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‘Estão fazendo queda de braço, querem ganhar a gente no cansaço’

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Acampamento do movimento de moradia em frente à Prefeitura de Vitória completa 20 dias sem qualquer diálogo O acampamento do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) em frente à Prefeitura de Vitória completa 20 dias nesta quarta-feira (27), sem qualquer abertura de diálogo por parte da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), muito menos apresentação de alternativas de abrigamento às famílias. “Estão fazendo queda de braço, querem ganhar a gente no cansaço”, critica a militante da entidade, Rafaela Regina Caldeira. Leonardo Sá Cerca de 20 a 25 pessoas permanecem diariamente no acampamento, revezando com outras 20 que ficam na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Irmã Jacinta Soares de Souza Lima, no Morro do Romão, ocupada pelas famílias desde setembro último. A postura da gestão municipal contraria a decisão do juiz Mario da Silva Nunes Neto, que acatou o pedido de retirada das famílias da escola, com uso de força policial, mas estabeleceu como pré-condição que seja garantido um local digno para abrigar as pessoas, bem como seus pertences, por um período mínimo de seis meses.  Rafaela relata que a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) tem tentado marcar reunião com a prefeitura, mas sem êxito. “Não há força de vontade para resolver a situação”, aponta. Ela informa que a gestão municipal marcou uma reunião com a comunidade do Morro do Romão para esta quarta-feira à noite, para falar sobre a reforma da EMEF Irmã Jacinta Soares de Souza Lima. O colégio está fechado desde 2013 para obras que ainda não foram iniciadas. Para Rafaela, a reunião é uma forma de jogar os moradores do bairro contra as famílias da ocupação, atribuindo a elas a impossibilidade de dar início à reforma. As famílias acampadas têm recebido doação de alimentos, como conta a militante do Movimento Nacional. Para fazer comida, utilizam a cozinha da escola, onde também pegam água para levar à prefeitura. Durante o expediente, elas utilizam o banheiro do prédio da sede do poder municipal. As crianças e adolescentes continuam estudando. Leonardo Sá A Justiça tem se pronunciado sobre o assunto. Em 17 de abril, por meio de manifestação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a promotora Sandra Maria Ferreira de Souza apontou encaminhamentos para a gestão municipal, considerando a elaboração do Plano de Realocação das famílias e seus bens. Um deles é incluir as famílias em situação de vulnerabilidade no Programa Habitacional Municipal Moradia Alternativa. Consta ainda a realização de reunião com as famílias da Ocupação Chico Prego “de forma regular e sistemática, fornecendo previsibilidade, continuidade e acompanhamento de suas demandas, sejam elas de competência da Secretaria Municipal de Habitação, Secretaria Municipal de Assistência Social, Secretaria Municipal de Trabalho, sem prejuízo de quaisquer outras políticas públicas necessárias para o pleno atendimento desses núcleos”. São apontados ainda a necessidade de “planejamento em médio prazo para captação de recursos provenientes dos outros entes federados para desenvolvimento de Programa Habitacional de Interesse Social”; e “organização para que as famílias da Ocupação Chico Prego acessem imediatamente o benefício do aluguel social, por meio do Programa Moradia Alternativa, e que esse não seja descontinuado, antes que o Poder Executivo Municipal tenha efetivamente resolvido a questão de moradia que atravessa as demandas desse coletivo”. Outro encaminhamento é para que a prefeitura encaminhe “informação ao Juízo e ao Ministério Público do cumprimento por meio das políticas públicas setoriais do atendimento integral às demandas de moradia das famílias da Ocupação Chico Prego”, além de que “seja determinada audiência de conciliação e/ou mediação com os requeridos a fim de serem ouvidos por esse Juízo, visando melhor compreender os contornos da lide”. Antes disso, a Justiça Estadual havia negado o pedido da gestão de Lorenzo Pazolini para a retirada das famílias da ocupação Chico Prego, sem cumprimento das condicionantes para a reintegração de posse impostas em sentença publicada no último mês de março. A Prefeitura de Vitória tentava, desta forma, reverter decisão do juiz Mario da Silva Nunes Neto. Leonardo Sá Por meio de recurso judicial, a Prefeitura de Vitória requereu “afastamento das condicionantes impostas, a fim de que seja possibilitada a imediata imissão na posse”. O argumento foi de que “os invasores, antecipando-se ao cumprimento da ordem judicial, não só decidiram desocupar voluntariamente a Escola Irmã Jacinta, como também passaram a acampar em frente ao Palácio Municipal situado no Bairro Bento Ferreira, frustrando, assim, a consecução de todas as ações sociais planejadas pelo município para cumprir a decisão judicial com observância de todas as condicionantes estabelecidas por este Juízo”. Os acampados, assistidos pela Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), conseguiram manter as condicionantes. Em sua nova decisão, o juiz Mario da Silva Nunes Neto afirma que “deve ser rejeitado o pedido de afastamento das condicionantes para o cumprimento da medida reintegração. Aliás, pelo contrário, em homenagem aos princípios da dignidade da pessoa humana e do mínimo existencial, outras se fazem necessárias”. Ele acrescentou que, “mesmo diante da urgência do município na reintegração da posse do bem, determinada há mais de um mês inclusive, até o momento não há sinal de que tenham sido designados tanto o abrigo para as famílias, quanto o local de guarda de seus bens”. Além disso, entende “por razoável impor ao município a obrigação de apresentar plano de realocação das famílias e seus bens”. A gestão de Lorenzo Pazolini chegou a enviar pela segunda vez, em 12 de abril, viaturas e guardas da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) contra a Ocupação Chico Prego para efetuar o despejo das famílias. Acompanhando as viaturas e os guardas municipais fortemente armados, foram enviados também um caminhão de lixo e dois tratores, relataram os ocupantes na ocasião. Divulgação A ação foi ilegal, apontou a Defensoria, pois descumpre os temos da determinação judicial que garante os direitos dos ocupantes do local. A própria coordenação estadual do MNLM já havia afirmado que a prefeitura não teria capacidade de cumpri-la, já que, atualmente, não há vagas suficientes nos abrigos municipais. Justiça nega pedido da PMV para retirar famílias da ocupação Chico Prego Gestão alegou que acampamento na PMV a impede de implementar ações para cumprir decisão judicial https://www.seculodiario.com.br/cidades/tjes-indefere-pedido-da-prefeitura-de-retirada-das-familias-da-ocupacao-chico-prego Movimento de Moradia inicia acampamento em frente à Prefeitura de Vitória Famílias da ocupação Chico Prego

