Prioritária no Plano de Ação regional, estrada tem aceno do governo para iniciar este ano em 12km dos 100km Divulgação/Consórcio Caparaó Um sonho antigo, de quase 30 anos, pode começar a se tornar realidade na região que se abriga aos pés da Serra e do Parque Nacional do Caparaó, no sudoeste capixaba: a Estrada Parque Modelo do Caparaó. O anúncio vem da diretora-executiva do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Território do Caparaó Capixaba (Consórcio Caparaó), Dalva Ringuier. “O governo do Estado se comprometeu a fazer a pavimentação do trecho de 12 km entre a BR-262 e Pedra Roxa, nos moldes da Estrada Parque”, relata, com base em tratativas realizadas há poucos dias no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Regional Sustentável (CDRS), onde ela coordenou a Câmara Técnica de Turismo. Nesse primeiro momento, conta, o que vai ser possível é basicamente uma estrada um pouco mais larga do que o padrão do Caminhos do Campo, programa de pavimentação de estradas rurais e municipais da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). Apesar dos benefícios trazidos pela pavimentação simples do programa, o padrão não atende às necessidades de uma estrada parque, que tem no interior de São Paulo a expressão mais bem estruturada, no Brasil, desse tipo de projeto. A estrada parque precisa dar espaço para pedestres, ciclistas, carroças e cavalos e incluir pontos de parada e outros espaços de recreação e comercialização dos produtos agrícolas locais. Cada uma, respeitando as tradições e necessidades de sua região. O sonho caparaoense foi germinado no início dos anos 1990, nos corações de pessoas como Constantino Korovaeff e Mirian Cavalcanti, ambientalistas fundadores da mais antiga ONG em atividade na região – a Associação Pró-Melhoramento Ambiental da Região do Caparaó Capixaba (Amar Caparaó) – e em seguida difundido pelo então Fórum Pró-Caparaó, semente do atual Consórcio Caparaó. Nos traços e escritos dos dois e outras pessoas que se instalaram aos pés da montanha sagrada capixaba, ainda embalados pelo Encontro Nacional de Comunidades Alternativas (Enca) de 1991 e pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92 ou Rio 92), a Estrada Parque Modelo tem muitos jardins, pomares, canteiros de ervas medicinais, locais cobertos para contemplação da natureza e descanso dos peregrinos. O pontapé anunciado pelo governo para 2022 disponibiliza um espaço de acostamento onde essas estruturas podem, futuramente, ser implementadas, seja pelo poder público ou pelos próprios moradores e empreendedores. Animada com esses primeiros 12km na saída da BR-262, Dalva Ringuier diz ter encontrado destinado ideal para as 200 mudas de ipê amarelo que tem prontas em sua Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a Águas do Caparaó, na região da Cachoeira Alta, distrito de Mundo Novo, em Dores do Rio Preto. “Estou falando com minhas vizinhas que também apoiam a estrada parque e conhecem o projeto da Amar Caparaó, para plantarmos essas mudas nas nossas propriedades, e ir conversando com outros vizinhos, disseminando a ideia”, conta. Assim que a temporada de chuvas iniciar, seja em setembro, nas chamadas Chuvas de São Miguel, ou em novembro, os plantios irão acontecer. “Porque não é só plantar, tem que cuidar também, precisa aguar. Então é melhor esperar a estação chuvosa”, explica. Há ainda dois outros trechos já destacados pelo governo do Estado, em ofício enviado pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur) ao Consórcio. O primeiro, de 16,2km, do entroncamento da BR-262 em Pequiá até São José das Três Pontes/Iúna, e entre São João do Príncipe e Rio Claro, ambos distritos de Iúna, que já conta com projeto para licitação elaborado. Este, na vertente mais oeste do entorno do Parque Caparaó. O segundo cobre 43km da ES-190, entre a cidade de Dores do Rio Preto e Pedra Roxa, em Ibitirama, na face leste do entorno do parque, até seu limite sul no Espírito Santo. Para este, segundo foi informado o Consórcio, o projeto está em elaboração, com previsão de investimento da ordem de R$ 68,8 milhões. Trata-se do trecho da estrada parque que passa por alguns dos principais distritos turísticos da região, incluindo a vila do Patrimônio da Penha, em Divino de São Lourenço, para a qual é prevista a construção de um contorno que retire o trânsito pesado de caminhões sobre as ruas de paralelepípedos da comunidade. “Há uma expectativa do governo de contratar também esses dois trechos ainda em 2022, mas em vista das eleições, tudo fica incerto”, pondera Dalva Ringuier. Mas o importante, assinala, é que pelo menos os 12 km entre a 262 e Pedra Roxa saiam de fato do papel, que os ipês amarelos sejam plantados entre Mundo Novo e Patrimônio da Penha. “Daí para frente, até Pedra Menina, pode-se ir trabalhando trechos específicos”, convida a diretora-executiva, referindo à localidade que sedia a portaria capixaba do Parque Nacional e representa outro trecho turístico fundamental, já a oeste do Parque, na divisa com Minas Gerais. De pedaço em pedaço, é possível vislumbrar o envolvimento dos cerca de 100 km que unem a 262 até Pedra Menina. A ideia ainda, contextualiza, é futuramente incluir a Estrada Parque Modelo do Caparaó no polígono de uma futura Área de Proteção Ambiental (APA), a exemplo da citada Estrada Parque de Itu, instalada na SP-312, no interior paulista, e que integra a APA Rio Tietê. A APA estadual ou as APAS regionais/municipais – formato ainda em discussão – estão em gestação entre o governo do Estado e os cinco municípios do entorno direto do Parque, sob condução do Consórcio, com objetivo principal de interromper a ofensiva de desmatamentos, loteamentos irregulares e outras agressões ambientais no entorno direto da unidade. A implementação da estrada parque do Caparaó foi identificada como prioritária no Plano de Ação do Desenvolvimento Regional Sustentável da Região do Caparaó, construído em conjunto com o CDRS Caparaó, Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Os Planos de Ação e os diagnósticos de todas as
