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‘Nossa cultura tem que ser resgatada’, cobram mestres de congo de Guarapari

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Projeto reativou banda do mestre Gilmar Viana, parada por 20 anos por falta de incentivo do poder público  Os mestres Gilmar, Régis e Domingos lideram três bandas de congo de Guarapari. Após longos anos sem o som dos tambores e das casacas, eles se reencontraram para tocar juntos novamente no último dia 30, no bairro Perocão, de onde veio a banda mais antiga da cidade. Eles cobram o resgate da cultura do município e apontam os impactos do tempo em que as apresentações ficaram totalmente paralisadas, fator que atribuem à falta de incentivo do poder público.“Nós estamos tentando, há uns três, quatro anos, o resgate das bandas de congo de Guarapari. Temos três quilombos e as bandas de congo estavam todas paradas. Guarapari é rico em cultura, mas está parada”, reitera o mestre Domingos Teixeira Marques, presidente da Associação das Bandas de Congo de Guarapari (ABCG). A banda de Perocão é um exemplo. Antes do evento realizado no dia 30, o grupo, liderado pelo mestre Gilmar Viana, estava sem se apresentar há quase 20 anos. “Parou por falta de incentivo. Nunca ninguém ajudou”, afirma. Gilmar Viana, mestre da banda de Congo de Perocão, em Guarapari. Foto: Pedro Maciel É o que reitera o mestre Régis Loureiro, do quilombo Alto Iguape. Só este ano, a liderança conseguiu regularizar a banda de Congo da região, por meio de um projeto apresentado via Lei Aldir Blanc. “Aqui, eles não dão valor à cultura. Você vê aqui um representante do poder público? Não tem. O negócio do prefeito [Edson Magalhães, PSDB] é praia. A nossa cultura tem que ser resgatada, mas eles não dão esse apoio”, denuncia. Para o mestre Domingos, uma das iniciativas da prefeitura poderia ser a promoção de apresentações nas escolas, aproximando a manifestação popular das salas de aula. “As crianças iriam começar a saber o que é a nossa cultura. Hoje isso fica escondido. Futuramente, elas vão ter que estudar essa cultura, suas raízes, de onde vieram”, destaca. Mestre Gilmar conta que, há alguns anos, até tentou levar as apresentações de Congo para unidades de ensino do município, mas não obteve sucesso. “Os mais interessados seriam as escolas. Eu tentei levar pras escolas, mas viraram as costas”, conta. Com o tempo, a história que também é relatada por outros mestres de Congo se repetiu: os integrantes mais antigos foram envelhecendo e os mais novos perdendo o interesse pela tradição popular, que enfrenta resistência até mesmo dentro dos bairros. “A maioria das pessoas tem preconceito. Aqui até a igreja tem preconceito. Você vê que antigamente tinha festa da retirada do mastro, hoje não tem mais nada disso”, aponta. Domingos atribui a falta de incentivo vivida em Guarapari à visão imediatista dos governantes. “O poder público gosta de mostrar o hoje. E a cultura é antiga. Mas, com isso aqui, a gente mostra pra eles que nós somos a cultura viva. O Congo é patrimônio imaterial”, declara Domingos. Domingos é mestre de Congo e presidente da Associação das Bandas de Congo de Guarapari (ABCG). Foto: Pedro Maciel Com o evento do último dia 30, o grupo de Perocão foi a primeira banda de Congo da zona urbana de Guarapari a ser retomada, após longos anos de espera. O resgate foi iniciativa do projeto Xapuri, voltado para a formação artística, ambiental e turística de crianças do município. A retomada emocionou o mestre Regis que, desde criança, viu o pai tocar na banda de Perocão, e, de prontidão, aceitou o convite do Mestre Gilmar. Para ele, o resgate dessa história é primordial. “A cultura não morre. O município sem cultura não segue. Nós temos belas praias, mas temos uma cultura em Guarapari que é muito forte. Hoje são seis bandas de congo, com o resgate da banda de Perocão, vamos pra sete. E muita gente não sabe disso”, relata. Gilmar, que se apaixonou pelo congo ainda criança, quando a mãe organizava apresentações em Perocão, trazendo bandas da Barra do Jucu, Vila Velha, acredita que o evento pode marcar a retomada das apresentações em Guarapari. “O congo é tudo. Não pode morrer. Se não, daqui a 10, 20 anos, como vão saber que existiu?” questiona.  A história por trás do som dos tambores Apesar de ser uma herança cultural do Espírito Santo, a falta de incentivo relatada pelos três líderes mostra que a valorização da tradição ainda caminha a passos lentos. Uma tradição que não é contada por esconder relatos de resistência de negros escravizados, um mundo de histórias presente em cada verso das das canções entoadas, intercalada entre os sons de tambores e casacas. “Tem o congo colonizado, que é o congo beira-mar, e os congos mais restritos. Esse vira um jongo rápido, conforme as polícias, antigamente, da Guarda Nacional chegavam, virava um jongo, era versinho de roda. Quando saía, eles cantavam essas toadas aqui: ‘minha mãe não quer casca de coco no terreiro’, aí os homem chegava, eles cantavam ‘pegaram meu carneiro, cortaram os quatro pés. Não quero saber de nada, quero meu carneiro em pé’. Aí os homem olhava e falava: ‘é batuque vermelho, deixa ir embora”, conta, dando risadas, o mestre Domingos.

08/05/2022 / 0 Comments
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‘A morte do Kevinn é a ponta de um iceberg de descasos e discriminações’