27/04/2022 / 1 Comment
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No campo, ‘reordenamento’ da rede significa fechar escolas, denuncia MST

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A não municipalização das escolas do campo é pauta da Jornada em Defesa da Reforma Agrária, em Vitória Redes sociais A não municipalização de escolas do campo é uma das bandeiras defendidas na Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, que, na capital capixaba, foi transferida para esta última semana de abril, iniciando nesta quarta-feira (27) até o Dia Mundial do Trabalhador, no próximo domingo (1).  Sob o lema “por terra, teto e pão”, a Jornada contemplará mobilizações populares e reuniões com gestores públicos, com a participação de famílias acampadas e assentadas de vários municípios. A pauta principal é a desapropriação e aquisição das terras patrimoniais para a reforma agrária e, a partir dela, demais reivindicações para promover melhorias nas áreas de acampamentos e assentamentos, sendo a manutenção e fortalecimento das escolas do campo um ponto central na saúde e resiliência das comunidades rurais. Redes sociais O diálogo direto com o Palácio Anchieta sobre o assunto teve início ainda na última sexta-feira (22), quando o governador Renato Casagrande (PSB) esteve em Pinheiros, norte do Estado, para a entrega de obras e o anúncio de novos investimentos.  Na ocasião, educadores que atuam em escolas do campo em áreas de assentamento do município e região entregaram pessoalmente a Casagrande uma Carta Coletiva, acompanhadas de uma faixa contra a municipalização da rede de ensino fundamental no campo.  “Para o MST, esta é uma ofensiva para o enfraquecimento e fechamento de diversas escolas do campo no Espírito Santo. Educação do Campo, direito nosso, dever do Estado!”, afirmou o movimento em suas redes sociais. Redes sociais Segundo a organização, apenas considerando escolas do campo ligadas ao MST, 26 delas, em 13 municípios, estão ameaçadas de municipalização, a maioria delas na Superintendência Regional de Educação de Nova Venécia, no noroeste do Estado.  “Os municípios estão sendo pressionados pelo Tribunal de Contas [TCE-ES] a assumirem as escolas estaduais a partir de 2023”, aponta Murilo Nunes, da coordenação do setor de educação do MST/ES, explicitando as consequências práticas da orientação que tem sido dada pelo TCE ao governo e às prefeituras, sob o nome de “reordenamento” das redes escolares, para “evitar a concorrência entre estado e municípios”.  “Na verdade, para nós do campo, esse ‘reordenamento’ significa fechamento de escola, pois o TAG [Termo de Ajuste de Gestão, proposto pelo TCE-ES] não leva em consideração as especificidades da realidade do campo, principalmente em relação ao número de educandos, à multisseriação e ao projeto pedagógico”, explica o educador.  O governo, prossegue, “também não está levando em consideração essa realidade”, o que ainda pode ser corrigido. “Cada estado e município pode ajustar [esse reordenamento] de acordo com sua realidade. Já entregamos uma carta ao governador, conversamos com a vice-governadora [Jacqueline Moraes, PSB], vamos nos reunir com o secretário [de Educação, Vitor de Angelo], já reunimos o Comitê Estadual de Educação do Campo [Comeces]. Agora é ouvir a devolutiva do Estado para pensar as estratégias”, expõe o coordenador. TAG O Termo de Ajuste de Gestão (TAG) teve sua minuta aprovada pelo plenário do TCE no dia oito de março, com previsão de que, em trinta dias, Estado e municípios pudessem apresentar suas contrapropostas para futura assinatura entre o governo do Estado e os 78 municípios capixabas.  “Na minuta do TAG, o Tribunal propõe que ocorra a eliminação da concorrência dos municípios e do Estado em relação à oferta dos anos finais do Ensino Fundamental até 2023, que seja feito um plano para o reordenamento das redes de educação básica no território municipal, entre outras medidas”, ressaltou o órgão na ocasião. A proposta do TAG foi apresentada pelo relator do processo, conselheiro Rodrigo Coelho, e acompanhada por unanimidade pelo plenário, que anunciou a previsão de realizar audiências públicas para promover uma definição consensual sobre o TAG entre TCE e municípios. A expectativa é de que a assinatura aconteça no próximo mês de maio.  Fechamento em massa de escolas  Há um ano, em março de 2021, o mesmo conselheiro Rodrigo Coelho afirmou a Século Diário que “não há orientação do Tribunal de Contas para nucleação”, ao comentar o lançamento de um estudo realizado sobre a infraestrutura das escolas públicas da educação básica nos 78 municípios capixabas.  “O Tribunal não opinou sobre a decisão de nuclear que os gestores têm feito. Isso é ato discricionário deles. A nucleação é uma decisão política, administrativa e pedagógica, que não é orientada pelo Tribunal de Contas. O máximo que o Tribunal faz é dizer para os gestores: com base na oferta e observadas as concorrências, estude a reorientação da sua rede. Mas nesses casos, há que se observar os critérios pedagógicos, o que não está sob nosso controle”, argumentou, tentando esquivar do órgão a corrresponsabilidade pelo intenso fechamento de escolas do campo que assola as comunidades rurais capixabas há mais de uma década, refletindo uma tendência nacional que vem desde os anos 1990. Apenas entre 2005 e 2015, o triste fenômeno atingiu quase um terço das unidades brasileiras existentes para atender ao povo do campo, segundo levantamento feito pelo Programa Nacional de Educação em Áreas de Reforma Agrária (Pronera) em 2015, com base no Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC) e nos dados da II Pesquisa Nacional sobre a Educação na Reforma Agrária (PNERA).  No Espírito Santo, o auge dessa prática ocorreu entre 1998 e 2003, avalia a Regional das Associações dos Centros Familiares de Formação em Alternância do Espírito Santo (Raceffaes), na publicação Cultivando a Educação dos Povos do Campo do Espírito Santo. Apenas entre 2008 e 2018, segundo o Comitê Estadual de Educação do Campo (Comeces), foram mais de 500 escolas fechadas.  Transporte x qualidade das escolas Um dos impactos resultantes, em grande medida, dessa política de nucleação/fechamento de escolas do campo, pode ser verificado, ressalta a Raceffaes, em um estudo de 2002 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC): o deslocamento para o meio urbano de grandes massas de crianças e adolescentes do campo: 48% dos alunos dos anos iniciais e 68,9% dos anos finais do ensino fundamental e mais de 90% dos alunos de ensino médio.  A Regional evidencia ainda outro aspecto: o

27/04/2022 / 0 Comments
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Ibama exige da ECO 101 estudo sobre contorno a oeste de Reserva Biológica

