Terceira dose deverá ser aplicada a partir de quatro meses após a D2 do esquema vacinal primário Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) mostram que, no Espírito Santo, 206 mil adolescentes entre 12 e 17 anos estão aptos a tomar a dose de reforço contra a Covid-19, que deverá ser aplicada a partir de quatro meses após a última dose do esquema vacinal primário, conforme a recomendação do Ministério da Saúde publicada na última sexta-feira (27), por meio da Nota Técnica nº 35/2022. No Estado, com população de cerca de 338 mil adolescentes entre 12 e 17 anos, atualmente a cobertura vacinal é de 90,5 % para a primeira dose e de 71% para a segunda, de acordo com dados da Plataforma Vacina e Confia. Nesta segunda-feira (30), segundo a Sesa, a coordenação do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis irá se reunir com as regionais e referências municipais para definição de estratégias para que os municípios possam dar início à aplicação. A Nota Técnica, de acordo com o Ministério da Saúde, foi necessária em virtude do cenário epidemiológico, com novos casos da Covid-19 em todo o território brasileiro, além da “redução da resposta imune às vacinas observadas em alguns estudos e a circulação de novas variantes em um cenário onde ainda não atingimos coberturas vacinais ótimas”. A dose de reforço deve ser aplicada preferencialmente com a vacina da Pfizer, independentemente da dose aplicada anteriormente. Se houver indisponibilidade da vacina, a Coronavac pode ser usada. Os dois imunizantes são autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa faixa etária. A recomendação também vale para adolescentes que são gestantes e puérperas. No caso dos adolescentes imunossuprimidos, apenas a vacina da Pfizer deve ser utilizada. Dados da plataforma Vacina e Confia mostram que, entre os adultos maiores de 18 anos, 90,5% tomaram a segunda dose e 53,43% se imunizaram com a terceira, sendo que a meta é 90%. Cerca de 90% dos idosos receberam dose de reforço. Entre as crianças, 52,95% estão vacinadas com primeira dose, entretanto, a meta é de 90%.
‘Rios voadores da Amazônia podem deixar o ES’, alerta meteorologista do Incaper
Seis municípios capixabas entraram para o semiárido em 2022. “Solução passa pela agroecologia”, orienta Antes mesmo de serem bem conhecidos no Espírito Santo, os chamados rios voadores da Amazônia podem deixar de serem atraídos para o Espírito Santo, caso o padrão insustentável de uso do solo se mantenha. Monoculturas – pasto, eucalipto e café, principalmente – estão na raiz desse terrível fenômeno; e a Agroecologia e agricultura familiar partes indispensáveis da solução. A avaliação e orientações são do meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Hugo Ramos. “Se nós não falarmos sobre os rios voadores, eles podem deixar de passar por aqui. É preciso que a sociedade conheça o assunto, cobre soluções. A dinâmica de ocupação do solo altera as massas de ar. O padrão de monoculturas, principalmente no norte do Estado, atua de forma negativa. Já estamos afastando os rios voadores”, explana, citando a Resolução nº 150 da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), de 13 de dezembro de 2021. Arquivo Pessoal Essa revisão da região que compõe o semiárido brasileiro – a anterior era de 2017 – acrescentou, pela primeira vez, municípios capixabas como integrantes da região mais seca e vulnerável à desertificação/savanização no Brasil. São seis: Baixo Guandu, Ecoporanga, Itaguaçu, Itarana, Mantenópolis e Montanha. Pontos de aridez mais acentuada dentro da vasta região acima do Rio Doce, onde 28 municípios já integram a região de influência da Sudene há algumas décadas. “O que mostra que a inclusão na Sudene, por si só, não tem resolvido o problema da aridez, da falta de chuva. Traz incentivos fiscais que favorecem alguns setores da economia, mas que não necessariamente atuam para reduzir a escassez de água”, acentua o meteorologista. Os principais critérios que definem a classificação como semiárido no Brasil são um acumulado de chuvas anual abaixo de 800mm e um índice de aridez de 0,6, o que significa que, ao longo do ano, em mais de 60% dos dias, a quantidade de água que evapora é superior à que vem da chuva, caracterizando regiões onde pelo menos 220 dias do ano são sem chuva. O fato de que municípios capixabas têm se tornado mais áridos e vulneráveis precisa ser melhor debatida, ressalta Hugo, pois demonstra a gravidade do processo de erosão do solo e perda de fertilidade e de água, que geram um microclima capaz de afastar a umidade que vem da Amazônia pelos ares. Não fossem esses chamados rios voadores, muito provavelmente o Sudeste brasileiro, parte do Centro-Oeste e até do Sul do país poderiam ser um deserto, como ocorre em outras partes do globo situadas nessa latitude, de 20 a 22 graus, a exemplo da Austrália e na África. Divulgação A dinâmica dos rios voadores Nessa latitude em torno de 20 graus, localiza-se em todo o planeta, o “cinturão das altas subtropicais”, explica Hugo. “É uma região de bastante subsidência, ou seja, de maior dificuldade de formação de nuvens de chuva. A maioria dos desertos está nessa latitude”. O privilégio do Brasil, explica, está no processo de transporte de umidade que vem da Amazônia. “A água que evapora dos rios da Amazônia são transportadas até os Andes e, quando encontram as massas de ar de origem polar, organiza canais de umidade, que tecnicamente são conhecidas como Zona de Convergência do Atlântico Sul, principal sistema causador de chuva nessa época do ano”, explica. Essa dinâmica, porém, sofre influência de ventos do nordeste, secos, que, se estacionarem sobre o continente, afastam os rios voadores. E é o que tem acontecido com o norte do Espírito Santo, à medida que o semiárido