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Uma semana após tragédia, familiares, amigos e militantes antirracistas realizam protesto e cobram justiça Redes sociais Uma semana após a tragédia, a praça Jerônimo Monteiro, no centro de Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, recebeu, manhã deste sábado (7), um protesto pacífico por justiça a Kevinn Belo Tomé da Silva.  O adolescente foi morto no dia 30 de abril dentro de uma ambulância, após ficar quase cinco horas sem conseguir um leito para internação no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Redes sociais A manifestação reuniu parentes, militantes antirracismo, amigos e colegas da família de Kevinn. A mãe de Kevinn não foi à manifestação, pois ainda está muito abalada e debilitada, sendo cuidada por familiares. Professores e colegas de Kevinn na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Fraternidade e Luz, onde ele cursava o nono ano marcaram presença, além de outros escolares, onde parentes de Kevinn trabalham ou estudam.  Empunhando diversos cartazes, os manifestantes fizeram momentos de silêncio e emitiram relatos, desabafos, súplicas e gritos por justiça diante de múltiplas negligências que acabaram por ceifar a vida e um jovem, dilacerar a família e consternar a todos os que tomam ciência do caso. Redes sociais “Foi importante haver muitas pessoas na manifestação, eu fiquei até um pouco chocada com a quantidade. As pessoas bem revoltadas com a situação, querendo justiça pelo Kevinn. E não só por ele, porque é uma coisa que pode acontecer com outras pessoas, pode ter acontecido com outras, que se calaram”, relata Maria Eduarda Belo, prima de Kevinn.  Estudante de Medicina em uma faculdade particular de Cachoeiro, Maria Eduarda entende que a morte do primo reflete um enredado de injustiças sociais. “É a ponta de um iceberg de falhas do sistema [de saúde], de discriminações, de descasos”. Redes sociais “Por que?” é a pergunta mais frequente feita entre seus colegas e professores. “Por que ele não foi atendido em Cachoeiro? E por que não foi atendido em Vila Velha? Por ele era negro?”, questiona. “Os meus professores médicos pensam, e eu também penso, que ele não devia ter saído de Cachoeiro. Deveria ter sido transferido [do Pronto Atendimento (PA) Paulo Pereira Gomes, onde estava internado há alguns dias com dor no lado esquerdo do corpo, respiração ofegante e dificuldade de levantar] para um hospital daqui, nem que fosse particular, que fosse depois custeado pelo Estado”, pondera.  Na faculdade, nas escolas, na cidade em geral, conta a jovem, “todos têm sido muito solidários. Entramos juntos numa causa”.  Homicídio doloso Em entrevista a Século Diário, a advogada que defende a família de Kevinn e prima do adolescente, Fayda Belo, declarou entender que o caso pode ser classificado como crime de “homicídio por dolo eventual”.  O “homicídio por dolo eventual” é uma variação do crime de homicídio doloso, em que a pessoa tem intenção de matar (ao contrário do homicídio culposo, em que não há intenção), mas que a morte decorre não da ação direta de assassinato, e sim da recusa em prestar socorro por parte de alguém que tem obrigação legal de fazê-lo, assumindo o alto risco que tal negativa carrega.  “No momento em que as médicas da emergência não receberam o Kevinn, que elas e outros agentes de saúde envolvidos não o atenderam, por mais de quatro horas, e que não efetuaram a internação hospitalar que ele precisava, esses agentes assumiram o risco de produzir a morte dele”, aduz.  “Vamos continuar uma busca implacável para enviar alguém até o banco dos réus, ou mais de uma pessoa, porque não vejo que foram só as médicas que erraram. A gente precisa que a mãe [Suzana Belo da Silva] tenha uma resposta jurídica à altura do seu sofrimento”, reivindica. ‘A mãe de Kevinn precisa ter uma resposta jurídica à altura do seu sofrimento’ Prima do jovem e advogada da família, Fayda Belo entende tragédia como caso de https://www.seculodiario.com.br/saude/a-mae-de-kevinn-precisa-ter-uma-resposta-juridica-a-altura-do-seu-sofrimento ‘Por que seguraram o leito de UTI e não deixaram Kevinn ser internado?’ Advogado das médicas afastadas aponta incapacidade da Central de Vagas e de outros entes em garantir internação https://www.seculodiario.com.br/saude/por-que-seguraram-o-leito-de-uti-no-himaba-e-nao-deixaram-kevinn-ser-internado Adolescente morto no Himaba: negligência médica ou da direção? Defensoria investiga se a não internação em UTI ocorreu por negligência médica, como acusam hospital e Sesa https://www.seculodiario.com.br/saude/adolescente-morto-no-himaba-negligencia-das-medicas-ou-da-direcao-do-hospital

07/05/2022 / 1 Comment
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Reestruturação da carreira: policiais federais montam calendário de protestos

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Categoria no Estado irá aderir aos protestos, que contam com atos na superintendência e marcha em Brasília Durante reunião da Federação Nacional dos Policiais (Fenapef), nessa sexta-feira (6), os policiais federais montaram um calendário de manifestações para as próximas semanas, que contará com a participação de trabalhadores de todo o Brasil. O objetivo é pressionar o Governo Bolsonaro (PL) a dar prosseguimento nos trâmites para a reestruturação da carreira. Em 23 de março, o Ministério da Justiça (MJ) encaminhou minuta de Medida Provisória (MP) da reestruturação das forças policiais da União para o Ministério da Economia, onde se encontra atualmente. Os policiais federais preparam protestos para os dias 12 e 19 de maio. No Espírito Santo, os protestos serão nos mesmos moldes do ocorrido em 28 de abril, na superintendência regional, em São Torquato, Vila Velha. Leonardo Sá No dia primeiro de junho os policiais federais se juntam aos policiais rodoviários federais, que também lutam pela reestruturação da carreira, em uma marcha em Brasília. Do Espírito Santo sairão comitivas de ambas categorias. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo (SINPF-ES), Marcus Firme, relata que, mesmo após as manifestações de 28 de abril, que aconteceram em todo o Brasil, o Governo Bolsonaro não se pronunciou sobre a reivindicação. “Não houve um pronunciamento e nossa maior dificuldade é a falta de comunicação, é não haver uma mesa de negociação. O que a categoria sabe sobre o assunto é através da imprensa. O governo federal tem uma dívida com os policiais federais e, para que ela seja quitada, basta uma decisão política do governo”, diz Marcus, que destaca ainda que Bolsonaro prometeu que R$ 1,7 bilhão do Orçamento Geral da União seria investido na reestruturação da carreira e correção das perdas acumuladas nos últimos anos.  Para o dirigente sindical, a reivindicação vai muito além do reajuste de 5% aos salários anunciado pelo governo por meio da imprensa. A reestruturação, afirma, pode, inclusive, mitigar os efeitos negativos da reforma da Previdência na categoria. Marcus destaca que houve achatamento salarial, uma vez que a alíquota aumentou de 11% para 14% e, em alguns casos, como dos delegados, para 16%. Outro problema é o da aposentadoria por invalidez. Antes, o trabalhador recebia o valor integral, agora, é proporcional ao tempo de serviço. “Você leva um tiro, fica paralítico, e pode receber um valor que corresponde, por exemplo a 30% do seu salário. Nossa profissão é de risco, isso é muito difícil”, aponta. No protesto de 28 de abril o clima era de apreensão em relação ao conteúdo da minuta de Medida Provisória (MP) da reestruturação das forças policiais da União e à possibilidade de a reivindicação não ser atendida este ano, em virtude das eleições, além da insatisfação com o fato de que a reestruturação foi um dos motes da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República, mas até hoje não saiu do papel. “Diante disso, em meio à categoria uns partem para o desânimo, outros para a crítica acentuada. Canalizamos o sentimento de decepção e frustração para fazer nossas reivindicações e sensibilizar o governo federal”, disse o vice-presidente do SINPF-ES, Hélio de Carvalho Freitas Filho. “Temos reticências sobre o que virá nessa minuta”, acrescentou o dirigente sindical, destacando que ela foi feita sem diálogo com a categoria, que, por isso, desconhece seu conteúdo. Ele relata que a reestruturação poderá ser feita somente até quatro de julho, em virtude das eleições, prazo informado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A falta de conhecimento sobre o conteúdo da minuta também é uma das queixas dos policiais rodoviários federais. O presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do Espírito Santo (Sinprfes), Marcelo Fávero Brandão, afirma que os trabalhadores não viram a proposta e que não há informações oficiais, mas que não têm motivo para acreditar que não foram incluídos. Assim como os policiais federais, os policiais rodoviários também farão manifestações nos dias 12 e 19 de maio. No dia 12 será realizado o Dia Nacional de Segurança Viária. Marcelo explica que a garantia desse tipo de segurança faz parte da atribuição constitucional da categoria, mas a proposta é que nessa data ela seja intensificada nos trechos mais críticos do Espírito Santo e do Brasil. No dia 19 haverá um ato na superintendência regional, que fica no Centro de Vitória. A ideia é que sejam feitas atividades no local durante todo o dia. Policiais federais protestam em Vila Velha por reestruturação de carreira Uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro, reestruturação da categoria ainda não saiu do papel https://www.seculodiario.com.br/seguranca/policiais-federais-farao-manifestacao-na-superintendencia-pela-reestruturacao-da-carreira Policiais rodoviários do Estado aderem a atos pela reestruturação da carreira Ações incluem protestos nas superintendências, marcha em Brasília e Dia de Segurança Viária https://www.seculodiario.com.br/seguranca/policiais-rodoviarios-do-estado-aderem-a-protestos-pela-reestruturacao-da-carreira

