Saiba como é o percurso no morro de Vitória que passa a abrigar experiência diferenciada de turismo comunitário Praça Jair de Andrade. Ou Praça do São Benedito, como é mais conhecida, em referência ao bairro em que se localiza, em Vitória. Ali é o ponto final do ônibus 031 e também de encontro de pessoas, jovens a idosos, em torno de alguns comércios e residências. Embora pequena, a praça guarda muitas memórias, seja na arquitetura que permanece, nas pessoas que ali vivem ou nas histórias passados por aqueles que já se foram dessa vida, mas passaram adiante o conhecimento sobre esse local. Nesse marco zero do bairro, antes feito de mato e barro e hoje urbanizado, é que se inicia a Rota do São Benedito, projeto realizado pelo Ateliê de Ideias com o movimento comunitário local e recursos de um edital do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) municipal. É uma aposta no turismo comunitário e de experiência, não só para gerar renda para a comunidade, como desfazer estigmas que pairam sobre o chamado Território do Bem, conjunto de nove bairros que reúnem mais de 30 mil moradores na capital capixaba. Placa instalada na pequena praça marca ponto de partida do tour. Foto: Thais Gobbo “A gente quer mostrar para a sociedade que aqui dentro tem potência. Geralmente a mídia mostra só a parte ruim, não vem ver com os próprios olhos o que estamos fazendo. A gente quer mostrar a beleza, a culinária e comércio locais, a história do bairro, a mata atlântica que a gente preserva”, conta Valmir Dantas, líder comunitário e profundo conhecedor do São Benedito, que nos acompanha no tour. Ele recomenda vir com roupas leves, calçado adequado para fazer caminhada, protetor solar se for de dia, e ainda água e um lanchinho, que podem também ser comprados no comércio local, caso o visitante queira ajudar a fortalecê-lo. O passeio pode durar entre duas e três horas e Valmir considera que a caminhada não é muito pesada, embora exija algum esforço na reta final, com uma subida mais íngreme e na terra, para acessar o farol localizado no topo do morro de São Benedito, a cereja do bolo da rota, com umas vista única de 360 graus da ilha e continente de Vitória. Farol marítimo ainda em funcionamento, é considerado o mais alto do Brasil, com 208 metros de altitude, servindo para os navios e também para os aviões antes que a rota aérea do aeroporto fosse modificada. Lá de cima, a vista por si só já valeria o passeio, mas a comunidade queria mais. Do alto do São Benedito, uma vista única da cidade de Vitória. Foto: Leonardo Sá Valendo-se de um inventário feito pelos próprios habitantes por meio do Fórum de Moradores do Território do Bem, a história ganhou expressão também em alguns muros do caminho, por meio de parceria com o Cidade Quintal, projeto que já realizou pinturas e pesquisas em vários bairros da Grande Vitória. “Eles chegaram até nós com um repertório, material, cartilha, documentos, coisa muito rica. Nosso trabalho veio para pensar uma experiência que traduzisse essa pesquisa mais documental em imagem e textos numa linguagem acessível”, conta Juliana Lisboa, do Cidade Quintal. Em cada uma das oito paradas, além de uma pintura específica, há também um áudio que pode ser acessado por QR Code em celular, reunindo depoimentos de moradores sobre cada local, remetendo à oralidade tão importante na transmissão de conhecimento na comunidade. A recomendação é que o tour seja feito em companhia com guias locais, o que de forma alguma esgota a experiência. Ao contrário, diz Juliana, os áudios foram pensados para serem complementares em relação às informações dos guias, que estão sendo formados com moradores da própria região, com a intenção de constituir futuramente uma agência de turismo comunitário. Embora a Rota do São Benedito tenha sido construída com uma ordem numérica, ela pode ser feita de diversas maneiras, já que os áudios são independentes. Também pretende-se que possa se adaptar a diversos públicos, desde aventureiros a famílias, idosos e estudantes de diversas áreas, podendo ter enfoques específicos. As subidas poderão ter diferentes pacotes, incluindo por exemplo café da manhã ou a opção de horário para ver o pôr do sol ou o nascer do Astro-Rei. O projeto, que está acertando os últimos ponteiros para estrear oficialmente, divulga suas informações no site https://www.rotadosaobenedito.com.br. Uma das pinturas que fazem parte da rota. Foto: Leonardo Sá Entre as experiências registradas nos muros e áudios, estão de personalidades vivas como Maria Sururu, uma moradora que é catadora de sururu há décadas, se sustentando da venda do marisco comum no litoral capixaba; o de dona Nailma, uma das primeiras moradoras quilombolas vindas do norte do Estado a se instalar no São Benedito, após a expulsão de várias famílias que vivam no território de Sapê do Norte diante da implantação de monocultivos de eucalipto para a instalação da indústria de celulose. Para fazer a pintura que a representa, como moradora que ajudou a acolher muitos migrantes quilombolas, foi convidado Thiago Balbino, artista cujas raízes familiares vêm dos quilombos do Sapê do Norte. Com sorte, dá pra encontrar algumas das personagens que dão depoimentos nos áudios, como o próprio Valmir e seu Maurílio, um dos primeiros moradores, que nos conta sobre o processo de chegada e ocupação do local a partir da década de 1950. Seu Otto Rodrigues é outro personagem que geralmente pode ser encontrado no caminho, com a marcenaria onde produz banquinhos e utensílios de madeira, além de estar sempre disposto a uma boa prosa para contar um pouco sobre sua trajetória de mais de nove décadas de vida. Outros personagens dessa história não estão mais entre nós, como seu Manoel, dono de um antigo bar, hoje mercearia, cujas paredes ganharam sua imagem junto ao número 220. Isso porque ali era o primeiro local a ter endereço registrado no morro, com aquele número, para onde todos moradores destinavam suas correspondências, que eram guardadas ali no bar e buscada por eles. Até hoje é assim, conta Cauã Moura, neto de Seu Manoel,