avança. Mudanças climáticas Em paralelo ao que ocorre no território capixaba, Hugo destaca, obviamente, os efeitos do desmatamento da Amazônia, que tem interferido também drasticamente na quantidade de umidade que a região emana para os Andes e o sul do Brasil. Além dos efeitos das mudanças climáticas, que têm produzido eventos de secas e cheias severas. “Desde o começo do século XXI, temos registrado episódios de seca severa no Espírito Santo: 2003, 2007, 2011 e, mais intenso e prolongado, de 2014 a 2017. Entre eles, ocorreram eventos chuvosos intensos também”. Diversificar é o caminho “O que se tem que reforçar é o aumento da participação popular nas decisões sobre uso do solo e mudanças climáticas. Mesmo que as instâncias deliberativas estejam mais nas mãos dos órgãos públicos, todas elas têm a representação da sociedade. Nem tudo o que é decidido num gabinete retrata a realidade. Os processos de implantação de políticas públicas a esse respeito têm que ter pesquisa de campo e participação popular”, roga, com base em sua experiência no órgão de apoio ao agricultor familiar por excelência no Estado, o Incaper. “A conservação do solo é o principal elemento de ciclagem de nutrientes e armazenamento de água e quem tem levado isso à frente são os pequenos. Os pequenos agricultores trabalham no meio do deserto pra minimizar esses efeitos. São eles que demandam e implementam a agroecologia, os sistemas agroflorestais, os sistemas sintrópicos, a lavoura-pecuária-floresta, a revitalização de nascentes, a diversificação da paisagem”, afirma. No outro polo, contrapõe, estão as grandes empresas do agronegócio, que continuam investindo e forçando uma expansão dos monocutivos. “Estão implementando um modelo que está próximo de esgotar os recursos naturais. Sustentabilidade não combina com monocultura”, adverte. “A agricultura é um parceiro da solução, desde que feita com esse objetivo”, salienta. O Programa Reflorestar também atua nesse sentido, porém numa escala ainda muito tímida diante dos desafios, e ainda em áreas que não são as mais afetadas pela desertificação/savanização. Bolsonaro veta inclusão de municípios do Espírito Santo e Minas Gerais na Sudene – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/bolsonaro-veta-inclusao-de-municipios-do-espirito-santo-e-minas-gerais-na-sudene Agricultores de São Roque e Santa Teresa reivindicam inclusão na Sudene – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/agricultores-familiares-sao-roque-e-santa-teresa-reivindicam-inclusao-na-sudene
Pandemia reduziu procura por tratamento para tabagismo no SUS
Porcentagem de pessoas que pararam de fumar por meio do tratamento público também diminuiu Em virtude do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado nesta terça-feira (31), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) divulgou dados sobre a procura pelo programa de reabilitação contra esse vício e a quantidade de pessoas que conseguiram parar de fumar. Os números mostram que, nos dois quesitos, houve redução nos anos de 2020 e 2021. A explicação para isso, segundo o pneumologista e professor aposentado do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Valdério Dettoni, está na pandemia da Covid-19. A quantidade de fumantes que buscaram o Sistema Único de Saúde (SUS) para o programa de reabilitação contra o tabagismo, que atua em 50 municípios, foi bem inferior a de 2019. No ano passado, foram 2,1 mil. No primeiro ano da pandemia, 2 mil. Em 2019, quando não havia pandemia, o número foi de 5,7 mil. Em relação às pessoas que deixaram de fumar, elas correspondem a 45,3% daqueles que buscaram o tratamento em 2019; 40,25% em 2020 e 37,7% em 2021. “A pandemia aumentou o nível de estresse e depressão diante da necessidade de mudança de hábitos. Quem fuma teve mais dificuldade de parar e algumas dessas pessoas, inclusive, passaram a fumar mais. A própria necessidade de isolamento social também fez com que muitos não buscassem o tratamento”, diz Valdério. O pneumologista afirma que muitas pessoas passam a fumar influenciadas por hábitos familiares, ou, principalmente adolescentes, devido a grupos de amigos. O ato de fumar, aponta, é, muitas vezes, associado a comportamentos sociais, como a liberdade. “Quando começa, a pessoa não sabe como é difícil parar. Às vezes começa como uma brincadeira, e termina como uma tragédia. O tabagismo é o maior causador de doenças evitáveis do mundo”, informa. Ao contrário do que muitos pensam, o tabagismo, segundo Valdério, não causa somente câncer de pulmão, mas também outros, como os de esôfago, pâncreas, bexiga e laringe. Também é responsável por doenças pulmonares crônicas, doenças vasculares e coronarianas. “Um diabético que fuma tem maior risco de ter doenças cardiovasculares e precisar passar por amputação”, explica. Valdério afirma ainda que houve redução na taxa de tabagismo no Brasil em virtude de ações implementadas pelo Ministério da Saúde durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como a proibição das propagandas de cigarro e a proibição de seu uso em lugares fechados. Parar de fumar O pneumologista afirma que decidir parar de fumar é essencial para largar o tabagismo. “Nesse negócio de ‘vou experimentar um pouco’, sem convicção, a chance de fracassar é grande, e o fracasso reforça para a pessoa que parar de fumar é difícil”, enfatiza. Outra atitude que também não traz muitos casos de sucesso é parar de fumar sem acompanhamento de profissionais da saúde. “Quando você procura um médico, seja na rede privada ou no SUS, ele vai analisar seu perfil, reforçar o que o paciente tem de positivo, dar suporte em caso de fracassar ou quase fracassar”, explica. Além disso, aponta, em alguns casos é necessário prescrever medicamentos para reduzir os sintomas da abstinência.
