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Vereadores de Cariacica ameaçados de cassação aguardam decisão da Justiça

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Ex-presidente da Câmara Cesar Lucas está entre os vereadores denunciados em ação eleitoral  Os seis vereadores de Cariacica ameaçados de perder os respectivos mandatos deixaram de se pronunciar no prazo de 72 horas estabelecido pelo juiz Adriano Correa de Mello, da Justiça Eleitoral, na audiência de instrução realizada no último dia 27. Por conta desse posicionamento, a sentença poderá ser definida até o próximo dia 17. O advogado Mauro Augusto Peres, representante dos requerentes, suplentes que assumirão as funções de vereador caso ocorram as cassações, explicou que não vê necessidade de apresentar novas provas. “Nós nos vimos satisfeitos com o que foi apresentado e as partes requeridas também não apresentaram petição nenhuma. Por isso, hoje, o processo está com o juiz, concluso para decisão”, disse, acrescentando: “Não sei se o juiz vai apresentar prazo para as alegações finais ou se já vai sentenciar, mas tem elementos suficientes para formar a convicção dele no sentido da configuração da fraude”. O processo que pode resultar na perda dos mandatos de seis vereadores de Cariacica é decorrente de denúncia protocolada pelo PSDB/DEM, referente à eleição de 2020. Eles são acusados de utilizarem pessoas estranhas ao processo eleitoral para promoverem fraude no sistema de cotas para mulheres. Estão com mandatos ameaçados, além de Cesar Lucas (PV), o ex-presidente da Câmara de Cariacica, Léo do Iapi (PDT), Juquinha e Juares do Salão (PMN), e Marcelo Zonta e Mauro Durval (Cidadania). Caso a decisão seja favorável à denúncia, eles serão substituídos por Marcos Palinha (PCdoB), Zeti Araújo (DEM), Ilma Siqueira (PSDB), Sargento Nunes (PTC), Romildo Andrade (DC) e Professor Esoj Lopes (PSD). As candidatas fictícias tiveram votação pífia, entre zero e quatro votos, e fizeram campanha nas redes sociais para outros candidatos. Segundo a legislação eleitoral, esse procedimento caracteriza fraude por cota de gênero, que garante o mínimo de 30% de candidaturas femininas nas disputas legislativas. Século Diário tentou, mas não conseguiu contato com os vereadores.

06/06/2022 / 0 Comments
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Cerca de 1,7 mil armas de fogo foram apreendidas no Estado até maio de 2022

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Dos homicídios registrados, 80% são com armas de fogo, sendo 30% delas legais As polícias Civil e Militar apreenderam cerca de 1,7 mil armas de fogo no Espírito Santo até maio de 2022. A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira (6), durante apresentação do relatório Modelo Integrado de Controle de Armas de Fogo, desenvolvido pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) em parceria com o Instituto Sou da Paz. Em 2021, o número de armas apreendidas foi de cerca de 4 mil. Em 2010, ano que antecedeu criação do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, 2,8 mil. Quando Renato Casagrande (PSB) assumiu seu primeiro mandato no Anchieta, em 2011, esse número foi de 3,2 mil. Em 2012, 2013 e 2014, os índices foram, respectivamente, de 3, 6 mil, 4,2 mil e 4,2 mil. O secretário de Estado de Governo, Álvaro Duboc, atribui o maior número de apreensões ao programa. Com o início do novo mandato de Paulo Hartung, em 2015, e a desativação do Estado Presente, o número de armas apreendidas foi reduzido. Neste ano, foram 4,1 mil. Nos anos seguintes, de 3,7 mil (2016); 3,1 mil (2017) e 2,9 mil (2018). No ano de 2019, Renato Casagrande retorna para a gestão estadual e o programa é rearticulado. Álvaro destaca que, nesse período, a quantidade de armas apreendidas voltou a subir, sendo de 3,3 mil (2019); 3,9 mil (2020) e 4 mil (2021). Além disso, o secretário estadual de Segurança Pública, Marcio Celante Weolffel, informou que em 2021 foram registrados 1.060 homicídios. Em 2020, 1.107. De acordo com ele, 80% desse tipo de crime são praticados com armas de fogo, sendo 30% delas legais, que podem ter sido furtadas, roubadas ou repassadas para outras pessoas. Entretanto, esse número pode ser maior, já que não é possível identificar a procedência de todas elas. Por meio do relatório Modelo Integrado de Controle de Armas de Fogo, foram mostrados dados referentes a 2018 e 2019. Somando dados desses dois anos, evidencia-se que 81% das armas apreendidas e periciadas no Espírito Santo são industriais, 15% artesanais, 4% de pressão, e 0,3% de simulacro. Conforme consta no documento, “os dados referendaram a percepção de que as armas de fabricação artesanal são um problema importante e crescente no Estado”. Quanto às armas desviadas para o mercado ilegal entre janeiro de 2018 e junho de 2020, 64% foram furtadas; 23% roubadas; 13% extraviadas; 11,5% recuperadas, ou seja, apreendidas após o desvio dentro do mesmo período de 30 meses. O tempo médio de recuperação foi de cinco meses e 57% dos locais de recuperação foram em outra cidade. “A análise das dinâmicas de migração das armas legais para o mercado ilegal se mostra cada vez mais necessária. Entre as 531 armas registradas como furtadas, roubadas e extraviadas ao longo de 30 meses, apenas 11,5% foram recuperadas e o tempo médio até essa recuperação foi de 5 meses. Das armas recuperadas, 57% estavam em outras cidades, apontando para fluxos importantes de circulação intraestadual”, diz o relatório.

