soberania enquanto nação, e gerador de pobreza e fome, além de estimular a violência e o banditismo. Quadro em que são dizimados não só pretos e pobres, mas também trabalhadores como o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, há quase duas semanas desaparecidos na selva amazônica, região dominada pelo garimpo ilegal, narcotraficantes e grileiros, como resultado da política genocida do governo, que investe contra os povos indígenas e o meio ambiente. Esse cenário insere, também, o Espírito Santo e, por aqui, nada é diferente. Basta observar as ações de empresas como a Suzano, que há décadas aterroriza áreas de quilombolas e de povos originários em Conceição da Barra de São Mateus, norte do Estado. As denúncias caem no esquecimento e vão se amontoando nos escaninhos dos órgãos públicos, como a mais recente envolvendo o Território Quilombola do Sapê do Norte. Os discursos de campanha passam ao largo dessas questões e basta observar a relação de pré-candidatos, para ter a certeza de que pouca coisa será alterada. Para o governo, a escolha será, no quadro atual, como se fosse trocar seis por meia dúzia. O comprometimento visa somente a vitória eleitoral, dentro de uma visão curta, sem olhar para o coletivo. Renato Casagrande (PSB), atual governador, alinhado a grupos empresariais com o mesmo jeitão que seu antecessor, Paulo Hartung (sem partido), lidera a corrida e disputará a reeleição com o grupo mais à direita, a maioria bolsonarista ferrenha, numa salada na qual se misturam todos os temperos, mas de sabor insípido, sem ideologia nem projeto contextualizado com as reais necessidades sociais. Um exemplo é o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, da Rede, partido federado com o Psol, que se aproxima do bolsonarista Douglas Pinheiro, presidente estadual do Solidariedade. Outro, o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), em busca de votos no terreno bolsonarista dos evangélicos, reduto de Erick Musso (Republicanos) e de Carlos Manato (PL), em vantagem na bolsa de apostas dos sistemas religiosos por contar com o pagodeiro/pastor e ex-senador Magno Malta (PL), que trabalha para retornar ao posto e se vale da desinformação do seu eleitorado, no mesmo patamar do eleitor do presidente da República. Por último, Felipe Rigoni (União), o mais comprometido com as políticas neoliberais, contrário à classe trabalhadora. Apesar das aparências e do chamamento de mudanças, as alterações só ocorrerão a partir do reagrupamento das forças progressistas, muitas delas cooptadas pelo brilho do capital e vantagens individuais. As alianças políticas estão à vista de todos para comprovar a afirmativa.
Arraia
Vi a arraia estendida na pista que cobre o píer, já vencida pelo cansaço Sentir a maresia nos pulmões, entre os marulhos que dançam nos ouvidos. E depois, com a música batendo e a caminhada vigorosa adiante. Em uma tarde suave na Praia de Camburi, onde estou muitas vezes para ir por todo o calçadão, como num hábito de suar e não parar nunca, à espera da chegada e de um banho confortável, da sensação de bem-estar que vem após o esforço físico. A disposição, nesta tarde em que cheguei a Vitória, no Espírito Santo, eu não sabia que poderia ser uma tarde inspiradora. A caminhada se fazia como rotina, um exercício comum, em que as minhas pernas vão adiante, e não paro, não descanso e nem me canso, vou e volto no mesmo fôlego. Me habituei à caminhada longa, que dura em torno de duas horas, sem parada, somente se for, eventualmente, para beber uma água de coco. Na Praia de Camburi agora tem aos montes. As barraquinhas em que você pode pagar tudo no Pix ou no PicPay. Normalmente, eu vou até o final da praia, na altura do píer de Iemanjá, mas não entro no píer, só se me der vontade. Nesta tarde, no entanto, me deu vontade de avançar até o píer, entrar e ir até o final, onde fica a grande estátua de Iemanjá, perto da Ilha do Frade, e que tem uns barcos e alguns pescadores. O vento vem suave, e o cheiro da maresia e a sensação da imensidão e de que não sei de nada como uma convicção de fortuna. Conto com o que vem, confio, mesmo sem saber. Parei, e se não me engano, sentei na beirada final do píer de Iemanjá. A grande estátua tem os braços estendidos, como se recebesse quem ali vinha para pensar, contemplar e olhar o horizonte, entre os navios que saíam do Porto de Tubarão, e a grande praia estendida à esquerda, formando um grande arco, uma parábola de areia comum à toda enseada. O mar é esverdeado, o céu estava claro, tudo em paz, e eu já sentindo o conforto que advém do esforço da caminhada, que é a energia ligada, a disposição ativada e a respiração conduzindo tudo entre os batimentos do coração. Depois de ter ter feito a minha contemplação, pensado na vida, ou apenas respirado calmamente, relaxando da primeira parte da caminhada, pois ainda teria a volta até o bairro de Jardim Camburi, eu não tinha ideia de que algo me surpreenderia, e que é comum aos pescadores, um evento banal, mas que me chamou a atenção e me fez tirar até uma foto: era um pescador que tinha pescado uma arraia. A cena que vi foi de quando levantei do final do píer e fazia o meu retorno para a caminhada, mas parei ao ver, nas pedras de baixo