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Como a revitalização de uma escola na periferia da Serra mudou a vida dos alunos

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Documentário capixaba “Adolescer” integra mostra nacional sobre cotidiano de jovens estudantes na pandemia da Covid-19 Acervo 55CINE A Escola Estadual Jones José do Nascimento, no bairro Central Carapina, na Serra, já era referência nacional quando o diretor Gustavo Moraes e a produtora Leandra Moreira se viram com a oportunidade de concorrer a um edital para apoiar a produção de documentários sobre o cotidiano de jovens estudantes durante a pandemia da Covid-19.  Ganhadora de vários prêmios educacionais, a equipe gestora da escola havia conseguido, em quatro anos, sob liderança da diretora Juliana Roshner (atual secretária municipal de Educação de Vitória], transformar a realidade dos alunos e professores, refletindo em benefícios para as famílias e mesmo a comunidade como um todo. “Conhecemos a história da Jones através da Juliana Rohsner na produção de um outro projeto. Imediatamente ficamos interessados na história de uma escola que havia passando maus bocados e seria fechada. Isso em um bairro onde a educação é ainda mais essencial para possibilitar novas perspectivas e futuros verdadeiramente transformadores”, pontua Leandra. “Em quatro anos de gestão, com a Juliana capitaneando esse processo, essa escola virou referência em educação. Conversamos com ela sobre a possibilidade de fazermos o documentário com o foco nos adolescentes e o quanto tudo isso representou para eles. Daí, desenvolvemos o projeto”, conta a produtora, sobre a gênese do Adolescer, realização da Produtora 55 CINE, que será lançado no dia 4 de julho (veja aqui o trailer). Gustavo conta que a primeira etapa do projeto, antes das filmagens, foi de visitas à escola para conhecer a realidade da comunidade a partir do relato dos próprios moradores. “Passamos cinco meses indo à escola sem câmeras, conversando e entrevistando a comunidade escolar para entender o que era relevante para eles sobre aquela escola e a participação deles nesse processo. Só depois disso, é que filmamos. Esses cinco meses foram importantes para que todos nos conhecêssemos e, em nossa opinião, como consequência, o material ficou o mais natural e representativo da realidade vivida na escola e no bairro”, explana. Acervo 55CINE Em seguida, a captação de imagens durou três meses, em dias não sequenciais. “Variava muito, pois era de acordo com a disponibilidade dos entrevistados e dentro da realidade da própria escola. Agora, sem dúvida, realizar um filme durante a pandemia e respeitando todos os protocolos de saúde foi um desafio e exigiu de nós da equipe sempre muita atenção com todos os envolvidos. Superamos bem, acho, mas não gostaria de repetir. O distanciamento social é uma questão quando você faz um filme onde a aproximação física e emocional é tão importante”, pondera o diretor.  Inspiração  Apesar da naturalidade e fidelidade dos relatos sobre resistência e superação, Gustavo afirma que “o filme não dá soluções”, mas “identifica questões que devem ser refletidas pela sociedade como um todo”. O sucesso alcançado na Jones, ressalta, é resultado de “uma colaboração entre todas as partes envolvidas: alunos, diretoria, professores, pais e comunidade”. Receita que, pondera, pode ser válida “para a educação pública de um modo geral”, pois “se não trabalharmos juntos, não teremos uma educação de qualidade para todos”.  Inspirar pessoas é, talvez, o maior objetivo do documentário. “Queríamos tentar registrar em imagens e depoimentos a essência de algo tão orgânico e natural e que esse registro pudesse, de algum modo, servir de inspiração para outros tantos alunos que passam por experiência semelhante e também para escolas por aí que enfrentam os mesmíssimos desafios que a Jones vive em seu dia a dia”. ‘Fui recebida com uma ‘biscoitada’ na testa’ Braço direito da diretora Juliana desde os primeiros meses à frente da Jones Nascimento naquele início de 2016, a coordenadora Françoise Santos de Oliveira, hoje sua assessora na Seme da Capital, lembra que foi recepcionada na escola com “uma biscoitada na testa”, logo que chegou no estacionamento, depois de ver alunos subindo nas carteiras numa total falta de controle.  “O diretor e o coordenador anteriores haviam saído da escola escoltados pela polícia. Eles tinham uma política muito autoritária, com muitas suspensões e transferências de alunos, as famílias se rebelaram, a comunidade queria entrar armada dentro da escola. Era o bairro mais violento do Estado e o quinto do Brasil, conhecido como Sovaco da Cobra e outros nomes peculiares”, relata Fran, como é carinhosamente conhecida. “Eu era a quarta coordenadora que passava por lá só naquele ano! E estávamos em abril!”.  Fran percebia que a escola “não tinha objetivo de aprendizagem, era um depósito de meninos. Eles saíam do nono ano sem fazer as quatro operações, sem escrever o próprio nome direito. Eram tantos problemas pedagógicos, que ninguém via que o banheiro estava sujo, que tinha pino de cocaína embaixo da pia, pontinha de maconha na janela”, narra.  Ao longo de quatro anos, os índices de aprendizagem subiram, os prêmios em dinheiro se sucederam e trouxeram mais recursos para investir em mais melhorias, as ocorrências policiais praticamente desapareceram, a infraestrutura da escola melhorou incrivelmente, ganhando sala de vídeo, quadra, biblioteca. Festas e comemorações foram envolvendo todos os alunos, professores, os comerciantes do bairro, as famílias. O afeto, a empatia, o respeito e o desejo de melhorar de vida passaram a dar o tom do dia a dia escolar.  Fran conta que, olhando hoje, nem consegue acreditar na coragem que elas tiveram. “Encaramos professores, pai, mãe, traficante que colocou arma na nossa mesa reclamando que a estávamos tirando os meninos do tráfico e colocando câmeras na escola. Derrubamos na mão um tapume improvisado por onde os meninos fugiam da escola”, elenca. Acervo 55CINE As transformações que a equipe gerou na escola são literalmente incontáveis. Não cabem em uma matéria de jornal. Desde fazer funcionar a biblioteca, após quase cinquenta anos de existência da unidade, ou construir uma quadra e até fazer a Festa Junina anual e o Dia do Estudante, e mesmo pequenas ações que, no começo, abriram as portas para as maiores, como entregar xampu de piolho e escovinha de lavar os pés para as crianças, ou espalhar cartazes pelos corredores incentivando boas ações, como “seja gentil”, não