06/06/2022 / 0 Comments
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Níveis

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Pressinto que a Seleção Brasileira vai ter problemas nesta Copa do Catar… Sou brasileiro, torço pelo bem do País. Mas não tanto no futebol. Tenho pressentimento que a Seleção Brasileira vai ter problemas nesta Copa do Catar. Essa seleção de Tite não é renovada, é aproveitada. O técnico só convoca jogadores que atuam na Europa. E aqui no Brasil têm melhores e ele não convoca. Isto é mais que sabido. Um dia eu ouvi uma análise que me deixou pensativo e descrente. Geralmente Tite chama jogadores que são titulares de grandes times europeus. Até pouco tempo, seu “titular” Philipe Coutinho jogava no Barça. Para o europeu, Dembélé tem mais valor que ele. O atacante capixaba Richarlison é um dos destaques do Everton e da Seleção Brasileira, mas o Bayern e a Alemanha tem Lewandowski. Entre os dois, o europeu valoriza mais quem? Nós temos Neymar, indubitavelmente um craque. Mas na Copa haverá um melhor na opinião dos europeus e asiáticos, Messi. Até Vinicius Junior, que é destaque do Real Madrid, não tem o mesmo nível de Benzemá. Colocar os dois na balança penderá para quem? O Tite não aproveita o Vinicius Jr. como deveria. Mesmo agora ele sendo destaque na Europa. Ganhou a Champions, Mas Tite não quer saber. Prefere o Gabriel Jesus. Tudo Bem! Então, infelizmente, os jogadores de Tite brilham na Europa, mas não são do mesmo nível dos craques de lá. Façam vocês mesmos uma comparação e incluam, fama, prestígio, salários e os times que jogam. Mas se o Brasil tiver garra e coração, poderá suplantar as teimosias e preferências do Tite, que fazendo bonito ou feio, se despedirá da CBF após a Copa do Catar. E já existem especulações para substituto, entre eles, Cuca, Renato Gaúcho, Jorge Jesus e Abel (Palmeiras). PARABÓLICAS O excelente Jô de Souza anda meio sumido. Será que é a emissora em que trabalha que contribui? Atende pelo nome de Licindo Pereira Alves o gerente da Unidade Regional da Anatel no ES. A Anatel fiscaliza, principalmente, irregularidades em rádios e TVs. Eustáquio Palhares entrevistou dias desses o nosso Giovani Rodigheri, no seu programa Presença, da Rede3 TV. Sueli Oliveira é quem responde atualmente pela Musical FM e TV São Mateus, ao lado de Ronaldinho. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Three Degrees – When Will I see you Againhttps://www.youtube.com/watch?v=if-wx-E5WoA MENSAGEM FINAL“O homem nasce com as mãos fechadas, mas agoniza com as mãos abertas, porque, ao entrar no mundo, ele deseja agarrar tudo, mas ao deixá-lo, não leva nada consigo”. Talmude (livro de doutrina e jurisprudência).

06/06/2022 / 1 Comment
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PL de pensão para filhos separados dos pais com hanseníase entra em pauta

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Caso a pensão seja concedida, no Estado serão beneficiados cerca de 650 ex-internos do Educandário Alzira Bley Está marcada para esta terça-feira (7) a votação do Projeto de Lei 2104/2011 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. A proposta, de autoria do deputado Diego Andrade (PR-MG), prevê uma pensão vitalícia de cerca de R$ 1,6 mil para os filhos separados dos pais com hanseníase. Por ser ano eleitoral, a expectativa é de que a iniciativa seja aprovada na comissão até julho, caso contrário, corre risco de a votação ser colocada em pauta somente em 2023. No Espírito Santo, se a pensão for concedida, serão beneficiadas cerca de 650 ex-internos do Educandário Alzira Bley, no bairro Padre Matias, em Cariacica, para onde as crianças eram levadas quando seus pais, com hanseníase, eram internados compulsoriamente no hospital Pedro Fontes, que fica ao lado do Alzira Bley. Apesar de impor que a votação seja com mais celeridade, o pleito de 2022 pode, por outro lado, ser um ponto favorável. É o que acredita o presidente da Associação dos Ex-Internos do Preventório Alzira Bley, Heraldo José Pereira. “Por ser época de eleição, temos mais esperança, pois os parlamentares querem se reeleger, então isso pode ser um facilitador, já que não querem perder voto”, diz. A CCJ é a última Comissão da Câmara na qual o projeto precisa ser apreciado. A votação do PL nesse colegiado seria no final de 2020, mas foi adiada diversas vezes.  A proposta já foi aprovada na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e na de Seguridade Social e Família (CSSF). O coordenador do Movimento de Reintegração de Pessoas Afligidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio, explica que, caso seja aprovado na CCJ, o projeto irá para o Senado, onde passará pela apreciação dessas três comissões. A pensão de R$ 1,6 mil, prevista no PL, tem como parâmetro a Lei nº 11.520, oriunda da Medida Provisória (MP) 373/2007, que instituiu esse benefício aos pais que foram submetidos ao isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia até 31 de dezembro de 1986. Além da pensão, essas pessoas conquistaram uma indenização no valor de R$ 100 mil. A prática do Estado de separar os filhos dos pais com hanseníase teve início na década de 20, no contexto da política de isolamento e internação compulsórios de pacientes que tinham a doença, no primeiro governo do presidente Getúlio Vargas. Com a descoberta da cura da enfermidade, o fim da internação compulsória ocorreu em 1962, mas há registros de que continuaram a acontecer, em todo o país, até a década de 80. Os filhos, caso fossem saudáveis, eram levados para os chamados preventórios. Na justificativa do Projeto de Lei 2104/2011, é destacado que a maioria dos pacientes dos hospitais-colônia foi “capturada” na juventude. “Muitos se casaram e tiveram filhos durante o período de internação. Os filhos, ao nascer, eram imediatamente separados dos pais e levados para instituições denominadas ‘preventórios’. Na maioria dos casos, não tinham quase nenhum contato com os pais”, destaca.