que também cobrem o píer de Iemanjá, no lado voltado à Praia de Camburi e diante do mar, um pescador que lutava com uma arraia. Ele fazia a doma desta arraia, e esta se debatia ferozmente nas pedras, com o anzol que já a tinha capturado, e neste caso não vi arpão, se não me engano. A luta do pescador com a arraia se debatendo, ele tentando domá-la, tudo formando uma grande coreografia de pesca. A coreografia foi intensa, até que o pescador, que também se equilibrava entre as pedras irregulares e protuberantes que formavam o píer, conseguiu domar a sua fera, ou melhor, a arraia. A luta pela vida deste parente próximo do tubarão tinha sido em vão. Eu acompanhei esta luta feroz entre pescador e pesca, e que sendo tão comum a um pescador, era algo digno de uma foto para um transeunte que não pesca. Se fosse um peixe, não teria sido tão curioso. Mas esta cena de arraia era já um evento diferente no meu primeiro dia em Vitória, depois de ter vindo de avião do Rio de Janeiro. Ao final, eu vi a arraia estendida na pista que cobre o píer, já vencida pelo cansaço, respirando nada mais, pois era um peixe cartilaginoso, do filo dos chordata, da subclasse dos Elasmobranchii, que possui fendas branquiais, que agora procuravam o H²O, e não havia mais, estava fora do mar, estendida no chão do píer. Foi quando eu bati a minha foto, como se fosse algo de um rolê aleatório, de algo que passa como irrelevante nas redes sociais, mas que me faz postar mesmo assim. Pois o que me chama atenção, muitas vezes, pode ser interessante para uma crônica, mas passa batido para muitos outros temperamentos, também nas redes sociais. Postei esta foto no Instagram, e pareceu mesmo um rolê aleatório, pois tinha mais de um ano que não usava o Instagram. Só fiz isso do nada. As arraias típicas possuem barbatanas, têm o corpo achatado, com uma diferença apenas morfológica dos tubarões. São peixes batoides, pois suas fendas branquiais estão debaixo da cabeça, diferente dos tubarões. Podem viver no fundo do mar como as arraias demersais, e tem o caso das jamantas, que são pelágicas (isto é, vivem próximas a ilhas). Tem ainda as arraias verdadeiras, que possuem barbatanas dorsais na extremidade da cauda, além dos uges ou ratões, estes que possuem na cauda um espinho venenoso que podem causar náuseas, vômitos, etc. As toxinas na cauda de algumas arraias também podem ser fatais para um ser humano. Uma tarde calma na Praia de Camburi me trouxe este cenário inusitado. Passaram alguns meses e acho que a descrição tão prosaica tem uma riqueza de coreografia. Nada substitui a sensação de ver este embate do pescador com a arraia. Este texto não cobre a intensidade de ver e ouvir aquelas barbatanas batendo nas pedras, e o anzol puxando e repuxando, e o pescador fazendo seu trabalho de musculação e resistência para domar este peixe batoide, primitivo, com cartilagem, e que lutava para não morrer. Outra coisa curiosa, por fim, foi eu ter ido até o final do píer ao invés
Empacado (ainda)
Sem martelo: definição sobre candidatura ao governo do Estado de Fabiano Contarato não sai nesta semana Marcos Oliveira/Ag.Senado A expectativa da militância do PT e do mercado político do Estado em relação à candidatura ao governo do senador Fabiano Contarato não chegará ao fim nesta quarta-feira (15), prazo final anunciado até então pelas nacionais do partido e do PSB, do governador Renato Casagrande, para bater o martelo na aliança, que tem impasses não só no Espírito Santo, como em outras seis regiões. As definições, empacadas há meses, foram adiadas, decorrente da ainda falta de acordos e, também, da mudança de agenda de Lula, peça-chave das articulações, decorrente de contaminação por Covid-19. O Espírito Santo aparece no xadrez como uma das regiões onde o PT poderá intervir e o PSB exigir retirada de candidatura, neste caso de Contarato, a contragosto de movimentos locais protagonizados pela direção estadual, pela base e por parlamentares petistas, intensificados nos últimos dias. A condição para a aliança, como se sabe, é Casagrande abraçar o palanque de Lula. Nessa segunda-feira (13), o governador, que vinha fazendo discurso protocolar de cumprir a decisão da nacional do PSB, declarou seu voto em entrevista oficial: “vou apertar o 13, vou votar em Lula”. A iniciativa vem na esteira de uma reunião realizada entre as executivas capixabas dos dois partidos, em que o governador acenou, enfim, para o PT, a essa altura, aparentemente convencido de que a divisão de votos com Contarato só tem a atrapalhar seus planos de tentar liquidar a reeleição no primeiro turno, essencial para reduzir os riscos do cerco de candidaturas de oposição e do campo da direita e extrema direita. Mais uma rodada“Murcho” com a falta de definições, o presidente da nacional do PSB, Carlos Siqueira, convocou reunião com seus candidatos aos governos para a próxima segunda-feira (20). Espírito Santo e Rio Grande do Sul devem ser os primeiros nós a serem desatados, em tese, com desfechos ainda na próxima semana. TratativasO “x” do palanque exclusivo para Lula, porém, permanece. Casagrande não arredou o pé da defesa de uma “frente ampla”, mas, pelas movimentações mais recentes, isso não incluiria o presidente Jair