12/06/2022 / 0 Comments
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Estado precisa ampliar acesso à saúde bucal no interior e zona rural

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No Espírito Santo, a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal será realizada em 16 municípios, até o final de junho Agência Brasil A terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil), do Ministério da Saúde,  é realizada em 16 municípios capixabas até o final do mês de junho. O estudo tem o objetivo de levantar informações que vão subsidiar as políticas públicas na área, em todo o Brasil. No caso do Espírito Santo, o principal gargalo do atendimento odontológico público é a falta de acesso aos tratamentos em regiões do interior e da zona rural, cenário que piorou durante a pandemia. Para a conselheira do Conselho Regional de Odontologia (CRO-ES) Maria Helena Miotto, que também é professora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), além de ampliar o acesso no interior e na zona rural, o Espírito Santo precisa aumentar a resolutividade nos casos que chegam na urgência e na atenção primária. “É importante que o tratamento, depois de iniciado, seja concluído. Não adianta você garantir a primeira consulta se não tem continuidade nesse atendimento”, explica. Maria Helena defende ainda o aumento da oferta dos tratamentos de endodontia, especialidade da odontologia responsável pelos canais dentários. Para a professora, o tratamento deveria ser fornecido na atenção básica e não só nos Centros de Especialidade Odontológica (CEO), garantindo a oferta de próteses após o canal. “Tem que fazer o canal e ofertar a prótese”, pontua. Outro problema é o tempo de espera enfrentado pelos pacientes. De acordo com a conselheira, entre o momento da indicação na atenção básica e o encaminhamento a Centros de Especialidade Odontológica, pode demorar, em média, dois anos. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) chegou a realizar dois Encontros Estaduais de Saúde Bucal, em 2019 e 2020. O objetivo era fortalecer e aprimorar a implementação da Política Nacional e Estadual de Saúde Bucal. O fato é que para chegar ao que prevê a Política Nacional de Saúde Bucal, que orienta e dá diretrizes para os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), o Espírito Santo precisa avançar. Apesar de localidades mais centrais, como Vitória, conseguirem se aproximar do que está previsto nas diretrizes, em cidades do interior as dificuldades são maiores. Identificar esses problemas é um dos objetivos da pesquisa SB Brasil. No Espírito Santo, o levantamento será realizado em Vitória, Alegre, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Colatina, Guaçuí, Guarapari, Iconha, Linhares, Pinheiros, São Gabriel da Palha, Serra, Sooretama e Vila Velha. Cinco grupos de idade estão incluídos nos estudos: 5 anos, 12 anos, 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. A ideia é identificar as doenças bucais mais prevalentes nos municípios, como a cárie dentária e a doença periodontal. Esta é a terceira edição da pesquisa, que pretende alcançar 422 municípios brasileiros e mais de 50 mil pessoas. Os estudos foram realizados nos anos de 2003 e 2010. “Na primeira etapa, os profissionais da Atenção Primária à Saúde Bucal passarão de porta em porta para convidar a população para a pesquisa e buscar pessoas com idade dentro das faixas da pesquisa. Em seguida, na segunda etapa, serão coletados dados socioeconômicos, por meio de questionário, e será realizado o exame bucal. A participação é muito importante, porque além de contribuir na pesquisa, o participante que apresentar algum problema bucal, já será encaminhado para a UBS”, informa o Ministério da Saúde.