07/05/2022 / 0 Comments
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Permissividade que mata: ES e Brasil não seguem padrões de poluição do ar da OMS

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STF determinou ao Conama tornar padrões mais rígidos. No ES, PL nesse sentido está parado na Ales há 2 anos Dorivan Marinho/SCO-STF A permissividade da legislação de controle da qualidade do ar é uma perigosa realidade no Espírito Santo e no Brasil e, apesar das constantes denúncias da sociedade civil e de iniciativas jurídicas de aperfeiçoamento, continuam estagnadas, em padrões de poluição muito acima do que recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS) em sua última atualização, em setembro de 2021.  À época, a OMS disse estimar que, a cada ano, a exposição à poluição do ar cause sete milhões de mortes prematuras e resulte na perda de milhões de anos de vida saudáveis. Em crianças, acentua a entidade, isso pode incluir redução do crescimento e função pulmonar, infecções respiratórias e agravamento da asma. Em adultos, a cardiopatia isquêmica e o acidente vascular cerebral são as causas mais comuns de morte prematura atribuíveis à poluição atmosférica, e também surgem evidências de outros efeitos, como diabetes e doenças neurodegenerativas. Nesta quinta-feira (5), o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um importante passo para mudar esse cenário em âmbito nacional, ao determinar que o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) elabore uma nova Resolução sobre o assunto, em substituição à de número 491/2018, num prazo de 24 meses. A resolução atual continuará em vigor até que a nova norma seja publicada. Repercutindo a decisão do Supremo, a ONG Juntos SOS ES Ambiental lembrou, em suas redes sociais, a necessidade de atualizar também o regramento legal no Estado, pedindo que o presidente da Assembleia Legislativa (Ales), Erick Musso (Republicanos) dê continuidade à tramitação do Projeto de Lei nº 328/2020, que “estabelece Política, Normas e Diretrizes de Proteção da Qualidade do Ar Atmosférico no âmbito do Estado de Espírito Santo e dá outras providências”.  O PL é de autoria de Dary Pagung (PSB) e foi protocolado em junho de 2020, por ocasião das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente. Até agosto do mesmo ano, recebeu 52 emendas de diversos parlamentares, mais da metade delas feitas pelo deputado Sergio Majeski (PSDB), em conjunto com a Juntos SOS. Em março deste ano, Majeski inseriu uma Emenda Substitutiva. No entanto, nada ainda de apreciação pela Casa.  Poluidoras sem controle A ONG lembrou ainda que, além da permissibilidade da legislação, há ainda negligência do governo do Estado e do Ministério Público Estadual (MPES) em cobrar medidas efetivas de redução dos contaminantes emitidos pelas duas maiores poluidoras do Estado: a Vale e a ArcelorMittal, instaladas no complexo industrial e portuário de Tubarão, entre Vitória e Serra.  Ao invés de rigor na fiscalização e licenciamento ambiental, os entes públicos contentam-se com os Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) nº 35 e 36, assinados com as empresas em 2018, mas que não estabelecem referências numéricas que permitam a avaliação real de redução da emissão de poluentes.  “Estamos com quase três anos e oito meses das assinaturas e das obras dos TCAS 035 VALE e 036 ArcelorMittal, e no mês de maio, mês de baixa incidência de Pó Preto, ainda registramos muito pó preto! Infelizmente os TCAS não estipularam métricas quantitativas de partículas sedimentável para serem aval do atendimento ou não das obras dos TCAS. Tudo será considerado como atendido MP?”, perguntou a entidade em suas redes sociais.  Logo após a proposição do PL 328/2020, a Juntos SOS apresentou dados de um estudo próprio feito sobre os relatórios divulgados pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) a partir dos dados da Rede Automática de Monitoramento da Qualidade do Ar (RAMQAr) composta por nove estações de monitoramento distribuídas na região metropolitana, nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica.  Em sua análise, a ONG verificou que houve aumento da poluição por material particulado havia aumentado entre 2018 e 2019, primeiro ano de vigência dos TCAs com as poluidoras, havendo casos em que o MP10, um dos poluentes mais perigosos para a saúde, segundo a OMS, registrou o triplo do volume. Em dezembro passado, a ArcelorMittal anunciou um investimento de US$ 2 bilhões na diversificação de sua produção de aços laminados, antes mesmo de ingressar com pedido de licenciamento ambiental ao Iema.  Dispositivos genéricos A decisão do STF se deu em função do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6148, ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho de 2019. “Embora utilize como referência os valores guia de qualidade do ar recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2005, a resolução não dispõe de forma eficaz e adequada sobre os padrões de qualidade do ar, prevendo valores de padrões iniciais muito permissivos, deixando de fixar prazos peremptórios para o atingimento das sucessivas etapas de padrões de qualidade de ar e apresentando procedimento decisório vago”, argumentou, à época, o então vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia;  Na sessão desta quinta-feira, porém, o atual procurador-geral, Augusto Aras, salientou que a ADI foi ajuizada na gestão anterior à sua e defendeu que não há inconstitucionalidades na resolução. Segundo ele, a edição foi precedida de amplo debate e traz uma política progressiva de proteção ambiental, contemplando recomendações da OMS.Em seu voto, a relatora, ministra Cármen Lúcia, considerou que a norma não se coaduna com o dever constitucional de proteção eficiente ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (artigo 225), à saúde (artigo 196) e à informação (artigo 5º, inciso XIV). Assim, ela votou pela inconstitucionalidade da ação, sem pronúncia de nulidade, ou seja, a norma continua em vigor, mas determinando que o Conama edite norma, em um ano, com capacidade protetiva do meio ambiente em relação aos prazos e às providências de fiscalização e controle sobre o padrão de qualidade do ar. A relatora reconheceu que a resolução trouxe avanços, usando índices baseados na orientação da OMS em 2005. Porém, ressaltou que a própria organização internacional já atualizou esses valores e que a norma não tem rigor nos prazos para que as unidades da federação cumpram as regras contidas nela. Também não prevê providências para incentivar os entes federativos a alcançarem as