Campanha antipetroleira cobra posicionamento da Holanda sobre Porto Central
Comunidades e ativistas pedem reunião com Roland Martin, cônsul-geral dos Países Baixos no Rio de Janeiro Redes sociais Um alerta para o consulado, o governo e a sociedade civil holandesa a respeito da grave ameaça aos direitos humanos e à natureza representada pela construção do Porto Central, megaempreendimento petroportuário projetado para o município de Presidente Kennedy, no sul do Estado, divisa com o Rio de Janeiro. Essa é a síntese de uma carta, com pedido de reunião urgente, enviada na última quinta-feira (19) ao cônsul-geral dos Países Baixos no Rio de Janeiro, Roland Martin, por cerca de trinta organizações da sociedade civil capixabas, fluminenses e holandesas, mobilizadas pela Campanha Antipetroleira Nem Um Poço a Mais! (veja lista abaixo) “Como deve ser de conhecimento do consulado, empresas holandesas estão diretamente envolvidas nos projetos de expansão da indústria do petróleo e gás e em sua infraestrutura, no mar e ao longo da costa atlântica. Seus investidores, consultores, prestadores de serviços e tecnologia petroleira para a exploração fóssil não são bem-vindos”, aduzem as entidades. A carta elenca alguns dos principais temas que devem nortear a conversa com Roland Martin, com destaque para a pesca artesanal, comunidades quilombolas, patrimônio histórico e natural. A Campanha informa que, entre o município de Marataízes, no sul do Estado, e o norte do Rio de Janeiro, cerca de 400 famílias vivem da pesca artesanal, trabalhando e protegendo o mar, os rios e as áreas alagadas. “Vão realmente destruir os berçários, interditar os acessos e impossibilitar a reprodução dos modos de vida da região?”, questiona. Sobre as comunidades quilombolas da região, uma indagação primordial é o cumprimento das determinações previstas na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que devem ser cumpridas no licenciamento ambiental de atividades de alto impacto que ocorram ou tenham influência sobre territórios de povos tradicionais, mas que são repetidamente desrespeitadas no país e no mundo. A segurança física da população desses municípios, especialmente do gênero feminino, também tem relevo na carta. “Como vão garantir a segurança da população em geral, das mulheres e meninas, das mulheres negras, pescadoras, artesãs, diante da chegada de dois mil homens jovens, de outras regiões, trabalhadores precarizados para as obras de construção?”, perguntam as entidades, com base em um lamentável histórico de violências contra esses grupos, já registrados. No Espírito Santo, Barra do Riacho, em Aracruz, e Povoação, em Linhares, norte do Estado, ainda expõem cicatrizes dessas violações. Há ainda a Igreja de Nossa Senhora das Neves, um patrimônio histórico, e sua tradicional Romaria das Neves, a segunda maior mobilização religiosa do Estado, gravemente ameaçados pelas obras do Porto Central. E, claro, a biodiversidade local, especialmente a Mata Atlântica – está prevista a destruição de 1,1 mil hectares de matas, restingas e alagados – a e biodiversidade marinha. “Repetirão, no Sul do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro, os danos que causaram no porto de Suape (PE), no porto do Açu (RJ) na vida marinha e na sociedade da região?”, indaga a Campanha Antipetroleira. A região é uma das mais biodiversas em todo o Atlântico sul. Essas e outras perguntas já foram enviadas por duas vezes à representação do governo holandês no Brasil, em agosto e novembro passado, ao cônsul honorário, Andreas Schilte, que acusou recebimento, mas não respondeu. A urgência cresce, argumentam as entidades. “O Porto Central não pode ser construído! Ameaça direitos humanos, põe em risco a natureza. Sob um governo fascista e racista como o de Bolsonaro, o Porto Central não dá garantias e salvaguardas concretas para questões fundamentais, mal definidas e pouco observadas nas condicionantes do licenciamento. Afinal, que tipo de desenvolvimento está sendo proposto? Para quê e para quem? Que órgãos de governo e quais empresas holandesas estão envolvidas na exploração petroleira e em sua infraestrutura, na bacia do Espírito Santo e na bacia de Campos?”, perguntam. Entidades antipetroleiras Assinam a carta: Federação das Associações de Pescadores Profissionais, Artesanais e Aquicultores do Espírito Santo (Fapaes); Articulação Nacional de Pescadoras (ANP); Baia Viva, Colônia de Pescadores e Aquicultores Z14 (Presidente Kennedy-ES); Federação das Colônias e Associações de Pescadores do Estado do Espirito Santo (Fecopes); Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negra Rurais Quilombolas (Conaq); Coordenação Estadual de Quilombos do Espirito Santo (Coeq); Associação de Moradores Quilombolas de Boa Esperança e Cacimbinha – Presidente Kennedy-ES (AMQBC); Associação de Artesãs da Praia de Maroba – Presidente Kennedy-ES (Marobart); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Fórum Estadual de Mulheres do Espírito Santo (Fomes); Coletivo FEPNES; Centro de