A cigana me enganou
Caso com o João (presencial) ou com o Briggs (à distância)? Supondo-se que lá pelo final do mês de março de 2020 – não tem tanto tempo assim – uma cigana cruzasse meu caminho e pedisse para ler minha mão…Suposição absurda, sou uma pessoa de bom equilíbrio mental e psicológico, não perco tempo com leituras de mão ou de búzios, só vi bola de cristal no cinema e não conheço ninguém que saiba ler as cartas do tarot. Mesmo assim, a cigana precisa defender o leite das crianças. * Ela olha rapidamente para minha mão e me diz que em um futuro bem próximo, o item mais vendido em qualquer loja não será protetor solar, e sim máscaras faciais. Peço meu dinheiro de volta, mas a cigana já vai longe, atrás de outra otária. Ou otário, tanto faz. Não demorou muito para saber que a cigana estava certa. Comprei duas máscaras – uma sobressalente, nunca se sabe – e vou atrás da cigana com uma lista de perguntas essenciais para meu futuro emocional: Caso com o João (presencial) ou com o Briggs (à distância)? Vou passar no concurso ou estou perdendo meu tempo? Que número vai dar… *A cigana está no mesmo lugar, mas adaptou-se aos novos tempos: de máscara na cara e dentro de um círculo amarelo riscado no chão com caneta Sharpie. Cuidado! ela grita, quando quase piso na tal linha amarela. O que é isso? Pergunto…Vamos manter distanciamento social, quer dizer, fique dois metros distante de mim, por causa do vírus. Outra vez duvido das faculdades adivinhatórias da cigana. Como vou trabalhar em um escritório lotado, para ir ao banheiro três pessoas precisam se levantar para me dar passagem? E o elevador? Moro no oitavo andar, mais dez de garagens. E como vai ler minha mão a dois metros de distância? * Ela tira um binóculo da bolsa e grita no megafone – Abre a mão…ótimo! Tudo isso vai passar em breve. Sorrio aliviada, Claro que tudo vai passar em breve. Estou planejando um grande evento para meu aniversário em maio e ainda estamos em março. Ela guarda o binóculo, Entendeu errado, amiga! O que vai passar é seu escritório lotado – com sorte, vai poder trabalhar em casa. Quanto ao elevador, vai pela escada. Evento em maio? Hmmm, com sorte, talvez maio de 2022, depois de quatro vacinas. * Vacinas? 2022? Por que perco meu tempo com essa charlatã? Vou saindo de fininho, e ela me estende uma cestinha – amarrada na ponta de uma vara de dois metros: Bota aí seus dólares, madame, não trabalho mais em real. Sabe como é, mesmo com máscara e distanciamento social, tô aqui correndo um grande risco. Nesse ofício não tenho como fazer home office. Pergunto o que ela quer dizer com home office, ela diz que meu tempo esgotou, terei que pagar outra consulta. Pago uma só e vou saindo… * Lá vem uma cestona recheada de pacotes. Ela explica: Máscaras para todas as ocasiões, eu que faço. Pergunto o que vou fazer com tantas máscaras… Acorda, amiga, vai faltar máscaras e álcool gel no mercado. Saio correndo, duvidando da sanidade mental da infeliz…Ela grita: Vai se arrepender! Volto, compro todo o estoque. Chego no meu edifício e sofro um ataque de realismo social: Não acredito que caí outra vez nas malhas daquela vigarista! Dou o pacote inteiro pra zeladora.