‘A realidade está na escola, não podemos fugir dela’
Mônica Alves aponta aumento no número de alunos trans e falta de preparo das escolas As escolas têm se deparado com uma realidade nova, que é o aumento do número de crianças e adolescentes trans, entretanto, não está preparada para lidar com ela, conforme relata a professora e integrante do Mães pela Diversidade, um coletivo de mães que busca fortalecer e lutar contra os preconceitos vividos pelos filhos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+. Para ela, falta compreensão sobre o tema e acolhimento. “A realidade está na escola, não podemos fugir dela”, defende. Divulgação Com o aumento da presença de estudantes trans no ambiente escolar, segundo Mônica, há interesse por parte de muitos alunos em saber mais sobre o assunto, mas isso muitas vezes esbarra no preconceito por parte do colégio. Além disso, os professores que tentam debater o assunto temem o fato de serem constantemente vigiados. “Ao tentar explicar o que é transexualidade, falar da questão do respeito à diversidade, os docentes são acusados por muitas famílias de estarem incentivando seus filhos a serem transexuais”, afirma. A resistência da escola vem, por exemplo, quando profissionais se recusam a chamar o estudante pelo nome social. “Alguns nem sabem o que é nome social, outros sabem, mas não querem respeitar a escolha do aluno. Em alguns casos, questionam a família para saber se podem ou não chamar, o que nem sempre é bem-vindo pelos familiares”, lamenta. Mônica defende a realização de formações para profissionais da educação sobre respeito à diversidade, abordando, por exemplo, as diferenças entre orientação sexual e identidade de gênero, e explicar cada letra da sigla LGBTQIA+. Isso deve ser feito, de acordo com a professora, principalmente nas escolas de ensino fundamental do Espírito Santo, já que as de nível estadual estão mais avançadas nessa questão. Assim, acredita Mônica, a escola se torna um ambiente mais acolhedor, principalmente para aqueles que não encontram esse acolhimento em casa e vão buscá-lo na unidade de ensino. ‘A escola do meu filho é uma em mil’ A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Laura Ribeiro da Silveira, é mãe de Thales Silveira Thebaldi, um menino trans de 12 anos. A realidade de seu filho no colégio é diferente da narrada por Mônica, mas Laura reconhece que a escola do filho “é uma em mil”. O garoto se revelou trans aos 11 anos, quando comunicou o fato à família e foi questionado sobre o que sabia a respeito do assunto. “Ele disse saber o suficiente para compreender que não se identifica com aquele corpo”, recorda Laura. Acervo pessoal Sua iniciativa, afirma a mãe, foi buscar se informar para ajudar a criança. A decisão de Thales foi fazer a transição, processo que está em curso. Além de apoiar essa decisão, a professora contatou o diretor da escola onde o filho estudava, cujo diretor afirmou não ter outro caso na escola, mas que iria se informar sobre o tema e que “estava do lado da criança, que tinha seu apoio e proteção”. Os professores, segundo Laura, receberam bem a notícia dada pelo diretor, bem como os estudantes e suas famílias. “Thales era tímido, depois disso ficou mais extrovertido, se socializa mais com as outras crianças. Tínhamos preocupação, quando tinha festa de aniversário de algum colega, por exemplo, se a família aceitaria, mas sempre que conversamos com os familiares dos amigos deles, falam que o Thales é muito querido”, relata. Mães que lutam pela inclusão dos filhos e contra diversas formas de violência Conheça a história de mães que se organizam contra o preconceito vivido por seus filhos e os de outras mães https://www.seculodiario.com.br/direitos/maes-que-lutam-pela-inclusao-dos-filhos-e-contra-diversas-formas-de-violencia
Cidadania e as próximas eleições
Eleitor tem em suas mãos este ano um importante instrumento de mudanças política e social A eleição, a escolha de nossos representantes, é um processo em construção em que cada cidadão e cidadã pode e deve influenciar desde o seu início. Não devemos aceitar passivamente o conceito de que tudo já está consumado, resolvido, pois este processo só se conclui com a contagem dos votos, até lá, tudo são possibilidades. Para melhorar a sociedade em que vivemos, precisamos escolher, para nos representar no legislativo, fazendo leis, e no executivo, promovendo as políticas públicas de nosso interesse, lideranças que pensem como nós, defendam nossos direitos e interesses, nossos iguais, para somar esforços na realização por uma sociedade justa e igualitária. Para caminhar neste sentido, o processo eleitoral é, sem dúvida, uma excelente oportunidade de exercermos nossa cidadania e escolhas, que devem ser discutidas entre pares que comungam dos mesmos ideais. Um debate em que devemos ressaltar a nossa responsabilidade como cidadãos no processo de escolha de nossos representantes.Nosso objetivo deve ser sempre fortalecer a democracia, ampliar nossa liberdade e nossa participação, para garantir nossos direitos. Nosso direito ao sufrágio universal foi garantido, pela nossa luta, na constituição cidadã de 1988, onde todo cidadão e cidadã tem direito ao voto. Essa conquista garantiu uma ampliação da democracia representativa no Brasil, onde todos com mais de 16 anos, alfabetizados ou analfabetos, têm garantido o seu direito de escolher através do voto quem vai representá-los nos poderes instituídos. É preciso relembrar que nem sempre foi assim na história do nosso querido País. No Brasil colônia e durante o Império brasileiro, as escolhas só eram permitidas aos homens que possuíam um determinado nível de renda. Na República é que as escolhas foram estendidas aos demais homens, as mulheres não podiam votar, elas só puderam participar das escolhas pelo voto, com a reforma do Código Eleitoral, nas eleições de 1932.As ditaduras no Brasil que ocorreram de 1937 a 1945 e, entre 1964 a 1985, afastaram os cidadãos brasileiros da escolha dos seus representantes, o que só reforça a importância