07/05/2022 / 0 Comments
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Paneleiras cancelam ato público contra empreendimento

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Na coluna: saiba motivo da suspensão; livro sobre políticas culturais; filme capixaba abre festival de cinema Depois de duas reuniões na comunidade, a Associação das Paneleiras de Goiabeiras anunciou a suspensão do ato público que havia sido planejado para o dia 6 de maio, em defesa do patrimônio histórico, em vistas da intenção de construção de um empreendimento imobiliário nas proximidades do Parque do Vale do Mulembá, onde ocorre a extração da argila que serve de matéria-prima para as panelas de barro. A decisão aconteceu após reunião com representantes de várias secretarias da prefeitura, que teriam garantido que nenhum empreendimento que impactasse no ofício seria aprovado. Leonardo Sá É preciso ficar de olho. Quem conhece o modus operandi das grandes empresas, sabe que tem mil formas de dizer que não vai impactar e depois causar impactos diversos. Até o momento, o que acontece é que a construtora teve que contratar um antropólogo para realizar um Relatório de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Imaterial (Raipi), já que as Paneleiras de Goiabeiras foram o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial registrado pelo Estado brasileiro. Nos bastidores, quem atuou de forma decisiva para a desmobilização do ato foi o vereador da região, Denninho Silva (União), que não queria que a mobilização acontecesse de jeito nenhum. Medo de quê? POLÍTICA CULTURAL Imersões discutem políticas culturais para o Espírito Santo Parceria entre Sebrae e Secult, as Imersões da Cultura acontecem entre maio e junho, com reunião de participantes de acordo com o setor de atuação, buscando refletir e propor políticas culturais. As atividades acontecem entre 9h e 18h, com metodologia que incluiu troca de experiências, plano de ação e grupos de trabalho para se debruçar sobre questões específicas. O cronograma tem como temas Produção Cultural – Festas e Celebrações (9/5), Literatura e Editoras (12/5), Audiovisual (17/5), Podcast (23/5), Teatro (26/5), Fotografia (1/6), Aplicativos e realidade aumentada – mídia digital (6/6), Moda (10/6), Moeda Social (22/6). Inscrições aqui. E-book aborda políticas culturais  O Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Culturais (Gepcult) vai lançar em maio o primeiro e-book resultado do trabalho de seus integrantes na reflexão sobre temas como cultura, política, trabalho e democracia. Serão três capítulos: “O desmanche das políticas culturais”, por Erlon Paschoal, “Política pública cultural e participação: notas sobre a democracia cultural”, por Marcelo Marques, e “A precarização do trabalho no setor cultural”, por Karlili Trindade. A publicação sai pela Maré Editora. Data e local ainda vão ser confirmados, por meio do Instagram da Ciclo Escola. EVENTO Livro sobre graffiti será lançado na Serra  Graffiti é pra geral, livro organizado pelo artista Fredone Fone, vai ser lançado no sábado (7), a partir das 16h, no ateliê de Ronaldo Gentil, em Laranjeiras, na Serra. A obra, que é de colorir, reúne o abecedário de grafias criadas por artistas do Espírito Santo como Basi, Edson Sagaz, Kika Carvalho, Iran, Moska, Renato Ren e os próprios Fredone Fone e Ronaldo Gentil. No lançamento haverá música com Conteúdo Paralelo, Brau Beats e DJ Negana, lojinha de produtos, exposições, flash tattoo e outras atrações. AUDIOVISUAL Filme capixaba abre Festival de Cinema de Vitória Marcando a volta ao presencial depois de dois anos de edições online, o Festival de Cinema de Vitória realiza uma edição chamada de Reencontro, que entre 21 e 25 de junho exibirá, no Centro Cultural Sesc Glória, os filmes vencedores da última edição virtual, em 2021, e também o lançamento de dois longa-metragens. O primeiro deles, que marca a abertura do festival, será o filme capixaba Os Primeiros Soldados, de Rodrigo Oliveira, obra ficcional que conta a história de um grupo de amigos que busca sobreviver ao início da epidemia de Aids nos anos 80. O encerramento será com exibição de Serial Kelly, de René Guerra, protagonizado pela cantora e atriz Gaby Amarantos. Para setembro, está sendo preparada a 29ª edição do Festival de Cinema de Vitória. Para saber mais de ambos eventos, clique aqui. Curtas contarão histórias de municípios da Ferrovia Vitória a Minas Moradores de Fundão, Ibiraçu, João Neiva, Colatina, Baixo Guandu e de alguns municípios de Minas Gerais, podem transformar suas histórias em filme por meio do projeto Curta Vitória a Minas II, com inscrições abertas até 30 de junho. Os selecionados participarão de oficinas audiovisuais e terão orientação profissional para gravar filmes em suas cidades natais, que têm em comum o fato de serem cortadas pela linha de trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas. As obras realizadas serão exibidas em um circuito de difusão com exibições gratuitas nas praças das cidades participantes, além de serem distribuídas para instituições educativas e culturais. A primeira edição do evento ocorreu em 2014 e resultou, entre outras histórias, em Vovó, o Trem e Eu, de Eloisa Ribeiro, de Fundão; O Segredo de Giuzzeppe, de Nilma Scarpati, de Ibiraçu, A Seta do Galo, de Sandra Mazzega, de João Neiva; O Som do Silêncio, de Juliana Brêda, de Colatina; e O Trem do Amor, de Vanda Berger, de Baixo Guandu .  MÚSICA Concurso de canto lírico homenageia Natércia Lopes  Lenda viva do canto lírico no Estado, Natércia Lopes dá nome ao primeiro concurso de canto promovido pela Companhia de Ópera do Espírito Santo, que terá prêmio em dinheiro em diferentes categorias e a oportunidade dos vencedores de participar de um concerto com a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), no encerramento da edição de dez anos do Festival de Música Erudita do Espírito Santo. O 1º Concurso de Canto Natércia Lopes está com inscrições abertas até 17 de maio e seu processo de seleção terá várias etapas, que terminam em setembro. O concerto com participação dos campeões do concurso está marcado para o dia 26 de novembro de 2022. Fabio Pinel lança novo samba Está no ar Água e Areia, nova música autoral do sambista Fabio Pinel, em parceria com o maestro Célio Paula, da Orquestra Pop & Jazz do Ifes. A produção, gravada em meio à pandemia de Covid-19, teve coprodução de Nícola Pasolini e vem no estilo do partido alto. O lançamento está disponível em plataformas de áudio como Spotify, Deezer, Apple Musica e YouTube. Esta