Bolsonaro, adversário direto do petista. Seguimos à espera dos próximos capítulos… Já começou Nas pesquisas iniciais para a disputa ao governo, o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), não aparece como candidato ameaçador, pelo contrário, bate apenas 3% das intenções de votos e pode, inclusive, ficar pelo caminho até as definições finais, recuando para uma composição de chapa. Mas já é alvo de vídeo que circula nas redes sociais…. Já começou IIO material é daqueles sem identificação de autoria que costumam rolar em períodos eleitorais e, igualmente, com pesadas críticas. Durante três minutos, são intercalados fatos e recortes de jornais que contestam o slogan de campanha do deputado, que tem se apresentado como “o novo líder”. Outro alvo é o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro. Já começou IIINão vou me aprofundar nos termos e acusações, pois, repito, não tem autoria, mas o recado é: “O novo Erick Musso é mais velho que andar para trás”. E aí, entraram as relações com o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o caso de reeleição antecipada para a Mesa Diretora da Assembleia, distribuição de cargos comissionados, e etc., etc e etc. Até de “novo coronel” Erick é chamado. Guerra!O vídeo dá, com antecedência, o tom do que promete ser a disputa eleitoral deste ano ao governo, com candidatos sobrando e, assim como no campo nacional, polarização entre os campos da direita e esquerda. Vai ser disputa ou guerra? Tudo indica que opção…dois! Mais vídeoNotificado em queixa-crime pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, após acusá-lo de “bater em mulher” no maior evento conservador do mundo (CPAC), o ex-senador Magno Malta (PL) gravou vídeo nas suas redes sociais nesta terça-feira (14), em tom mais ameno, porém avisando: “continuarei fazendo, independente do que pode acontecer”; “tudo que disse é verdade”; e “não vão me calar”. ReaçõesA propósito, os ataques de Malta aos ministros do STF, que envolveram além de Barroso, Alexandre Moraes, Edson Fachin e Rosa Weber – o colocaram duas vezes entre os assuntos mais comentados do Twitter nessa segunda e terça-feiras (13 e 14). Para o bem e para o mal… Nas redes“(…) Temos que ser fiéis aos nossos princípios. Temos que ter posicionamento. Eu sou fiel ao meu propósito. Sou defensor da igreja, dos pastores. Mas acima de tudo, sou defensor da minha fé. Decepção tem nome: Sérgio Meneguelli”. Vereador de Vila Velha Devanir Ferreira (Republicanos), indignado com o candidato ao Senado do seu partido, após entrevista ao colunista Vitor Vogas, do ES360, em que declarou, entre outras e tantas, “não ter nada de conservador”. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Magno’s show Das redes sociais para os eventos políticos, os ataques cada vez mais pesados de Magno Malta aos ministros do STF https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/magno-s-show Baldes de água fria? Decisão no impasse PSB-PT tem data: 15 de junho, no máximo! Nacionais defendem aliança, ao contrário dos movimentos registrados no Estado https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/baldes-de-agua-fria
Ministro do STF entra com queixa-crime por calúnia contra Magno Malta
Ataques ao ministro Luís Roberto Barroso foram apontados como fake news EBC O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, apresentou queixa-crime em que pede a abertura de uma ação penal por calúnia contra o ex-senador Magno Malta (PL), pré-candidato ao Senado. O ministro adotou a medida depois de declarações feitas por Malta na Conservative Political Conference (CPAC Brasil), maior conferência conservadora do mundo, importada dos Estados Unidos pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), realizada sábado e domingo passados em Campinas, São Paulo. Magno Malta, além dos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a seus ministros, afirmou que o ministro Barroso “batia em mulher”, entre outras graves acusações que envolveram também Alexandre de Moraes, que será o relator do processo no STF, Edson Fachin e Rosa Weber, sob aplausos de lideranças bolsonaristas representantes da direita e da extrema direita. Segundo a defesa de Barroso, em declarações à imprensa nacional, “as agressões feitas por Malta contra ele e outros ministros da Corte durante o evento não foram um ato isolado, mas fazem parte da rede organizada para disseminar fake news contra a instituição e seus integrantes, o que já é investigado no STF”. O inquérito das fake news e das milícias digitais é relatado por Moraes no órgão de Justiça. O ministro determinou que o ex-senador se manifeste em até 15 dias. Na queixa-crime, Barroso afirma que a “conduta de atingir a honra e a imagem de terceiro assumirá maior gravidade quando – como no caso em exame – for empregada deliberadamente para minar a confiança da população nas instituições democráticas, por meio de calúnia e injúria voltadas contra aqueles responsáveis pelo desempenho de atividades necessárias ao próprio funcionamento da democracia”. O processo citado por Malta se trata de uma queixa-crime apresentada em 2013, por uma advogada que Barroso desconhecia e entrou com uma ação considerada “delirante” contra diversos agentes públicos, entre