da nossa constituição cidadã de 1988 e a nossa participação neste processo de escolhas. Por isso, em conversas com familiares, amigos, colegas de trabalho, de igreja, do esporte, enfim, das diversas relações sociais, torna-se necessário argumentar que a nossa República Federativa do Brasil é um Estado Democrático de direito e que nossa constituição cidadã de 1988 garante, em seu artigo primeiro, com um parágrafo único, que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos diretamente” (art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal de 1988). Portanto, o eleitor tem em suas mãos um importante instrumento de mudanças política e social, o seu direito de escolher quem vai representá-lo, pelo voto direto e secreto, garantido pela democracia e soberania popular. O processo eleitoral está em construção pelas lideranças políticas de nosso Brasil. Nós, da base social, o povo trabalhador, não podemos abrir mão da nossa participação, devemos sim debater nos grupos sociais os nossos interesses, direitos e desejos de uma sociedade onde sejamos incluídos no orçamento e nas políticas públicas de moradia, transporte, trabalho e geração de renda, mobilidade urbana, segurança, saúde, educação, esporte, de lazer, cultura, entre tantas necessidades do povo. Para fazermos uma boa escolha na hora de votar. é preciso acompanhar pelos meios de comunicação, tradicionais ou virtuais, as lideranças que sempre estiveram na luta em defesa de nossas causas, de nossos interesses. Acompanharmos seu partido e sua história de vida, para verificar se sempre esteve do nosso lado ou não, e debatermos isso com os nossos iguais para escolhermos verdadeiros representantes do nacional ao local, lideranças comprometidas com a democracia, com a nossa participação, e que realmente tenham compromisso com as nossas necessidades, por isso, nossa participação e influência para que o povo trabalhador faça as melhores escolhas, segundo nossos interesses e necessidades, é fundamental. Isso deve se dar neste momento eleitoral e político. Devemos aproveitar esta oportunidade para tratar da importância de participarmos da organização do bairro onde moramos, da cidade onde vivemos e do nosso país, e o papel de cada poder, executivo, legislativo e judiciário, e suas competências e reponsabilidades. Devemos também observar a influência de outros setores importantes da sociedade, como a mídia, e de que lado ela joga com os interesses em disputa. Democracia e cidadania se fazem em todos os momentos, mas é quando se aproxima o período das eleições, que a nossa sociedade volta seu foco para a importância da política em nossas vidas. É necessário refletir com nossos iguais quais democracia e cidadania se fortalecem e atendem a nossos interesses, com participação e acompanhamento das lideranças e de seus mandatos, para nos representar. “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”. Bertold Brecht (1898-1956, dramaturgo e poeta alemão do Século XX).
Colnago, ‘sob fortes emoções’, diz que candidatura ao Senado ‘fica para depois’
Ex-vice-governador, que deixou o PSDB para entrar no PSD, poderá ficar sem opções de participar das eleições deste ano Ales Só na próxima segunda-feira (6), o ex-vice-governador e ex-deputado César Colnago saberá em definitivo se ainda é o pré-candidato ao Senado pelo PSD. Esse é o seu posicionamento, apesar das declarações contundentes do pré-candidato ao governo pela legenda, Guerino Zanon, dando conta de que a vaga ao cargo é parte da articulação para fortalecer sua campanha com alianças com outros partidos. “Estou sob fortes emoções”, diz Colnago, explicando que estava na estrada a caminho de Santa Teresa, na região serrana do Estado, onde participa como saxofonista a partir da noite desta sexta-feira e até domingo (5) de um festival de jazz, a outra paixão, além da política. “Neste momento, o motivo de minhas preocupações”, ressalta, e deixa claro que só tratará de política na segunda-feira. “Vou falar com Kassab [Gilberto, presidente nacional do PSD] e então vou poder falar sobre o assunto”, diz, e se despede. A retirada da pré-candidatura ao Senado chegou ao seu conhecimento pela imprensa, em matéria na qual Guerino Zanon descarta e o coloca fora da disputa eleitoral. O ex-prefeito de Linhares, que assumiu o controle do PSD no Estado, é ligado ao ex-governador Paulo Hartung, que, embora afirme estar fora da política, é apontado nos meios políticos como articulador do PSD no Espírito Santo. Hartung mantém ligações com Gilberto Kassab e fez parte das articulações para uma vaga como pré-candidato a presidente da República, como representante da chamada terceira via. Nos bastidores, esse movimento visava ampliar sua influência nos meios empresariais e em redutos eleitorais no Espírito Santo, quatro anos depois de deixar o governo, temendo uma derrota para o governador Renato Casagrande (PSB). Justamente o objeto de ataques de Guerino Zanon, que se diz mais voltado ao bolsonarismo e, desse modo, abre canal de articulação com outras legendas para a disputa ao Senado, inclusive o Republicanos, cujo pré-candidato ao governo, Erick Musso, não consegue pontuar nas pesquisas. Para muitas lideranças, pode haver uma aliança entre os dois, considerando, também, a influência de Paulo Hartung sobre Musso. Caso se confirme o descarte da pré-candidatura ao Senado, como indicam os bastidores, o ex-vice-governador pode ficar sem opções para participar do processo eleitoral. Desde que o grupo de Paulo Hartung foi desfeito, por conta de desistência à reeleição, em 2018, Colnago se manteve no PSDB e, neste ano, anunciou que seria candidato ao governo nas eleições deste ano. Não deu certo, foi barrado pelo presidente do partido, Vandinho Leite. Mudou-se para o PSD, aproximou-se do presidente em exercício da legenda, José Carlos da Fonseca Júnior, o Zé Carlinhos, homem de confiança de Hartung, que deixou claro que o candidato ao governo seria Zanon e não Colnago, a quem poderia ser dada a disputa ao Senado. Ele acreditou e, de novo, lhe tiraram a vaga.