‘Se tive uma vida antes de ser adotado, eu não me lembro’
Adoção tardia sofre resistências, mas famílias que se formam assim colecionam histórias de acolhimento e amor A coordenadora administrativa Kathierline Garcia nunca sonhou em ser mãe. Entretanto, há cinco anos, ela “pariu” Jônatas, que tinha 18 anos; e Joases, de 16, depois de uma gestação de cerca de dois anos, que foi o tempo que aguardou para que a Justiça definisse a adoção. Desde então, o Dia Nacional da Adoção, comemorada na última quarta-feira (25 ), tem um sabor especial para essa família, que é um exemplo de adoção tardia, uma prática que ainda encontra resistências. “Se tive uma vida antes de ser adotado, eu não me lembro”, exalta Jônatas, que assim como o irmão, agora tem o sobrenome da mãe. Karen Marchesi O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) explica que adoção tardia “refere-se à adoção de crianças que já possuem um desenvolvimento parcial em relação à sua autonomia e interação com o mundo”. Embora não exista uma idade mínima formal para designar esse tipo de adoção, “em geral, refere-se a crianças maiores de três anos”. O órgão destaca que esse perfil, considerado de “crianças maiores”, é um dos mais preteridos por quem deseja adotar, juntamente com o de “crianças pertencentes a grupo de irmãos, com condição especial de saúde e adoção interracial”. Os números comprovam isso. Atualmente, no Espírito Santo, existem 100 crianças e adolescentes disponíveis para adoção. Desse total, 86 têm mais de quatro anos. Apenas cinco estão entre zero e dois, e nove entre dois e quatro. A história de Kathierline, Jônatas e Joases começou quando os dois irmãos foram acolhidos por ela em um abrigo no Centro de Vitória, onde trabalhava como educadora social. As crianças, que tinham, respectivamente, 13 e 10 anos, chegaram após uma denúncia feita ao Conselho Tutelar, uma vez que viviam em situação de muita vulnerabilidade na residência de um casal que já tinha três filhos biológicos. Karen Marchesi Como foram parar na casa dessas pessoas, Jônatas afirma que ele e o irmão nunca souberam, pois chegaram lá muito pequenos e nunca foi contada a eles suas próprias histórias. Porém, de uma das partes de sua vida que sabe relatar, Jônatas recorda a receptividade de Kathierline. “Ela estava de plantão quando chegamos. Nos deu roupa, comida. Nos tratou com muito amor e muito carinho”, afirma. Diante do susto que as crianças transmitiam, segundo Kathierline, a sensação que teve foi da necessidade “de proteger, de cuidar”. O abrigo era de porta de entrada, ou seja, temporário. Como não havia possibilidade de retorno deles para a família, foram encaminhados para um no bairro Bela Vista, em Vitória. Contudo, isso não foi motivo de separação, pois os três continuaram a se ver, como nas atividades da Fundação Fé e Alegria, instituição que gerenciava os dois abrigos. Quando o abrigo do Centro foi desvinculado da Fundação, Kathierline, que para Jônatas e Joases era a tia Kathi, foi trabalhar na instituição de Bela Vista. Os laços se estreitaram, pois os funcionários do abrigo, onde era feito um trabalho de emancipação e autonomia, buscavam proporcionar às crianças e adolescentes momentos de vivência em suas casas em ocasiões como final de semana, férias e festas de fim de ano. Com o passar do tempo, Kathierline passou a sentir o desejo de ajudar os dois. “Adoção é desejo de maternidade, e não ajuda. Esse desejo eu nunca tive. Pensei em pegar a guarda até os 18 anos”, recorda. Esse desejo foi comunicado a profissionais do abrigo. Porém, Kathierline recebeu o seguinte questionamento: “quer pegar a guarda até 18 anos e depois segue a vida ou quer adotar?”. “Quando ouvi aquilo caí em prantos e entendi naquele momento que eu estava concebendo os dois”, relata, destacando que não havia ninguém na fila de espera que pleiteasse por adotar crianças com o perfil de Jônatas e Joases. Karen Marchesi A partir daí foram dois anos de gestação, até a audiência que definiu a adoção, considerada como o nascimento dos dois, quando, inclusive, familiares e amigos de Kathierline levaram um cueiro de bebê para cada um. Como Jônatas já tinha 18 anos, ele já estava morando na casa dela, que deixou de ser tia Kathi para ser “mãezita”, “mãezinha” e, finalmente, “mãe”. A decisão da juíza foi que Joases ficasse ainda no abrigo até terminar o ano letivo. Mas ele demonstrou sua insatisfação para a magistrada, dizendo que era muito tempo para ficar longe dos dois. A juíza falou que passaria rápido, mas o garoto foi categórico e disse “passa logo para a senhora, que não está longe do seu filho”. A atitude fez a magistrada mudar de ideia. Com o tempo, Kathierline, também para Joases, deixou de ser a “tia Kathi” para ser “mãe”. “Foi em uma ocasião que é algo corriqueiro nas famílias. Ele foi tomar banho e esqueceu a toalha. Aí gritou do banheiro: ‘mãe, traz a toalha!’