06/06/2022 / 0 Comments
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‘Povos tradicionais são prioridade e precisam de apoio para inscrição no CAR’

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Análise da principal ferramenta do Código Florestal aponta que o Estado prioriza grandes imóveis sob licenciamento ou fiscalização Aquipoa Povos e Comunidades Tradicionais (PCT), como quilombolas, indígenas, pescadores artesanais e camponeses, são prioridade no processo de inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os governos estaduais precisam apoiá-los para que consigam se inscrever. Na análise dos imóveis já inscritos, a prioridade dos estados deve ser aqueles que apresentam maiores impactos ambientais.  Essas são três das principais orientações destacadas pelo Observatório do Código Florestal durante a semana de atividades que marcam os dez anos do Novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), completados no último dia 25 de maio. A nova Lei Florestal brasileira tem no Cadastro Ambiental Rural (CAR) a principal ferramenta para implementação dos Programas de Regularização Ambiental (PRA).  O Observatório do Código Florestal é formado por 39 instituições e se dedica a monitorar a implementação da lei e, nessa semana de atividades, lançou, junto com outras entidades – Fundação SOS Mata Atlântica, Imaflora e Laboratório de Planejamento de Uso do Solo e Conservação, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (GeoLab-Esalq/USP) – a Plataforma do Código Florestal na Mata Atlântica, com dados inéditos sobre a implementação da nova Lei Florestal.  Cabe aos governos estaduais analisar os mais de seis milhões de imóveis rurais já registrados no CAR, para confirmar a veracidade das informações autodeclaradas e, a partir disso, identificar os ativos e passivos ambientais, indicando as áreas para regularização, conforme determina a legislação. A regulamentação, a implantação e o monitoramento dos PRAs também são competências dos estados e do Distrito Federal. Em entrevista ao Século Diário, a secretária-executiva do Observatório, Roberta del Giudice, explica que os dados mostram que o Espírito Santo segue alguns padrões nacionais que, por sua vez, destoam do que o Observatório apregoa como prioridade.  “O Espírito Santo precisa apoiar os Povos e Comunidades Tradicionais [PCTs], para que eles possam cadastrar seus territórios”, sublinha a secretária-executiva, destacando dois principais motivos: o uso do solo mais sustentável e a falta de recursos financeiros e tecnológicos para fazer a inscrição no CAR.  “Esse apoio dos estados é muito importante que seja fornecido. Porque a forma de utilização do solo feito por esses PCTs é diferente, degrada menos e é voltado para produção de alimentos. Tem que ter esse foco”, explica.  Além disso, “os maiores vazios do CAR” são justamente junto a essas comunidades. “Quem é grande ou médio proprietário rural, ou pequeno, mas com mais recursos, já conseguiu se inscrever. As comunidades tradicionais precisam de auxílio por não terem internet e outros recursos necessários”.  Tripé de apoio a PCTs Por isso, é preciso destinar recursos específicos para essa inscrição, que por sua vez, também precisa ser feita de forma um pouco diferente, assim como a análise dos dados. “A gente viu um progresso muito grande com PCTs na Bahia, que juntou esforços do instituto de terras estadual com órgãos de geração de renda. Programas Bahia Sustentável e Bahia Solidária”, conta Roberta Giudice. O modelo baiano tem três pilares, destaca: “terras, meio ambiente e geração de emprego e renda”. Conseguiu registrar diversos territórios tradicionais e precisa ser replicado, afirma. “Não adianta colocar o Idaf [o equivalente ao instituto de terras da Bahia] para fazer o CAR em todos os territórios tradicionais, sem políticas públicas. Tem que ter boa relação entre os órgãos”, orienta. Outro padrão nacional adotado pelo Espírito Santo e que precisa de ajuste é o da priorização da análise dos imóveis já cadastrados. “A gente sempre pergunta se os estados fazem alguma priorização e gostaríamos que fizesse priorização dos maiores impactos ambientais. Mas poucos estados fazem assim. O Espírito Santo não é diferente, tem priorizado os imóveis que precisam de licenciamento ambiental ou que passam por alguma ação de fiscalização”, expõe. A mudança é necessária. “Da mesma forma que o Estado deve dedicar esforços para fiscalizar os grandes, deve dedicar também para apoiar a produção sustentável nos territórios tradicionais”, salienta.  O Observatório orienta ainda uma inscrição específica para as propriedades da agricultura familiar, com tamanhos até quatro módulos fiscais. Assim como na maioria dos estados, o Espírito Santo não identifica essas propriedades familiares no seu sistema. “A inscrição dos quatro módulos já foi financiada pelo Fundo Amazônia via BNDES. O Espírito Santo vai fazer uma nova contratação para o seu sistema, precisaria incluir essa especificação”.  Transparência Sobre a transparência e rapidez na prestação de informações, o Estado se destaca positivamente por responder aos questionamentos dentro do prazo estabelecido pela Lei de Acesso à Informação (LAI) – levou em média 21 dias para responder às perguntas das entidades envolvidas no levantamento – que é de 20 dias corridos, podendo ser acrescido de mais dez, se justificado.  O Estado também possui um sistema próprio para inscrição no CAR – o Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (SIMLAM), hospedado no Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) – o que agiliza o processo, quando comparado com o sistema federal, mas o acesso ainda é muito burocrático.  “O SIMLAM tem modo de consulta um pouco melhor que o federal, mas tem que se inscrever com CNPF/CPF (…) o cidadão comum não consegue fazer essa consulta. Precisa de mais transparência dos dados ambientais. Precisava disponibilizar de uma forma mais ativa e transparente para qualquer cidadão e facilitar a geração de informação para cientistas, sociedade civil e mercado”, pontua.  “O Espírito Santo tem potencial de liderar essa implementação do CAR. Tem um sistema bom e setores que querem se regularizar para exportar seus produtos, principalmente café e silvicultura”, avalia a gestora do Observatório. 90 mil imóveis cadastrados no ES Hoje, no Simlam capixaba, segundo o levantamento do Observatório, SOS Mata Atlântica e Imaflora, constam inscritos no CAR 90,1 mil imóveis. “É o número que resta depois de feita uma limpeza da base”, explica Roberta, referindo-se à retirada das sobreposições a espaços como unidades de conservação e terras indígenas.  Desses, 68,4 mil possuem déficit florestal. Em hectares, tratam-se de 189,3 mil em um universo total de