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Novo prazo se encerra nesta semana. Opção da empresa, a leste, passa por alagados e tem grande risco socioambiental Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios A concessionária ECO 101 precisa apresentar um estudo detalhado sobre a possibilidade de desviar a BR-101 para um traçado a oeste da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama e demais áreas protegidas de florestas localizadas em seu entorno, nos municípios de Linhares e Sooretama, no norte do Espírito Santo, para continuar avançando no processo de licenciamento ambiental da duplicação do trecho norte da rodovia.  O prazo de 180 dias para apresentação dessa e outras três alternativas locacionais exigidas vence no final desta semana, segundo consta na Licença Prévia (LP) nº 665/2021, emitida em outubro passado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com assinatura do então presidente substituto da autarquia, Jonatas Souza da Trindade. Caso não seja cumprida a exigência, o órgão licenciador pode suspender ou cancelar a LP.  Ao exigir os estudos detalhados, a licença prévia apenas renovou o pedido, feito em momentos anteriores do licenciamento – Processo nº 02001.003438/2014-79 – que foi iniciado há oito anos, em abril de 2014, e foram todos, até o momento, ignorados pela ECO 101. No documento, o presidente substituto afirma que o estudo “não foi contemplado no escopo da presente licença” e que o mesmo “deverá considerar, no mínimo”, a comparação entre quatro alternativas de traçado, de acordo com orientações feitas no Parecer Técnico nº 17/2021-NLA-ES/Ditec-ES/Supes-ES, emitido em julho por técnicos do Núcleo de Licenciamento do Ibama no Espírito Santo.  As quatro alternativas consideram: utilização do eixo atual; contorno da cidade de Linhares pelo leste; contorno oeste de todo o Complexo de Áreas Protegidas de Linhares-Sooretama; e uma quarta opção de traçado com contorno da área urbana de Linhares pelo lado oeste, como alternativa intermediária entre a primeira e a terceira opções.  “O estudo deverá ser apresentado de forma detalhada, com destaque para avaliação de impactos ambientais entre as alternativas e a conclusão pela alternativa preferencial de menor impacto”, destacam os técnicos da superintendência capixaba. Parecer técnico que “visa analisar a solicitação de complementações que o Ibama encaminhou através do Ofício 452/2020/CGLIN/Dilic”, ressaltam os autores, referindo-se a um pedido que havia sido feito quase um ano antes, em setembro de 2020, pelo mesmo Jonatas Trindade, diretamente ao então coordenador de Sustentabilidade da ECO 101, Caio Cesar Vicentini de Barros.  Pois no Parecer Técnico 17, que respalda a exigência refeita pelo Ibama, com prazo a vencer na próxima sexta-feira (29), a Alternativa 2, que trata do contorno a leste de Linhares, defendido pela empresa e “a única [opção] que foi estudada, apresenta uma série de conflitos com alto potencial de impactos ambientais”, discorrendo então mais de uma dezena de páginas com detalhes sobre os principais conflitos socioambientais que podem ser disparados mediante a transferência do curso da BR-101 para esta região, altamente sensível do ponto de vista ambiental, com muitos alagados, povos tradicionais, unidades de conservação e sítios de proteção de espécies ameaçadas de extinção.  “Pelas razões acima expostas, entende-se que os estudos que subsidiaram a escolha da Alternativa 2 para desvio da área urbana de Linhares pelo leste são gravemente deficientes e não permitem uma tomada de decisão bem embasada. Quanto à alternativa locacional oeste apresentada no processo, é simplória, mantém a rodovia na zona urbana de Linhares e não foi estudada”, afirma o Parecer Técnico. A proposta de contorno a oeste das unidades de conservação ao redor da Rebio Sooretama, por sua vez, “é corroborada pela Análise de um Grupo de 16 pesquisadores e gestores ambientais, que propõem um desvio abrangendo no mínimo a área entre os cruzamentos do trajeto atual rodovia BR-101 com as rodovias ES-040, no distrito de Bebedouro do município de Linhares, e com a ES-030, no distrito de Água Limpa do município de Jaguaré; contornando a oeste a área urbana de Linhares e a lagoa Juparanã; e afastado no mínimo 5 km a oeste e norte da Zona de Amortecimento da Rebio de Sooretama”, descreve.  Esse desvio, acrescenta o parecer, “representaria um incremento de cerca de 60 km ao trajeto atual ao invés dos 35km propostos na Alternativa 2 apresentada pela ECO 101”, resultando, então, em 25 km a mais do que o defendido pela empresa.  “O desvio conjunto proposto por esse grupo de pesquisadores, caso implementado, permitirá contornar o principal impedimento legal da emissão da Licença Prévia, que é a duplicação no interior da Rebio Sooretama, com um incremento de aproximadamente 25km em relação à alternativa proposta pelo empreendedor para a área urbana de Linhares”, ressalta.  Além do aspecto essencialmente ambiental e socioambiental, o contorno a oeste traz ainda duas vantagens: a existência de “uma malha rodoviária muito mais profusa do que pelo leste, além de vários projetos de expansão dessa malha, sendo um deles inclusive federal, a BR-342, que está sendo construída ligando a BR-116 a BR-101”, e a existência predominante de “propriedades rurais de pequeno e médio porte que se beneficiariam economicamente da presença da rodovia para o escoamento da produção agropecuária, para a qual a região é vocacionada”. ‘ECO 101 economiza em asfalto e toda sociedade paga a conta ambiental e climática’ Cientistas criticam parlamentares e ANTT por aceitarem permanência da BR 101 dentro da Rebio de Sooretama https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/eco-101-economiza-em-asfalto-e-toda-sociedade-paga-a-conta-ambiental-e-climatica ECO 101 negligencia desvio para proteger reserva desde o início do licenciamento Em 2013, Ibama já pedia alternativas locacionais. Em 2018, EIA-Rima não apresentou solução e foi reprovado https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/eco-101-negligencia-desvio-para-proteger-reserva-desde-o-inicio-do-licenciamento

26/04/2022 / 2 Comments
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Plano de Cargos e Salários dos servidores de Colatina é aprovado por unanimidade