. Fui entregar chorando”, recorda. Para Kathierline, a convivência com os filhos proporciona aprendizados diários. “São duas criaturas especiais, fundamentais na minha vida e na da minha família. Parece que nunca existiu um tempo em que eles não estiveram conosco”, ressalta. Kathierline, como qualquer mãe, sabe as características de cada um dos filhos. Joases, que hoje trabalha como embalador de supermercado, tem um perfil mais “caricato, engraçado, gosta de fazer piada”. “A gente ri muito com ele”, diz. Jônatas, que é universitário, é muito amoroso e busca se superar sempre. Contudo, segundo Kathierline, eles têm uma característica em comum: ambos buscam cuidar da mãe. Jônatas destaca que “adoção não é caridade”. “As pessoas têm que entender melhor o que é isso e deixar o coração falar. Não olhar para particularidades da criança, como raça”, acredita. Já Kathierline salienta que, “até para os pais biológicos, os filhos têm que ser adotados”. “Para esses pais e mães, o filho também é algo novo. É uma vida nova para sua casa, com quem vai ter que aprender a lidar, criar à sua maneira, incutir valores, saber que aponta os caminhos, mas que as escolhas são deles”. Passos para adoção Pode se disponibilizar para adoção qualquer
‘Precisamos romper com a educação tradicional, que molda os corpos’
Coletivo de mães de PCDs comemora homologação das novas Diretrizes da Educação Especial na Serra Uma abordagem multidisciplinar para o acolhimento das pessoas com deficiência (PCD) dentro de sala de aula. Uma formação continuada para todos os professores da rede municipal, não só os de Educação Especial. Um limite claro sobre o máximo de alunos que cada professor, regular ou de EE, pode ter sob sua responsabilidade. Esses são três dos principais avanços garantidos pelas novas Diretrizes Municipais de Educação Especial da Serra, na avaliação do Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN), formado por mães de PCDs em todo o Estado. Alguns pontos ainda não alcançados continuarão no horizonte de lutas do movimento, como o quantitativo e formato de trabalho dos estagiários. “O documento traz a necessidade da escola ouvir a família e uma equipe multidisciplinar que atende os alunos público-alvo da Educação Especial. Traz que ela tem que avaliar e entender o que é passado pela assistência social”, relata Mariana Saturnino de Paula, representante do Coletivo no Grupo de Trabalho que elaborou a nova Diretriz. “Levantamentos feitos pelo Coletivo mostram que a maioria das famílias das crianças especiais são monoparentais, constituídas por mães solos, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Então é preciso trazer para dentro da escola essa reflexão pedagógica sobre o sujeito. O que atravessa esse sujeito?”, explana. “Avaliação médica, terapêutica, psicológica, são fatores que contribuem, que dialogam, que direcionam a forma de ensinar. Com isso, tentamos romper com a ideia de uma escola tradicional, que molda os corpos, onde todos têm que estar ali do mesmo jeito. Essa ideia tem que ser rompida. As raízes são muito profundas na educação, mas o coletivo vê que foi um grande passo. Historicamente a Educação Especial esteve vinculada a uma perspectiva médica, mas quando a gente traz os conhecimentos médicos para dialogar com a Educação, priorizando a aprendizagem desse sujeito, a gente valoriza o que a LBI traz, a Lei Brasileira de Inclusão, a necessidade de uma avaliação multidisciplinar”, complementa. A nova Diretriz foi homologada nesta sexta-feira (27) – Resolução CMES nº 203/2022, substituindo a anterior, nº 195/2016 – após oito meses de intensa mobilização dentro do GT composto, além do Coletivo, pelas secretarias municipais de Educação, Saúde e Direitos Humanos (Sedu, Sesa e Sedir); pelos conselhos municipais de Educação, da Pessoa com Deficiência e de Direitos Humanos (CMES, COMDPD e CMDH); e também pela Câmara de Vereadores e o Conselho Tutelar da Serra, sob coordenação do CMES. Divulgação/PMS Acampamento de mães e filhos A formação do GT atendeu ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Estadual em setembro de 2021, e este, por sua vez, foi um dos principais resultados do acampamento de 32 dias realizado em agosto pelas Mães Eficientes e seus filhos em frente à Prefeitura, que se encerrou após o prefeito, Sergio Vidigal (PDT), recebe-las para ouvir suas reais demandas. Coletivo MESN “A Diretriz foi composta por muita luta, por 32 dias de acampamentos, por muitas lágrimas, por pessoas que adoeceram devido a esse processo de discussão, de disputa política, ideológica, mas é uma grande conquista, uma grande vitória que podemos comemorar. Foram oito meses de intensos debates, lutas, discussões, alguns entraves, mas enfim saiu”, comemora Mariana. Sobre a formação continuada para todos os educadores da rede municipal, ela ressalta que a Diretriz determina que a oferta dessas formações deve ser feita no turno de trabalho dos professores, de forma a facilitar o acesso de todos. Há ainda uma determinação de um quantitativo máximo de alunos, de acordo com a