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Servidores públicos abrem debate sobre Lei Orçamentária de 2023

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Presidente do Sindilegis afirma que projeto sobre política salarial envolve o futuro do funcionalismo do Estado Para iniciar o debate de questões relacionadas a despesas com pessoal e encargos sociais, o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas (Sindilegis-ES) realiza, nesta terça-feira (10), reunião com as diversas categorias profissionais para apresentar o Projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023. A iniciativa ocorre uma semana depois do envio pelo governo do Estado, no dia 4, do projeto para ser apreciado no legislativo. Os servidores não filiados ao sindicato também têm sido convidados para a reunião, que será realizada a partir das 13h, no auditório 2 da Assembleia, e, segundo o presidente da entidade, Leandro Machado, será um “debate que envolve o nosso futuro”. O Sindilegis é a primeira entidade a se manifestar sobre o tema, por envolver questões de política salarial, motivo de cobrança de setores do funcionalismo público, mobilizados por acertos nos índices aplicados, tendo por base a inflação. O governo deu um reajuste salarial de forma linear de 6%, em fevereiro deste ano, provocando reações negativas de várias categorias. O projeto inclui as despesas com pessoal, dívida pública, alterações na legislação tributária e da política de aplicação dos recursos do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). Constam ainda anexos de metas e riscos fiscais. A LDO estabelece, além da política com pessoal, as diretrizes para a elaboração da lei orçamentária referente ao exercício financeiro de 2023, em cumprimento das disposições do art. 150 § 2° da Constituição Estadual e do art. 4° da Lei Complementar Federal N° 101. Com a Lei de Diretrizes Orçamentarias para 2023 – (PLDO 2023), inicia-se o “processo de planejamento para o próximo exercício, institucionalizado pelos instrumentos legais, em consonância com o estratégico do governo”. Na mensagem encaminhada à Assembleia, o governo explica que o Projeto de Lei “dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da lei orçamentária referente ao exercício financeiro de 2023 (…). Foi elaborado em cumprimento as disposições do art. 150 § 2°, da Constitui9ao Estadual, e do art. 4° da Lei Complementar Federal N° 101”. A matéria compreende aspectos como metas e prioridades da administração pública estadual; a estrutura e organização dos orçamentos; as diretrizes para a elaboração e execução dos orçamentos do Estado e suas alterações; as disposições relativas à dívida pública estadual e às despesas do Estado com pessoal e encargos sociais; e alterações na legislação tributária e na política de aplicação dos recursos Bandes. 

09/05/2022 / 0 Comments
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Repactuação deve garantir vida digna aos atingidos, diz conselheiro do CNJ