05/06/2022 / 0 Comments
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Lições de amor à educação e agricultura no município com mais escolas do campo do ES

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‘Se a criança não cresce no meio rural, não volta mais’, afirma professora e contadora de história pomerana “Se a criança não cresce no meio rural, não vai ter amor à terra, não vai voltar”. A afirmação é de Marineuza Plaster Waiandt, professora aposentada, especialista em Educação do Campo na comunidade de Alto Santa Maria, no interior de Santa Maria de Jetibá (região serrana) e contadora de histórias pomeranas. E resume bem a chave do sucesso do município, que é o campeão em escolas do campo em todo o Estado. Arquivo pessoal “É uma política do município. Em nenhum momento, até hoje, foi cogitado fechar escolas do campo. A escola do campo só se fecha se não tem mais nenhum aluno, se a comunidade do entorno desistir”, responde, orgulhosa, sobre como Santa Maria de Jetibá conseguiu atravessar mais de três décadas de sucessivos fechamentos em massa de escolas do campo não só no Espírito Santo, mas em todo o Brasil.  Diante do questionamento sobre o possível risco que as escolas multisseriadas, com Pedagogia da Alternância, podem sofrer com a imposição do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES), atual vetor de uma nova onda de fechamentos, Marineuza é categórica em afastar a possibilidade.  “Desde 2013, quando me aposentei, já era comentada essa história de que haveria separação de redes, que a municipal assumiria uma parte e a estadual a outra. Não acho ruim que isso aconteça, precisa apenas planejar. Precisa haver toda uma adaptação de prédio, de transporte, de aluno. Vai dar trabalho, mas são arranjos que têm que ser feitos. Agora, fechamento de escola, não vai ter não”, sentencia, com segurança.  Marineuza é a personagem central e capa do livro Uma professora pomerana e sua comunidade, baseado na dissertação de mestrado da educadora Edineia Koeler, em 2016. “Não se pode dizer que a inserção da professora Marineuza foi um divisor de águas nessa história, porque a luta pela educação na comunidade é anterior a ela, e continuou depois de sua saída. Contudo, sua presença na comunidade representou a consolidação de uma luta coletiva por um direto continuamente negado aos pomeranos: a educação escolar diferenciada”, afirma a autora, agora doutora em Educação.  Ao longo do estudo, Edineia discorre sobre a luta da comunidade de Alto Santa Maria para retomar uma educação alinhada com os princípios pomeranos de amor à terra e à agricultura familiar e de preservação de sua cultura e tradições. Uma das fotos (abaixo) que melhor representa esse sentimento mostra moradores, junto com crianças, amassando o barro para fechar as paredes de estuque da primeira sala de aula onde funcionaria a 5ª série, em 1994. Reprodução Em 2022, Marineuza também comenta sobre a foto, fazendo associação a “uma característica do povo pomerano”. A abertura de uma escola, sublinha, foi a primeira atitude coletiva que os pomeranos tomaram quando chegaram no Brasil, a partir de 1859. “Primeiro a escola, depois o cemitério, depois a igreja”, explana.  