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Alunos de escolas municipais de Vitória realizam protesto nesta terça-feira

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Grupo cobra providências para falta de professores e quer ser recebido pela secretária Juliana Roshner Estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Octacílio Lomba, em Maruípe, e da EMEF Prezideu Amorim, em Bonfim, localizadas na Capital, farão uma manifestação nesta terça-feira (12) para denunciar a falta de professores nas duas unidades de ensino. Os alunos sairão às 8h30 das escolas, irão se encontrar na Avenida Vitória, e seguirão para a Secretaria Municipal de Educação (Seme), em Itararé, onde querem ser recebidos pela secretária Juliana Roshner. A estudante Júlia Ramos de Souza informa que, no Otacílio Lomba, onde estuda, falta professor de Inglês para as séries iniciais e de Ciências para alunos da sua série, que é o nono ano. No Prezideu Amorim, a ausência é de profissional para lecionar Matemática do sexto ao nono ano, além de professor para o quarto e o quinto anos e um coordenador. “Tem bastante aluno que quer fazer a prova do Ifes [Instituto Federal do Espírito Santo] e está se sentindo excluído, não ouvido pela Seme. Queremos ser recebidos pela secretária. É uma revolta dos alunos e dos pais, que também estão sendo convidados para participar”, diz Júlia. O grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (PAD-Vix) apoia a manifestação, mas o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Rocha de Souza, explica que o protagonismo é dos estudantes. “Eles estão lutando pelo direito de ter aula, de ter professor na escola, para que não percam mais do que já perderam. Estão usando seu protagonismo, sua autonomia, para reivindicar aquilo que o poder público deveria garantir sem ninguém exigir”, ressalta. Ele recorda que a entidade alertou sobre a possibilidade de ausência de professores e fez sugestões de como evitar o problema, como a renovação dos contratos dos trabalhadores em Designação Temporária (DTs), mas a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) não acatou. Em entrevista ao Século Diário, em março passado, Aguinaldo apontou que o problema já tinha sido reportado para a Seme, que disse que resolveria a situação, mas não estabeleceu prazos. Na ocasião, o professor relatou que a prefeitura estava “tapando buracos”, colocando professores em horário de planejamento para acompanhar as turmas nos horários das aulas que não têm docentes, atrapalhando não somente o planejamento profissional, mas também “desorganizando a escola como um todo”.

11/04/2022 / 0 Comments
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Acompanhamento de pessoas com diabetes nos municípios é frágil, afirma TCE