Defesa dos Direitos Humanos Regional Sul – Pedro Reis – Cachoeiro de Itapemirim/ES (CDDH); Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase/ES); Instituto Visão Social; Imane-C Pela Paz; Instituto Federal Fluminense (IFF ) Campus Bom Jesus do Itabapoana; Movimento Baía Viva – Rio de Janeiro/RJ; Fórum Suape – Pernambuco; Both ENDS – Holanda; Millieudefensie – Holanda; Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH –ES); Associação dos Cultivadores de Algas da Orla de Aracruz-ES (ACAOA); Associação dos Pescadores Artesanais de Porto de Santana e Adjacências-ES (APAPS); Reflorestamento e Ecodesenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana (REDI); Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP-ES); Articulação das Pastorais da Ecologia Integral do Brasil; Campanha Nem Um Poço a Mais. Espírito Santo: um porto a cada 15 km de litoral? – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/espirito-santo-um-porto-a-cada-15-km-de-litoral
‘Comunidade de Santa Maria de Jetibá não aceita desrespeito’, afirma professor
Escolas do município receberam resposta em vídeo de Vitor de Angelo sobre municipalização proposta pelo TCE Reprodução Às vésperas da sessão na Câmara de Santa Maria de Jetibá, região serrana do Estado, onde a população espera receber informações objetivas sobre o processo de municipalização de escolas indicado no Termo de Ajuste de Gestão (TAG) proposto pelo Tribunal de Contas (TCE-ES), o gestor da Secretaria de Estado de Educação (Sedu), Vitor de Angelo, enviou um vídeo de sete minutos para a comunidade escolar local, a fim de dirimir o que chamou de “falsas polêmicas”. “A comunidade de Santa Maria de Jetibá não aceita nada imposto, com desrespeito. Esse vídeo do Vitor de Angelo é uma resposta a uma demanda da comunidade. Não houve debate público. Esse processo tem que se tornar transparente”, aduz Swami Cordeiro Bérgamo, professor da rede estadual e membro do Coletivo Resistência e Luta Educação. Na mensagem, Vitor de Angelo inicia dizendo que “o TAG está sendo discutido, isso é verdade, mas ele não foi finalizado, não foi assinado. O TAG formalmente não existe”. Diz também que “o reordenamento das redes [estadual e municipais]” e “a transferência das matrículas do Ensino Fundamental 1 do Estado para os municípios”, previsto no acordo em curso, é uma proposta “liderada pelo Tribunal de Contas do Estado, especificamente na pessoa do conselheiro Rodrigo Coelho”, quem, acentua, “falou com muita gente”. “É um debate amplo, público, de conhecimento de todos, sem que qualquer decisão tenha sido tomada”, reforça. A motivação para a gravação do vídeo, explicou o secretário, foi um pedido feito pelo deputado estadual Adilson Espindula (PDT), que é de Santa Maria de Jetibá e “está muito preocupado com esses ruídos que ele tem escutado e que têm chegado até mim a respeito da cessão da escola Hermann Berger”. A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Prof. Hermann Berger é uma das maiores do município e está localizada em São Sebastião de Belém, bairro próximo à sede da cidade. O pedido de cessão da unidade, do Estado para a Prefeitura teria sido feito em função do TAG. Mas, segundo Vitor de Angelo, trata-se de boato. “Se e quando o TAG for assinado, e nos termos que ele eventualmente vier a ter, o município, que vai receber as matrículas, terá que cumprir as condicionantes colocadas no Termo de Ajuste de Gestão. Por isso é natural que os municípios venham a fazer alguns pedidos ao Estado, para reforma ou construir alguma escola”, argumentou. No entanto, o pedido “é especulação” e “quando e se ele for feito, não significa que o Estado atenderá ou poderá mesmo atender integralmente a este pedido. No caso da Hermann Berger, jamais a gente faria isso sem dialogar com a comunidade”, garantiu. Swami pontua que a mensagem do gestor da Sedu surgiu somente porque a população se mobilizou. A comunidade de São Sebastião de Belém, especificamente, onde a Hermann Berger está localizada, foi quem lotou o plenário da Câmara na última segunda-feira (16), quando a vereadora Ivone Schliwe (PDT) pautou o assunto e convidou o secretário municipal de Educação, Enoc Joaquim Silva, para prestar os esclarecimentos solicitados. Ao invés de atender ao pleito, no entanto, o gestor municipal enviou uma carta negando qualquer tratativa de municipalização, levando os vereadores a aprovarem sua convocação para a próxima segunda-feira. Swami relata que há rumores sobre municipalização de outras duas EEEFMs, a São Luís, localizada na comunidade homônima, e a Graça Aranha, no centro da cidade. “Quando essas comunidades tomarem ciência, irão reagir também. A comunidade pomerana tem tradição de valorizar a educação e participar da vida escolar. Antes do Estado chegar, foi a própria comunidade quem viabilizou a educação, na cidade e nos distritos rurais. O sentimento de pertencimento é muito forte. Temos tradição de luta”. A falta de transparência no processo, sublinha o professor, tem gerado muita “angústia entre os professores e as famílias”, pois sabe-se que “vai mexer com a vida de toda a comunidade escolar e do município”. A Graça Aranha, por exemplo, tem 1,7 mil alunos desde o Fundamental 1 até o ensino técnico. Municipalizada, vai obrigar muitas famílias a colocarem os filhos no transporte escolar, subtraindo-lhes mais tempo de convivência, devido ao deslocamento para outra escola. “Vai reduzir o tempo da criança com a família e piorar muito o trânsito na cidade, que já é ruim. Imagina no interior! Pode acarretar também nucleação