A professora e contadora de história também fala de um passado ainda mais distante, em 1978, quando Santa Maria ainda era um distrito de Santa Leopoldina. “Tinha quarenta e poucas escolas pequenas na zona rural, mas 23 estavam fechadas por falta de professor. Em 1979, por um movimento das comunidades pomeranas, houve reabertura dessas escolas. Algumas já eram municipais, mas a grande maioria era da rede estadual. Daí, na década de 1990, houve um movimento de separar as redes [como o de hoje, via TAG do TCE]. O município de Santa Maria então assumiu essas escolas pequenas todas! E depois houve um esforço para dar formação aos professores. Eu mesma me formei no magistério trabalhando, depois fiz faculdade com apoio do município, para o transporte. Até hoje é assim. Essas escolas estão continuam abertas, funcionando, sendo reformadas e melhoradas, recebendo professores de áreas diversas, como educação física, artes, cultura pomerana, tem equipe específica de merenda, de faxina”, descreve.  Em 2016, quando da publicação do livro de Edineia, o mapa do município indicava a existência de sete escolas estaduais, 41 municipais unidocentes e pluridocentes e educação infantil (sendo cinco paralisadas); 12 centros de educação enfantil e creches municipais; e uma escola de ensino fundamental particular, a Cooperação (Centro). Pedagogia da Alternância Via de regra, as crianças concluem o ensino fundamental nas pequenas escolas do campo, com Pedagogia da Alternância, mais próxima de sua casa. Depois, vão para escolas-polo de ensino médio, também na zona rural, incluindo campus do Instituto Federal do Estado (Ifes) e escolas profissionalizantes especializadas em agricultura, como a Escola Família Agrícola (EFA) São João do Garrafão e a EEEFM Fazenda Emilio Schroeder, que tem ênfase na agricultura orgânica.  “A Emilio Schroeder é a única escola estadual do município a trabalhar alternância semanal. As famílias são visitadas para dialogar, contar como está o filho na escola, fazer sugestões…”, conta. “Alto Santa Maria não consegue se pensar sem a Emilio Schroeder”, acrescenta Marineuza, destacando que a área da escola é de dez hectares, onde são feitas práticas e experiências de agricultura orgânica, e é coadministrada por uma associação de pais e alunos.  “O Estado várias vezes tentou fechar a Emilio Schroeder. Mas numa dessas, quando queria fechar o fundamental, a comunidade pediu para ampliar e ter o fundamental completo. Daí o Estado dizia que não tinha prédio, então a comunidade construiu o prédio. ‘Agora que temos o prédio, queremos os professores!’. Foram lutas e mais lutas de comunidade. Nos primeiros anos, não recebia alimentação suficiente para manter o café da manhã e o almoço, então a comunidade se organizava para preparar os alimentos”, narra, com a musicalidade pomerana única que leva qualquer ouvinte a se reportar ao universo quase mágico – para os “de fora” – da vida feliz na roça e imersa nas tradições preservadas, resgatadas e ressignificadas das gerações que se sucedem no município mais pomerano do Brasil.  “É desgastante tanta luta, mas quando consegue a vitória, é muito significante”, aduz, utilizando um termo comum à pedagogia de Paulo Freire. “O que mais move a comunidade, a escola, pais

05/06/2022 / 1 Comment
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‘Tenho muitas histórias para contar’, diz diarista que publica livro pela primeira vez