07/05/2022 / 0 Comments
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Um ano a mais ou a menos?

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Na entrada me espetam na blusa nova um imenso botão – Happy birthday, Wanda! Nunca recebi tantos parabéns Como acontece todos os anos, em maio é primavera no hemisfério norte e a abundância de flores veio comemorar meu aniversário. Que, como todos sabem, sempre acontece em maio. Como já foi amplamente divulgado pela ciência e a astronomia, em maio as flores são mais bonitas, as abelhas produzem mais mel, o canto dos pássaros é mais harmonioso. Sim, os nascidos em maio são teimosamente otimistas. *Embora pareça estranho para os moradores da banda sul do globo terrestre, no norte a primavera começou no primeiro dia de março e vai terminar em 31 de maio. De primeiro de junho a 31 de agosto, o implacável verão da Flórida nos assola, mas as flores persistem – por isso ela se chama florida. O outono começa em primeiro de setembro e termina a 30 de novembro. O inverno pega as festas natalinas, a passagem de ano, e vai até 28 ou 29 de fevereiro, dependendo do humor desse mês caprichoso. Como todos sabem, os nascidos em fevereiro são mais caprichosos e organizados que os outros. *Essa definição é baseada nos caprichos da meteorologia. No Brasil, quem dita a moda é a astronomia, que se baseia nos equinócios e solstícios para marcar as mudanças de estações. Portanto, primeiro de junho aqui começa o verão, que no Brasil só vai acontecer no solstício de dezembro, no dia 21 ou 22 de dezembro. Aqui será inverno, que chega bem a tempo para o Natal ter bastante neve. Como se sabe, os nascidos em dezembro são festeiros, não perdem uma boca livre e adoram dar e receber presentes. É dando que se recebe. *A realidade, porém, é outra. Continuo completando mais um ano de vida em maio, mas as variações climáticas não obedecem ao calendário oficial. Já estamos no calor habitual da Flórida, seja verão ou inverno, com praias lotadas e ar refrigerado sempre funcionando a toda. Nas escolas, se o ar-condicionado pifar, mandam as crianças para casa. *Esse ano meu aniversário foi comemorado na Disney, em uma volta ao passado: há 20 anos não ia ao Magic Kingdom, o primeiro parque criado pelo Walt. Nas poucas vezes que vou a Orlando, acompanho os filhos nos parques mais modernos. Sem muita surpresa, vejo que pouco mudou no pioneiro: os mesmos brinquedos, filas imensas serpenteando ao sol, gente demais esbarrando uns nos outros nas aléias floridas – apesar de tantas inovações, esse ainda é o mais visitado de todos os parques de Orlando. *Na entrada me espetam na blusa nova um imenso botão – Happy birthday, Wanda! Nunca recebi tantos parabéns. Na primeira vez que visitei esse primeiro parque, Orlando era uma cidade pequena.. Hoje seus 500 hotéis acomodaram 76 milhões de visitantes em 2019 – pré-pandemia. 2020 e 2021 foram os anos das vacas magras, mas 2022 promete recuperar os dólares perdidos. O Brasil está em terceiro lugar nessa onda, atrás do Canadá e da Inglaterra. Mas ganha nos gastos – é o turista que mais deixa dólares na Flórida. * No alto da torre do castelo da Cinderela, abri uma latinha de coca-cola, degustei aquela horrível coxa de peru defumada e cantei o Parabéns pra mim mesma… Bem na hora dos fogos de artifício. Mais fantasia, impossível!