12/06/2022 / 0 Comments
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Você não está sozinho

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Nem sabia que existiam tantos para tão poucos Apesar das diferenças linguísticas que marcam os muitls partes do globo terrestre, descubro prazerosa que o Google é meu assíduo leitor. Honra maior só mesmo se a Rainha Elizabeth me mandar um email. O que responderia eu? Que nesses anos todos ela estava certa e os outros morreram? Rainha Camila, jamais! Já tivemos milagres demais nessa família. Ah, o peso da coroa! Nos dois sentidos. * Quem me lê é o Google, honrosa preferência, embora, claro, leiam tudo que aparece na Internet, Isso não tira minha alegria e meu entusiasmo para ir em frente – mesmo não tendo nada a dizer, continuo dizendo. A filha da vizinha, ingênuos 8 aninhos, pergunta se eles puseram um like na minha postagem semanal. Qual, minha querida, quem me like é o entregador do Walmart, todo dia na minha porta. O Google tem formas mais sutis de manifestar suas preferências – deles. * Exemplo explicito e prova irrefutável: manifestei em uma coluna anterior que pretendo ir ao Brasil, depois de dois anos ausente. O preço da passagem, no entanto, está a desanimar qualquer turista acidental. Imediatamente – sem exagero – pipocam na minha telinha 235 mensagens de empresas aéreas com ofertas de preços incríveis MIA – VIX – com direito a levar a manta! Ora, se essas duzentas e tantas empresas aéreas não leem minha coluna, como souberam que pretendo rever as terras do Coutinho? *Não para aí o mistério. A Sansonite me sobrecarrega com incríveis ofertas de malas e maletas, a escolher – duas ou quatro rodinhas, leves como penas de sabiá. Peso, só mesmo dos anos. O Uber me envia preços especiais aeroporto-residência ou hotel, ida e volta, com direito a garrafinha de água mineral. A lista de hotéis que estão enviando gentis emails me deixa pasma – não sabia que existiam tantos para tão poucos. Com direito a fichinhas gratuitas nas salas de jogos eletrônicos. * Quatro editoras estão me enviando suas listas de leituras recomendadas para distrair e acalmar nos trechos mais longos. A Nike conseguiu adivinhar minha faixa etária – que não revelo nem ao meu marido – e me envia suas opções de tênis criados especialmente para viagens longas, apropriados para pessoas da minha faixa etária – Evite saltos altos e sandálias que não garantem conforto e segurança para seus (meus) pés. Ah, meias também foram incluídas no pacote. * Quem contou a toda essa gente que pretendo – vejam bem, pretendo apenas, dependendo do preço da aventura aérea…Empresas de turismo estão me enviando as listas dos locais mais aprazíveis no meu destino final – Do Convento da Penha aos restaurantes a quilo, das praias mais badaladas aos shoppings mais elegantes. Não esqueceram de incluir os últimos lançamentos de agasalhos, caso eu esqueça que faz frio nas montanhas. Concluo que o Google é meu fã de carteirinha – só esqueceu da água de coco e da papa de milho verde no pacote Delícias da Ilha.

11/06/2022 / 0 Comments
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Diretório estadual do PT e militantes reforçam pré-candidatura de Contarato

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Unanimidade interna em torno do senador foi celebrada neste sábado, a poucos dias da decisão da Nacional do partido Redes sociais A pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado ganhou reforço neste sábado (11), em evento realizado na quadra do Sindicato dos Bancários, Centro de Vitória, depois de uma semana de reuniões, críticas e indefinições, com forte pressão da militância do PT. À unanimidade, diretório estadual e os movimentos sociais reafirmaram o nome do senador na disputa, que depende, ainda, de decisão na esfera nacional, decorrente da aliança com o PSB, partido do governador Renato Casagrande, que concorrerá à reeleição. “Eu quero falar diretamente para a militância; é a militância que faz meu coração bater mais forte; essa militância que o Partido dos Trabalhadores tem; e não há nada mais poderoso quando o seu tempo chega: a hora é essa”, disse Contarato na abertura do discurso, em reconhecimento às ações dos movimento sociais, que abraçaram sua pré-candidatura desde o lançamento, em fevereiro deste ano. O senador apontou que “o Espírito Santo não pode ceder”, afirmando que sua pré-candidatura não é uma questão pessoal, mas uma necessidade do Espírito Santo, para combater a fome, a pobreza e a desigualdade. “Que eles fiquem com o ônus”, destacou, fazendo referência aos movimentos da Nacional do partido, que ainda não decidiu sua sobre candidatura. Contarato defendeu toda a movimentação em torno do seu nome, que afeta diretamente a campanha de Casagrande, cuja gestão foi objeto de críticas de representantes de entidades presentes ao evento. A definição sobre o nome do senador como candidato será anunciada até a próxima quarta-feira (15), segundo a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann. As negociações estão em andamento com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, e envolvem aliança em São Paulo, por conta a insistência do ex-governador Márcio França em concorrer o governo do Estado, apesar de Fernando Haddad, do PT, estar à frente nas pesquisas. O evento começou com meia hora de atraso e contou com a participação dos movimentos sociais, toda a diretoria estadual do partido e vários pré-candidatos ao Senado, a deputado federal e estadual, além de representante da corrente Resistência, do Psol, e da vereadora de Vitória Karla Coser, que fizeram discursos em defesa de Contarato e críticas à gestão Casagrande e à influência do meio empresarial em ações do governo.

