Estudantes, professores e trabalhadores tomaram as ruas de Vitória contra ataques da gestão Bolsonaro à Educação UNE-ES Movimentos sociais capixabas voltaram às ruas, nessa quinta-feira (9), para denunciar os cortes do governo Bolsonaro (PL) na Educação. O ato, mobilizado por estudantes, teve concentração na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contando com a participação de professores e sindicatos trabalhistas. “O que está acontecendo na Educação não é uma crise. É um projeto do governo que é inimigo do pobre, inimigo do estudante”, declara o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado (Sindipetro-ES), Valnisio Hoffmann. Os manifestantes saíram do Teatro Universitário, na Ufes, e foram até o prédio da Petrobras, na Reta da Penha. O ato foi mobilizado pelo Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE/Ufes) e a direção estadual da União Nacional dos Estudantes (UNE). “O movimento estudantil protagoniza esse retorno às ruas, perante os cortes, os retrocessos desse governo, pensando não só na educação, mas também os serviços públicos, a saúde, as nossas estatais”, destaca a representante da UNE-ES, Emanuelle Kisse. A gota d’água para o ato, registrado em mais de 100 cidades brasileiras, foi o bloqueio de R$ 3,23 bilhões do orçamento da Educação, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 206/2019, que tentou propor a cobrança de mensalidade dos alunos de universidades públicas. “Foi para que as pessoas pudessem se perguntar sobre tudo o que tem acontecido, para que a gente pudesse, nesse retorno presencial, reunir os estudantes, dialogar, fazer o nosso movimento de luta, assim como nós fizemos em 2019, quando sofremos os cortes na universidade”, destaca Beatriz Pezzin, integrante do movimento estudantil Disparada-ES. No Espírito Santo, o ato também foi marcado pela participação de estudantes dos Institutos Federais (Ifes) de fora da região metropolitana, como de Piúma, Guarapari e Itapina. Só o instituto federal capixaba sofreu um impacto de R$ 13,6 milhões com os cortes anunciados pelo Ministério da Educação. Para Beatriz, essa participação é importante para que as discussões sobre o cenário atual da educação cheguem a outros espaços. “A gente consegue tirar essa concentração de conversas e diálogos da região metropolitana de Vitória e levar para todo o Estado, trazer a galera pra colar junto, conversar sobre o que está acontecendo, o que é esse projeto de privatização das universidades, como isso nos afeta e vai afetar, principalmente, as pessoas negras, da periferia, mais pobres, que não têm condição de pagar pelo ensino superior”, enfatiza. Professores e trabalhadores se unem às reivindicações Integrantes da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) também apoiaram a mobilização, marcando presença no ato. Na Ufes, o impacto dos cortes foi de R$ 17,9 milhões, conforme informações divulgadas pela instituição. A presidente da entidade, Junia Zaidan, enfatiza que a mobilização da comunidade acadêmica precisa ser conjunta, porque os ataques à universidade e ao serviço público atingem a todos. “Os ataques não escolhem os segmentos, vêm pra todos os cantos, seja em relação a orçamento, seja em relação a tentativas de implementação de modalidades de ensino que enfraquecem a formação, seja cortando investimento em pesquisa e extensão”, elenca. É o que reitera o coordenador Sindipetro-ES, Valnisio Hoffmann. Para ele, o corte de verbas também afeta áreas como a saúde e a produção científica e tecnológica. “As universidades públicas são responsáveis por mais de 90% da pesquisa e inovação do País, prestam serviços à população por meio de projetos de extensão, hospitais universitários e, simplesmente, o governo quer cortar verba para isso. É um absurdo”, critica. Um absurdo e um projeto de governo, como ele mesmo reiterou. Hoffmann cita o exemplo do projeto do Executivo enviado ao Congresso Nacional esta semana, desobrigando o uso dos recursos do pré-sal para a saúde e para a educação. “Esse dinheiro poderia ser a ponte para um futuro, transformar o Brasil em uma grande potência, muito investimento para a educação e a saúde, e ele escolhe usar para algo que nós nem sabemos o que é, se é pra orçamento secreto, para cobrir o rombo desse governo, que culpa a todos, menos a sua responsabilidade”. Para Emanuelle Kisse, a mobilização em Vitória foi significativa, principalmente por representar um momento de reorganização das lutas dos estudantes. “É um momento de reestruturação do movimento estudantil, que passou um período sem ocupar esses espaços de encontro e, agora, a gente consegue se reorganizar e reformular, politicamente, quais são nossas pautas, como que a gente consegue enfrentar esse governo, as mobilizações que a gente precisa fazer”, explica. O ato em Vitória faz parte de uma intensa mobilização nacional. De acordo com a UNE, nessa quinta-feira, manifestações foram registradas em mais de cem cidades, reunindo cerca de 500 mil pessoas. “Não podemos recuar. Precisamos manter a mobilização para barrar de uma vez por todas a tentativa de desmonte na Educação”, ressalta a entidades nas redes sociais.