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Auditoria do Tribunal de Contas fez 18 recomendações de medidas de prevenção e cuidados a pacientes Marcelo Camargo/ABr Os municípios capixabas cuidam mal da prevenção e tratamento relativo ao diabetes. A conclusão é do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), que apresentou uma série de 18 recomendações aos municípios, com objetivo de melhorar o atendimento às pessoas portadoras ou com potencial de contrair a doença, que é uma das prioridades de saúde pública no Brasil e no mundo.  Com base em um levantamento anterior, que englobou os 78 municípios capixabas, oito foram selecionados para a auditoria: Vitória, na região metropolitana; Aracruz, Mantenópolis, Baixo Guandu e Linhares, no norte do Estado; Conceição do Castelo, na região serrana; Ibatiba, no Caparaó; e Piúma, no litoral sul. Uma das constatações foi que há pouco acompanhamento dos diabéticos cadastrados. Em todos os municípios fiscalizados, o percentual de solicitação de hemoglobina glicada ficou abaixo da meta de 50%. A hemoglobina glicada é um exame capaz de medir o índice glicêmico no organismo, ou seja, os níveis de açúcar presentes no sangue. O exame serve para acompanhamento dos pacientes já diagnosticados com diabetes e para diagnosticar diabetes em pacientes que ainda não sabem que têm a doença. Além disso, com base nos prontuários analisados pela equipe de auditoria, verificou-se que em nenhum dos municípios fiscalizados foi disponibilizada a consulta de enfermagem para todos os diabéticos nos últimos 12 meses. Em relação à consulta médica, apenas o município de Vitória a disponibilizou para todos os diabéticos nos últimos 12 meses. Uma vez concluído o diagnóstico de diabetes, pode ser necessário o encaminhamento do paciente a consultas especializadas, como endocrinologia, nefrologia e oftalmologia. Diante disso, buscou-se identificar o prazo que estes pacientes aguardavam por este tipo de consulta, sendo apurado que pacientes chegam a aguardar em alguns casos mais de um ano para uma consulta especializada. Outros problemas A auditoria também apontou problemas como a não realização de rastreamento de possíveis diabéticos. A equipe de fiscalização utilizou como parâmetro que pelo menos um terço dos usuários cadastrados com 45 anos de idade ou mais tenha realizado o exame de glicemia de jejum em 2020. A conclusão foi que apenas em Linhares a quantidade de exames de glicemia realizados em 2020 se deu dentro do critério de auditoria adotado. Outra verificação feita pelo TCE foi se o cadastro de diabéticos do município está adequado. Foi considerado adequado apenas o resultado de Baixo Guandu e Conceição do Castelo, em que a divergência entre o quantitativo de diabéticos estimados no Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) e os números de diabéticos apresentados pelos municípios ficaram abaixo de 10%. A auditoria também apurou se o município disponibiliza medicamentos e insumos para os diabéticos. Nos meses de janeiro a setembro de 2021, em todos os municípios, à exceção de Vitória e Conceição do Castelo, houve indisponibilidade para alguns itens e/ou em alguns meses específicos. Recomendações  Diante do cenário identificado, o Tribunal encaminhou 18 recomendações aos municípios. Uma delas, foi para que as Secretarias Municipais de Saúde de Aracruz, Baixo Guandu, Conceição do Castelo, Ibatiba, Mantenópolis, Piúma e Vitória aumentem a realização de exames de glicemia de jejum para os usuários com 45 anos de idade ou mais assintomáticos, visando o diagnóstico e tratamento precoces e minimizando os riscos de desenvolvimento de complicações. Outra recomendação foi feita às Secretarias Municipais de Saúde de Aracruz, Ibatiba, Linhares, Mantenópolis, Piúma e Vitória, para intensificarem o processo de cadastramento dos usuários até alcançar a totalidade da população, e/ou a qualificação desse cadastro para identificar possíveis diabéticos e realizar o acompanhamento, tendo como parâmetro os dados do Sisab. Às Secretarias Municipais de Saúde de Aracruz, Baixo Guandu, Conceição do Castelo, Ibatiba, Linhares, Mantenópolis, Piúma e Vitória, foi sugerido intensificar a solicitação de exames de hemoglobina glicada nos usuários diabéticos até alcançar as metas estipuladas no Programa Previne Brasil. Por fim, o TCE emitiu ainda recomendações para que as secretarias de saúde garantam prazos de espera adequados de consultas e procedimentos especializados. A auditoria foi realizada no período de 28 de setembro de 2021 a 14 de janeiro deste ano. O processo de auditoria foi julgado na sessão virtual do Plenário do último dia 24 de março. Nela, o relator, conselheiro Sérgio Borges, votou por acompanhar o relatório da área técnica, assim como os demais conselheiros. Problema é crescente no mundo Dados da décima edição do Atlas do Diabetes, divulgado em novembro passado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) – por ocasião do Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro – mostram que 537 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos de idade têm diabetes no mundo, alta de 16% em dois anos. Os especialistas da IDF projetam que o número de adultos com a doença pode chegar a 643 milhões em 2030 e a 784 milhões em 2045. A prevalência global da doença atingiu 10,5%, com quase metade (44,7%) sem diagnóstico.  O levantamento, feito a cada dois anos, revela que o número de pessoas com diabetes aumentou de tal maneira que superou, proporcionalmente, a expansão da população global, não havendo, até o momento, qualquer divulgação, de informação e de acesso ao conhecimento, ao diagnóstico e a um tratamento de qualidade sistemática por parte dos órgãos sanitários. O Atlas do IDF diz que, só em 2021, 6,7 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Conforme destacou a Agência Brasil na ocasião, a proporção de pessoas com diabetes, que era de uma a cada 11, caiu agora para uma a cada dez pessoas, grande parte delas em países de baixa renda. O Atlas do Diabetes indica que 81% dos adultos com a doença vivem em países em desenvolvimento. Na América Latina e na América Central, estima-se que o número de diabéticos alcance 32 milhões.

11/04/2022 / 0 Comments
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‘A educação em Vitória está em situação de calamidade’, denuncia Comev