eles os próprios ministros, procuradores e desembargadores, requerendo de Barroso indenização de R$ 100 milhões. O caso foi arquivado pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando falsas acusações e perseguição. “Não há qualquer vestígio de veracidade na fala de Magno Malta”, diz nota do STF. O evento conservador reuniu cerca de mil pessoas e foi marcado por discursos sobre desconfiança das pesquisas eleitorais, que confirmam a liderança do ex-presidente Lula na corrida presidencial deste ano, e ataques ao processo de votação, tema utilizado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, que participou de forma online do evento, para desacreditar o sistema eleitoral. Os ataques de Magno Malta não atingiram apenas o ministro Barroso. Foram citados, sempre com temos ofensivos, os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Rosa Weber, na esteira de ataques dos bosonaristas, que, desse modo, seguem a tática do presidente da República de desrespeitar as instituições, sendo, por esse comportamento, apontado como autoritário e antidemocrático. Magno’s show Das redes sociais para os eventos políticos, os ataques cada vez mais pesados de Magno Malta aos ministros do STF https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/magno-s-show
Porte de arma para agentes socioeducativos é autorizado pela Assembleia
Depois de sucessivos adiamentos, proposta foi aprovada com apenas um voto contrário, de Iriny Lopes Foi aprovado, na sessão ordinária desta terça-feira (14), o Projeto de Lei Complementar (PLC) 38/2019, que garante o porte de armas aos agentes socioeducativos. De autoria do ex-deputado estadual e atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), a proposta obteve voto contrário somente da deputada Iriny Lopes (PT). Todos os demais parlamentares foram favoráveis. Marcelo Santos (Podemos) se absteve por estar no comando da presidência da Casa na ausência de Erick Musso (Republicanos), não podendo votar. Os demais deputados são Adilson Espindula (PDT), Alexandre Xambinho (PSC), Bruno Lamas (PSB), Capitão Assumção (PL), Carlos Von (DC), Alexandre Quintino (PDT), Dary Pagung (PSB), Danilo Bahiense (PL), Hércules da Silveira (Patri), Emilio Mameri (PSDB), Rafael Favatto (Patri), José Esmeraldo (PDT), Freitas (PSB), Fabricio Gandini (Cidadania), Hudson Leal (Republicanos), Janete de Sá (PSB), Luciano Machado (PSB), Luiz Durão (PDT), Marcos Garcia (Progressistas), Marcos Madureira (PP), Marcos Mansur (PSDB), Raquel Lessa (PP), Renzo Vasconcelos (PSC), Sergio Majeski (PSDB), Theodorico Ferraço (PP), Torino Marques (PTB) e Vandinho Leite (PSDB). O líder do governo, Dary Pagung, apresentou uma emenda, que foi aprovada e estabelece que as armas não podem ser utilizadas dentro da unidade socioeducativa. Ao justificar seu posicionamento, Iriny afirmou não acreditar que “armas resolvem problemas”, e sim, que elas “são o problema”. Disse ainda que seu mandato defende “que se dê condições dignas de trabalho para os agentes socioeducativos e condições dignas de convivência dentro das unidades”, além de políticas como a qualificação profissional dos socioeducandos. Janete de Sá destacou que os agentes fazem escolta de “meliantes”, necessitando, por isso, do porte de armas para se defender. A necessidade de autodefesa norteou os argumentos dos deputados que justificaram seu voto. José Esmeraldo afirmou que “os agentes têm que chegar ao trabalho com autoestima. Sem arma, às vezes chegam com medo, pois são visados”. Luiz Durão defendeu que a iniciativa irá garantir que os agentes, ao sair do trabalho para casa, “ao menos tenham uma arma para se defender”. Para Alexandre Quintino, o porte de arma trará segurança para os trabalhadores e os próprios socioeducandos, enquanto Torino Marques defendeu que os agentes “precisam de arma o mais rápido possível”. O militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Gilmar Ferreira, classificou esta terça-feira como “um dia triste” devido à aprovação do PLC. “É um projeto que amplia a circulação de arma, que interessa à indústria bélica, um projeto de morte. O fato de ter sido aprovada emenda que impossibilita o uso da arma dentro da unidade não muda o fato de que mais armamentos irão circular”, critica. O PLC foi aprovado após três adiamentos na votação. Uma estava prevista para 6 de junho, sendo transferida para o dia 7, quando também não aconteceu. Nessa segunda-feira (13), transferiram para esta terça. O projeto tramitava desde 2019 na Assembleia. A proposta, que também garante outras prerrogativas aos agentes socioeducativos do Iases, como identidade funcional e prioridade no serviço de transporte, é demanda do Sindicato dos Servidores do Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Sinases), mas encontrou resistência de entidades de direitos humanos e de defesa dos direitos de crianças e adolescentes. O Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente divulgou uma nota de repúdio ao projeto. “Armar agentes socioeducativos é desconsiderar a doutrina da proteção integral anunciada na Constituição Federal de 1988, no art. 227 e consagrada no Estatuto da Criança e do Adolescente (8.069/90). É rasgar as normativas do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – Sinase (Resolução 119 Conanda, e Lei 12.594/2012)”. Para o Fórum, a proposta “é mais uma estratégia de militarização do sistema socioeducativo”. A entidade recorda que, nesse sistema, já foi implantado o uso de tecnologias chamadas de não letais, mesmo diante da posição contrária do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) e do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Criad). O Fórum destaca que, em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou normas estaduais que autorizavam o porte de arma para procuradores estaduais. “O entendimento da Corte é de que os estados não podem legislar sobre a regulamentação, fiscalização e porte de arma de fogo, por ser tema de competência privada da União”. O Criad também divulgou nota de repúdio em que “afirma seu posicionamento contrário ao armamento dos servidores, por entender que haverá casos de abusos e violências que não poderão ser investigados, pois a violência psicológica não deixa marcas para que possam servir como provas e responsabilizar aqueles envolvidos nessas ações, e ainda destaca que armar os agentes socioeducativos deixa em aberto as possibilidades de uso abusivo da força e violência, colocando em xeque toda a proposta socioeducativa por promover nos adolescentes, o sentimento de injustiça, medo, revolta, insegurança, humilhação e vergonha”. Votação sobre porte de arma para agentes socioeducativos é adiada para esta terça Projeto que tramita na Assembleia é apoiado pela categoria, mas encontra resistência de entidades https://www.seculodiario.com.br/seguranca/votacao-sobre-porte-de-arma-para-agentes-socioeducativos-e-adiada-para-esta-terca
Vereador e nome forte da Universal expõe racha na direita e ataca Meneguelli
Devanir Ferreira critica Sergio Meneguelli, “que diz ser Bolsonaro, mas critica os movimentos do campo conservador” Redes sociais Em pronunciamento na Câmara de Vila Velha nessa segunda-feira (13), o vereador Devanir Ferreira, bispo da igreja Universal e um dos nomes mais influentes do partido Republicanos no Espírito Santo, trouxe ao público conflitos internos da legenda, uma das bases do bolsonarismo e da direita no Estado, ao atacar o pré-candidato ao Senado, Sergio Meneguelli, ex-prefeito de Colatina. O vereador pediu respeito e questionou críticas de Meneguelli feitas por meio da imprensa. A fala se junta a comentários nos meios políticos dando conta de divisões no partido, muitas delas relacionados à ideologia religiosa e à baixa pontuação nas pesquisas do deputado Erick Musso, lançado na disputa ao governo do Estado, o que estaria provocando distanciamento de algumas lideranças, como o deputado federal Amaro Neto, candidato à reeleição, e o próprio Meneguelli. Nos bastidores, as andanças no interior dessas lideranças seguem trajetos distintos, esvaziando os movimentos de Musso. Devanir Ferreira, que também é ex-vereador de Vitória e suplente de deputado estadual, conta com o apoio da Igreja Universal e fez parte da mesa condutora dos trabalhos no lançamento da pré-candidatura de Musso, em dezembro de 2021, em Vitória. O ato contou com a presença do presidente nacional da sigla, deputado federal e também bispo, Marcos Pereira. Devanir e o bispo Alves, pré-candidato a estadual, são as apostas da organização do empresário Edir Macedo no Estado. Ao rebater declarações dadas à imprensa por Meneguelli, Devanir, que disputará a Câmara dos Deputados, cobrou: “Respeita a minha fé, a minha igreja, respeita o partido que você escolheu para se filiar, porque você não foi enganado, você está enganando”, e complementou: “Esse cidadão aí…estava em Brasília vestindo a camisa de Bolsonaro, dizendo que ama Colatina, mas veio à imprensa dizendo que não é conservador. Eu não sei o que ele estava fazendo ao lado do presidente da República, que é conservador”, completou. O vereador rebateu comentários de Meneguelli relacionados à bancada evangélica: ” (…) Critica a bancada da bala que eu quero ver”, provocou o religioso, enfatizando: “Respeita a minha fé, a minha igreja, respeita o partido que você escolheu para se filiar, porque você não foi enganado, você está enganando. Você nunca me viu numa escola de samba pedindo voto. Não viu que o partido é conservador e tem lado?”. Nas redes sociais, Devanir escreveu: “O cidadão Sergio Meneguelli, em entrevista à imprensa, afirmou que não é conservador (mas filiou-se ao Republicanos). Disse que não apoia Bolsonaro (mas esteve ao lado dele conforme o vídeo acima) e critica a bancada evangélica. Eu quero ver ele criticar a bancada da bala e a ruralista. Temos que ser fiéis aos nossos princípios. Temos que ter posicionamento. Eu sou fiel ao meu propósito. Sou defensor da igreja, dos pastores, mas, acima de tudo, sou defensor da minha fé”. Avaliação A articulação do Republicanos no Estado passou por uma avaliação em Brasília, em março deste ano, sendo reforçados os nomes de Erick Musso ao governo do Estado, do deputado federal Amaro Neto à reeleição, e de Meneguelli ao Senado. Um quadro que poderá sofrer alterações, a depender da pontuação nas pesquisas de cada um desses nomes até o mês de julho, quando serão realizadas as convenções partidárias, que decidirão sobre os palanques.