11/06/2022 / 8 Comments
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Grupo de mulheres promove leitura feminista da Bíblia em podcast

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Maria de Fátima Castelan diz que as mulheres tiveram protagonismo antes de Jesus, durante a caminhada com ele, e depois dele Quem acessa o Spotify para escutar o podcast  “Elas estão chegando”, ouve, na abertura de cada episódio, a cantora capixaba Raquel Passos cantar: “elas estão chegando como um vento forte, chegando com vida e norte, chegando para questionar, chegando para mudar”. Questionamento e desejo de mudança, de fato, é o que não faltam nesse podcast, realizado por mulheres cristãs do Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo (Cebi-ES). O podcast tem como um dos objetivos refletir sobre a realidade das mulheres de atualmente à luz das que foram nomeadas na Bíblia e que se movimentaram contra o machismo. Isso acontece ao inserir nos episódios as diversas situações de opressão vividas ainda hoje pelo público feminino e, também, destacando mulheres e a história recente do Brasil e da América Latina que tiveram atuação na luta contra as opressões. Uma das metas do grupo é, futuramente, falar também das mulheres não nomeadas no livro. Maria de Fátima Castelan, a Fatinha, integrante da coordenação do Cebi-ES, biblista popular e especialista em assessoria bíblica, explica que existem homens não nomeados na Bíblia, mas em menor quantidade do que as mulheres. Ela afirma que isso acontece devido à ótica patriarcal de escrita da Bíblia. Quando as memórias populares do Primeiro Testamento foram escritas, explica, passaram por releituras por parte de pessoas ligadas ao poder vigente, que era patriarcal, impactando na invisibilidade feminina no livro. As memórias do Novo Testamento foram compiladas pela Igreja Católica por volta de 1.500, no contexto da Reforma Protestante.  Houve, nesse momento, uma escolha dos livros a serem inseridos, chamados de canônicos, considerados pela instituição religiosa como inspirados pelo Espírito Santo. Os não escolhidos, chamados de apócrifos, relata Fatinha, “são memórias não consideradas como texto para caminhada da Igreja”. Entre eles, textos de memórias femininas, como os evangelhos de Maria Madalena, de Sofia e o Evangelho Secreto da Virgem. Para Fatinha, a não inclusão desses textos, assim como a grande quantidade de mulheres não nomeadas na Bíblia, também trata-se de uma omissão do protagonismo feminino. Entretanto, mesmo diante da tentativa de omiti-las, há textos que mostram que “as mulheres tinham vivência, ação nas narrativas bíblicas, na história de Jesus e na que veio antes dele”. Assim, o podcast, segundo ela, “é importante para desconstruir a ideia da inferioridade feminina”. Fatinha relata que, de tudo que há na Bíblia no que diz respeito às mulheres, normalmente as igrejas cristãs destacam frases e versículos que apontam características de submissão, mas que é possível empoderar o público feminino por meio da leitura feminista da Bíblia. Entre as mulheres nomeadas no livro, estão Madalena, Suzana, Joana, Salomé, Marta e várias Marias. Marta já foi tema de um dos episódios do podcast. Fatinha conta que era uma mulher muito próxima a Jesus e ressalta que essa personagem, em uma passagem bíblica, o convida para se hospedar em sua casa, o que era considerado ousado em sua época. Jesus aceita, o que também é uma atitude vista como inusitada para aquele período, um comportamento de acolhida, de um homem se colocar em campo de igualdade com uma mulher. Entre as mulheres nomeadas na Bíblia está a hemorroísa, aquela que sofria uma hemorragia, sendo, por isso, vista como impura e, portanto, excluída. Entretanto, ela “nada contra a corrente”, adentra e multidão em busca de Jesus, e, ao tocá-lo, é curada. Nessa estória, Fatinha destaca que a atitude da mulher foi de resistência. Quanto a Jesus, assim como aconteceu com Marta, seu comportamento diante do ocorrido, afirma a biblista, foi de inclusão. O “Elas estão chegando” já tem cerca de 60 episódios de 15 a 20 minutos, colocados no Spotify às segundas-feiras. Todos são narrados por mulheres que fazem parte do Cebi-ES, entre elas, católicas leigas e freiras e pastoras das igrejas Luterana, Anglicana e Presbiteriana.

11/06/2022 / 2 Comments
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Justiça determina fim da intervenção no Conselho Regional de Enfermagem