Cartilha sobre aborto: ‘desinformação e prática eleitoreira’
Movimentos do Estado criticam tentativa do governo federal de criminalizar mulheres e meninas Movimentos de mulheres do Espírito Santo se posicionam contrários à cartilha “Atenção Técnica para Prevenção, Avaliação e Conduta nos Casos de Abortamento Legal”, do Ministério da Saúde. O material, dirigido para gestores, serviços e profissionais de saúde, afirma que “não existe aborto legal no Brasil”, considerando, assim, toda prática como crime. Ativistas da área apontam desinformação, prática eleitoreira e tentativa de criminalização de mulheres e meninas. “Todo aborto é um crime, mas quando comprovadas as situações de excludente de ilicitude após investigação policial, deixa de ser punido”, aponta a cartinha, referindo-se aos casos de interrupção da gravidez decorrente de estupro, risco de morte para a gestante e feto com anencefalia, situações em que, segundo a legislação brasileira, o aborto é legal. No material consta ainda que, hoje, “prevalece a interpretação de que a autorização para interromper gravidez decorrente de relação sexual não consentida tem o objetivo de não vitimizar a mulher sucessivas vezes”. Entretanto, segundo o documento, não foi feita “em respeito à mulher vítima, mas para evitar o nascimento do fruto de um crime, ou seja, para não correr o risco de perpetuar uma descendência criminosa”. Assim, afirma o Ministério da Saúde, “o móvel do legislador não foi nada nobre”. A interrupção da gravidez em casos de estupro e risco de morte da gestante é permitida no Brasil pelo Decreto Lei n° 2848, de 1940. Em situação de crianças com anencefalia, passou a ser possível a partir de 2012, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O aborto, quando não se enquadra em nenhuma dessas situações, pode acarretar em pena de um a três anos de detenção, de acordo com o Código Penal. “O excludente de ilicitude não existe no Código Penal para esses casos, e isso já está regulamentado. Não é necessária notificação de denúncia de estupro para o interrompimento da gravidez. Existem algumas regras, como o feto não ter mais de 21 semanas nem mais de 500 gramas”, contrapõe a integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), Edna Martins. Ela destaca que a cartilha busca criar um “processo de desinformação”, além de criminalizar mulheres e também meninas, já que crianças, principalmente de 10 a 14 anos, sofrem abuso sexual no espaço familiar, cometido por pessoas próximas, e têm direito ao aborto, caso queiram fazê-lo. Após repercussão do conteúdo da cartilha, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o tema do aborto será debatido em audiência pública, mas não forneceu mais detalhes. Para Edna, tanto essa afirmação quanto a veiculação da cartilha são atitudes eleitoreiras. “O governo Bolsonaro (PL) quer trazer para o debate uma pauta polêmica devido ao processo eleitoral. A tática é colocar no centro das discussões a questão dos costumes”, considera. A assistente social e integrante da Frente pela Legalização do Aborto do Espírito Santo (Flaes), Emilly Marques, defende que o debate tem que ser feito, mas com foco na questão dos direitos sexuais e reprodutivos, inclusive, em espaços como escolas e unidades de saúde. Já Elda Alvarenga, integrante da Católicas pelo Direito de Decidir, Organização Não Governamental (ONG) que defende que a mulher deve legislar sobre seus corpos, também destaca que a cartilha “mostra desconhecimento das políticas de direitos reprodutivos e da legislação”. De acordo com Elda, “fazer uma cartilha que contraria a legislação, evidencia o caráter equivocado do governo Bolsonaro, que mostra também com isso que quer pautar políticas a partir de preceitos religiosos, sendo que o Estado é laico”. “De onde nasce essa perspectiva de que a sociedade decide sobre os corpos? É porque esse corpo é da mulher? É porque vivemos em uma sociedade patriarcal, que acha que o corpo da mulher é propriedade coletiva?”, questiona. Mulheres protestam no Hucam contra recusa em interromper gravidez de criança Além de estrutura digna de atendimento, Fórum reivindica aborto legal, seguro e gratuito https://www.seculodiario.com.br/saude/mulheres-protestam-no-hucam-contra-recusa-do-hospital-de-interromper-gravidez-de-menina-estuprada-pelo-tio
‘Pessoas com deficiência se revelam potência nas artes’
Atores com deficiência física, auditiva e visual participam de oficinas inclusivas e encenam peças teatrais em Vitória e Anchieta Por acreditar que pessoas com deficiência devem ter acesso à cultura “não somente como expectadoras, mas também como produtoras”, a Associação Sociedade Cultura e Arte (Soca Brasil), organiza oficinas por meio do Projeto Cena Diversa, voltadas para esse público, envolvendo práticas de teatro, canto, radionovela, cinema e fotografia. Alguns resultados dessa iniciativa são duas peças teatrais: Quando acordar a cidade e Pele. “Eles se revelam potência. Deficiência é potência”, ressalta Rejane Arruda, diretora dos dois espetáculos e coordenadora do projeto. As atividades têm foco em pessoas com deficiência física, auditiva e visual, sendo adaptadas para cada um desses públicos. Na oficina para pessoas com deficiência visual, foi inserida a aula de dublagem, pois “é por meio da voz e dos ouvidos que eles descobrem o mundo”, relata Rejane. Na voltada para surdos, há integração entre libras e português. Rejane Arruda As oficinas começaram em 2019, por meio do Prêmio Diversidade Cultural, da Secretaria Estadual de Cultura do Espírito Santo (Secult/ES). Em 2020 e 2021, sua realização foi impossibilitada pela pandemia da Covid-19. Este ano, foram retomadas por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Haverá novas turmas no segundo semestre, todas elas com vagas esgotadas, o que, para Rejane, comprova que há uma demanda por parte de pessoas com deficiência e poucas iniciativas que os incluam. Ela destaca que muitos podem acreditar que as peças protagonizadas pelas pessoas com deficiência são “pecinhas pobrezinhas para inclusão”, o que não é realidade. “Não é ir lá ver o cego fazer teatro, é uma peça de excelência artística, com abordagem visual e sonora impactante”, destaca. O público poderá apreciar ambas as peças gratuitamente neste mês de junho. Quando