Professores da Ufes participam de mobilização da Educação em Brasília
Ato foi contra ataques do governo Bolsonaro, privatizações e cortes orçamentários nas universidades Adufes Integrantes da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) participaram da mobilização nacional realizada em Brasília nesta terça-feira (14). O ato “Ocupa Brasília” foi organizado pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) contra os desmontes da gestão Jair Bolsonaro (PL) na Educação, os sucessivos cortes orçamentários e o processo de privatização de estatais. “O Ocupa compõe nossa resposta a um governo que tem como projeto uma universidade para poucos (inclusive com cobrança de mensalidade), serviços públicos como ‘nicho’ para as empresas lucrarem, bem como a entrega total do país ao grande capital. Também nossa denúncia contra a entrega da Eletrobrás, da Petrobras, dos Correios e de nosso pré-sal”, diz uma nota da Adufes. A entidade lembra que, na Ufes, a situação orçamentária é grave, comprometendo a política de permanência e assistência, de saúde mental, e até as condições básicas de sobrevivência dos estudantes. No Setor das Federais, aponta, há uma proposta de deflagração da greve no dia 27 de junho. “A redução e o congelamento de bolsas e outras formas de investimento em pesquisa e extensão fazem parte do projeto de Bolsonaro de nos manter dependentes e subdesenvolvidos, por meio da desqualificação sistemática das/dos servidoras e servidores e da retirada de nosso direito anual ao reajuste. Só nos últimos três anos deste governo, a defasagem de nosso salário já soma 19,99% e cerca de 50% de perdas no acumulado dos últimos 5 anos”. Na última quinta-feira (9), os professores também participaram das manifestações mobilizadas pelos estudantes capixabas. Em Vitória, o ato contou com a presença de alunos, docentes e trabalhadores, que tomaram as ruas da Capital contra ataques da gestão Bolsonaro à Educação Mobilizados pelo Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE/Ufes) e pela direção estadual da União Nacional dos Estudantes (UNE-ES), os manifestantes saíram do Teatro Universitário, na Ufes, e foram até o prédio da Petrobras, na Reta da Penha. No mesmo dia, o ato foi registrado em mais de 100 cidades brasileiras. Na ocasião, a presidente da entidade, Junia Zaidan, enfatizou que a mobilização da comunidade acadêmica precisa ser conjunta, justamente porque os ataques à universidade e ao serviço público atingem a todos. “Os ataques não escolhem os segmentos, vêm pra todos os cantos, seja em relação a orçamento, seja em relação a tentativas de implementação de modalidades de ensino que enfraquecem a formação, seja cortando investimento em pesquisa e extensão”, declarou. ‘O que está acontecendo não é uma crise, é um projeto de governo’ Estudantes, professores e trabalhadores tomaram as ruas de Vitória contra ataques da gestão Bolsonaro à Educação https://www.seculodiario.com.br/educacao/o-que-esta-acontecendo-nao-e-uma-crise-e-um-projeto
Novo avanço da Suzano contra território quilombola é denunciado ao Estado e MPF
Quilombolas calculam que papeleira plantou 80 hectares de monocultura na comunidade do Angelim em cinco dias Agressão, invasão de território, cerceamento do direito de ir e vir, expansão ilegal de monocultivo. As denúncias são feitas pela comunidade do Angelim 2, mais precisamente no Núcleo Zé Ferino, localizada no Território Quilombola do Sapê do Norte, entre Conceição da Barra e São Mateus, e encaminhadas para a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e o Ministério Público Federal (MPF), além de Defensorias Públicas do Estado e da União (DPES e DPU) e o Conselho e Movimento Nacional de Direitos Humanos (CEDH e MNDH). Oralmente, foram relatadas na manhã dessa segunda-feira (13) na reunião mensal da Mesa de Resolução de Conflitos Fundiários, coordenada pela SEDH da secretária Nara Borgo, como reporta Flávia dos Santos, liderança jovem da comunidade. Também foram discutidas, segundo conta Élio Nascimento, o “Xoxo”, em uma reunião realizada por moradores do Angelim 2 com funcionários da Suzano e da empresa de consultoria Equilibrium, terceirizada da papeleira com sede em São Paulo. Redes sociais Resultados práticos imediatos ainda não são conhecidos, dizem “Xoxo” e Flávia. Mas os encaminhamentos jurídicos estão sendo feitos, juntamente com os administrativos. “A Suzano quem dita as cartas aqui. Para o nosso lado, ficou na estaca zero. Não conseguimos êxito nenhum, até porque ela não está aqui para ajudar ninguém, só levar vantagem e tirar informação da gente”, depõe o quilombola, que participou do encontro dentro do território. Representando a Suzano, conta, estavam funcionários identificados como Narciso, do setor social da papeleira, e Claudiomiro, técnico de produção de eucalipto. “Tinha outro funcionário da Suzano e um da Equilibrium, que eu não guardei os nomes”, diz, acrescentando que o funcionário que protagonizou a agressão na quinta-feira passada (9), apesar de se apresentar como Rafael para os quilombolas, foi chamado de Rogério pelos colegas da reunião dessa segunda-feira. “Ele ainda vem com nome falso para destratar a gente”, repudia “Xoxo”. Reprodução Os êxitos esperados e não alcançados, elenca, incluem a punição ao agressor, Rafael ou Rogério, e o não plantio de mais eucaliptais nos talhões localizados dentro da comunidade quilombola. “Ele só tirou os tratores de plantio ontem da comunidade, porque terminou o serviço que ela queria. Desde quarta-feira [8] que ela está plantando, direto, sem parar. A gente calcula que a área que ela pegou tem uns 190 hectares, que foi uma área invadida em 2020”, conta, referindo-se a um processo amplamente denunciado pelos quilombolas aos órgãos de Justiça. No início da pandemia, grupos externos à luta quilombola tradicional invadiram o território e passaram a vender lotes para pessoas físicas e também via associações apócrifas