carga horária de cada professor. “Havia esse limite antes, mas ficava muito solto. Agora temos como cobrar o cumprimento”, afirma. Já em relação aos estagiários, o Coletivo lamenta que a nova Diretriz estabelece um quantitativo insuficiente de estagiários e desobriga que os mesmos estejam dentro da sala de aula junto com os estudantes PCDs. “Na dinâmica do contexto escolar, isso é completamente inviável”, assevera. Diante dos grandes avanços já obtidos, no entanto, numa nova Diretriz que pode servir de referência para outros municípios e para o Estado, as mães afirmam que não desanimam, ao contrário, comemoram, com mais luta. “Nós persistiremos, porque entendemos que essas Diretrizes dão voz para os nossos filhos, que são silenciados, que não podem falar por si só, que são completamente invisibilizados dentro da escola e na sociedade. A gente vê que ao longo da história da Educação Especial no Brasil, sempre foi por meio de movimentos sociais, que conquistamos direitos”, pondera. Aprendizagem efetiva Neste caso, o direito conquistado, sublinha, foi o de “uma educação equitativa, de respeito, de valorização, mas acima de tudo uma educação efetiva dos nossos filhos”. Isto porque, explica, após a conquista do direito à matrícula das crianças e adolescentes com deficiência nas redes regulares de ensino, o movimento brasileiro de inclusão trabalha para que esses estudantes não apenas estejam fisicamente dentro dos muros das escolas, mas que eles tenham o tratamento adequado, com métodos pedagógicos adaptados às suas necessidades, além da integração dos diversos conhecimentos – médicos, terapêuticos, psicológicos e assistenciais – na definição do projeto pedagógico de cada escola que acolhe suas matérias. Afinal, são incontáveis os casos de crianças e adolescentes com deficiência que passam por todo o ensino fundamental sem conseguir de fato aprender os conhecimentos básicos transmitidos, de forma tradicional, aos demais estudantes. E sem esse aprendizado efetivo, não há como as PCDs progredirem em direção ao ensino médio e ao ensino superior, ou às carreiras profissionais que desejam ou mesmo à participação cidadã que têm direito. “Não basta garantir o acesso, a matrícula na escola. É preciso garantir também a permanência e a conclusão com sucesso dos estudos, a efetiva aprendizagem. O aluno da educação especial não vai para escola apenas para socializar, vai também para aprender, como qualquer outra criança, independentemente de suas especificidades”.
Mulheres realizam primeiro encontro de conscientização sobre o lipedema
Doença é pouco conhecida e ignorada até por médicos, que muitas vezes não sabem como lidar com ela Reprodução/Vascular.pro Junho é o mês de conscientização sobre o lipedema, doença crônica que afeta uma em cada 10 mulheres em todo o mundo, mas ainda é pouco conhecida até por profissionais de Saúde. No Espírito Santo, uma portadora da doença precisou recorrer à Justiça para ter direito à cobertura da cirurgia pelo plano de saúde. Luciene de Oliveira conseguiu uma liminar para que a Unimed Vitória pagasse todas as cirurgias necessárias. A empresa alegava que a doença não estava incluída no rol da Agência Nacional de Saúde (ANS), mas a Justiça determinou que a empresa procedesse com a cobertura de todo e qualquer procedimento cirúrgico relacionado ao lipedema. O lipedema trata-se de um acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, como pernas, braços, joelhos e coxas, o que faz com que a doença seja confundida com a obesidade. Para a moradora de Vitória, há um descaso em torno da doença, vindo até mesmo dos médicos, que não sabem lidar com os pacientes. “Falta de interesse, pura e simplesmente. Basta estudar um pouquinho mais. Tratando como estética, as cirurgias não são realizadas pelos planos de saúde, já que, para tratar o lipedema, quando é necessário a cirurgia, a lipoaspiração tem que ser a laser, custo mais alto”, aponta. Luciene chegou ao estágio 4 da doença, tendo a mobilidade comprometida. No caso dela, a doença era hereditária. “Tenho 56 anos e só descobri em 2020. Fiquei três anos pedindo socorro em consultório médico, tive diagnósticos diferentes, muitas dores, cansaço, sensação de peso nas pernas. Fui pesquisar na internet e me deparei com lipedema, síndrome da gordura dolorosa”, relata. A moradora participa de um grupo nas redes sociais com outras portadoras da doença, onde elas trocam experiências sobre as dificuldades que enfrentam. No próximo dia 11 de junho, um encontro presencial vai ser realizado em Vitória com profissionais da Saúde, na Cafeteria Divina Terra, em Jardim Camburi, às 9h “Temos como objetivo ampliar a conscientização sobre a doença, já que acomete 11% da população feminina e a grande maioria desconhece, sofre com o ganho de peso, que vem de forma associada, sofre com dores, hematomas, inchaço, e o pior, o descaso e desconhecimento dos próprios médicos, sendo que consta nas literaturas médicas desde 1940”, enfatiza.