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Com a decisão, Andressa Barcellos de Oliveira volta imediatamente para a presidência do Conselho Estadual A juíza Maria Claudia de Garcia Paula Allemand, da 5ª Vara Federal Cível de Vitória, determinou o retorno imediato de Andressa Barcellos de Oliveira à presidência do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren/ES). Ela havia sido retirada do posto após o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) decretar intervenção parcial na diretoria da entidade regional. Andressa foi afastada cautelarmente durante a intervenção, que duraria 180 dias, contados de sua efetivação, podendo ser prorrogada.  Andressa explica que o Cofen pode recorrer, mas que “isso não muda a realidade, pois não há nada que desabone e coloque em dúvida minha idoneidade”. Diante da decisão judicial, ela afirma que “não poderia ser diferente, pois tudo que foi narrado pelo Cofen não era verdade, tratava-se de uma grande armação para me tirar da presidência do Conselho”. No lugar dela, havia sido designado, como presidente interventor, o conselheiro federal Daniel Menezes de Souza.Na decisão nº 116/2022, de 27 de maio, do Cofen, a entidade afirma que recebeu denúncias e instaurou os Processos Administrativos nº 671/2020 e nº 969/2020, para investigar “subsistentes indícios de materialidade de prática de violação do sistema de controle de anuidades, quando da realização do pleito eleitoral de 2020” e “abuso de poder e assédio moral, conforme denúncia apresentada pela Srª Célia Regina do Nascimento, tendo ambas as denúncias sido admitidas pelo Plenário do Cofen, o que resultou na instauração dos referidos PADs”. Outras denúncias geraram os Processos Administrativos nº 1193/2021 e nº 633/2022. A primeira foi apresentada pelo conselheiro do Coren, Felipe Guilherme Bahiense Gomes, “com alegações de violação de normativas do sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, e do regimento Interno da autarquia, além de ameaças de punições aos conselheiros regionais, causando intimidações, desrespeitando a autonomia e liberdade dos conselheiros no que se refere aos seus pareceres, principalmente quando do julgamento de processos éticos”. Conforme consta na decisão da Justiça, o PAD 671/2020 foi apurado na sindicância instaurada, em cuja conclusão “o Cofen aprovou, sem ressalvas, o Parecer do Relator no 92/2022, materializado na Decisão Cofen nº 0077/2022”.  Entretanto, “o Parecer do Relator nº 92/2022, de 22/3/2022, contém voto contrário ao afastamento cautelar da então investigada”. Sobre o PAD nº 969/2020, a magistrada destaca que, no parecer homologado pelo Cofen, “o conselheiro relator votou contra a aplicação da medida cautelar de afastamento da presidente ao argumento de que ‘não há nos autos elementos suficientes e razoáveis que justifiquem uma medida extrema de afastamento de uma presidente de Regional, tampouco evidências de que sua permanência nas respectivas funções venha a causar algum prejuízo para a tramitação do consequente Processo Disciplinar’. A juíza diz ainda que “além disto, não consta, em qualquer dos processos administrativos referidos, a par das ações destinadas à apuração dos fatos, medidas administrativas do Cofen para sanar as irregularidades, tampouco justificativas capazes de levar à conclusão de que a manutenção da presidente, ora autora, no cargo, poderia comprometer a integridade e a unidade do Coren-ES ou comprometimento às suas atividades administrativas, financeiras e finalísticas. Mesmo porque, as sindicâncias coletaram provas físicas acerca da alegada manipulação do sistema de anuidades e da ilegalidade atrelada à exoneração de servidora, não havendo motivos hábeis a justificar a medida cautelar aplicada”. Quanto aos PADs nº 1193/2021 e 633/2022, a juíza destaca que “são constituídos, até o momento, das denúncias formuladas e da determinação de instituição de equipes de averiguação prévia”. Ela acrescenta que “não foram colhidas quaisquer provas, além de documentos apresentados pelos próprios denunciantes. Não houve qualquer averiguação específica, apesar da assertiva do Cofen de que a documentação apresentada constitui ‘elementos de provas da denúncia formulada’”. O texto prossegue dizendo que “o Cofen limita-se a arguir que as denúncias recebidas por meio dos referidos procedimentos são bastante graves e que tentou todas as medidas administrativas antes da intervenção. Mas não há provas dessas tentativas, tampouco das medidas administrativas que o Cofen alega ter tomado. Enfim, parece que nada foi feito para evitar a intervenção”. A juíza intima o Cofen, a fazer, dentro de 15 dias, algumas apresentações, entre elas, da “ata da Reunião Plenária que culminou na prolação da Decisão Cofen nº 116/2022”, e “das provas necessárias à comprovação de que esgotou todas as medidas administrativas para sanar as irregularidades detectadas, para além das sindicâncias realizadas”. O afastamento de Andressa Barcellos de Oliveira da presidência do Cofen no Espírito Santo gerou reação de entidades e deputados estaduais, que exaltaram sua trajetória profissional e denunciaram irregularidades e ações judiciais do grupo que dominou o Conselho Nacional durante 20 anos. Presidente do Coren-ES é afastada e interventor assume o cargo Conselho Federal afastou Andressa Barcellos de Oliveira por supostas irregularidades e prática de assédio moral  https://www.seculodiario.com.br/cidades/presidente-do-coren-e-afastada-e-interventor-assume-o-cargo Intervenção no Coren-ES é ‘arbitrária’, critica deputada estadual Janete de Sá irá se posicionar ao Conselho Federal de Enfermagem, por meio de nota de repúdio https://www.seculodiario.com.br/politica/intervencao-no-coren-es-e-arbitraria-diz-deputada-janete-de-sa

10/06/2022 / 0 Comments
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Democracia e participação cidadã