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Conselho visitou unidades de ensino, elencou irregularidades encontradas e denunciou ao Ministério Público O Conselho Municipal de Educação de Vitória (Comev) visitou unidades de ensino da Capital e denunciou ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio de um relatório, as irregularidades encontradas. Das cerca de 100 escolas de Vitória, foram visitadas 76, contemplando todas as regiões da cidade. As visitas, de acordo com a presidente do Comev, Zoraide Barboza de Souza, possibilitou concluir que “a educação em Vitória está em situação de calamidade”. Das 76 escolas visitadas, 24 responderam uma pesquisa enviada por meio do google formulários. O relatório foi encaminhado também para as próprias escolas, Câmara de Vereadores, Secretaria Municipal de Educação (Seme) e entidades da área da educação, como a Associação de Pais e Alunos do Espírito Santo (Assopaes) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes). O relatório aponta que 97,7% das unidades de ensino apresentam quadro de professores incompleto. De acordo com os entrevistados, nas 24 unidades de ensino onde foi aplicado o questionário, foi constatado que estão faltando 62 profissionais da área da educação. Um dos problemas comuns entre as escolas está a dificuldade para organização dos horários. Isso acontece por causa da indisponibilidade de docentes para completar carga horária “quebrada”, ou seja, abaixo de 25 horas semanais, o que atrapalha o colégio a conseguir profissional para Carga Suplementar de Trabalho e para cobrir as licenças médicas e falta de professores. Além disso, faltam profissionais responsáveis pelos estudantes que precisam permanecer nas escolas após às 12h e às 18h, no final das aulas. Conforme consta no documento, muitos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI’s) não contam com coordenadores de turno. “Foi aberta a possibilidade de carga horária suplementar para os pedagogos ficarem mais 30 minutos em cada turno, porém, em alguns contextos, não há interesse dos profissionais. Também há casos de trabalhadores que ocupem a função de assistente administrativo”, aponta o relatório. Durante as visitas foi informado sobre o aumento no número de pedidos de exoneração e rescisão de contratos dos profissionais da Rede, o que, segundo o Comev, é possível confirmar por meio das publicações no Diário Oficial do Município de Vitória. “Isto revela que a rede municipal de Vitória já não é mais tão atrativa como em anos passados. Muitos profissionais estão preferindo trabalhar em outros municípios”, conclui o documento. Outro problema destacado é  fato de que nas escolas onde há a modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA), no turno noturno, não é disponibilizado tempo para higienização das salas para o próximo turno, necessitando que os estudantes e professores aguardem do lado de fora das salas de aula até que a limpeza seja finalizada, interferindo na carga horária definida para a Rede Municipal de Ensino. No relatório consta também que, com o aumento da carga horária, mudança feita por meio da Portaria 091, publicada em dezembro de 2021, modificando os artigos 5º e 6º da Resolução nº 07/2008, muitos professores não têm tempo hábil para se alimentar e se deslocarem para outro local de trabalho, pois vários deles dependem de jornada dupla de trabalho para garantir a sua sobrevivência. “Esse contexto não considera o trabalhador como um ser humano, que tem necessidades básicas a serem atendidas, podendo transformar a escola em um espaço de adoecimento, tanto pela precariedade das condições de trabalho, quanto pela redução de espaços coletivos para os profissionais acordarem os projetos institucionais e interdisciplinares, projeto político pedagógico, soluções coletivas para problemas comuns, espaços de planejamento e/ou formações”, diz o documento. No que diz respeito à Educação Especial, o relatório classifica a situação como “caótica”, já que em algumas unidades de ensino com mais de 40 crianças que demandam atendimento especializado não há professor, apoio e estagiário. Além disso, o documento denuncia que há escolas em que a modalidade Tempo Integral passou a prevalecer sem que fosse feita uma formação com os profissionais. “Estão todas inseguros em relação às novas disciplinas, conteúdos e às particularidades da modalidade. A falta de profissionais na Rede intensifica as dificuldades”, diz o documento. Comev aciona Ministério Público contra aumento da carga horária na rede municipal Proposta consta em portaria publicada em dezembro, mas Prefeitura não tem essa prerrogativa, explica Conselho https://www.seculodiario.com.br/educacao/comev-aciona-ministerio-publico-contra-aumento-da-carga-horaria-na-rede-municipal

10/04/2022 / 0 Comments
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Mãe quilombola desabafa sobre caso de racismo: ‘Quero respeito!’

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Enfrentando um câncer, Lenilda Alacrino afirma que comunidade está indignada com ofensas contra seu filho Divulgação Uma acusação de racismo contra um jovem de 19 anos indignou a comunidade quilombola de São Domingos, em Conceição da Barra, norte do Espírito Santo. Trabalhando como menor aprendiz, ele relata que ouviu de um operador de trator durante um treinamento uma série de insultos com conotações de preconceito racial e contra comunidades quilombolas. O instrutor do curso, que foi comunicado pelo jovem sobre o caso, que ocorreu na frente de muitos, não tomou nenhuma medida. Segundo consta no boletim de ocorrência registrado pelo jovem com apoio da família, o fato ocorreu no dia 1º de abril durante o horário de almoço de seu trabalho, como menor aprendiz, em parceria da empresa Alcon com o Senar. O relato prossegue que após dificuldades com o manejo de trator, que fazia parte do trabalho, o operador de máquinas alegou para os demais colegas que o quilombola havia feito “burrice”. Na pausa, o operador foi até o aprendiz, que descansava da refeição no gramado, e teria dito: “Esses pretos do paraíso já gostam de ficar no mato para roubar pau”. Depois de discutirem e o jovem anunciar que deixaria o curso, o operador afirmou: “Esses negro do Paraíso são tudo nervoso”, conforme registra o boletim feito na Polícia Civil. Paraíso é como alguns se referem à região do quilombo de São Domingos, já que ali era próximo a um bordel com aquele nome. “Criei meus dois filhos sozinhos, nunca furtei madeira, tenho como provar tudo que fiz para cuidar do meu filho. Ele não pode dizer que o povo do Paraíso é ladrão. Já fui legalmente pegar facho mas jamais invadi uma área. Fico muito chateada”, diz Lenira Alacrino, mãe do jovem, que é professora de História e Artes. Aos 43 anos de idade, ela enfrenta tratamento contra um câncer de mama agressivo, está impossibilitada de trabalhar mas ainda não conseguiu pensão pelo INSS, para a qual já deu entrada. Parte do salário do filho era o que lhe ajudava com os vários remédios que precisa comprar e ainda com os lanches que faz durante as viagens para tratamento em Linhares. Mesmo assim, ela decidiu não se calar. “Fiquei muito abalada. É incrível que coisas assim aconteçam em pleno século 21. Tanto lutei pela causa do povo negro, quilombola, pela comunidade. Ensinei meus filhos a se defenderem. Ele é esforçado, centrado, instruído e politizado”, disse sobre o jovem, que estuda Gestão Ambiental em uma faculdade particular enquanto trabalhava como menor aprendiz. Embora tenha recebido contato do setor de Recursos Humanos da empresa, ele não quer voltar a trabalhar no local onde sofreu o assédio. “Ele está assustado. Segurou a onda, quando viu que estava nervoso ele deu o fora. Ele fez bem”, considera Lenilda.  O jovem voltou a pé por longos quilômetros após a ocorrência do caso. A mãe critica a discriminação por conta da cor contra seu povo, comunidade tradicional reconhecida nacionalmente. “O operador fez todo tipo de discriminação. Usou o estereótipo colonialista para cima do meu filho. Não sou só eu e ele que estamos abalados, toda comunidade está ofendida”, relata. Segundo ela, o racismo se manifesta de várias formas na região, quando falam seu endereço na cidade, também nas escolas, especialmente na parte central de Conceição da Barra, o que levou a mãe a transferir seus filhos para o distrito de Braço do Rio. Com dor e indignação, Lenilda pede justiça. “Quero que não aconteça com outros jovens daqui o que aconteceu com meu filho. Quero respeito, porque estou num momento de dor e preciso de paz”, desabafa.