Acordar a Cidade será encenada no adro do Santuário Nacional de São José de Anchieta, na cidade de Anchieta, sul do Estado, no dia 18, às 19h30. Nos dias 22 e 24 de junho, estará no Palácio da Cultura Sônia Cabral, no Centro de Vitória, às 20h. O espetáculo Pele está marcado para acontecer na Concha Acústica do Parque Moscoso, também no Centro de Vitória, nos dias 26 e 27 de junho, às 20h. Haverá ainda um ensaio aberto nesse mesmo local, no dia 25 de junho, às 20h. A universitária Cinthya de Oliveira faz parte do elenco de Quando Acordar a Cidade, uma estória sobre a era de ouro do rádio no Brasil, encenada por sete pessoas cegas e duas com baixa visão, que são auxiliadas no deslocamento e na troca de microfones por assistentes-videntes. Cinthya nasceu cega e sempre quis fazer teatro, mas ainda não havia encontrado um espaço no qual se sentisse inclusa. Laysa Santiago “Foi a primeira vez que encontrei um espaço com acessibilidade. Estou muito feliz. Está sendo muito bacana. Sou muito tímida, tenho dificuldade para falar em público. Agora perdi o nervosismo, estou mais comunicativa”, conta. O jogador de rúgbi Fernando Huler é um dos atores de Pele, peça com três cadeirantes e quatro andantes que conta a estória de jovens que se conhecem, se apaixonam, casam e levam a vida, até que algo inesperado acontece. Ele, que se tornou cadeirante após ser baleado em uma tentativa de homicídio, nunca pensou em fazer teatro, mas por nunca ter visto uma iniciativa de oficinas teatrais para quem usa cadeira de rodas, se entusiasmou. Um dos pontos que aprecia na peça são as reflexões sobre a questão da deficiência, mas não como foco principal. “Estamos um pouco cansados de se focar somente nisso, de dar atenção total a isso”. Segundo Rejane, as peças trazem essas reflexões, mas têm uma sinopse que diz respeito a todos. Convite a turmas escolares Os representantes de escolas que queiram levar turmas de alunos para assistir as apresentações do espetáculo Quando Acordar a Cidade devem entrar em contato com a coordenação do projeto, pelo WhatsApp da Soca Brasil: (27) 99609-8181. A plateia do Palácio da Cultura Sônia Cabral comporta o total de 206 pessoas. Na Concha Acústica do Parque Moscoso, onde será apresentada a peça Pele, podem se sentar cerca de 200 pessoas nos bancos. Apresentações Quando Acordar a Cidade Local: Adro do Santuário Nacional de São José de Anchieta – Anchieta Data: 18 de junhoHorário: 19h30Entrada gratuita Quando Acordar a CidadeLocal: Palácio da Cultura Sônia Cabral – Praça João Clímaco, Cidade Alta – Centro de Vitória.Data: 22 e 24 de junhoHorário: 20hEntrada gratuita Pele – Ensaio AbertoLocal: Concha Acústica do Parque Moscoso – Parque Moscoso, Vitória.Data: 25 de junhoHorário: 20hEntrada gratuita PeleLocal: Concha Acústica do Parque Moscoso – Parque Moscoso, Vitória.Data: 26 e 27 de junhoHorário: 20hEntrada gratuita
Diretório estadual do PT chancela plenária de Contarato com a militância
Para participar, a presidente do PT-ES, Jackeline Rocha, cancelou um encontro de dirigentes do partido na Serra A direção do PT no Espírito Santo quebrou o silêncio, cancelou um evento marcado para a Serra, e decidiu chancelar o encontro organizado pelos movimentos sociais em defesa da pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado, neste sábado (11). A decisão, anunciada no final da tarde dessa quarta-feira (8), foi comemorada pela militância, que já organizava o evento sem a participação de dirigentes, em meio a críticas por falta de informações e suspeitas de pressões contrárias. Enquanto isso, a Nacional mantém as negociações com o PSB, do governador Renato Casagrande, que concorrerá à reeleição, em articulações diretamente relacionadas às eleições para presidente da República. No início da noite dessa quarta, logo em seguida à decisão da militância de manter o evento deste sábado, foi divulgado um card da direção, em forma de convite convocatório para a plenária ampliada, a ser realizada a partir das 9h30, no Sindicato dos Bancários, no Centro de Vitória. Sob o título “Conversa direta com Contarato – eu apoio, tu apoias, nós apoiamos”, com a foto do senador e do ex-presidente Lula, assinado pelos movimentos sociais e o Diretório Estadual, o card afirma “Lula e Contarato para o Espírito Santo ser feliz”, frase que reforça a cadidatura e que veio ao público em meio à forte pressão da militância e silêncio da direção da legenda. A movimentação da militância forçou Jackeline Rocha, presidente estadual do PT, a suspender outro evento, de dirigentes do partido, previsto no mesmo dia e horário no município da Serra, segundo informações de integrantes de movimentos sociais. A pressão em defesa do palanque de Contarato ao governo tomou maior impulso depois de uma reunião com o governador Renato Casagrande (PSB) que desagradou a militância, por ter sido realizada em sigilo, na qual Casagrande demonstra que poderá vir a apoiar o ex-presidente Lula sem, no entanto, garantir palanque único nem acenar para nomes do PT que poderiam compor em sua chapa como vice e candidato ao Senado. Do encontro, realizado segunda-feira passada (6), participaram membros do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do partido formado por Jackeline Rocha, deputado federal Helder Salomão, deputada estadual Iriny Lopes, o ex-prefeito João Coser, o ex-deputado Nunes, o secretário de Finanças e Administração do Sindicomerciários (Sindicato dos Empregados no Comercio do Estado), Jakson Andrade Silva, e o professor Alexandre Oxley. Nesta quinta-feira (9), a deputada estadual Iriny Lopes, da direção do PT, explicou que, por força de “um acordo interno, só nossa presidente fala sobre eleições. Muitas pessoas falando acabam gerando interpretações que nesse momento delicado e complexo não ajudam”. Procurada, no entanto, Jackeline Rocha mantém silêncio. Iriny e o deputado federal Helder Salomão são dois dos integrantes da diretoria que, desde a filiação de Contarato ao partido, em fevereiro deste ano, demonstram alinhamento aos movimentos da maioria da base que defende a pré-candidatura. “Não entendo essa resistência”, diz Tony Preto, do Movimento Negro Unificado, e aponta: “É um grupo fechado, meia dúzia que quer falar pelos movimentos sociais”. Para alguns ativistas, a decisão do Diretório