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Organizações de atingidos rejeitam intenção do governo federal de usar recursos em obras na BR-262 Como devem ser geridos os recursos que serão pagos pela Samarco, Vale e BHP Billiton, após o processo de repactuação conduzido há um ano pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)? Quais ações e obras devem ser financiadas com a verba destinada a reparar e compensar os danos ambientais e socioeconômicos provocados pelo rompimento de Fundão, em 2015? O que já se sabe é que uma parte irá para o caixa da União, uma outra será dividida entre os governos do Espírito Santo e Minas Gerais.  Qual vai ser a participação direta dos atingidos na definição da forma de aplicação dos recursos? Para conhecer as principais demandas das comunidades atingidas, o conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello visitou áreas impactadas pela lama de rejeitos ao longo do leito e da Foz do Rio Doce e também na Terra Indígena Comboios, em Aracruz, norte do Estado, durante a última semana de abril. Luiz Silveira/CNJ Ele representa o CNJ no esforço de repactuação, que envolve também os governos, as empresas responsáveis pelo crime e os órgãos de Justiça que representam os atingidos, os Ministérios e Defensorias Públicas da União e do Estados.  “A cada enchente que acontece, as comunidades sofrem novos prejuízos, e é importante que essa repactuação traga novo alento, permita que as pessoas virem a página para iniciar um novo capítulo em suas vidas. A degradação do rio está dada. O que temos de fazer agora é achar uma forma de conviver com isso e que as pessoas tenham uma forma de vida digna”. Durante os dias de visita ao Estado, Luiz Bandeira ouviu diversos relatos “emocionantes”, segundo apontou, e pôde ver de perto a condição da água, do rio e do solo impactado. Luiz Silveira/CNJ Do presidente da Associação de Pescadores de Regência, Leoni Carlos, a comitiva do CNJ e órgãos de Justiça ouviiram que a entidade tinha um convênio com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que comprava a produção dos pescadores e a distribuía a entidades assistenciais da região para abastecer a merenda escolar das escolas locais. “Depois que a lama veio, acabou tudo. É a maior decepção da minha vida. Criei meus nove filhos pescando – rio e mar – e o que eu posso dar a eles é o estudo. Hoje eu não tenho o [benefício do] meu cartão, cortaram meu lucro cessante [compensação pela média da produção anual]. O barco estragou”, afirmou Carlos. Com a embarcação abandonada, o casco de madeira foi consumido por um molusco do mangue chamado busano. Na Terra Indígena Comboios, a médica que atende o posto de saúde, Aline Miranda, confirmou inúmeros casos de doenças de pele e de diarreia na comunidade, que não é banhada diretamente pelo Rio Doce, mas sofre influência dos 44,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos vazados desde a Barragem de Fundão. Segundo ela, mesmo com as crianças proibidas de nadar no rio, uma de suas pacientes começou a sofrer com problemas de pele. O tratamento que melhorou o quadro foi parar de tomar banho com a água do poço artesiano, como sempre fazia, e passar a usar água mineral. “As pessoas não tomam água direto do rio, mas de poço artesiano. Então acredito que o poço tenha alguma contaminação. Não tenho os números à disposição, mas os índices de diarreia diminuíram bastante e as crianças tomando banho com água mineral se curaram ou melhoraram muito da alergia”, afirmou a médica. Participantes Conforme resume o próprio CNJ, seu envolvimento começou “depois do esgotamento e da insuficiência das soluções elaboradas até então para reparar natureza e vida humana do desastre”. Na primeira rodada da repactuação, em setembro de 2021, foram avaliadas as propostas apresentadas pelo atingidos durante a primeira audiência pública realizada pelo CNJ, além de ações de reparação e o aprimoramento dos programas de proteção social. Nos encontros realizados desde então, foram tratadas questões ligadas ao reflorestamento, à proteção social aos vulneráveis, à execução dos programas de reparação da região atingida, à possibilidade de reabertura da repactuação integral, aos reassentamentos da população atingida e à compensação da comunidade e meio ambiente afetadas pelo crime. Na última terça-feira (3), o conselheiro foi convidado para uma reunião para apresentação dos projetos que os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo vão submeter à seleção de propostas a serem financiadas pelo acordo da repactuação. Luiz Silveira/CNJ  BR-262 Sobre os planos de cada governo, uma das polêmicas se situa em torno da BR-262. Tanto o governo federal quanto a gestão de Renato Casagrande (PSB) já declaram interesse em usar a verba da repactuação em obras na estrada. Um dia após o esperado encontro do conselheiro do CNJ com os governos, a intenção foi novamente declarada, desta vez pelo ministro de Infraestrutura, Marcelo Sampaio, que afirmou intenção de aplicar R$ 3 bilhões na rodovia federal.  “Nossa posição é contrária ao uso desse recurso da reparação em obras de infraestrutura que estão fora da região atingida. Na verdade, somos contra a aplicação desses recursos sem diálogo com os atingidos”, afirma Heider Boza, da direção estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), uma das organizações a defender os direitos dos atingidos pelo crime.  “Nossa pauta demanda do governo a aprovação da Peab [Política Estadual de Direitos das Populações Atingidas por Barragens] e a criação do fundo social. Essas duas ações implicam em garantia de participação social para a construção das políticas públicas da reparação. Não somos contra duplicar a rodovia, nem contra obras de infraestrutura. As comunidades atingidas possuem grandes demandas de infraestrutura, mas o recurso da repactuação tem que ter como objetivo final a reparação das áreas atingidas, e a participação social nesse caso é obrigação do governo estadual”, reforçou. Luiz Silveira/CNJ Representante da Comissão de Atingidos de Regência e Entre Rios e de grupos produtivos de Regência dentro do Conselho da Foz do Rio Doce, Luciana Souza de Oliveira defende posição semelhante. “Vejo na repactuação a possibilidade de se pagar uma dívida social, ambiental, cultural e econômica, de seus anos, com todos os atingidos da

09/05/2022 / 2 Comments
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Trabalhadores iniciam acampamento em frente à Cesan nesta terça-feira

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Funcionários da Carraro, que presta serviço para a Cesan, protestam contra demissões e debatem greve Trabalhadores da Carraro Engenharia, que presta serviço para a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), deliberaram, em assembleia realizada nesta segunda-feira (9), pela realização de uma greve a partir desta sexta-feira (13), caso a empresa não reverta a demissão de 11 trabalhadores e não atenda às reivindicações já feitas há meses. Também foi deliberado o início de um acampamento em frente à sede da Cesan, em Jardim Limoeiro, na Serra, nesta terça-feira (10). Divulgação A Carraro tem 86 empregados e mantém, com a Cesan, contrato emergencial de seis meses, renovado em abril deste ano, para prestação de serviços de eletromecânica. Atende 31 municípios capixabas, entre eles, os da Grande Vitória, norte e noroeste. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo (Sindaema), Fábio Giori, relata que quando a empresa assumiu o contrato temporário pela primeira vez, em 2021, reduziu salários e benefícios e retirou o plano de saúde. Os trabalhadores reivindicam equiparação salarial com a empresa Tubomills, que também presta serviço para a Cesan, com atividades análogas às da Carraro, mas oferece uma remuneração melhor. Fábio informa que um técnico da Carraro, por exemplo, ganha cerca de R$ 2 mil, enquanto o da Tubomills recebe mais de R$ 3 mil. Além disso, reivindicam que o ticket alimentação suba de R$ 170,00 para R$ 250,00, e o ticket refeição, que é de R$ 18,00 por refeição, para R$ 25,00. Quanto ao plano de saúde, como o contrato temporário firmado entre a empresa e a Cesan é de um semestre, eles querem um auxílio saúde de R$ 400,00, já que muitos serviços dos planos de saúde têm carência de seis meses. O sindicato, desde março, vinha negociando com a Carraro, mas nessa sexta-feira (6) um trabalhador da oficina foi chamado no Departamento de Recursos Humanos e demitido. Sua demissão, informa Fábio, indignou os demais, por isso, um grupo adentrou a sala em protesto, o que os fez também perder seus empregos. Fábio relata que quando o sindicato soube da situação, compareceu ao local e recebeu da empresa a informação de que o intuito era chamar cada trabalhador, dizer que não haveria mudança no contrato de trabalho e questionar se mesmo assim eles tinham o interesse de permanecer na empresa. “Isso é uma retaliação, estão perseguindo os trabalhadores que se posicionaram querendo melhores condições de trabalho. É prática antissindical”, denuncia. O presidente do Sindaema destaca ainda que “a entidade vinha buscando pela via da negociação o equilíbrio entre a empresa e os trabalhadores, mas como a Carraro demitiu os empregados no meio da negociação, não restou alternativa, a não ser a realização da greve e o acampamento”.