10/04/2022 / 0 Comments
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Fiocruz, MST e Expressão Popular lançam dicionário de Agroecologia e Educação

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Com 106 verbetes, obra é uma construção coletiva de movimentos sociais, educadores e defensores da vida O Dicionário de Agroecologia e Educação será lançado na próxima terça-feira (12) por meio de um trabalho de construção coletiva liderado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJN/Fiocruz), com apoio da presidência da entidade, em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e apoio da Editora Expressão Popular. groecossistemas, Capitalismo Verde, Cosmovisões, Educação Politécnica … Ao todo são 106 verbetes, elaborados por 169 autores de 68 instituições distintas – universidades públicas, institutos federais de educação, movimentos sociais, institutos de pesquisa – e com representação de autores da Argentina, Guatemala e México, ao lado de pesquisadores e educadores brasileiros. Na apresentação do Dicionário, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, ressalta que o Dicionário contribui para o conhecimento sobre a multiplicidade de experiências nacionais e locais que dão vida ao conceito de Agroecologia. “Resultado de um esforço coordenado, não se trata de uma simples reunião de temas, mas de um projeto integrado baseado em amplo diálogo que envolveu a produção coletiva da obra. O próprio processo de sua construção foi orientado pela perspectiva de se construir conjuntamente uma Pedagogia da Agroecologia”, afirma. “A EPSJV foi chamada a cumprir essa tarefa por ser uma unidade que, há cerca de 17 anos, vem realizando uma série de parcerias no âmbito da pesquisa e da educação em saúde junto ao MST, o que nos possibilitou ir construindo uma criticidade sobre as possibilidades e desafios que se enfrentam no campo brasileiro”, ressalta a professora-pesquisadora da Escola Politécnica, Anakeila Stauffer, que organizou a obra em conjunto com o também professor-pesquisador da EPSJV, Alexandre Pessoa, e com Maria Cristina Vargas e Luiz Henrique Gomes de Moura, militantes do MST. Produção agroecológica cresce No Espírito Santo, assim como no cenário nacional, o MST tem a Agroecologia como uma de suas bases filosóficas, sendo aplicada no dia a dia da lida com a terra – reivindicada, nos acampamentos produtivos, ou conquistada, nos assentamos já regularizados – e também nas escolas mantidas pelos assentados e acampados e nas formações políticas diversas realizadas pelo movimento em todo o país. “A produção expectativa é continuar avançando na produção agroecológica”, afirma Adelso Rocha Lima, da coordenação estadual do MST-ES. Também integrante da direção nacional do MST/ES, Eliandra Fernandes reforça, que a conquista da terra é o primeiro passo para garantir a dignidade e da saúde através de alimentos cada vez mais livres do pacote de morte financiado pelo agronegócio, que faz do Brasil um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. A ela, se segue a conquista também da moradia e da educação de qualidade. A prioridade do movimento, sublinha, é “uma política de efetivação da reforma agrária popular, que dê condições para as famílias viverem no campo produzindo alimentos saudáveis para suas famílias e para as famílias urbanas”, complementada com “uma política que impeça os usos de agrotóxicos de forma tão indiscriminada e que, em contrapartida, desenvolva mecanismos de incentivo à produção agroecológica”. Soberania alimentar Na visão de Alexandre Pessoa, a experiência de construção coletiva do dicionário é fruto da convergência de movimentos sociais do campo, da floresta, das águas, das periferias e comunidades urbanas, sujeitos políticos e pedagógicos que lutam pela promoção da saúde e da vida e pela emancipação social. “Diante da grave crise ecológica e de destino, a agroecologia, enquanto processo que envolve ciência, trabalho camponês e movimento popular, se apresenta com uma emergência, uma vez que precisamos, com urgência, superar as relações de exploração, opressão e destruição entre capital-trabalho e capital-natureza. Frente ao atraso das monoculturas das terras e das mentes, o dicionário é uma expressão de resistência e compromisso com o esperançar”, afirma. Maria Cristina destaca que, nos últimos anos, o MST tem intensificado a formação de educadores das escolas de educação básica em torno do tema Agroecologia, pois, na visão dela, a educação escolar pode contribuir para o fortalecimento da Agroecologia e da agricultura camponesa como modo de vida. “Temos o grande desafio de inserir nos processos escolares conhecimentos que possam superar a forma tradicional com que é tratada a história da agricultura e a ecologia. Nesse sentido, a produção de materiais que contribuam para subsidiar os educadores e educadoras é fundamental”, aponta. Luiz Henrique salienta que a sociedade vive em um período histórico em que as formas de exploração capitalistas do ser humano e da natureza produzem cada vez mais destruição e sofrimento. A natureza, segundo ele, é vista como inimiga e deve ser constantemente combatida. Nesse contexto, aponta, as forças populares têm produzido soluções concretas para as necessidades sociais e ecológicas. “A soberania alimentar, a agroecologia e o cuidados dos bens comuns, como a terra, a água e a biodiversidade, são bases de uma sociedade onde as pessoas e a natureza estão no centro, não o lucro. O abastecimento das famílias trabalhadoras com alimentos saudáveis – só possível a partir da realização da reforma agrária popular – é hoje um dos objetivos centrais de um projeto popular para nosso Brasil”, defende. E acrescenta: “O objetivo desse dicionário não é catalogar a totalidade da agroecologia. É, sim, popularizar os conceitos, as categorias e as técnicas agroecológicas que permitem justamente pensar esse novo projeto de campo e sua relação com o projeto de país”. ‘Terra é para quem nela trabalha e tira seu sustento’, conclama MST Movimento luta há 38 anos pela reforma agrária no Brasil. ES tem 2,6 mil famílias assentadas e mil acampadas https://www.seculodiario.com.br/direitos/terra-e-para-quem-nela-trabalha-e-tira-seu-sustento-conclama-mst