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Proposta da gestão de Guerino Balestrassi foi criticada pelos trabalhadores, que apontaram falta de diálogo e retrocessos O Projeto de Lei 03/2022, de autoria da gestão do prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi (PSC), foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal na sessão ordinária desta terça-feira (26). A proposta reformula o Plano de Cargos e Salários dos servidores e sua elaboração foi marcada por críticas por parte do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina e Governador Lindemberg (Sispmc), que apontou falta de diálogo com a categoria e retrocessos em diversos pontos. Durante a votação, vários vereadores subiram na tribuna para defender o projeto. Miguel Chieppe (Republicanos) destacou que a proposta não traz impactos financeiros negativos para os cofres municipais. Felipe Coutinho Martins (PP), o Tedinha, afirmou que trata-se de uma iniciativa de “valorização do servidor”. Olmir Castiglioni (Avante) salientou que o plano será positivo para a economia municipal. “Serão investidos R$ 25 milhões nos servidores, que vão entrar na economia municipal. Ao longo de 10 anos, são mais de R$ 150 milhões”, disse. Claudinei Costa (PSB) acredita que a aprovação “é um marco histórico para a cidade”. Além disso, defendeu a urgência na elaboração do Plano de Cargos e Salários dos profissionais da educação, com participação do sindicato e da categoria na discussão, o que também foi defendido por Geferson Alves (Solidariedade). Sem especificar quais, Waguinho (Patriota) queixou-se de que algumas categorias não foram favorecidas no Plano, mas que ele “melhorou bastante” com as mudanças feitas após a apresentação do projeto inicial. Já Adinilcio Pintos da Silva (PSB), o Coelho, destacou que o Plano é “um avanço na valorização do servidor”, o que foi ratificado por Angelo Stelzer (DEM). Diante do histórico de queixas por parte do sindicato em relação ao projeto do executivo, Dario Rudio (MDB), o Darin, afirmou que o plano é “um marco inicial das mudanças que estão por vir”. Por fim, o presidente da Casa, Jolimar Barbosa (PL), também destacou que houve questionamentos em relação ao projeto, mas que, caso a gestão ache necessário, podem ser feitos ajustes por meio de leis complementares. Após a apresentação do plano por parte do executivo, o sindicato criou uma comissão para analisar o projeto e elaborou um relatório com os pontos considerados problemáticos. Depois, realizou assembleias específicas sobre seus impactos e participou de reuniões com os vereadores, conseguindo algumas mudanças em relação à proposta inicial. Entre elas, a inclusão de uma autoavaliação de desempenho, contrapondo com a proposta inicial, que era somente de avaliação pela chefia imediata; garantia de 180 dias para o servidor celetista optar pela troca de regime, período de tempo que antes estava com o prazo de 120 dias; e garantia da carga horária de 30h semanais para agentes de serviços gerais, agentes de serviços urbanos e auxiliares de creche, ao invés de 40h. Um dos pontos que os servidores não obtiveram avanços foi em relação às pessoas com deficiência, que só poderão se inscrever para cargos cujas atividades sejam consideradas compatíveis com sua deficiência. Além disso, se opõem ao fato de que o projeto prevê carga horária de 40h semanais, e não 30h, para os cargos de técnico em Agrimensura – Topografia e técnico em Saúde Bucal. Outra questão é que a garantia do abono de 50% do salário no mês de aniversário do servidor e a gratificação de férias de 50% não foram acopladas ao projeto. O diretor jurídico do sindicato, Décio Rezende, afirma que ao estudar a proposta, a comissão percebeu que “a valorização tão anunciada e ventilada não aconteceu”. Os professores não estão inclusos na proposta de Plano de Cargos e Salários enviada para a Câmara. Décio relata que o secretário municipal de Educação, Cidimar Andreatta, garantiu que será aberto um processo de contratação de uma empresa para elaboração do plano e garantiu que haverá diálogo com os servidores.

26/04/2022 / 1 Comment
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‘É fácil matar no Espírito Santo, uma terra sem lei, de pistoleiros’

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Ex-deputada Aparecida Denadai protesta contra soltura do empresário Sebastião Pagotto, condenado como mandante do assassinato de seu irmão Foi com muita indignação que a advogada e ex-deputada estadual Aparecida Denadai recebeu a notícia de que o empresário Sebastião de Souza Pagotto, condenado a 17 anos e seis meses pelo assassinato de seu irmão, o advogado Joaquim Marcelo Denadai, saiu da prisão. O alvará de soltura (nº 950080188-45), expedido pela Vara de Execuções Penais de Vila Velha, concedeu a progressão para o regime aberto em dezembro último, mas Aparecida soube somente esta semana da decisão judicial. “É fácil matar no Espírito Santo, uma terra sem lei, de pistoleiros”, protesta. A irmã da vítima classifica o ocorrido como “mais uma vergonha para a justiça capixaba”. “Progressão de pena é para quem tem pena menor, ele pegou quase 20 anos. Essa decisão é dizer que a vida humana não vale nada. Agora o mandante está na rua, feliz com a família dele, enquanto destruiu uma família inteira. Quem quer matar no Espírito Santo pode contratar alguém, que vai ser solto rápido. Muitas outras famílias do nosso Estado devem estar sentindo a dor que estou sentindo, uma sensação de impunidade, de incentivo ao homicídio”, lamenta. A situação se torna ainda pior, segundo Aparecida, pelo fato de que sua mãe está com câncer avançado e, bastante lúcida, questiona de tempos em tempos se o assassino de seu filho ainda está preso. “Eu digo sempre, ‘está, mamãe’, mas agora que sei que está livre, não tenho coragem de dizer para ela. O único pedido que ela faz é de que não morra sem ver a justiça ser feita, mas ela vai morrer e não vai ver isso acontecer”, desabafa. Diante da soltura de Pagotto, Aparecida teme pela própria vida. “Se acontecer alguma coisa comigo, a culpa é da justiça, que soltou um homem que mesmo estando preso, dizia que me mataria, que soltou uma pessoa que pode colocar em risco a mãe de duas filhas, a avó de um neto, uma pessoa honesta. Sou cadeirante, não tenho como me defender, não tenho como correr”, afirma. Marcelo Denadai foi assassinado em abril de 2002, alvejado em pleno calçadão da Praia da Costa, em Vila Velha. O homicídio ocorreu um dia antes de a vítima encaminhar à Justiça uma queixa-crime em que, segundo investigação do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), citava o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, em fraudes em licitações, concorrências e serviços públicos nas 78 prefeituras existentes no Estado e outras no Rio de Janeiro.  Uma delas a Hidrobrasil, de Pagotto, contratada para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada por decisão judicial. O irmão de Marcelo Denadai, Antônio Denadai, na época vereador e presidente da CPI da Lama, investigava os contratos da empresa Hidrobrasil com a prefeitura de Vitória. A CPI foi trancada e jamais reaberta. Em 2017, em outra tragédia familiar, Antônio Denadai também foi assassinado, pelo caseiro do seu sítio em Santa Leopoldina, região serrana do Estado. Com base em documentos do Tribunal de Contas do Estado (TCES) e outros, anexados a um processo judicial, Marcelo Denadai apontou que o empresário Pagotto era um dos mais importantes elementos do crime organizado no Estado, falsificando documentos e fraudando concorrências e contratos em prefeituras e órgãos estaduais. Por isso, o empresário pagou dois homens para assassinar o advogado. Um deles seria Paulo Jorge dos Santos Ferreira, que foi assassinado. O outro, Dalberto Antunes da Cunha, que, como aponta Aparecida, cumpre pena em um hospital psiquiátrico, já que sua defesa alegou insanidade mental.O julgamento de Sebastião aconteceu 10 anos depois do crime, no Fórum de Vila Velha, sendo condenado por homicídio triplamente qualificado. Em maio de 2015, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) julgou o recurso de apelação de Pagotto, que aguardava o resultado em liberdade. Sua defesa alegou a inexistência de provas suficientes para a condenação, entretanto, o colegiado negou o recurso. Três anos depois foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de habeas corpus, que também foi negado. Pagotto só foi preso em junho de 2018 e saiu em menos de três anos.