07/05/2022 / 0 Comments
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‘A mãe de Kevinn precisa ter uma resposta jurídica à altura do seu sofrimento’

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Prima do jovem e advogada da família, Fayda Belo entende tragédia como caso de “homicídio por dolo eventual” Arquivo pessoal “Homicídio por dolo eventual”. A classificação jurídica é apontada por Fayda Belo, advogada da família do jovem Kevinn Belo Tomé da Silva, morto no último sábado (30) após esperar por atendimento por quase cinco horas dentro de uma ambulância na porta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha.  De posse das informações já reunidas no inquérito em andamento na Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, Fayda afirma ver indícios contundentes que a levam a essa classificação. “Pasme! O inquérito está no início, mas já constam elementos muito relevantes que dão conta de que houve realmente omissão”, relata, com base nos elementos disponibilizados pela Polícia Civil nessa quarta-feira (4).  O “homicídio por dolo eventual” é uma variação do crime de homicídio doloso, em que a pessoa tem intenção de matar (ao contrário do homicídio culposo, em que não há intenção), mas que a morte decorre não da ação direta de assassinato, e sim da recusa em prestar socorro por parte de alguém que tem obrigação legal de fazê-lo, assumindo o alto risco que tal negativa carrega.  “No momento em que as médicas da emergência não receberam o Kevinn, que elas e outros agentes de saúde envolvidos não o atenderam, por mais de quatro horas, e que não efetuaram a internação hospitalar que ele precisava, esses agentes assumiram o risco de produzir a morte dele”, aduz.  Prima do adolescente, Fayda compartilha do sofrimento e revolta dos familiares. “Estamos todos arrasados. Ele era filho único, jovem, tinha sonho de ser um Neymar. Mas o trataram como se fosse um pedaço de carne. Por quê? Ele era preto? Pobre? É desumano. Se fosse o filho de um homem rico, um jovem branco filho de empresário, duvido que teria ficado mais do que 15 minutos ali esperando um leito”, desabafa. “Vamos continuar uma busca implacável para enviar alguém até o banco dos réus, ou mais de uma pessoa, porque não vejo que foram só as médicas que erraram. A gente precisa que a mãe [Suzana Belo da Silva] tenha uma resposta jurídica à altura do seu sofrimento”, reivindica.  Onze altas médicas A primeira negligência que salta da análise do livro de plantão do Himaba, sublinha Fayda, é a recusa das médicas plantonistas – afastadas ainda no sábado pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes – em internar o adolescente, mesmo após vários pedidos feitos pela equipe do hospital.  “Há relatos, inúmeras vezes, do corpo técnico orientando a troca de leitos, afirmando que existia vaga, e tentando uma forma de colocar o Kevinn dentro do hospital. Mas as médicas estavam resistentes a isso”, conta, contrapondo, portanto, a defesa das duas médicas, que afirma ter havido negativa do hospital em liberar o único leito de UTI disponível, em função de uma reserva feita por um hospital privado de São Mateus, norte do Estado, para um paciente que estava em trânsito. “Enquanto médicas, elas não podiam ter deixado o Kevinn na ambulância todo aquele tempo. De jeito nenhum”, ressalta.  Outro profissional que aponta negligência das médicas afastadas, prossegue Fayda, é o médico da ambulância. “Ele foi até as médicas e pediu que elas dessem uma recusa por escrito para que pudesse procurar leito em outro hospital, mas elas não entregaram o documento. Também pediu por um aparelho que faltava na ambulância, somente o hospital tinha. Também não foi atendido”.  Fayda relata que, segundo o livro de plantão, enquanto Kevinn permaneceu na ambulância, houve três altas médicas e, após o óbito, mais oito. “Isso quer dizer que havia leitos urgentes ocupados por pessoas estáveis, que poderiam ter sido ocupados por Kevinn”.  Racismo  Fayda é especialista em crimes de gênero, direito antidiscriminatório e feminicídios, e tem um grande número de seguidores em suas redes sociais, onde ganhou notoriedade com vídeos curtos que explicam aspectos essenciais do mundo das leis para o público leigo. O sucesso é tamanho que ela até recebeu a honrosa alcunha de “Annalise Keating do Brasil”, em referência a uma das mais famosas personagens interpretadas pela premiada atriz estadunidense Viola Davis, a primeira mulher negra a ganhar um Oscar, um Emmy e um Tony Awards.  A morte trágica de seu primo, no entanto, trouxe a ela uma realidade que até então ela considerava que só poderia existir nos filmes. “Para mim era impensável que alguém, um ser humano, pudesse largar um jovem dentro de uma ambulância em estado grave, abandoná-lo à morte”, lamenta.  “No Brasil o direito ao acesso ao SUS [Sistema Único de Saúde] e à saúde é universal. Está na nossa lei maior, a nossa Constituição Federal. E mais do que isso, há o direito à vida, como cláusula pétrea. O Himaba é um hospital público de portas abertas, ou seja, qualquer pessoa que chegar até ele, deve ser recebida e atendida imediatamente”, explana. “É cruel. É desumano. A minha única explicação para tudo isso é o racismo”.  A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ainda precisa ouvir outros envolvidos no caso, incluindo a família de Kevinn e as médicas afastadas. O tempo médio para relatoria de um inquérito é de um mês, podendo ser prorrogado por mais um mês, explica Fayda. Mas sua vivência jurídica com casos emblemáticos, aponta que este deve demorar um pouco mais. “Muitas coisas que ainda vão ser enviadas ao inquérito. Eu também vou enviar um pedido para que outras provas sejam juntadas”, informa. Protesto Neste sábado (7), quando completa uma semana da morte de Kevinn, familiares e amigos realizam um protesto, às 8h, na Praça Jerônimo Monteiro, no centro de Cachoeiro de Itapemirim, onde o rapaz residia com a família.  “Será um clamor por justiça. Para que todo mundo saiba que o Kevinn era uma vida e tinha uma vida toda pela frente, que tinha família, que era amado. Para que todos os atores envolvidos, a polícia, o hospital, o governo…todos possam olhar o caso com afinco e não deixem que os culpados

06/05/2022 / 0 Comments
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Federações partidárias tendem a ampliar bancada da esquerda na Assembleia