10/04/2022 / 0 Comments
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Artistas e produtores organizam novo Grito da Cultura em Vitória

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Setor cobra respostas a demandas apresentadas há um mês e um diálogo direto com prefeito Lorenzo Pazolini Leonardo Sa Um novo ato da cultura será realizado em Vitória, no dia 16 de abril. Artistas cobram o cumprimento das reivindicações protocoladas na prefeitura em março, ainda sem respostas, bem como uma reunião com o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). A mobilização será realizada na Praça Costa Pereira, Centro da Capital, e está prevista para começar às 15h, com diversas atividades político-culturais. Exatamente um mês após o ato realizado em frente à sede da Prefeitura de Vitória, os artistas cobram resposta às demandas apresentadas. No dia 16 de março, os mobilizadores protocolaram uma carta com sete reivindicações urgentes para a cultura de Vitória, como a Lei Rubem Braga, o fechamento de equipamentos de atendimento à juventude, e a falta de interesse do município em investimentos no setor. Desde então, o único movimento da prefeitura foi pela realização de uma reunião com o Secretário de Cultura, Luciano Gagno, o que não foi aceito pelos artistas. “A gente entende que essa conversa não pode ser tratada com ele porque duas das reivindicações envolvem a investigação do secretário e a saída dele. Então é um pouco um conflito de interesses que ele esteja falando em nome da prefeitura”, declara Karlili Trindade, integrante do movimento Grito da Cultura, e uma das organizadoras do ato. Os artistas cobram uma conversa direta com o líder do Executivo, Lorenzo Pazolini. “Desde o começo, nossa solicitação, até mesmo na carta protocolada, foi de uma conversa diretamente com o prefeito. Pra nós, não interessa mais dialogar com um secretário que nunca dialogou com a gente”, declara. Essa falta de diálogo sempre foi apontada pelos artistas, até mesmo por integrantes do Conselho Municipal de Cultura, apontando que o secretário não frequentava as reuniões. Para Karlili, há uma falta de interesse e até de entendimento sobre o papel da cultura. “Existe uma incompreensão do que é o setor cultural porque o secretário não é do setor cultural, então ele não entende a dimensão que esse setor tem, tanto na economia, quanto na dimensão simbólica e social (…) A secretaria de cultura, hoje, atende as demandas que ela entende que é importante, sem diálogo com o setor, sem dialogar com o conselho, então é bem preocupante”, aponta. Questionada sobre as possíveis consequências da gestão Pazolini para a cultura de Vitória, a mobilizadora afirma os impactos já estão sendo sentidos, principalmente em razão da pandemia, que fez com que muitos equipamentos culturais fossem fechados. “Foi uma gestão que não dialogou com a gente nesse processo todo e, principalmente, no planejamento dessa retomada. Uma coisa que a gente sempre bateu na tecla no setor cultural é que a lei Aldir Blanc, por exemplo, nos atende emergencialmente e, mesmo assim, não atende todo mundo, mas e quando acabar o recurso da Aldir Blanc? Como a gente vai planejar nossa retomada? Porque tá todo mundo financeiramente quebrado”, aponta a mobilizadora. Karlili acredita que faltou compreensão sobre a necessidade de planejamento para a retomada desse setor, que ainda está em recuperação. Para o futuro, ela teme impactos ainda maiores e é por isso que os artistas estarão nas ruas, mais uma vez, no próximo dia 16. “Se não houver nenhuma tentativa de investir no planejamento dessa recuperação, eu não sei como vai ser. Um setor que, financeiramente, está desestruturado, desassistido, sem política pública, sem investimento. O futuro que se avizinha pra gente não é muito promissor”, conclui. 