26/04/2022 / 2 Comments
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PF avança em investigação de tráfico de influência em favor de empresários capixabas

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Além do filho “04” de Bolsonaro, mensagens citam sua arquiteta, que também elaborou projeto para John Thomazini e Wellington Leite Redes sociais Mais de um ano após o caso vir à tona, avança a investigação de indícios de tráfico de influência em favor dos empresários capixabas John Thomazini e Wellington Leite, que teria intermediação do filho “Zero Quatro” do presidente Jair Bolsonaro, o Jair Renan. Mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal (PF) identificaram o envolvimento da arquiteta Tânia Fernandes, responsável pela reforma do escritório de Renan em Brasília, e, também, pelo projeto habitacional em pedra de granito de seus parceiros comerciais do Espírito Santo, apresentado ao governo federal após a intermediação. Poucos dias depois do depoimento à PF do próprio Jair Renan, o jornal O Globo divulgou, nesta terça-feira (26), novas conversas de WhatsApp entre Tânia e o personal trainer Allan Lucena, apontado como sócio do filho “Zero Quatro” e que já havia sido citado no inquérito. Em um dos diálogos transcritos, a arquiteta diz que conversou com um assessor da Presidência, Joel Novaes, a respeito de uma visita de empresários ao Palácio do Planalto, para apresentar a Bolsonaro o projeto para construção de unidades habitacionais. No áudio, a arquiteta diz que a presença de Jair Renan facilitaria o apoio do presidente ao negócio: “Renan amado, eu falei com o Joel, eu vou apresentar o projeto do John quinta-feira de manhã, seu pai vai apresentar o projeto dele quinta-feira de manhã lá pros ministros e tudo mais, e à tarde fazer um passeio com ele e com o Wellington lá na Presidência até pra tentar apresentar pro teu pai, entendeu? Pro teu pai recebê-los pra entender, enfim, trocar ali miúdos pra o Exército, Aeronáutica, enfim, a Marinha abraçarem a causa para fazer a primeira vila já experimental, entendeu? E aí seria interessante você muito ir porque o teu acesso é mil vezes mais fácil do que o do Joel né?”. A mensagem, como apontou O Globo, foi enviada em 17 de novembro de 2020. Dois dias depois, foi registrado pelo Palácio do Planalto a visita do empresário Wellington Leite, cujo destino foi o gabinete pessoal do Presidente da República. Ele ficou durante uma hora no local. “Posteriormente, Wellington Leite publicou em uma rede social, no dia 21 de março de 2021, uma foto ao lado de Jair Bolsonaro em um cenário semelhante a um gabinete no Palácio do Planalto. Ele postou a imagem para parabenizar o presidente pelo seu aniversário, sem informar a data do encontro. Não houve registro de agenda oficial entre Bolsonaro e os empresários”, relata o jornal. Em outra mensagem analisada pela PF, Allan de Lucena diz que Jair Renan seria o “padrinho” do projeto das unidades habitacionais. O mesmo grupo empresarial doou um carro elétrico de R$ 90 mil a um projeto social do educador físico e sócio da empresa MOB, que, em depoimento, afirmou que ele utilizava o veículo. O automóvel foi devolvido após o início da investigação em março do ano passado, pedida pelo Ministério Público Federal (MPF). Outro diálogo que chamou a atenção da PF, divulgado em O Globo, ocorreu no dia 27 de setembro de 2020. Ao conversarem sobre a intermediação de interesses de empresários no governo federal, Allan escreveu para Tânia, por meio do aplicativo WhatsApp: “A gente já fez isso”. Tânia perguntou: “Já fez o quê?”. Allan respondeu: “Levar amigos empresários em ministros”. John Thomazini é sócio da empresa Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, que tem sede em Barra de São Francisco, noroeste do Estado. Já Wellington Leite do grupo WK, que atua com crédito imobiliário, seguros e consórcio, localizada em Vila Velha. Os dois receberam Jair Renan no Estado em setembro de 2020. O filho do presidente, que é influencer digital, veio ao Estado conversar com empresários interessados em patrociná-lo e fazer negócios com o governo federal. “O seu pai (Jair Bolsonaro), que está à frente desse governo, vai certamente aprovar e vai agradecer por essa iniciativa”, exaltou Wellington na ocasião sobre o projeto das unidades habitacionais, em vídeo publicado nas redes sociais. Pouco tempo depois, em novembro, John Thomazini conseguiu agenda com o então ministro Rogério Marinho, do Ministério do Desenvolvimento Regional, para tratar do assunto. Segundo nota divulgada pela pasta, a audiência foi solicitada “pelo senhor Joel Fonseca, assessor especial da Presidência da República”. A reunião contou com a presença de Jair Renan Bolsonaro, da arquiteta Tânia Fernandes e de Allan Lucena. Desde a denúncia, em março de 2021, os empresários capixabas evitam responder à imprensa. O filho do presidente, em depoimento à PF no último dia 21, negou influência no encontro para apresentação do projeto e disse que “usaram seu nome para ganho pessoal”. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) se recusa a fornecer os registros dele de entrada e saída no Palácio do Planalto.