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O voto deve ser escolhido de forma consciente, segundo seus direitos, interesses e necessidades Estamos a 16 semanas de um dos grandes eventos da democracia brasileira no ano de 2022, a escolha de nossos representantes para os poderes Legislativo e Executivo regional e nacional. Nossa responsabilidade cidadã nos alerta que é preciso escolher lideranças que verdadeiramente represente nossos interesses e necessidades enquanto povo, categoria e grupo de indivíduos que precisam construir um mundo melhor para nós e os nossos, sabedores que somos que um outro mundo é possível e que será construído pelas nossas ações ou omissões no presente. Nossa sociedade está em permanente disputa de interesses do ponto de vista econômico, social e de respeito e valorização do ser humano, e são nossas escolhas democráticas que determinam se nossos representantes escolhidos vão trabalhar no sentido de atender nossas demandas reprimidas ao longo da história ou se vão conservar a situação atual de desigualdades e injustiças sociais. A sociedade dispõe de algumas ferramentas que podem ser utilizadas para orientar nossas escolhas segundo a configuração do tabuleiro de xadrez que os interesses em disputa nos oferecem, que são as informações veiculadas pelas diversas instituições nos meios de comunicação, que devemos filtrar as verdades de acordo com os interesses de quem patrocina essas informações e observar a quem interessa. Outra ferramenta, as pesquisas de opinião também sofrem do mesmo mal e podem ser utilizadas como forma de induzir o voto. Quanto às informações, que nos chegam pelos diversos meios de comunicação, é preciso verificar se são falsas ou verdadeiras, procurando pela fonte e autoria, checar sempre a veracidade dos fatos, as datas do ocorrido e desconfiar de imagens e informações sensacionalistas, pois por trás de cada versão dos fatos, há sempre um interesse em disputa. Cheque sempre se é a favor ou contra os seus e dos seus iguais. Já em relação às pesquisas eleitorais, é necessário ter clareza de que são indagações feitas a determinados grupos, presencialmente, por telefone ou de forma virtual, sobre a opção daquele indivíduo em relação aos candidatos que concorrem, segundo as informações do pesquisador, portanto, é um retrato do momento, mostrando uma pose que pode ser alterada no momento seguinte, segundo o desejo do cidadão. É uma ferramenta importante que sinaliza tendências na intenção de voto do cidadão, porém, não deve ser tratada como fato consumado, pois o voto só será confirmado no momento da eleição na urna e, até lá, todo cidadão sujeito de suas ações pode alterar suas escolhas. Além disso, toda pesquisa tem uma margem de erro variável, o que pode definir um resultado na escolha. Esse período que antecede a escolha gera uma certa ansiedade e tensão que é crescente até o momento da escolha definitiva, precisamos ficar atentos às movimentações dos diversos atores no tabuleiro de xadrez e os diversos interesses em disputa que nos oferecem, pois a campanha eleitoral, oficialmente, ainda não começou. Mas as disputas dos interesses na nossa sociedade são históricas e atuais, portanto, vamos relembrar nossas avós, que nos ensinaram que nas questões de bem-estar, para nós e para os nossos, quem não escolhe a melhor parte ou é bobo ou não entende da arte. Votar é um ato de cidadania, deve ser feito de forma consciente segundo seus direitos, interesses e necessidades, fazendo assim fica mais fácil escolher quem está do nosso lado e depois podemos cobrar do eleito que lute por aquilo que foi escolhido para realizar.

10/06/2022 / 0 Comments
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Campeão de votos se distancia de campanha aberta e busca garantir reeleição

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Amaro Neto percorre municípios do interior em busca de suporte para permanecer na Câmara Republicanos “O cenário não foi definido, ainda tem muitas conversas”, disse nesta sexta-feira (10) a assessoria do deputado federal Amaro Neto (Republicanos), eleito em 2018 com 181,8 mil votos, confirmando bastidores políticos que apontam um distanciamento do campeão de votos da eleição passada com os movimentos do seu partido e da própria campanha eleitoral aberta. “Ele não fala sobre o assunto”, complementa. Esse posicionamento atinge, também, a pré-campanha do deputado estadual Erick Musso, do mesmo partido, ao governo do Estado, um dos seis postulantes ao cargo, a maioria, como ele, atuante no campo da direita conservadora e bolsonarista, que também sente os impactos negativos da gestão inoperante do atual governo, especialmente os índices de inflação. Esse número de pré-candidatos não contabiliza o senador Fabiano Contarato, que neste sábado (11) deve ter formalizada sua saída da disputa. A menos de quatro meses das eleições, no momento em que começam a ser definidos os nomes para os cargos que entram na disputa – governador, um senador, deputados federas e estaduais -, Amaro Neto se mantém à parte do partido e se mostra voltado unicamente para a reeleição e, mesmo assim, fora de eventos públicos. Nos meios políticos, circula que ele estaria agindo para evitar desgaste, por conta do cenário de guerra atual decorrente de seis candidaturas ao governo do campo da direita, sem qualquer demonstração de que poderá haver um alinhamento – Erick Musso (Republicanos), Felipe Rigoni (União), Guerino Zanon (PSD), Aridelmo Teixeira (Novo), Carlos Manato (PL) e Audifax Barcelos (Rede) -, quadro que somente favorece as pré-candidatura de Manato, da direita bolsonarista mais forte, e do governador Renato Casagrande (PSB), líder na corrida.  O parlamentar realiza um programa de visitas a municípios do interior, beneficiados com suas emendas parlamentares, com a cifra de R$ 22,7 milhões indicados no orçamento do relator, chamado de orçamento secreto. Percorre o mesmo trajeto e com o mesmo objetivo de Musso, que é o de garantir votos fora da região da região metropolitana. Como Musso, o deputado busca recuperar o fôlego e ampliar densidade eleitoral, encolhida no seu principal reduto, a Grande Vitória, segundo os meios políticos, por conta de um mandato apagado, bem diferente do programa de apelo popular que apresenta na TV, que lhe rendeu a eleição com grande votação. “No interior, o volume de votos sempre é menor do que na região metropolitana e, além disso, as fontes podem migrar para outros candidatos da região”, comenta liderança política habituada a cálculos certeiros sobre o cenário eleitoral. Dos 181,8 mil votos, ele estaria hoje na casa dos 120, 130 mil. Fora do circuito Disputado em períodos eleitorais, Amaro Neto ainda não entrou nas movimentações do correligionário Erick Musso https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/fora-do-circuito-1