10/04/2022 / 0 Comments
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Chuvas de abril

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Abril se abriu em flores: é primavera no hemisfério norte As fortunas mudam de mão, algumas rapidamente, umas tantas clandestinamente. Dinheiro é cobra viva, se arrasta em silêncio vai ziguezagueando ali e acolá – por aqui não passou ainda. O mais rico da vez pode ser o pobre de amanhã, ou vice-versa. Antes da Mãe Tereza, houve a Mãe Catarina, em seu tempo a mulher mais rica do mundo. O pai era banqueiro e ao falecer lhe deixou considerável fortuna. * Katherine, depois Mãe Catarina, se isolou em um convento, mas seu conselheiro espiritual a convenceu a criar sua própria irmandade. “Temos legiões de santos pobres, santos ricos são tão raros como camelos passando pelo fundo de uma agulha. Mãe Catarina, como ficou conhecida, dedicou seus milhões financiando escolas e treinamento profissional para mulheres negras, ainda não chamadas afro-americanas, e índias, ainda não chamadas Americanas nativas.  * Abril se abriu em flores: é primavera no hemisfério norte. Páscoa da Ressurreição, tempo de chocolate e ovinhos de Páscoa. Por que os coelhos entraram nessa festa não está bem claro. Por certo não foram citados na Bíblia, Jesus andando pelo mundo não encontrou algum coelho que tenha feito o bem sem ver a quem. No entanto, aí estão. Sendo prolíficos geradores de descendentes, são símbolos de fertilidade e vida nova. Dizem por aqui: Chuvas de abril, flores de maio. * Copiamos tudo dos americanos, e se eles puseram os coelhos nessa história, nós aceitamos de bom grado. Diz a lenda que foram os imigrantes alemães que invadiram a América nos idos de 1700, que trouxeram a tradição do coelhinho da páscoa. A ideia dos chocolates veio depois. Quanto ao ovo, sendo um antigo símbolo de renovação da vida, veio de tradições pagãs. Na tradição cristã, o ovo representa a ressurreição de Cristo. Em Nova York, o Desfile da Páscoa existe desde os primórdios de 1800, e se repete todos os anos. Religiosamente, mas não tem um aspecto religioso, embora as procissões sejam uma tradição do cristianismo. Já diz o ditado, “devagar com o andor que o santo é de barro”. * A Páscoa é o segundo maior consumidor de balas na América, atrás apenas do Halloween. Primeiro lugar na preferência nacional são os ovos de chocolate, não grandes e bonitos como os nossos. São pequenos, embrulhados em papel alumínio colorido. O segundo lugar em vendas é o jelly beans – uma balinha colorida em formato de feijão. De acordo com os fabricantes de guloseimas, na Páscoa são vendidos 16 bilhões de jelly beans. Haja açúcar! * Alguns dos mais famosos nascidos em abril – Leonardo da Vinci, 67; Carlos Magno, Imperador romano, 67; Marcus Aurelius, filosofo romano, 59; William Shakespeare; Hans Christian Anderson, 70; Alice Braga; Mariya Putina, filha do Putin; Charles Chaplin, 88; Maya Angelou, 88.

09/04/2022 / 0 Comments
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Sindipetro visitará municípios capixabas em caravana contra a privatização

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A Caravana dos Petroleiros irá percorrer cidades que serão impactadas com a saída da Petrobras O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro/ES) irá visitar municípios do Espírito Santo que serão mais impactados com a saída da Petrobras e conscientizar a população sobre a importância de se posicionar contrária à privatização da estatal. Trata-se da Caravana dos Petroleiros, que começou nesta sexta-feira (8), em São Mateus, norte do Estado, e percorrerá ainda as cidades de Conceição da Barra, Jaguaré e Linhares, também no norte; e Presidente Kennedy, no sul. O coordenador-geral do sindicato, Valnisio Hoffmann, afirma que as atividades da Caravana serão realizadas em algum ponto estratégico da cidade, com grande circulação de pessoas, onde será feita panfletagem, diálogo com os moradores sobre a importância da Petrobras, além de distribuição de cupons de desconto para o gás de cozinha como forma de informar as pessoas sobre qual deveria ser o valor do combustível caso o governo Bolsonaro (PL) não atrelasse o preço ao dólar. Caravana dos Petroleiros, em São Mateus. Foto: Divulgação Em São Mateus, por exemplo, onde começou a caravana, o Sindipetro conseguiu um fornecedor de gás pelo valor de R$ 110,00, distribuiu um cupom no valor de R$ 70,00, portanto, quem o recebeu terá que pagar apenas R$ 40,00 pelo gás de cozinha. Esse seria o valor, caso o governo federal mudasse sua política de preço, afirma Valnísio. Outras atividades da caravana são os encontros com políticos locais, como vereadores e prefeitos, para mostrar as consequências da privatização da Petrobras para a cidade. O coordenador geral do Sindipetro destaca que um dos prejuízos é a perda dos royalties. Ele recorda que a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu que empresas consideradas pequenas devem pagar apenas 5% dos royalties, enquanto a Petrobras, 10%. O dirigente sindical explica que essas empresas estão comprando postos da Petrobras, que, a partir da venda, terão os royalties reduzidos em 50%. O dirigente sindical aponta ainda a redução salarial. Conforme afirma, trabalhadores que atuam como operadores de campo, por exemplo, quando trabalham na Petrobras ganham cerca de R$ 4,5 mil. Nas empresas que compram os postos, a remuneração reduz para uma média de R$ 1,5 mil. Além disso, há perda de benefícios, como o fato de o plano de saúde não ser mais extensivo aos dependentes. Essa realidade, salienta Valnísio, não é prejudicial somente para os petroleiros, mas também para a economia da região, uma vez que os trabalhadores perdem poder de compra e isso prejudica o comércio local.