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Projeto realizado com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Cariacica resultou em livro de crônicas e poesias “Todos os dias, muitas mulheres correm atrás do seu futuro indo ao trabalho, estudando, sendo mãe, mulher, etc. Mas nesse espaço de tempo, ela não tira um tempo para si, se perde nas histórias dos outros e esquece da própria história. Essa vida corrida nos dá rasteiras e temos que ficar atentos a tudo em nossa volta. Nunca podemos nos perder no tempo”. O texto é da diarista Patrícia Correa, de 38 anos, uma das alunas que participaram da construção do livro Sobre Jovens e Adultos, que será lançado na próxima quinta-feira (9). A obra é publicada por estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) São Jorge, em Cariacica, após participarem de um projeto desenvolvido por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura João Bananeira. Ao todo, 35 estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) tiveram a oportunidade de participar do livro, organizado pela jornalista de Século Diário e escritora Elaine Dal Gobbo, e pelo escritor, músico e produtor cultural Emmanuel 7Linhas. O resultado foi um livro de micro crônicas e poesias. Patrícia conta que, para escrever poesia, se inspirou nas mulheres brasileiras. A estudante voltou aos estudos em 2020, com o intuito de incentivar o próprio filho e conseguir melhores oportunidades de emprego. Quando escreve, ela se sente livre. “Queria eu ter mais noção de como escrever um livro. Tenho muitas histórias pra contar”, afirma. Para produção do livro, os alunos tiveram oficinas de micro-crônicas e poesias, sendo apresentados aos gêneros literários. “A experiência de ministrar as oficinas foi muito importante, creio que ensinamos bastante, mas também aprendemos muito, com certeza. O resultado foi maravilhoso. Deixamos os alunos livres para escrever sobre o que quisessem. As temáticas escolhidas variaram bastante. Eles abordaram questões como amor, esperança, família, paz, natureza, sonhos, lembranças da infância, suas origens. Quem tiver acesso ao livro, vai ter em mãos um produto que é resultado de várias experiências de vida”, ressalta Elaine. A jornalista e escritora teve contato com alunos do EJA em 2021, quando lançou seu primeiro livro de crônicas, Trânsito de Almas. “Acabei descobrindo ali um universo de pessoas que tiveram o direito à educação negado por causa de fatores diversos, por exemplo, como a impossibilidade de conciliar trabalho e estudo, tendo que optar pelo trabalho por uma questão de sobrevivência”, conta. O livro tem prefácio do produtor cultural Stel Miranda, ilustrações de Michele Silva e editoração de Ricardo Coffler. O lançamento será na escola São Jorge, a partir das 19h, com distribuição gratuita de exemplares. No mesmo dia, também será apresentado o projeto “João Bananeira na Escola”, implantado há nove anos na Secretaria de Cultura de Cariacica, de autoria de Alfredo Godô. Divulgação O objetivo é apresentar aos alunos a história do ícone do congo de Roda D’água, João Bananeira, já que muitos não conhece a história do personagem da cultura popular de Cariacica, que dá nome à lei de incentivo. “Durante o projeto, ele faz o personagem de João Bananeira e explica para os alunos e para a comunidade escolar quem é, qual a sua história, para as pessoas conhecerem a cultura do seu município”, aponta Elaine. 

04/06/2022 / 0 Comments
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As esquecidas

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Já nem lembro mais onde guardei minha primeira pedra Elas só andam juntas e sempre de preto absoluto, por uma boa razão: para não errar nas cores da moda – um pé de meia verde outro vermelho, por exemplo. Um lenço rosa choque com um casaco amarelo. Com tudo preto, ninguém erra e não correm o risco de estar fora de moda. Tudo que compram é à vista – o uso de cartões de créditos ou cheques pode acarretar sérios danos ao bom nome de todas – usam conta conjunta – para não esquecer o pagamento. Quem não esquece de pagar uma ou outra conta que atire a primeira pedra. Já nem lembro onde guardei minha primeira pedra. * Mesmo porque, tem tudo por perto – a casa assobrada, jardim na frente, quintal com tanque de lavar roupas atrás – “Nossas roupas comuns dependuradas, na corda qual bandeiras desfraldadas” – lembram do samba mas não lembram qual, e se distraem assistindo as roupas comuns dançando ao vento. As esquecidas esquecem que têm televisão. Repito, caso esqueçam – A casa é o último quartel da resistência pacífica ao ataque da modernidade: em volta só espigões – feios, mal mantidos, pinturas descascadas, ladrilhos soltos, janelas forradas com jornais. *Não esquecendo que em volta tem de tudo – supermercado, padaria, farmácia, dentista e consultórios médicos. Feiras nos fins de semana, bares barulhentos no que antigamente se chamava a calada da noite. As esquecidas esquecem de fechar as janelas: nos sábados, o barulho de vozes encharcadas de cerveja e música cafona a todo volume não deixam as esquecidas dormirem. Dizem que amanhã cedo vão ligar pra a polícia – mas esquecem. As esquecidas de vez em quando brigam – depois esquecem. Quem pegou minha coisa que tava aqui? Que coisa? Ah, esqueci. * Compras só com dinheiro vivo – se esquecerem a bolsa em casa é fácil voltar para pegar. As esquecidas às vezes, ou frequentemente, esquecem aberto o gás do fogão – sem a chama. Sêo Venturin, do restaurante ao lado, sente o cheiro e manda lá o menino de entregas, que bate na porta – as esquecidas não gostam dessa expressão, como não gostam que lhes batam na indefesa porta. Por favor, diga bate à porta, somos professoras de português no renomado Convento das Caridosas. As esquecidas esquecem que já estão aposentadas há séculos, e que o Convento das Caridosas é hoje templo evangélico. Ficam muito agradecidas, mas esquecem da gorjeta. * As esquecidas pertencem a uma confraria anônima espalhada pelo mundo com muitas coisas em comum, como esquecerem das reuniões anuais e de pagar as mensalidades As esquecidas devem obrigatoriamente esquecer: de pagar todas as contas, de devolver tudo que pegam emprestado, de agradecer favores, de tomar remédios, do nome do ator daquela novela que não lembram qual, de retribuir gentilezas, do nome da música, de pagar dinheiro emprestado, de respeitar os direitos alheios. Tem outras coisas, mas agora não lembro.