‘Todos os dias alguém me pede ajuda para entender o que está acontecendo’
Jovem subiu à Tribuna Popular da Câmara de Santa Maria de Jetibá em busca de informações sobre TAG do Tribunal de Contas Reprodução O último adiamento da assinatura do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) proposto pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES), inicialmente previsto para essa terça-feira (31), não arrefeceu a mobilização popular dentro do município de Santa Maria de Jetibá, na região serrana, contra o acordo. Exemplo foi a participação do jovem Johnwilas Berger de Freitas na tribuna livre da Câmara Municipal, na segunda-feira (30), levando aos vereadores questionamentos que ele tem recebido por parte de centenas de ex-colegas do ensino médio e seus familiares. “Todos dias alguém me pede ajuda pra entender o que está acontecendo. Mas é complicado você explicar algo que nem você consegue entender, porque não tem informação suficiente sobre isso”, disse, durante sua fala de quase dez minutos ao final da sessão. Ex-estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Graça Aranha, próxima ao centro da cidade e uma das mais ameaçadas pelo TAG, Johnwilas citou o Barão de Montesquieu para chamar atenção sobre a tentativa de ludibriar a população embutida no acordo da Corte de Contas. “Falaram muito [os secretários de educação do Estado e do município], mas não falaram nada. Falaram que o TAG não existe, que não foi assinado… Mas se não existe, porque tem tantas reuniões acontecendo sobre isso? ‘A pior injustiça é aquela que se exerce à sombra das leis e com as cores da justiça’. É muito fácil ludibriar todo um povo quando você faz com que ele acredite que está usando a lei a seu favor, que você está certo. E é complicado que as pessoas entendam a complexidade de tudo o que está acontecendo”, ponderou. Johnwilas atualmente é estudante universitário, cursando uma graduação em Jogos Digitais em formato de Educação à Distância (EAD). Sua saída da Graça Aranha se deu muito recentemente, em dezembro passado, por isso continua sendo uma referência importante para a comunidade escolar do colégio, um dos maiores do município. “Durante meu tempo de escola, sempre fui muito ativo. Eu e minha namorada [Tamiles Gomes Pereira] demos início à formação do grêmio estudantil, nos últimos dois anos. Eu saí e ela continua trabalhando nisso. Por conta desse trabalho, a gente teve acesso a figuras políticas importantes, como o governador e o secretário de Educação, que paravam para ouvir nossas opiniões, em eventos do governo em Vitória. A gente foi então estruturando uma rede de comunicação mais aberta dentro da Graça Aranha, entre a diretoria e os alunos. Isso a partir de um novo diretor, que permitiu essa abertura e começou a solucionar problemas antigos, como decisões que os professores tomavam sem consultar os alunos e que afetavam nosso desempenho, ou mesmo a forma muito autoritária de falar com a gente. Daí surgiram líderes de turma e a coisa foi crescendo”, relata. Democracia Essa experiência estudantil de representar um coletivo e lutar pelos direitos de várias pessoas lhe permitiu ter uma percepção bastante prática e próxima da democracia representativa. “O povo tem a necessidade de que alguém faça algo por eles. Porque para toda uma nação se unir e fazer alguma coisa, precisa de alguém falar por eles. Não dá, por exemplo, para juntar 40 mil pessoas [a população de Santa Maria de Jetibá é estimada em 41 mil pessoas em 2020] para falar aqui na Câmara, não cabe! Por isso estamos aqui, por isso as pessoas cobram da gente”, explicou. O TAG do TCE-ES, por sua, vez, “vai contra a democracia”, sublinhou. Por impor medidas que não respeitam as necessidades das pessoas mais diretamente atingidas, que são os estudantes e suas famílias e os professores, além do próprio orçamento da prefeitura. Vai também “contra o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, que afirma que crianças e adolescentes têm direito ao ensino público mais perto da sua casa. Então por que isso [o TAG]?”, finalizou, sob aplausos dos presentes. O líder estudantil conta que o convite para falar foi da vereadora Ivone Schliwe (PDT), quem iniciou o debate sobre o assunto no legislativo municipal. “Fomos eu e minha namorada atrás da Ivone em busca de informações, para ajudar as pessoas que estavam me perguntando”. A vereadora admite que ficou surpresa com a potência do discurso dos jovens. “São jovens muito inteligentes, sabem o que estão falando. Vieram com uma pauta pronta, como se fossem meus assessores voluntários. Sugeri que eles mesmo falassem aos vereadores”. Johnwilas diz que a experiência foi válida, apesar de não ter conseguido levantar mais informações sobre o assunto com a Câmara, tendo mais é compartilhado dúvidas. “É imprescindível esse espaço para que a população possa ser ouvida. Continuo correndo atrás disso, para mudar o curso dessa história. Transferir o fundamental 1 para o município, sim, pode acontecer, mas desde que seja bem planejado, não de forma repentina como está”. Desde a tribuna livre, ele continua recendo pedidos de ajuda, com um pouco menos de intensidade, e tem descoberto aspectos importantes do caso, como por exemplo, os questionamentos sobre a legitimidade do Tribunal de Contas propor mudanças na gestão da Educação, conforme estabelece o TAG. Uma das entidades a questionar a legalidade dessa ação é a União Nacional dos Conselheiros Municipais de Educação no Espírito Santo (Uncme/ES), cujo presidente, Júlio César dos Santos, foi convidada a falar aos vereadores, a pedido de Ivone Schliwe. “Essa ameaça do Tribunal de Contas não acabou ainda, eles só adiaram mais uma vez. E esse adiamento para mim é só um ‘cala a boca’ momentâneo. Vamos continuar mobilizados”, declarou. Centro de Educação da Ufes Na última sexta-feira (27), o Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (CE/Ufes) também se manifestou dessa forma em uma nota pública, citando nota de repúdio publicada anteriormente pelo Comitê Estadual de Educação do Campo (Comeces). O posicionamento, expõe o diretor do centro, Reginaldo Célio Sobrinho, que assina o documento, se baseia em cinco argumentos: “a não competência do TCE-ES, como órgão técnico auxiliar do poder