10/06/2022 / 1 Comment
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Eucalipto transgênico da Suzano é alvo de mobilização internacional

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Mais de 60 organizações já assinaram denúncia. Variedade aprovada pela CTNBio é mais resistente ao glifosato Está aberta a adesões até o próximo dia 19, uma carta pública de denúncia contra a liberação para uso comercial de mais um eucalipto transgênico da Suzano Papel e Celulose. O documento já conta com a assinatura de mais de 60 organizações brasileiras e internacionais (veja lista ao final) e pede pela “imediata suspensão da liberação” da variedade 751K032, desenvolvida pela FuturaGene e autorizada em novembro passado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).  “Este eucalipto transgênico resistente ao glifosato, identificado como 751K032, é uma grave ameaça à vida, à sociedade e à natureza. Sua liberação exige maior precaução”, alertam as organizações. O novo transgênico, explicam, contém um gene que o tornou tolerante a aplicações do veneno glifosato, o herbicida mais conhecido no Brasil, pelo nome comercial de Roundup, fabricado pela multinacional Monsanto, atual Bayer, que “tem em sua composição um princípio ativo comprovadamente carcinogênico”. Endereçada ao presidente da CTNBio, Paulo Augusto Viana Barroso, e ao Ministério Público Federal (MPF), a carta denuncia a forma, “apressada e imprevidente” como se deu a liberação e os efeitos nocivos sobre o meio ambiente e as comunidades tradicionais que vivem em meio aos monocultivos de eucalipto da empresa em vários estados, incluindo o Espírito Santo, visando “apenas os interesses comerciais da Suzano Papel e Celulose” e “ampliar a riqueza de sua principal acionista: a família Feffer em São Paulo, bilionária há muitos anos e uma das mais ricas do país”. “A aprovação ocorreu em tempo recorde de cinco meses, ignorando a consulta livre, prévia e informada das comunidades que já vivem sob o impacto dos monocultivos de eucalipto. A empresa realizou testes de campo em Açailândia (MA), Caravelas (BA), Angatuba (SP) e Araraquara (SP), sem informar amplamente as comunidades locais sobre os testes e impactos desta atividade”, relatam. Com isso, sublinha, houve “desrespeito ao princípio da precaução enfatizado nas conferências internacionais sobre biodiversidade, das quais o Brasil participa”. A CTNBio, denunciam, “deu celeridade à aprovação do pedido da empresa Suzano, apenas com base nos estudos apresentados pela própria empresa”. No Espírito Santo, onde a Suzano (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose) atua com seus extensos eucaliptais, ainda não há informações se o uso dessa variedade já começou a ser implementado e sobre como esse uso foi ou será regularizado. “A Suzano precisa nominar que é transgênico o eucalipto que ela vai plantar no Estado para obter licença no Iema [Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos]? Nos preocupa a falta de transparência. Talvez a variedade transgênica já esteja sendo plantada no Espírito Santo, nos territórios quilombola e campesinos, sem que nem eles mesmos saibam”, questiona Beto Loureiro, educador da Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), uma das entidades que assina a carta-denúncia. O documento destaca a Resolução 32/2021, da CTNBio, “que flexibiliza as medidas de segurança ao meio ambiente” e que foi aplicada pela Comissão para desobrigar a realização de um plano de monitoramento dos impactos da variedade sobre o meio ambiente. E isso, justamente num momento em que “o país que está ‘secando’ em função do desmatamento sem parar” e que o mundo vive um “caos climático”. Ambos, “fenômenos para as quais também a expansão da Suzano contribui”.  Sobre a expansão dos eucaliptais, a carta ressalta ainda que esta é a segunda aprovação de variedade transgênica de eucalipto da multinacional pela CTNBio. O primeiro, H421, foi aprovado em 2015 e tinha objetivo de “garantir o aumento de 20% da produtividade”.  Na ocasião, sublinham os signatários da denúncia, “a empresa alegou que a medida elevaria ‘a competitividade e os ganhos ambientais e socioeconômicos por meio de maior produtividade, usando menos terra e, portanto, menos insumos químicos em geral, com menor liberação de carbono, bem como tornando a terra disponível para a produção ou a conservação de alimentos’”. A alegação, no entanto, não foi cumprida. Em 2015, “a Suzano tinha 524 mil hectares plantados com monocultura de eucalipto no Brasil para abastecer suas fábricas de celulose”. Em 2020, eram 1,3 milhão de hectares, quase o triplo.  Mortandades de abelhas  Uma das localidades vizinhas a uma área de teste de transgênicos da Suzano é a comunidade quilombola de Volta Miúda, em Caravelas, extremo sul da Bahia. Presidente da Associação Quilombola de volta Miúda Caravelas (APRVM) e da Cooperativa Quilombola do Extremo Sul da Bahia (Coopqes), Célio Leocádio conta que a comunidade credita ao eucalipto transgênico H421 as mortandades de abelhas que começaram a acontecer a partir de 2018 na região.  “As nossas UBMs [Unidade Beneficiamento do Mel] estão criando morcego, barata e rato, sem uso, paradas, porque não tem mais abelha! As empresas faziam pulverização aérea e no solo [de agrotóxicos]. Uma associação teve que fechar as portas, faliu”. A tragédia começou depois de cinco anos do projeto de apicultura, feito com apoio do governo baiano e das próprias papeleiras. “A empresa chegou a medir a região, com GPS, para instalar as caixas de abelhas nos lugares onde ela queria, no meio do eucalipto, depois matou tudo com veneno”, conta.  Além da apicultura, também a agricultura sofre com a presença dos monocultivos. “A gente não tem mais água, não consegue mais produzir, muitas pessoas estão ficando doentes. Estão descaracterizando nosso território. E o Inema [Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia] e os municípios entregam licença para as empresas, sem consultar as comunidades. Para irrigar eucalipto e até molhar rua eles dão licença, enquanto a gente não tem água nas comunidades”.  Na última terça-feira (7), Célio conta que o MPF fez uma visita em campo em Volta Miúda e perguntou se há algum protocolo de consulta prévia das empresas de celulose junto à comunidade. “O promotor orientou que essa consulta prévia pode ser construída junto com a Defensoria Pública. Estamos tentando fazer e as audiências públicas que o MPF fez vão ajudar nisso. Nós nunca fomos consultados sobre nada em relação ao eucalipto”.  O MPF-BA já realizou duas audiências públicas sobre impacto dos monocultivos de eucaliptos sobre os territórios quilombolas, o último nessa