04/06/2022 / 0 Comments
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O Som e a Fúria: a dura vida no sul dos Estados Unidos

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Romance de William Faulkner é uma união simbiótica de tema literário e estilo ou forma, ambos sobre o caos  Divulgação William Faulkner nasceu em 1897, na cidade de New Albany, Mississippi. Fez a sua estreia em ficção em 1926, com o seu romance Soldier ‘Pay. O escritor, desde então, passou a ter uma produção prolífica, e sua literatura partiu para o impacto que foi seu romance O Som e a Fúria, de 1929. Sua consagração internacional, por sua vez, veio com Palmeiras Selvagens, de 1939. Faulkner, então, em 1949, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Durante os anos 1940 e 1950, William Faulkner, além de publicar contos, novelas e romances, passou a escrever roteiros para Hollywood, também colaborando para o Departamento de Estado na difusão da cultura americana, tendo visitado muitos países como palestrante. Faulkner veio a falecer em 1962, já como um escritor consagrado e premiado. William Faulkner escreveu 17 livros que se ambientavam no mítico condado de Yoknapatawpha, no sul dos Estados Unidos, e que viria a ser o lar da família Compson no romance O Som e a Fúria. O condado nos parece um lugar bem real dos Estados Unidos sulista, e todos os costumes e ações estão lá bem retratados e fiéis, num período que abrange as primeiras décadas do século XX. William Faulkner usava a sua imaginação criadora para reproduzir modos de vida que existiam, de fato, mas com um retrato enriquecido de sua trama que nos leva aos lugares reais, mas também ao que seus romances conduzem, histórias de famílias sulistas em conflito ou diante de desafios que fazem estes romances evoluírem numa espiral de acontecimentos ásperos ou demonstrando situações em que os limites são testados, como no romance que venho retratar aqui, O Som e a Fúria. O escritor possui um estilo próprio de prosa, com um método quase hipnótico, de orações desconjuntadas e contínuas, o que pode desorientar o leitor que não estiver bem concentrado, pois requer uma familiaridade de leitura que só vem do hábito. Num primeiro momento, ler Faulkner é algo chocante do ponto de vista formal, a sua prosa é caótica e bruta. Uma característica que pode ser uma das virtudes da prosa de Faulkner é que ele privilegia muito todos os seus personagens, sempre com uma boa descrição, e muitas vezes estes personagens aparecem falando as suas próprias histórias. Aqui não há o método do narrador onisciente, talvez a crueza de sua prosa, portanto, vem tanto da localidade de um condado áspero e sulista fictício, como de uma demanda que ocorre das falas destes personagens que pendem de uma ignorância caipira a um desamparo essencial diante de um deserto existencial, cujo embrutecimento reflete na forma de escrita bruta e caótica de Faulkner. Os livros são repletos de relatos de sofrimento, morte, ganância e depravação. Faulkner, ao abordar a realidade sulista norte-americana, nos proporciona um mergulho numa vida comum do início do século XX e suas perspectivas, ou melhor, a falta destas. A liberdade, aqui, se vê diante de inúmeros obstáculos, e Faulkner acaba constituindo, por outro lado, com a sua prosa endurecida, uma comédia de costumes do sul dos Estados Unidos, e foi este retrato que se tornou um marco na literatura mundial. Em 1949, quando William Faulkner recebeu o Nobel, sua literatura original foi citada pela premiação como um escritor de “poderosa e artística contribuição para o romance moderno norte-americano”. Nos seus últimos livros, O Intruso, de 1948, Requiem for a Nun, de 1951, A Fable, de 1954, que foi Prêmio Pulitzer, A Cidade, de 1957, A Mansão, de 1959, e Os Invictos, de 1962, que também foi Prêmio Pulitzer, ele continuou explorando os conflitos do coração humano diante de cenários ásperos e duros. William Faulkner faleceu em 1962, no dia 6 de julho, de ataque cardíaco. O romance O Som e a Fúria, que aqui tematizo, tem este caráter de vida áspera e sem perspectiva que retratei na introdução ao universo literário de William Faulkner. A família Compson é descrita em detalhes, e inúmeros conflitos emergem de uma convivência difícil entre personagens que vivem histórias caóticas e que se entrechocam na obrigação de estarem juntos diante de desafios que colocam estes personagens todos num mesmo diapasão de embate, dor e demandas inumeráveis, e isto no cenário sulista, que envolve toda a literatura produzida por William Faulkner, aqui, o condado fictício de Yoknapatawpha. Os Compson e os Sartoris perderam o controle do condado para os Snopes, e Jason Compson, um dos eixos do romance, está diante da morte da mãe e da fuga de sua sobrinha, e ainda tinha um irmão já adulto, mas idiota, que acaba internado num asilo estadual. Jason se vê, por conseguinte, diante de uma situação em que tem que consumir todo o dinheiro da venda do pasto no casamento de sua irmã e no curso do irmão em Harvard. Seu minguado dinheiro vinha de ser empregado do comércio para aprender numa escola em Memphis a avaliar e classificar algodão, abrindo seu próprio negócio, e Jason enfrenta uma vida de sacrifícios, em que tem que cuidar de sua família. Aqui, um cenário degradado pela dureza, com ações e costumes, muitas vezes, violentos ou dominados por uma insensibilidade desamparada. Não há prazeres para Jason, não existe uma utopia para esta família em putrefação. Os episódios vão do cômico ao odiento, dependendo do ponto de vista literário, como o fato de Jason ter sido roubado pela sobrinha que fugiu, ou do seu irmão idiota que tentou desajeitadamente agarrar uma menina sem o consentimento dela. No caso, como dito, o pasto vendido por Jason era para financiar o casamento de Candace e os estudos de Quentin em Harvard. Por sua vez, seu irmão idiota é castrado em 1913, e internado no Asilo Estadual, Jackson, em 1933. Diante dos personagens do romance, podemos ver situações que flertam com limites de vivência que colocam o caráter de alguns deles num pântano em que o viés utilitário e de tirar vantagens advém, sobretudo, de condições duras e desesperadas.