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Policiais Antifascismo participam de audiência pública em Vitória

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Liderança nacional do movimento, Orlando Zaccone é convidado para ações que criticam perseguições políticas a policiais Organizado no Espírito Santo desde 2018, o movimento Policiais Antifascismo (PAF) terá uma jornada de atividades públicas na próxima sexta-feira (29). Durante a tarde, às 15h, acontece uma audiência pública da Comissão de Cidadania na Assembleia Legislativa sobre o tema “Policiais Antifascistas e a Perseguição Política: Paz Sem Voz é Medo”, tendo convidado o delegado Orlando Zaccone, um dos coordenadores nacionais do movimento. Às 19h30, o delegado também estará na roda de conversa organizada pelo PAF-ES no auditório do IC-2, no campus da Universidade Federal do Estado (Ufes) em Goiabeiras. “Esses eventos são gestos de solidariedade e mais um sinal de que a gente não está sozinho na luta, de que existem outros atores e protagonistas organizados com a gente que nos fortalecem e nos tem fortalecido nesse momento de perseguição política”, afirma Vinícius Querzone, um dos organizadores do PAF no Espírito Santo, que foi considerado culpado pela Corregedoria num processo administrativo da Polícia Militar por ter se manifestado politicamente. Delegado Orlando Zaccone é uma das lideranças nacionais do Policiais Antifascismo. Foto: Ana Volpe/ Agência Senado. Foto: Agência Senado “Ter conseguido essa audiência pública é fundamental para problematizar esse fato, mostrar o que está acontecendo com a gente e o que tem acontecido com o movimento, que se coloca numa perspectiva antifascismo e não antifascista, pois é um movimento antissistêmico e não contra uma pessoa”. Por conta de manifestarem publicamente suas opiniões políticas, tanto Vinícius Querzone como seu colega de farda e de movimento Vinícius Sousa, respondem processo administrativos na Polícia Militar. Ele destaca a importância da presença de Orlando Zaccone, que além de ter experiência como delegado e ser uma liderança nacional do movimento, é professor de Direito e doutor em Ciência Política, tendo estudado várias questões relacionadas com a segurança pública. “É fundamental que a gente discuta essas temáticas com rigor científico, não como algo que se resolva com slogans. O trabalho do Zaccone tem grande importância para esse debate”, considera. Organizado a partir de 2016 e lançado oficialmente a nível nacional em 2017, o Policiais Antifascismo surgiu da articulação e união de agentes de segurança que já participavam de outras entidades, como a Leap, organização internacional a favor da legalização das drogas. No ano seguinte de aparecer no cenário nacional, o movimento teve seu primeiro encontro a nível estadual, sendo que o Espírito Santo esteve presente nos três encontros nacionais dos PAF, o último deles em março passado em Natal (RN). Para Vinícius Querzone, o movimento quer quebrar os preconceitos recíprocos que existem entre as esquerdas e as forças de segurança. “Por um lado, mostramos aos operadores de segurança pública que a esquerda têm as melhores percepções sobre o tema. Por outro lado, para as esquerdas, temos o desafio de demonstrar que dentro das instituições de segurança não há apenas um blocão monolítico, em que todos são conservadores e reacionários. É tão plural quanto qualquer profissão”, diz ele, lembrando que hoje a esquerda consegue fazer uma leitura mais crítica em relação às pessoas evangélicas, entendendo essa diversidade presente. “Precisamos observar o policial como um trabalhador digno de direitos e que precisa de políticas de direitos humanos”, ressalta. O capitão da Polícia Militar Vinícius Querzone foi condenado em processo administrativo por manifestar suas opiniões políticas. Foto: Arquivo Pessoal Entre as pautas discutidas pelo PAF estão temas que dialogam para dentro e também para fora das corporações, pois são temas de interesse da sociedade. Além da legalização e regulamentação das drogas, apontando a ineficácia do proibicionismo como política, são levantados temas como a desmilitarização da Polícia Militar, a criação de uma carreira única para as polícias e o ciclo completo na carreira das polícias, medidas que o movimento entende que beneficiam os agentes de segurança pública e suas carreiras, assim como trariam melhorias para a política de segurança aplicada na sociedade como um todo. “É claro que não adianta promover medidas na arquitetura da polícia e não mexer nas causas da violência, que no nosso entendimento tem muito a ver com a desigualdade social e a forma como a sociedade está organizada política e economicamente”, afirma Querzone. Até o momento, porém, a maior parte dos debates ocorreu de maneira interna dentro do grupo, que vem se organizando ao longo dos anos no Estado, mantendo reuniões mensais, fortalecendo sua estrutura interna e também dialogando com outras forças políticas, como movimentos sociais e sindicato. Em 2020, um manifesto nacional do Policiais Antifascismo, assinado também por integrantes do movimento no Espírito Santo, divulgou na mídia a atuação local. O movimento, ressalta, é suprapartidário e tem autonomia em relação a partidos, sendo que a posição ideológica de seus membros é diversa, desde o progressismo até o comunismo. Também investigado pela Corregedoria e integrante do Policiais Antifascimo no Estado, o Capitão Sousa, por exemplo, anunciou recentemente sua pré-candidatura ao governo do Espírito Santo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), o que não significa que seja apoiado pelo grupo. Policial antifascismo anuncia pré-candidatura ao governo do Estado Processado pela PM por participar de protestos, capitão Vinícius Sousa definiu seu novo partido https://www.seculodiario.com.br/politica/policial-antifascismo-anuncia-pre-candidatura-ao-governo-do-estado

26/04/2022 / 0 Comments
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Conselho de técnicos industriais conclui eleições em meio a denúncias