Estadual representa um avanço na pré-candidatura de Contarato, que, apesar de evitar falar sobre o assunto abertamente, segue defendendo seu nome para concorrer com o governador Renato Casagrande (PSB). No âmbito nacional, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffman, marcou para até o dia 15 a decisão final, que será adotada juntamente com o presidente do PSB, Carlos Siqueira. Os movimentos sociais espalhados em comitês na Grande Vitória organizam comemorações para depois da plenária, por aguardarem posicionamento favorável à pré-candidatura do senador, o que representa maior pressão junto à Nacional, sem prejudicar a campanha do ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas e pode ter palanque próprio no Estado. O Comitê da Praia do Canto, por exemplo, irá prolongar até as 16 horas o “Choro na Praça”, que é apresentado todo sábado na praça da feirinha, ao lado do Iate Clube. Com silêncio do PT sobre Contarato, comitês refazem agenda e ampliam críticas – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/silencio-do-pt-sobre-contarato-fazcomites-refazer-agenda-e-ampliar-criticas
Cotoveladas
“Bonde” que busca título de bolsonarista, conservador e de direita no Estado lota mais: Guerino puxou seu assento Redes sociais No último dia 25, quando tratei aqui na coluna do provável apoio do PSD capixaba ao palanque presidenciável de Jair Bolsonaro (PL), o candidato do partido ao governo do Estado, Guerino Zanon, ainda não tinha colocado suas “asas políticas” de fora. Já circulava por municípios, para o têtê-à-têtê com o eleitorado, mas o discurso que nortearia sua campanha, mesmo, foi inaugurado na semana passada, em incontáveis entrevistas concedidas à imprensa, estratégia que segue em curso. A cada nova declaração, Guerino deixa mais claro sua posição: anti-Lula, com acenos para o atual presidente, defensor do conservadorismo – família, coisa e tal – e de direita. Com uma ou outra abordagem a mais ou a menos, a movimentação é semelhante ao que têm defendido os também candidatos Carlos Manato (PL) e Erick Musso (Republicanos), que já vêm se esbarrando no mesmo espaço há semanas. Somado a tudo isso, obviamente, as duras críticas ao governador Renato Casagrande (PSB), de quem são opositores. Quer dizer, o “bonde” agora lotou mais, com Guerino puxando seu assento. Tem para todo mundo? ‘Sucesso’Fora desse enredo principal, Guerino tem algo que os outros dois não têm: atuação como gestor por cinco períodos em que comandou a Prefeitura de Linhares, discurso que também tem explorado para convencer que é o “tipo ideal” para liderar o Palácio Anchieta. Diz ele que sua gestão é um “case de sucesso”. Sempre há controvérsias… Todo diaO candidato do PSD, por ora, não abriu a temporada de visitas diárias a entidades e igrejas, como fazem Manato e Erick, atrás dos votos evangélicos. Nem apareceu com as cores do bolsonarismo azul-verde-amarelo. Vem aí? DivisãoO apoio do PSD a Bolsonaro foi tema de levantamento da Folha de S.Paulo, divulgado aqui, após o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab (SP), liberar os diretórios estaduais, apesar de sua proximidade com Lula. Em pelo menos 12 deles, a adesão deverá ser a Bolsonaro, incluindo o Estado. Lula fica com nove e, nos demais, a posição tende à neutralidade. Faz-me rirTambém chama atenção, nas atuais declarações do ex-prefeito de Linhares, a tentativa de afirmar que Paulo Hartung (sem partido) nada tem a ver com as movimentações eleitorais deste ano no campo da oposição a Casagrande, seu adversário político. PH jamais ficaria de fora. Novos focosInclusive, até então focado no debate presidencial, como um dos principais defensores da terceira via, o ex-governador já começa e emitir opiniões sobre as demais disputas aos governos estaduais e ao Congresso Nacional, nos inúmeros eventos em que participa pelo País. Planos“Dá tempo da gente ajudar a eleger alguns bons personagens. Gente qualificada faz a diferença!”. Esta foi uma das frases recentes de Hartung, na plenária da Coalização Brasil em 2022. Não demora muito, ele começa a jogar os nomes no ar, como fez por meses com as articulações da terceira via, que ainda não engatou no País. Juntos e misturadosComo se sabe, nessa área que orbita ao redor de Hartung, tem Guerino, Erick Musso, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) e o empresário Arildemo Teixeira (Novo). Os três primeiros, vale o lembrete, iniciaram as articulações deste ano com projeto de união. A chapa conjunta não vingou, mas dos próximos passos, nunca se sabe! No comandoA propósito, Audifax e o partido Solidariedade oficializaram na noite dessa quarta-feira (8) a aliança para as eleições de outubro. O ex-prefeito toma frente de todas as movimentações, apesar da federação com o Psol e suas divergências. O que vai sair desse “rolo”, ainda é uma incógnita. Nas redes“Meu apoio e minha solidariedade à minha amiga Zilda, que há 30 anos toca um bar que é um importante ponto de cultura e de encontro no Centro de Vitória. Ela foi surpreendida por uma ação de repressão comandada por aquele vereador bolsonarista [Gilvan da Federal, PL], com apoio do prefeito Pazolini. O vereador chegou ao bar acompanhado de forças de segurança para, segundo ele, “caçar baderneiros” e para intimidar a Zilda e os frequentadores. Não encontraram nada de irregular! (…) Deputada estadual Iriny Lopes, do PT. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com No encalço Agora também de verde-amarelo, Erick Musso avança cada vez mais para os campos de Manato nas estratégias eleitorais https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/no-encalco-1-1 Raio-X nacional PSD-ES saiu das mãos de um bolsonarista convicto, mas deverá seguir, com Colnago, mesmo apoio na disputa à Presidência da República https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/raio-x-nacional
‘BR-101 provoca chacina de animais selvagens na Rebio Sooretama’