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João Coser (PT),  Neto Barros (PCdoB) e Camila Valadão (Psol) são nomes apontados com boas perspectivas eleitorais Leonardo Sá/Redes sociais A federação partidária firmada para as eleições de outubro entre o PT, PCdoB e PV, terá o maior espaço para formação de chapa à Assembleia Legislativa destinada ao PT, pelo fato de ter mais filiados e receber a maior fatia do Fundo Eleitoral. O cenário abre a perspectiva de eleger pelo menos dois representantes do partido, número cuja tendência é de crescimento se consideradas as outras duas legendas. Já a federação Psol-Rede deve eleger pelo menos um candidato, avaliam lideranças políticas, ampliando a bancada de partidos progressistas no legislativo estadual. O ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal João Coser (PT), o ex-prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB) e a vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol) são nomes considerados prioritários nas articulações de seus partidos, por conta de mandatos bem avaliados. As projeções no mercado político indicam ainda, no PT, boas perspectivas para a deputada Iriny Lopes, candidata à reeleição, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fataes), Júlio Mendel, e os professores Roberto Carlos e Maurício Abdala. No PV, o nome é Alexandre Bastos, ex-vereador de Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. Do lado do Psol, que fechou federação com a Rede em meio a ruídos por conta da rejeição ao pré-candidato ao governo do Estado, Audifax Barcelos (Rede), o destaque é a vereadora Camila Valadão, a segunda mais votada nas últimas eleições à Câmara e que cumpre um mandato superando as expectativas. Lideranças dos dois partidos buscam reajustar as articulações, a fim de cumprir as exigências estipuladas para a formação de uma federação, que devem vigorar durante quatro anos. Nesta sexta-feira (6), Camila confirmou que concorrerá à Assembleia Legislativa, desfazendo rumores de que disputaria a Câmara Federal. “Vou concorrer para a Ales [Assembleia Legislativa]”, disse, anunciando o lançamento da pré-candidatura para o próximo dia 15, a partir das 15 horas, na Escola Geração, no bairro Santa Lúcia, em Vitória. Já a Rede aposta em conhecidos políticos do município da Serra, o ex-candidato a prefeito em 2020, Fábio Duarte, e o ex-vereador Guto Lorenzoni, além do ex-vereador de Vitória Roberto Martins e a vereadora de Linhares Therezinha Quartel. A meta da legenda é fazer duas cadeiras, o que supera a previsão comentada no mercado político até agora. Federação Cada partido político ou federação no Espírito Santo só poderá lançar 31 candidatos a deputado estadual nas eleições de 2022, uma redução de cerca de 50% dos 60 concorrentes registrados em 2018, e 11 para a Câmara Federal, ao invés dos 20 que entraram na disputa neste mesmo ano. Os números são decorrentes das regras fixadas no novo Código Eleitoral, aprovado no final de setembro do ano passado, que criou as federações partidárias. A federação, uma aliança partidária com duração de quatro anos e não apenas uma coligação durante as eleições, obriga aos partidos a ter uma relação mais próxima, possibilitando acesso ao fundo eleitoral e tempo de TV. As siglas menores, como PCdoB e PV, serão beneficiadas e escapam da ameaça de serem extintas por não ultrapassarem a chamada cláusula de barreira, que mede o percentual de votos e nível de representatividade na Câmara dos Deputados.

06/05/2022 / 5 Comments
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‘É uma forma de dizer não tenham medo, não se calem’

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Pedido de condenação de Gilvan da Federal é um incentivo à luta contra o racismo religioso, aponta juventude de terreiro Reprodução O Movimento da Juventude de Terreiro comemora a decisão do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) de pedir a condenação do vereador de Vitória, Gilvan da Federal (Patri), por crime de racismo. O posicionamento, bem como a mobilização para a denúncia, para a entidade, é uma forma de incentivar as pessoas a denunciar outros casos de racismo religioso. “É uma forma de dizer não tenham medo, não se calem. A justiça está sendo feita. O vereador tem que responder pelo crime dele”, defende a coordenadora do movimento, Ana Karolina da Fonseca Oliveira. O pedido de condenação é decorrente da sessão em homenagem ao Dia da Consciência Negra, realizada em novembro passado, proposta pela vereadora Karla Coser (PT). Gilvan subiu à tribuna da Câmara e mostrou detergente e bucha, que, segundo ele, seriam utilizados “para limpar a mesa e pedir orações a Deus para nos livrar de todo o mal”, referindo-se à benção feita por mães de santo no plenário da Câmara durante a sessão solene. O Movimento de Juventude de Terreiro reagiu, recolheu 108 assinaturas de organizações da sociedade civil e anexou à notícia de fato criminoso em face do vereador, protocolada em dezembro por Karla Coser. “Para nós, o posicionamento do Ministério Público é uma vitória também por acharmos que a instituição ira demorar a se manifestar, mas não demorou tanto. Além disso, é uma forma de mostrar para quem pratica esse tipo de crime que não estamos calados. Aí eles vão começar a ter receio. Se continuarem atacando, a gente vai continuar denunciando“, ressaltou. Conforme consta na decisão do MPES, “além de afrontar a laicidade do Estado brasileiro, o denunciado agiu de forma criminosa ao praticar e induzir a prática de discriminação racial contra etnia e religião de matriz africana, ao proferir inúmeras palavras ofensivas a pejorativas ao ato religioso e cultural ocorrido em 26.11.2021, na Câmara de Vereadores de Vitória”. A instituição prossegue dizendo que o vereador “praticou tais ações por intermédio dos meios de comunicação social, alcançando um número indeterminado de pessoas, pois tinha pleno conhecimento que seu discurso estava sendo transmitido, em tempo real, por meio de comunicação de grande alcance (YouTube). Chegou a fazer menção aos ‘câmeras’, afirmando que estes deveriam realizar orações em decorrência das atividades ocorridas na Sessão Solene do Dia da Consciência Negra”. Na notícia de fato criminoso, Karla Coser e as organizações afirmaram que o vereador “excede o mero descontentamento pessoal, estando alocado já na seara do discurso de ódio”, além de salientar “o escárnio, a intolerância, o deboche, a chacota e a intenção de marginalizar os grupos que professam cultos religiosos de matriz africana, como Umbanda e Candomblé, reduzidos de maneira ofensiva pelo vereador, como ‘macumba’ e ‘essa coisa ruim”. Acrescentaram ainda que “há enorme desrespeito e acinte ao subir à tribuna da Casa de Leis munido de esponja e desinfetante, simbolizando a necessidade de uma faxina no Plenário da Casa após a presença de grupo professante de crenças arraigadas em matrizes africanas”. O grupo aponta que a liberdade religiosa é prevista na Constituição Federal de 1988, assim como a “proteção das culturas populares das populações indígenas e afro-brasileiras”. Também é apontada quebra de decoro parlamentar, salientando que “a imunidade parlamentar não é um cheque em branco que confere ao mandatário o direito de incidir em discurso de ódio. Pelo contrário. A Constituição Federal é expressa ao afirmar, no art. 29, VIII a inviolabilidade dos Vereadores na circunscrição do Município, desde que estejam ‘no exercício do mandato’”. O texto ratificou que o mandato de vereador legitima a pessoa eleita a “legislar, fiscalizar, tomar contas e outros deveres inerentes ao cargo em que ocupa”, sendo “forçoso reconhecer que, habilitá-lo ao discurso de ódio, certamente não está entre o escopo das imunidades”. Além disso, é destacado que “o mandatário, uma vez eleito, não atua meramente em nome daqueles que o elegeram, mas de toda a comunidade – incluindo aqueles que não confiaram seu voto no parlamentar –, razão pela qual não é possível a subsistência de uma imunidade que proteja, de modo absoluto, o parlamentar, até mesmo nas situações em que escarnece de direitos e garantias fundamentais da comunidade em que atua”. No documento pontua que “quando o parlamentar insulta gravemente minorias étnicas ou defende qualquer ideologia contrária aos preceitos constitucionais, deverá haver o afastamento da regra prevista no art. 53 da Constituição Federal. Afinal, sabe-se que não há direito absoluto e, portanto, nem mesmo a liberdade de expressão, prevista no art. 5º, IV, da Constituição Federal de 1988 poderá, em situações de abuso de direito, albergar o achincalhe ao direito de liberdade religiosa e manifestação cultural. A jurisprudência declara como punível o excesso proferido nas opiniões de Parlamentar, sendo tal prática reprimida em âmbito cível e criminal”. A vereadora e as organizações também se basearam na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que “uma vez que as ofensas proferidas exorbitem manifestamente os limites da crítica política, a imunidade material pode (e deve) ser afastada”, o que, como enfatizam, ocorreu no caso do vereador. Karla Coser e religiões de matriz africana denunciam Gilvan por racismo religioso Gilvan da Federal ofendeu a Umbanda e o Candomblé em sessão da Câmara de Vitória realizada nesta segunda  https://www.seculodiario.com.br/politica/vereadora-e-religioes-de-matriz-africana-denunciam-vereador-por-racismo-religioso Juventude de terreiro organiza protesto contra Gilvan da Federal Mais de 100 entidades apoiam a manifestação, em repúdio às ofensas do vereador contra religiões de matriz africana https://www.seculodiario.com.br/direitos/juventude-de-terreiro-organiza-protesto-contra-gilvan-da-federal