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Três chapas apontaram irregularidades na disputa, realizada sem concorrência para o grupo da situação Três chapas da disputa à diretoria do Conselho Regional dos Técnicos Industriais do Espírito Santo (CRT-ES) denunciam irregularidades no processo eleitoral deste ano, inclusive em ações na Justiça Federal. O pleito foi realizado nesta terça-feira (26), em todo o Brasil. No Estado, das quatro chapas que tentaram participar, apenas uma foi homologada: a da situação, que está à frente da organização desde 2018, quando foi criada, representando um universo de 10 mil pessoas no Espírito Santo. As chapas foram indeferidas sob alegação de ausência de documentos pedidos no regulamento. Desta forma, restou apenas o grupo que está à frente do conselho, mantido na diretoria sem concorrência.  “Esse regimento, por si só, já tinha falhas. Contudo, durante o processo, nós percebemos que, mesmo aquelas pessoas que ajudaram a fazer o regimento, não conseguiram cumprir as exigências. Sendo assim, as comissões eleitorais abriram exceções e cederam para algumas pessoas, mas para outras, não”, aponta Salomão Martins de Carvalho Júnior, representante da chapa Renovação, uma das que foram indeferidas. Também foram consideradas inaptas as chapas 2, 3 e 4. “As pessoas beneficiadas, obviamente, foram aquelas que são da situação e estão na direção do CRT hoje, que foi a única chapa homologada. Questionamos isso judicialmente, administrativamente, chegamos a ter respostas positivas, mas no final das contas, o regimento simplesmente foi deixado de lado e prevaleceu a vontade política”, afirma Salomão. Para Cláudio Ramos, integrante da Chapa 4, em casos de indeferimento, as mesmas regras deveriam valer para todas as chapas. “O regulamento eleitoral diz que, nesses casos, a plenária pode deliberar, mas eles só deliberaram em razão da chapa de situação. Tanto que ela foi negada pela comissão nacional e depois aceita”, enfatiza. Além da escolha das diretorias, as eleições também escolheram os membros dos órgãos colegiados regionais e federais. Para Heraldo Gonçalves Fogos, integrante da Chapa Reação no Espírito Santo, a falta de representatividade da oposição no processo eleitoral é extremamente prejudicial. “O perigo é continuar mais quatro anos com um processo administrativo pessoal, com empregados indicados sem concurso público, uma administração personalista, sem critérios técnicos, prejudicando a qualidade dos serviços para a própria sociedade”, critica. O grupo Reação chegou a convocar um “voto de protesto” para esta terça, escrevendo na cédula os integrantes da chapa e marcando um “x”. A própria dinâmica do processo eleitoral foi criticada pelos integrantes das chapas. Eles afirmam que as eleições desta terça foram marcadas pela desorganização, urnas com endereço errado e espaços de votação fechados em diversas cidades, além de reclamarem da votação presencial, dificultando a participação dos técnicos industriais. Valmir Xavier Martins, atual presidente do CRT-ES, e integrante da única chapa que concorreu ao pleito nesta terça, afirma que o indeferimento das demais chapas apenas seguiu o regimento. “Todo processo eleitoral tem um regimento, e esse tinha algumas exigências (…) E é uma eleição muito complexa”, defendeu. Ele disse que o Conselho divulgou a eleição para os profissionais, para ampla participação, mas, “às vezes, as empresas não os liberam para votar. O horário descrito no regimento [9h às 19h] também dificultou muito para quem trabalha”, admite. Os problemas no deferimento das chapas não foram exclusivos do Espírito Santo. A eleição da diretoria executiva do Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT) foi cancelada porque não restou nenhuma chapa habilitada. A informação foi dada pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) e divulgada em uma nota do próprio CFT. A eleições regionais também foram canceladas no CRT-01 (Distrito Federal, Goiás e Tocantins); CRT-05 (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), CRT-06 (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima ) e nos conselhos regionais dos estados do Paraná (CRT-PR) e Santa Catarina (CRT-SC).

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‘Presidente, governador e prefeitos: cumpram seus deveres com os pobres’

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Críticas foram ponto central da fala de Padre Kelder na Festa da Penha, ao conduzir Celebração Eucarística das Pastorais Sociais  As injustiças praticadas recentemente pelos governos federal, estadual e municipais contra os pobres foi o ponto central da Celebração Eucarística das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Vitória, realizada nesta segunda-feira (25), como parte da programação da 452ª edição da Festa de Nossa Senhora da Penha, a “Virgem das Alegrias”, sob a presidência do Padre Kelder Brandão, coordenador do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória e pároco da Paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Vitória.  Dedicando a celebração às “queridas mães pobres”, Padre Kelder citou primeiramente o caso do jovem Wellington da Silva Dias, assassinado recentemente pela Polícia Militar, em São Pedro, na Capital. “Deus olhou com ternura para uma jovem pobre da periferia de Jerusalém e é com esse mesmo olhar que olha para vocês, mães empobrecidas das periferias, que, como ela, aos pés da Cruz, seguram no colo os filhos esvaindo-se em sangue, sem vida, mortos por agentes do Estado, como o jovem Wellington da Silva Dias, recentemente executado em São Pedro por um policial militar, como tantos outros jovens pretos e pobres, executados sumariamente ao longo dos anos no Espírito Santo”. Divulgação Sobre o caso, Padre Kelder ressaltou principalmente o discurso racista do poder público. “Cansamos de ouvir a narrativa do Governo do Estado de que os jovens executados nas periferias foram mortos porque atiraram primeiro, quando todos nós sabemos que isso não é a verdade. Os vídeos que circularam intensamente nas redes sociais mostram a frieza do policial que atirou em uma pessoa com as mãos na cabeça, uma situação que sabemos ser recorrente no território capixaba, conforme já denunciado na ONU [Organização das Nações Unidas], sem que o Estado mude sua forma de atuação”. Ainda sobre a violência estatal, o sacerdote disse que “está mais do que provado que criminalizar, encarcerar e matar jovens e adolescentes pobres não diminui em nada a violência ou o tráfico de drogas e de armas, que cada vez está mais forte, movimentando montanhas de dinheiro, financiando campanhas políticas e fundando igrejas, ocupando o lugar do Estado e de outras instituições, cujos gestores não querem saber dos pobres, a não ser em ano eleitoral”. O coordenador do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória abordou em seguida o drama da fome, que cresce em todo o país. “Nós, cristãos, temos o dever moral de dar pão a quem tem fome, mas os gestores públicos tem o dever legal, previsto na Constituição. Então, não corram dessa sua obrigação, senhores presidente, governador e prefeitos! A fome de nosso irmão depõe contra nós e revela o fracasso de nossa humanidade e modelo de civilização”, convocou. Divulgação O escândalo recente envolvendo o Ministério da Educação (MEC) e igrejas evangélicas também foi destacado, com o padre chamando de “mercenários transvestidos de pastores” os que se aliaram ao ministro da Educação [Milton Ribeiro] e “vendiam a Palavra de Deus a peso de ouro, desviando recursos da sagrada educação, profanando o nome do Senhor”. A fome, salientou, “chegou em nosso meio e está devorando tudo, principalmente a vida, a dignidade e a alegria das pessoas empobrecidas”, sendo necessária a implantação de “políticas decentes de distribuição de renda e políticas emergenciais para matar a fome do povo que sofre”.  A crítica novamente se voltou às três instâncias de poder. “Dia a dia, testemunhamos a insensibilidade e má vontade dos gestores municipais, estaduais e federais, que se recusam a oferecer aos empobrecidos alternativas de acesso à alimentação, como restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos”, denunciou, lembrando que, só na Arquidiocese de Vitória, há mais de 14 mil famílias cadastradas para receber cestas básicas. “Sabemos que no Estado são mais de 1,2 milhão passando fome diariamente”, contextualizou, informando que a Campanha Paz e Pão já distribuiu mais de 500 toneladas de alimentos em 2021.  “É preciso que toda sociedade tome consciência do sofrimento dos empobrecidos e se mobilize para impedir o avanço da fome com ações solidárias a curto prazo, mas, e, principalmente, cobrando dos gestores políticas públicas de enfrentamento à fome e à erradicação da pobreza”, convocou Padre Kelder. Divulgação Encerrando a celebração, disse ainda que “nenhuma mãe deveria ser humilhada, como vocês, mães, que vão de um lugar a outro, cabisbaixas, acabrunhadas, carregando os filhos nos braços, em busca de uma cesta básica ou de uma botija de gás, sem serem ouvidas ou enxergadas pelos gestores públicos, enquanto o governo federal gasta milhões com viagra, lubrificante íntimo e próteses penianas para as Forças Armadas, desmascarando o cinismo e a impotência de quem governa a nação, afrontando o povo e ofendendo a Deus, querendo transformar nosso país em Sodoma e Gomorra”. O episódio do MEC também foi lembrado pelo padre Vitor César Zille Noronha, do Santuário Bom Pastor de Cariacica, na última terça-feira (19), terceiro dia do Oitavário da festa da Padroeira do Espírito Santo, como um dos “sinais de morte” percebidos neste momento no país. “Recentemente, pudemos observar, o governo federal vetou em época de campanha da fraternidade sobre educação, a distribuição de absorventes para as meninas pobres. Para isso não tem dinheiro! Enquanto isso, tem para Viagra, prótese peniana e lubrificante para as Forças Armadas, vejam só! Sinais de morte. É uma grande sacanagem, podemos dizer assim!”. Divulgação Em contraposição, os “sinais do Cristo ressuscitado”, necessários nos dias de hoje, exigem uma postura diferente de todos, governantes e demais cidadãos. “Se queremos encontrar o Cristo ressuscitado, devemos ouvir as galileias desse mundo. Galileia dos vencidos, dos últimos. Devemos estar sim com as pessoas em situação de rua, com os encarcerados, com as pessoas LGBTs, com os negros, com todos aqueles que sofrem discriminação”, orientou.  Finalizando sua fala, padre Vitor Noronha afirmou que “o Cristo não é um cristo com arma na mão. (…) Os poderosos desse mundo, como Pôncio Pilatos, lavam as mãos. Jesus Cristo está em serviço, lavando os pés. Armai-vos uns aos outros, não! Desde Pio XII, a doutrina da Igreja é pelo desarmamento!”, brincou, conclamando uma cultura