09/05/2022 / 0 Comments
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Eleição, consciência e voto

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A escolha popular, seus motivos e o esclarecimento necessário Ainda traumatizado pela eleição de 2018 e, convivendo com o estrago provocado nos quatro anos com essa turma no poder, é impossível não se preocupar com a eleição de outubro. Em 2018, envolvidos com a enganação jurídico-política de um Congresso e Judiciário corrompidos – quando as verdades criadas foram prontamente apropriadas pelos setores conservadores e oportunistas da sociedade -, a população foi conduzida a um desastre social que fez o povo inimigo de si próprio, chegando a se tornar comum, em manifestações da direita conservadora e inocentes envolvidos, o grito contra as liberdades democráticas ou pelo retorno à ditadura militar e também pela extinção de instituições garantidoras da democracia. Hoje, mesmo tendo ficado claro o golpe contra a Dilma, a ilegalidade do impedimento, pela prisão ilegal, da candidatura do Lula, e a queda da qualidade de vida do brasileiro, ainda restam quase 30% do eleitorado embarcado nessa canoa furada. Alguns setores, que em 2018 foram fundamentais à eleição do atual governo, já desembarcaram. Porém, a parcela mais simplória da sociedade, subserviente às religiões fundamentalistas/mercantilistas, ainda forma sua principal base de apoio. Essas religiões se fazem “guias” do povo humilde, inclusive para o direcionamento do voto, se aproveitando para galgar o poder e as enormes vantagens econômicas que ele lhes proporciona, a exemplo do comportamento da bancada evangélica e os recentes escândalos de corrupção e favorecimento envolvendo pastores e a distribuição de verbas federais. Há também uma casta de pessoas de apoio a esse governo que antes eram “ilustres desconhecidos”, e, como “papagaios de piratas” se inseriram na cena, aproveitando a “onda” do discurso de ódio, para galgar o poder. Estes últimos, frente proximidade do final do mandato e a improvável reeleição, estão em pânico, apelando de todas as formas para se manterem em alta, no agora já bem reduzido eleitorado. Diante de tudo isso e com a proximidade da eleição, é preciso uma preocupação maior sobre a forma e as estratégias de enfrentamento e revelação das mentiras deslavadas, hoje apelidadas de fake news, que muito provavelmente deverão ser construídas e direcionadas ao e pelo grosso do eleitorado deles. É preciso educar para o reconhecimento de falácias de todos os tipos, em especial, ad hominem, apelo à autoridade, falsa causalidade, ambiguidade, inversão do ônus da prova e todas as outras possibilidades de construção de discurso enganoso. Criar instrumentos populares de confrontação de discursos, promover discussões abertas sobre candidaturas e relações de interesses maiores, como o caso da relação de uma política de armamento da população e os interesses econômicos junto à indústria bélica, além de muitas outras atitudes que retornem à população ao “Esclarecimento” do iluminismo kantiano. Abortando a necessidade de um “salvador” para sua vida. Por fim, preciso lembrar que o momento que vivemos é de uma polarização já construída, com as raízes citadas aqui, sendo necessário, portanto, um envolvimento, como diria Paulo Freire, amoroso no processo de educação a ser aplicado no contingente de enganados que ainda engrossa as fileiras desses aproveitadores da inocência/ignorância. Esse processo não tem tempo nem lugar, deve ocorrer de forma contínua e o mais espalhado possível, principalmente nas escolas, mas também no cotidiano das pessoas, em família, no lazer, etc., por aqueles que conseguem perceber o processo de indução à alienação para o cultivo da necessidade de um “salvador da pátria”. Everaldo Barreto é professor de Filosofia

09/05/2022 / 4 Comments
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Fatos