Pesquisa Datafolha anima militância para lançar pré-candidatura de Contarato
Senador foi convidado para o evento deste domingo, em Vitória, mas ainda não confirmou participação Ag. Senado O lançamento imediato da pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado está confirmado para este domingo (29), segundo Século Diário divulgou com exclusividade, organizado pela militância do PT desde essa quinta-feira (26), ainda mais animada com a pesquisa Datafolha, que apontou o ex-presidente Lula com 48% e Jair Bolsonaro (PL) com 27% das intenções de votos. O percentual significa chance de vitória no primeiro turno e fortalece os movimentos em torno de Contarato, à espera de definições no âmbito nacional. Convidado, Contarato ainda não confirmou presença no evento, que deve contar com a participação de vários nomes da chapa de deputados federais e estaduais e também ao Senado, a ser lançada formalmente no dia 11 de junho. A ação articulada pela base petista no Estado, que será realizada na sede de lazer do Sindicato dos Bancários (Sindibancários-ES) no Forte São João, em Vitória, a partir das 8h30, é organizada em meio à indefinição da Executiva Nacional, que negocia apoio ao pré-candidato do PT ao governo paulista com o PSB, legenda do governador Renato Casagrande, que se opõe a essa aliança, cuja consolidação afeta em cheia seu projeto de reeleição. Os organizadores do ato em favor de Contarato mobilizam a militância com a preocupação de não contrapor a Nacional e também a direção estadual do partido, que programou para o dia 11 de junho uma concentração. Desta feita, com a presença do senador, quando serão anunciados formalmente nomes do partido das disputas majoritárias e proporcionais deste ano. Desde que Fabiano Contarato foi anunciado como pré-candidato ao governo, em fevereiro deste ano, a militância do PT se movimenta no sentido de consolidar essa articulação, que dependia da formalização da aliança do PSB em torno do ex-presidente Lula, cuja eleição é prioridade para o partido. Redes sociais e reuniões em comitês de bairros são os meios utilizados para divulgar os projetos. O Comitê da Praia do Canto, criado recentemente, promove reuniões semanais e lançou em abril o projeto “Chorinho na Praça”, em que apresenta música essencialmente brasileira, aos sábados, das 11 às 14 horas, na Praça dos Namorados, nas proximidades do Iate Clube. É um espaço aberto ao público, que começa a ser valorizado, abrindo canais naturais de convivência social. Pesquisa De acordo com os números da pesquisa, Lula tem 48% no primeiro turno, contra 27% de Bolsonaro, ampliando a vantagem para o segundo turno, com 54% dizendo não votar em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 33% de Lula. Ciro Gomes (PDT) tem 7%; André Janones (Avante), 2%; Simone Tebet (MDB), 2%; Pablo Marçal (Pros), 1%; e Vera Lúcia (PSTU), 1%. Os candidatos Felipe d’Ávila (Novo), Luciano Bivar (União Brasil), General Santos Cruz (Podemos), Leonardo Péricles (UP), Eymael (DC) e Sofia Manzano (PCB) não pontuaram.
Ser ‘batizado nas águas’ favorece Erick em reduto de Manato e Magno
Deputado estadual cresceu na preferência de pastores da Assembleia de Deus, por ser da “mesma igreja” Provocou alterações nas articulações políticas, favorecendo a pré-candidatura ao governo do deputado estadual Erick Musso (Republicanos), a revelação de ser “batizado nas águas” desde 2007 e frequentador assíduo da Assembleia de Deus do bairro Garanhuns, em Vila Velha. A informação, que foi dada por Erick a pastores da Convenção das Assembleias de Deus no Estado e Outros (Cadeeso), esta semana, mexe em um dos maiores redutos eleitorais do Estado. Em sentido contrário, a subida de Erick Musso, por pertencer “à nossa igreja”, afeta diretamente eleitores do ex-deputado federal Carlos Manato (PL) e, também, do ex-senador Magno Malta (PL), que disputa a única vaga ao Senado, como comenta o pastor Rafael Ferreira, presidente da Comissão de Assuntos Políticos (Comap) da convenção, que reúne milhares de pastores no Espírito Santo, ele próprio pré-candidato a deputado estadual pelo PP. “Apesar das alterações, que provocam divisão entre as lideranças, a base do governador Renato Casagrande (PSB) permanece firme”, enfatiza Rafael, que mantém aberto canal de diálogo com Casagrande, sendo um dos organizadores de um café da manhã com pastores da Cadeeso, no Palácio Anchieta, sede do governo. “Não é segredo para ninguém que a Cadeeso terá candidatos próprios a deputado federal e a estadual, que serão indicados mais próximos das convenções partidárias, em julho”, afirma o pastor Rafael, acrescentando que a Comap analisa pré-candidatos a vários cargos para definir o apoio e questiona: “Se as outras congregações têm representantes, porque a Cadeeso não pode ter?”. Sobre a relação de Erick Musso com a Assembleia de Deus de Garanhuns e, consequentemente, com a Cadeeso, que mexe com redutos de Manato e Magno Malta, ele explica: “Eles perdem a capilaridade e, quanto a Manato, acredito que deve baixar alguns pontos, saindo dos 12% mantidos até agora, segundo pesquisas eleitorais”, projeta o pastor Rafael. Entre os nomes em análise na Comap, além de Erick, Manato e Magno Malta, estão o coronel Ramalho (Podemos), pré-candidato ao Senado; Neucimar Fraga (PP), que tenta a reeleição para deputado federal; e o vereador de Vitória Davi Esmael (PSD), candidato à Assembleia Legislativa.