e fechamento de escolas”, alerta, com base em processos ocorridos em anos anteriores em Santa Maria e outros municípios capixabas, onde interferências autoritárias de gestores levaram a municipalizações com consequentes nucleações e fechamentos de escolas, especialmente as do campo. Santa Maria sofreu menos com esses processos, ressalta, devido exatamente à grande capacidade de mobilização da população. “Tem muitas escolas no interior! Eram 52, hoje são 46. Historicamente, desde que Santa Maria se emancipou, o debate da municipalização nunca foi aceito pela população, o que levou a gestão do município a ampliar a rede de atendimento. Porque a nucleação e fechamento de escolas demanda maior logística de estradas, de transporte. São comunidades isoladas, de difícil acesso. O que precisa é levar a escola até a comunidade, reduzir o deslocamento das famílias, visando o bem-estar da comunidade e o direito à Educação”, explana. O debate sobre uma reorganização das redes de ensino, acentua, “deve ser ampliado gradativamente, de acordo com as necessidades das comunidades, não fechando ou municipalizando escolas”. Da forma como está sendo levado, “esse processo todo tem que ser parado imediatamente. Não pode ser para 2023. E tem que ser transparente”. No momento em que “nem a Comissão de Educação da Câmara sabe o que está acontecendo”, é sinal de que a transparência não está acontecendo, reafirma. Citando posicionamento do deputado Sergio Majeski (PSDB), também filho de Santa Maria de Jetibá, que criticou a atuação do Tribunal de Contas, não só em relação ao TAG, mas em ter “dado aval para o Estado desviar R$ 6 bilhões da Educação em dez anos”, e com a Nota de Repúdio publicada pelo Comitê de Educação do
Um passeio pela Capital da Diversidade Folclórica do Espírito Santo
Na coluna: Pocar Festival mostra a beleza e resistência de um dos berços da cultura negra capixaba Em virtude do Pocar Festival de Cultura, realizado em Conceição da Barra, norte do Estado, a coluna CulturArte vem em edição especial, extratemporânea e ampliada, repercutindo alguns dos acontecimentos e seus desdobramentos num dos berços da riqueza cultural do Espírito Santo. Exposição fotográfica registra relíquias culturais Vitor Taveira Depois da abertura com um cortejo de grupos de jongo e de música, aconteceu a inauguração da exposição fotográfica “Rogério Medeiros: um olhar sobre o Sapê do Norte”, uma preciosidade montada especialmente para o evento na galeria da Casa da Barra, um espaço cultural independente. A curadoria usou como base um texto do grande pesquisador e folclorista barrense Hermógenes Lima da Fonseca sobre a obra do fotógrafo, no qual destaca diversas personalidades, sobretudo mestres da cultura popular da região. Foram buscadas no arquivo do fotógrafo imagens mencionadas no texto do pesquisador. São relíquias com registros de décadas atrás de muitos mestres que já não estão em vida e deixaram um imenso legado e poucas fotografias, registradas principalmente por Rogério. Entre eles Chico D`anta da Viola, Pedro de Aurora, Zoroasto Valeriano, Terto, Couxi, Ascendino, entre outros. O próprio retrato mais famoso de Hermógenes (ao lado), também figura na exposição, assim como registros dos últimos dias da antiga vila de Itaúnas antes de ser soterrada pelas dunas de areia. Casa da Cultura interditada O que sempre dá tristeza de ver é a Casa da Cultura Hermógenes da Fonseca, um belo casarão à margem da foz do Rio Cricaré, próxima ao trapiche, fechado. Podia ser um centro de irradiação da imensa riqueza de Conceição da Barra, que ganhou o título de Capital da Diversidade Folclórica, título que honra e se justifica pela presença de vários grupos de diferentes manifestações da cultura popular, como jongo, reis de bois, ticumbi, pastorinhas, alardo, capoeira, entre outros, que tiveram em Hermógenes um profundo conhecedor, atento pesquisador e apaixonado defensor. No ano passado, um decreto municipal oficializou a interdição do espaço, apontando as obras necessárias para sua recuperação. Esperamos que mais cedo do que tarde possam vir boas notícias sobre a restauração e reabertura do imóvel. Vitor Taveira Pocar comemora tombamento da praça Vitor Taveira Por outro lado, a Praça da Matriz, está linda, embora a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição mereça uma nova pintura que dê nova vivacidade a esse patrimônio. O Pocar surgiu justamente da comemoração ao tombamento da praça, depois de um plano de transformá-la em estacionamento. O patrimônio foi defendido, mantido e revitalizado. Isso estimulou também o comércio a valorizar as construções e fachadas históricas, como as que abrigam a Tapiocaria Quilombola e a Galeria Cores & Sabores, que reúne duas casas integradas internamente com diversos empreendimentos: restaurante, cafeteria, cervejaria, sorveteria e também exposição de quadros e artes, em plano coração da cidade, em frente à lateral da igreja. Graffiti segura muro e guarda história Vitor Taveira Na mesma praça, outro aspecto interessante. A estação Conceição da Barra, empreendimento relativamente recente para abrigar um espaço gastronômico e de vivência, derrubou muros para criar um espaço aberto de convivência ao ar livre anexo à praça. Curiosamente, o projeto considerou manter uma pequena parte do muro de uma das esquinas de pé. Nele foram pintadas duas obras do projeto Cores de Reis. Uma delas, de Luhan Gaba, homenageia Zacimba Gaba, heroína da resistência quilombola do Sapê do Norte, e outra, de Thiago Balbino, ilustra o Ticumbi, manifestação