Estudantes da Ufes flagram 96 mortos em um dia, além de um bugio, ameaçado de extinção, morto duas semanas antes Noventa e seis animais silvestres mortos em 14 km de estrada, em um único dia, o que equivale a sete animais atropelados por quilômetro, ou um a cada 200 metros. Esse foi o saldo de uma das atividades da aula prática de campo realizada por um grupo de estudantes da disciplina de Ecologia de Estradas, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Biologia Animal) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no início deste mês de junho, sob liderança do professor doutor Aureo Banhos, dentro da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama, em Linhares, norte do Estado. A maioria das vítimas, encontradas no dia, no trecho da BR 101 que corta a Reserva Biológica de Sooretama e sua zona de amortecimento, foi de animais de pequeno porte, entre aves, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, como macacos saguis. Mesmo não estando em risco oficial de extinção, são de grande importância para o equilíbrio ecológico da floresta. Redes sociais Durante outros dois dias da aula de campo, os estudantes também se depararam com corpos de animais de maior porte e ameaçados de extinção, atropelados semanas e meses antes, como um bugio (foto abaixo) da espécie Alouatta guariba guariba, considerado criticamente ameaçado de extinção, a mais grave categoria de ameaça segundo a classificação internacional de espécies ameaçadas de desaparecer. Morto no final de maio, foi o primeiro registro de atropelamento deste tipo de primata na região. Macacos guigós, preguiças e outras espécies ameaçadas também são atropeladas com frequência preocupante, alerta o professor Aureo Banhos. Redes sociais A Rebio forma, junto com sua vizinha Reserva Natural da Vale, o maior fragmento de Mata Atlântica de Tabuleiro em todo o país, um tesouro natural de relevância mundial, principalmente em tempos de pandemia e mudanças climáticas. Mas tem na BR 101, hoje, uma de suas principais ameaças. “Essa rodovia tem promovido uma chacina, uma alta mortandade de animais naquele trecho. Isso não é uma fatalidade, não é acidente, é uma coisa que acontece diariamente e pode ser evitada e reduzida, se as medidas corretas forem adotadas, medidas que já sugerimos em 2014”, afirma o cientista. As medidas, elenca, foram apresentadas há oito anos diretamente ao Ministério Público Federal (MPF), após um workshop internacional de especialistas, que discutiu as soluções mais eficientes e viáveis para solucionar um problema criado pelo governo federal na década de 1970, quando rasgou a Terra dos Animais da Floresta (tradução do tupi-guarani “Sooretama”), violando uma área de proteção ambiental criada na década de 1940. Problema que foi sendo intensificado ano após ano, década após década, e que encontrava uma oportunidade de solução por meio do licenciamento ambiental para a duplicação da estrada, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a partir de 2013, e que teve a concessionária ECO 101 como vencedora da licitação. As principais sugestões dos cientistas envolvem instalação de redutores de velocidades; sinalização vertical orientando sobre a fragilidade do ecossistema local mediante a presença da autoestrada; criação de passagens aéreas para os animais arborícolas, como os bugios; e aprimoramento dos túneis para animais terrícolas, como antas, tamanduás e felinos. Reprodução/Parques do Brasil Medidas emergenciais, muitas delas de baixo custo, ressalta Aureo Banhos, que deveriam ser implementadas para reduzir a mortandade enquanto a medida definitiva seria, paralelamente, providenciada: a retirada da estrada no trecho que atravessa a reserva e sua zona de amortecimento, cerca de 25 km, por meio de um desvio a oeste da floresta, promovendo, simultaneamente, a dinamização da economia da região, caracterizada por pequenas propriedades rurais que necessitam de melhores estradas e estímulos que possam estimular o aumento e diversificação da produção das comunidades rurais. “A concessionária deveria ser responsabilizada por essas mortes. Assim como um caçador que entra na reserva e acaba abatendo indivíduos da nossa fauna ameaçada de extinção, esses atropelamentos que acontecem diariamente não são uma fatalidade, podem ser evitados, mas são mantidos pela negligência do poder público e em especial de quem está administrando a via“, reforça o pesquisador. No vídeo publicado em suas redes sociais, com uma síntese da aula de campo, Aureo destaca a medição do barulho provocado pelos automóveis, que em muitos momentos ultrapassa os 50 decibéis, o que configura “impacto altíssimo para a audição dos animais”. No aparelho, é possível ver 70, 71 e 72 decibéis. Redes sociais Há também registros das velocidades. Apesar da sinalização para o máximo de 80 km/h, muitos veículos passam dos 90 km/h, chegando a ser flagrado um que trafega a 127 km/h. Aureo Banhos destaca ainda que mesmo os 80km/h estão acima do padrão da estrada. “A velocidade máxima da via naquele trecho é de 60km/h, conforme consta no Plano de Manejo da Rebio. Quando ela era administrada pelo Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes], foram instalados radares de 60km/h, em 2011. Mas em 2017, já sob administração da ECO 101 eles foram retirados. No ano passado, a concessionária voltou com radares, mas de 80km/h. Tudo isso tem feito aumentar muito não só o número de atropelamentos de animais, mas também de acidente de trânsito, muitos com vítimas humanas”, ressalta. “Infernal” O fundo musical do vídeo sobre a aula de campo, Highway to hell, da banda AC/DC, faz uma alusão ao que aqueles 25 km de rodovia federal representam para a vida dos animais. “É um caminho para o inferno devido a enorme quantidade de mortes no local”, comenta um dos alunos, José Nilton da Silva, estudante de doutorado em Biologia de Vertebrados na PUC-MG. “Hoje sabemos que o número de animais atropelados no mundo ultrapassa 100 vezes o número de coletas científicas que conseguem ser feitas. Sem falar no ‘efeito barreira’ que a rodovia causa”, acentua, referindo-se ao transtorno que uma estrada como essa gera aos animais, que evitam chegar perto, devido ao barulho, ao mau cheiro e outros efeitos, mesmo quando precisariam atravessá-la. Em seu mestrado, José Nilton estudou os efeitos da BR-101 sobre a biodiversidade de Sooretama e concluiu que, com seus
Camila Valadão aciona Procuradoria da Câmara contra projeto transfóbico