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Três fatos chamam a atenção em política, esporte e entretenimento Evidencio, neste artigo, três fatos fragmentados que chamam a atenção. Política – Já estamos na corrida eleitoral deste 2022. Até agora, a vedete foi a regularização do título eleitor, inclusive com a adesão dos jovens, que querem mudar alguma coisa, votando em massa. Depois, esse embate entre os dois pré-candidatos à Presidência da República, Lula e Bolsonaro, faz esquecer que bem ou mal temos uma terceira via que vive à margem, até por culpa nossa, da imprensa. O Adélio Bispo, o agressor de Bolsonaro, ganha perdão. Foi farsa? Esporte – Ingresso e cerveja na Copa do Mundo custarão verdadeira fortuna, como quanto custa o avião que o Real Madri se desloca. Custa acima de R$ 1 bilhão, com muito luxo. Fred, do Fluminense, vai se aposentar e Hulk, do Atlético, zangou quando disseram que ele nunca jogou na Europa em time de expressão. O jogo do ano foi Real Madrid e Manchester City. Mas o pior de tudo é o caso “volta” de Jorge Jesus ao Flamengo. Entretenimento – Só dá Anitta (com dois T’s) no show bizz nacional e internacional. Além de April Lavigne – para falar de gente de expressão -, agora Leonardo DiCaprio chega junto. De volta na TNT, a antiga série Plantão Médico (E.R.) registra novamente muita audiência, sendo reprisada agora. O astro da série era George Clooney. A novela Pantanal, em remake na Globo, não traz a mesma conotação de quando foi exibida pela antiga Manchete. Está enfadonha. PARABÓLICAS Heckel Loureiro não está mais emprestando seus talentos ao Grupo de Rádios da UVV. Por enquanto, se dedica às bikes. Zezé Di Camargo esteve em Vitória e foi entrevistado pela Penépole, da Massa FM. Ela ficou impressionada com a educação do astro. A Tropical FM andou cuidando mais amiúde no seu parque de transmissão. Trocou até de transmissor para melhorar o som e o alcance. Thiago Silvares faz, atualmente, coordenação de rádio na Gazeta. Thiago é proveniente de Nova Venécia. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Harold Melvin and Blue Notes – If don’t know me by knowhttp://www.youtube.com/watch?v=pOeDxNuLfgk MENSAGEM FINAL“Nenhum prazer dura se não for enriquecido pela variedade”. Publilius Syrus

09/05/2022 / 0 Comments
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Reitoria da Ufes é ocupada em protesto às condições do restaurante

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‘Ei, Paulo Vargas! Come no RU’, gritavam os estudantes, que, na última semana, encontraram até larvas nas refeições DCE Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) fizeram mais um ato, nesta segunda-feira (9), em protesto às condições do Restaurante Universitário (RU). Após o registro de larvas nas refeições servidas na última semana, alunos ocuparam o prédio da Reitoria, reivindicando o fim do sistema de agendamento, a redução no preço cobrado atualmente, e a melhoria da qualidade da alimentação. “Ei, Paulo Vargas! Come no RU!”, gritavam os alunos, mencionando o reitor da instituição. Os estudantes se concentraram no prédio da Reitoria, no campus Goiabeiras, em Vitória. De lá, seguiram em direção ao restaurante, com cartazes e palavras de ordem. “A qualidade da comida que recebemos é terrível, vai desde marmitas com 80% de arroz, quantidades irrisórias de proteína, até marmitas com a comida azeda e larvas. A segurança alimentar e nutricional é um direito, que está longe de ser só oferecer uma quantidade de alimento sem nem se importar com o que é e em como chega para nós. É uma questão de dignidade!”, diz nota do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (DCE/Ufes) publicada nesta segunda. O protesto também reivindicou medidas para diminuição das filas que, segundo os estudantes, se tornaram ainda maiores após o início da pandemia. Uma das sugestões é a reabertura do espaço anexo ao Restaurante Universitário de Goiabeiras, o “r.uzinho”, e a ocupação de 100% dos dois salões. Outra reivindicação é a contratação de mais funcionários para os serviços dos restaurantes universitários, bem como a realização de concursos. “É inaceitável que a gestão da Ufes receba seus discentes desta forma, após dois anos de contingências devido ao ensino remoto. É temeroso ver o risco posto à saúde de enorme número de discentes que necessitam se alimentar nos campi. É revoltante ver a precariedade do serviço público avançar a este ponto. O ataque aos serviços públicos por meio das terceirizações de vários setores da universidade escancara suas faces mais cruéis”, critica a Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), nas redes sociais. A entidade cobra providências que assegurem a permanência estudantil com segurança sanitária e nutricional. “São urgentes as apurações que levem à responsabilização de agentes públicos e privados envolvidos neste caso. Todo apoio ao corpo discente que se organiza para denunciar e lutar em defesa da educação pública. Basta de precarização dos serviços públicos!”, protestou. DCE Larvas nas refeições Na última quinta-feira (5), alunos de diversos cursos relataram a presença de larvas nas marmitas servidas no restaurante universitário, problema que também foi relatado na sexta (6). “Não sabemos se vem de alimentos que são de baixa qualidade ou se é uma questão de armazenamento, nem como tem sido o processo de preparação, o que nos deixa muito preocupados. O que significa esse aparecimento de larvas? Qual é a procedência dessa comida? Será que daqui a pouco a gente vai ter alunos passando mal com algum tipo de intoxicação?”, questionou ao Século Diário a estudante de Geografia na Ufes e integrante do movimento Disparada-ES, Beatriz Pezzin. Na ocasião, Beatriz relatou que entrou em contato com a direção de gestão do RU, que informou que passaria a demanda para a coordenação de nutrição, com o objetivo de identificar os motivos do problema. A estudante também foi informada que a empresa responsável pelo fornecimento das refeições seria notificada. Um protesto já havia sido realizado por alunos no dia 2 de maio, por conta dos problemas no RU. Na mobilização, organizada pelo movimento Disparada-ES, os alunos reivindicaram melhores condições de atendimento, o fim do agendamento e a volta do sistema self-service.  DCE Comunicado aos alunos No último sábado, (7), em um comunicado aos alunos, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci) informou que a retomada do fornecimento de refeições por meio de produção própria nos campus de Maruípe, Goiabeiras e São Mateus está prevista para acontecer no próximo dia 23. “Os fornecedores de matéria-prima e de serviços terceirizados já foram contratados. Nesta semana, começam a ser recrutadas as equipes. Em seguida, serão realizados os treinamentos e a higienização dos espaços, equipamentos e utensílios. Até o início da produção própria nos RUs de Goiabeiras e Maruípe, previsto para o dia 23 de maio, as marmitas continuarão sendo distribuídas mediante agendamento. Os estudantes de São Mateus cadastrados na Assistência Estudantil receberão auxílio-alimentação entre os dias 4 e 20 de maio”, informou, acrescentando que, no campus de Alegre, a produção própria seria retomada nesta segunda-feira (9). De acordo com a universidade, o processo de transição para essa fase foi atrasado “por dificuldades na contratação de empresas fornecedoras e prestadoras do serviço terceirizado”.  Alunos da Ufes identificam larvas na comida servida em restaurante universitário Diretório Central dos Estudantes convoca novo protesto para a próxima segunda-feira, no campus de Goiabeiras https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-tiram-fotos-de-larvas-na-comida-servida-em-restaurante-universitario Alunos da Ufes protestam contra problemas no restaurante universitário Movimento estudantil relata que sistema de agendamento de refeições tem dificultado acesso à alimentação https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-protestam-contra-problemas-no-restaurante-universitario Ufes retoma aulas presenciais sem garantir acesso pleno à alimentação Almoço e janta no Restaurante Universitário precisam ser agendados, o que tem gerado dificuldades a estudantes  https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-denunciam-burocracia-para-agendar-refeicao-em-restaurante-universitario