09/04/2022 / 6 Comments
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Grande mobilização da juventude indígena marca acampamento em Brasília

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Cada vez mais, jovens se envolvem na luta pelos direitos do próprio povo. 18º ATL prossegue até dia 14 Yara Tupinikim, 16 anos, aldeia Caieiras Velha. Foto: Arquivo Pessoal. Esta semana, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) concluiu: ‘é um ATL de rosto jovem’. Na 18ª edição do Acampamento Terra Livre, considerada a maior mobilização indígena do país, a instituição reafirma um cenário que era perceptível nas aldeias e nas redes sociais. A juventude indígena está cada vez mais ativa na luta pelos próprios direitos. A Tupinikim Yara Vitoriano do Rosário, 16 anos, é da aldeia Caieiras Velha, em Aracruz, e participou pela primeira vez do ATL este ano. Ela conta que percebe esse aumento do engajamento entre jovens indígenas. “Os jovens são os que mais frequentam, pra conhecer mais sobre a cultura e defender os nossos direitos (…) pra não deixarmos que roubem nossa terra e os nossos direitos indígenas”, afirma. Mobilizações como o ATL acabam sendo fundamentais para que os jovens tenham contato com as próprias tradições. Renato Tupinikim, que participa da organização dessas viagens de Aracruz para Brasília, também nota o espaço que a juventude está tomando. “O movimento aumentou quando a gente trouxe eles pro acampamento. Cada ano que a gente vem, mais jovens e adolescentes querem vir, porque eles querem passar por essa experiência”, explica. O mobilizador, que participou de 16 das 18 edições do ATL, conta que o contexto de mobilização da juventude em todo o Brasil também é perceptível entre os Tupinikins e Guaranis do Espírito Santo. “Viemos em três ônibus e a maioria era jovem. Então, acredito que o fortalecimento tá sendo cada vez maior. Eles estão retornando hoje (8) para Aracruz, já pensando no retorno quando for a votação do Marco Temporal”, destaca. De acordo com a Apib, essa renovação de idade entre os participantes das mobilizações é um movimento natural para as populações indígenas, que têm como tradição celebrar os anciões e ancestrais. “A juventude é a principal afetada, é quem tá sofrendo as consequências do que tá acontecendo dentro dos nossos territórios, a juventude também está sendo ameaçada”, disse Txai Surui, líder indígena da juventude, em um comunicado divulgado pela Apib. CRJ Aracruz Na última quinta-feira (7), durante a inauguração do Centro de Referência das Juventudes (CRJ) em Aracruz, o vereador e ex-cacique, Vilson Jaguareté (PT), falou sobre a importância de políticas públicas que garantam os direitos dos jovens indígenas. “Os jovens sempre desempenharam papel importante nos movimentos sociais, assumindo postos de liderança em protestos mundo afora, organizando manifestações e ocupando o espaço público com demandas sociais, políticas, econômicas e culturais. Nas ruas, nas comunidades, nas redes sociais e internet em geral! Da mesma forma, eu tive a oportunidade de fazer a diferença junto ao meu povo na defesa de nosso território e de nossa etnia (…) Nosso país precisa cuidar melhor de sua juventude, mas, para tanto, é necessário que toda sociedade se envolva nas discussões para elaboração de um conjunto de políticas públicas que conduzam o jovem a um futuro digno”, declarou o parlamentar. ‘Demarcação Já’: Mais de seis mil indígenas marcham em direção ao Congresso – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/demarcacao-ja-mais-de-seis-mil-indigenas-marcham-em-direcao-ao-congresso Destruição de terras indígenas é a primeira pauta de acampamento em Brasília – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/atl-2022-destruicao-de-terras-indigenas-e-a-primeira-pauta-do-acampamento Mais de 100 indígenas do Estado participarão de mobilização em Brasília – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/mais-de-100-indigenas-do-estado-viajam-para-acampamento-em-brasilia

09/04/2022 / 0 Comments
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Projeto Baleia Jubarte alerta sobre extinção iminente da Toninha no norte do ES