Vereadora de Vitória argumenta que matéria foi aprovada com número inferior ao exigido pela Lei Orgânica A vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol) acionou a Procuradoria Geral da Câmara Municipal com questionamentos sobre o Projeto de Lei 93/2022, que proíbe o uso de banheiros unissex e tem sido criticado pelo teor transfóbico. A parlamentar questiona o baixo quórum de vereadores no momento da votação da matéria, aprovada nessa segunda-feira (6). No momento em que o texto foi votado, a sessão contava com a presença de oito vereadores, sendo aprovada com seis votos favoráveis e dois contrários. No requerimento encaminhado à Procuradoria Geral, Camila explica que, por se tratar de um tema relacionado ao Código de Posturas Municipais, o projeto precisaria ter a aprovação de nove dos quinze vereadores. “Tal código é responsável por definir e estabelecer as normas de organização do meio urbano e a preservação de sua identidade como fatores essenciais para o bem-estar da população, buscando alcançar condições mínimas de segurança, conforto, higiene e organização do uso dos bens e exercício de atividades (…) No tocante às matérias pertencentes ao Código de Postura, se faz necessária a aplicação do quórum qualificado de 3/5 (três quintos) dos membros da Câmara para aprovação da proposta”, diz o requerimento. Camila afirma que o projeto deveria ter sido dado como rejeitado durante a sessão de segunda, ressaltando que tentou apresentar questão de ordem à presidência da Câmara, sem êxito. No requerimento, que inicialmente foi enviado ao próprio presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), Camila pede que a declaração do resultado da sessão em questão seja anulada e que o projeto seja tido como rejeitado. Caso isso ocorra, a parlamentar também pede que seja avaliada a necessidade de uma nova votação. No plenário, o projeto foi aprovado com os votos favoráveis de André Brandino (PSC), Armandinho Fontoura (Podemos), Dalto Neves (PDT), Gilvan da Federal (PL), Luiz Emanuel (Cidadania) e Maurício Leite (Cidadania). Apenas Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol) votaram contra. O presidente da Casa da Câmara, Davi Esmael (PSD), não votou, mas foi um dos coautores da matéria. Nessa terça-feira (7), o Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Associação Gold) enviou um ofício ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), cobrando que o PL seja vetado. A matéria é semelhante a um projeto recente considerado inconstitucional pela Procuradoria da Câmara, tendo sido apontado como um ataque à dignidade humana. “Qualquer lei que atente contra a dignidade da pessoa humana é um risco. Uma lei desse tipo reforça preconceitos e pode até resultar em violência física. As pessoas vão se sentir amparadas na lei para impedir o acesso das pessoas aos banheiros”, disse o presidente da Associação Gold. Associação cobra que prefeito vete projeto transfóbico em Vitória Ofício foi enviado à gestão de Pazolini nesta terça-feira, após aprovação na Câmara de PL que proíbe uso de banheiros unissex https://www.seculodiario.com.br/politica/associacao-cobra-que-executivo-vete-projeto-transfobico-em-vitoria
Dados da fome reforçam urgência de políticas públicas e de pesquisa no Estado
Inquérito nacional revelou que 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no Brasil, patamar equivalente à década de 1990 Antonio Cruz/ABR Uma pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), divulgada nessa quarta-feira (8), mostra que 33,1 milhões de pessoas passam fome no Brasil, 14 milhões a mais que em 2020. Lideranças capixabas apontam a urgência de políticas públicas para reverter esse crescimento e criticam a falta de dados aprofundados sobre a insegurança alimentar no Espírito Santo. “O Estado precisa fazer sua parte. Precisa investir nas políticas públicas, nas políticas de geração de emprego e renda, na distribuição de renda. Ou se faz isso, ou daqui a pouco toda a sociedade começa a pagar um preço muito caro pela falta da busca de solução. É urgente. Nós sabemos que as soluções não são rápidas, mas ou se debruça sobre isso ou começaremos a pagar as consequências desse abandono com as favelas e periferias, que são as mais vulneráveis”, declara o coordenador da Central Única das Favelas do Espírito Santo (Cufa-ES), Gabriel Costa. Os dados são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, que também revelou que mais da metade da população brasileira experimenta algum nível de insegurança alimentar. Ao todo, 125,2 milhões de pessoas estão nessa situação, um aumento de 7,2% desde 2020 e 60% quando comparado a 2018. “A gente percebe esses dados a olho nu. Basta fazer uma visita ao Centro de Vitória, que é nítido o aumento da população em situação de rua, por exemplo. Quando fazemos monitoramento nas comunidades, nas periferias, a gente percebe”, aponta o presidente presidente do Conselho de Segurança Alimentar do Espírito Santo (Consea-ES), Rosemberg Moraes Caitano. As 14 milhões de pessoas que entraram em um contexto de fome desde 2020 mostram o agravamento provocado pela pandemia da Covid-19. Para Gabriel, uma questão que já era preocupante, se tornou ainda pior com a crise sanitária. “Nos últimos anos, acompanhamos o crescimento da fome no Brasil, do desemprego e dos preços dos itens básicos de sobrevivência e, quando chegou a pandemia, essa ferida se rompeu de vez. Nós começamos a ver pessoas que já não conseguiam garantir duas refeições ao dia, além da questão do acúmulo de dívidas, com aluguel, água e luz. Muitas pessoas tendo que voltar para casa dos seus pais, com toda sua família, buscando reduzir um pouco os custos”, relata. Para o coordenador da Cufa-ES, a expectativa era de que em 2022 a situação fosse amenizada, principalmente após a vacinação, o que não ocorreu. Um exemplo é a busca por atendimento na Cufa-ES, que aumentou nos últimos meses, enquanto a arrecadação de alimentos despencou. De janeiro até agora, 20,3 mil famílias capixabas foram atendidas pelo projeto. “Houve um aparente esquecimento, como se tudo tivesse voltado ao normal. Só que o preço de tudo isso se reflete agora”, destaca. Situação é pior para mulheres e pessoas negras Os números do levantamento mostram que a fome chega mais forte nas casas lideradas por pessoas negras e por mulheres. Ao todo, 65% dos lares chefiados por pessoas pretas ou pardas convivem com a insegurança alimentar em algum nível. No caso