09/05/2022 / 0 Comments
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Moradores do Jaburu criam Circuito Verde para estimular turismo comunitário

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Com hortas comunitárias, parques e áreas de preservação, rota contará com visitas guiadas A comunidade do Jaburu, no Território do Bem, em Vitória, quer investir no turismo comunitário. Para isso, irá aproveitar duas potencialidades do bairro: as áreas verdes e o apreço dos moradores pela produção agrícola. A meta é lançar, em agosto, o Circuito Verde, que inicialmente contará com três pontos turísticos. Eles poderão ser acessados por pessoas que farão visitas guiadas, o que irá fomentar o comércio local e gerar renda para os moradores. O projeto foi idealizado pelo Grupo Nação, uma organização comunitária que atua no bairro, e pela Organização Não Governamental (ONG) Onze 8, composta por arquitetos. O grupo conseguiu patrocínio do Instituto Unimed para concretizar a primeira etapa da iniciativa, com o lançamento da rota, que inicialmente terá três pontos turísticos. Horta Canto da Pedra. Foto: Associação Onze 8 Um deles é a Horta do Amanhã, construída em um local que era um ponto de lixo. Há também a Horta do Canto da Pedra, que já existe, mas será restaurada, assim como a mini praça que fica próxima, criada pela comunidade, onde tem um painel de um artista australiano que o desenhou em 2019 em sua passagem por Vitória. Por fim, o Parque do Bem, que será restaurado e foi criado pelos moradores há 11 anos. Local onde será construída a Horta do Amanhã. Foto: Associação Onze 8 A inspiração para o projeto, afirma o presidente do Grupo Nação, Cosme Santos de Jesus, veio da criação da Rota de Turismo de São Benedito, lançada nesse sábado (7) e que conta com oito pontos turísticos que resgatam a história da comunidade e faz homenagem a alguns moradores. “A Rota de São Benedito tem uma pegada mais urbana, em Jaburu as pessoas gostam de plantar, têm a cultura do cultivo, pois gente veio do interior”, diz. Além disso, afirma Cosme, já existe uma demanda de grupos, como organizações comunitárias de outras bairros, que querem conhecer as iniciativas de horta comunitária locais para fazer o mesmo em suas regiões. Ele também acredita que a Rota de São Benedito irá fazer com que seus visitantes queiram conhecer outras localidades do Território do Bem. Assim, será possível fomentar o comércio local, inclusive a venda das hortaliças cultivadas. Parque do Bem. Foto: Associação Onze 8 O arquiteto Renan Grisoni, da ONG Onze 8, informa que em cada ponto terá placas com informações sobre o local para os visitantes. Outra ação para que o projeto possa ser executado é a realização de oficinas para criação de horta comunitária e criação e manutenção de viveiros. Esta última será ministrada também para moradores responsáveis pela horta que já existe. “Eles plantam, colhem, mas não fazem replantio por falta de mudas, por isso a ideia de construção dos viveiros”, conta-. A segunda etapa do projeto consistirá na formação de adolescentes para as visitas guiadas. A terceira, na inserção de mais três pontos na rota, o que depende de angariar patrocinadores. Os outros pontos são a Praça do Portal, o Mirante do Jaburu e uma área de preservação ambiental chamada Canto da Pedra, onde pretende-se criar uma horta comunitária.