criadas com esse fim. Segundo cálculos da DPES, essas ocupações irregulares chegaram a atingir 80% do território de algumas comunidades. Retiradas do local por força judicial, as áreas deveriam ser reintegradas ao território quilombola já certificado pela Fundação Palmares há quinze anos e aguardando tramitação administrativa dentro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para finalização do processo de titulação. Inclusive, há uma decisão judicial favorável aos quilombolas de outubro passado, determinando a titulação quilombola das áreas obtidas ilegalmente pela então Aracruz Celulose, ex-Fibria e atual Suzano. No entanto, a terra continua sob posse da multinacional, que replantou, em cinco dias, segundo puderam observar os quilombolas, de quarta a domingo (8 a 12), os cerca de 80 hectares que haviam sido arrancados pelos invasores. “A gente explicou que, como a área é nossa e a Justiça já deu sentença favorável, a empresa não deveria mais plantar, porque quando sair a decisão final, vai ter que tirar tudo ou pedir para esperar sete anos ou mais, até o eucalipto madurar. Mas ela nunca faz nada pela gente. Plantou tudo de novo”, lamenta “Xoxo”. Divulgação “Ela passa por cima de qualquer coisa para plantar. A gente só sofre. Quando terminou a reunião, ainda mandou os seguranças afrontarem a gente. Estamos muito vulneráveis aqui. E ela ainda passa dentro das nossas áreas para chegar nos talhões lá atrás. Falou que ali onde é a terra do meu sogro, se a gente fechar, vai abrir de novo e passar. Enquanto que os nossos caminhos, que a gente usa para andar dentro do território, coletar cipó, dendê…ela fecha com gelo baiano, impede a gente de andar dentro da nossa terra”. “Xoxo” conta que os funcionários da papeleira chegaram a propor que ao invés do gelo baiano, fossem colocadas cancelas com cadeados e que ele ficaria com as chaves. “Não aceitei não, claro que não! Porque depois entram outras pessoas aqui, cortam o eucalipto dela, e a culpa cai na gente”, explica. A reunião entre a Suzano, sua terceirizada e os moradores do Angelim foi acompanhada de uma advogada dos quilombolas, que prepara a denúncia para o MPF. Na reunião da Mesa de Resolução de Conflitos, o órgão também foi demandado. “A Dra Carolina [procuradora Carolina Augusta da Rocha Rosado, da Procuradoria de São Mateus] se manifestou na reunião e disse que vai abrir os procedimentos para acompanhar”, relata Flávia. “Solicitei posicionamento da secretária Nara Borgo também, enviei para ela, pedi ao porta-voz da Mesa. A Nara nunca responde, vamos ver agora”. Quilombolas denunciam agressão de seguranças da Suzano no Sapê do Norte Empresa é acusada de avançar com tratores e plantar em área quilombola. Comunidade cobra providência do Estado https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/quilombolas-denunciam-agressao-da-equipe-de-seguranca-da-suzano-no-sape-do-norte
Máquina da Suzano quebra em um dia e pescadores continuam sem acesso ao mar
Pescadores da Barra do Riacho estão há um mês sem pescar. “Fábrica da Suzano reduz vazão do rio Riacho”, denunciam Reprodução Parece piada, mas é o relato integral que vem dos pescadores da Barra do Riacho, em Aracruz, norte do Estado. Um dia após o protesto contra o fechamento da boca da barra do rio Riacho, na última quarta-feira (8), a Suzano enviou uma máquina para abrir a foz e dar acesso dos pescadores ao mar. Mas, pasme, a máquina quebrou com apenas um dia de trabalho. “Ela mandou a máquina na quinta-feira [9] e na sexta [10] já quebrou. Eles fazem do jeito que querem. Sabem que tem que ser de outra maneira, tem que mandar duas máquinas, porque quando a boca da barra começa a dar problema, já tem que vir uma máquina urgente, aproveitando a maré cheia. Se chega a fechar como foi semana passada, uma só não é suficiente, a natureza não dá conta, a água do rio é pouca. Tem que uma cavar, a outra espalhar areia. Eles sabem disso, mas insistem em mandar só uma máquina e ainda por cima velha, que quebrou rápido”, relata o pescador Alexandre Barbosa, membro da Associação e da Colônia de Pesca local e também do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes). Foi somente nesta terça-feira (14) que uma outra máquina chegou no local, desta vez enviada pela Prefeitura de Aracruz. “Mas não é suficiente, teria que ter apoio de um trator de esteira para espalhar a areia. Com uma só, o maquinista tem que cavar e escavar, leva o dobro de tempo. Como estamos na maré grande, se demorar em fazer, o próprio mar, a natureza, repõem a areia. Até agora não deu para abrir. Previsão é que só amanhã consiga”, conta, após a realização de outro protesto pelos pescadores. Redes sociais O resultado de toda essa morosidade da empresa, acentua, é que os pescadores de Barra do Riacho estão há mais de 25 dias parados, sem poder trabalhar, causando prejuízos significativos para as famílias também de todos profissionais diretamente envolvidos na cadeia produtiva da pesca. Os raros dias bons de pesca de inverno, sem vento sul, que ocorreram semana passada, foram perdidos. “É um prejuízo grande também para todas as pessoas que dependem do peixe para sobreviver. As marisqueiras, que limpam, visceram, fazem filé, tiram cabeça de camarão, descascam camarão. Essa galera também está parada, porque quando pescador para, para tudo”. O ideal, explica Alexandre, seria fazer um canal de pedra como feito em Jacaraípe, na Serra. “Mas a empresa fala que é muito caro. Então pelo menos deveria ser feita uma manutenção com mais responsabilidade”, aponta. ‘Pedido de ‘socorro’ O ato da semana passada contou com apoio, além do Sindpesmes, também do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Defensoria Pública Estadual (DPES), que acompanhou a assembleia dos pescadores realizada para decidir os rumos da luta pela abertura da boca da barra”, relatou, na ocasião, quando, verificaram os manifestantes, três comportas da represa estavam fechadas. A DPES continua acompanhando o caso buscando uma solução jurídica que resolve com segurança o problema dos pescadores de acesso ao mar. Durante a assembleia, o entendimento foi de que é preciso reivindicar uma revisão das condicionantes do licenciamento ambiental da fábrica, pois, passadas quase duas décadas, já não devem atender às reais necessidades das populações impactadas pelo empreendimento. ‘Condicionantes da Suzano precisam ser atualizadas e com transparência’ Pescadores pedem socorro: comportas que levam água até a fábrica fecham a barra do rio Riacho e o acesso ao mar https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/as-condicionantes-da-suzano-precisam-ser-atualizadas-e-com-transparencia