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Pequeno golfinho foi impactado pelo crime da Samarco e precisa de proteção quanto à pesca acidental Gravemente ameaçadas de extinção mesmo antes de serem razoavelmente conhecidas pela sociedade. Essa é a situação da toninha (Pontoporia blainvillei), um pequeno cetáceo (mamífero marinho), parente dos golfinhos e baleias, que ocorre somente na América do Sul, entre o litoral do Espírito Santo e da Argentina.  O alerta foi feito este mês pelo Instituto Baleia Jubarte (IBJ), por meio de Nota Técnica encaminhada aos órgãos ambientais – Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Centro de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio) – e aos ministérios públicos Federal e Estadual (MPF/ES e MPES).  Elaborado por Milton Marcondes e José Truda Palazzo Jr, coordenadores de Pesquisa e de Desenvolvimento Institucional do IBJ, respectivamente, a Nota Técnica tem objetivo de “informar autoridades públicas, lideranças comunitárias e demais atores sociais sobre o iminente risco das toninhas serem extintas no Espírito Santo se não forem tomadas com urgência medidas para reduzir sua mortalidade”. No documento, os pesquisadores ressaltam que, no litoral capixaba, as toninhas se concentram apenas na porção norte, entre Santa Cruz/Aracruz e a divisa com a Bahia, havendo maior presença na região da Foz do Rio Doce, em Linhares. Nesse trecho de 175 km, estima-se que resistam apenas 595 indivíduos. Ao sul desse ponto, a partir do litoral de Fundão e Serra, na Grande Vitória, há um vazio de ocorrência da espécie, que só volta a aparecer no litoral norte do Rio de Janeiro. Projeto Toninhas/Univille A Toninha possui hábitos costeiros, mantendo-se em áreas com profundidade máxima de vinte metros. É um cetáceo mais difícil de ser observado na natureza do que seus primos mais famosos, golfinhos e baleias. A cor da água do mar, mais perto da costa, também dificulta o registro. As fotos que ilustram a matéria foram feitas pelo Projeto Toninhas, da Universidade da Região de Joinville (Univille), na Baía de Babitonga, em Santa Catarina, local com a maior população conhecida da espécie, e onde os pesquisadores já acompanham os animais há mais tempo no Brasil, há vinte anos. Ela está classificada como Criticamente em Perigo no Brasil, o que significa um risco extremamente alto de extinção na natureza. A população capixaba, especificamente, se encontra em posição ainda mais preocupante, exatamente devido a esse isolamento físico. “É a população de cetáceos [mamíferos marinhos, como golfinhos, botos e baleias] mais ameaçada do Brasil”, contextualiza Eduardo Camargo, coordenador-geral do Projeto Baleia Jubarte e diretor-presidente do IBJ. O cientista explica que, com o passar do tempo, o grupo do norte do Espírito Santo foi se isolando, por motivos que ainda são desconhecidos pelos pesquisadores. “Já é possível identificar diferenças genéticas desse grupo”, destaca.  Lama tóxica e outras ameaças  Eduardo Camargo conta que, ao longo dos mais de vinte anos de monitoramento de encalhes de cetáceos no litoral brasileiro, as toninhas são sempre os que mais aparecem mortos. “A degradação dos habitats costeiros é uma ameaça grave. Após o desastre da Samarco, houve maior contaminação”, pontua.  Na Nota Técnica, os autores afirmam que a população capixaba de toninhas “sofreu impacto do Desastre de Mariana, quando o rompimento da Barragem de Fundão em 2015 trouxe mais de 60 milhões de toneladas rejeitos de mineração da empresa Samarco através do Rio Doce atingindo toda a área de ocorrência da espécie no Espírito Santo”.  O estudo com carcaças de toninhas encontradas na região mais diretamente afetada pelo crime “mostrou aumento na concentração de mercúrio e zinco no músculo e fígado dos animais encalhados após a chegada da lama”, sublinham os autores, ressaltando também que “a ocupação do litoral capixaba coma instalação de portos e terminais marítimos é uma ameaça à sobrevivência da espécie”. Mas a principal ameaça à conservação da espécie, sublinham, é a captura incidental em redes de pesca. A afirmação se baseia em um monitoramento da atividade pesqueira em seis comunidades do norte do Espírito Santo durante dois anos (julho de 2017 a setembro de 2019), período em que o Projeto Baleia Jubarte também realizou reuniões com os pescadores para discutir opções para a sobrevivência das toninhas.  O trabalho faz parte de um estudo de três anos realizado em conjunto com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com recursos de compensação ambiental decorrentes do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o MPF e a petrolífera Chevron, após o grande derramamento de petróleo ocorrido em dezembro de 2011 na Bacia de Campos, no litoral norte fluminense.  Mortandade 17 vezes maior Nos dois anos de monitoramento, a equipe acompanhou 4,4 mil desembarques pesqueiros, nos quais foi identificada a captura acidental de pelo menos 15 cetáceos, dos quais três eram toninhas. Com base nestes dados, explanam os pescadores na Nota Técnica, foi possível estimar as capturas incidentais de toninhas para o período em seis animais, com um intervalo de confiança de 95% de 2 a 22 animais. “Como os dados de capturas foram obtidos de forma indireta, através do relato dos pescadores, é provável que estes números estejam subestimados”, acentuam. Projeto Toninhas/Univille O cálculo dos pesquisadores é que, para a população de 595 toninhas estimada, o número máximo de capturas que poderia ocorrer, de forma a não estimular maior declínio da população, seria de 0,7 toninha/ano, ou seja, um máximo de duas toninhas capturadas em um período de três anos, sem considerar os outros efeitos que podem se somar às capturas (degradação de habitat, poluição, doenças, etc) para contribuir para o declínio da população. Há ainda um outro estudo feito pelo Instituto Baleia Jubarte com o Programa de Monitoramento de Praias da Bacia do Espírito Santo (PMP), por meio do qual foram encontradas, entre 2019 e 2021, 34 carcaças de toninhas na região. O estado de decomposição não permitiu estabelecer a causa da morte de todos os animais, mas em pelo menos doze animais foi identificado o emalhe em redes de pesca como a causa do óbito. O número, ressalvam,

09/04/2022 / 0 Comments
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