09/05/2022 / 0 Comments
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Com apenas 26 anos, benzedeira quer estimular outros jovens à prática

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Véia do Patuá elabora “jornada para resgatar saberes ancestrais, potencializar rezas e o bendizer” Leonardo Sá Quando se pensa em benzedeiras, normalmente vem à mente a imagem de uma mulher mais velha. A dificuldade de encontrar jovens, de fato, é uma realidade, tanto que, ao procurá-las para esta matéria, Século Diário encontrou somente uma, Yasmin Ferreira, também conhecida como Véia do Patuá. Ela, não em vão, tem se empenhado em engajar a juventude nessa prática, para que a tradição permaneça firme e forte no Espírito Santo. Com 26 anos de idade, Véia do Patuá realiza grupos de meditação abertos ao público, nos quais auxilia as pessoas a buscarem “autoconhecimento, se curar”. O autoconhecimento, defende, é necessário para se tornar “ferramenta de cura para a sociedade de forma ampla, mudar a vibração de uma sociedade doente, marcada pela ansiedade, depressão e crise de pânico, necessitando do aumento do poder de cura coletivo das pessoas”.  É nesses espaços de meditação, que ela almeja encontrar jovens para participar de um grupo que pretende formar até julho, quando acontecerá “uma jornada para vivenciar o resgate dos saberes ancestrais, potencializar rezas e atividade do bendizer”, explica. Leonardo Sá Véia do Patuá detalha que benzimento “são palavras que saem da boca consagrada da benzedeira, que manipula a energia do universo, do fogo, da terra, do ar, da água; um canal, uma ponte entre o plano físico e o espiritual. É o poder da palavra que sai do coração, a chave para se comunicar com a espiritualidade, auxiliando o outro a passar pelos desafios da vida”. O grupo de meditação acontece todas segundas e quartas, às 19h, no Estúdio Corpo e Mente Sã, em Vale Encantado, Vila Velha. Véia do Patuá afirma que viu nessa atividade uma forma de manter viva a tradição do benzimento por ser um espaço que está sendo procurado por jovens, já que, principalmente a juventude, “está muito desequilibrada emocionalmente e espiritualmente”, realidade que atribui à correria e produtividade impostas pelo sistema. Ela afirma que a sociedade impõe que as pessoas vibrem “para o normal, e não para o natural”. O normal, aponta, é a competitividade, aquilo que é determinado pelo sistema; já o natural, “o sentido de comunidade, um outro ritmo de vida”.  A ideia com a meditação e, posteriormente, com os grupos a serem formados por jovens que queiram praticar o benzimento, não é criar um curso para o bendizer, e sim, “proporcionar vivência, acordar o propósito que tem no DNA das pessoas, pois todo mundo tem uma herança espiritual, muitos têm o propósito de vida de benzer, mas não têm contato com quem ensine”. Leonardo Sá Somado ao estímulo à competitividade e à produtividade, Véia do Patuá relata que a tradição do bendizer reduziu muito e não passou para a juventude devido ao preconceito, já que muitas benzedeiras foram para igrejas, tanto católicas quanto evangélicas, onde o benzimento era mal visto, não passando para frente esse saber. A jovem benzedeira é uma exceção à regra. Desde cedo teve acesso a esse tipo de conhecimento. Ela recorda que no terreiro de Umbanda que frequentava na infância, a mãe de santo era benzedeira. A jovem frequentava a casa dessa senhora, pois brincava com a neta dela. Véia do Patuá recorda que participava do terreiro desde pequena, por ter mediunidade muito forte e precisar de auxílio espiritual para equilibrá-la. “Na Umbanda se faz muito favor para os mais velhos, muitos deles me pediam para buscar ervas. Criança tem energia, é curiosa, pedir esses favores é uma forma dos mais velhos ensinarem aos pequenos”, diz, destacando que sua mãe também é umbandista, sua avó era parteira e seu avô benzedeiro. Isso mostra que a prática do bendizer, embora seja majoritariamente feminina, não é restrita às mulheres, por isso, informa a Véia do Patuá, os homens também são bem-vindos nas atividades e nos grupos de potencialização das rezas que serão formados. Ainda em relação à infância, a benzedeira rememora que buscava ervas para fazer remédios para as pessoas, o que ocupava parte do seu tempo. Foi essa ocupação que gerou o apelido de Véia do Patuá, colocado pela sua mãe. “Às vezes ela me pedia para ir à padaria, por exemplo, e eu dizia para esperar um pouco, pois iria pegar uma erva para fazer remédio para alguém. Aí ela falava: ‘essa menina parece a Véia do Patuá”, recorda.  A jovem benzedeira explica que Véia vem de ancestral, de raiz; e Patuá é uma tecnologia ancestral, um amuleto de proteção. Véia do Patuá realiza atividades de benzimento em Campo Grande, Cariacica, todas sextas-feiras, das 13h às 20h, no Estúdio de Danças Manoela Jácome. Não se cobra pelo benzimento, mas as pessoas podem levar alimento ou itens de higiene pessoal para serem doados a quem precisa. As ações de benzimento para o público em geral começaram a ser divulgadas há cinco anos, devido à grande procura das pessoas. Antes disso, ela fazia para um público mais restrito, de pessoas de sua convivência. Para chegar a isso, em sua trajetória, buscou o autoconhecimento e as ferramentas de cura por meio das plantas, dedicando-se, hoje, também a atividades como o reiki, cura xamânica, aromaterapia e yoga. Nesse processo, Véia do Patuá exalta o auxílio de seus mentores espirituais: Pai João de Aruanda, Maria Preta e Cabocla Jurema, que transmitem conhecimentos. Esta última a ensina sobre as “ervas, a magia da floresta, como rezar para entrar nas matas, conversar com as plantas, a magia do reino vegetal”. Ela também salienta que é incentivada por Benedita, uma ancestral que pede para que passe seus conhecimentos para frente. O fato de morar no litoral foi importante. Ainda criança, a jovem benzedeira frequentava a praia de Itaparica, em Vila Velha. “O mar tem um ancoramento espiritual muito forte. Tem as entidades do mar, e Iemanjá, mãe de todas cabeças. Ela é a orixá que ajudou a me curar. O litoral é um ponto de força”, ensina. ‘Nunca disse não para ninguém, mas quem faz as coisas é a divindade’ Com destaque na luta pelos direitos humanos, Mãe Néia comemora 40 anos de atuação no Espírito Santo https://www.seculodiario.com.br/direitos/nunca-disse-nao-para-ninguem-mas-quem-faz-as-coisas-e-a-divindade