Conselho de Psicologia quer impedir atendimentos discriminatórios
Nova resolução, que será debatida em Vitória, proíbe práticas violadoras a pessoas bissexuaiss e com demais orientações não monossexuais CFP O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou, neste mês, uma nova resolução que estabelece normas de atuação em relação às bissexualidades e demais orientações não monossexuais. A expectativa é de que o documento promova o enfrentamento às discriminações diárias sofridas por esse público que, em muitos locais, ainda é submetido a práticas violentas de “conversão” e “readequação” por parte de psicólogos. “No senso comum, acredita-se que pessoas que se relacionam com mais de um gênero são indecisas, confusas. Uma bifobia instaurada de acreditar que as pessoas só podem se relacionar e desejar um gênero, o que não é assim. A sexualidade é fluida, múltipla, diversa, e cabe à psicologia afirmar isso. Afirmar e defender para toda a sociedade”, enfatiza a pesquisadora e psicóloga Marina Francisqueto Bernabé, presidente da Comissão de Diversidade e Gênero do Conselho Regional de Psicologia (CRP-ES). A Resolução nº 8/2022 promove orientações para psicólogos de todo o Brasil. O documento fala do exercício profissional em relação às bissexualidades e demais orientações não monossexuais, aquelas nas quais a atração afetivo-sexual está direcionada a mais de uma identidade de gênero. “A psicóloga e o psicólogo contribuirão para eliminar todas as formas de violência, preconceito, estigmatização e discriminação em relação às bissexualidades e demais orientações não monossexuais, em consonância com o Código de Ética Profissional do Psicólogo – CEP”, diz o documento, publicado no Diário Oficial da União. A resolução estabelece que o psicólogo deve considerar a autodeterminação de cada sujeito em relação à própria orientação sexual e identidade de gênero, além de determinar que os profissionais reconheçam as bissexualidades e demais orientações não monossexuais como legítimas, não as vinculando às homo ou às heterossexualidades. “É muito comum na nossa sociedade que as pessoas julguem quem é bissexual, desqualificando, dizendo que a bissexualidade não é verdadeira, não é legítima, como se as pessoas devessem, unicamente, exclusivamente, se relacionar com um gênero. Isso promove um grande sofrimento psíquico”, afirma Marina. O documento do Conselho Federal também proíbe que os psicólogos promovam processos de medicalização ou tentativas de conversão de pessoas bissexuais, vedando ainda a produção de discursos que violem direitos dessas pessoas. “Se o psicólogo não atua em consonância com o estabelecido nas resoluções do Código de Ética, ao invés de promover a produção de vida de bem-estar, promove violência e adoecimento psíquico. E, lamentavelmente, é isso que a gente vê”, enfatiza. A profissional lembra que, historicamente, pessoas que não são cisgêneras [não se identificam com o gênero do nascimento] nem heterossexuais sempre foram patologizadas. “E a gente ainda vê isso na sociedade, como se, por exemplo, uma pessoas bissexual fosse vista como volúvel. A gente acaba não incindindo sobre o que produz esse preconceito, a discriminação, que é a LGBTfobia, a bifobia, homofobia, a transfobia”, afirma. A luta, agora, é para tentar mudar esse cenário. Na próxima terça-feira (31), o Conselho Regional de Psicologia (CRP-ES) vai realizar um debate aberto para orientações sobre diversidade de gênero e diversidade sexual. O encontro vai discutir a nova resolução do CFP e dar orientações a estudantes e profissionais da área. “Não somente para discutir estratégias de combate à LGBTfobia e orientações gerais sobre gênero e diversidade sexual, mas também estratégias de como que os profissionais – com as políticas públicas, na clínica e na vida organizacional – vão compreender a questão, como que isso aparece nas diversas frentes de atuação do trabalho da psicologia”, ressalta. LGBTfobia subnotifica dados sobre orientação sexual, aponta pesquisadora De acordo com o IBGE, 42,7 mil adultos se declararam homossexuais ou bissexuais no Espírito Santo https://www.seculodiario.com.br/direitos/lgbtfobia-inibe-discussoes-sobre-orientacao-sexual-aponta-pesquisadora Os desafios enfrentados por pessoas trans ao procurar por atendimento psicológico Profissional capixaba diz que pacientes ainda chegam ao consultório relatando casos de transfobia https://www.seculodiario.com.br/direitos/os-desafios-enfrentados-por-pessoas-trans-ao-procurar-por-atendimento-psicologico