Estudo mostra Espírito Santo em estado de alerta para a Covid-19
Relatório elaborado por cientistas tem o objetivo de orientar gestores diante da nova onda de casos Rovena Rosa/ABr Estudo divulgado pelo centro SoU_Ciência, grupo de estudo sediado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , mostra o Espírito Santo com uma tendência de alerta para o crescimento da Covid-19. O relatório, lançado nesta terça-feira (14), tem o objetivo de orientar autoridades e órgãos públicos na tomada de decisões diante da nova onda da pandemia. O estudo é dividido em três níveis de análise: Nível de Alerta, Nível de Perigo Iminente e Nível de Emergência em Saúde Pública. Para cada fase, um grupo de medidas de prevenção é recomendado. O relatório foi elaborado pelos pesquisadores e epidemiologistas Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e Wanderson Oliveira e pela farmacologista Soraya Smaili. No gráfico da Semana Epidemiológica (SE) 22, que foi até o último dia 4 de junho, o Espírito Santo está no nível de alerta, o primeiro nível de observação. Já na semana seguinte, que foi até o último sábado (11), salta para o nível de Emergência em Saúde Pública, com o registro de 195 casos a cada 100 mil habitantes. Ethel explica que é preciso observar se esse comportamento vai se manter no Estado, já que sempre há um atraso na atualização dos dados públicos. Apesar disso, os números indicam um crescimento da circulação do vírus da Covid-19 no Espírito Santo, o que deve ser visto com atenção pelos gestores. No nível de alerta, a recomendação é que sejam promovidas campanhas de educação em saúde para uso de máscaras, manutenção de ambiente ventilado, higienização das mãos e o monitoramento viral. No nível do perigo iminente – a fase intermediária da tabela -, a orientação é que seja recomendado o uso de máscaras, bem como ações para ampliar a cobertura vacinal. Já no nível de emergência de saúde pública, deve ser incluído o uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, públicos e privados, e promover testagem ampliada. Considerando os dados da Covid-19 em todo o Brasil, o relatório aponta que o País está em situação de emergência em saúde pública. Na Semana Epidemiológica 23, foi registrada uma incidência de 136 casos a cada 100 mil habitantes. “Quando houve a revogação do decreto de emergência de saúde pública de importância nacional, alertamos que seria necessária a criação de indicadores que pudessem balizar a necessidade de instituição de novo decreto, caso o vírus fizesse mutações ou ocorresse uma mudança no padrão da doença. Sem termos indicadores operacionais para a implantação nos serviços, há uma dificuldade de comunicar a sociedade e mesmo instituir novas mudanças, como a contratação de serviços e de pessoal para o enfrentamento da pandemia”, disse Ethel em nota divulgada pelo centro SoU_Ciência. Sesa alertou para crescimento Os dados divulgados pelo grupo de estudos reiteram o crescimento abrupto da Covid-19 no Espírito Santo nas últimas semanas, contexto que já tinha sido alertado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No último dia 6, o secretário Nésio Fernandes informou que o Estado vivia a quinta onda de expansão da doença, com o registro de casos dobrando a cada sete dias. Em uma nota técnica publicada na última sexta-feira (10), a secretaria voltou a recomendar o uso de máscaras em locais fechados e de grande concentração de pessoas, bem como nos ambientes escolares. A recomendação também vale para pessoas que apresentarem sintomas respiratórios; testarem positivo para a Covid-19; cuidarem de alguém que está doente com Covid-19; ou pertencerem ao grupo de risco para a doença. “A medida vai ao encontro do cenário atual da pandemia da Covid-19 em território capixaba, de aumento de novos casos nas últimas semanas epidemiológicas e também em virtude da sazonalidade das doenças de transmissão respiratória. A recomendação é uma estratégia para diminuir a propagação do vírus e, concomitantemente, auxiliar na redução dos impactos na saúde da população e no sistema de saúde”, informou a Sesa. Professores cobram medida de contenção na Ufes A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) cobrou informações concretas sobre as medidas de contenção da doença na instituição. A entidade enviou um ofício à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), cobrando medidas efetivas de prevenção e questionando as providências adotadas em relação a membros da comunidade acadêmica que não se vacinaram. “Os casos de Covid-19 avançam dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com inúmeros relatos de afastamentos e resultados positivos nas testagens tanto entre estudantes quanto entre docentes, servidores técnico-administrativos e terceirizados. No Restaurante Universitário (RU), onde há imensa circulação de pessoas sem máscaras, a informação é de que pelo menos 30% do quadro de trabalhadores testaram positivo, número que pode ser ainda maior, uma vez que os funcionários são precarizados e têm medo de se testar e perder o dia de trabalho com desconto no salário, já que há dificuldades para atestar formalmente o adoecimento”, alerta a Aufes.