folclórica única da região. Compôs bem o cenário. Memórias à venda Vitor Taveira Outro ponto alto foi a apresentação, na tradicional feira de sexta-feira, da peça Memórias à Venda, do Instituto Tambor de Raiz, estrelada por Didito Camillo e Fabíola Guimarães. A feira como local de troca de produtos e histórias é o ponto de partida do espetáculo, montado ali mesmo ao lado das barracas, contando um pouco da história dos comerciantes, dos produtos tradicionais e importantes como a farinha e as garrafadas, e de personagens históricos, especialmente os que constroem a cultura negra de resistência na região ao longo dos século. O espetáculo, riquíssimo em referências, circulou por quilombos de Norte a Sul do Estado, foi apresentado em Vitória, mas nunca tinha sido encenado em seu local de concepção original, aquele mercado. Uma forte chuva impediu que sua estreia acontecesse naquele local tão especial em 2018. De lá pra cá veio uma pandemia, manteve-se vivo o mercado e as memórias, e a peça finalmente encontrou seu lugar de origem. Sorte de quem pôde assistir. Único registro da passagem da espada Um dos momentos mais emocionantes foi a parte em que os atores encenam a passagem de um dos secretário do Ticumbi de São Benedito, seu Ascendino. Depois de perder a visão, e em seu leito de morte, ele pediu ao amigo Rogério Medeiros, vassalo do festejo, para passar a sua espada usada na encenação para o filho, Quino. O vassalo cumpriu o pedido no velório, entregando a espada, que foi passada a Quino sobre o corpo do pai que era velado dentro da Igreja, com o compromisso de continuar a tradição do festejo. Quino, que é feirante estava presente na apresentação da peça, vem cumprindo com louvor a função que foi do pai, e segue ativo na construção do Ticumbi. Filho de Rogério, o também fotógrafo Apoena Medeiros lembrou que a encenação da passagem feita na peça é o único registro daquele momento. Isso porque quem sempre registrou todos os enterros nas últimas décadas era o próprio Rogério, que, naquela ocasião, incumbido da passagem da espada, obviamente não pôde registrá-la. Vitor Taveira Ajuntamento e literatura a quilo Vitor Taveira Logo depois da peça, chamou a atenção a tradicional intervenção Literatura a Quilo, promovida desde a primeira edição do Pocar pela Editora Cousa. No meio da feira, uma banca de livros é armado e as obras são pesadas numa balança antiga e vendidos por quilo, a preços módicos e simbólicos, numa iniciativa de popularização e incentivo à leitura, especialmente de
O ano do tigre ou da tigresa
Tudo isso a gente vê na telona, com a naturalidade de quem já viu de tudo O carro parou em frente da porta. Suavemente. Faróis desligados. Espreito por trás da cortina – Morreu o motor com um zumbido doloroso. Não buzinou, nenhuma porta se abriu, o vidro de nenhuma janela deslizou de alto a baixo. Ficou lá parado – esperando. Talvez apenas terminar a música no áudio, ou a notícia no rádio – Mais uma chacina no morro do Tigre. Nenhuma novidade, ninguém se espanta mais, ninguém para ou quer ouvir os detalhes da macabra notícia. * O tigre está solto! Diziam os mais velhos quando as coisas complicavam. Já a turma do bairro chinês comemora – 2022 é o ano do tigre – bicho bravo, não queira deparar com um na esquina. O que esperar quando um animal tão nobre e feroz influencia nosso monótono dia a dia? Grandes emoções, pois tudo muda quando a fera entra em cena – paixões desenfreadas, movidas pelo impulso, aventuras levadas mais pelo coração que pela razão, disputas acirradas pelo sucesso e pelo poder, a todo custo. Escolhas feitas sem qualquer critério. A bruxa está solta. * Peraí, estamos falando de um símbolo do zodíaco ou de um novo seriado na Netflix? Pois tudo isso a gente vê na telona todo dia, com a naturalidade de quem já viu de tudo. É incrível a capacidade desse povo de inventar novas tramas e maneiras mais sutis de se safarem das piores mazelas. Peraí, estamos falando dos seriados de TV ou dos políticos? Como se acontecesse na vida de qualquer cidadão ou cidadã comum. Dessa água não bebo, não cuspa no prato que comeu, dor de barriga não acontece uma vez só. Se cuida, não é à toa que o bicho tem o pelo listrado. * Enquanto me distraio com essas elucubrações filosóficas, o carro continua parado em frente da porta – nenhuma fumaça de cigarro escapando pelas frestas invisíveis – mas que existem, ah, existem. Nenhum som do rádio ou do áudio. Nenhuma conversa ao celular – fechando um grande negócio ou encerrando uma grande paixão. Adeus, até nunca mais. Qualquer das duas opções são viáveis no ano do tigre. Tem certeza que está fazendo a coisa certa? De pensar morreu um burro, não um tigre. * O tigre é feroz mas dorme tranquilo. Me arrumo com calma, escolho os sapatos com o mesmo cuidado que escolho o prato no restaurante – Sal marinho ou do Himalaia? A soma dos detalhes forma o todo. Corro à janela, volto ao espelho. De todas as escolhas, o brinco é talvez o mais complexo. Um aparato insignificante, mas emoldura o rosto – combina com o batom ou com a roupa? A noite é uma criança. O perfume Flor de Lotus, para combinar com a data. Misterioso, provocante. * Última conferida no espelho do elevador, mais claro que os do banheiro. Volto para pegar a bolsa e trancar a porta. Volto para apagar a luz que ficou acesa. Vou – paixão desenfreada, movida pelo impulso, a razão que se dane. Aventuras levadas pela emoção, a disputa acirrada pelo domínio no relacionamento, a todo custo. Atitudes inesperadas, escolhas feitas sem critério. A tigresa ataca!