06/05/2022 / 2 Comments
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Alunos da Ufes identificam larvas na comida servida em restaurante universitário

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Diretório Central dos Estudantes convoca novo protesto para a próxima segunda-feira, no campus de Goiabeiras O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (DCE/Ufes) convoca um novo ato para reivindicar melhorias no Restaurante Universitário (RU). Desta vez, além dos problemas no agendamento das refeições, as denúncias se referem à qualidade da alimentação, já que, desde essa quinta-feira (5), alunos de diversos cursos relataram a presença de larvas nas marmitas.  Divulgação O ato será na próxima segunda-feira (9), às 11 horas, no campus Goiabeiras, em Vitória. A manifestação, prevista para se concentrar em frente ao prédio da reitoria, também contará com integrantes dos Centros e Diretórios Acadêmicos da Ufes. “É um completo absurdo uma universidade federal oferecer marmita sem nenhuma dignidade alimentar. Larvas, comida azeda, estudante sem conseguir agendar. Um verdadeiro descaso. Além de ser um dos Restaurantes Universitários mais caros do país! Queremos a volta do self-service imediatamente, em todos os campus”, cobra a diretora de Comunicação e Cultura do DCE, Karini Bergi. Beatriz Pezzin, estudante de Geografia na Ufes e integrante do movimento Disparada-ES, diz que os relatos dos alunos começaram a chegar ao coletivo nessa quinta-feira (5), continuando nesta sexta (6). “Não sabemos se vem de alimentos que são de baixa qualidade ou se é uma questão de armazenamento, nem como tem sido o processo de preparação, o que nos deixa muito preocupado. O que significa esse aparecimento de larvas? Qual é a procedência dessa comida? Será que daqui a pouco a gente vai ter alunos passando mal com algum tipo de intoxicação?”, questiona. Beatriz conta que entrou em contato com a direção de gestão do RU, que informou que passaria a demanda para a coordenação de nutrição, com o objetivo de identificar os motivos do problema. A estudante também foi informada que a empresa responsável pelo fornecimento das refeições seria notificada. “E qual é essa empresa, de onde vem? São diversas dúvidas que a gente tem nesse momento e não tem resposta nenhuma da universidade. São dúvidas que ficam no ar e deixam os estudantes nessa total insegurança (…) Ontem [quinta-feira] eu fui jantar depois desse episódio que aconteceu no almoço, totalmente insegura para comer”, relata. Além dos problemas com a alimentação, estudantes do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus, relatam problemas com a água disponibilizada para consumo. “Um estudante foi contaminando por verme através da água”, denuncia Karini, explicando que o caso foi esta semana, tendo sido denunciado à Ouvidoria da universidade. Isabela Ludgero Falta de acesso à alimentação Um protesto já havia sido realizado por estudantes na última segunda-feira (2), por conta dos problemas no RU. Na mobilização, organizada pelo movimento Disparada-ES, os alunos reivindicaram melhores condições de atendimento, o fim do agendamento e a volta do sistema self-service. Os problemas com o RU nessa retomada das aulas presenciais já vinham sendo denunciados por falhas na logística. Os relatos são de que, muitas vezes, alunos que precisam permanecer no campus o dia todo ficam com fome, porque não conseguem agendar a refeição com pelo menos 24h de antecedência, como é exigido pela instituição. Desde que o sistema de agendamento foi adotado, ainda durante o Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte), a alimentação deixou de ser preparada no RU. A refeição é servida em marmitas, que podem ser consumidas nos restaurantes ou retiradas para viagem. Com a retomada das aulas presenciais, no último dia 18 de abril, a Ufes manteve o sistema de agendamento nos campus de Goiabeiras, Maruípe e São Mateus. Em Alegre, sul do Estado, o fornecimento das refeições foi temporariamente suspenso, por problemas com as empresas fornecedoras. A Ufes alega que a previsão é regularizar o fornecimento de refeições por meio de produção própria “a partir de meados de maio”. De acordo com a universidade, o processo de transição para essa fase foi atrasado por dificuldades na contratação de empresas fornecedoras e prestadoras do serviço terceirizado.  Alunos da Ufes protestam contra problemas no restaurante universitário Movimento estudantil relata que sistema de agendamento de refeições tem dificultado acesso à alimentação https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-protestam-contra-problemas-no-restaurante-universitario Ufes retoma aulas presenciais sem garantir acesso pleno à alimentação Almoço e janta no Restaurante Universitário precisam ser agendados, o que tem gerado dificuldades a estudantes  https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-denunciam-burocracia-para-agendar-refeicao-em-restaurante-universitario

06/05/2022 / 0 Comments
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