Projeção em área indígena deve ser excluída de PDM, exigem lideranças
Vilson Jaguareté mobilizou reunião com a gestão de Dr. Coutinho, em Aracruz, para marcar insatisfação da comissão de caciques Lideranças indígenas de Aracruz, no norte do Estado, se posicionaram nessa quinta-feira (2) contra as interferências em seu território previstas no Projeto de Lei 062/2021, que altera o Plano Diretor Municipal (PDM). A Comissão de Caciques se reuniu com representantes da prefeitura, autora do projeto, apontado como de interesse empresarial. “Dentro do território indígena não tem nem previsão legal para o PDM fazer esse tipo de projeção”, afirma o vereador indígena Vilson Jaguareté (PT), que integra a Comissão Permanente de Defesa do Cidadão e Honrarias da Câmara de Aracruz, e mobilizou o encontro. Trata-se de uma projeção presente no Anexo 2 do PL 062/2021, desenhada no mapa sem uma explicação concreta sobre o que representa para os Tupinikim e Guarani. A medida não é permitida, já que as áreas pertencem à União e são destinadas ao uso das comunidades tradicionais. Na reunião dessa quinta, as lideranças questionaram o projeto. “Eles disseram que é uma projeção para o futuro. Caso a comunidade queira e tenha interesse, aquela área pontilhada já estaria prevista como ocupação. Mas os caciques foram categóricos em dizer que não deve haver essa projeção, que cabe somente às comunidades indígenas a decisão de ocupação do seu território”, enfatiza Jaguareté. A principal preocupação das lideranças se refere aos prováveis impactos, caso o projeto seja aprovado desta forma. Após o posicionamento contrário dos caciques, a gestão de Dr. Coutinho (Cidadania) se comprometeu em retirar o trecho que trata do território indígena. A Comissão de Defesa do Cidadão da Câmara de Vereadores pediu que o acordo fosse formalizado em um documento oficial. O projeto de lei está, hoje, sob análise do colegiado, que vai debater a matéria e elaborar um parecer. Além de Vilson Jaguareté, a comissão é formada pela vereadora Etienne Coutinho (Cidadania) e Sebastião Sfalsin (Republicanos). “Eu informei aos caciques que eles também têm os caminhos próprios. Independentemente do parecer da comissão, podem buscar, com o Ministério Público, algum tipo de reparação em relação a esse PDM, que foi questionado, principalmente por não ter sido construído em conjunto com as comunidades indígenas”, aponta o vereador. Essa falta de participação foi outro questionamento feito na reunião. Representantes da prefeitura chegaram a alegar que um indígena participou das discussões, o que não foi aceito pelas lideranças. “A gente deixou claro para eles que algo dessa magnitude tem que ser discutido com as comunidades”, enfatiza Jaguareté. O projeto foi encaminhado ao legislativo pela gestão municipal em dezembro de 2021. O foco é a chamada “Macrozona de Desenvolvimento Econômica e Socioambiental”, área estratégica de Aracruz, instituída pela Lei 4.317/2020, que rodeia o norte e sudoeste das terras indígenas, já impactada por diversos empreendimentos. A área fica às margens das principais rodovias que cortam Aracruz. Com o novo projeto, seria permitida a instalação de indústrias de médio e grande porte e loteamentos empresariais no perímetro, bem como o incentivo a atividades de escoamento de mercadorias para a zona de exportação. Projeto autoriza novos empreendimentos em Aracruz sem consultar indígenas Lideranças temem mais impactos para as comunidades tradicionais, vizinhas à área afetada pelas mudanças https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/projeto-abre-alas-para-grandes-empreendimentos-em-aracruz-sem-consultar-indigenas
Comunidades de Cariacica cobram investimentos em infraestrutura
Moradores afirmam que demandas são encaminhadas para a gestão de Euclério Sampaio, mas ignoradas Moradores de comunidades da Região 11 de Cariacica se queixam da falta de investimentos em infraestrutura nos bairros, com destaque para a precarização da iluminação pública, capinagem e limpeza de córrego, que têm trazido problemas para as localidades. Embora já tenham contatado a gestão de Euclério Sampaio (União), os moradores relatam que não há retorno sobre suas demandas. A região é composta pelos bairros Vila Isabel, Rosa da Penha, São Benedito, São Geraldo II, Campo Belo, Maracanã e Itapemirim. A presidente da Associação de Moradores de Vila Isabel, Elza Patrício Fagundes, que também preside a Federação das Associações de Moradores de Cariacica (Famoc), afirma que em seu bairro e nos demais a falta de iluminação pública tem facilitado a ocorrência de assaltos. Essa realidade, relata, tem imposto restrições aos moradores. “Deu oito horas da noite muita gente prefere não sair de casa. Aqui em Vila Izabel tinha uma feirinha de produtos agrícolas toda quinta-feira, após sofrer assaltos, os feirantes decidiram