08/05/2022 / 1 Comment
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Em busca da Terra Sem Males

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Depois da luta pela demarcação da terra, nova aldeia se distancia do urbano para manter modo de vida Guarani Ka’agwy Porã é traduzido do guarani como “floresta bonita”. Esse é o nome dado à quinta aldeia construída pelo povo Guarani em Aracruz, litoral norte do Espírito Santo, onde se estabeleceu a partir da década de 1960, depois de uma longa peregrinação desde o Rio Grande do Sul, sob o comando de uma grande líder chamada Tatantxin Ywá Reté. Ali os Guarani foram acolhidos no território onde viviam e ainda vivem povos Tupiniquim, conformando hoje no município o Território Indígena Tupinikim e Guarani, único demarcado no Espírito Santo. Divulgação Cinco gerações depois, no último dia 15 de março nasceu Luã Txunū, tataraneto de Tatantxin, já na nova aldeia, e busca se aproximar do sonho guarani da Terra Sem Males (Yvy marã e´ỹ), um lugar sem guerras, fome ou doença. Se bem esta seja uma ideia complexa por estar diretamente ligada à espiritualidade e forma de ser e ver o mundo deste povo, a Ka’agwy Porã surgiu buscando ser exatamente um refúgio, se instalando mais afastado do meio urbano e da rodovia do que a maioria das outras aldeias Guarani e Tupinikim existentes no município. Em português, a aldeia é chamada de Nova Esperança. É justamente essa distância da cidade que tem atraído novas famílias. Já são 49 famílias e mais quatro estão por chegar, diz o cacique Werá Djekupé, também conhecido como Marcelo Guarani, que explica no vídeo abaixo sobre a construção do pau-de-chuva, instrumento musical tradicional. Ao todo, são mais de 200 moradores, o que a torna uma das maiores dentre as aldeias Guarani no Estado. A maioria são agricultores e artesãos, que necessitam estar diariamente no meio urbano por conta de trabalho. “Nossa ideia é proteger esse lugar, para se sentir bem. É um espaço propício para a reprodução física e cultural da cultura guarani, que tem tradição de plantio e de pesca”, explica Marcelo. Esse novo espaço só foi possível graças à uma luta aguerrida entre 2005 e 2006 que uniu aldeias Tupinikim e Guarani e apoiadores de diversos outros movimentos, coletivos, ONGs, parlamentares, juristas e outros em torno da retomada e demarcação de uma área total de 11 mil hectares que havia sido apropriada para o plantio de eucalipto pela então Aracruz Celulose, que hoje faz parte da Suzano. Por conta de todos trâmites, a demarcação saiu oficialmente apenas em 2010. Nessa época, Marcelo e outras pessoas que moravam em outras aldeias guarani já estavam de olho no local onde foi criada a Ka’agwy Porã. “Tem bastante espaço para plantar, não precisa fazer derrubada de mata, é só aproveitar lugares que não tem mais árvore e aproveitar para fazer roça. Eu falo para a comunidade: mede sua roça, porque a partir daí o espaço que estiver liberado a gente vai reflorestar tudo, para ter mais água, árvores frutíferas e nativas, sombreamento, ter um clima legal”, diz o cacique. Já foram cerca de 10 hectares reflorestados, mas o plano é passar de 90. “Assim a gente vai ajudar os animais, os indígenas, e o ser humano como um todo vai ser beneficiado, pensando no clima do mundo”. Depois de décadas de plantio de eucalipto, com uso de agrotóxicos, o território foi devolvido como terra arrasada, restando tocos de eucalipto em algumas partes, mas também com duas pequenas áreas de reserva natural, incluindo a presença de nascente e corpos d’água. Em 2014 começaram os primeiros mutirões e em 2015 já havia famílias instaladas com suas casas. Depois, foi construída uma Opy, ou Casa de Reza, espaço fundamental na manutenção da cultura e espiritualidade Guarani, muito marcadas pela oralidade. “Ali é como se fosse escola e também igreja. Ali começa a se ensinar os princípios. A criança aprende a cantar, fazer suas orações, aprende a entender o mundo a partir do contato espiritual. É muito importante, aprende teoria e depois a prática, que fica a cargo do pai e da mãe”, conta Marcelo Guarani. Também é um local de cura, física e espiritual, questões que o cacique considera que estão intrinsecamente ligados.  Núcleo Audiovisual Reikwaapa A comunidade também já possui um local para atendimento de saúde, com médicos que vêm periodicamente. A escola fica em outra aldeia Guarani, porém mais recentemente, tem sido possível educação por professores indígenas, o que Werá Djekupé considera um avanço. As crianças, assim como os adultos, são nativos em língua guarani, sendo que geralmente têm acesso ao português a partir da escola, um aprendizado que era mais difícil quando vindo de professores não falantes de Guarani. Um dos professores é o filho de Marcelo, o jovem Mayño Cunha, pai de Luã Txunū, nascido na Ka’agwy Porã, e de Maya, de cinco anos, que vem crescendo na aldeia na nova casa construída por seu pai e sua mãe, Jéssica Martinelli. Mayño termina em 2022 a graduação na primeira turma da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que no início selecionou 70 Tupinikim e Guarani, alguns professores atuantes e outros jovens recém egressos do Ensino Médio, para a formação, fortalecendo a educação própria nas comunidades, considerando as especificidades dos povos indígenas. Ele conta com orgulho que passou em primeiro lugar em sua categoria tendo escrito a prova de seleção para a Ufes em língua Guarani. Além dos estudos, ele também coordena dentro da comunidade o núcleo audiovisual Reikwaapa, formado por cerca de 10 jovens da aldeia, que contaram com apoio e impulso do cineasta Ricardo Sá e de Werá Djekupé para conseguir equipamentos e formação para estruturar a produção de vídeos, filmes e fotografias retratando a realidade de seu povo a partir de seu próprio olhar. “Tenho essa sensação e vontade de fortalecer a história e o registro da memória de meu povo e de contribuir para a sociedade nos reconhecer como realmente somos e não com a visão colonial que muitas vezes é empregada sobre nós”, relata o jovem. Mayño Cunha durante a construção de sua casa na aldeia Ka’agwy Porã Ele considera que por muito