das casas comandadas por mulheres, a fome passou de 11,2% para 19,3%, enquanto nas residências dos homens, a passou de 7,0% para 11,9%. “A fome ainda é o espólio dessa falsa abolição. É nas periferias, nos guetos, que a população negra mora, que têm os menores salários, que os lares comandados por mulheres são os que mais se encontram em situação de vulnerabilidade”, destaca Rosemberg. Gabriel lembra que a pessoa que está em situação de fome, além de lidar com a subnutrição, estando com o corpo vulnerável a outras doenças, também enfrenta problemas psicológicos. “Nós temos outro problema também, que é o moral e o emocional, porque a pessoa passa a se sentir humilhada, impotente, porque ela não garante nem o básico para si mesmo, nem pra sua família”, ressalta. O relato também ficou evidente na pesquisa divulgada nessa quarta. No inquérito, 8,2% dos entrevistados relataram sensação de vergonha, tristeza ou constrangimento pelo uso de meios que ferem a dignidade para conseguir colocar comida na mesa. Faltam dados no ES Os dados nacionais refletem um cenário de preocupação que bate à porta de muitas famílias. O que o levantamento mostra é uma realidade de pelo menos 125,2 milhões sem ter certeza se vão conseguir se alimentar, 58,7% da população brasileira. “A gente lamenta que é a sociedade civil que ainda produz esses dados, não os órgãos governamentais. Ficam pensando políticas públicas sem ter esses dados na mão”, critica Rosemberg. Ele afirma que, desde 2019, o Consea-ES tem solicitado ao Instituto Jones dos Santos Neves que faça um levantamento mais aprofundado sobre a insegurança alimentar no Espírito Santo, o que ainda não aconteceu. “A Câmara Técnica Intersetorial Estadual [Caisan – ES], que tem o papel de preparar o Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, trabalha sem ter esses dados oficiais em mão”, afirma. Para além dos dados, Rosemberg ressalta que a reversão do quadro atual passa pela implementação de políticas públicas. No Espírito Santo, o presidente do conselho cobra a criação de uma Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional. “Se é uma política de transversalidade, não pode ser feito por uma gerência, uma gerência não dá conta”, aponta. O órgão citado por Rosemberg é a Gerência de Segurança Alimentar e Nutricional (GSAN), criada em 2012. A pasta é subordinada à Subsecretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, dentro da Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades). Para Rosemberg, também é preciso regulamentar a política de segurança alimentar e equipamentos públicos como o banco de alimentos, a horta e a cozinha comunitárias e o banco de leite precisam ser retomados. “Essa realidade não está longe da gente, está cada dia mais próxima e, se a gente não souber trabalhar a política de segurança alimentar na intersetorialidade, essa fome vai triplicar”, alerta.
Aluno ouve que ‘escola não é lugar de preto’ e família denuncia à Polícia Civil
Sedu foi acionada e afirma que avalia o caso administrativamente, para dar os “devidos encaminhamentos” Um Boletim de Ocorrência (BO) registrado na Polícia Civil nessa segunda-feira (6), enviado ao Século Diário, aponta denúncia de “injúria” cometida contra um estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Elza Lemos Andreatta, na Ilha das Caieiras, em Vitória, dentro da unidade de ensino. Conforme consta no documento, a avó do aluno comunicou que “seu neto foi injuriado” por uma colega de classe. Pessoas que souberam do caso, mas preferem não se identificar, afirmam que o menino sofreu racismo. Os relatos são de que uma colega disse que “a escola não é lugar de preto”. Diante disso, outros estudantes e um professor teriam amenizado a situação, afirmando que se tratava “apenas de uma brincadeira”. Após o registro do BO, a escola acionou a Polícia Militar (PM) para conduzir a situação. A partir daí, prosseguem as informações, “a mesma, de forma intimidatória, fala com a vítima para parar com essas conversas”. A escola, então, teria informado à família da possível transferência do aluno de turno e que deveria ser assinado um termo de concordância, o que foi recusado, gerando na sequência uma ameaça de expulsão. A Secretaria Estadual de Educação (Sedu), de acordo com as fontes ouvidas por Século Diário, foi procurada pela família da vítima, que obteve como resposta que seria feita investigação sobre o caso e que, para o aluno permanecer no turno no qual deseja, é preciso “comprovar que está fazendo cursos e outros por meio de declaração”. “Essa situação tem colocado a vida da vítima em risco, pois o adolescente passou a ser ameaçado por alunos da escola. O Conselho Tutelar foi comunicado sobre o ocorrido, mas tememos a segurança da vítima”, dizem. Procurada por Século Diário, a Sedu afirma que “tem ciência dos fatos e acolheu, nesta semana, as famílias e os alunos na sede da secretaria, em Vitória, e ouviu atentamente todo o relato tanto dos alunos quanto dos seus responsáveis. A equipe, posteriormente, também dialogou com a direção da escola, para ouvir os demais que foram citados pelos alunos e seus familiares”. A pasta acrescenta que “avalia, agora, administrativamente, todos os relatos, para que a situação seja resolvida da melhor maneira possível e dados os devidos encaminhamentos. Esclarece, ainda, que a equidade racial é um tema que tem sido trabalhado nas escolas da Rede Estadual, com formações para as equipes escolares, no intuito de minimizar esse tipo de situação e orientar o trabalho pedagógico nesse sentido dentro das unidades de ensino”. Um mês Trata-se do segundo caso de racismo em escola estadual denunciado para Século Diário em um mês. Em maio, ocorreu outro na EEEFM Aflordízio Carvalho da Silva, localizada em Itararé, Vitória. A vítima foi Natalia Heloisa, uma jovem preta de 18 anos, matriculada no segundo ano do Ensino Médio e diretora do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes). A mãe da moça, a advogada popular quilombola Josi Santos, contou que a filha foi insultada por um rapaz no momento em que estava no pátio com outros colegas, todos muito alegres e entusiasmados, aguardando o momento de apresentarem uma dança em uma disciplina eletiva. “Ele se aproximou dela e disse que ela parecia ‘uma cachorra no