não trabalhar aqui mais”, informa. Elza também se queixa da falta de limpeza no córrego, onde deságua o esgoto. De acordo com ela, a última foi ainda no primeiro mandato do então prefeito Geraldo Luzia de Oliveira Júnior (Cidadania), o Juninho. Como o córrego fica na divisa com o bairro Maracanã, essa comunidade também é prejudicada. “O esgoto sobe, entra na casa das pessoas, deixa tudo muito sujo. Há um mês, solicitamos que a prefeitura fizesse a limpeza, mas não aconteceu”, afirma Elza, destacando que a demanda por troca de lâmpadas nos postes de Vila Izabel também foi encaminhada para a gestão municipal e ignorada. O mesmo aconteceu em Itapemirim. O diretor da associação de moradores, Francisco Romero, ressalta que liga para a prefeitura há 60 dias em busca de solução para o problema, sem êxito. De acordo com ele, no bairro há lâmpadas queimadas e outras que acendem e apagam constantemente. A falta de capinagem, acrescenta, aumenta a sensação de insegurança e traz incômodos, como a proliferação de insetos. Elza afirma que os bairros da região 11 passam por problemas semelhantes entre si, porém, a ausência de associações de moradores, como nas comunidades de São Geraldo II e Campo Belo, geram dificuldades de diálogo para conhecer as demandas da localidade. Entretanto, por meio da Famoc, será feita uma tentativa de reunir moradores de todos bairros da região para uma mobilização conjunta, com uma reunião já agendada para 1º de julho. No que diz respeito à questão da iluminação pública, ela lamenta o fato de o Conselho Municipal de Iluminação Pública ter sido extinto em 2020, na gestão de Juninho. “Precisa ter o conselho, é necessária a fiscalização”, defende. O conselho foi extinto por meio do Projeto de Lei 36/2020, de autoria do então vereador Joel da Costa (DEM). Na ocasião, a Famoc reivindicou o veto alegando que a medida não era competência do legislativo. O colegiado foi criado em 2003, na gestão do então prefeito Aloízio Santos, mas não foi implementado de fato. Em 2005, com o prefeito Helder Salomão (PT) houve tentativa de ativar o Conselho, sem sucesso. Extinção de Conselho de Iluminação deve ser vetada por Juninho, cobra Famoc Federação das Associações de Moradores de Cariacica aponta que projeto aprovado na Câmara https://www.seculodiario.com.br/politica/extincao-de-conselho-de-iluminacao-publica-deve-ser-vetada-por-juninho-cobra-famoc
Turismo e serviços puxam elevação do PIB estadual no primeiro semestre
Pablo Lira (ao centro), do Instituto Jones, destacou que a economia capixaba se mantém acima da média nacional Puxada pelo setor de serviços e em decorrência do verão, a economia capixaba apresentou resultado positivo no indicador trimestral do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento no primeiro trimestre de 2022 foi de +1,7%, acima da média nacional, em todas as bases de comparação. Os resultados se repetem na comparação do primeiro trimestre de 2022 com o primeiro trimestre do ano anterior. “Além da contribuição da economia do turismo, também tivemos desempenho dos serviços como educação, saúde, restaurantes e outros padrões do próprio estado”, explica o diretor de Integração do IJSN, Pablo Lira. Os setores de Serviços, Comércio Varejista e Indústria Geral contribuíram para o bom desempenho. Já no acumulado do ano, o PIB capixaba ficou em +4,1% contra +1,7% da média nacional. No dos últimos quatro trimestres, comparando com o mesmo período anterior, a expansão foi ainda maior, registrando +7,2% para o Estado, frente a +4,7% do Brasil. Este é o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2012. Na comparação do primeiro trimestre de 2022 com o último de 2021, houve aceleração no ritmo de crescimento de +1,7% para o Espírito Santo, contra +1,0% do País. “Os resultados mostram a economia capixaba crescendo de forma expressiva, com seu desempenho se mantendo sempre acima da média nacional e em um ritmo contínuo”, destacou Pablo Lira, informando que o Instituto Jones dos Santos Neves é o órgão oficial responsável pelos dados do PIB trimestral e do PIB anual do Espírito Santo, e integra uma rede nacional de pesquisa de contas regionais, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor industrial, que apresentou áreas de retração de -10,8%na indústria extrativa, se deve, para Pablo Lira, “em certa ao desempenho do segmento de petróleo e gás, que se encontra com poços com nível de maturidade avançado no Espírito Santo, o que tende a reduzir a produção”. Segundo os dados do Instituto Jones, no confronto com o mesmo trimestre do ano anterior e no acumulado do ano, a atividade econômica capixaba cresceu +4,1%, sendo explicado pela confluência das altas de +9,9% nos Serviços, +5,1% no comércio varejista ampliado e, em menor proporção, pelo incremento de +1,6% na indústria geral. A contribuição positiva para o desempenho do PIB, ao observar o acumulado do ano, pode ser explicada pela expansão +33,3% em serviços prestados às famílias e crescimento de +13,8% em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio. Já no comércio varejista ampliado, a alta foi influenciada pelo crescimento no varejo restrito (+8,8%) e em veículos, motocicletas, partes e peças (+0,4%). Por sua vez, o resultado positivo da indústria-geral deve-se a expansão de +7,5% da indústria de transformação, contrabalanceado pela retração de -10,8% na indústria extrativa. A indústria de transformação apresentou avanços na produção em três dos quatro setores investigados, sendo positivos nas atividades de fabricação de produtos alimentícios (+20,5%), metalurgia (+13,0%) e fabricação de celulose, papel e produtos de papel (+1,9%). Em sentido oposto, a atividade de fabricação de minerais não metálicos (-8,8%) registrou recuo na produção. Os resultados para a produção agrícola demonstram expansão em 8 dos 10 principais produtos agrícolas: café conilon (+3,3%), café arábica (+28,4%), banana (+8,7%), pimenta-do-reino (+4,0%), tomate (+1,4%), cana-de-açúcar (+23,8%), cacau (+2,5%) e abacaxi (+10,0%); e as retrações em coco (-13,1%) e mamão (-8,7%). Em valores correntes, o PIB nominal capixaba alcançou a cifra de R$ 39,8 bilhões no primeiro trimestre de 2022, se mantendo estável em relação ao período anterior. No acumulado de quatro trimestres, a cifra chegou a R$ 156,6 bilhões, atingindo o maior patamar agregado em toda a série histórica. “Os resultados mostram uma forte retomada econômica em setores importantes como serviços, comércio varejista e na indústria. Temos que destacar ainda a previsão de crescimento na produção agrícola, com aumento nas safras de café Arábica, Conilon e vários outros produtos. As boas notícias se refletem também no mercado de trabalho, com saldo positivo já neste primeiro trimestre. O ponto de atenção deve ser a inflação, que acumulou alta de 3,0% no período”, destacou o coordenador de Estudos Econômicos do IJSN, Antonio Ricardo da Rocha Freislebem.
Os sulcos do tempo
Em estrada contrária ao governo federal, Cachoeiro encerra semana de promoções culturais Enquanto os artistas lutam para derrubar os vetos presidenciais às leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, Cachoeiro de Itapemirim acaba de encerrar uma semana de promoções culturais da “Bienal Rubem Braga”. Para que um veto presidencial seja derrubado, são necessários 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado. Em estrada contrária trafega o prefeito Victor Coelho (PSB), que não acredita na “tese” insólita e desarrazoada – mas ainda vigendo no âmbito do governo federal – de “que cultura não dá voto”. Sábado passado (28), por exemplo, compareceu à comemoração dos 60 anos da Academia Cachoeirense de Letras como parte final da semana dedicada à “Bienal Rubem Braga”, com intensa programação cultural. Poucos prefeitos tiveram essa agenda. Aliás, na programação dos festejos da cidade, agora no mês de junho, dentre outras promoções culturais, vai homenagear o professor Aylton Rocha Bermudes, com a inauguração de um busto no colégio Liceu Munis Freire, onde o professor lecionou por 21 anos. Poucos dias antes de completar 100 anos (faleceu em 10/03/21), o homenageado ressaltava que o colégio era – ainda é – público, o ensino, gratuito. “Entretanto, as famílias abastadas e tradicionais, profissionais liberais bem sucedidos faziam questão de que seus filhos estudassem no Liceu, mesmo que tivessem de submeter-se ao exame de ingresso (admissão) mais de uma vez”. Ao mesmo tempo, o município vai homenagear o filho do professor, célebre advogado Sérgio Bermudes, que propiciou um vultoso socorro financeiro ao município para amparar seus conterrâneos que sofreram com a violência da maior cheia do rio, em janeiro de 2020. O advogado será homenageado, na mesma data, com a comenda Rubem Braga. A mística, em síntese, é que ao homenagear os filhos da terra que projetaram a cidade, como é o caso do professor Aylton, uma das culturas mais sólidas do Estado e um dos seus advogados mais talentosos, o prefeito Victor, além de permitir o curso normal do bairrismo “da capital secreta do país”, extrai lições preciosas do urbanista do país, Jaime Lerner, que, em Cachoeiro, se encantou com essa combinação de sentimentos. Disse ele: “Cachoeiro é um desafio por entre morros, pois “uma cidade é como o corpo humano: buscamos ter nossas funções fisiológicas e biológicas sempre em bom estado, mas isso não basta; nos alimentamos também do simbólico, da arte, cultura, memória, espiritualidade”. Tudo foi pensando e sentido. Daí a escolha de Newton Braga para as comemorações da Festa de Cachoeiro, no final do mês de junho, com o simbolismo da homenagem ao cachoeirense ausente. Dizia ele que o final do mês de junho assinala o mês de férias escolares e os cachoeirenses que se mudaram poderiam retornar. Os irmãos Braga foram os eternos vigilantes desse sentimento. E, sobretudo, os cultores do bairrismo. Neste período, também, os políticos aproveitam para estender suas mãos e seus abraços. Este ano será propício. Rubem e Newton ensinaram os cachoeirenses que o maravilhoso da vida está nas coisas simples: uma amendoeira, uma gurubumba, um ninho de tico-tico, um canivete. Quando não tinham assunto, eram melhores ainda. Por sua vez, o prof. Aylton, que vai ser homenageado, era um homem culto. Os familiares sempre dizem que antes de morrer era pego declamando “O Sermão da Sexagésima”, um dos mais conhecidos “Sermões” do escritor e orador barroco Padre Antônio Vieira. Além disso, um jurista respeitado, um orador fascinante e um professor que deixou lições de vida para todos seus alunos. Em seu livro “Sulco dos tempos” sussurrou: “Na procura da felicidade é indispensável a convicção de que ela não vem completa, em estado puro, que sua veste de luz se cobre, às vezes, de sombra e que não se pode gozá-la sem uma parcela de inquietação. O poeta se enganou: ‘A felicidade está apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos’. Existe, sim, e a alcançamos, mas aos poucos, em fragmentos, em porções descontínuas, mesclada de frustrações e pesar, reflexos de luz na treva, instantes de compreensão, de amor e paz.”