08/05/2022 / 0 Comments
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Jovens explicam candidatura coletiva em lançamento de chapa para federal

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Ivo Lopes, Iona Açucena e Manu Kisse trabalham para motivar a população nessa forma de participação política Já com sinalização positiva da Executiva Estadual do PT, três jovens estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) formalizam, no próximo dia 11, uma candidatura coletiva para concorrer à Câmara Federal nas eleições de outubro, conforme divulgou Século Diário em março. O lançamento ocorrerá no Tríplex Vermelho, localizado no Centro de Vitória, a partir das 19 horas. “Vamos falar da candidatura e das estratégias que estamos organizando”, diz Manu Kisse, 22 anos, estudante de Ciências Sociais, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Estado, uma das integrantes do grupo, composto também por Iona Açucena, 22, aluna de Enfermagem, vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de Cariacica, militante do Movimento Negro Unificado (MNU); e Ivo Lopes, 27, estudante de Direito e secretário estadual da Juventude do PT. Militantes do Movimento Kizomba e Enegrecer, articulados com a política com o foco na luta de classes, que consideram imprescindível para tornar a sociedade mais igualitária, os estudantes rejeitam a coalizão de partidos de direita e apostam na ampliação da representatividade popular. Sabem das dificuldades, inclusive no que se refere à legislação eleitoral, mas estão dispostos a enfrentá-las.  Ainda neste mês, eles definirão quem será o cabeça da chapa, com representação na Justiça Eleitoral. Essa forma de representatividade política passou a ser praticada de maneira mais aberta a partir das eleições de 2016, apesar de ainda não existir regulamentação. No entanto, desde 1994, há registro de tentativas de regulamentar as candidaturas e os mandatos coletivos. Manu Kisse explica que o encontro do dia 11, aberto ao público, servirá para esclarecer dúvidas e ampliar os canais de apoio. Para isso, alguns pré-candidatos têm sido convidados, como o candidato do PT ao governo do Estado, Fabiano Contarato, e a professora Célia Tavares, que trabalha internamente para garantir uma vaga na disputa ao Senado e conta com o apoio do grupo. Impossibilitado de comparecer, Contarato encaminhou um vídeo que será exibido no evento. Os jovens entendem que o senador é a opção mais viável para mudar a política no Espírito Santo, influenciada por setores empresariais há mais de 20 anos. Jovens formam chapa coletiva, condenam coalizão e defendem luta de classe – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/jovens-formam-chapa-coletiva-condenamcoalizao-e-defendem-a-luta-de-classe

08/05/2022 / 0 Comments
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