cio”, relatou a mãe. Em resposta, Josi diz que a jovem desdenhou, dizendo que não estava no cio, só estava alegre porque iria se apresentar na aula com os amigos e que não precisa estar no cio para namorar alguém, pois tinha muitos pretendentes e sabia o momento certo de fazer isso. Inflamado, o agressor começou então a chamá-la de feia e ainda mostrou no celular uma foto de uma moça branca de cabelos lisos e olhos claros, dizendo que aquela sim era exemplo de mulher bonita, com cabelo que pode passar o pente. “O teu cabelo nem passa pente, sua feia”, teria sido o tipo de insulto dito pelo rapaz, que foi seguido por outros colegas que gritavam a Natalia que ela tem “o cabelo duro”. A discussão continuou, e, sentindo-se humilhada, Natalia saiu de perto do agressor, muito nervosa. No trajeto, Josi disse que a filha esbarrou em uma colega que a tem por desafeto e que, irritada, a “chamou para a briga”. As duas demonstraram um início de embate físico, que foi contido pelos colegas. Um coordenador da escola chegou e ameaçou chamar a polícia, cessando então o tumulto. Dia depois, ao ir até a escola, Natália, acompanhada da mãe, encontrou o agressor no portão. “Falei com ele para pedir aos pais que nomeassem um advogado, porque eu teria uma reunião na escola sobre o ocorrido e provavelmente eles iriam precisar de um profissional para defendê-los. Sou a favor da paridade de armas jurídicas”, relata a advogada popular quilombola. Josi contou que, ao deixar a filha na entrada, tinha intenção de retornar para a unidade de ensino ainda pela manhã para participar da reunião marcada com a coordenação, mas logo que saiu do portão, recebeu um telefonema da filha dizendo que uma coordenadora – Lana Maria – não a deixava entrar na sala de aula. Em seguida, a própria coordenadora também ligou confirmando a reunião, porém com atraso de meia hora, e informando que somente mediante a sua presença, Natalia iria entrar em sala. Surpresa, Josi perguntou se também haviam impedido o agressor de entrar. “Ela me disse que já tinha conversado com a família dele e que já estava tudo certo. E que só depois de conversar pessoalmente comigo que iria deixar da minha filha estudar. Acionei a polícia e fiquei na porta da escola aguardando”, relatou. Quando a viatura chegou, a entrada da estudante já havia sido autorizada. Porém, diante de mais uma humilhação – “o agressor entrou na escola livremente e debochando dela” – Natalia começou a sofrer uma crise de ansiedade dentro da sala de aula. “Eu pedi ao porteiro que me deixasse entrar, mas ele disse que eu tinha que aguardar todos os protocolos. Então fui mais enérgica e consegui que abrissem. Cheguei na sala e ela estava em prantos, num estado lastimável. Peguei minha filha pela mão e tirei ela dali. Foi
Pastoral cobra medidas emergenciais para população de rua no período de frio
Prefeituras nem ao menos têm feito o atendimento precário, que é conceder cobertor e agasalho, denuncia A Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória denuncia que nenhuma das prefeituras dos municípios onde atua tem efetivado políticas públicas para evitar a exposição de pessoas em situação de rua às baixas temperaturas desta época do ano. A situação, cobra, exige medidas emergenciais. Embora a Arquidiocese abranja 15 cidades capixabas, a Pastoral atua somente em Guarapari, Vila Velha, Cariacica, Serra e Vitória, todos na região metropolitana. O agente da Pastoral, Carlos Fabian de Carvalho, afirma que uma das medidas emergenciais que devem ser tomadas é a parceria com a sociedade civil, alugando espaços como os de associações de moradores para abrigamento temporário da população em situação de rua. Outra possibilidade é utilizar equipamentos públicos e fazer adaptações, como escolas. “Não estamos falando de um mundaréu de gente, estamos falando de, digamos, umas 300 pessoas, que podem ser distribuídas em algumas salas e espaços, para abrigar à noite as pessoas que queiram. Faltar pensar em alternativas, as gestões nem estão pensando nisso”, critica. Fabian destaca que a Pastoral defende políticas efetivas para a população em situação de rua, como moradia, aluguel social e trabalho. Mas as emergenciais são necessárias, diante da falta de ações concretas e intersetoriais. “As gestões não estão fazendo sequer o atendimento precário, que é conceder cobertor e agasalho”, ressalta, salientando que a sociedade civil é que tem feito isso. A própria Pastoral faz uma campanha de arrecadação de cobertor e agasalho. Até o momento, foram arrecadadas e distribuídas cerca de 600 doações. O Ministério Público do Estado (MPES), por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa Comunitária (CACO), informa que instaurou procedimentos administrativos para acompanhar ações voltadas à população em situação de rua. Após expedição de notificações, aguarda as respostas dos municípios com informações das providências adotadas, já que não houve implementação de políticas efetivas que pudessem evitar a exposição de pessoas em situação de rua às baixas temperaturas desta época do ano, como pontua o órgão. O mesmo fez a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), por meio das Coordenações de Direitos Humanos e da Infância e Juventude, ao recomendar aos municípios capixabas que adotem providências de atendimento e acolhimento para a população em situação de rua devido às quedas bruscas de temperatura no Estado. Dentre os pedidos feitos pela DPES, estão a ampliação dos abrigos, disponibilização de espaços públicos educacionais e esportivos que estejam com a utilização suspensa, além de equipamentos de higiene básica. A DPES informa que obteve “respostas positivas” das cidades da Serra, Viana, Vila Velha e Vitória, indicando “que atuam através de seus equipamentos: os Centros de Referência Especializados de Assistência Social [Creas] e os Centros de Referência Especializados para a população em situação de rua [Centro Pop]”. Cariacica, cidade que está no rol de atuação da Pastoral, não respondeu. Doações As doações para a Pastoral do Povo devem ser feitas na Paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé, Vitória. Também é possível fazer doação em dinheiro por meio do Pix 27.054.162/0100-40 (CNPJ da Curia Metropolitana), para a compra dos produtos a serem doados.