Empresa capixaba é a melhor do Brasil pelo sexto ano consecutivo
Grupo Innovar foi o vencedor da última edição do Prêmio Quality, na área de medicina e segurança do trabalho Divulgação Pelo sexto ano consecutivo, o Grupo Innovar ganhou o título de melhor empresa de medicina e segurança do trabalho do Brasil. A novidade deste ano foi o prêmio de empresário destaque para o presidente e fundador da organização capixaba, Breno Simoura Nascimento. A premiação do evento “Brazil Quality Summit 2022” foi em São Paulo, no último dia 10 de maio, com o tema “Desafios 2022: ESG – A revolução da sustentabilidade”, alinhado às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). “Como empresa, é sempre muito gratificante. A gente fica muito feliz, porque é sinal de que estamos mantendo a qualidade, mantendo o nível. E nós sabemos que isso não é fácil. A empresa chegar ao topo é muito difícil, se manter lá é mais difícil ainda”, destaca Breno. Além do prêmio, o presidente da Innovar foi um dos cinco empresários reconhecidos como empresário destaque, em uma lista de 175 empreendedores de todos os estados brasileiros. “Foi uma surpresa para mim, porque não imaginava ser um dos cinco, então fiquei muito feliz. Também é um reconhecimento de que estamos fazendo um bom trabalho à frente da empresa”, enfatiza. Esta foi mais uma conquista do Grupo Innovar em poucos meses. A empresa também fechou 2021 com o título de melhor empresa de medicina e segurança do trabalho na América Latina, sendo a campeã da categoria na premiação do Latin American Quality Institute (LAQI). O reconhecimento é fruto de muito trabalho. O Prêmio Quality reconhece organizações que contribuem para o desenvolvimento socioeconômico do País, referenciando empresas e profissionais que se destacam na qualidade dos produtos e serviços oferecidos. Com sede em Marataízes, sul do Estado, e filiais na Grande Vitória e em todas as regiões do Espírito Santo, o Grupo Innovar atende desde empresas privadas a órgãos públicos, contando com uma equipe especializada distribuída em diversas partes do País. Só no Espírito Santo, são cerca de 280 colaboradores. Para este ano, a expectativa é abrir mais uma filial no norte do Estado. “Nosso plano crescer, se desenvolver, mantendo sempre o nível de qualidade, o respeito e a fidelidade dos nossos clientes”, declara Breno Simoura Nascimento. Empresa capixaba é a melhor da América Latina em medicina e segurança do trabalho – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/empresa-capixaba-e-a-melhor-da-america-latina-no-ramo-da-medicina-e-seguranca-do-trabalho Empresa capixaba conquista reconhecimento nacional pelo quinto ano consecutivo – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/empresa-capixaba-conquista-reconhecimento-nacional-pelo-quinto-ano-consecutivo
Semana deve ser decisiva na definição de candidaturas às eleições deste ano
Contarato, Audifax e Manato tentam contornar problemas partidários que emperram o andamento da pré-campanha Leonardo Sá Apesar de ainda não ser o prazo final, a semana que começa neste domingo (22) deve ser decisiva para a definição de candidaturas na disputa às eleições de outubro, a dois meses das datas estabelecidas pela Justiça Eleitoral, que vai de 20 de julho a 5 de agosto. Nesse período devem ser realizadas as convenções partidárias para escolha dos candidatos ao governo do Estado, um senador, e deputados federal e estadual. As articulações em andamento envolvem desde cúpulas partidárias e outras lideranças até a base de legendas, cuja influência de maior peso se encontra entre os partidos de esquerda, como o Psol e o PT. As pré-candidaturas ao governo do senador Fabiano Contarato, do PT, do ex-prefeito da Serra, Audífax Barcelos, da Rede Sustentabilidade, e do ex-deputado federal Carlos Manato, do PL, dependem de decisões partidárias para prosperarem. Dos três, somente a de Audifax está garantida, do lado do seu partido. No entanto, enfrenta uma rejeição muito forte do Psol, que forma uma federação com a Rede, por força de acordos formalizados na esfera nacional, em oposição à base partidária, que se posiciona à esquerda por questões ideológicas e programáticas. Nesta semana, representantes das duas legendas sentam à mesa novamente a fim de tentar ajustar os ponteiros. No caso de Manato, a investida parte do grupo do ex-senador Magno Malta, presidente do PL no Estado, de acordo com comentários nos bastidores políticos, em articulação que envolveria apoio ao deputado Erick Musso e afetaria, também, o pré-candidato ao Senado, Sergio Meneguelli, ex-prefeito de Colatina. Fontes do partido confirmam o nome de Meneguelli, e destacam a citação de seu nome no encontro do partido, nessa quinta-feira (19), como o pré-candidato ao Senado. Em contrapartida, lideranças políticas destacam que, como seria natural, ele não fez qualquer pronunciamento, enfatizando que a “festa foi toda focada em Erick Musso e o prefeito Lorenzo Pazolini”. Já o PT, decidiu colocar na rua a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato, apesar da indefinição da executiva nacional em decorrência da aliança com o PSB, partido do governador Renato Casagrande, pré-candidato à reeleição. A partir desta semana, a militância pretende intensificar a movimentação programando visitas a comunidades, com o objetivo de massificar o nome do senador, independente do que ocorrer no âmbito nacional. As fontes destacam, porém, que essas ações não podem concorrer para prejudicar a pré-campanha do ex-presidente Lula à Presidência da República, prioritária para o partido.