10/06/2022 / 0 Comments
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Projeto convoca ato contra ataques a eventos no Centro de Vitória

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Mobilização será nesse sábado, em reação à operação comandada pelo vereador Gilvan da Federal (PL) Um ato é convocado para este sábado (11), no Centro de Vitória, em protesto aos recentes ataques do vereador Gilvan da Federal (PL) aos eventos periféricos. A mobilização é puxada por organizadores do Projeto Subúrbio, um dos locais que foram alvo de uma operação no último final de semana. A mobilização está marcada para as 21h, na rua Governador Bley, onde o projeto é localizado. “Quero convidar a população suburbana e os apoiadores, produtores e artistas que lutam diariamente pela cultura periférica, a participar de uma manifestação pacífica em proteção da Subúrbio, que vem sendo perseguido por representar a população LGBTQIA+ preta. As eleições estão chegando e é nítida a população que não tem direito ao lazer”, convoca uma publicação do projeto nas redes sociais. No último final de semana, o vereador bolsonarista Gilvan da Federal foi em comitiva com forças de segurança até o Centro de Vitória, “em busca de baderneiros”, dizendo que “parecia que estava entrando no inferno”. Os ataques foram ao Projeto Subúrbio e ao Bar da Zilda, com apoio da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). “É uma ato em resposta à perseguição, que já era feita pela fiscalização e pela Polícia de forma truculenta há algum tempo, no Subúrbio e em outros locais voltados para a cultura periférica e preta (…) É mais um ato pra mostrar a união da gente que está fazendo cultura, que tenta sozinho levar algum tipo de lazer para a periferia. É para mostrar que a gente está unido, não estamos sozinhos”, afirma Átila Alves Costa, organizador do projeto. Esta semana, após os ataques de Gilvan, os organizadores se posicionaram sobre o tratamento que recebem da prefeitura, dizendo que a perseguição pela fiscalização municipal acontece há dois anos, mesmo com a documentação em dia. Os responsáveis afirmam, ainda, que já procuraram a Prefeitura de Vitória em busca de apoio, para que os frequentadores do local tivessem mais segurança, mas não obtiveram respostas. “Também propomos arcar com banheiros químicos e com a limpeza da região. Porém, em troca, a resposta é uma live nos tratando como bandidos! Somos muitos e o Subúrbio tem forte apoio popular, principalmente dos jovens. Nos colocamos à disposição ao Bar da Zilda, Afrokizomba, Puta Bloco e todos os outros comerciantes da região que viram o Centro de Vitória reviver com ocupação da Subúrbio, para uma união de forças, resistência e diálogo, a quem, com muita dificuldade, continua fazendo cultura e fornecendo lazer à população da Grande Vitória”. O ato deste sábado também tem o apoio do movimento Grito da Cultura que, desde o ano passado, tem denunciado uma série de irregularidades na gestão do secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno. Em entrevista ao Século Diário nessa quarta-feira (8), Karlili Trindade, integrante do coletivo, enfatizou que atitudes como as do Gilvan da Federal fazem parte de um projeto da atual gestão municipal. “Eu entendo que o ataque faz parte de um projeto higienista que a gestão tem para o Centro, assim como tem feito com a Curva da Jurema e outros espaços da cidade. Estão acelerando a gentrificação de Vitória, inviabilizando o acesso e direito à cidade a pessoas negras e periféricas (…) A gestão Pazolini trata a cidade como um templo dele”, criticou. ‘No Centro, a gente faz cultura sozinho’, critica dona do tradicional bar da Zilda – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cidades/aqui-no-centro-a-gente-faz-a-cultura-sozinho-afirma-proprietaria-de-bar-em-vitoria-1

10/06/2022 / 0 Comments
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