04/06/2022 / 0 Comments
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PEC da autonomia da Perícia exige adesão de mais oito deputados

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Iriny Lopes, autora da proposta junto com Gandini, afirma que irá buscar apoio dos colegas de plenário A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 2/2022, que cria a Polícia Científica no Espírito Santo, apresentada na Assembleia Legislativa pelos deputados Fabrício Gandini (Cidadania) e Iriny Lopes (PT), ainda precisa de oito adesões para se efetivar, como exigido nesse tipo de iniciativa. A matéria está na Casa desde o último dia 27, atendendo à reivindicação dos peritos oficiais. A petista afirma que irá buscar o apoio dos colegas de plenário nos próximos dias, para ingressarem também como proponente, e, assim, garantir a devida tramitação da PEC. O processo, porém, pode esbarrar em obstáculos, considerando a base do governador Renato Casagrande (PSB), criticado pela categoria por não ter apresentado a proposta. Iriny e Gandini integram o mesmo grupo e podem ter que buscar adesão na oposição, o que geraria desgastes para o governo do Estado. A PEC cria a Polícia Científica, “estabelecendo sua autonomia técnica, científica e funcional” e “altera a redação dos arts. 68, 126, 128 da Constituição do Estado do Espírito Santo”.  A alteração na Carta Estadual, segundo as regras da Assembleia, pode ser proposta por, no mínimo, um terço dos membros da Assembleia (10 deputados); pelo governador; por meio de iniciativa popular; e por, pelo menos, um terço das Câmaras Municipais”. A tramitação, neste caso, segue um rito especial, com votação em dois turnos, sendo necessário o voto de três quintos dos parlamentares (18). Após a aprovação do plenário, a Mesa Diretora faz a promulgação da emenda. As demais proposições são submetidas a apenas um turno de votação. Renato Casagrande chegou a se comprometer com a categoria a enviar a PEC para a Assembleia. O prazo para isso, porém, foi até 13 de maio, o que não aconteceu. Por isso, os peritos veem na atuação do legislativo uma alternativa para que sua demanda seja finalmente encaminhada, uma vez que, apesar de diversas manifestações de rua e ameaças de entrega de cargos de chefia, a negociação com a gestão estadual não tem avançado. A PEC apresentada por Iriny e Gandini cria o artigo 128 – A, no qual diz que “a Polícia Científica, essencial à defesa dos direitos humanos, do indivíduo, da sociedade, do patrimônio e da vida, dirigida por perito oficial de carreira, incumbe as funções de polícia científica e de perícia oficial de natureza criminal, competindo-lhe o levantamento da prova pericial criminal, os exames periciais laboratoriais, as perícias médico-legais, as perícias em geral, os exames de corpo de delito, as perícias de identificação humana e a Identificação Civil e Criminal”. Nos incisos do referido artigo, destaca-se que “a Polícia Científica é autônoma, tendo em vista o caráter técnico e científico de suas atribuições e em respeito aos princípios constitucionais”, além de determinar que “o perito oficial geral da Polícia Científica será nomeado pelo governador do Estado e escolhido entre os integrantes da última classe da carreira de perito oficial”. Também consta que os trabalhadores “integram carreira típica e exclusiva de Estado e têm o subsídio previsto em lei própria” e que “são as autoridades da Polícia Científica”. Na justificativa, os parlamentares afirmam que a Polícia Científica “possui atuação científica de suma importância para a apuração dos crimes, população e Poder Público, sendo necessária uma atuação autônoma, independente e sem subordinação em relação às suas atribuições, de modo que as perícias e demais funções exercidas sejam totalmente imparciais”. O texto prossegue destacando que “a autonomia e a independência da Polícia Científica têm sido reiteradamente analisadas pelo Supremo Tribunal Federal, tendo fixado suas decisões no sentido de incluir ao rol do Art. 144 da Constituição da República preceito do Sistema Único de Segurança Pública previsto na Lei Federal nº 13.675/2018, que alberga dentre os órgãos que integram a segurança pública os Institutos de Identificação, Criminalística e Médico Legal”. Assim, conforme consta no documento, a jurisprudência do STF passa a adotar “interpretação que norteia o legislador estadual a vincular a Polícia Científica diretamente às secretarias de segurança pública, sem subordiná-la aos demais órgãos constantes do artigo 144 da Constituição Federal”. Fabrício Gandini e Iriny Lopes apresentam PEC de autonomia da Perícia Proposta cria Polícia Científica e estabelece autonomia técnica, científica e funcional, conforme demanda da categoria https://www.seculodiario.com.br/politica/fabricio-gandini-e-iriny-lopes-apresentam-pec-de-autonomia-da-pericia

04/06/2022 / 1 Comment
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