Baixos salários não atraem profissionais para posto de saúde em Santa Leopoldina
Justificativa para o problema é da secretária Sigrid Stuhr, que se reuniu com comunidade, mas não apontou soluções Os baixos salários fazem com que profissionais da saúde não queiram trabalhar no interior de Santa Leopoldina, região serrana do Espírito Santo. Essa foi a justificativa da secretária municipal de Saúde, Sigrid Stuhr, para a falta de médicos e dentistas no distrito de Chaves, em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (3), com representantes da Associação de Moradores e de Pequenos Produtores do Distrito do Chaves (Ampac). A abertura de diálogo foi solicitada pela entidade, pois os moradores se queixam de que desde o início de 2021 estão sem profissionais no posto de saúde. O presidente da Ampac, Chrystian Pittol, relata que foi sugerido à secretária que a gestão de Romero Luiz Endringer (PTB) aumentasse o salário, para atrair trabalhadores. O valor, como a secretária informou, varia entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil para médicos, muito abaixo da média para a profissão no Estado, que ultrapassa R$ 5 mil, considerando a menor carga horária, de 20h semanais. Posto de Saúde. Foto: Carioca “Dei essa sugestão, por ser uma prioridade, mas ela falou que a prefeitura não pode fazer”, disse, destacando que não foi dado esclarecimento para a comunidade sobre o porquê dessa impossibilidade, nem apresentada nenhuma alternativa para resolução do problema. “Infelizmente, é bem complicado, não somente na nossa comunidade, mas aqui nas comunidades vizinhas também. Muitas pessoas não têm condição de, se precisar, pegar um veículo e pagar um médico. É por essas pessoas que a gente fica preocupado, que vieram pedir ajuda”, lamenta Chrystian. A população do distrito de Chaves, que abrange as comunidades de Córrego do Macuco, Rancho Fundo e Rio da Prata, conta com cerca de 400 pessoas. Até o final de 2018, os moradores eram atendidos por profissionais cubanos, do Programa Mais Médicos. Com a retirada do governo cubano do programa, após declarações que considerou depreciativas feitas pelo então deputado federal Jair Bolsonaro (PL), atual presidente da República, o distrito passou a ser atendido por um clínico geral. “Caso necessário, o clínico geral encaminhava a pessoa para um especialista na sede de Santa Leopoldina ou em Vitória”, diz o primeiro secretário da entidade, Carlos David Toffano, o Carioca. Essa situação dificultou, porém, o acesso da população aos profissionais. Isso aconteceu ainda na gestão passada, do então prefeito Valdemar Luiz Horbelt Coutinho (PSB), o Vavá. A partir do início de 2021, já no mandato de Romero Luiz Endringer, os moradores passaram a não contar nem com o clínico geral, além de terem que conviver com a ausência de dentista desde que um novo posto de saúde foi instalado em uma escola desativada, já que o antigo estava com problemas de infraestrutura. Após a inauguração, os profissionais não retornaram. O novo posto, segundo Carioca, funciona somente para atividades como aplicação de vacina e aferição de pressão arterial. Para consultas e exames, seja com médicos ou dentista, os moradores passaram a ficar mais dependentes do deslocamento até a sede de Santa Leopoldina. Em casos de complexidade maior, para Vitória. Ele relata que não somente a falta de profissionais no distrito impossibilita os moradores de ter acesso à saúde, mas também de transporte público no distrito. Para ir até a sede, é preciso pagar um táxi, sendo que muitas pessoas não têm condições financeiras para isso, ou contar com carona, o que nem sempre é possível. Há ainda o fato de que não se pode contar com motoristas de aplicativo, uma vez que não costumam ir até o distrito e há dificuldade para chamá-los, pois o acesso à internet é restrito. Ônibus, tanto para a sede quanto para a Capital, passa somente duas vezes por dia. Trata-se da viação Lírio dos Vales, que sai da rodoviária de Vitória rumo a Santa Teresa, passando por Santa Leopoldina. Além disso, segundo Carioca, a passagem é cara, impossibilitando muitos moradores de usufruir do transporte. Distrito de Santa Leopoldina não tem médico nem dentista há um ano Moradores afirmam que problema já foi reportado à gestão de Romero Luiz Endringer, sem providências https://www.seculodiario.com.br/saude/distrito-de-santa-leopoldina-nao-tem-medico-nem-dentista-ha-um-ano