Projeto autoriza novos empreendimentos em Aracruz sem consultar indígenas
Lideranças temem mais impactos para as comunidades tradicionais, vizinhas à área afetada pelas mudanças Prefeitura de Aracruz O Projeto de Lei 062/2021, que tramita na Câmara de Aracruz, norte do Estado, tem sido mais uma preocupação para as comunidades tradicionais do município. A matéria altera o Plano Diretor Municipal (PDM), atendendo aos interesses de grandes empresários, que olham com ambição para as áreas vizinhas ao Território Indígena (TI), sem incluir no processo os principais impactados pelas mudanças. “Não adianta os vereadores aprovarem, o prefeito sancionar e, depois (se não ouvirem os indígenas os pescadores, a comunidade ribeirinha) ter um grande conflito, porque não foram ouvidos”, enfatiza o cacique Toninho Tupinikim, da aldeia de Comboios. O projeto foi encaminhado pela gestão de Dr. Coutinho (Cidadania), em dezembro do ano passado. O foco é a chamada “Macrozona de Desenvolvimento Econômica e Socioambiental”, área estratégica do município, instituída pela Lei 4.317/2020, que rodeia o norte e sudoeste das terras indígenas de Aracruz. “Recebemos com muita surpresa essa inclusão de uma nova área que circunda terras indígenas, sem nos consultar. Ficamos muito assustados”, conta o vereador e ex-cacique Vilson Jaguareté (PT). A área fica às margens das principais rodovias que cortam Aracruz. Com o novo projeto, seria permitida a instalação de indústrias de médio e grande porte e loteamentos empresariais no perímetro, bem como o incentivo a atividades de escoamento de mercadorias para a zona de exportação. O estopim alegado para as mudanças foi a integração de Aracruz à área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no ano passado. O município afirmou que estava “preocupado em organizar o território municipal para adequar os novos empreendimentos à infraestrutura existente”, como diz o projeto de lei. A ideia era colocar a matéria em votação na semana passada, apenas com o parecer da Comissão de Constituição, Legislação, Justiça e Redação, sem passar pelos demais colegiados temáticos da Câmara, nem consultar as comunidades indígenas, direito que é garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A pressa é para atender empresários que estão batendo na porta da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O próprio projeto admite que as alterações atendem a demandas “de empresários que têm demonstrado interesse de instalar-se em nossa região devido à vocação para atração de novos investimentos e a logística favorecida pela aproximação portuária existente em nosso município”. O texto enviado pelo Executivo Municipal também não conta com nenhum instrumento de controle dos impactos ambientais dessas mudanças para os povos indígenas. Um desses instrumentos é o Estudo de Componente Indígena (ECI), etapa de licenciamento que tem o objetivo de resguardar os direitos dos povos tradicionais. Na última semana, representantes de comunidades indígenas estiveram na Câmara de Aracruz e, juntamente com o vereador Vilson Jaguareté, apontaram os problemas, destacando, ainda, a falta de consulta a órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Um encaminhamento apresentado por Vilson Jaguareté garantiu que a matéria passasse, pelo menos, pelas demais comissões da Casa de Leis. Até essa quinta-feira (19), o projeto estava na Comissão de Finanças e vai passar também pela Comissão Permanente de Defesa do Cidadão e Honrarias, da qual Vilson faz parte. Para ele, uma das principais medidas que precisam ser garantidas é a consulta aos povos indígenas. “Não só para ouvir, mas também para dar ciência a essas lideranças e comunidades sobre essa alteração”, aponta o vereador. Vilson, que é autor de um projeto de Política Indigenista que tramita na Câmara, se preocupa com a preservação dos direitos das comunidades que lutaram intensamente pelo seu território. “Sabemos da importância do desenvolvimento econômico para nosso município, mas pretendemos auxiliar na compatibilização desse desenvolvimento com a manutenção do nosso território, cultura e meio ambiente”, disse o vereador. Tonico Área cobiçada As mudanças na ocupação da Macrozona de Desenvolvimento Econômica e Socioambiental mostram a pressão do empresariado, que visa os últimos pedaços de terra disponíveis em Aracruz. Cacique Toninho Tupinikim se preocupa, principalmente, com o impacto no Rio Comboios, após a instalação dos empreendimentos nas proximidades de outros rios da região. “No projeto, eles falam do Rio Riacho, mas esse rio deságua no Rio Comboios. Tudo o que fizerem lá, se tiver empreendimento poluidor ou não, vai impactar o rio aqui”, aponta. A liderança indígena conta que está acostumada a ver a visita de grandes empresários nos territórios indígenas, que são cobiçados por ocuparem uma área próxima ao litoral, e teme os impactos. “Pode ser que não impacte amanhã, mas daqui a dez, 15 anos, pode trazer um grande transtorno para a nossa comunidade, principalmente para a nossa cultura”, enfatiza. Com 48 anos, o cacique, que acompanhou as intensas lutas indígenas pela demarcação de terras com a Aracruz Celulose e a Fibria [atual Suzano], defende o direito de participação das comunidades nas decisões que são tomadas no município. “Nós não somos contra o progresso, mas tem que conversar, porque tudo o que se faz no território vizinho tem impacto direto e indireto nas comunidades indígenas (…) Não se pode fazer nada sem levar em consideração a consulta prévia, ouvir as lideranças, a comunidade, fazer assembleia para discutir os pontos positivos e negativos”, reitera.