25/04/2022 / 1 Comment
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Carnaval de Congo une fé, dança, resistência e música popular em Roda d’Água

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Missa congueira foi um grito de basta ao racismo, à LGBTfobia, à transfobia, à desigualdade social e ao genocídio indígena Os congos mais conhecidos da tradição capixaba voltaram a ecoar ao som dos tambores e das casacas no Campo do América, onde aconteceu, nesta segunda (25), o Carnaval de Congo de Roda d’Água. A programação uniu fé, dança, resistência e música popular, reunindo milhares de pessoas de diversos lugares para homenagear a padroeira do Estado, Nossa Senhora da Penha, e manter viva uma tradição que começou nos tempos da escravidão e que é aguardada com ansiedade ano após ano. A festa começou com um momento celebrativo. A missa congueira, como é chamada, teve início após uma procissão com a imagem de Nossa Senhora da Penha. Em um evento cuja origem está na resistência do povo negro escravizado, o padre Carlos Antônio da Conceição, da Paróquia Bom Jesus, em Cariacica, foi assertivo em sua homilia, que foi um grito de basta ao racismo, à LGBTfobia, à transfobia, à desigualdade social e ao genocídio indígena, lembrando os excluídos. “É inadmissível que essas esquisitices continuem acontecendo em nosso meio”, destacou.  Claudio Postay/PMC Para mandar o recado, o sacerdote utilizou até mesmo linguagem inclusa. “Que entendamos de forma definitiva que o que tu queres, ó, mãe, para nosso Brasil, é uma nação unida, integrada. Que possamos sentir que é possível conviver com as diversidades, que é possível o diálogo religioso, interreligioso, que é possível a convivência pacífica com as demais religiões, que é possível deixar de lado as diferenças, tudo que desune, e abraçar o que nos une, em prol da construção de uma nação na qual seus filhos, filhas, todos, todas, todes, tenham vida digna, sejam respeitados”, disse. Claudio Postay/PMC O sacerdote clamou ainda para que tenha fim “a fome que assola, que dizima, que mata tantas vidas”, além do “desemprego neste país tão rico e diverso”. Após a missa, o Campo do América ficou tomado pelas bandas de congo de Roda d’Água e outros municípios. A dançarina da banda São Benedito de Piranema, do bairro Piranema, em Cariacica, Maria Aparecida Gomes de Araújo, relatou a emoção de retornar ao Carnaval de Congo de forma presencial depois de dois anos no formato virtual em decorrência da pandemia do coronavírus. “O coração não cabe no peito. A alegria é enorme, imensa. Foram dois anos fazendo vídeo para não deixar essa cultura morrer. Hoje está tudo lindo. Os tambores falam por si, não sei nem como mensurar a emoção deste momento”, diz. Mestre Dorinho, da Banda de Congo Piapitangui, de Viana, acredita que o evento é uma prova da união entre as bandas. “O carnaval é muito importante. A cultura do congo é de grande amizade. O evento em Roda d’Água foi um sucesso, eles estando felizes, as outras bandas também estão”, destaca. Claudio Postay/PMC A festa se encerrou às 18h, com a Ave Maria, acompanhada de tambores de congo e show pirotécnico. A região de Roda d’Água conta com as seguintes bandas de congo: Mestre Tagibe, São Sebastião de Taquaruçu, Santa Izabel, São Benedito de Boa Vista, Unidos de Boa Vista e São Benedito de Piranema, além da banda de congo mirim do Mestre Tagibe. Também participaram do evento bandas dos municípios de Vitória, Viana, Vila Velha, Serra e Fundão, na região metropolitana; e Fundão e Aracruz, no norte. Claudio Postay/PMC A festa é tradicional na região e conta com um personagem que existe somente nessa localidade, o João Bananeira. Com o rosto coberto por uma máscara e o corpo por folhas de bananeira, pessoas da comunidade encarnam o personagem e acompanham os cortejos e todo o restante da programação. Conta-se que João Bananeira surgiu na época da escravidão, quando os negros usavam esse artefato para não serem identificados durante as festividades em homenagem à padroeira do Espírito Santo.

25/04/2022 / 2 Comments
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