Cejuve elabora propostas de políticas públicas para candidatos
Documento, chamado Pacto pelas Juventudes, será entregue a candidatos das majoritárias e proporcionais O Conselho Estadual das Juventudes (Cejuve) já está com foco nas Eleições 2022. O colegiado dará início à elaboração do texto-base do Pacto pelas Juventudes, um conjunto de propostas com foco no público jovem que será entregue para os candidatos das disputas deste ano. Haverá medidas destinadas aos candidatos ao governo do Estado, ao Senado, à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. O Pacto pelas Juventudes é uma iniciativa já executada pelo Conselho em outras pleitos eleitorais. A ideia é que, ao receber o documento, os candidatos o assinem como forma de assumir o compromisso de colocar em prática políticas públicas voltadas para as juventudes. “Este ano é estratégico e essa é uma maneira de nos organizarmos e debater nossas necessidades. Estamos criando propostas de diversos eixos, como saúde, educação e igualdade racial, contemplando as especificidades”, diz a vice-presidente do Conselho, Fabrícia Goetsh Barbosa, representante do poder público. O presidente do Cejuve e representante do Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) no colegiado, Ramon Matheus, informa que após a elaboração do texto-base, serão realizadas plenárias regionais para apreciação do documento. Ele afirma que na última reunião do Cejuve, em 2 de maio, foi discutida a necessidade de fazer o acompanhamento da implementação das políticas públicas reivindicadas nos processos eleitorais anteriores, mas que, observando o documento de 2018, percebe-se que houve alguns avanços. Alguns deles são a concretização do Plano Estadual de Políticas para as Juventudes, do Fundo Estadual de Juventudes e dos Centros de Referência das Juventudes (CRJs) em vários municípios do Espírito Santo. O Plano foi instituído em março último e vai nortear a execução de políticas públicas nos próximos 10 anos. O documento é dividido por eixos temáticos. O Fundo busca destinar recursos financeiros especificamente para essas políticas e os CRJs estão sendo implementados em 10 municípios capixabas: Serra, Vitória, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, na Grande Vitória; Cachoeiro de Itapemirim, no sul; e São Mateus, Colatina, Aracruz e Linhares, no norte e noroeste. Em relação ao documento da eleição municipal de 2020, Ramon afirma que também será analisado para contatar os prefeitos das 10 cidades nas quais estão sendo implementados CRJs, uma vez que elas receberão recursos financeiros, o que contribui para a aplicação das políticas públicas previstas no documento. O diálogo, destaca, vai ser feito inclusive com os gestores que não assinaram o Pacto, caso haja algum. Propostas O documento elaborado para os candidatos em 2020 apresentou 10 eixos: Cidadania, Participação Social, Política e Representação Juvenil; Educação; Diversidade e Igualdade; Saúde; Cultura; Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão; Desporto e Lazer; Território e Mobilidade; Sustentabilidade e Meio Ambiente; e Segurança Pública e Acesso à Justiça e Paz. Entre as propostas destinadas para o executivo, foram listadas: ampliação e capacitação dos profissionais de saúde para o tratamento adequado à juventude urbana e camponesa, bem como, mulheres e a população LGBTQIA+, indígenas, juventude negra, ribeirinha, comunidades tradicionais em geral incluindo acompanhamento psicológico; estímulo à produção cultural e aos artistas locais com abertura de editais, com transparência nos resultados, que promovam shows e atrações culturais em bairros periféricos; favorecer a criação, a recuperação e a modernização de espaços de desenvolvimento educativo e de garantia do direito a cidade e ao lazer das juventudes, tais como, praças e parques; e compromisso com o não aumento das tarifas de transporte público até o final do mandato. Já para o legislativo, projetos com foco na participação social, em especial do público jovem de 15 a 29 anos, propondo participação direta em estudos de impacto, legislação e áreas afins dos projetos a serem apresentados futuramente na Câmara Municipal; criação do Sistema Municipal de Cultura, que consiste na criação do Plano Municipal de Cultura, do Conselho Municipal de Cultura, com representantes eleitos nos bairros e movimentos de cultura, com caráter consultivo e Fundo Municipal de Cultura; e democratização do acesso à internet.
Cidade Quintal cria Laboratório de Reciclagem de Plástico
Juliana Lisboa destaca que descarte inapropriado gera problemas para os centros urbanos e oceanos O Cidade Quintal, que desenvolve projetos de urbanismo participativo voltados para o fortalecimento das comunidades, está com uma novidade: o Laboratório de Reciclagem de Plástico. A iniciativa foi colocada em prática com a construção de um banco feito com tampinhas de garrafa pet, instalado no mirante que fica no ponto final da Rota de Turismo de São Benedito, no Território do Bem, criada pelo Ateliê de Ideias. A designer e integrante do Cidade Quintal, Juliana Lisboa, relata que o grupo já vinha debatendo há algum tempo a necessidade de reutilização do plástico. “É um problema gigantesco. Precisamos pensar nisso principalmente por morarmos em uma cidade rodeada por água, como Vitória. O descarte inapropriado do plástico gera problemas para os centros urbanos e os oceanos”, destaca. Thais Gobbo Para a produção do banco no mirante, onde se pode apreciar uma vista da Grande Vitória, foi feita mobilização da comunidade, que em um mês, coletou 21 quilos de tampinhas, depositadas em pontos de coleta que foram espalhados pelo bairro. No laboratório, foi feita modelagem e derretimento do plástico, para transformar nas ripas para fazer o banco. A reciclagem do plástico, segundo Juliana, é uma emergência global, que se fortaleceu durante a pandemia da Covid-19, pois intensificou-se o debate sobre necessidade de preservação ambiental para a qualidade de vida da humanidade. “O problema do plástico não é da ilha de Vitória, não é de São Benedito, é mundial”, afirma, destacando que o Cidade Quintal está em processo de adesão a novos projetos nos quais a reciclagem de plástico também terá seu lugar. Jamile Marriel O laboratório conta com equipamentos como forno, para derreter o plástico; objetos de marcenaria; e de ateliê, como pincéis. A própria equipe do Cidade Quintal, formada por profissionais das áreas de design, artes, arquitetura e comunicação, fazem o processo de reciclagem. Para isso, conheceram experiências de outros laboratórios, como os situados em Santa Catarina, no Sul do País, e Pernambuco, no Nordeste. Antes do Laboratório o Cidade Quintal já tinha realizado experiência de reciclagem, como o Re-Lata, uma ação continuada criada para ressignificar o resíduo sólido gerado em pinturas murais realizadas pela Cidade Quintal. A partir dela o grupo abre diálogo com o público sobre processos de produção circulares e sustentáveis na cidade e possibilita que o mesmo leve para casa uma parte do trabalho de arte-mural realizado. Após cada operação de pintura, 100% das latas utilizadas retornam para serem higienizadas e ilustradas pela equipe da Cidade Quintal. É selada uma parceria com coletivo ou organização vinculada ao território que recebeu a pintura para a destinação das vendas das latas, em apoio a necessidades emergentes. O início da distribuição das latas se dá no dia e horário de um bate-papo sobre sustentabilidade urbana, que também contextualiza o trabalho realizado no território e a destinação das vendas. Desde 2019, o Cidade Quintal não descartou nenhuma lata. Até o momento, foram realizadas oito edições do Re-Lata, com a ressignificação de 500 latas.